Notas iniciais
Peço desculpas pela demora pra atualizar a história, andei ocupado (lendo O Sangue do Olimpo), mas aqui está mais um capítulo. Fiquem ligados nas emoções finais de Os Contos de Gregg!

Confesso que ver meu pai não foi nada reconfortante. Eu deveria me sentir mais seguro, pois se algo desse errado eu poderia pôr a cabeça em seu ombro e chorar como fazia com 9 anos de idade quando os grandalhões do colégio me chamavam de “bichinha”, mas não, era apenas mais uma pessoa metida naquilo tudo e que eu deveria proteger, não aguentaria perde-lo também.

– Filho – ele disse. – Gustaf nos atacou, covardemente.

Um bloco de concreto surgiu em minhas costas.

– Onde está minha mãe? – eu perguntei instantaneamente.

– Sua mãe nos salvou – ele respondeu. – Ela é ótima com magia de cura ou proteção.

Não pude deixar de sentir um imenso alívio.

– O que ele fez? E os pais de Caio? – eu agora tinha que me preocupar até com os que estavam no Brasil, longe das batalhas.

– Ele não os atacou, só a mim e sua mãe – ele respondeu. – Nós fugimos, nos escondemos na casa deles, e eu decidi vir para cá. Sua mãe escolheu ficar para proteção deles no Brasil.

– E o que o senhor acha que vai fazer aqui? – eu não estava gostando da ideia.

– Eu vim lutar, claro – meu pai respondeu.

Eu não conseguia acreditar naquilo, eu mesmo queria mata-lo.

– Nem pensar! – eu me exaltei. – Eu sinto muito, mas o senhor vai voltar agora mesmo para o Brasil. Eu não posso correr esse risco de perder vocês, não posso correr o risco de perder mais NINGUÉM. Você está enferrujado, não vai ser de muita ajuda, aliás.

– Me ofender não vai adiantar, só para você saber – meu pai respondeu. – Eu vou ficar e acabou. Eu entendo seu medo, mas eu e sua mãe também não podemos perder você, é nosso dever protege-lo. E você não sabe com o que está lidando, Gustaf é ...

– Eu sei exatamente o que ele é! – eu lembrava de como era estar em sua presença. – Ele é frio, e tem a maldade estampada no olhar, eu senti minha força deixando meu corpo e o medo o invadindo. Eu senti seu poder, ele me atacou! Foi como se uma chama derretesse meus órgãos dentro de meu corpo.

O susto ficou estampado no rosto de meu pai.

–Filho ...

Eu não aguentei e deixei algumas lágrimas escorrerem por meu rosto. Eu estava tão cansado, tão preocupado, não precisava de mais ninguém sob minha responsabilidade, aliás, quem me colocou na liderança? Porque eu sou o responsável por tudo?

– Pai... – eu comecei – Porque eu?

Meu pai não entendeu de primeira o que eu quis dizer, mas depois de alguns minutos ele soube o que responder.

– Porque você é corajoso o bastante para enfrenta-lo. Gustaf já matou muitas famílias, destruiu cidades inteiras. Mas nunca ninguém se opôs diretamente a ele, como você está fazendo agora filho. Você é poderoso, só não tem noção disso ainda. Gustaf teme você, ele sabe que você é o único capaz de destruí-lo. Ele é feito de medo, de caos, mas você não o teme, isso o torna superior.

Quem disse que eu não o temo? Sim! Eu morro de medo. Mas eu não posso deixa-lo destruir tudo e ficar de braços cruzados.

– Eu não tenho tanto poder – disse. – Ele me derrotou com um simples movimento com a mão, como se eu fosse apenas um inseto.

– Filho, você tem que entender – meu pai respondeu. – Gustaf espera que as pessoas o temam, ele quer ver o caos, e naquele momento você estava com medo, você deixou Gustaf tomar conta de você.

– Como você sabe tanto sobre ele? – eu o perguntei. – Você mesmo disse que pouco se sabia sobre esse demônio.

– Eu não contei tudo a você. Tinha esperanças que não fosse ele o culpado por esses ataques – ele respondeu.

Eu não sabia mais o que pensar, então decidi deixar tudo para trás e pensar apenas no que iria fazer dali para frente.

Lisa entrou na sala e sentou-se ao meu lado.

– Oi garotos – ela nos cumprimentou.

– Acho que há muito tempo eu deixei de ser um garoto – meu pai respondeu enquanto saia da sala.

– Levando bronca do papai? – ela me perguntou.

– Quase isso – respondi. – Caio já acordou?

– O sedativo é forte, ele pode dormir durante o resto do dia inteiro – ela respondeu.

– Você viu Pedro? – quis saber.

– Seu namoradinho está no dormitório lendo um livro – ela me contou.

– Preciso falar com ele – eu disse me levantando.

– Vai lá, traidor – ela me insultou. – Nem liga mais para as amigas, né?

– Olha o drama – eu disse enquanto saia da sala.

No corredor de acesso aos dormitórios, eu cruzei com Magda, a presidente da DECS.

– Ora ora – ela me cumprimentou.

– Olá, senhora – respondi. – Notícias sobre mais algum ataque?

– Esse é um assunto confidencial dos seus superiores – ela me respondeu e continuou andando como se eu não fosse ninguém.

– Como se eu não fosse descobrir – eu sussurrei. Nunca fui com a cara dessa diretora, e depois que Jude em seu leito de morte me disse “ela irá traí-lo”, eu só aumentei minhas desconfianças a respeito de Magda.

Quando entrei no dormitório, Pedro estava lendo um livro, não consegui identificar o nome, mas era laranja e tinha uma espécie de onda na capa.

– Oi – eu disse.

– O que seu pai queria? – ele foi direto.

– Avisar que Gustaf os atacou no Brasil e ele decidiu vir para cá ajudar-nos na guerra – respondi.

Pedro fechou o livro e me olhou.

– Você está bem? – ele me perguntou

– O que você acha? – minha pergunta foi bastante clara como uma resposta. Pedro me puxou e nós ficamos deitados juntos, enquanto ele fazia piadinhas sobre a situação me fazendo sorrir, como a muito tempo eu não sorria, e naquele momento eu senti paz dentro de mim. Apenas eu e ele, como deveria ser.

Caio e Lisa entraram no dormitório e sentaram-se na cama ao nosso lado.

– Você tá bem, cara? – Pedro o perguntou. – Você era pra estar na enfermaria ainda.

– Estou melhor, bem melhor – ele respondeu, mas eu ainda conseguia perceber toda a dor que ele sentia pela perda da treinadora, Caio realmente gostava dela.

– Bom, moças, eu estou bem cansada – Lisa começou. – Então, se me permitem, eu preciso descansar.

Ela deitou-se entre mim e Pedro e fingiu estar dormindo.

– Santa paciência com essa criatura – eu resmunguei.

Lisa continuou lá, e ainda começou a fazer piadas sobre mim e minhas técnicas de combate, e nós quatro nos sentimos como se estivéssemos vivendo como vivíamos a muito tempo atrás.

– Estou começando a me sentir cansado também – disse Caio. – Acho que vou descansar.

No momento em que ele se levantou e caminhou em direção a sua cama, uma explosão sacudiu todo o prédio e nós nos levantamos assustados.

Na porta, alguns segundos depois, surgiram três mulheres, na verdade, eu não tinha certeza se eram mesmo mulheres, pois tinham enormes asas nas costas e dentes como o de um tubarão. Elas nos olharam e seus olhos brilharam como chamas, então partimos para o ataque.

Pedro e Lisa partiram para cima da primeira e lutavam bravamente com suas técnicas e armas que estavam pelo quarto inteiro. Caio ficou com a segunda, ele conseguiu invocar seu poder e se tornou aquele Hulk que quase me esmagou nos nossos primeiros dias de treinamento. A terceira aberração voou em minha direção e tentou me acertar com suas garras, mas eu fui rápido e desvivei. Pela primeira vez eu tive pleno controle sobre meus poderes, e criei em minhas mãos uma esfera de energia que desintegrou a criatura até não restar um só vestígio dela. Lisa e Pedro imobilizaram a aberração e com apenas um golpe cravam suas adagas de bronze no peito dela, fazendo-a virar pó. Caio segurou a última criatura pelas asas e arrancou sua cabeça do pescoço apenas com as mãos, e assim, as três criaturas foram derrotadas. Caio voltou ao normal e caiu sentado em uma cama, cansado.

– Vamos, a DECS está sob ataque – Lisa nos alertou.

Peguei Caio e todos nós saímos pelo corredor, em busca da saída. Do lado de fora, vimos uma parte do grande prédio de concreto destruída, comprometendo toda a estrutura de 30 andares.

– Onde estão todos? – Pedro estava aflito.

No mesmo instante todos os membros do Departamento começaram a sair correndo pela porta. Eu procurei aflito por meu pai, mas ele não saiu. Nem ele, nem a diretora Magda.

– Vamos – eu os chamei. – Precisamos entrar! Meu pai está lá dentro, qual é? Não podemos correr com medinho agora.

– Gregg, o prédio inteiro vai cair! – Lisa me advertiu.

– É O MEU PAI QUE ESTÁ LÁ DENTRO! – eu não conseguia me controlar.

Corri para dentro do prédio, destroços de paredes tomavam conta dos corredores, o fogo de espalhava por todos os cantos, e nenhum sinal de meu pai. Corri para as escadas e disparei prédio acima, com apenas um objetivo, salva-lo.

Notas finais
Fiquem ligados, o 14º e penúltimo capítulo da história não vai demorar ;)