O lado mais obscuro do dia era para ela. A manhã podia estar radiante e alegre, mas, para ela, tudo morria em segundos. Por onde passava nada restava. Por onde suas mãos tocavam nada sobrevivia. Sua voz parecia mais uma melodia no mundo. Mas diferente. Uma melodia grave, sem tom, sem sentimentos. Uma voz fria que acalmava qualquer um que a escutava.

Seus passos eram calmos sobre a grama morta. Ela dizia, porém, ninguém acreditava: aonde passo, só há destruição. Destruições que, querendo ou não, era esta quem fazia. Era esta a dona do caos em seu mundo. Um mundo parado, sem cor, sem vida. Um mundo aonde ela comandava e que ninguém podia dizer algo contra.

Amy, como era chamada, estava cansada de sua vida. Estava cansada daquela parte pacata. Cansada de seu trabalho e no caos que causava por levar alguém injusto ou se enganar, ao levar alguém justo. Seus sentimentos se secavam a cada erro e eram esquecidos a cada acerto.

Seus momentos de angustia era a parte mais favorecida. Agoniava-se com mais frequência enquanto via os mortais se abaixarem diante de ti. Tudo estava diferente. O cenário não era mais o mesmo que antigamente. Escuro, sem pigmento, sem vida. Seus olhos percorriam pelo vasto campo quieto enquanto suas mãos, pálidas e secas, acariciavam a grama acinzentada.

Seus pensamentos corriam para todos os lugares, sem rumo. Sem um destino que pudesse surpreendê-la novamente. Não. Nada a surpreendia novamente, depois das mudanças de clima.

Suas vontades haviam perdido as esperanças de um mundo novo. E seu objetivo não estava fixo. Mas seu olhar, ah o seu olhar, tinha um brilho, um novo brilho de determinação. E ela iria mudar o mundo, de um jeito ou de outro.