Os Contos do Arauto

3 Capitulo II - A Volta do Rei


A esperança de Mirtanã se esvaía a cada ano que se passava desde a ultima vez que vira Zifitk.

Será que voltaria a velo?
Cinco anos já se passam, mas a dor não.

— Rainha?- uma voz doce se ouviu por traz de Mirtanã.

O rosto de Mirtanã quase sem vida se levantou a fim de ver sua criada, que exibia um olhar de pena.

—Icalim- a respondeu

— Deve comer senhora. Seu jejum a Havá já dura uma semana.
— Não sessarei ate que meu proposito seja atendido. Havá me testa para ver se sou forte.

— Yago qia ipi voe saya?(você não ama seu povo?) -falou a criada.

Ela usou da língua emon para ver se compadeceria a rainha.

— Não me venha falar de amor ao povo, eu amo meu povo e tudo o que quero é evitar a guerra, mas para isso precisamos de Zifitk.

— Como tem tanta certeza de que ele é o cajado.

Havia uma profecia em calina: “Durante o choro da mãe ao ver seu filho sofrer, o bastão de Arão florescerá e dará cabo do salteador."

— Eu não sei? Só sei que sei.

— Não, não sabe.
A voz da criada foi abafada pelo alarme que soou , um guarda entrou a gritar:

— SENHORA, SENHORA! LÁ FORA, LÁ FORA!

Mirtanã olhou pela janela, e em vez de ver o vermelho vivo e o azul marinho das flores que cobriam o jardim do palácio tudo que ela viu foi orcs pisoteando suas lindas plantas.
Mirtanã se encheu de fúria e juntou todas as forças que ainda restavam para se levantar e ir ao encontro do invasor.
Mesmo fraca a rainha Mirtanã exibia elegância em seu unicórnio branco.
Todos os orcs se calaram para ouvir o que Mirtanã diria.
—Gnuvi, o Salteador, a que devo a infelicidade de sua presença?- falou a rainha com deboche, ela se dirigia ao líder dos orcs.

— hahahaha! Sempre engraçadinha Mirtanã. ouvi relatos de que os elfos estão afim de arranjar uma briga e sabe com dizem antes que a flor nassa a semente deve ser tirada.

Assim que Gnuvi fechou a boca todos do seu exercito retiram as espadas

— Como ousa vir em minha casa me afrontar. — disse a rainha. – Você começara uma guerra.

— A guerra já começou a muito tempo minha Rainha. MATEEM- gritou ele

Um urro se ouviu, porém antes que os orcs ao menos se movessem. Uma trombeta soou, todos ficaram estáticos, pois não sabiam de onde vinha o som, mas sabia de quem era.
Aquele som pertencia ao exercito do Rei lobo.

— É ELE! – Gritou um dos comandantes de Gnuvi

— Ele quem? – Se indagava a rainha.

Os olhos da mesma se encheram de lagrimas ao reconhecer a quem os orcs se referiam.
Montado em um lobo imenso, lá estava Zifitk.
Enquanto ele descia a colina em seu lobo branco, Tauriel, os orcs recuavam.
Logo atrás o exercito de Zifitk o seguia, alguns montados na alcateia de zorar os lobos mais ferozes de Calina.
O vento balançava o pelo deles fazendo-os parecerem espíritos da neblina.
Depois de toda a gritaria ouve silencio O rei lobo parou de frente a Gnuvi e o encarou tal qual como um gavião encara sua presa.
Eis que Gnuvi disse
— Você vem montado em lobo como a lenda de Azog o profano, Me olha Como Fera, Fala Como silvestre, mas no fundo e como um elfo tentando subjugar a todos.
Todos olharam para zifitk com atenção para ver qual seria a sua resposta.
Eis que ele disse:

— Não vim aqui para debater como você, muito menos para guerrear, vim ver uma velha amiga. — Zifitk lançou um olhar para Mirtanã e sorriu.
— E eu acho que você não foi convidado.- continuou — Retire-se em paz para que não aja sangue.

— Todos os temem como se fosse um demônio, mas pelo que vejo é apenas uma fada amedrontada. Eu não recuarei, ate levar o que vim buscar, justiça. — Gnuvi respondeu

— Não me fale de justiça filho de fugnai. sua terra só gera o mal e opressão.

— Como ousa maldizer a mim e a minha terra, escoria.

— Baixe a sua voz perante o rei, orc imundo. — Gritou um dos generais de Zifitk.

— Para um Rei sem terras eu falo da forma que eu quiser serviçal. Não vou ficar aqui parado enquanto você humilha minha raça. Orcs vocês me servem?

Ouviu-se um grito único e estremecedor.

— SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM.

— Então matem- no por mim!

O exercito de Gnuvi avançou
Os servos de Mirtanã a colocavam para dentro a fim de protegê-la.
Sem pensar a rainha desembainhou sua espada apontou-a para os três sois de Calina.
E gritou:
— POR HAVÁ!

Esse grito foi o bastante para encher o espirito dos soldados de sua guarda. Que avançaram para cima dos homens de Gnuvi.

Os Exercito de Zifitk se colocaram em guarda, suas armas tilintaram como sinos, seu coração se encheu de ódio.

Por quê? Porque guerrear? Por amor é o bastante.
Zifitk puxou suas laminas e avançou.
Vísceras voaram, gritos se ouviram, pais caíram ao chão, filhos não voltaram para casa, maridos criaram viúvas. Em meio à dor Zifitk procuram apenas dois alvos, o que matar, e o que proteger, Gnuvi e Mirtanã.
Seu primeiro alvo logo foi encontrado, pois Gnuvi também procurava Zifitk. Os dois correram em direção ao outro. Sem pensar, queriam sangue.
Gnuvi se apoiou em corpo que estava a cair no chão e saltou, tentou cravar seu machado em Zifitk que rapidamente esquivou, o machado de Gnuvi acertou um orc desatento e ficou encravado. Zifitk avançava enquanto o orc tentava retirar o seu machado, no ultimo instante conseguiu, a tempo de defender uma investida de Zifitk. Os dois se estudavam procurando uma falha. O sangue de ambos os lados encharcava a terra, transformando o belo jardim de Mirtanã em um lamaçal.
Zifitk se aproveitou do terreno escorregadio, e avançou de um forma que Gnuvi perdesse o pé de apoio, e assim aconteceu.
O orc se estatelou no chão, limpou os olhos a tempo de se esquivar de outro ataque de Zifitk. Enquanto os dois ainda lutavam um grito se ouviu, não de homem, não de fera, mas de mulher, Mirtanã.
O olhar de Zifitk deixou de parecer raiva e passou a parecer preocupação.
Ele girou a procura da rainha e tudo o que viu foi dor e sangue. Eis que uma luz brilhou os olhos de Mirtanã que já se fechavam a fim de acolher a morte.
Zifitk mudou seu rumo, em vez de ir à procura de matar, sua intenção agora era salvar. Mirtanã caia ao chão como uma flor de cereijera cai no outono, com tanta leveza que até parecia dançar.
Antes que seu rosto toca-se o solo os braços dele a tocaram.
Seus olhos a olhavam, ele confirmou o que ela já suspeitava.

— Eu me lembrei! — disse ele.

— Eu sabia! Ela respondeu.

— Meu amor, não sei como me esqueci. Não me deixe logo agora. — disse ele com voz tremula.

— Agora posso acolher a morte em paz, já que morrerei ao seu lado.- Respondeu ela enquanto seus olhos perdiam o brilho tão particular.

Ouve silencio, os gritos sessaram e toda a batalha parou. Todos olharam para o homem e sua amada deitada ao chão.
Os lobos uivaram em sinal de reverencia.
Os elfos se ajoelharam mesmo em frente à batalha.
Os orcs não conseguiam se mover talvez havá os impedisse.
Uma gota de chuva caiu do céu como a lagrima dos olhos de Havá.

Até deus Chorou.

As arvores se aquietaram e as flores do jardim murcharam.
Então na frente de todos o corpo de Mirtanã se desfez em luz nos braços de seu amado.
As mãos de Zifitk se fecharam à medida que o corpo dela sumia. E com o corpo dela foi se o amor e só restou o ódio.
Ao se levantar Zifitk deixou todo a sua compaixão, sua misericórdia e sua alma.
Gnuvi o encarava, esperando palavras de ódio, mas tudo que ele sentiu foi sua garganta rasgar. Em apenas três movimentos, Zifitk decepou as pernas, expos o estomago e cortou a cabeça de Gnuvi.
E com grito amedrontador ordenou a seus homens

— Sem prisioneiros.

E assim a Mirtanã, Filha de Calõ, Senhora das flores, Rainha dos Elfos de Prata morreu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.