Os Contos do Tempo

2 O Anoitecer dos Cinco Pilares.


Notas iniciais
Primeiro conto, na cronologia, ele ocorre quinhentas eras após a chegada de Kardis e da expansão do Universo.

“Os velhos Generais contam estórias sobre criaturas tenebrosas, sobre seres de inigualável e inimaginável poder. Alguns ainda sussurram que já estiveram perto destes seres, e que houve um dia em que eles caíram.” — verso retirado de uma canção élfica encontrada na biblioteca de Old-Wor.

Forjados pelos martelos da Criação no fogo cósmico do Tempo, os Ennador’en foram os primeiros seres criados por Kardis. O nascimento deles remota há pouco tempo depois da Expansão Cósmica, ali mesmo no meio daquele violento inferno de fissões e fusões. Por terem sido criados a partir do próprio fluxo temporal, eram criaturas imortais, e eram os representantes dos Deuses em Tamrell.

Os Ennador’en são encarregados das chamadas Ações Básicas, os cinco sentimentos que movem os mundos. O primeiro deles foi Kador, o Pai, Ennador’en representante das relações hierárquicas, da autoridade. A segunda foi Sirah, a Mãe, encarregada das relações entre seres, do amor. O terceiro e o quarto foram Zand’en, o Pior e Navhe’en, o Ganancioso, representantes do ódio e do desejo. O Ultimo Ennador’en criado por Kardis, foi Jhav’en, O Divino, representante da independência e do instinto de sobrevivência. Os cinco Representantes foram colocados no mundo que Kardis e seu companheiro haviam criado. Seu nome era Tamrell, o planeta recém-formado era um oásis numa galáxia recém-expandida em meio a explosões nucleares, era um vasto mundo, onde proto-criaturas se preparavam para emergir em grandes civilizações. O planeta não tinha muitos oceanos, a maioria de sua superfície era composta de florestas verdejantes, porém, desertos vermelhos e grandiosas montanhas rochosas também faziam parte da paisagem. Em meio a este paraíso, cinco criaturas começavam a moldar o que se tornaria o maior planeta existente.

Durante os Primeiros Ciclos, os Ennador’en foram encarregados de ajudar as raças a evoluir e se estabilizar no mundo, e em quinhentas eras, Tamrell estava totalmente diferente, os habitantes partiram de criaturas selvagens a seres com organização social complexa, passando por guerras, ataques, golpes e revoluções. Durante esse tempo as planícies, montanhas, florestas, desertos e mares de Tamrell foram preenchidos com cidades raciais poderosas, onde criaturas irmãs faziam contratos entre si e estabeleciam seu poder em megalópoles gigantescas, sub-cidades, onde as piores escórias rastejavam esperando o momento de prejudicar os grandes lideres. No Quadrante Norte, um grande continente se estendia. Dos desfiladeiros escuros de WiseWard até as planícies fluviais de Yulethon, Kannor era o continente onde mais criaturas se concentravam. Todas as cidades-sede das raças irmãs se encontravam lá, majestosas, imponentes e imortais.

“Ficou realmente impressionante” a vibração disse, enquanto Kardis admirava Tamrell.

Kardis ainda o ouvia em sua mente.

— Você ainda conversa comigo assim? — Ela perguntou esboçando um sorriso debochado — Cadê seu corpo?

“Deve estar criando algo, você sabe que eu gosto de ficar aqui com você”

— Na verdade acho que você fica constrangido em conversar comigo pelo seu corpo — Ela disse maliciosamente — É por causa daquilo ainda?

“N-n-não não tem nada a ver, cale a boca” ele respondeu, com um tom constrangido em sua voz.

Kardis riu.

— Bom, acho que agora finalmente as coisas vão começar a acontecer, não é?

“Com certeza, agora é só sentar e aproveitar o show”

— Estou curiosa pra ver o que os Ennador’en vão fazer — Os dois riram enquanto observavam sua criação e as ações dos seres que haviam criado.

Dizem que Deuses têm um humor negro, as coisas que estavam para acontecer iriam mostrar o quão negro ele era.

...

O clima era de chuva quando o septuagésimo terceiro dia do terceiro Período da sexta Era começou, nuvens cobriam todo o céu do planeta. Trovões e relâmpagos se manifestavam periodicamente, e exatamente ao mesmo tempo. O planeta inteiro estava escuro, sendo iluminado apenas pelos momentâneos relâmpagos. Esse dia, no futuro seria conhecido como O Anoitecer dos Cinco Pilares. Era um dia importante, que havia começado com a mais intensa e escura tempestade já vista. O topo de WiseMount era uma gelada paisagem, os periódicos relâmpagos refletiam na vasta planície congelada e iluminavam a paisagem ofuscada pela violenta nevasca que acontecia. No meio da tempestade uma pequena figura se movia, lentamente, avançando pela paisagem. A neve e o frio não atrapalhavam a criatura, ela andava normalmente pela nevasca. Os animais se afastavam da figura negra, as árvores pareciam atrofiar quando ela se aproximava. O ser olhou para cima, sua face estava coberta pelo tecido de seu manto negro, ele estreitou os olhos e reconheceu a majestosa imagem a frente. No meio da vastidão branca podia se ver o templo deles, Soun’tahir, a Casa dos Pilares. O Templo mais parecia um majestoso castelo enterrado em meio à neve, era feito de pedras velhas, enegrecidas pela umidade e pelo tempo. Fora da neve podia se ver a torre principal quadrangular que tinha cerca de quarenta metros e acabava em um teto abobadado feito de um metal mágico marcado com runas que escondiam o castelo dos mortais. Na porta, duas colunas se erguiam de braços abertos formando um arco, eram esculturas de Kador e Sirah. Na base delas podia se ver aqueles mesmos símbolos que a vibração havia conjurado, era impossível, até para uma das Criaturas Celestiais traduzi-los. A porta também era toda esculpida, nela se via os outros três Ennador’en em cenas das Primeiras Eras. As pedras de gelo escurecidas e a grande quantidade de neve enterrando parte do templo o deixavam com um aspecto morto, nada se aproximava dele, nem a vegetação ousava por suas raízes naquele solo sagrado. Quando a criatura colocou seus pés em frente ao castelo, ela olhou para a grande porta de pedra, puxou o pedaço do manto que cobria sua boca e sibilou uma frase com suavidade.

— Jhav’en ze meh’e net ihh zoorh nahdot. — A enorme porta de pedra começou a se abrir, uma espessa camada de poeira e neve saiu de baixo da porta que agora se dividia no meio e abria para fora. A pequena figura passou calmamente pela gigantesca porta do templo, seus passos ecoavam pelo cômodo que agora se encontrava. O salão principal era simples, mas majestoso, não tinha janelas e ele era iluminado por duas bolas de fogo suspensas, no fundo do grande salão havia uma escada onde dois grandes pilares se encontravam perto de passagem que dava no corredor da sala do conselho, eram os mesmos pilares que se encontravam na porta do castelo. As bolas de fogo derramavam sua luz nas paredes de pedra e iluminavam gravuras com a história das quinhentas eras e da jornada dos Ennador’en. A figura, um jovem rapaz, começou a ler as gravuras esculpidas na parede. Os desenhos mostravam os acontecimentos das quinhentas Eras de Tamrell, essas eras, chamadas Primeiras, se dividiam em cinco Éons, durante cada um deles um dos Ennador'en reralizava sua jornada, eram cinco. O amanhecer de Kador, a ascensão de Sirah, os dias de Zand’en, o crepúsculo de Navhe’en e a noite de Jhav’en. A história da evolução das criaturas estava marcada e bem preservada em Soun’Tahir, essas gravuras registravam desde criaturas solitárias, morrendo durante a luta pela sua sobrevivência, as mesmas criaturas matando outras para seu sustento, armazenando o excesso de mantimento para comercialização, entrando em guerra, se reproduzindo e perpetuando sua semente no mundo, protegendo seus semelhantes. Porém, em um certo ponto na história de uma curiosa raça, algo constantemente se repetia. Era uma pequena imagem e a mesma palavra, os seres em questão se rebelavam constantemente, sempre questionando as regras de seus governantes e sempre lutando por liberdade. O homem sorria enquanto observava as marcas na parede.

— Eles são muito parecidos com você — A voz de uma segunda figura que se encontrava no topo da escada irrompeu pelo salão principal e tirou o primeiro rapaz de seus pensamentos — Me pergunto se esses humanos não são obra sua... Jhav’en — O segundo ser disse isso com um sorriso irônico no rosto.

— Não tenho o poder pra isso, e todos nós temos influencia sobre eles, você também tem muita, Navhe’en. — O ser riu, cruzou os braços e se se encostou ao pilar do topo da escada. A forma mortal de cada Ennador’en era a forma de sua raça protegida, Kador e Sirah não utilizavam formas mortais. A de Navhe’en era a de um anão, tinha cabelos negros e uma longa barba trançada e amarrada com anéis de ferro que descia até sua cintura, era musculoso e tinha ombros largos. Aparentava ter pouco mais de cem ciclos, vestia uma armadura de obsidiana que cobria seu tronco, ombros e antebraços, além de botas do mesmo material. Sua face era jovem e de traços fortes, maduros. Tinha olhos negros e uma cicatriz na parte direta da face que começava em sua sobrancelha e descia até seu pescoço. Olhar para Navhe’en era como olhar para algo superior realmente, ele emanava algo que o diferenciava das demais criaturas. Para qualquer raça, mesmo um gigante, ficar diante de Navhe’en era perturbador, era uma presença opressora. Todos os Ennador’en tinham essa aura, por mais insignificante que sua raça protegida fosse, eles eram superiores e oprimiam qualquer ser com sua presença esmagadora.

— Eles podem ser até bem gananciosos, mas eles têm essa sua habilidade desgraçada — O Ennador’en anão olhou para o rapaz com uma cara de desprezo — eles sobrevivem, e não respeitam a autoridade. Isso é demasiadamente ultrajante.

Jhav’en baixou a cabeça e riu, e então foi subindo a escada enquanto o outro Ennador'en o observava confuso. Quando estava em frente ao anão, disse

— As regras são seguidas quando é oportuno — Navhe’en franziu o cenho enquanto o Ennador’en humano falava — Não é necessário fazer algo se te prejudica ou se vai contra o que é certo pra você.

— Acho que O Pai não vai concordar com sua visão de mundo — O Ennador'en anão disse enquanto seguia pelo corredor, Jhav’en o acompanhava.

— Kador sabe da minha opinião, e, além disso, eu não o obedeço, eu o respeito. — O jovem Ennador’en apresentava um tom sério e sólido em sua voz. — Eu reconheço a capacidade de liderança dele, ele não se porta como um chefe, ele é um líder nato. Um povo independente e com um instinto de sobrevivência forte precisa de alguém assim para uni-los.

— É por isso que eu não gosto dos humanos — Jhav’en o olhou com espanto — Se eles um dia conseguirem um líder assim, nenhuma raça vai poder pará-los — Navhe’en cerrou os punhos e continuou olhando para frente, seus olhos apresentavam um olhar assassino — E não pense você que eu vou deixar esses vermes livres para fazer o que quiserem.

O silêncio tomou o corredor, a tensão entre os dois era destruidora. Todos os Ennador’en tinham seus próprios interesses, mesmo que não demonstrassem isso. Uma conversa entre qualquer um deles, mesmo que formal, era assustadora. Qualquer desentendimento entre estes seres celestiais resultava em catástrofes naturais, pestes e guerras.

Os dois continuaram andando em silêncio, seus passos ecoavam pelo corredor. O corredor acabou em uma porta com pouco mais de cinco metros de altura, era parecida com a porta da entrada do templo. Navhe’en a empurrou e quando entraram na sala outras três figuras já os esperavam lá. Era uma sala de tamanho médio, no meio dela, havia uma mesa de pedra com runas esculpidas. A mesa era suspensa por raízes que se abraçavam e lembravam os tentáculos de um Karrul, nas raízes, várias runas brilhavam e emanavam rastros em sua extensão. Ao redor da mesa cinco tronos feitos de diferentes tipos de árvores estavam dispostos, três deles já estavam ocupados. Á direita do trono central, a única figura feminina na sala murmurava algo para Kador. A Mãe continuava exatamente igual mesmo após todas as Eras que se passaram, seu titulo não fazia jus a sua aparência. Em sua forma natural, tinha traços leves que pareciam ter sido desenhados pelo mais experiente artista humano. Tinha cabelos vermelhos sangue que contrastavam com sua pele acinzentada, não possuía pupilas e rastros luminosos levemente avermelhados escapavam pelo canto de seus olhos. Era pequena, cerca de quatro cabeças. Aparentava ter cerca de vinte ciclos, usava um simples vestido branco e um manto cobria seus ombros, em sua extensão havia somente pequenas linhas vermelhas que expulsavam uma aura fina da mesma cor. Atada a seu pescoço, uma grande safira se depositava em seu decote. Usava cinco anéis em sua mão direita e uma fina corda em seu dedo anelar esquerdo, haviam runas marcadas em toda a extensão de seu braço direito. Estava sentada de pernas cruzadas em seu trono de Figueira, a Ennador’en tinha uma beleza digna de ser chamada celestial. Nenhuma criatura resistia aos encantos dela, macho ou fêmea, nada escapava dos encantos da Mãe.

Ela estava com uma expressão séria em sua face, como se estivesse discutindo algo antes deles entrarem.

— Ah! Já chegaram — disse Sirah, sua voz era leve e agradável de ouvir — Estávamos achando que não viriam.

— Desculpe o atraso, Sirah — Jhav’en se desculpou — Eu tive que resolver alguns assuntos.

— E desde quando qualquer assunto daquela sua raça de ratos insignificantes é mais importante do que uma reunião do conselho? — O Ennador'en humano conhecia aquela voz que o interrompeu Jhav’en, aquela que ele já havia aturado por vários ciclos. Do lado esquerdo de Kador ele viu aquela criatura irritante, Zand’en, um dos Ennador’en — Não entendo como alguém que cuida de criaturas tão inúteis, e ainda acha que elas têm mais importância que uma reunião entre os representantes de Kardis merece estar aqui em solo sagrado!

— Cuidado com o que você fala Zand’en, vamos acabar nos desentendendo — O Ennador’en humano cerrou os punhos e deu um passo a frente — Isso não vai acabar bem pra você e sua raça de ogrinhos fracos. Há quanto tempo eles tentam vencer a humanidade naquela guerra perdida mesmo? Quando a reunião acabar, por favor, diga a eles que é melhor desistirem enquanto ainda lhes resta metade do território original.

— COMO VOCÊ OUSA!!! — gritou Zand’en, se levantando enquanto puxava seus machados de suas costas. O Ennador'en pisou na mesa de pedra e se preparou para atacar, em resposta Jhav’en puxou seu manto para o lado e tocou o cabo de sua espada.

— Nerhou'h. — A voz era absoluta, nenhum dos dois conseguiu mover um músculo. Kador estava sentado com o punho apoiando o queixo, seus olhos lançaram um olhar ameaçador para os dois Ennador’en, um rastro de luz azulada serpenteava nervosamente no canto de seus olhos. Sua presença era assustadora. Ele estava no centro, era uma figura majestosa. Sentado em seu trono de Oliveira, Kador estava em sua forma natural. Ele era assustador, emanava com uma força ainda maior a mesma aura que os outros Ennador’en, o Pai realmente merecia este título. Bem como a forma mortal dos Ennador’en, suas formas naturais eram um espelho de sua personalidade. Kador media onze cabeças e uma presa de altura e tinha pele acinzentada com certa luminescência. Tinha um corpo musculoso, seus braços tinham a espessura de um corpo humano e seus ombros eram largos. Porém, sua face era decrépita e parecia a de um ser fraco, como a de um Sipher. Aparentava ser um humano, tinha longos cabelos negros que se estendiam até sua panturrilha e uma volumosa barba também. Não tinha pupilas, rastros luminosos serpenteavam no canto de seus olhos. Tinha runas marcadas em seus braços e pescoço. Usava um manto branco com detalhes que emitiam uma aura azul da mesma cor que as finas linhas que escapavam pelo canto de seus olhos, não cobria a parte superior de seu corpo, usava duas tiras de couro que se cruzavam em volta de seu braço esquerdo, além de um bracelete com uma curiosa joia esverdeada. Em seu braço direito usava uma braçadeira feita com o mesmo material de seu trono e pele de animal amarrada com tiras de couro. Usava uma espécie de kilt longo, que acabava abaixo de seu joelho e tinha suas pontas rasgadas. E era sustentado por um grande cinto de couro com duas fivelas esculpidas em pedra negra na forma de crânios.

— Por favor, Kad, vamos usar a língua comum. Proferir a Língua de Deus aqui tem seus riscos. — Advertiu Sirah. Kador concordou com a cabeça e continuou.

— Respeitem o solo onde estão pisando. Sente-se Zand, você também Jhav. — O Ennador’en Pai disse um tom sério em sua voz, aquela foi uma ordem absoluta.

O Ennador’en humano se desculpou, em seguida embainhou sua espada e se dirigiu ao seu trono de Aveleira. Ao se sentar, cruzou suas pernas e braços e dirigiu um rápido olhar assassino para O Pior.

— Espero que fiquem mais calmos agora — A Mãe disse descruzando as pernas e se ajeitando no trono. Navhe’en, que observava a briga, já estava acomodado em seu trono de Faia — Tenham respeito por esta sala, aqui não é lugar para brigas — Kador se ajeitou e esperou todos estarem sentados, Zand’en ainda reclamava, mas se dirigiu até seu trono de Olmo e se sentou sem demorar.

— Bom, vamos começar — O Ennador’en Pai fez um rápido movimento com as mãos e as raízes que envolviam a mesa e que sustentavam o trono dos outros quatro começaram a se mover e ascenderam, levando a mesa e os tronos dos outros Ennador’en até a altura de Kador, que com uma voz imponente proferiu:

— Et’oh thul kkou’en narhtav, ennaarin’ah hir. — A parte da mesa onde O Pai estava começou a brilhar, runas começaram a crepitar em seu trono. Os outros Ennador’en se ajeitaram em sua cadeira e continuaram. A segunda foi a Mãe, que proferiu suas palavras em uma voz doce e suave.

— Et’oh thul zo’en narhtav, mezaarin’ah hir. — O trono de Sirah se tornou vermelho, linhas de sangue escorriam pelas raízes dele, runas em rubro negras se viam na parte da mesa onde ela estava.

— Et’oh thul tho’en narhtav, rhettorhenn’ah hir. — disse Zand’en que estava em sua forma mortal. Um grande orch como pele verde e um corpo atlético, tinha músculos definidos e veias saltavam de forma agressiva ao redor de seu corpo. Usava protetores de ombro e uma tanga de pele de texugo ambos sustentados por vários cintos de couro interligados por anéis de ferro, ele usava também braçadeiras amarradas com fitas de couro e botas de pele. Sua face parecia ter sido esculpida em uma expressão de raiva contínua, duas presas inferiores subiam até a altura da ponta de seu nariz, de sua testa mais veias saltavam. Tinha olhos verdes que ao proferir sua frase expulsaram uma aura negra, bem como a porção da mesa onde o Ennador’en se encontrava. Em sua cabeça, um único e longo rabo de cavalo crepitava em meio a uma aura negra.

— Et’oh thul zo’o’en narhtav, nerh-valar’en’ah hir. —Navhe’en proferiu fortemente. Em seu trono, várias runas começaram a se marcar em um brilho esverdeado. Os olhos do Ennador’en anão se tornaram verdes, um cósmico fogo verde vivo começou a crepitar na sua parte da mesa.

Era a vez ultima voz proferir suas palavras. Seu dono sentia que aquela reunião ia ser o início de algo ruim. Ele sabia que assim que cada Ser Celeste proferisse sua frase todas as raças protegidas sofreriam com os objetivos dos mesmos. E ele lutaria com todas as forças para proteger sua própria. Se preparando para o pior, Jhav’en proferiu.

— Et’oh thul zou’ko’en narhtav... vallar’en’ah hir.

Notas finais
A língua proferida pelos Ennador'en é uma língua fictícia criada por mim, em virtude de partes importantes da Estória ela não vai ser traduzida aqui. Na frase dita por eles, os seres estão proferindo quem são, qual sua posição hierárquica e que raça protegem. A maioria dos nomes das espécies é nessa mesma língua. Jhav’en ze meh’e net ihh zoorh nahdot. = "Jhav'en o Divino bate em sua porta" Et’oh thul kkou’en narhtav, ennaarin’ah hir = "Eu sou o primeiro pilar, guardião dos que são belos" Et’oh thul zo’en narhtav, mezaarin’ah hir. = "Eu sou o segundo pilar, guardiã dos Infernais" Et’oh thul tho’en narhtav, rhettorhenn’ah hir. = "Eu sou o terceito pilar, guardião dos Odiosos" Et’oh thul zo’o’en narhtav, nerh-valar’en’ah hir. = "Eu sou o quarto pilar, guardião dos Homens de fogo" Et’oh thul zou’ko’en narhtav... vallar’en’ah hir. = "Eu sou o quinto pilar... Guardião dos Mortais" Cabeça = medida fictícia de comprimento, equivale a quarenta e cinco centímetros. Esse tipo de medida eh usada para altura de criaturas e comprimento e altura de objetos. Distâncias são registradas por outro tipo de medida.