Os Contos de Gregg
4 A dor de um amigo
Notas iniciais
Quem consegue dormir com tanta coisa na cabeça? Bom, eu não. Mas para a minha sorte o dia amanheceu logo e já era hora de eu ir para a escola. Levantei, me preparei, tomei café e saí de casa. Aquele nome, “Gustaf”, não saía da minha cabeça, quem seria essa pessoa? Eu sinto que preciso descobrir, mas sozinho é difícil, preciso convencer meus amigos a me ajudarem, mas se eles continuarem encarando tudo como uma brincadeira minha, vai ser difícil.
Caio já estava na classe, sentado na mesma carteira, o que pode indicar que ele finalmente aprendeu o que é mapeamento. Sentei ao seu lado e lhe dei um tapinha nas costas.
– Tudo bem cara? – ele não respondeu – Caio?
Depois de longos 3 segundos ele decidiu responder.
– Agora eu sei do que você estava falando ontem.
Eu não sabia mais o que dizer, a casa dele também foi atacada? Ou ele também está com problemas mentais iguais a mim? O que quer que fosse parece que o convenceu que eu estava falando a verdade, e isso torna as coisas mais fáceis daqui pra frente.
– Vem – Puxei ele pelo braço – Nós precisamos conversar.
– Vamos perder a primeira aula? – ele perguntou.
– Foda-se essa porra de aula – Eu não podia esperar mais, preciso agir, preciso de respostas.
Eu e Caio saímos da sala no momento que Lisa e Pedro vinham entrando.
– Onde vocês vão? – eles perguntaram em uníssono.
– Depois da escola encontrem a gente na minha casa, é sério – Lisa e Pedro apenas concordaram com uma cara séria e entraram na sala.
No caminho da escola até minha casa Caio não disse nenhuma palavra, e eu respeitei o seu silêncio. Meus pais já haviam saído para o trabalho, o que nos dava o dia todo para conversar e não ser pegos fora da escola. Caio continuava calado, o que já estava me irritando, minha comida também havia sido roubada, mas eu não estava tão traumatizado assim.
– Caio, velho, você tá me irritando com esse silêncio. – eu disse
Caio apenas me olhou nos olhos e começou a chorar. Aquilo me deixou sem reação, porque mesmo com tantos anos de amizade eu nunca vi nada que fizesse Caio perder o seu senso de humor. Eu o abracei, o que talvez tenha o confortado um pouco, porque ele finalmente falou:
– Meu irmão está morto.
Aquilo foi como um tiro no meu peito. Como assim? Como isso aconteceu? Quando? Onde? Porquê? Eu queria muito saber, mas eram perguntas que de nada adiantariam nesse momento, então decidi apenas ficar ali, lhe dando apoio, mas logo depois eu também comecei a chorar, pois não apenas ele e eu somos próximos, nossas famílias também são, seus pais são como tios para mim, e seu irmão era tão meu amigo quanto ele, e agora...
– Caio, amigo, eu sei que você não tem nenhuma condição de falar sobre isso no momento, mas por favor, me conta, o que aconteceu?
– Eu... não consigo. – ele me respondeu com lágrimas nos olhos.
– Cara, você não deve baixar a cabeça. – eu tentei acalmá-lo – Seja forte.
– Quatro caras entraram na nossa casa ontem à noite. – ele começou – Estavam roubando nossa comida, quando meu irmão entrou na cozinha e tentei impedi-los.
Eu não conseguia acreditar naquilo.
– Eles atiraram friamente no meu irmão, eles o mataram.
– Caio nós precisamos ir na sua casa imediatamente. – eu disse, ainda não acreditando no que estava acontecendo.
Nós saímos, e fomos até a casa dele, e como eu suspeitava, do lado de fora da porta dos fundos tinha uma plaquinha de metal em forma de pingente, igual a que tinha do lado de fora da minha casa naquela noite. A mesma pessoa nos atacou, mas nesse caso, a família de Caio sofreu mais.
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