Os Desafios da Distância
19 Fim da linha
Notas iniciais
- “Tem certeza? Fique observando tudo e me avise assim que ela estiver voltando para o campus, ela vai ter uma surpresinha.” – disse uma voz feminina do outro lado da linha.
Santana e Samara fizeram um lanche no shopping e já era quase 18h quando retornavam para o alojamento do campus universitário. A morena aproveitou o tempo que passaram juntas para conversar mais um pouco sobre os probleminhas que aconteceram em Lima, e desta vez, Santana não ficou colocando ‘sexo’ a cada 10 palavras que falava. Logo que elas saíram do estabelecimento, mais uma vez a menina que as observava ligou para a pessoa misteriosa.
- “Olha só, elas estão saindo daqui agora! Acho que em 20 minutos estão aí!”
- “Ok, quando você me avisou eu já esquematizei tudo aqui, ela vai ter o que merece e isso é só o começo” – respondeu a voz feminina.
Santana estava exausta da viagem, precisava descansar para conseguir enfrentar muitas aulas e treinos pela frente. Como ela carregava uma mala pesada e uma mochila, Samara decidiu acompanhar a amiga até a porta de seu dormitório. A loira era aquele tipo de lésbica ‘gentleman’, era sempre muito educada e simpática com as pessoas. Como se não bastasse todas essas características, tinha um corpo escultural e seu sotaque fazia com que as palavras que proferia saíssem como nuvens, um verdadeiro charme. Não era de se estranhar que muitas garotas davam em cima da loira descaradamente, investiam em cantadas, convites para jantar, tudo o que uma mulher precisa. Porém, Samara não era para qualquer uma e por isso às vezes escolhia tanto que acabava sozinha em um sábado a noite.
- “Bom, a Srta esta entregue! Agora aproveite para dormir e descansar bastante. Amanhã....” – Samara não teve nem a oportunidade de terminar sua frase quando fortes gemidos ecoavam pelo corredor. – “Você esta ouvindo isso? De onde vem?” – perguntou assustada para a latina.
- “Que porcaria é essa? Essa louca nunca ouviu falar em motel não? Aqui é um alojamento, poxa!” – Santana não assimilava o que estava acontecendo no corredor do seu dormitório, alguém definitivamente estava transando dentro de um dos quartos e os gritos e gemidos eram mais altos que o das atrizes de um pornô barato.
- “Tsshiuu... espera um pouco” – Samara foi se aproximando em direção a porta do quarto de Santana e tomou um susto quando percebeu que os gemidos vinham do interior do quarto. – “Meu Deus, San! O barulho vem daqui” – a loira apontou.
- “Eu não acredito que aquela vadia da Katherine esta transando dentro do quarto!” – Santana lançou um olhar de fúria. – “E pior.. se estiver sendo na minha cama? Ahhh aquela filha da puta vai pedir para nunca ter nascido, espera só para ver!” – Santana batia com força na porta do quarto e gritava pelo nome de Katherine.
De repente Santana ouviu o barulho da fechadura da porta e parou de bater na madeira com força. A maçaneta girou e surgiu um pequeno espaço onde somente podia enxergar a cabeça de Katherine. Seus cabelos estavam um pouco suados e a testa brilhando, seus ombros morenos podiam ser avistados, o que significava que ela estava sem blusa ou sutiã. Em seu rosto brotava um sorriso sínico de uma completa vadia.
- “Oiiii Santana como vai? Não sabia que você ia voltar tão cedo!” – Katherine debochou.
- “O que você estava fazendo aí sua idiota?” – Santana perguntou com fúria.
- “Opa, vejo que alguém esta nervosinha aqui! Por que será hein?” – Katherine olhava para cima com seu dedo indicador na boca, como se estivesse pensativa. Seu tom era totalmente desprezível. – “Ahh.. desculpa se eu estou te incomodando, Santana. Mas, acho que você pode esperar algum tempo aí fora, honey! Porque meu amiguinho aqui esta só começando!” – deu uma piscadela e puxou o rapaz para que também colocasse a cabeça na porta.
- “Você é uma retardada ou o que? Claro que não vou esperar porra nenhuma! Você que se vire e vá procurar outro lugar!” – Santana foi firme já colocando sua mão contra a porta para empurrá-la.
- “Ahhhh já sei! Você esta com raiva assim é porque o que esse cara tem você nunca terá.” – apontou em direção ao órgão sexual do rapaz e continuou – “esqueci que você gosta de colar um velcro!” – Katherine deu uma risada zombando de Santana e Samara que estavam na sua frente.
- “Olha sua vadia você vai ver só” – Santana já partia para o ataque empurrando mais a porta, estava disposta a dar uma surra que Katherine jamais iria esquecer, mas foi interrompida por Samara que segurava seus braços na tentativa de que a latina não fizesse uma besteira.
- “Não Santana! Não vale a pena se trocar por essazínha aí. Vamos direto ao Coordenador Bishop denunciá-la por homofobia!” – Samara usava todas as suas forças para segurar os braços de Santana e impedi-la de fazer mais uma besteira.
- “Ok. Você pensou de me humilhar, mas que vai se dar mal a você, Katherine!” – Santana saiu cuspindo fogo pelas narinas em direção a sala do Coordenador.
Samara acompanhou a amiga em todos os momentos que ela esteve conversando com o Sr. Peter Bishop, explicaram como havia sido a situação, de como Katherine fazia questão de humilhar a latina e não ter uma relação pacífica. O Sr. Bishop compreendeu, ele sabia que Katherine não era fácil de lhe dar, e que sem sombra de dúvidas, ela tinha sido culpada nessa situação. No entanto, desta vez graças a Samara, Santana conseguiu se controlar e não a agrediu ou coisa parecida. Por mais que o Coordenador aplicasse as advertências necessárias, Katherine iria repetir os episódios de agressão à latina, e vendo que aquela situação não teria jeito sugeriu que Santana se mudasse do alojamento para um dos apartamentos que ficavam próximos ao campus.
- “Então Santana, aqui na faculdade nem sempre tem vaga para todos nos alojamentos, e por isso reservamos uma espécie de benefício para os alunos que precisam de um lugar para morar em Lousville. O seu caso não é esse, mas devido a tudo que aconteceu você poderá a partir de agora receber uma ajuda de custo para alugar um apartamento. O dinheiro não é lá essas coisas todas, mas pelo menos você terá um pouco de paz!”.
- “Mas Sr. Bishop, eu vou morar sozinha em um apartamento? Como vou cozinhar? Pode ser muito solitário.” – a morena disse. Havia ficado feliz com a possibilidade de sair dos dormitórios da faculdade, mas ao mesmo tempo iria ser um desafio morar completamente sozinha.
- “Exatamente! Ela vai se sentir muito sozinha por lá, aqui é sempre cheio de gente e tem o refeitório.” – disse Samara.
- “Bom, e se eu te pedisse para você morar com ela, Samara? Você iria? Vocês parecem ser muito amigas e uma faria companhia a outra. Lógico que também você irá receber a ajuda de custo, afinal você também é bolsista aqui!”. – disse o Coordenador.
Samara ficou surpresa com a pergunta, olhou para Santana e percebeu que a expressão de preocupação que estava em seu rosto agora deu lugar ao alívio. A loira nunca tinha pensado em sair do alojamento da faculdade, mas também não estava sendo uma má ideia.
- “Eu topo!” – Samara esbanjou um sorriso bobo nos lábios.
- “Sério amiga? Você faria isso por mim?” – Santana se virou olhando para a loira.
- “É claro! Isso é o que os amigos fazem” – Samara respondeu.
As duas amigas ainda ficaram por mais algum tempo conversando com o Coordenador. Ele explicava como iria ser o repasse desta ajuda de custo, como elas iriam ter que comprovar que estavam pagando o aluguel, assinaram algumas documentações, enfim, algumas burocracias de praxe. Santana estava feliz com a notícia que não iria precisar ouvir mais os absurdos de Katherine todos os dias, tampouco respirar o mesmo ar que ela. Iria morar com sua amiga, ter sua liberdade e principalmente ter uma preocupação de menos. Ao sair da sala do Sr. Bishop a latina ligou para sua mãe explicando toda a situação e Maribel não se importou em ter que aumentar um pouco a mesada da morena, já que o sossego da filha não tinha preço.
Enquanto a mudança não acontecia de vez, Santana teve que ficar no dormitório de Samara por alguns poucos dias. Sempre após as aulas as duas saiam rumo aos prédios que eram próximos ao campus na busca de um apartamento para alugar. Não demorou muito e acharam um loft espaçoso em um preço excelente, fecharam negócio e em menos de dois dias a mudança estava feita. Elas ainda não tinham muitos móveis, apenas o necessário. As coisas estavam tomando um rumo perfeito, as semanas passaram e Brittany ainda continuava tendo contato com Santana. Às vezes Brittany tocava no assunto do último encontro, talvez ela não houvesse desistido do plano “De volta para Santana”.
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O sol estava começando a ficar mais fraco, já era quase 19h e Santana estava deitada em um monte de almofadas no chão enquanto assistia as reprises de Grey’s Anatomy, ouviu um barulho nas escadas o que significava que era Samara chegando da sua corrida diária.
- “Oi San, cheguei!” — Samara disse abrindo a porta.
- “Oi amiga! Chegou cedo hoje!” – disse a morena distraída com a televisão.
- “Um pouco. Tenho que começar a arrumar minhas malas, dá para acreditar que o dia de ação de graças é depois de amanhã?” – Samara se dirigia para a geladeira para pegar um pouco de água.
- “Como é? Depois de amanhã? Meu Deus!” – Santana deu um pulo do chão sem acreditar. Andava pela sala inquieta com as mãos na cabeça.
- “O que houve, Santana?” – Samara pareceu preocupada.
- “Eu esqueci completamente do feriado! Vou ter que voltar para Lima. Ano passado a Rachel idiota Berry nos fez prometer que todos voltariam para Lima nos feriados e esqueci o dia de ação de graças!” – disse Santana apreensiva.
- “Ahhh ta. Relaxa San! A gente compra sua passagem pela internet e daqui a dois dias você estará em Lima com seus amigos!” – falou Samara confortando a amiga
Só o que passava na cabeça de Santana era a felicidade de saber que logo estaria de volta a Lima, e invariavelmente, de volta a Brittany.
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