Os Desafios da Distância
18 Lembranças
Notas iniciais
- “Que droga! Você já viu a Britt por foto e sabe exatamente como ela é...” – Santana movimentava as mãos na tentativa de insinuar as curvas do corpo de Brittany. – “É.. muito gostosa! E aquela carinha pidona? Você não tem ideia do quanto eu sofri, juro”.
- “Ahaaaam Santana.. sei bem” – Samara dizia irônica enquanto diria o carro em direção ao alojamento da Lousville University.
- “É sério, amiga! Acredita em mim não? Aposto que se tivesse sito você no meu lugar não teria conseguido raciocinar e tinha transado com a Britt. Não iria nem esperar para chegar ao quarto!” — a latina já estava ficando emburrada por não estar conseguindo convencer Samara do quanto a situação havia sido tensa.
- “Em primeiro lugar Santana: ao contrário do que você e todo mundo pensa eu não sou desesperada por sexo. Eu sei me controlar muito bem! Várias meninas aqui da faculdade já se insinuaram para mim e eu não fiquei soltando fogo por baixo das saias por causa disso, qual é! Eu só acho que naquele momento não era adequado para vocês saírem tendo uma coisa sem compromisso, quando na realidade o que você quer é totalmente o contrário” – Samara disse já desarmando a expressão chateada da morena.
- “Bom, isso é meio que verdade. Eu amo a Brittany desde outras vidas se fosse possível, sempre amei. Às vezes me pego pensando no nosso futuro, como será quando formos murar juntas em alguma grande cidade, nosso cotidiano, com alguns anos vamos casar e quem sabe até ter filhos! E ahhh.. é óbvio que também penso em todas as noites quentes que vamos ter!” – Santana deu a priori deu um sorriso bobo mas que logo se transformou em malícia.
– “Esta vendo, Santana? Você já esta falando de sexo de novo! Você tem um vulcão no meio das pernas ou um conto pornô no meio do cérebro? Tem alguma coisa aí nessa cabeça que não envolva múltiplos orgasmos?” – Samara disse batendo repetidas vezes na testa da latina.
- “Aiiii. Aiiii.. isso dói, porra! Para com isso, Samara!” – a morena agora batia nos ombros da amiga revidando os golpes que recebeu em sua cabeça. – “Isso é agressão física, sabia? Whatever.. eu não fico pensando em sexo 24h por dia não. Só as vezes...” – a latina falou baixinho aquelas três últimas palavras.
- “Enfim! Eu não tenho culpa se meu sangue latino é desse jeito. Por mais que eu tente não pensar ‘nessas coisas’ às vezes sempre vem à tona” – Santana se explicava de um jeito envergonhado, não gostaria que Samara tivesse a impressão de que ela era uma maníaca sexual, o que estava sendo bem difícil depois dos últimos acontecimentos.
- “Ok Santana.. já vi que isso não vai dar em nada mesmo! Já estamos quase chegando no campus, quer parar em algum lugar para comer?” – Samara perguntou a morena.
- “Acho que seria bom! Não vejo a hora de chegar no meu quarto e hibernar uns quatro dias seguidos!” – Santana deu uma risada.
As duas amigas estacionaram o carro em um shopping movimentado de Lousville, pretendiam lanchar algo e voltar para o alojamento da faculdade. Enquanto iam caminhando em direção à praça de alimentação, Samara lembrou que precisava urgentemente usar o caixa eletrônico para pagar umas contas, dessa forma precisou deixar Santana alguns minutos sentada em um banco no corredor principal do shopping. A latina estava tão cansada da viagem que nem se importou de ficar ali plantada no meio do nada aguardando a amiga voltar. Samara seguiu para o banco e a morena parecia estar imersa em uma rede tão profunda de pensamentos que poderia ocorrer um tsunami e ela não moveria um músculo. Perguntava a si mesma se realmente havia agido corretamente com Brittany, talvez se ela houvesse cedido elas poderiam conversar e reatar o namoro. Talvez.
Santana não queria apostar todas as suas fichas em uma probabilidade. Sim, elas poderiam reatar o namoro, mas naquela matemática toda existia uma variável muito importante: e se Brittany estivesse confusa? Isso de fato não seria a primeira vez nem a última. Ao longo dos anos de amizade o número de episódios que a latina presenciou as dúvidas da ex-namorada era imensurável. Sem falar em todas as vezes que agiu por impulso, onde simplesmente palavras escapavam se sua boca e somente depois caia a ficha do que havia acabado de acontecer. Foi exatamente assim quando o pessoal do Glee Club começou a desconfiar delas. Brittany falou algo sem pensar, e como sempre, a latina precisou ‘arrumar’ a situação.
Recordações de Santana
Começava o primeiro ano da High School e era incrível o quanto Brittany e Santana eram inseparáveis. A cada dia a amizade estava ficando mais forte, a afinidade ultrapassava os limites de quem era quem, faziam tudo juntas, andavam de mindinhos dados sem medo de serem repreendidas, eram fiéis aos mandos de Sue Sylvester e por isso estavam no coral. Mesmo sendo obrigada pela treinadora, a latina estava gostando de fazer parte daquele grupo de esquisitos, sentia-se bem cantando e dançando, mas principalmente sentia-se feliz pela Brittany que parecia ter encontrado o seu lugar naquele clube. Sim, a loira sempre foi uma parte muito especial de Santana e há alguns meses elas começaram a se beijar da forma que garotos e garotas deveriam fazer. Era estranho, mas ao mesmo tempo parecia certo. Quando aos poucos começaram a avançar e ter um contato maior além de mãos na cintura, Brittany questionou a morena os motivos de estarem fazendo aquilo e naquele momento nem a própria Santana sabia responder. Como sempre deu alguma desculpa esfarrapada na tentativa de desviar aquelas perguntas, que até então nem ela sequer tinha se perguntado.
Depois daquele dia os amassos estavam sendo cada vez mais frequentes as investidas eram mais pesadas e cada vez que Brittany sussurrava em seu ouvido “preciso mais de você, San”, seu corpo inteiro estremecia, ela também sentia que precisava dela dentro de si, normalmente desviava por não ter coragem, mas aquilo não durou muito e transaram pela primeira vez. Daquela estreia a um mundo até então desconhecido, não demorou muitos dias e a dose se repetiu, outra e outra vez.
Era mais um dia de escola, mais um dia para Santana enfrentar as esquisitices dos alunos nerds e praticar um pouco de bullying. No entanto, aquele dia estava reservado para as conspirações de Rachel Berry, pois ela estava começando a desconfiar do envolvimento entre Quinn e Puck, não demorando muito para somar todas as vertentes e descobrir que Noah seria pai em breve, mas Rachel não se conformava em apenas saber disso, precisava dar uma de fofoqueira e avisar a Finn que Fabray não passava de uma vadia qualquer. Todos do Glee Club estavam em alerta, inclusive Santana e Brittany, foi aí quando começou uma pequena conferência telefônica com Mercedes, Kurt, Tina, Artie, Brittany e a latina:
- “Nós acabamos de ouvir, quem contou?” – disse Santana andando rapidamente ao lado da loira.
- “Achamos que tinha sido você” – Artie foi o primeiro a responder. Todos estavam desesperados por respostas e soluções.
- “Por que eu faria isso?” – a latina disse em tom desafiador.
- “Para se vingar do Puck. Vocês não estavam namorando?” – Kurt perguntou.
- “Sexo não é namoro” – a morena respondeu confiante. Na cabeça de Santana, se mostrar madura e confiante era essencial para manter a hierarquia com os esquisitos. Porém, ela não estava contando com o que Brittany estava prestes a dizer.
- “Se fosse Santana e eu estaríamos namorando” — as palavras escaparam da boca de Brittany sem ela nem se sentir, simplesmente fugiram como uma avalanche talvez no ímpeto de seu subconsciente descobrir tudo que estava acontecendo entre a latina e ela.
Imediatamente Santana congelou ao lado de Brittany, estava sem realmente saber se a loira tinha dito aquilo mesmo ou se tratava de algum tipo de alucinação ou pesadelo. Mas, o que tinha acabado de acontecer era real, Santana tinha um olhar de pânico, não era de raiva, mas expressava um medo que a loira nunca tinha visto em sua face. Como as pessoas ainda estavam conectadas à ligação a latina tinha que agir rápido, encontrar alguma solução meio aquela confissão de Brittany, e como sempre Santana fez o que faz de melhor: usar seu lado bitch.
- “Olha, eu não quero balançar o barco. Desde que a Quinn ficou grávida, eu sou a chefe por aqui” – disse ostentando sua superioridade.
A conversa por telefone com os garotos não durou muito e quando Santana desligou seu celular olhou diretamente para Brittany tentando encontrar alguma resposta do que havia acontecido. A latina sabia que precisava conversar urgentemente com ela, necessitava explicar muita coisa para que a loira soubesse dar as respostas adequadas quando os garotos perguntassem sobre o que ela havia falado no telefone, e com certeza eles iriam perguntar.
Santana olhou para os lados e percebeu que o corredor estava vazio, fez sinal para Brittany ficar calada e seguiu até uma porta que indicava que era o depósito do zelador. A latina entrou naquela sala apertada e puxou Brittany, fechando a porta em seguida.
- “Você pode me explicar porque diabos você falou aquilo?” – Santana perguntava pausadamente na tentativa de manter a calma e não explodir.
- “Desculpa Santana! Eu juro que foi sem querer. Na verdade eu pensei aquilo e só depois vi que tinha falado em voz alta, eu juro!” – a loira tentava se aproximar para abraçar a latina, em seu rosto já se formava uma pequena lágrima.
- “Não.. eu preciso raciocinar” – Santana se esquivou do abraço. Sentou no chão escorando-se à parede e ficava falando para si mesma “pensa, pensa, pensa..”. Após alguns instantes a latina parou e fitou Brittany:
- “Olha Britt, eu sei que não foi sua culpa. Eu sei que esta rolando muita coisa entre a gente e eu ainda não te expliquei.” – Santana fez uma pequena pausa.
- “Tudo isso me confunde muito, San! Afinal, estamos namorando ou não?” – a loira perguntou.
- “Não. Tudo bem que nós já transamos algumas vezes, mas isso não significa que eu sou lésbica. O encanamento é totalmente diferente.”.
As duas ficaram ali na sala do zelador conversando por um tempo, Santana havia achado uma forma de explicar a Brittany que o que elas estavam tendo era algo puramente sem compromisso, e principalmente, havia a instruído a desviar de todas as perguntas que seriam feitas a partir daquele dia.
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A latina ainda continuava sentada no banco do shopping, embriagada em seus próprios pensamentos e lembranças. Da mesma forma que na vez que Brittany deixou escapar para o pessoal do Glee que elas tinham íntimas relações, poderia ter acontecido na última noite. Brittany poderia novamente ter agido por impulso, não ter pensado nas consequências e se deixar levar pelo momento. Mas como seria depois? Santana se enchia de perguntas, agora quem estava ficando confusa era ela.
- “Eiiii eiii Santana! Você esta aí?” – Samara estalava os dedos na frente do rosto da latina, tentando despertá-la.
- “Hã? O que?” – a morena respondia confusa.
- “Meu Deus, San! Alguém veio aqui e te drogou?” – Samara balançava os ombros da amiga.
Santana balançou a cabeça repetidas vezes, parecia ter acordado de um transe e só agora se deu conta que tinha ficado quase uma hora sentada esperando Samara. As duas seguiram para a praça de alimentação enquanto uma garota observava tudo com atenção. Ela pegou seu celular na bolsa e discou alguns números:
- “Alô, sou eu. Você não sabe quem eu acabei de encontrar aqui no shopping.. é aquela pessoa!”.
- “Tem certeza? Fique observando tudo e me avise assim que ela estiver voltando para o campus, ela vai ter uma surpresinha.” – disse uma voz feminina do outro lado da linha.
Continua...
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