Os Dezessete

1 Capítulo I - Prometheus


Notas iniciais
Capítulo escrito por Humberto Hoeller, revisado por Gabriel Dacoregio de Souza.

“Tudo era tão perfeito... Tudo era tão vivo... Mas a vivacidade um dia chegou ao fim”. Sou Prometheus, um Kamael. Kamaels são anjos grandes com asas brancas tão grandes quanto e sua pele geralmente têm um tom rosado. Dizem que o reflexo de um Kamael é mais rápido que a velocidade da luz, quando este é bem treinado.

Não sei ao certo quem eu sou, mas sei que sou um assassino de sangue frio e não faço a mínima ideia do porque ainda estou vivo. Talvez seja graças a minha fiel rapier¹ Asal², dada de presente pelos meus supostos pais.

Tento me lembrar até hoje o porquê de eu ter perdido a memória. Quando eu toco onde deveria estar minha asa direita, veias furiosas saltam para fora de minha fina pele rosada, fazendo-me ter convulsões de dor. Sim, é terrível, e sim, sou um “Anjo Caído”, ou seja, perdi uma de minhas asas. O mito conta que um anjo cai quando deixa de exercer sua real função, ou então se tem contato com um mortal.

Não conheço outros “Anjos Caídos”, eu sou a única prova viva e imortal de que anjos existem. Minha missão? Vagar pelas terras onde o homem não tem coragem de tocar, sentir ou dormir.

Procuro as mais remotas respostas para entender o porquê de eu ter perdido a memória e até mesmo entender onde está o restante de meu povo, ou ainda, de meu reino. Considero-me um rei, já que ainda acredito poder ressuscitar meu povo, ou até mesmo meus pais.

É doloroso viver sozinho, chorar sem ter alguém para lhe consolar. Mas com o tempo, você se acostuma. Eu digo a todos que eu mato: “A morte não é o fim da vida e sim o começo de uma nova. Basta você seguir a luz branca para morrer sem dor, mas caso contrário, siga a luz verde para morrer com a maldição Hekus”.

ARGH! Esta maldição… Hekus… Eu lembro dela! Hekus é uma das maldições mais terríveis de se lançar ou até mesmo pronunciar contra um mortal, é quase irreversível. É uma dor que não pode ser compreendida por palavras, somente sentida.

Estou atualmente perto das regiões Nórdicas. Recebi uma missão: Capturar um Javali Albino. Meus deuses! Estes monstros fedem! São gigantes, desajeitados, peludos, barulhentos, sozinhos e brutais. Tenho uma leve queda pela brutalidade deles, mas piedade? JAMAIS!

É raro encontrar um Javali Albino, mas depois de saber qual foi o último caminho percorrido por ele, é só seguir os passos. Estou caminhando há duas semanas. Estou com fome, frio, sede, cansado e sedento por sangue. Mas ao mesmo tempo estou cansando de matar os Bárbaros… São tão… Rudes e cruéis!

Creio que vou ter que deixar a missão de lado e procurar uma vila mais próxima para eu descansar, não aguento mais caminhar. Minha asa esquerda está completamente coberta por uma fina camada de gelo. Minha rapier brilha vermelho sangue, dizendo que tem alguém por perto, só não sei onde está o maldito: Já faz um mês que ela brilha assim e nem é por causa do maldito Javali!

Espere… Sinto algo estranho… Que sentimento é esse? Parece familiar! Sim, eu já senti isso antes… Vamos cabeça, qual o nome dis- É MESMO!: Ansiedade! Mas como eu posso conhecer os sentimentos sendo que eu não tenho um recipiente dos mesmos?

Aliás, esqueci de dizer: Sou um anjo sem sentimentos.

"Asal, por favor, pare de brilhar! Está chamando atenção nesta neve toda!", Eu peço, finalmente, afinal Asal é capaz de se comunicar comigo.

"Perdão, Mestre… É que eu pressinto um inimigo que fora meu mest...

"COMO É QUE É?", Interrompo, surpreso.

"Exatamente, não estamos sozinhos! Existe um semelhante próximo... Cuidado", Foi aí que Asal demonstrou sua total fidelidade, e, por meio de magia, saiu de minha bainha e defendeu, na velocidade da luz, uma segunda Rapier, só que esta outra era lenta.

"QUEM É VOCÊ?" Eu grito, surpreso.

"HAHAHAHHAHAHHA... FRACO COMO SEMPRE, PEQUENO PROMETHEUS!"

Em um ato de fúria, minhas asas esquentaram e o gelo se partiu. Aproveitando os pequenos dardos de gelo que se formaram no processo, voei na direção daquele maldito bastardo.

Foi quando, num piscar de olhos, ele se teletransportou e cravou sua Rapier em minhas costas. Sem sentir dor e com a Rapier dele ainda alojada em mim, rodopiei e cortei o maldito na altura do pescoço.

Jorrando sangue, corri e o agarrei pela túnica.

"QUEM É VOCÊ!?" Repito, em fúria

"HAHAHA...", Ele ri com dificuldade, tossindo. "Você cresceu, pequenino", A tosse dele parece ficar cada vez pior. "Só vi-vim deixar o recado que s-sua mã-e pe-pediu…"

"Minha mãe?", Larguei o homem misterioso. Seus olhos eram da mesma cor que os meus... "MEU DEUS! EU MATEI UM KAMAEL!" Eu grito, horrorizado.

"Olhe suas costas, Prometheus… Vo-você não tem a asa direita… Eu tenho!" Assim que ele termina, agarro o misterioso Kamael pela túnica novamente e ponho a lâmina mais uma vez no corte feito no pescoço.

"Diga o que minha mãe queria dizer a mim... DIGA!"

“Meu deus, estou perdendo o controle! Olhe o solo... Morto!”, eu penso. O chão possuía vinhas negras e uma estrela mal formada era desenhada pela explosão de sangue.

"E-ela diss-disse: E-eu t-te am-amo meu bebê! Des-desculpe pel-pela sua per-perda de mem-memória..." Ele gagueja, e então some das minhas mãos.

O homem havia desaparecido em minhas mãos. Um rastro de sangue foi deixado pelo seu teletransporte suicida. Lá, jogado no chão gelado e branco, cuspia e tossia sangue. Foi no seu último suspiro que aquele misterioso homem virou milhões de penas de fênix.

Eu berrei, e berrei muito. Meu berro se transformou em algo agonizante e horripilante, fazendo a terra estremecer de tanto ódio que eu sentia de mim mesmo: Matei um Kamael.

Me aproximo das penas e noto que sua túnica estava queimada. Dou as costas e estou prestes a seguir meu rumo, mas...

"Espere! Olhe!" diz Asal.

Me viro lentamente e puxo o cabo da Rapier, poderia ser um contra ataque ou um inimigo! Me agacho e pego a túnica rapidamente. Vi que, dentro dela, existiam letras douradas e difíceis de serem lidas.

"Está em 'Élfico Lúbrico'.", Asal me informa.

"Ótimo! Entendo TUDO..." Eu retruco, impaciente.

"Consegui decifrar... OH MINHA ANAKIM!!!!!!!!!!!!!!!! Meu mestre... o que eu for ler aqui... não faça coisas precipitadas, por favor!" A agonia de Asal é perceptível.

"Prometo!" Eu respondo.

"Ok... Diz na túnica: 'Eu, Jik, filho de Kij e irmão de Prometheus, tenho como missão dar o recado de nossa falecida mãe. Infelizmente, terei que me passar como alguém diferente e até mesmo morrer nas mãos de meu irmão, pois assim a profecia será cumprida.

Prometheus, sei que você tem Asal, peça para ele ler. Mas, o real sentindo desta mensagem é: Mar, obsoleto que seja, sempre tem um segredo. E o segredo é revelado quando existem amigos e um sentimento em comum. Depois, parte ao norte do mar, seguindo o labirinto dos falecidos. Lá, irás descobrir toda a verdade e a tal profecia'."

"Ok, estou boiando mais do que um cabeça oca…." Digo a ele.

"Eu também não entendi... Mas ele sempre está usando o mesmo ponto de referência, que é o mar. Será que lá tem as respostas? Mas que mar é este, oras! Existem vários!" Asal me pergunta.

"Eu não sei, Asal… Eu não sei!"

Notas finais
Glossário ¹ Florete: (arma de esgrima) em inglês. ² Asal: Nome do florete de Prometheus que tem a capacidade de pensar. (Espero que tenham gostado e no próximo capítulo será introduzido um novo personagem com uma nova história!)