Os Deuses da Mitologia

163 LAVINIA - Só Mais Duas


Notas iniciais
desculpa a demora mais uma vez, eu fiquei dodói nos ultimos dias do ano passado, mas aproveitem o cap novo! espero q gostem :) feliz ano novo atrasado galeraaaa. sinto q esse ano a história termina. será? sinceramente n tenho 100% de ctz kkk com essa média de 1 a 2 caps por mês, n sei o q achar. no momento, estão em locomoção os grupinhos: - Indo pra o Sudão: Carter, Zia, Paulo, Drew - saindo do Brasil: Leo, Calipso,Magnus, Jacques, Alex, Festus, André (Brasileiro que tava na Nigéria e não sabe jogar futebol), Meg e Apolo no momento, estão na ÁSIA, os grupinhos: - Indonésia: Lavínia, Hazel, Annabeth, Kayla, Grover, Percy, Piper, no momento, estão na ÁFRICA, os grupinhos: - Nigéria : Olujime no momento, os grupos que estão na EUROPA são: - Indo para a Itália: Caçadoras de Ártemis (Thalia, Ártemis, etc), Clarisse, Reyna, Ciara - Inglaterra: Blitzen, Hearthstone, Mestiço, Mallory - Turquia : Sam, Anúbis, Sadie, Will, Nico - Alemanha: Maias-Astecas: Victoria, Micaela (a menina q parece Annabeth) e Eduardo (guri chato que o Mestiço deve estar querendo esganar)

LAVÍNIA

Amatsu-Mikaboshi era um adversário assustador. Lutar contra ele era como lutar contra um buraco negro e contra vários pirralhos que pularam de um filme de terror japonês. No meio de tudo que acontecia, ele nos envolveu numa escuridão assustadora de gelar a espinha.

Os chineses tentaram contornar isso. Ter uma fênix luminosa era uma fonte de luz suficientemente boa para tentar contra-atacar. Preparando minha manubalista com dificuldade naquela escuridão e caos, tentei fazer o mesmo. Isso é, até a fênix, Chèng, ser lançado ao chão e apagar e em seguida eu ouvir uma pancada forte e o grito de Piper vindo de não muito longe ao meu lado.

— PIPER! — gritei desesperada ao ouvir o grito dela descendo templo abaixo e o corpo dela batendo dolorosamente a cada degrau que rolava por cima.

Nem pude fazer nada pois do meio da escuridão, ou fazendo parte da escuridão, um tentáculo me agarrou rudemente pelo pescoço. Engasguei, mas tentei segurar a manubalista forte na minha mão, para não perdê-la. Senti o último sopro de ar e a última saliva ficarem presos em minha garganta, gritando por socorro junto comigo. Tentei me soltar, unhas, tudo, mas era inútil. Os tentáculos não eram tão físicos, mas agarravam como se fossem e ainda me deixavam com um frio tremendo, de arrepiar a espinha.

Engasguei e os sons à minha volta provaram que eu não era a única naquela situação.. ou assim achei… com o contato dos tentáculos, ficava difícil me manter presa à realidade. Eles tentavam me puxar para cenas de pesadelos, que eu ficava me convencendo que não eram reais.

A escuridão ao meu redor sumia, e era trocada pelo dia do bat mitzvah e o rabino questionando porquê eu levei uma garota. Essa era real demais… mas era muito mais leve do que a imagem que veio em seguida, de meu pai, morto, entre os ramos de folhas venenosas de minha namorada, a Carvalho Venenoso. Era mentira… era falso… repeti em minha mente várias vezes, até porque a Carvalho Venenoso só causava dermatite severa para a maioria das pessoas, não que Amatsu-Mikaboshi parecesse ligar para Botânica, pela cara.

— Sai… da minha… cabeça… e … me… solte… — resmunguei com extrema dificuldade.

— Chega de brincadeiras. — disse Amatsu-Mikaboshi.

Ainda via o brilho leve de Chéng no chão, provavelmente desacordado em sua forma de fênix. Naquele mesmo momento, um grito e Yu Xí ecoou no ar quando ela, tão enforcada quanto eu, se transformou numa verdadeira tocha humana. O brilho de seu fogo tentou lutar contra a escuridão criada por Amatsu-Mikaboshi, que inclusive resmungou de dor, como alguém queimando a mão.

O tentáculo de escuridão que me segurava afrouxou, e o de Yu Xí se soltou completamente e ela caiu no chão. Apesar de provavelmente machucada, ela tentou brilhar ainda mais e chegar mais perto, devagar e de joelhos, de Amatsu-Mikaboshi. Ele não gostou nem um pouco e enquanto gritava de dor, nos soltou e chicoteou a gente com os tentáculos. A lufada de ar que chegou livre em meus pulmões foi muito bem vinda, mas mal tive tempo de aproveitá-la, pois logo fui acertada por um dos tentáculos. Graças à luz que o fogo de Yu Xi criava, eu consegui ver a forma dele se aproximando e consegui desviar parcialmente dele, apesar da velocidade e força absurda. Os outros não foram tão sortudos. Todos foram atingidos e caíram alguns degraus abaixo, eu também caí, mas só um alguns. Um devido ao golpe de raspão que levei, e mais uns por ter pisado de mal jeito na beirada depois do golpe.

A dor no joelho pela queda era intensa. O estado de Piper, na base do templo, me preocupava, ela não tinha reaparecido ainda e agora tinha os outros para me preocupar, e eu não conseguia ver nenhum deles. O único que eu conseguia ver, era Amatsu-Mikaboshi, que com os braços erguidos para o céu completamente negro, gritava palavras num idioma que eu nem sabia chutar qual era.

Ergui minha manubalista, preparei-a com pressa apesar de que depois de ser esmagada e jogada ao chão, já estava meio torta, e tentei atirar contra Amatsu-Mikaboshi, claramente ocupado demais para notar que eu ainda estava ali, perto o suficiente dele. Um pilar de luz roxa cruzou o ar, e foi engolido por nuvens assustadoramente densas de chuva que eu nem sabia que estavam ali em meio a toda a escuridão. A pesada flecha da minha manubalista também cortou o ar, e atingiu Amatsu-Mikaboshi, o perfurando-o de uma ponta a outra. Ele gritou, e se virou para mim com ódio. Do jeito que eu estava, não tive tempo de desviar quando ele me acertou com um tentáculo de sombras mais uma vez, quebrando minha manubalista, e me derrubando escada abaixo, junto com os demais.

Foi uma queda dolorosa, quicando, me cortando e me batendo nos degraus escorregadios do templo, na manubalista, no meu braço no meio do caminho. Foi muito ruim. Doeu muito. Pra piorar, Piper, ainda desmaiada, amorteceu a minha queda.

— Piper? — murmurei, lutando para não desmaiar que nem ela.. se é que ela estava só desmaiada mesmo — Piper…?

Cada movimento que eu tentava fazer doía muito. Mal tinha consciência de Amatsu Mikaboshi rindo e gritando coisas que eu não prestava atenção enquanto a chuva caía de um jeito estranho, de arrepiar a espinha, como se quisesse engolir tudo ali.

— Piper… — murmurei de novo, fraca, mas conseguindo segurar o pulso de Piper — Acorda… por favor…

Minha cabeça pulsava loucamente, meu coração saltava, meu corpo todo doía, mas lutei contra meu corpo, me forçando a ficar acordada até o momento em que senti o peito de Piper subindo e descendo, um valioso sinal de que ela respirava.O alívio tomou conta de mim com tanta força, que apesar da minha vontade de tentar procurar pelos demais, principalmente por Hazel, eu acabei abaixando a guarda e desmaiando.

Não sei quanto tempo fiquei desmaiada, mas não deve ter sido muito, pois acordei com Percy me carregando nas costas. Chovia, muito, mas ainda assim ele estava com alguns machucados, que a água lentamente curava. A chuva parecia estranha, parecia gritar para a gente sair dali, e os trovões concordavam com ela.

— Per...cy… — resmunguei.

— Hey… — disse ele, com dificuldade e cansaço enquanto parecia usar toda sua energia para correr — Como se sente?

— Piper…? Ha… zel? — perguntei.

— Tô aqui… — disse Hazel, tão cansada quanto Percy, girei a cabeça e a vi, mancando, mas fazendo de tudo para correr enquanto se apoiava em Hua, e ela em Hazel.

De repente, todos caímos. O chão tremia com um forte terremoto. Agora no chão, vi que estávamos todos ali, mas nem todos estávamos acordados e ninguém estava inteiro. Olhei para o caminho de onde tínhamos vindo. Não vi sinal de Susanoo, então não sei como foi a batalha dos demais com eles, mas tentáculos gigantescos explodiram do topo do templo, que tremia tanto que pedaços dele caíam no chão enquanto o pilar de luz roxa cruzava o céu e parecia chamar aquela tempestade agourenta. O ar estava pesado demais para respirar, chega doía o peito. Mas o pior era a clara promessa de uma segunda batalha no futuro contra Amatsu-Mikaboshi, que estava irritantemente ileso.

— Vamos! Consegue andar? — perguntou Percy apressadamente, puxando minha mão — Kayla curou um pouco você.

— C-Consigo… — gaguejei, olhando rapidamente para Kayla, que tentava carregar Piper.

Com meu sinal de que conseguia sim andar, e confirmando isso quando eu me levantei, Percy foi ajudar Kayla com Piper. Grover, notei, carregava Chéng, desmaiado, e Kalon carregava Yu Xí, acordada mas não parecendo tão acordada assim. Annabeth mancava e tinha o olho inchado esquerdo a ponto de nem conseguir abri-lo, mas prestava atenção em tudo e todos. Hàoyu e Mayu estavam um apoiando o outro, bem machucados, mas ainda assim, talvez vendo como eu não conseguia colocar o pé direito inteiro no chão, Hàoyu falou:

— Avisa se estiver muito mal.

— Pode deixar. — respondi, tentando me manter de pé enquanto a terra tremia e as gotas de chuva caíam tão fortes que batiam na minha cara como pequenas navalhas. No meio do vento, como um fantasma ameaçando fazer mais do que só puxar meu pé no meio da noite, ouvi Amatsu-Mikaboshi sussurrando no meu cangote “só mais duas..”.

— Não foi tão ruim assim das outras vezes! — exclamou Annabeth.

— Não mesmo. — concordou Kayla.

Corremos lutando contra a chuva e o terremoto, que abria crateras no chão mas ao menos ia diminuindo gradativamente. Mas claro que nosso problema não ia ser só a chuva, pois a escuridão comandada por Amatsu-Mikaboshi resolveu nos perseguir e, junto com ela, os mesmos monstros de antes que nos atacavam quando chegamos na altura da pequena cidade que rodeava o templo.

A cidade parecia ter sido tomada por uma neblina sombria e espessa que dificultava a visão, como se a própria realidade estivesse sendo distorcida por Amatsu-Mikaboshi. Quer dizer… a cidade já tinha sua própria neblina bem Resident Evil antes, mas agora estava pior. A neblina não era cinza mais, era negra e misturava a cidade com a noite (que nem fazia sentido ainda estar presente, pois já era para ter amanhecido). E dentro dessa neblina negra, conseguíamos ouvir gritos, rosnados e risadas. Estávamos sendo caçados por monstros, agora invisíveis pela neblina.

Com o pé dolorido, no meio da corrida desesperada com o rabo entre as pernas, quase caí. Mas Kayla, ao meu lado, me pegou no último segundo e me levantou.

— Você consegue! — exclamou.

— Espero mesmo que sim! — respondi.

Não havia tempo para olhar para trás, aqueles que ainda conseguiam fazer algo, abriam o caminho entre os monstros que tentavam nos impedir de escapar. Kalon, apesar de ainda carregar Yú Xi, conseguia abrir o caminho para nós com vários feitiços e ilusões que distraíam nossos perseguidores e os faziam pegar caminhos errados. Percy também ajudava bastante, mesmo carregando Piper. E Hua ajudava ele bastante, já que água também era o departamento dela.

Me dei um segundo para, ainda correndo, pensar tristemente na minha manubalista, cujos restos ficaram para trás. Foi uma corrida desesperada, dolorosa e difícil. O chão havia parado de tremer, mas todos estavam machucados, Amatsu-Mikaboshi nos seguia, a chuva não parava, e monstros tentavam interromper nosso caminho.

Um deles inclusive, conseguiu, um Oni subitamente aparecendo de uma casa semi-caída avançou contra Grover, derrubando ele e Chéng, no chão. Grover gritou quando ele foi ferido pela katana do oni, Kayla atirou uma flecha contra o monstro e Percy tentou atacar usando a água da chuva apesar do fato de carregar Piper, ainda desacordada, nas costas. Mancando, eu puxei Chéng para longe da confusão enquanto Hazel puxava Grover.

— Não temos tempo! — gritou Annabeth, olhando para as sombras de Amatsu-Mikaboshi que, junto com outros monstros, nos seguiam.

— Ali tem uma camionetinha! — gritei, apontando na direção do veículo — Será que ainda funciona?

— Alguém vai lá ver! — gritou Percy, enquanto acabava com Oni e Kayla apressadamente curava o braço de Grover que sangrava, apesar de ela ficar cada vez mais pálida, parecendo que seria a próxima a desmaiar.

Hazel deixou Grover com Kayla e, lutando contra os próprios ferimentos que a faziam mancar, correu até a camionetinha. Tentamos avançar também, apesar de todas as baixas e do fato de que eu precisava da ajuda de Hàoyu para carregar Chéng enquanto Grover era erguido por Kayla.

Um Tengu, o bicho voador que tentou raptar Kayla antes, subitamente surgiu do meio da névoa e tentou me raptar, mas Mayu lançou um jato d’água forte contra ele, mandando ele para longe mais uma vez e Kalon logo o prendeu em vinas espinhosas que ela fez crescer.

— Não tá ligando! — gritou Hazel desesperada de dentro da pequena camionete.

— Segura ele! — disse Hàoyu apressadamente, deixando Chéng comigo.

— ESPERA! — gritei quando Hàoyu correu na direção da camionetinha e o peso de Chéng deixou minhas pernas bambas.

— Juntas! — disse Mayu, rapidamente chegando ao meu auxílio com o peso de Chéng.

— ABAIXEM! — gritou Annabeth subitamente quando várias estacas de gelo criadas pelas mulheres de gelo de kimono branco, Yuki-Onnas, cortaram o céu na nossa direção, teriam arrancado nossas cabeças se não tivéssemos abaixado.

Avançamos como dava para a camionetinha, tão pequena, com lugar para apenas duas pessoas sentadas, mas ao menos tinha uma caçamba com algumas frutas esquecidas, denunciando seu uso na colheita. Quando alcancei a camionete, carregando Chéng com ajuda de Mayu, enquanto Percy tentava deixar nossos atacantes longe de nós, Hàoyu estava mexendo nos fios da camionete. Ele fazia que nem aqueles filmes, que algum ladrão conseguia ligar o carro só conectando uns fios.

Graças ao poder de quebrar leis, que aparentemente Hàoyu havia adquirido em seja lá o que ele aprontava no seu dia a dia, a pequena camionete ligou.

— SUBAM! — gritou Hàoyu.

— Não precisa nem falar duas vezes. — gaguejou Grover, puxado para a caçamba da camionete depois que Kayla pulou nela e abriu a portinha.

Terrivelmente sujos de lama, nos aglomeramos com pressa na pequena caçamba puxando com dificuldade nossos desacordados. Hàoyu e Hazel foram nos bancos da frente e logo Mayu teve que se espremer junto com Hazel, para dar mais espaço para nós na caçamba, que ao contrário delas, não tínhamos tamanho de bonecas.

Os monstros continuavam a atacar, ainda mais agora que paramos de correr para subir na camionete. Os dardos de gelo das Yuki-Onnas surgiram mais uma vez, e me acertaram na coxa quando eu tentei subir na camionete. Gritei de dor, mas Annabeth me puxou pra caçamba rapidamente, terminando de transformar a pequena caçamba numa lata de sardinha.

Devido ao tempo que levamos para nos encaixarmos na camionete, uma mão esquelética e ameaçadora e grotesca de um monstro que não conhecia, com o cabelo desgrenhado e um grande único olho que dava para ser visto por baixo do cabelo, quase conseguiu agarrar minha cara enquanto eu gritava e me encolhia na caçamba, que não tinha espaço para nada. Mas Kayla salvou o dia mais uma vez acertando o monstro bem no olho com uma flecha. O monstro caiu no chão, gritando de dor, Hàoyu acelerou, e finalmente ganhamos distância mais rápido daqueles que nos perseguiam.

— Foi minha última flecha. — declarou Kayla, antes de se espremer ao meu lado para ver os meus ferimentos.

— Vai dar tudo certo. — disse Kalon — Só temos que chegar na praia inteiros.

— Consegue mostrar o caminho pro barco pro Hàoyu, Hazel? — gritou Annabeth, tentando se fazer ouvida no meio do caos.

— Consigo! — respondeu Hazel, da cabine da camionete.

Hàoyu dirigia sem dó. Quando um monstro atropelável aparecia na frente, ele atropelava mesmo. Mas ainda contamos com quem podia abrir o caminho em cima de uma camionete em movimento. Eu me segurava como podia na caçamba, sentindo minha cabeça chacoalhar pelo tanto que ela balançava. Minha coxa doía mas, apesar de tudo, Kayla cuidava de mim na medida que sua energia e as condições permitiam.

— Conseguiram matar o Susanoo? — perguntei, no meio de tudo, para ao menos acalmar minha mente e pensar em outra coisa.

— Sim. — respondeu Annabeth — Mas claramente o céu está com raiva e não duvidaria se o mar também. Mas acho que é coisa do feitiço. Você também ouviu uma voz sussurrando no vento?

— Era Amatsu-Mikaboshi. — respondi — Ele disse que só mais duas… só mais duas o quê?

— Considerando o tanto que o pilar de luz deixou a situação pior do que antes, e como isso não aconteceu em Las Vegas… — ponderou Annabeth — Diria que mais duas pirâmides. Sem ninguém lá para impedir, eles não devem ter tido problemas na Índia para fazer o mesmo por lá.

— Falta só então o Louvre e uma das pirâmides do Egito, Gizé, né? — disse Grover, entrando na conversa enquanto segurava com cuidado o braço machucado.

— Isso. — concordou Annabeth — E eles estão sem exército para atacar a Europa, então podemos contar que talvez vamos ter algum tempo para respirar e nos prepararmos para proteger o Louvre.

— Como vamos chegar na Europa? — perguntou Hua — É longe!

— Temos amigos por lá. — disse Percy apressadamente enquanto continuava a abrir caminho para nós — Estamos chegando onde estava o barco, vamos mandar uma mensagem de Íris para os outros o mais rápido possível.

— Quem ficou mesmo por essas bandas? — perguntou Grover.

— Mallory, Mestiço, Blitzen e Hearthstone. — respondeu Annabeth.

— Q-Quem? — gaguejou Yu Xi, acordando de seu desmaio bem confusa.

— Shiu… depois explico. — prometeu Hua antes de falar um bando de coisa em chinês que eu não entendi, sempre sem deixar de acariciar amorosamente o rosto de Chéng, desmaiado.

— Será que é o suficiente? — perguntei enquanto a camionete parava na praia sentindo minha coxa doer com os ferimentos que não foram curados por completo — A gente estava em bem maior número, até se encontrou com mais gente, e apanhamos feio. Nem sabemos quem vai lá pro Louvre também para ao menos medir o tamanho do problema.

— Vamos discutir sobre. — prometeu Annabeth, abrindo a porta da caçamba da camionete.

— O barco aguenta tudo isso de gente, né? — perguntou Hazel enquanto corríamos para o barco.

— Sim! — respondeu Kalon enquanto um trovão ecoou no horizonte.

O mar estava tão agitado quanto na vinda, como se Susanoo ainda estivesse muito bem acordado, vivo e com raiva. Entrar de novo no barco foi uma aventura à parte, mas ter três semideuses proficientes em assuntos aquáticos, um grego, um chinês e um japonês foi extremamente útil. Depois de muito estresse na superfície, estávamos novamente no estresse subaquático segurando nossas tripas.

Hazel sofria especialmente mais com todo aquele balançar do barco, mas ela aguentou firme, mesmo que se abraçando à um balde que de longe eu sentia o cheiro de peixe. Kayla e Haoyu tentavam usar o que sobrava de energia e poder de cura para tentar fazer nossos desmaiados, como Piper e Chéng, terem força o suficiente para finalmente acordarem (afinal, pessoas desmaiadas são muito difíceis de carregar). Ao mesmo tempo, Annabeth e Percy tentavam de tudo para fazer algum pequeno arco-íris ali. Não foi fácil. O barco balançava demais e lá fora ainda estava um completo breu apesar da hora.

Foi graças ao fogo de Yu Xi fazendo uma luz, a bolha de água flutuante que Percy criou, e muitos cálculos de ângulo de Annabeth, que conseguimos entrar em contato com Mallory, Mestiço, Hearthstone e Blitzen.

— Como estão as coisas aí? — Blitzen foi o que atendeu — Ficamos preocupados por causa dos jornais.

— Jornais? — perguntou Kayla.

— Está falando de um grande furacão na Indonésia. — explicou Mestiço — Imagino que isso seja dedo de vocês e não de um simples furacão, né?

— Provavelmente sim. — respondeu Annabeth, interrompendo sua fala por uns segundos por causa de uma sacudida brusca do barco — As coisas aqui não saíram muito como planejado.

— Nunca sai né? — disse Blitzen com um suspiro — Mas aqui vai ser diferente! Afinal chegamos antes deles em Paris.

— E pela cara vai ser nossa última chance antes de ter que resolver tudo no Egito. — disse Annabeth enquanto eu sentia que teria que dividir o balde com Hazel logo — Então precisamos pensar direito. Aqui mesmo com bastante gente e com os semideuses que conhecemos no caminho, ainda tinha um exército muito grande.

— Não falaram que acabamos com a tentativa de juntarem um exército na Europa? — perguntou Blitzen enquanto Hearthstone, logo atrás, só tentava acompanhar a conversa e Mallory ainda parecia tentar se inteirar do que estava acontecendo, me pergunto como estava a memória dela agora.

— Isso é guerra! — disse Mestiço bem enfático, socando uma parede próxima, coitada da parede — Estamos seguindo eles e atacando em todas as pirâmides.

— Menos a da Índia. — lembrou Grover, com a voz bem desanimada — Não tínhamos ninguém que conseguia chegar lá a tempo.

— Menos a da Índia. — confirmou Mestiço — E acabamos com o plano A deles para o Louvre. O que significa que eles sabem que estamos atrás deles já tem tempo. Podem vir com algum plano diferente. Tipo se infiltrar na surdina sem necessariamente contar com um exército.

— Eles ainda tem que matar pelo o que entendemos. — disse Annabeth enquanto o barco continuava sacudindo sem parar me fazendo ter certeza que meu cérebro já tinha desconectado do crânio a muito tempo — O texto que conseguimos ler uma vez no México não falava de sangue?

— Tem outras formas de matar sem ser com um grande exército. — lembrou Mallory, finalmente participando da conversa.

— Divide comigo rapidinho. — resmunguei, ignorando o papo e puxando o balde de Hazel para vomitar também.

— Ele está certo. — disse Kalon, lá do banco do capitão, enquanto meu vômito era ignorado — Já lutei muito bem contra um exército de mortais. Mortais são frágeis e o Louvre vai estar entupido deles. Sempre está.

— Eles ainda não sabem que sabemos que o próximo é o Louvre né? — perguntou Mestiço.

— Espero que não. — respondeu Annabeth enquanto eu sentia o mar acalmando um pouco conforme nos afastamos mais da ilha — De toda forma, vocês estão em pouco número.

— Acho que Carter é o mais perto de nós. — comentou Mestiço, pensativo — Creio que estava no Mediterrâneo. O norte da França seria mais fácil… mas o sul é melhor que nada. Vou deixá-lo informado. Acho que Ártemis está na Itália… Pode ser útil. Vamos pensar no que fazer. E vocês, vão descansar! Vamos pensar no que fazer e vocês vão melhorar essa cara de vocês.

— Parecem que viram um fantasma. — disse Blitzen.

— Talvez tenhamos sim visto… — resmungou Piper, finalmente acordada e sendo ajudada a se levantar por Kayla, mas a cara de Kayla não era das melhores — Aquele Amatsu-Mikaboshi dava medo. Era difícil acertar aquele maldito também.

— Ele… pareceu não gostar de luz… — resmunguei, tentando não vomitar na cara do pessoal — Quando Yu Xi queimou…

— Quem? — perguntou Mestiço perdido.

— Uma de nossas novas amigas asiáticas. — explicou Grover brevemente.

— Sim! — concordou Yu Xi alegremente apesar da cara de cansaço — Ele não pareceu gostar da luz do meu fogo. Mas não reclamou tanto da luz que Chéng fez quando virou fênix. Então talvez tenha que ser MUITA luz.

— A ilha estava mesmo estranhamente escura desde que chegamos. — resmungou Kayla, exausta.

— Hm… Magnus consegue gerar luz também de certa forma né? — perguntou Blitzen.

— Will também é uma excelente lanterna. — disse Kayla e eu tive que segurar meu riso e vômito ao mesmo tempo (não foi agradável).

— Se o fogo de Yu Xi foi bom… tem também o Leo então… — lembrou Percy.

— Já temos a solução para ele então. — disse Annabeth, cheia de determinação — Juntos vamos conseguir. Também estamos montando nosso próprio exército.

— Esses novos amigos asiáticos tem mais gente? — perguntou Mestiço — Precisamos que Carter chegue logo no destino dele para o nosso destino não ser algo tão genérico quanto “Egito”. Mesmo que defendamos o Louvre com sucesso….

— É suicídio. — disse Hàoyu, rangendo os dentes de raiva — Perdemos alguns dos nossos. Estávamos em bom número… e ainda assim…

— E mesmo que defendamos o Louvre com sucesso eles podem muito bem decidir atacar outro lugar, como as pirâmides de Roma que mencionamos antes. — lembrou Mestiço — Não seria um ganho de tempo muito grande para nós provavelmente.

— Concordo. — disse Annabeth — E como ainda não sabemos como desfazer a magia feita nas pirâmides já atacadas… Nada vai impedir eles de mandar toda a força deles que está em outros lugares, como México e Las Vegas, para o Egito para garantir a última pirâmide.

— E terminar tudo com uma festa… — acrescentou Blitzen, suspirando cansado — Não era bem assim que eu imaginava que era viajar pelo mundo.

— De toda forma, vocês agora têm como missão descansar. — disse Mestiço novamente — Blitzen falou que parece que viram um fantasma, mas isso é elogio. Parece que estão nas últimas. Vamos conversar com os outros, planejar tudo e ver se ouvimos alguma fofoca de quem é que pode atacar o Louvre. Vocês se preocupem em descansar e assim que conseguirem, irem para o Egito com um transporte SEGURO.

A mensagem de Íris se desfez, Hazel vomitou mais uma vez no balde que dividimos e, silenciosamente, torci para o meio de transporte que arranjassemos não fosse tão propenso à enjoos. De uma coisa Mestiço estava certo, estávamos acabados. Faziam horas demais que não dormíamos direito. O pouco que havíamos dormido foi naquele mesmo barco. Então, apesar do barco balançando e da chuva pesada caindo lá fora, eu caí no sono. Acordei apenas com Kalon me sacudindo para me acordar, quando chegamos em Bali.

Me arrastei para fora do barco, a chuva ainda nos castigando sem dó enquanto éramos recebidos por Finn MacCool. E verdade seja dita, ele parecia aliviado de nos ver inteiros. Tá que parecia mais feliz por uma pessoa em específico do que nós… mas não é como se eu tivesse inveja do abraço e do beijo que ele trocou com Kalon quando ela foi até os braços dele. Mas eu fiquei com saudade da Carvalho Venenoso sim… mesmo que beijá-la significasse um pouco de dermatite. Mas eu já estava testando umas pomadas boas para contornar isso melhor.

Não sei como seriam as coisas na Europa, Annabeth queria entrar em contato com eles para perguntar, mas Percy arrastou ela, e todos nós, para os quartos que Finn nos ofereceu na hospedaria dele. Com direito a comida e banho… chega dava vontade de chorar de alegria. Mas, silenciosamente, em meio ao cansaço, ninguém pareceu lembrar que era estranho até ali em Bali tudo estar escuro como a noite, mesmo já sendo 7 da manhã.