Os Cosmos
8 Tudo o que você precisa saber do Universo, e um pouco mais.
Notas iniciais
Fernando e Cormet ficaram parados e sentados em cadeiras, que para Fernand eram bastante reconfortantes.
A sala da Nave era totalmente branca. O silencio era total, até que Cormet teve uma ideia.
–Já sei, está Nave está programada com reconhecimento de voz, como eu sou burro. Nave reabasteça-se.
E Assim uma voz muito entusiasmada e animada disse em prontidão
–É Pra já meu senhor. Só coloque o saco neste compartimento ao seu lado.
E Ao lado da cadeira de Cormet, que estava um pouco à frente da de Fernando, abriu-se algo que era oval, mas largo e comprido, e possuía um buraco no meio.
Cormet se prontificou, pegou a embalagem e jogou no compartimento que se fechou imediatamente.
–Obrigado Senhor- Disse a Nave – Abastecimento completo e pronto para a decolagem.
–É Verdade, também temos piloto automático! Quase me esqueci disso.
Fernando ao pensar naquela cena todo percebeu que aquele velhinho não parecia ser tão velho assim.
–Cormet, quanto anos você tem?
–Esse negócio de anos não pega muito bem não, mas pode ter certeza que sou novo.
–Quantos anos?
–Cento e oitenta e dois anos, fiz há pouco tempo, sou um gênio para a minha idade, ou um louco como muitos afirmam.
–Cen... e...Oitenta anos- Tentou falar Fernando – É Muito tempo para se viver.
–Não é não, sou muito novo, terei que te explicar o negócio de Universos Iguais só que de formas diferentes?
–Não é preciso, eu já entendi isso, mas o que isto tem a ver com a tua idade?
–Ok, vou explicar de novo, no seu universo as pessoas nascem com um dia, dois dias, e assim vai a contagem dos anos certo?
–Certo – Disse Fernando num tom intrigado
–Pois bem, no nosso nós nascemos com duzentos anos, aparência velha, seguimos para cento e noventa e nove e assim por diante.
–Meu Deus.
–Pois é, eu tenho cento e oitenta e dois anos, o que vale a....
–Dezoito – Disse a Nave – Dezoito anos no seu universo, é bem simples.
–Hum... – Disse Fernando pensativo – Mas você me deve mais explicações do que essa.
–Devo mesmo?
–Deve Mesmo
–Ah, tudo bem. O que quer saber?
–Muitas coisas. Primeiro gostaria de saber...
Quando ia terminar a sua frase, Cormet o interrompe.
–Tenho certeza que a Nave possui uma biblioteca muita vasta sobre qualquer coisa – Ao perceber o quão rude tinha sido resolve se desculpar – Desculpe é que estou muito cansado, e precisamos saber qual será o próximo passo pra salvarmos o universo, deixe eu pensar um pouco. Vá até a biblioteca da Nave.
–Eu te levo até lá – Disse aquela voz suave da Nave.
Fernando antes que pudesse reclamar ou falar algo a Nave simplesmente o transportou para uma sala tranquila, e tão silenciosa que Fernando jurava que estava escutando seu próprio coração.
Fernando observou que a sala era totalmente Branca, como quase o resto da Nave, e possuía umas cadeiras redondas, aparentemente macias e brancas, envolta de uma mesa gigantesca. Olhou para os lados, não viu mais nada além de um livro, envolto a uma barragem de vidro.
Fernando se aproximou, praticamente encostando sua cara no vidro, que estava um pouco embaçado, com muita persistência e dificuldade, Fernando conseguiu ler o título do livro, que parecia Velho e novo ao mesmo tempo, e sua capa era preta como o Céu.
O título era bastante convidativo: “Tudo o que você precisa saber sobre o Universo, e um pouco mais”.
Fernando começou a pensar, como um livro de aproximadamente 200 páginas poderia explicar tudo sobre o universo e, ainda, tirar a suas dúvidas?
***
Cormet estava simplesmente parado, observado os controles, mas a sua mente estava muito além dali.
O que tinha de fazer agora?
Não sabia, só sabia que tinha de salvar o universo e o tempo estava se esgotando. Ou não.
–Onde tenho de ir senhor? Faz tempo que levantei voou e estou planando no nada — Perguntou a Nave
– Eu não sei Nave, queria saber. Minha cabeça está cheia de preocupações, Vou tirar um cochilo, depois eu penso direito.
–É Pra já Senhor
Ao terminar de dizer, uma cama se elevou bem ao centro da sala de controle, “Parece macia”, pensou Cormet, “Não importa, sendo uma cama!”.
– Obrigado Nave
– Não tem de quer Senhor, estou aqui para isto.
Deitou-se fechou os olhos e dormiu, quase que instantaneamente.
***
Fernando, ainda olhando para aquele livro e embaçando mais o vidro com a sua respiração, se aventurou em tentar abri-lo.
Desencostou a cabeça do vidro. Levou suas duas mãos até a lateral dele quando escutou:
–O que está fazendo Senhor? – Perguntou aquela voz tranquila e suave da Nave – Ah, já sei, pode deixar que eu abro pra você.
Fernando recuou as mãos imediatamente e assim o vidro, soltou um barulho como de um rebaixamento de carro, pensou Fernando, e saiu fumaça. E o vidro levantou.
Fernando pegou o livro entusiasmado, empolgado e curioso para saber o que aquelas páginas reservavam, abriu-o com delicadeza, e virou a primeira página.
Estava em branco, virou à segunda, em branco, e a terceira a quarta a quinta. Todas as páginas estavam em branco...
Ele não conseguiu disfarçar a sua decepção e ficou um pouquinho bravo com aquilo tudo.
–Nave? Oi? Está ai? Pareço um louco falando sozinho e segurando um livro com páginas em branco.
–Estou aqui meu senhor. O que quer?
–Me leve de volta a onde está Cormet.
–É pra já.
Fernando sentiu novamente enjoos e cosquinhas na barriga, e de repente estava novamente na sala de comando. E por mais absurdo que pareça, Cormet estava deitado em meio à sala, numa cama espaçosa e aparentemente confortável, parecia estar dormindo, mas murmurava algumas coisas.
–Como? O que eu tenho que fazer agora? – Murmura Cormet de olhos fechados, mas parecia pensativo.
Fernando estava aborrecido com o livro e com Cormet por ter o feito de idiota o dando um livro em branco para ler, gritou:
–Cormet, já li muitos livros em minha vida, principalmente um que continha muitas leis, era imenso, mas nunca um em branco.
Então Cormet pulou da cama animado, Fernando deu um passo para traz, para não ser atingido por Cormet.
–Você é um gênio Fernando, um gênio.
–O Que eu fiz
–Me deu uma ideia. Você falou em leis, que tal a gente ir falar com o Conselho de Lei Intergalácticas, reza a lenda que eles têm um botão de reiniciar o Universo, é só lenda claro. Já fui lá e nunca encontrei tal botão, até porque me expulsaram um minuto depois.
–Não foram estes que te chamaram de louco.
–Sim, mas agora eu tenho você, não custa tentar de novo. Quanto ao livro, você tem que escrever nele...
–Nossa que grande utilidade –interrompeu Fernando – Eu queria era lê-lo para matar minhas duvidas
– Calma, não me interrompa, você tem que escreve nele o que você quer saber, que ele te responderá,
–Hum... Deixa-me tentar
–Nave – Interrompeu Cormet, com cara de quem fez vingança – Nos leve até o Conselho de Lei Intergalácticas.
–É pra já.
E assim a Nave entrou em movimento rápido e constante que fez Cormet e Fernando sair do lugar.
Depois de se recompor Cormet disse:
–Eles não vão ficar nem um pouco felizes em me ver – Observou Cormet
– Por quê? – Perguntou Fernando
– Da última vez eles me expulsaram, e eu – agora ele sussurrou no ouvido de Fernando – Roubei a Nave deles.
–O Que? Você Roubou a...
Cormet colocou a mão na boca de Fernando silenciando-o e sussurrou de novo:
–Este é o mais novo Modelo, tem tudo, até sentimentos, então cuidado com o que fala.
–Desculpe – Disse Fernando
–Tudo bem. Você não sabia, mas cuidado daqui pra frente
Fale com o autor