Notas iniciais
Espero que gostem do que irão ler. Peço mil desculpas se minha narrativa não estiver boa, pois estou um pouco enferrujada sobre tudo isso. Mas espero, realmente, agradar a quem ler.

– "Que dia nublado..." — Pensou Amy, se sentando no meio de um pequeno estádio de futebol local. Estava um dia pacato, sem treinos dos atletas, sem preparadores de campo. Tudo estava incrivelmente parado, mas, aos olhos dela, era um dia diferente. Um dia de buscar, onde suas pequenas tarefas eram carregar determinadas pessoas para um simples local. Tudo estaria ocorrendo normalmente, mas seus planos foram modificados quando minúsculas gotas começaram a escorrer em teu rosto.

Os olhos cor de mel se deslizaram para o céu escuro, e franziu as sobrancelhas enquanto se irritava com o fato de estar sendo encharcada com o volume excessivo de chuva.

– Legal da sua parte, Raphael! — Gritou contra as nuvens, se levantando com a ajuda de um simples cajado talhado de madeira fina. Mantinha os olhos para cima, como se procurasse algo ou esperasse alguma resposta.

– O que você quer agora, Amy? — Uma voz rouca brotou na cabeça da garota, como se marcasse presença não visual, tentando entender a frustração da menor.

– Você está me encharcando e não tem um pingo de coragem de aparecer? O que aconteceu?! Está com... — Antes que pudesse terminar de reclamar, era surpreendida por penas esbranquiçadas ao vento úmido e frio.

Vestido seu terno cinza, Raphael aparecia acima de Amy, obrigando-a a caminhar para traz. Em seus trajes antigos e um tanto amassado, a menor encarava o louro a sua frente, o dono de um dos mais belos sorrisos do 'Paraíso'.

– Diga o que queres de mim, senhora?

– Não me venha com esse ar de galanteador. A mim você não engana senhor estra roupas.

– Agora possuo a culpa de ter uma única missão, que é fazer chover em todo o mundo? — Seus olhos eram de indignação, encarando a morena irritada.

– Não me venha com esse papo de que 'Deus' te mandou fazer isso. Olha essa tempestade. Minha tarefa vai ser atrapalhada com essa chuva.

O ar da ceifeira estava horrível, pior do que a tempestade ao redor daquela cidade, conseguindo incomodar até um dos anjos mais calmos. Sem demora, Raphael estalava os dedos sem grandes barulhos, tornando aquela tempestade de verão em apenas uma suave garoa. Mesmo que não tivesse cessado, facilitaria bastante o dia de Amy, que se virava e caminhava contra a direção do loiro, deixando-o para trás.

– Espero que isso tenha lhe agradado! — Dizia o rapaz em uma tonalidade de voz alta, esperando que ela tenha escutado.

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O dia já estava de tornando tarde, onde o céu escurecia por si só, perdendo seu brilho diurno, dando espaço para o brilho noturno da cidade. Amy caminhava na calçada em busca de sua primeira alma. Desviava os olhos sobre todo o movimento do bairro. Havia bastante crianças correndo pelas ruas, carros buzinando na graça de chamar atenção. "Como aqui é uma cidade calma", pensava, cruzando os braços a frente do corpo até que, um pequeno brilho chamou a atenção de Amy, obrigando-a a subir até uma janela e se debruçar ali, como se tentasse enxergar o que tinha ao lado de dentro. Um quadro estava ofuscando o brilho da lua, fazendo com que Amy invadisse o dormitório sem dizer nada, se ajoelhando na cama enquanto pegava o quadro em mãos, retirando a poeira do vidro, podendo observar um casal se beijando. Seus olhos percorriam toda a extensão da foto de um modo que toda a característica da garota era gravada na mente da morte. Aquela era sua primeira alma.

Sem dizer nada, se levantava da cama e caminhava em uma pequena pressa até a porta de entrada do quarto, largando na cama o retrato. Passava pela porta sem problemas, encarando uma escadaria ao seu lado direito, mas esperou ali no topo. Fechando os olhos, estendia as mãos para frente, fechando-as em um punho cerrado enquanto sussurrava algumas palavras em latim. Aos poucos, um casaco preto lhe cobria os braços e pernas, dando consequência de um capuz escuro lhe cobrir a face. Ao perceber, esteve faltando-lhe algo para completar sua pequena fase. Amy olhava ao redor com certo ódio, caçando aquilo que tinha esquecido. Tornou a caminhara até o quarto, encarando seu cajado largado na cama e suspirou, pegando o cajado em mãos. Encarava o cajado enquanto sussurrava mais algumas palavras em latim, seguindo os olhos do inicio ao fim daquele 'pedaço de madeira' talhada, conquistando uma nova arma: uma foice. Gostava de carrega-la sem a lamina, pois dava uma impressão mais favorável quando estivera visível para a humanidade. Sabia que, se carregasse sua foice exposta para o mundo, assustaria quem olhasse e desagradariam os olhos de seus superiores.

Voltando para a realidade, Amy acordou de seus pensamentos e se virava para a porta do quarto, se lembrando de que estava naquele local por apenas um motivo. Caminhou suavemente pelo quarto, na espreita da cama na espera de sua vitima. Podia ouvir gritos vindos do andar de baixo da cama. "Chegou a hora". Estendeu a foice para a porta, pronta para o que iria acontecer até que viu uma garota empurrando a porta com os ombros e a fechava com um dos pés, se largando sobre o colchão de molas e sobre o retrato. Amy podia entender o motivo e se desviou da cama, subindo sem pressa na cabeceira e encarava as reações da garota, ouvindo seus choros de desespero, falando algo que não era compreensivo, mas era como um pedido de socorro. Para se divertir, a pequena ceifeira cutucou a coluna da garota a sua frente e se afastou, se encostando à parede e esperava pelo pior. Deborah, como era chamada a garota, se sentou na cama devagar, não conseguindo conter os choros. Com medo, estendia as mãos tremulas e molhadas até o criado mudo, pegando em uma das gavetas, uma navalha. Dias atrás, ela já vinha discutindo com os pais sobre a escola e sobre as drogas que espalhava para a cidade. E, em um desses dias de briga, Deborah roubou de seu pai, a navalha de barbear, guardando-a para quando o dia certo chegasse. Encarando a navalha, Amy se aproximava da garota com um sorriso sádico na face. Amy sempre gostou daquelas partes, pois era exatamente a hora de entrar em ação. Não podia negar, gostava de ver as pessoas se desesperando, gostava de vê-las no sofrimento, pois era isso que fazia, matava as pessoas sem dó.

Se abaixando até o ouvido da morena, Amy sussurrava pequenas palavras de incentivo, fazendo Deborah subir a navalha em direção de seu próprio pescoço e, em um movimento preciso, golpear a jugular, causando-lhe a morte certa. E era nessa parte em que Amy passeava sua mão direita sobre as costas da garota e, inserindo-a por suas costelas, segurava algo que seria uma alma. Levantou-se e puxou aquilo com força, querendo esticar ao máximo o cordão que a prendia no corpo e, com a foice, cortou aquele obstáculo e fechou a mão direita em punho, sugando o resto daquela luz branca e saiu do quarto, deixando para trás um corpo banhado de sangue próprio.

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Sentada no teto de uma casa, Amy estava acompanhada de Deborah. Encarando o céu, a própria morte sorria feliz com o trabalho.

– Por que eu? — Indagou Deborah, olhando Amy com um olhar de tristeza, esperando uma resposta justificativa para o tal acontecimento de horas atrás.

– Oras, você precisava ir. E outra, você vinha pedindo por isso anos e anos atrás. Pode demorar, mas atendo todos os pedidos de socorro. E hoje foi o seu dia. — Amy não tirava os olhos do céu escuro e lotado de estrelas. Realmente a chuva limpou o céu das nuvens.

– Entendo... Poderia me levar então...?

– Sua carona estará chegando em breve.

Como dito, um brilho ganhou força ao cair do céu e se aproximar das duas. Ao chegar cada vez mais perto, aquele brilho ganhava forma. Um anjo caminhava no ar com tranquilidade, segurando uma maleta em mãos enquanto sorria para as garotas a sua frente.

– Deborah?

– Sou eu... — Disse a garota, se levantando e estendendo a mão para o albino a sua frente.

– Prazer, Deborah. Chame-me de Rodrigo. Sou um dos ajudantes de Amy, o encarregado de levar as almas para seus devidos destinos e o seu, pelo que vejo, terá um destino bastante agradável.

Aos poucos, Amy podia ver sua foice diminuir seu verdadeiro tamanho até voltar a ser o simples cajado de antes. Com os olhos grudados em Rodrigo, se despediu de ambos, que caminhavam aos ventos frescos da madrugada em direção à Lua.

– Se prepare Deborah... Seu destino mal começou. — Sussurrava para si mesma, se levantando das telhas brancas da casa e encarava atrás de si, observando a cidade calma e pacata. Lá se foi mais um dia, onde o trabalho simples de Amy se resultou em um fim pacífico. Mas Amy duvidava daquilo. Podia sentir, no ar, que algo maior estava por vir.

Possuía uma dúvida, que a fazia encarar o céu novamente, se indagando: O que esta acontecendo com o mundo?

Notas finais
Deixem reviews e me digam se estou errando em algum ponto... A observação de vocês são muito importantes para mim. E como eu disse no começo, estou enferrujada então... sim, pode ter sim erros. Mas prometo melhorar!