Os Contos do Arauto
2 Capitulo I - As lembranças de Mirtanã.
Notas iniciais
“Quando chove os Algnums choram não de tristeza, mas de emoção, pois eles lembram que seu clã nasceu quando houve choro.”
— Livro de Alfim
Naquele dia as crianças brincavam e os lobos passaram com se elas não existissem. Nem se quer latiram quando elas gritaram seus nomes.
Eles pegaram o rastro e os lobos da floresta patriarca nunca se enganam.Os guardas o avistaram e o perseguiram sem cessar, porem os assassinos são rápidos e conseguem se desvencilhar facilmente dos “orelhas pontudas”.— PARE, PARE, PARE. — Eles gritavam, mas ele não os ouvia, só ouvia o seu coração.Ele pulou de prédio em prédio, porém não por muito tempo sua adrenalina foi cortada por uma flecha que rasgou o céu e sua carne sem dó.— PEGAMOS.- Um dos soldados gritou.Os que lhe causavam dor lhe enchiam de raiva e só o fazia odiar mais os elfos.Chegava a ser comico, os “senhores” Elfos, com medo de um mero ladrão, Mas um ladrão que foge da guarda por tanto tempo é algo a se preocupar.— Qual o seu nome? — Perguntou-lhe um guarda.— A quem devo a honra de dizer meu nome?- Respondeu ele com ironia— Seu insolente! Somos a guarda real de Rortaná Vossa Majestade Rei dos Elfos de Bronze.—Há! Ninguém que mereça respe... — Sua frase foi interrompida por um soco— RESPONDA! – Gritou o Comandante— Eu não sei!— Como não sabe?— Não lembro.— Seu verme ainda zomba de mim? Vai aprender. Tirem-lhe a roupa.Não quero que meu chicote fique com trapos.O jovem sentiu todos os músculos de seu corpo se contraírem ao ver a sombra do chicote de seu agressor se levantar.Seus olhos fecharam a fim de resistir à dor.Mas em vez do barulho de um chicote ouve-se um grito: — POR HAVÁ PAREM.- Os olhos de toda a vila se voltaram a uma dama a cavalo. Ela exibia uma coruja em sua mão esquerda. Seus olhos encandeciam como a lua. E só ai os soldados perceberem de quem se tratava a figura.— Eu, Mirtanã, Filha de Calõ, senhora das flores, rainha dos Elfos, Ordeno que esta punição seja interrompida.Todos os guardas ficaram estáticos— M’lady perdoe-me, mas este homem e um criminoso. — um deles falou— O que ele fez soldado?.- perguntou ela com uma voz suave e doce.— Afrontou a coroa. — respondeu lhe o capitão.— Conheço meu primo como conheço, e sei que expressar a opinião não é afrontar a coroa. além do mais Seltin não esta sobre a jurisdição de Kelnin.Entreguem-no a seus superiores para que eles decidam o que fazer, e não vocês.Levantaram o jovem.Ele se inclinou agradecendo e ao se levantar a princesa pode notar uma marca em seu peito, o olhar da princesa era de duvida como se conhecesse aquele jovem.Seus olhos lacrimejaram, mas ela disfarçou.— Onde conseguiu isto? — perguntou ela.— Não sei m’lady não me lembro. Na verdade não me lembro de quase nada de minha vida, não sei de onde venho ou quem sou Penso de que minha perda de memoria se deve a esta cicatriz que carrego na cabeça.Ao ver a cicatriz a rainha se encheu de incerteza. Seu coração sentiu amor, mas a sua mente tristeza não por si , mas por ele.— Eu conheço você, e você nem sabe que eu sou— Sim sei, a senhora é a rainha.— A muito você me chamava de outro nome Ziftk.A mente do jovem ficou confusa a quem a princesa se referia como ela poderia conhecê-lo.— M’lady?— Sim Você é Zifitk, eu tenho certeza. Libertem-noA rainha esperava perguntas, mas acho que depois de tanto tempo no escuro a luz se tornou assustadora para aquele jovem, tudo que ele fez foi correr assustado pelas vielas do local, um dos criados da Rainha a encarou com um rosto de duvida. Não com mais duvidas do que a rainha.Os guardas avançaram, mas a rainha os ordenou que ficassem e deixassem o jovem ir.
Fale com o autor