Os Dezessete

15 Capítulo XV - Melkor Ruspelf


Notas iniciais
Capítulo escrito por Nathan Guilherme Manoel, revisado por Gabriel Dacoregio

Você não sabe o que é bom, até perder. Meu nome é Melkor Ruspelf e eu sou um feiticeiro. Sim, um feitceiro. Não “O” feiticeiro, mas eu sei alguns truques. Minha vida ERA perfeita, eu tinha uma mulher (Lunna Belfor), dois filhos (dois gêmeos, Chet e Kristin), e uma vila maravilhosa ao leste da Rússia; os Tyrats, como éramos chamados. Uma vila de feiticeiros em busca de paz e descanso após cem anos... cem intermináveis anos de batalha contra os Ranthurians (Os Gigantes do Oeste). Nosso povo pensava estar seguro, pensava estar em paz, um acordo tinha sido feito com os Ranthurians para que cada povo pudesse viver em paz. MAS, ao passar dos anos, a terra dos Ranthurians começou a secar e a nossa, nossa preciosa Tyrat, prosperava...

Klaus Van Stolen (rei dos Ranthurian) marchou com um gigantesco exército de gigantes e dragões para poder dominar Tyrat. Ele atacou logo ao amanhecer e foi realmente um amanhecer violento; sangue e fogo de dragão manchavam as pequenas casas de Tyrat, a batalha não durou nem duas horas. Estávamos fracos, não esperávamos um ataque.

Peguei minha mulher e filhos e os levei para a floresta sombria. Sim, eu sei, ter levado a minha mulher e meus filhos a um lugar chamado "floresta sombria" não é bem uma boa ideia, mas era o que eu tinha no momento. Era tudo escuro e silencioso, eu lançava feitiços de armadilha em cada lugar que passávamos para evitar possíveis perseguidores, mas após uma hora de corrida fomos surpreendidos por um dragão. Um dragão usando armadura branca que brilhava à luz do sol; ele se erguia lentamente mostrando todo o seu poder e marcando muita presença, o que seria uma cena linda se o alvo do dragão não fosse a minha família. Ele abriu a sua boca e lançou uma bola de fogo infernal perto de nós: ele queria assustar, era inteligente demais para um dragão comum e se movimentava rapidamente e...

– MORRAM! Filhos de Urin, Tyrat é a minha terra!

... ELE FALA! Aquele dragão... é um dos últimos dragões lendários, só pode. A inteligência, o fogo infernal, a armadura... o que ele fazia aqui? AH SIM, Dragões lendários costumam migrar pro Oeste a cada 10 anos, os Ranthurians devem ter feito algum trato com ele, ou algo assim.

O Dragão estava brincando. Ele queria ver, ele queria sentir o nosso medo, era como um desejo obsceno pelo medo alheio... era um dragão insano! Eu tentei fugir, mas ele era muito grande e era quase impossível fugir dessa criatura, então tentei atacar ele e isso foi a pior coisa que eu fiz na minha vida... eu o deixei irritado e ele não gostava que o deixassem irritado, então lançou mais uma bola de fogo que acertou uma árvore que tinha ao meu lado. O "fogo" que ele lançou fez com que a árvore explodisse em vários pedaços de madeira. Um deles atingiu a minha perna e abriu um buraco enorme, eu já estava no chão como um galo de briga após tomar uma boa surra (eu nunca vi uma cena dessas mas ela deve ser interessante), então ele usou o seu longo rabo para me jogar longe e se virou para a minha família, abrindo a boca para lançar seu último ataque. Eu queria impedir, mas não conseguia mexer as pernas e ele soltou mais uma bola de fogo infernal; eu tentei usar um dos meus feitiços para criar um escudo sobre a minha família, mas meu escudo não foi forte o bastante... ELES MORRERAM! Viraram cinzas com apenas um ataque. O dragão estava feliz, então pegou as cinzas da minha família e as jogou sobre mim, soltando uma risada diabólica. Aquela voz, aquele rosto... era tudo tão feio e assustador. Após rir da minha desgraça e ouvir vários xingamentos, ele abriu asas e voou. Se eu chorei? SIM, eu os amava, era tudo que eu tinha, minha mãe já tinha morrido, e agora eles! Mulher e filhos, mortos...

Era uma sensação horrível, minha perna sangrava sem parar. Eu não conseguia andar, mas tinha que fazê-lo, precisava ir até a minha vila... a visão estava ficando embaçada e escura, não demorou muito até eu desmaiar...

– Ei! Sr. Ruspelf, acorde, ei ei...

Eu não conseguia acordar. Eu estava preso em um pesadelo, vendo repetidamente a minha família sendo morta e sem conseguia acordar... mas eu precisava! Aquela coisa... eu precisava matá-lo...

– Você acordou, enfim, eu quase o joguei no mar !

Nada melhor do que acordar com uma ruiva com um corpo muito bem esculpido olhando pra você. Quer dizer, seria realmente um momento lindo se eu não estivesse em luto.

– Há quanto tempo eu comecei a dormir?

– Há exatamente uma semana.

– E quem é você?

– A pessoa que salvou a sua vida...

– Eu quis dizer... Qual o seu nome?

– Stuff. Veronika Stuff, mas pode chamar de madame Veronika, porque eu sou uma Lady.

–É sério isso?

–Não, eu estava brincando.

Ela parece ser uma daquelas pessoas que tentam fazer piadas, mas falham.

– Ai que merda, o que eu perdi?

–Além da sua família? — Então Veronika soltou um leve sorriso para tentar esconder que tinha feito uma terrível, aliás, horrível "piadinha" e eu logo a encarei.

– Foi uma piadinha, desculpe. Bem... nossa vila foi tomada, as mulheres mais bonitas foram usadas, estupradas, e depois vendidas aos donos de putas. Não que nossas civis sejam putas, quer dizer, nem todas, a Bety é puta, mas nem todas são, sabe... foi só uma maneira de dizer, porque eles compram mulhe...

–Ok, eu entendi.

Eu tive que cortar ela, ela estava perdida nas ideias.

–Onde estou?

–Ah, estamos ao norte de Tyrat. Cidade velha, e antes que você pergunte... sim, eu troquei as suas roupas, estavam com sangue e cheias de barro, joguei elas no mar.

– Impressão minha ou você adora jogar as coisas no mar?

– Eu ADORO jogar coisas no mar.

Após ficar em pé, eu dou uma volta sobre o quarto onde estávamos. Tinha vários livros manuscritos, mas um deles me chamou a atenção. Era algo sobre anjos...

–Que livro é esse?

–Livro? Ah sim, sim, sim adoro esse livro, fala sobre anjos. Azazel, Prometheus, eu queria conhecê-los um dia. Quem sabe um dia...

Após analisar o livro com cautela eu o joguei onde estava e rapidamente Veronika me encarou. Ela adora aquele livro e esses tais anjos, eu mesmo já ouvi falar deles, mas... nada com que eu tenha que me preocupar ainda.

– Como você me encontrou? E você encontrou mais alguém? E... como você sabe sobre a minha família?

– Hum, pergunta 1: Eu te encontrei quando eu estava patrulhando no meio da mata, caído e bem machucado. 2: Há apenas eu, você e o Phill. 3: enquanto você "dormia", você mencionava algo sobre "vingança, aaaaaaaargh, família, morte, dragão, armadura, aaaaaaaaaaargh FOOOOMEE", não necessariamente nessa ordem. Quer dizer, sempre terminava com o "FOOOOOOMEE".

– Ha ha. Você é engraçada, senhora Veronika, mas onde está esse Phill?

Então Veronika puxou uma cobra de dentro de um baú que estava perto de nós.

– Senhor Phill, eu lhe apresento o senhor Melkor, sejam bons amigos.

– Sério isso? Uma cobra? Se pelo menos ela tivesse o nome de "Sly" seria melhor.

–Não, não, é Phill — então ela começou a sussurar umas coisas pro "Phill"- De onde ele tira essas ideias? Sly? Ai ai, essas pessoas.

–Sly é um nome legal!

– Talvez.

Após mais uma hora com Veronika, eu percebi que ela era meio lunática e a cobra (Phill) fica apenas observando ela fazendo as suas maluquices. Eu deveria saber mais sobre ela.

–É meio clichê, não? — perguntou Veronika — Tipo, sua família amada morrer pelo malvadão, super malvado rei da malevolência que o poupou a vida. TÃÃÃÃO CLICHÊ.

–Como assim "clichê"?

–É sempre assim nas grandes histórias, será que estamos em uma grande história? Ou faremos parte de uma grande história?

–Não viaja.

Meu corpo estava doendo e cansado. Eu não podia sair agora, eu tinha que descansar.

Já era quase meia noite e eu e ela estávamos sentados em um pequeno grande morro que tinha quase que do lado da casa. Essa era a hora perfeita para saber mais sobre ela.

–Humm... você vive aqui há muito tempo?

–Sim.

– Há quanto tempo?

– A minha vida toda. Essa casa era da minha mãe... quando ela ainda estava viva, sabe. É algo que eu lembro, o jeito como ela morreu...

– E o seu pai? Você tem pai?

– Nunca tive um pai. O máximo que eu tive foi um estuprador... ele estuprou a minha mãe, a espancou e nove meses depois eu nasci. Minha mãe morreu quando eu estava dormindo, ela se deitou no meu lado, me abraçou... e ... morreu.

– Me desculpa... eu não queria...

Merda, eu sou um idiota. Ela estava triste, os olhos dela estavam cheios de lágrimas.

– Minha mãe sempre falou que nem tudo é ruim, só precisamos encontrar o lado bom. E, segundo ela, eu sou o lado bom.

–"Lado bom"? Você é uma maluca...

– Ah, obrigada...?

–Não, você é a maluca que salvou a minha vida.

Ela me abraçou com tanta força, que eu fiquei com uma leve saudade do ar. Nós dois sofremos coisas horríveis, ela me contou a vida dela e eu devia fazer o mesmo.

– ... Meu pai, ele era um bêbado louco. Toda noite ele chegava bêbado, e todo dia a minha mãe se estressava. Certo dia, ele voltou mais bêbado que o normal e bateu na minha mãe. O motivo? Ela tinha sido vista andando com outro homem... não que ela estivesse realmente traindo o meu pai, esse outro homem era um comerciante que estava ajudando a minha mãe a levar as compras. Meu pai bateu nela tão forte, mas tão forte, que o rosto dela ficou todo vermelho com o próprio sangue. Irritado e bêbado, ele tropeçou no próprio pé... minha mãe não perdeu a oportunidade, pegou a faca e o matou com 5 facadas na cabeça. Eu tinha apenas 10 anos e vi tudo; os guardas da cidade logo souberam do ocorrido e ela foi executada em praça pública. Eu a vi chorar com o rosto desfigurado... eu a vi chorar e foi a última coisa que ela fez antes de ser decapitada.

–E eu pensando que você queria me estuprar, agora eu entendo a sua cara de triste.

–Porque eu te estupraria?

–Eu sou sexy.

10 DIAS DEPOIS

Eu não sabia como dizer "Adeus". Ela cuidou de mim, e é isso que vou fazer? Ir embora? Mas é preciso... Minha cidade...

–Já vai? – ela pergunta.

– Sim. Eu agradeço a você por ter me salvado, mas agora... eu preciso resolver algumas coisas.

– Vai atrás dele né? Digo, do dragão né?

– Talvez...

–Ok, eu vou junto. Só espere 5 minutos, que eu e o Phill iremos!

–NÃO!

–SIM!

–Não!

–Siiiim!

–Você não pode ir. Você vai morrer! –eu digo.

–Você vai morrer pelas mãos desse dragão, eu irei, eu vou te ajudar... você sabe como é difícil viver em uma casa abandonada por quase toda a sua vida, e sem ter ninguém pra ajudar? Eu quero aventura, quero sangue, quero ver o mundo e, se tem um dragão louco por aí, não seria adequado para uma dama como eu ficar em uma região tão perigosa. O Phill concorda, porque ele é um damo.

Ela fez uma carinha triste e de um certo modo ela estava certa, tem um dragão andando por aqui e eu sentia algo por ela. Em 10 dias, nossas conversas me levaram a ter um sentimento por ela... eu tenho que protegê-la, ela me salvou!

–OK, Você vai comigo e... "damo" não existe, você lê todos esses livros pra nada?

– Uiia grosso, estava só brincando.

Em 5 minutos, Veronika encheu a sua bolsa de livros e algumas vestimentas, e... duas espadas, da onde ela tira isso? Veronika tirou do seu armário um cachimbo e, por mais louco que pareça, ERA PRO PHILL! Ele fumava como gente, era estranho.

–Aonde vamos? — perguntou ela.

– Vamos procurar alguém que entenda os dragões... uma treinadora, talvez.

– Não podemos apenas sentar a faca nesse dragão, pra que procurar alguém que entenda dragões?

– Aquele era um dragão diferente...

–Então é aqui que começa? A aventura?

– Sim, e o que iremos encontrar pela frente é um mistério...

Notas finais
Se você achar que alguma parte do capítulo ficou toscamente cômica, essa é a intenção do autor.