Os Dezessete
22 Capítulo XXII - Dylan
Notas iniciais
Estou correndo desesperado em meio a mata densa, que conhecia tão bem a ponto de um dia chamar de lar. Mas não mais, esse lugar já não é mais seguro e tenho que fugir com Raposa, meu único amigo agora.
Tudo começou duas noites atrás, quando eu e Henry fomos a uma taberna litorânea e e vimos o rosto dele estampado entre os cartazes de procurados, seu valor era de 10.000 peças de ouro, vivo ou morto.
— Está ficando famoso — disse a Henry. Ele já era procurado, mas seu valor nunca tinha passado de 100 peças de prata. Ele me olhou indiferente, então apontei para o cartaz e Henry foi arrancá-lo.
— Isso que acontece quando se deixa alguem vivo nos seus assaltos, Dylan — comentou ele. Acho que ele se referia a um assalto em particular ao qual roubamos uma comissão da igreja, só queríamos o dinheiro, mas eles estavam armados, eu e Henry atacamos e matamos a maioria, senti piedade do mais velho entre eles e pelo visto ele quem nos delatou, já que essa foi a única vez que algo do tipo aconteceu.
Entramos na taverna, Henry a muito estava acostumado com o clima deste tipo de lugar, mas faz pouco tempo que ele me leva e fico pouco surpreso pelo comportamento das pessoas embriagadas, alguns gritos vindo do canto onde estavam apostando na luta de galos, comuns para o entretenimento da plebe. Lá dentro, ele só queria coletar algumas informações sobre novos acontecimentos muito estranhos e relatos muito confusos.
Saímos da taverna duas horas depois do nosso primeiro caneco de vinho, Henry parece satisfeito com o que conseguiu, ainda se mantém silencio sobre a sua descoberta .Depois de caminhar cerca 9 horas voltamos ao nosso lar, quero dizer, uma clareira modificada para nossas necessidades envolvida por um vale inabitado, onde Raposa estava esperando.
Henry disse que, no dia em que me achou, um recém nascido deixado no meio da floresta com uma papel escrito "CUIDE DELE!" numa caligrafia bem feita, uma raposa prenha ficou circundando a gente. Ele comentou que em um dia quando acordou a raposa estava me amamentando, ele ficou surpreendido com tal cena e a enxotou. Dias depois ouviu um choramingo e foi ver, era a tal raposa, morta e ao seu lado um único filhote vivo, sua pelagem tinha o tom alaranjado igual aos meus cabelos, desde então Henry deixou Raposa nos acompanhar, ele acabou virando meu único amigo. Henry era de nascimento baixo e sempre deu o seu melhor e se dedicou para ter o que queria. Desde criança tinha o sonho de ser da guarda da cidade, com somente 18 anos ingressou a academia, aos 20 anos já era o quarto na linha de poder, e aos 22 era subcomandante. Ele não me contou como foi, mas o expulsaram da cidade, desde então ele vivia pelas florestas sem rumo.Quando me achou toda a sua esperança voltou , e me criou com filho e pupilo.
Quando tinha apenas 6 anos Henry começou a me ensinar tudo o que sabia, combate singular, em grupo e a distância. Com 10 anos consegui pela primeira vez tirar a espada da mão dele.
No dia seguinte, fui fazer minha rotina de exercícios junto com Raposa e levei o dia inteiro. No começo Henry me treinava todos os dias com sol ou chuva, cada dia uma habilidade diferente, mas com o tempo ele parou de me acompanhar no treinamento dizendo que já tinha superado todos os desafios físicos que ele poderia oferecer a mim, fazendo então só desafios psicológicos, assim passei meus dias revesando entre tiro ao alvo com minha besta e combate com a espada de madeira em uma árvore qualquer. Minha rotina era a mesma: exercícios físicos, tiro ao alvo e combate singular.
Acabei minha rotina e já se iniciava o crepusculo. Eu já estava a menos 100 metros da clareira quando ouvi vozes alteradas num início de discussão, Henry sempre me dizia que estratégia vencia força. Eram quarto indivíduos, dois na frente de Henry e os outros mais afastados, mas ainda dentro da clareira. Aproximei-me da borda da clareira, armei minha besta e esperei, a discussão tinha se acalmado para uma conversa bem direta:
— Onde está o ouro? — disse o homem que estava na frente de Henry.
— Aquele ouro não era de vocês e muito menos da igreja, deixe-me em paz, já gastei todo o ouro de vocês!
— E quanto ao menino que estava com você? Queremos ele, não o maldito ouro — disse o homem ao lado do primeiro.
Percebi que já era hora de agir. Minha primeira flecha foi direto no crânio do homem a frente de Henry. O homem ao seu lado virou em minha direção, recarreguei a besta num átimo atirei bem no meio do seu peito. Henry já tinha se recomposto e correu em direção ao terceiro, ainda espantado com a morte de seus companheiros, Henry quebrou o pescoço dele num só movimento. O quarto homem fugiu.
— O que eles queriam Henry? — perguntei, entrando na clareira.
— Dylan, creio que não tenhamos muito tempo, logo eles estarão de volta. Quero que saiba que tudo que fiz foi com a melhor das intenções, só queria te proteger, te ensinar a viver nesse mundo tão horrível — falou, pegando sua bolsa e me entregou.
— Tudo que sabes sobre tu mesmo é uma grande mentira. Lembra-se da taverna litorânea que fomos esses dias? Espere lá, alguem irá te ajudar, só diga ao dono que mandei lembranças e mostre minha espada, ele arranjará um quarto para você ficar.
— Mas Henry, não virás comigo?
— Tentarei despistá-los, depois irei até a taberna — misso ele me entregou a bolsa com seus pertences. — Corra, agora.
Nisso surgiu uma flecha em seu peito, levantei os olhos e vi um arco longo no meio da folhagem, não hesitei, virei as costas e corri o mais rápido que pude, tentando despistar o atirador, fazendo grandes ziguezagues na mata densa.
Uma flecha acertou a árvore ao meu lado, e corri ainda mais rápido, sentindo os músculos de minha perna queimar como protesto. Continuei correndo por quase uma hora, para ter certeza que ninguém mais me perseguia. Achei uma pequena caverna, entrei e me joguei no chão duro, eu sentia o mundo girar e parecia não conseguir respirar ar suficiente.
Acordei com uma coisa alaranjada, peluda e quente apoiada nas minhas pernas. Era a cabeça de Raposa, ele me lançou um olhar inteligente, se aninhou ali e voltou a dormir.
— Durma bem amigo, a partir de agora não tenho mais certeza de nada — falei.
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