Os Deuses da Mitologia

168 APOLO - Carona de 7 ondas


Notas iniciais
Olá! desculpa a constante demora de atualizar os caps. n ando mto bem. esse capítulo foi mais de transição necessária, mas em compensação, ficou bem grande. aproveitem! no momento, estão em locomoção os grupinhos: - Sudão: Carter, Zia, Paulo, Drew, Sam, Anúbis, Sadie, Will, Nico - saindo do Brasil: Leo, Calipso, Magnus, Jacques, Alex, Festus, André (Brasileiro que tava na Nigéria e não sabe jogar futebol), Iara, Meg e Apolo no momento, estão na ÁSIA, os grupinhos: - Indonésia: Lavínia, Hazel, Annabeth, Kayla, Grover, Percy, Piper, no momento, estão na ÁFRICA, os grupinhos: - Nigéria : Olujime no momento, os grupos que estão na EUROPA são: - Itália: Caçadoras de Ártemis (Thalia, Ártemis, etc), Clarisse, Reyna, Ciara - Saindo da França: Blitzen, Hearthstone, Mestiço, Mallory - Saindo da Europa: Maias-Astecas: Victoria, Micaela (a menina q parece Annabeth) e Eduardo (guri chato que o Mestiço deve estar querendo esganar)

APOLO

Cruzar um oceano inteiro, sem nenhuma terra para pousar desde Fernando de Noronha, onde só paramos mesmo pra esticar as pernas, arrumar comida e tal, apesar da minha extrema vontade de aproveitar aquelas praias belíssimas, não era nada fácil. Largados pelos bancos tentando sobreviver à chatice de uma viagem longa sem telas de entretenimento na parte de trás do banco da frente, estavam Leo, Calipso, Magnus, Alex, André, Meg e Iara. Festus ia no topo do ônibus, às vezes voando ao redor de nós, esticando as asas. Mas o mais importante ali era o Livro de Thoth, que Calipso segurava abraçando como um bebê.

Illapa, nosso potencial agente duplo para o nosso lado, ficou para trás na base Amazônica de Iara junto com os outros deuses tupi. Angra prometeu que, quando estivesse 100% convencida de que Illapa não estava vazando informações importantes nossas para nossos inimigos também, ela iria nos encontrar para lutar no Egito junto com ele e mais uma força extra. Que tentaria juntar mais os semideuses do Brasil... que aparentemente são mais do que conhecemos.

Enfim… pareceu que demorou uma eternidade mas, finalmente, a gente via a costa africana passando por um lado das janelas. Pelo mapa que Alex, sentada logo ao meu lado encarava, passávamos logo ao sul da Libéria.. Costa do Marfim… Gana… um a um… enquanto Iara, de pé atrás do meu banco, nos mostrava onde Iemanjá havia pedido para que parássemos para encontrá-la.

— Tá vendo onde a costa da Nigéria faz uma curva ali no mapa da Alex? — perguntou Iara — Bem ali na ponta.

— Nessa parte aqui? — perguntou Alex, colocando o dedo sobre o mapa — Nessa parte mais ao sul.

— Essa mesmo. — confirmou Iara.

— Bem longe de Lagos… — comentei.

— Realmente ela está tentando nos manter bem discretos pelo visto. — disse Alex — Tal como prometido.

Conforme chegamos perto daquela pontinha nigeriana, ficou claro que ela era composta de vários rios, muitas árvores e algumas pequenas cidades ou vilarejos. Seguindo as instruções de Iara, fui em direção ao que parecia uma praia bem deserta, bem longe de qualquer presença humana. Ao notar que a altitude em que estávamos começava a diminuir, vários questionamentos animados começaram no resto do ônibus diante do alívio de ver alguma coisa que não seja o oceano sem fim.

— Chegamos? — perguntou Meg, espremendo o nariz contra o vidro.

— Chegamos. — respondi.

Pousei o ônibus numa praia tranquila como qualquer outra e saímos um a um. Isso é, com exceção de Calipso que continuou do lado de dentro, abraçada ao Livro de Thoth, com Leo de guarda costa e Festus em cima do ônibus olhando ameaçadoramente para qualquer coisa que se mexesse e ousasse se aproximar do ônibus.

— Certeza que era aqui? — perguntou Magnus para Iara.

— Certeza. — respondeu Iara, parada na frente da porta do ônibus como uma proteção extra para o Livro de Thoth — Achei que ela já ia estar aqui mas… Podemos tentar pular 7 ondas…

— Ãh? Como assim pular 7 ondas? — perguntou Magnus, e eu estava igualmente perdida.

— Faz sentido. — respondeu André.

Aquilo era alguma coisa que só brasileiros entendiam? Algo se perdeu na tradução para inglês? Ou realmente tinha algo que eu não sabia ali? Apesar da tensão que Calipso devia estar dentro do ônibus com o Livro de Thoth na mão, André começou a pular as 7 ondas e, talvez por puro tédio, Meg começou a pular também.

Quando eles pularam a sétima onda, praticamente ao mesmo tempo, nada aconteceu. Nos entreolhamos por um segundos mas, antes que alguém pudesse questionar as idéias de Iara, as águas do mar começaram a se moldar de uma forma suspeita e estranha… que de certa forma não foi nem surpreendente. Quantos deuses e demais seres aquáticos não gostavam daquela chegada enigmática, surgindo do meio da água completamente secos e ao mesmo tempo como se a água estivesse os formando como massinha?

A chegada aquática enigmática daquela vez foi, obviamente, de Iemanjá, que caiu caminhando do mar à passos apressados e completamente seca. Ou ao menos deduzi que era Iemanjá, pois ninguém fez o favor de apresentar ela pra mim ou para Meg. E acrescentando à sua entrada triunfal marinha, a sensação que dava olhando para ela era a de que seu vestido era feito das próprias ondas do mar. Mas esse efeito praticamente acabou quando ela já estava longe demais das ondas para que elas alcançassem seus pés.

— Não sei se esse foi o jeito mais legal ou mais esquisito de chamar um deus. — disse Meg.

— Iemanjá não é uma deusa, é uma orixá. — comentou André, mas foi meio ignorado por todo mundo, coitado, mas porque Iemanjá parecia com muita pressa e bem alarmada.

— Eu não tenho muito tempo. Voltem pro ônibus. Vão. Vão. Vão. — disse ela correndo com as palavras e com os pés — Não podem notar que eu saí. Temos de fato um espião em nossa base. As coisas estão complicadas por lá. Estamos no meio do processo de desmascarar o espião. De hoje ou amanhã ele, ou ela, não passam.

— Vai ficar tudo bem? — perguntou Iara, apressadamente, enquanto voltávamos para o ônibus sem saber muito bem porquê.

— Não é nada com que eu não possa lidar. — garantiu Iemanjá — Agora vão para o ônibus, rápido, rápido!

— O que você vai fazer? — perguntei e ela prontamente me agarrou pelos ombros, me fazendo me sobressaltar um pouco.

— Você é Apolo, né? — perguntou Iemanjá.

— Sou…. — respondi.

— Seu ônibus aguenta tomar um banho? — perguntou ela apressadamente.

— Não é exatamente a função dele, mas posso tentar trocar para outro formato que as janelas aguentem mais… — respondi apressadamente, quase mordendo a língua — Vai botar a gente na água? Vai ser muito fundo?

— Consigo transportar vocês imediatamente pelas águas até a foz do Rio Congo. — explicou ela, ainda atropelando as palavras, enquanto eu, na frente da porta do ônibus, era o único de fora — O Congo está fora de minha jurisdição mas, ainda assim consigo, com ajuda de alguns espíritos, para escondê-los da Mami Wata, empurrar vocês pelo Rio Congo. Subirão então pelo Aruwimi, onde poderão voltar a voar e estarão já de cara com uma das nascentes do Nilo, no Nilo Branco. À distância não consigo mais que isso. Se pudesse ir com vocês faria o mesmo até chegarem no Nilo. Mas mesmo assim, isso já vai poupar bastante do tempo de vocês.

— Calma… muito rio no meio. Congo, Aru-alguma-coisa…. Nilo… Nilo Branco! Quem é Mami Wata? — falei, levemente perdido diante da falta de tempo de processar as palavras apressadas delas enquanto ao mesmo tempo amaldiçoava a minha total falta de interesse na África no decorrer dos séculos que não fosse pra achar alguém bonito no norte para… enfim…

— Mami Wata não foi a que atacou a gente quando estávamos aqui? — perguntou Alex.

— Sim. — confirmou Iemanjá.

— Mas matamos ela… — lembrou Leo, colocando a cabeça para fora da janela do ônibus.

— Mas a informação de que vocês estão com muita pressa, e talvez com uma carga especial, de chegar até o Nilo pode chegar ainda assim até ela. — explicou Iemanjá.

— Ah… — resmungou Leo.

— De toda forma, tudo o que vocês precisam saber é que vou mergulhar vocês aqui no mar e empurrar vocês com máxima velocidade que posso até saírem por um rio já do outro lado da África, o Aruwimi, mas não precisa decorar esse nome. — disse ela, diminuindo um pouco a velocidade da fala, mas não muito — Então vocês vão continuar à nordeste por alguns minutos, talvez segundos, e logo verão outro rio. Esse é o Nilo Branco. Vão segui-lo para Norte. Sempre à Norte. No centro da cidade de Cartum, no Sudão, ele vai se juntar com o Nilo Azul e se transformar no Nilo. A partir daí é só seguir até onde precisam ir.

— Eu reclamo que tem rios demais na história e você me coloca três Nilos diferentes?! — reclamei.

— Tudo bem! Eu decorei! — garantiu Alex e, como isso era aparentemente tudo que Iemanjá precisava, ela me empurrou de leve em direção ao meu ônibus.

— Festus, acho que você vai ter que entrar também, amigão! — exclamou Leo ao entender o que ia acontecer.

— Entre na água para começarmos. — pediu ela — Irei com os demais para o Egito quando for a hora e aí nos veremos de novo.

Entrei no meu ônibus enquanto ele ia mudando de um simples ônibus de passeio qualquer que o pessoal ficou brincando de abrir e fechar as janelas durante a viagem toda, para um ônibus mais robusto cujas janelas não abriam. Era uma mudança sutil, claro. Mas era uma mudança necessária. A porta ficou gigante por um tempo, o suficiente para Festus entrar dentro do ônibus, batendo em tudo pelo caminho e quebrando uma das cadeiras, e então a porta voltou ao tamanho normal novamente e se fechou.

— Cuidado com as cadeiras!!! — reclamei — Sei que parece um ônibus de viagem mas ainda é minha carruagem embaixo de tudo isso.

— Como funciona a questão dos assentos? — perguntou Magnus — Um ônibus tem muitos… Sua carruagem não tem tudo isso, né?

— Não importa. — respondi.

Festus resmungou por estar meio espremido no ônibus, mas não me parecia uma boa ideia deixar ele maior ainda diante da ideia maluca de viajar para até o outro lado da África como se aquilo fosse um submarino à jato. Liguei o ônibus e comecei a andar com ele em direção ao mar, normalmente, tal como um ônibus qualquer.

Iemanjá nos esperava com a água do mar chegando perto do joelho dela, novamente parecendo que a água se misturava com o vestido azul e branco dela. Ela sorriu para a gente quando o ônibus começou à entrar na água, como se silenciosamente estivesse nos desejando boa sorte. Quando chegamos em certo ponto de profundidade, que não era grande o suficiente para a água encobrir toda a janela, o mar simplesmente decidiu que era um monstro e nos engoliu e logo nos puxou, ou sugou. Como uma montanha russa que já começava intensa.

Eu me segurei ao volante, me concentrando em não fazer nada com ele e deixar a água e Iemanjá fazerem o que julgassem necessário. Atrás de mim, os outros também se agarravam aos bancos ou gritavam. Menos Festus, que bufou e resmungou, como se nos chamasse de fracotes.

A água passava pelas janelas como jatos. Não dava para ver nada além do azul do mar. Apesar do desespero inicial, depois de alguns minutos, todos ficaram mais tranquilos ali dentro e passaram a tentar ver alguma coisa do lado de fora. Começou a virar um passeio mesmo. Não dava para ver muita coisa ainda assim, mas ficou muito pior quando a água ficou turva.

— Devemos estar num rio agora. — disse Iara.

— Uma perguntinha… — disse Meg se aproximando de mim — Como você viajava o mundo todo dia e ficou todo perdido com os nomes dos rios?

— Eu viajo sempre de leste à oeste em linha reta! Não seguindo mapas e rios! — me defendi.

No pouco que conseguimos ver do do rio ao nosso redor, parecia que figuras de pessoas, mas não bem pessoas, passando por perto das janelas do ônibus. Pareciam feitos de água e tinham longos cabelos que pareciam ser feitos de correnteza de água, ou algas, ou mesmo cobras. Devia ser os espíritos que Iemanjá comentou.

Logo nos cansamos do pouco que se dava para ver pelas janelas, e como a África é obviamente gigante e estávamos cruzando-a praticamente de um lado até o outro, mesmo o atalho de Iemanjá demorou. Mas com certeza demoraria mais se estivéssemos voando como antes, pois quando eu já estava me perguntando se talvez já tivéssemos chegado no meio do caminho, a água simplesmente cuspiu a gente pra fora. A água ficou pra trás e fomos para os céus sendo catapultados pelo rio cujo nome eu já havia esquecido mas que com certeza não era o Rio Congo.

Obviamente gritamos com o susto de repentinamente virarmos uma bola de canhão. Notando que agora as coisas dependiam de mim, segurei o volante e tratei de logo nos arrumar antes que a gente caísse no chão dolorosamente. O ônibus sacudiu, Festus reclamou, Meg caiu no chão, xingaram em espanhol e em português, mas logo ficamos estáveis novamente… por mais que bem descabelados depois.

Assim que nos estabilizamos, chegou uma Mensagem de Íris de Will e, ao mesmo tempo, tal como Iemanjá falou, logo vi um rio, pequeno, saindo de um lago e indo em direção ao norte.

— Faz mais de uma hora que estou tentando te mandar essa mensagem! — exclamou Will assim que deu pra o ver — Aconteceu alguma coisa? Tá tudo bem?

— Tá. Tá. — falei, focando mais em ter certeza que estava realmente seguindo o rio para o norte ao invés de para o sul, como se fosse possível… já que para o sul só havia lagos — Acho que na nossa carona aquática não tinha como chegar mensagem de Íris.

— Carona aquática? — perguntou Drew, logo atrás de Will na mensagem.

— Sim. Conseguimos uma carona por uns rios e… longa história. — expliquei, sem realmente explicar — Estamos no começo do Nilo… erm… branco?

— Isso. Nilo Branco. — confirmou Alex, se aproximando de mim — Tudo bem com vocês? Sam está bem?

— Tudo bem por aqui. — garantiu Will — Chegamos no começo do dia aqui. Pelo o que eu entendi é uma base da Casa da Vida no Sudão. Parece que vão nos emprestar uns quartos para dormir, tomar um banho e tal… Nico foi pegar um para nós dois.

— Ahh… Um quarto assim seria muito bem vindo… — disse Magnus.

— Ensine como chegar aí pois acho que nas próximas horas devemos estar aí também… — pedi — Dependendo de onde no Sudão ela é.

— Vou atrás do Amós para explicar onde é. Eu não tenho a menor ideia de como explicar. — disse Will — Espera aí.

Will saiu correndo e Paulo apareceu no fundo da mensagem, comendo algum tipo de salgado ou pão. Ficou um silêncio desconfortável no começo, não era como se eu conversasse muito com Drew e … Paulo não era tão fluente assim em inglês. Ainda bem que Drew logo perguntou algo.

— O Livro de Thoth ainda tá aí né? — perguntou ela.

— São e salvo. — gritou Calipso do meio do ônibus.

— Nossos membros falantes de egípcio antigo também estão são e salvos? — perguntei.

— Dá até pra escolher seu tradutor favorito. — disse Drew.

— Para uma língua morta, tá bem comum no nosso grupinho. — comentou Alex.

O silêncio constrangedor voltou e nem apresentar Paulo à André e Iara ajudou muito. Porque aí ficou uma conversa 100% em português que o resto de nós ficava simplesmente perdido, mesmo que Leo e Alex tentassem graças às suas habilidades de espanhol. Ainda bem que logo Will voltou, nos salvando do constrangimento e trazendo Amós de volta. Amós nos ensinou o caminho e logo Nico chegou, com a chave do quarto deles.

Com a explicação de onde ir, até uma casinha perto da fronteira do Sudão com o Egito, a mensagem de Íris se acabou e a viagem continuou. Do lado de fora, com a noite chegando, só a lua refletida nas águas do Nilo Branco nos ajudava à não perder ele de vista.

Continuamos nossa viagem por mais algumas horas. Com o pouco de luz que tínhamos, dava para notar a selva abaixo de nós ficando menos densa e mais seca, mais arenosa, gradualmente, até não existir mais. O Deserto do Saara nos recepcionou quase ao mesmo tempo que o Sudão nos recebeu também. Na escuridão, as luzes coloridas de uma cidade brilhavam. O Nilo Branco, que àquela altura já estava mais robusto, cruzou o centro daquela cidade junto a outro rio que se juntou à ele. Então, a cidade era Cartum e, a partir dali, o rio era oficialmente o famoso Nilo.

Ainda bem que tudo estava tranquilo ainda… provavelmente nossos inimigos realmente não sabiam que estávamos já assim tão perto com o Livro de Thoth em mãos. A maior dificuldade que tivemos mesmo foi achar a tal casinha escondida nas margens do Nilo. Até tivemos que começar outra mensagem de Íris para ter certeza mas, eventualmente estávamos lá, encarando uma escada em espiral suspeita que ia muito para as profundezas de uma casinha tão pequena que muito banheiro seria maior.

— Festus não vai entrar aí… — disse Leo — Não cabe!

— Hmm… verdade.. — resmungou Will pela mensagem de Íris — Aparentemente tem uma entrada sei lá onde que usaram pra trazer nossa carruagem aqui pra baixo também.

— Vou pedir para Noor. Mas podem ir descendo se quiserem ou irem todos juntos. — disse Amós na mensagem de Íris, sumindo por um instante.

— Só vou com o Festus. — respondeu Leo.

— Então vamos todos juntos. — disse Magnus.

— Vocês vieram num ônibus, né? — perguntou Amós.

— Sim. — confirmei — Ele viajou embaixo da água para chegar até aqui… se isso for necessário de novo, ele consegue.

— Melhor voltarem para dentro do ônibus então… — disse Amós — Não é muito agradável e é até perigoso do lado de fora.

— Não precisa nem falar duas vezes. — disse Leo.

Todos voltamos para dentro do ônibus, como se nada tivesse acontecido, e então, depois de viajar por rios que nos engoliram, depois de alguns minutos, a mensagem de Íris sumiu e a areia embaixo do ônibus começou á nos engolir. Fomos completamente engolidos pela areia, como areia movediça. Sem nem a luz da lua para dar algum brilho, tudo ficou completamente escuro. Um breu total. E, realmente parecia perigoso ficar do lado de fora. Dava pra morrer facilmente sufocado de areia. Mas o ônibus conseguiu nos manter seguros.

Pouco depois, a areia começou à descer de novo. Voltando ao normal. E dessa vez, ao invés de estarmos diante daquela casinha pequena ao lado do Nilo, estamos diante de um tipo de vilarejo extremamente colorido, construído às margens de um lago. E de lá, vi Will, Nico, Drew, Paulo, Bastet e Amós, que eu havia conhecido na mensagem de Íris, se aproximando.

— Nossa… nem parece que estavam lá no Brasil até poucos dias atrás. — comentou Will com cabelo molhado, provando que tinha acabado de tomar banho.

— Todos estão certamente dando uma baita volta ao mundo. — comentou Leo.

— E aqui está! Por favor, tire isso da minha mão! — disse Calipso estendendo para Amós o rolo de papiro levemente brilhante que era o Livro de Thoth.

— Muito obrigado por trazer o Livro de Thoth até nós. — disse Amós — Agora sim podemos virar esse conflito em nosso favor.

— Finalmente! — comemorou Alex.

— Devem estar cansados também. — disse Amós, passando o Livro de Thoth para Bastet, que logo abraçava o livro, com medo de ele resolver fugir por aí por conta própria — Vou levar vocês para tomar banho, usarem o banheiro e comer se quiserem enquanto juntamos todos. Vamos nos encontrar na biblioteca.

— Zia antes estava no nosso quarto e então disse que ia para lanchonete comer alguma coisa… — disse Drew — Posso ir atrás dela. Carter deve estar com ela também.

— Vou também. — disse Paulo, arriscando um inglês.

— Sam me falou uma hora atrás que Sadie ia tirar um cochilo… e não vi mais nenhuma das duas. — disse Bastet enquanto Amós saía dali acompanhado de Leo, Calipso, Iara, André, Magnus e Alex — Devem ter dormido. Vou atrás delas.

Festus foi atrás do grupo também, meio voando ao redor, meio seguindo eles. Ali era um lugar bem aberto, como várias casinhas coloridas empilhadas e alinhadas, onde as ruas entre elas eram mais corredores do que ruas. Bem fácil mais fácil para Festus tentar seguir o pessoal apesar de seu tamanho.

— Seria bom chamar o Anúbis também né? — perguntou Will — Quanto mais gente que sabe egípcio antigo, especialmente como primeira língua, especialmente alguém com mais de 5 mil anos de experiências e estresses com magia.

— Bem, vamos procurar Zia e Carter… Boa sorte com Sam, Sadie e Anúbis. — disse Drew, indo embora até que, como o resto foi com Amós, ficaram então apenas eu, Will, Nico e Bastet ali.

— Eu vi ele pegando uma chave de quarto também, mas… isso já faz tempo… — disse Nico.

— Pode estar descansando também… — sugeriu Will — Sei lá como ele deve estar se sentindo com essa novidade de ser mortal agora.

— ANÚBIS É MORTAL AGORA? — berrei.

— Pois é, muita coisa aconteceu… — respondeu Will, enquanto eu ainda tentava processar a informação — Só não compartilha. Tá sendo o segredinho só de quem já chegou aqui.

— E você tá bem com isso? — perguntei, olhando para Bastet.

— Muito longe disso. — respondeu Bastet.

E assim, lá fomos nós, os quatro, atrás dos três na nossa lista. Fomos em direção à vila colorida, muito fofa. Não éramos os únicos ali, Claramente tinha vida. Mas talvez pela hora, apenas poucas delas e a maioria com cara de seguranças.

— Os quartos são por aqui… — comentou Nico, ajudando no caminho de buscas.

— De longe parecia só uma vila pequena, mas agora dá para notar que ela é até bem grande. — comentei enquanto entrávamos na vila, passando por vários corredores pintados das mais diversas cores. Eram abertos, sem teto, para a brisa que vinha de sei lá onde entrar.

— A biblioteca é interessante… Mas simplesmente adorei que parece que uma das lajes é usada de campo de treinamento… — comentou Bastet — Uma pena que passamos o dia pensando e planejando os próximos passos. Queria treinar lá um pouco com Sadie e Carter. Ver mais de como eles estão.

— Aquela luta não foi suficiente? — perguntou Nico.

— Quero mais detalhes. — justificou Bastet — Faz tempo que não os vejo.

— Faz sentido. — falei e Bastet parou bruscamente, olhando para um dos corredores.

— Vamos por esse corredor aqui… — disse Bastet — O cheiro deles tá mais forte aqui.

Obviamente, seguir narizes felinos era uma boa ideia, então seguimos ela por um corredor com várias portas com números. Uma delas, inclusive, estava aberta e com a luz acesa e com vozes vindas de lá. Bastet já foi logo entrando no cômodo, e nós seguimos timidamente depois. O tal cômodo era um quarto com duas camas, um armário entre elas e uma porta aos fundos que levava aparentemente para o banheiro. Era um quarto simples, mas parecia confortável. As duas camas estavam levemente desarrumadas e, mais importante, no centro do quarto, jogando Uno, estava Anúbis, Sadie e Sam.

Sadie e Anúbis estavam com cabelo úmido, denunciando um banho recente. Sam, graças ao hijab, era difícil ter certeza. Mas não duvidaria se ela também tivesse tomado um banho recentemente.

— Acho que nosso jogo acabou… — disse Sam, ao ver a gente entrando, ou melhor, ao me ver entrando e o Livro de Thoth que Bastet segurava firmemente na mão esquerda.

— Fala isso porque acabou de tomar um +4 e sabia que ia perder. — respondeu Sadie, mas começou a juntar as cartas para guardar ainda assim.

— Eu? — perguntou Sam, soltando uma breve risada e se levantando do chão depois que todas as cartas foram guardadas — Seu querido namorado novato em Uno que ia perder.

— Não ia. — respondeu Anúbis, se erguendo também enquanto Sadie jogava o baralho de Uno sobre a cama e se levantava logo em seguida.

— Pooooxa… Queria jogar também! — respondeu Will.

— Começamos a pouco pra não morrer de tédio esperando vocês. Não deu nem tempo para terminar uma partida pra vermos o quão ruim Anúbis é ou não! — disse Sadie.

— Se isso foi uma defesa, você foi muito ruim nisso. — respondeu Anúbis.

— Espero que tenhamos tempo depois… Porque agora eu também quero jogar! — falei.

— Vamos nos reunir na biblioteca. — disse Will — Os outros estão indo no banheiro, comendo e essas coisas mas já já vão estar lá também.

— Vamos lá então, tentar decodificar esse livro. — disse Sadie, indo em direção à porta do quarto.

Contudo, na hora que Sadie foi passar por Bastet para sair em direção ao corredor, Bastet colocou o braço repentinamente no meio do caminho. Não sei o que tinha dado em Bastet, mas o rosto dela parecia do mais puro ódio. As narinas estavam infladas, o ar entrava e saía com uma intensidade esquisita mas, apesar de ela ter interrompido o caminho de Sadie, era para Anúbis que ela encarava.

— Porquê ela está cheirando à você, cão? — perguntou Bastet.

— C-Como assim? — perguntou Sadie, dando uma leve gaguejada — A gente passa muito tempo junto. Então… é normal, né? Na minha cabeça desprovida de super olfato é, pelo menos.

— Não… tá diferente… — disse Bastet, praticamente entredentes.

Mas ela parecia que já tinha a resposta que queria, pois ela praticamente empurrou Sadie para fora do caminho, e foi com passos pesados até Anúbis, que estava ainda alguns passos para trás. Sinceramente, tava um pouco assustador. Mas Anúbis só revirou os olhos, como se já soubesse sobre o que era aquilo.

Ainda com o Livro de Thoth na mão esquerda, Bastet esticou a direita rapidamente, querendo agarrar a gola da camiseta de Anúbis, mas ele desviou dando dois passos para trás. Todos nós assistimos com extrema curiosidade, menos Sadie, que foi correndo ficar entre os dois.

— O QUE FEZ COM A MINHA GAROTA? — gritou Bastet.

— Bastet… não é assim… — implorou Sadie.

— Você claramente já chegou às suas conclusões, mas será que dá pra ao menos falar baixo? — perguntou Anúbis — E também parar de dar a entender que eu fiz algo ruim?

— Acha que sou idiota? — perguntou Bastet — O cheiro não tá como só ficasse o dia inteiro com ela…tá como… tá como…

— Oh… — deixei escapar, entendendo a situação e ficando um pouco boquiaberto por uns segundos, mas logo me recompondo — Porquê não vamos lá pra fora?

— Sim… vamos… — concordou Sam, apressadamente, enquanto eu tentava puxar Nico e Will pra fora dali, mas pela lerdeza dos passos deles, a curiosidade estava falando mais alto.

— Não acho que você é idiota. — retrucou Anúbis — Tanto que eu falei pra Sadie que você ia perceber mesmo se a gente tomasse banho.

— Oh! — exclamou Will tardiamente, finalmente tirando o pé do chão, enquanto Nico se resumia a ficar de boca aberta em silêncio enquanto era puxado por Will.

— Ele disse mesmo. — confirmou Sadie, ainda bem audível do corredor onde agora nos escondíamos — Bastet… tá bom… tá tudo bem…

— Como tudo bem?! — questionou Bastet parecendo prontíssima para matar Anúbis ali mesmo… seria uma mortalidade bem pouco vivida pela cara — Como ousa fazer isso com ela?!

— Dá pra ao menos PARAR de fazer parecer que eu estuprei ela!?! — reclamou Anúbis, claramente também começando à perder a paciência.

Morrendo de vergonha no corredor, trocando o olhar com os demais, eu não sabia o que fazer ou onde enfiar a cara. Só sabia continuar andando para longe do quarto. O máximo possível. O mais rápido possível.

— A gente não ouviu nada. — sussurrou Will, parecendo tão confuso e sem graça quanto eu.

— Nadinha. — confirmou Nico.

— Com certeza nada… mas… — falei, olhando para Sam — Bastet disse que falou com você… Então você…. sabia? Você foi cumplice!

— Me deixa fora disso. — respondeu Sam, prontamente.

— Vou entender isso como um “sim”, cúmplice. — falei, sussurrando.

— Entenda como um “me deixa fora disso”. — repetiu Sam.

Ficamos lá, no começo do corredor, longe o suficiente para não ouvir nada, perto o suficiente para ficar de olho e impedir que outras pessoas ouvissem o que ninguém naquele quarto gostaria de dividir. Sam olhava nervosa para o relógio. Os demais estavam nos esperando na biblioteca e se viessem nos procurar… ai se viessem nos procurar…

Esperamos lá alguns minutos mas, claramente as prioridades deles estavam em ordem, pois logo eles saíram. Estavam um com a cara mais séria do que o outro. Mas Sadie parecia mais era aliviada por não ter testemunhado um assassinato. Só que, enquanto Sadie e Anúbis andavam mais a frente, de mãos dadas, como talvez um sinal e lembrete para Bastet de que tudo ali estava bem, pela cara que Bastet olhava para as mãos dele, não parecia que ela tinha desistido ainda da ideia de arrancar a cabeça de Anúbis pra fora (qualquer uma delas).

Mesmo com todas as chances do contrário, chegamos inteiros na biblioteca. Amós, Iara, Carter, Zia, Drew, Paulo já estavam lá. A biblioteca era linda, tinha vários livros que pareciam quase tão velhos quanto os papiros. As estantes com eles ficavam ao redor de uma grande mesa, embora outras mesas pequenas pudessem ser vistas aqui e ali. Amós, Carter, Zia, Drew, Paulo estavam sentados cada um em uma cadeira da longa mesa, e logo nós pegamos um lugar também.

Logo depois, Festus chegou com Leo e Calipso. Festus só colocou a cabeça pra dentro da biblioteca e Leo, Calipso e Meg pegaram uma cadeira cada um enquanto Bastet abria o Livro de Thoth no centro da mesa. Logo em seguida, Sadie colocou um papel com algumas coisas escritas e meio amassado logo ao lado.

— Os outros já já estão vindo. — avisou Calipso.

— Tudo bem. — disse Amós — Eles podem acompanhar assim que chegarem.

— Esse foi o papel que ganhamos do gênio. — disse Sadie, colocando o dedo sobre o papel que ela tinha colocado sobre a mesa — Tem escrito “pânico” em egípcio antigo e algumas instruções em inglês. Pelo o que sabemos, “pânico” é provavelmente a chave.

— Quais as instruções? — perguntou Calipso.

— Passo 1, segurar o Livro de Thoth. — disse Zia, após pegar o papel e passando então à ler os passos ali escritos — Passo 2, ir até a seção desejada e proferir a palavra chave claramente. Se a palavra chave for correta, o texto escondido se revelará. Se não, o livro queimará as mãos daquele que o segurar.

— Fácil. Mas não simpático. — disse Meg.

— A pessoa que segura tem que ser a que fala? — perguntou Leo — Por via das dúvidas eu poderia segurar pra vocês.

— Acho melhor não arriscar. — disse Carter, enquanto Magnus, Alex e André chegavam e pegavam seus lugares à mesa.

— Ahhh… Começaram sem a gente? — reclamou Alex.

— Mal começamos. — respondeu Sam.

— Ok, temos a palavra chave e, pelo o que o pessoal da Ásia comentou, a sessão que precisamos é a sessão de receitas médicas, na parte de “ferimentos”, onde tem “pão com bolor”. — disse Carter, se esticando, com certo receio, para pegar o Livro de Thoth — O que seria muito fácil num livro normal com índice e tudo mais, mas…

— Não deve ser tão difícil, deve? — perguntou Magnus — Assim, passando uma folha de cada vez, uma hora acha.

— É um rolo de papiro, não um livro com páginas. — lembrou Alex.

— Não sei como chamar cada parte de um rolo de papiro. — defendeu-se Magnus — Nem se ele tem partes.

— É um livro mágico contendo todo o conhecimento do mundo. — lembrou Anúbis — Ficaríamos centenas de anos desenrolando ele.

— E ele também é bem bagunçado. — disse Zia — Até tem uns sistemas que tentam nos ajudar a ir para a sessão que queremos mas… são muito bagunçados.

— Thoth era jovem quando começou à escrevê-lo. — disse Bastet — Não me surpreenderia também se tivesse escrito-o de forma completamente sem planejamento, como um rascunho… e aí nunca teve a chance de realmente fazer uma versão organizada, dado o quão perigoso o livro é.

— Carter, abra o livro ao longo de toda a mesa. — pediu Amós — Vamos tentar nos familiarizar um pouco com o começo dele.

Carter assim o fez e logo, os outros, mas vários, ali que sabiam egípcio antigo se debruçaram para tentar ler. E os que não sabiam, como eu, tentaram ver por pura curiosidade. Os hieróglifos coloridos pareciam brilhar e até mesmo nadar na folha de papiro. Não havia nenhum sentido para mim ali, mas claramente havia para os demais. Pois começaram a discutir sobre o conteúdo daquela sessão aparentemente em busca de alguma coisa que pudesse se assemelhar à qualquer índice de livro.

Delicadamente, Zia tocou numa palavra mais brilhante do texto e todo mundo se afastou dele como se uma corrente elétrica tivesse dado um choque em todos. No segundo seguinte, o texto se moveu rapidamente, como se estivesse rolando para outra seção do livro.

— Isso me pareceu um bom sinal. — comentei.

— Só chamo de bom sinal quando encontrarmos essa sessão de receitas médicas. — falou Zia.

A cena de tocar uma palavra ou frase do livro e ele mexer o texto se repetiu uma, duas, três, quatro vezes. Quanto mais tempo passava, mais inútil eu me sentia. E aposto que era o mesmo para os demais que não sabia também nada de egípcio antigo. Até tentaram nos passar um papel escrito como se escrevia “receitas médicas” e “pão com bolor” em egípcio para nos sentirmos menos inúteis, mas não deu tão certo.

As horas foram se passando, Will caiu dormindo em cima da mesa, Meg saiu com Leo atrás de comida, Nico se esforçava para não cair no sono ali mesmo, e os demais não estavam com tão mais energia assim. Tanto que, quando o celular de Sadie apitou bem alto, todos nos assustamos.

— O que é isso? — perguntei.

— Foi o alarme que botei no meu Google Maps Mágico, de quando alguma pirâmide começa à ser atacada. — explicou Sadie.

Ninguém gostou da explicação. Ficamos tensos, olhando para ela enquanto ela pegava o celular.

— Paris está sendo atacada… — falou ela.

— Tal como achamos mas mais cedo do que esperávamos. — disse Carter, e Sadie afirmou com a cabeça.

— Isso é ruim… — disse Zia — Muito ruim…

— Não dá tempo de irmos salvar Paris? — perguntou Calipso — O pessoal que estava lá já saiu né?

— Não dá tempo de irmos… e é provável que eles também não. — disse Carter, olhando para Amós.

— As ordens são todas suas… — disse Amós, olhando seriamente para Carter — Você é o faraó da Casa da Vida. O que decidir, seguimos.

Carter parou por uns segundos, provavelmente juntando toda sua determinação, e então falou:

— Avise todos. Vamos para o Egito no amanhecer. Podem descansar um pouco até lá se necessário e possível. 5 da manhã partiremos. — disse Carter, olhando o próprio relógio enquanto pensava — Sam, veja onde o Mestiço e os outros estão. Diga que precisamos que se encontrem com as Caçadoras de Ártemis o mais rápido possível.

— Já estou fazendo isso. — disse Sam, rapidamente teclando no seu celular claramente sem problemas mágicos ao mandar mensagem para seus amigos.

— Will, cheque com as caçadoras de Ártemis se os Obeliscos da Itália já foram todos. — continuou Carter.

— Sim, senhor! — disse Will, se erguendo da mesa

— Toma uns dracmas… — eu disse, dando rapidamente uns dracmas para ele — Deve ter usado bastante até agora né? Eu trouxe vários do Olimpo.

— Valeu. — respondeu Will antes de sair correndo atrás de uma fonte de água.

— Anúbis, Nico… — continuou Carter — Podemos contar com Ereshkigal e Hades? Ereshkigal ainda não voltou. Chame-os por favor. O mais rápido possível. Peça para nos encontrarem pelo Nilo onde parecer mais conveniente pelo calendário dele e o nosso. Seja em Assuã, Luxor ou no Cairo.

— Vamos percorrer o Nilo de quê? — perguntou Anúbis olhando rapidamente para mim — Barco ou…?

— O mais discreto no momento deve ser o carro voador de Apolo… — disse Carter — Vamos com ele até Assuã resolver o Obelisco de Hatshepsut.

— Não confie tudo nisso… — avisou Amós enquanto Anúbis saía dali com Nico — Vão notar que tem algo errado assim que passarem por Abu Simbel. Vou preparar uma frota daqui para subir pelo Nilo e chamar a atenção deles.

— Ótimo. Obrigado, tio. — disse Carter, voltando a pensar no que precisava — Precisamos saber dos demais. Quanto tempo demoram até chegar no Egito.

— Vou falar com Iemanjá. — prometeu Iara — Se tudo estiver bem do lado dela, posso conseguir uma carona razoavelmente rápida até Uganda, como aconteceu com a gente, de qualquer um que estiver pelas Américas. Não vai ser tão fácil.

— Ah… então foi lá que o rio foi parar… — comentei.

— A situação dela não estava das melhores, então não conte muito com isso. — disse Iara — E a distância também é muito grande. Pode ser que cheguemos tarde demais.

— A maior parte disso é mar… — comentou Calipso — Vou tentar falar com Percy e os demais e pedir para ele tentar implorar com Poseidon.

— Eu não apostaria muito no sucesso dessa ideia. — comentei enquanto Iara saía de lá acompanhada de André.

— Vou falar com os mexicanos também. Vai que eles tem alguma ideia também. — disse Alex, estendendo a mão pra mim — Tem um dracma por favor?

— Tenho. — falei, dando uns para ela e colocando mais vários sobre a mesa para quem quisesse pegar.

— Posso ir também? — perguntou Magnus enquanto Alex pegava um dracma e saía correndo.

— Procure Leo e Meg, por favor. Eles ainda não voltaram da lanchonete. — pediu Carter.

— Ok. — disse Magnus antes de sair correndo também.

— Drew, Paulo… — continuou Carter — Entrem em contato com o Acampamento Meio Sangue, o Acampamento Júpiter e a Casa do Brooklyn, por favor. Vejam se conseguem arrumar alguma forma de vir se conseguirmos acelerar o processo ou se eles tem alguma ideia de como acelerar o processo.

— Ok. — disse Drew, pegando um punhado de dracmas no centro da mesa — E o… como é o nome? Hotel Valhalla?

— Ah sim. Sabe como entrar em contato com eles? — perguntou Carter.

— Não… — admitiu Drew.

— Eu dou um jeito nisso também. — disse Sam, deixando o celular de lado, pegando também um punhado de dracmas e, tal como os demais, também saindo dali.

— Vamos falar com quem temos que falar, ir atrás de planos para trazer mais ajuda até o Egito. — disse Carter — Vamos tentar achar o que precisamos no livro pelo caminho. Sadie, enquanto nos preparamos para ir para o Egito, pode continuar com Bastet tentando aproveitar nossos últimos minutos para tirar algo do Livro de Thoth? Te chamarei quando estivermos prontos para partir.

— Pode deixar. — disse Sadie, bem séria.

— Apolo, me mostre como funciona o seu carro e o que ele pode fazer. — pediu Carter, por fim — Não parece que teremos chance de usar a escuridão da noite tanto assim. Acho que às 5 da manhã não tem sol ainda, mas logo ele nascerá. E não acho que será uma boa ideia esperar mais um dia inteiro.

— Vamos lá. — falei e logo saí da biblioteca junto com Carter — Podemos pensar em algo.