Os Cosmos

7 Todos temos direitos a um pouquinho de Poeira


Notas iniciais
Presente do dias das crianças pra vocês. Amo vocês

Fernando Acordou em meio a sala bagunçada, estirado em um chão que era mais fofo do que aparentava, aquele ser feio agora estava olhando de cara feia, mesmo a cara mais bonita dele ainda era uma cara feia para Fernando. Cormet estava abanando ele com um lenço que horas atrás Fernando havia o visto assoar o nariz. Deu um pulo do chão, “Estou bem, estou bem...", mas Cormet continuou abanando.

–Calma, estou ótimo, já me sinto melhor. Como é o nome do senhor?

–Pronto, agora está com amnésia, eu sou Cormet, lembra-se?

–Mas é claro que lembro, estou falando com este... Seja lá o que for isto!

–Depois nós que somos os rudes! -Disse aquele ser, Fernando percebeu uma leve semelhança entre ele e um polvo gigante, e soltou uma risada abafada.

–O que foi?

–Nada, não, mas vai me falar o teu nome, ou tenho que esperar o dia todo

–Esperar o dia todo até que não seria má ideia!

–Foi uma figura de linguagem, uma hipérbole, será que não entende? -Fernando falou isso tentando a máximo não olhar para a cara daquela coisa horrível- Falando em entender, como você está entendendo o que eu digo?

–É uma tecnologia muito avançada para o seu cérebro primitivo entender- Disse o polvo gigante verde.

–Cormet? Pode me explicar, se assim for possível.

Cormet que agora estava abanando o nada, parou subitamente e olhou para o rosto de Fernando.

–Desculpe, o que disse meu jovem?

–Eu quero saber se este alienígena fala português

–Mas é claro que não, quer dizer, agora ele fala, para você, mas não para ele. Complicado.

–Me explique, talvez eu entenda

–Muito Complicado

–Tente.

–Tudo bem, o cérebro tem várias funções, cada parte dele assume uma função, a motora, a visual, a gustativa, entre outras. O aparelho usado por eles, o Eca, além de invadir o seu córtex visual, ele pega a parte do cérebro envolvida no entendimento das palavras, transforma a língua Panteniana na língua que você mais acessa.

–Mas como ele faz isso, se eu não tenho este tal de Eca!

–É Simples, se apenas uma pessoa tiver este aparelho, atinge todos as outras que estiverem em um raio próximo a um quilômetro, tipo Wi-Fi.

–Complicado- Disse Fernando aceitando o fato.

–Eu disse que seu cérebro não entenderia. E olha que ele nem explicou da forma correta, explicou como se fosse para um bebê.

–Eu não disse que não entendi, só disse que era complicado.

–Pois muito bem, já que você está muito interessado em meu nome eu irei dizê-lo. Me chamo Hipsternomica. Mas deve me chamar Ister.

–Será que todo mundo tem um nome esquisito por aqui?

–Qual o seu nome?

–Fernando

–Isto é esquisito!

–Para você até pode ser.

–Está ai, tudo é questão de ponto de vista.

Fernando respirou fundo para não acabar dando um soco na cara de Ister, que só agora tinha olhado de novo para aquela cara feia. Subiu um refluxo e então desviou seu olhar para Cormet que estava olhando para aquela cena, admirado e encantado, imaginando que não são só as crianças que sabem fazer birras. Encarou Ister e pela primeira vez em dez minutos, voltou a falar.

–Meu velho amigo Ister, quanto tempo, a última vez que nos vimos foi no Bar intergaláctico, faz dez anos.

Cormet estendeu sua mão para Ister que recuou e disse:

–Você sabe que eu não aperto mãos

–Sim sei, mas não custa nada tentar.

–Talvez eu aperte a sua mão, se custar algo!

Cormet deu uma risadinha, mas Ister ficou com uma cara amarrada sem entender o porquê da risada.

–É Faz muito tempo mesmo, naquela época eu era menino cheio de sonhos, queria governar a galáxia, e ai acabaria com todas as raças do universo, deixando apenas os mais lindos, Pantenianos

–Sim, eu me lembro bem, você contava isto de dez em dez minutos. Mas bem, minha nave parou bem no seu planeta, e está precisando de alguns quilos de poeiras cósmicas, sabe?

–Vai poder pagar? Porque se eu me lembro bem você era tão pão-duro que pagava apenas dez miseras Cervejas Moralmaticas, e o preço da Poeira aumentou muito.

–O que são cervejas Moralmaticas? — Perguntou Fernando interessadíssimo

–Depois eu te explico — Disse Cormet apressado.

–Tudo bem então, Deixa que eu pago- Fernando disse isso enfiou sua mão no bolso de trás de sua calça jeans azul e tirou algumas notas – Quanto custa?

–Não é este tipo de dinheiro- Disse Cormet vendo a idiotice que Fernando estava fazendo

Fernando parou por um momento, e de repente percebeu a idiotice que estava fazendo

–Mas é claro que não é, onde eu estava com a cabeça, qual é a moeda daqui?

–Não são moedas, na verdade é algo de algum valor sentimental tem algo por ai?

–Não e você?

–Não. — Disse Cormet que abaixou a cabeça e fez uma cara de triste, mas, como num estalo, levantou-a e soltou um sorriso enorme – Pensando bem, acho que tenho algo que vai lhe agradar

–O que? –Perguntou Fernando.

–Não, você não, eu falo do Ister

–O que? –Perguntou Ister

–Pera ai, deixa eu procurar. – Fernando começou a revirar todos os seus bolsos até que enfiou a mão em seu bolso da camisa- Arrá, achei.

Era um pão com queijo e mortadela mofado. Mas ao olhar aquilo Ister e Fernando tiveram reações totalmente distintas. Ister começou a babar, Fernando ameaçou outro vomito.

–Que nojo! – Disse Fernando

–Que delicia – Disse Ister

–Desculpe se ele está um pouco mofado, viagens no tempo, as vezes acontece

–Está perfeito – Ister estava quase mordendo o lanche quando Cormet recuou a mão.

–Como assim viajem no tempo, não era viagens Intra Universais ou algo do tipo- disse Fernando que, agora, só estava cansando e com dor de cabeça, provavelmente por causa do tombo, ou porque ser cérebro não aguenta mais ver Ister, queria tirar um grande cochilo, talvez quando chegasse na Nave.

–Depois eu te explico

–Está me devendo muitas explicações

–Sim estou, me desculpe por isso, mas garanto que suas dúvidas acabarão se você me deixar negociar com ele

–Negociar? Você só tem um pão mofado, ele tem algum valor a você?

–Não, era só um lanchinho pra viagem, mas acabei esquecendo. Muito bem que tal vinte quilos de poeira cósmica em troca desta delicia?

– Vinte quilos? Pra que quinze quilos, dou dez e olha lá- Disse Ister

– Era o que eu precisava. Muito bem, negócio fechado.

–Como assim, você queria vinte quilos e ele te dá dez- Disse Fernando indignado. –Sou advogado resolvo isto para você.

–Não precisa, como eu disse negócios, eu nunca quis vinte quilos, sempre foi dez eu sabia que ele ia abaixar por isso falei vinte- Falou Cormet por entre os dentes.

–Ah, entendi- Aceitou Fernando

–Cochichar é falta de educação sabia? Vamos Fernando o que está esperando? Passa essa delicia para cá- Disse Ister quase com a cara no lanche de novo.

Cormet balançou a cabeça, esticou teus dedos finos e longos, e os balançou também e falou:

–Não, Não, Primeiro a Poeira.

–Você enche o saco hein, nossa, estou aqui morrendo de fome. Mas vejo que não há opção para mim, então eu vou.

E Ister assim saiu, como se estivesse correndo, na verdade se deslizava pelo chão, e deixava um rastro gosmento por onde passava, bem que Fernando tinha percebido algo estranho naquele chão.

–Nojento, muito nojento, credo, credo, que nojo!

–Que foi?

–Eu estava neste chão

–É Verdade, mas não se importe, as gosmas dos Pantenianos são muito nutritivas

–Nojento, vocês todos. Mas que história é essa de lanche ser uma moeda, você disse que era algo emocional.

–Sim, mas Ister, e acredito que todos, são muitos gulosos e a comida deles e um liquido azul sem gosto, como uma sopa, só que azul e sem gosto. Assim fica fácil aceitar qualquer tipo de comida em troca de algo.

–Nojento.

Ister já vinha chegando da porta atrás do balcão, quase batendo nele, trazendo, com a mãos, algo que sem encachava em sua mão, mas especificamente a segunda da parte direita de seu torso, e que possuía um grande botão vermelho. Ele apertou o botão e assim, logo que apertou, uma plataforma que flutuava alguns centímetros do chão, era circular, fina prateada em sua volta, e seu meio preto, apareceu trazendo um saco enorme o que, presumia Fernando, era a tal poeira cósmica.

–Não se importa se eu checar? — Perguntou Cormet

–Faça o que quiser, nos Pantenianos somos muitas coisas, mas não vigaristas.

–Tudo bem, é só para ter certeza.

Cormet caminhou até o saco, abriu-o, tirou um pouco do que parecia ser um pó dourado, cheirou-o e lambeu-o, fez uma careta para Fernando, colocou o que sobrou em sua mão de volta ao saco, olhou para Ister e disse:

–Sim, com certeza é Poeira cósmica, e das boas. Obrigado

–Ta, ta, ta, vai logo antes que eu mude de ideia e me dê este pão.

–Vou dar, mas antes.

–Ai meu Pantenoritis, o que foi agora?

–Poderia me dar também este carregador, é para levar a poeira até a nave- Cormet disse isto num tom de cachorro pidão.

–Mas é claro que não, este não foi o combinado

–Você está certo, me desculpe o incomodo.

–Não desculpo, agora me dê logo a droga deste lanche.

–Toma aqui

Cormet colocou o lanche no balcão e logo Ister tirou o controle de sua mão e deixou de lado e começou a abocanhar o lanche.

Cormet olhou para Fernando com um olhar malicioso em se rosto, mas ele retribuiu seu olhar.

Até que Cormet agarrou o controle e saiu correndo

–Volte aqui seu vigarista- Disse Ister

–O que eu faço agora? – Perguntou Fernando que nunca tinha praticado nenhum crime, nem roubava uma caneta sequer, quando estudava

–Agora corre- Disse Cormet já correndo.

–Vocês vão ver seus ladrõezinhos.

Ister nem se deu o trabalho de correr atrás. Tinha alarme na loja simplesmente o apertou e voltou a se deliciar com seu lanche.

Cormet e Fernando já estavam fora da loja, o sol cegaram seus olhos mas continuaram correndo, batendo em muitas pessoas.

–Olha a Polícia- Disse Fernando

–Não olhe. Só corra. – Disse Cormet, quase sem folego.

E eles correram, correram tanto que Fernando começou a perceber que aquele velhinho já não parecia mais tão velho assim.

O Policial que Fernando havia avistado na verdade não era um policial, e sim um cara com uma roupa azul.

Conseguiram correr até a Nave.

Chegaram fecharam a porta.

–Pronto agora é só colocar a Poeira na nave. Como faz isso? — Disse Cormet

–Não sei!

–Muito Menos eu