Os Cosmos
11 Raptados
Notas iniciais
– Nossa que fome, não estou aguentando mais. Minha barriga já colou nas costas. – Disse Fernando estirado no sofá branco no centro de controle da nave.
–Eu também, já se passaram dois dias, faltam apenas cinco dias para salvarmos a Terra, mas acho que da tempo pra um lanchinho, afinal de contas ninguém é de ferro, nem que seja um misero amendoim de Zorck. –Ressaltou Cormet em pé ao lado dos controles da Nave, tentando manuseá-la, mesmo que ela estivesse no piloto automático.
–Dois dias? Na minha contagem foi apenas um.
–Aqui os dias têm apenas 12 horas.
–Mas é claro que têm. –Exclamou Fernando, — Finalmente descobri como usar este livro, é simples, é só escrever o que quero saber com o dedo- disse segurando o livro. — Vejamos o que diz aqui sobre Amendoim dos Zorcks. – Começou a passar nas paginas em branco do livro as letras que formavam amendoim dos Zorcks, quando terminou o livro soltou em uma voz robótica “Amendoins dos Zorcks, deseja ler ou ouvir?”- Ler, Por Favor.
–Você quem manda.
As letras começaram a surgir a partir de um borrão que parecia ser de café, que estava ao lado inferior direito da primeira pagina do livro.
– Aqui fala que foi encontrado em 1986 por um imigrante Zorckiano, por isso o nome, porém, é mais parecido com olhos de Corvos Balbucianos.
–Foi isso mesmo.
–E Agora para apagar estas letras?
–Apagar? Não, é impossível, tudo o que você buscar vai ficar armazenado no livro.
– Obrigado por me falar isso agora que já gastei 5 folhas do livro com bobagem, ele pode ser útil para algumas coisas.
–Tipo o que?
–Não sei, ele vai servir pra algo alguma hora, ou seja lá como vocês marcam o tempo por aqui.
– São horas mesmo.
–ótimo.
– Muito bem, ainda estou com fome, e ficar olhando pra essa foto dos amendoins dos Zorcks que esta no livro não ajuda em nada.
–Não muito longe daqui temos o Bar da Depressão, as pessoas que estão lá não são das melhores, mas podemos comer de tudo lá, paramos um pouco, comemos e tomamos um pouco de cerveja moralmática.
– Pra mim tudo bem.
–Então vamos. Nave, você pode refazer a sua rota e nos levar até lá?
– Com todo prazer- disse a Nave em prontidão. — Reprogramando a rota.
Depois de alguns segundos em completo silencio a Nave volta a falar.
–Rota reprogramada com sucesso.
–Vai demorar muito? Minha barriga está roncando de fome. –Perguntou Fernando com a mão na barriga e os olhos na foto.
–Não senhor, logo, chegamos. – Disse a Nave
–Então porque parou? Vamos quanto mais rápido for melhor.
–Meu senhor, já disse que chegamos.
–Ah, entendi, eu acho- Não, ele não tinha entendido.
–O Bar da Depressão, aqui estamos para matarmos nossa fome e sede. — Exclamou Cormet
– Sim, Graças a Nave. Obrigado Nave.
–Que é isso, eu que agradeço por admirar meus serviços. Saídas à esquerda e direita de mim, cuidado com o degrau.
Cormet saiu pela a esquerda, esquerdas lhe pareciam bem, até porque escrevia com a mão esquerda, parecia tudo mais igual, mais lindo, para ele.
Fernando escolheu a direita, mero acaso, ou talvez porque era a escolha que estava mais perto, ou talvez porque os degraus daquele lado pareciam reluzentes da cor de ouro.
A vista não era nada agradável, pareciam ter pousado numa espécie de asteroide todo deformado.
Uma placa de madeira que piscava fraco, parecia estar ali há anos, os dizeres “Bar da depressão”, e com uma figura de uma taça, com uma espécie de azeitona ao lado e um liquido verde dentro, Fernando julgou ser as cervejas moralmaticas e o amendoim de Zorcks, julgou certo.
– Vejamos o que diz aqui sobre cerveja Moralmaticas. – Disse Fernando abrindo desesperadamente as paginas do livro.
–Sim, sim, isto é uma ótima ideia- Respondeu Cormet
–Claro que é, já que você não quer me contar.
–Vejamos, arrá, aqui diz que “Cervejas Moralmaticas destorcem sua moral bagunça a sua cabeça e transforma aquilo que você acredita, as regras que conhece, em nada. Você vai achar que pode tudo, você não seguira as regras. Se estiver triste lhe deixara mais triste, se estiver feliz lhe deixará triste e se estiver com frio ela lhe esquentara por dentro de uma maneira que se beber muito pode queimar seus órgãos, já houve muitos acidentes ocasionado por cervejas moralmaticas. Porém tem um sabor incrível, até porque ela analisa o seu paladar e o gosto dela será de acordo com o seu paladar, por isso o gosto dela é único”. Daqui pra frente, digamos, as outras sete paginas só falam de seu sabor incrível.
– É mais ou menos isso. Não me deixe beber muito, temos que salvar o universo ainda.
Entraram sorrateiramente pela porta entreaberta da frente.
Escutava-se uma musica lenta ao fundo, algo como um canto gregoriano, cantado pelo famosíssimo Gregrorian do povo de Orferina, popularmente conhecidos como os “Povos Cantantes”, seus cantos eram tão fortes, capazes de curar e também ferir fazer com que uma pessoa que esteja feliz fique triste, e uma pessoa triste fique depressiva, mas Gregorian ficou famoso simplesmente pelo fato de ser bonito, três vezes nomeado o ser mais galã de todo o Universo.
Ao entrarem os barulhos de copos batendo na mesa e choros era evidente, nem pareciam ter notado a presença de um humano e um quase humano entrando no Bar.
Cormet para, pensa um pouco, vira para Fernando que agora franzia a testa de curiosidade e fala:
–Ah esqueci o Dinheiro Zorckiano na Nave, espero que tenha sobrado algum.
–Ué, mas não era algo com algum valor sentimental?
–Isso é em Pantena, agora estamos no Bar da Depressão, aqui a moeda é diferente.
Virou-se e voltou até a Nave.
Fernando se viu parado em frente à porta parado, todos agora o olhavam com estranhamento.
– Oi pessoal, como vão vocês? — Tentou puxar assunto, em vão – Tudo não precisam falar se não quiserem.
É claro que todos que estavam ali não estavam bem, além de ter cada ser exótico e feio, estavam todos com cara de choro, menos o barman é claro.
Agora todos pareciam ter se esquecido da existência de Fernando parado naquela porta por dois minutos, todos exceto uma jovem zorck que enxugava suas lagrimas e olhava fixamente para Fernando.
Aparentemente não era feia, mas possuía uma antena no centro de sua testa e sua cor era azul, mas o resto da aparecia física era aparentemente humana.
Fernando encontrou o olhar dela e por alguns segundo os dois trocaram olhares.
Ele se sentia triste, talvez por causa da musica, ou estava comovido por ver todos aqueles rostos depressivos.
A zorck agora havia percebido a fixação de Fernando e desviou o seu olhar para a sua bolsa vermelha que estava ao lado de uma poça em cima do balcão, abriu cuidadosamente para que não caísse na poça de suas lagrimas ao lado, tirou de lá um livro com uma capa preta como o Céu, que não sabia se tinha a aparecia de novo ou velho, era algo com que os dois ao mesmo tempo, Fernando reconheceu, aquele só poderia ser o livro “Tudo o que você precisa saber do Universo e um Pouco Mais”.
Fernando se aproximou sorrateiramente, e percebeu que o livro estava em branco.
–Para pesquisar no livro você precisa...
–Eu sei muito bem como usar este livro, só não achei nenhum motivo aparente para usa-lo, e não ele não esta a venda é uma relíquia de familia.
–Para quê eu iria querer um livro desse?
–Não sei, talvez porque é raríssimo, há somente 3 exemplares dele no mundo todo. Por isso pretendo não gasta-lo com banalidades.
–Só 3?
– Sim – Disse secamente a Zorck
– Como é seu nome?
– Não está obvio?
– Desculpe, mas não.
– Não vou dizer, você vai rir.
– Juro que não vou.
– Todos falam isso. – Disse a zorck abaixando a cabeça e engolindo o que parecia um choro para Fernando
–Não vou, até porque nem daqui eu sou, sou um viajante... é....Digamos que de muitas eras.
Ela puxou o folego o máximo que pode, fechou os olhos, e falou quase gritando:
–Meu nome é Azulu.
O Bar inteiro caiu na gargalhada, menos, é claro, Fernando, que olhou em volta não entendendo a situação.
Logo pararam porque a musica começou a tocar mais alto e o chororô voltava também com mais intensidade.
– Vai pode rir. –Disse Azulu se lamentando
–Não quero rir, longe disso, achei seu nome até bonitinho.
– Esta caçoando de mim?
– Não é claro que não, é que, na verdade, é, Cormet? Cadê ele? – Disse Fernando sem jeito
–Quem é Cormet?
– Um amigo meu, que por algum acaso ainda não chegou.
– E onde ele esta?
–Foi pegar um dinheiro que esqueceu na nave.
– Pelo menos vocês ainda tem dinheiro, o que eu peguei quando fugi de casa já acabou, agora cá estou eu, sozinha, triste e agora sem um mínimo tostão. Não sei nem como pagarei esta bebida e este amendoim. – Disse a moça em um sussurro para que o barman que estava ao lado enxugando os copos com seus quatros tentáculos e um soluço de choro.
– Calma, você parece ser uma moça inteligente.
–De que me serve a inteligência, nunca serei aceita em nenhum trabalho, pois sou uma Zorck azul. – Uma lagrima escorria de seu rosto.
Fernando se aproximou, abaixou a frente dela que estava sentada, passou a mão em seu rosto limpado a lagrima como um gesto de carinho, e com tanta suavidade que a gota simplesmente ficou parada em seu dedo.
– Não chore por isso, eu sei muito bem como é se esforçar e ser ignorado pelos seu familiares e pelo mundo. Mas algo aconteceu que mudou a minha vida, estou vivendo uma grande aventura, recuperei a minha alegria através dela, e se você quiser, posso te levar junto, Cormet mão iria se importar, eu acho.
Ela soluçou, tentou falar algo, mas não conseguiu, caiu a chorar de novo, Fernando abriu os braços e a abraçou.
Por que estava fazendo isso? Ele nem a conhecia, mas sentiu um grande apreço por ela, talvez fosse a sua cor que chamava a atenção, ou o seu rosto com traços perfeitos, ou sua pela suave, enfim, ele não sabia.
Ela também passou as suas mãos envoltas as costas de Fernando.
Porque ela estava fazendo isso? Talvez fosse pelo cabelo liso dele, ou pelo sorriso reluzente que ele tinha, ou talvez por sua pele ser mais branca que qualquer outra coisa que tinha visto, enfim, ela não sabia.
– Mãos ou tentáculos, ou seja lá o que for que você usa como aderência para pegar as coisas, ao alto, isto é um assalto.
O chororô parou, só ouvia o som da musica “Nada esta tão ruim que não possa piorar” do Gregorian ao fundo, e também o ruído dos três copos da mão do barman se espatifando no chão.
–Assim esta bem melhor. – Disse o assaltante com a aparência de um fisiculturista, um charuto na boca , tatuagens em todo o corpo e uma arma em cada uma de suas quatros mãos.- Passem tudo o que tiver de valor.
Azulu pega o livro que estava em cima do balcão e tenta esconde-lo o mais rápido possível. O assaltante percebendo a movimentação fora do normal olha com um olhar medonho e um franzimento de testa peculiar.
–Ora, vejamos o que temos aqui, um casal nada peculiar, um provavelmente humano, dos mais feios eu diria, e a outra pela antena, uma Zorck, mas eu nunca vi uma zorck azul. – Se aproximava em seu passo pesado, porém lento, suas botas com esporas faziam um som medonho cada vez que chegava mais perto de Azulu e Fernando.
Seu rosto agora quase se encostando ao de Azulu que segurava o exemplar de Tudo o que você precisa saber sobre o Universo e um pouco mais atrás das costas.
O bafo dele era tão quente e forte que Azulu quase desmaiara, mas prendeu a respiração.
Ela percebeu que o rosto dele era tão feio, seus olhos esbugalhados.
– Vejamos, o que esconde aqui? – Puxou com muita brutalidade e com a força de seus quatros braços o livro da mão de Azulu. – Olha aqui, um exemplar de Tudo o que você precisa saber sobre o Universo e um pouco mais, este livro é raro, bem parece que eu ganhei na loteria.
–Solte isso seu desgraçado, é a única coisa que ela tem para se relembrar da família, que mesmo sendo suja é a família dela – Disse Fernando em um de seus ataques de raivas súbitos e vou para cima daquele ser gigante que parou-o com apenas uma mão.
O ladrão riu tão alto que ensurdeceu todos que estavam no Bar.
–Olhe, parece que temos um herói aqui! – Pegou Fernando pela camisa ergueu-o até a altura de seu rosto – Escuta aqui moleque, não faça nada de que vá se arrepender depois, não queremos que ninguém se machuque, principalmente sua namoradinha aqui.
–Ela não é minha namorada, é só uma garota que acabo de conhecer.
– Isto não importa agora. – Jogou o Fernando no chão com força que bateu a cabeça no chão e começou a sangrar o nariz. – Mas alguém quer bancara o herói?
Ninguém se manifestou.
–Bom já que ninguém se manifestou vamos prosseguir com o roubo.
– Todo mundo no chão agora! – Gritou o ladrão – E eu vou ficar isso. – Disse agarrando o livro.
Todos abaixaram inclusive Azulu, Fernando já estava no chão agonizando de dor ao seu nariz quebrado.
–Obrigado por fazer aquilo, não precisava, mas muito obrigado.
– Oque é isso? Nada de cochichos ai em baixo e... Espere- Disse o ladrão olhando para baixo, vendo que envolto ao pescoço de Azulu havia uma colar, com pedras muito valiosas – Menina, levante-se agora.
–Mas o senhor mandou ir para o chão.
– E agora estou mando você levantar, ande, levante-se agora.
Azulu se levantou olhou nos olhos do assaltante que falou:
–Porque você estava me escondendo esta joia de seu pescoço? – Disse arrancando a joia do pescoço de Azulu
–Não faça isso. Vai se arrepender.
–Espere essa joia é da realeza Zorck. Onde roubou isto menina?
–Não roubei.
– Mas é claro, agora tudo faz sentido, as lendas eram verdadeiras, eles realmente tinham uma filha defeituosa e nunca mostraram para o povo.
– Não sou defeituosa.
– Vamos Breck – Disse o assaltante para o que parecia ser, uma lagartixa gigante humanoide que estava em pé em frente à porta. – Amarre estes dois e leve para a nave.
–Com certeza mestre – Disse Breck puxando todos os sons s, como uma cobra e andando em direção a eles com cordas que encontrara ao lado do balcão.
–Pessoal saldem a princesa de Zorck antes de irmos! – Gritou o assaltante.
Ouviram-se os balbucios de indignação de todos no bar, “Como assim princesa?”, “As historias eram reais”.
Mas o que mais parecia chocado era Fernando.
– Depois te explico tudo. – Foram as ultimas palavras de Azulu antes de ser amordaçada.
Cormet entrava agora pela porta da frente gritando:
– Fernando achei os dinheiros e...- Fez uma cara de indignação com toda a situação que acontecia no Bar – Perdi alguma coisa?
– Cormet corre – Fernando tentou avisar, mas era tarde.
Após Fernando ser Amordaçado ouviu-se uma nova ordem do mestre de Breck.
–Breck o pegue também.
O Réptil- lagartixa correu em direção a Cormet e o prendeu também.
– Agora leve todos para a Nave.
–Com certeza Mestre.
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