Os Contos de Gregg
5 Caio brinca com uma arma
Notas iniciais
Já faz uma semana desde a morte do irmão de caio, e as coisas estão mais calmas, ele já consegue conversar sobre o assunto mais abertamente. Eu, Lisa e Pedro praticamente acampamos na casa dele durante essa última semana, e não o deixamos sozinho em nenhum momento, afinal, amigos são pra isso mesmo.
Mais perguntas surgiram na minha cabeça, o que tem piorado a minha sanidade mental, mas eu não vou descansar até entender tudo isso. Que tipo de ladrão invade uma casa de madrugada, rouba sua comida, e ainda deixa uma pista com um nome? Isso não é coincidência, e meus amigos também já chegaram a essa conclusão, agora nós quatro estamos trabalhando juntos para juntar as peças desse quebra-cabeça.
– O que vocês sabem sobre o passado dos pais de vocês? – Pedro perguntou.
– Não sei muita coisa – confessei – Só sei que meu pai nasceu nos Estados Unidos e viveu lá até 26 anos, e depois veio pra cá com minha mãe.
Caio piorou a situação, porque ele não sabia nem a idade dos pais. Mas isso é algo simples de se resolver.
– Vocês deveriam perguntar aos pais de vocês o que a polícia disse sobre esses acontecimentos – Lisa sugeriu.
– Eu já perguntei – respondi – A polícia já encerrou as investigações dos dois casos, e disse que foram apenas assaltos e os bandidos estão sendo procurados.
– Isso não ajuda muito – ela disse por fim.
– Seus pais não tem uma espécie de gaveta que seja trancada, sei lá, isso é típico de filmes – disse Pedro.
– Me poupe garoto – Lisa debochou.
– Gente – disse Caio – Há uns anos atrás eu estava mexendo nas coisas do meu pai durante uma brincadeira, e achei uma arma em uma de suas gavetas, quando ele me viu com ela na mão ele a tomou de mim e colocou em uma gaveta com chave, e lá dentro eu vi algumas pastas vermelhas, e ... tinha algo escrito em uma delas, mas eu não lembro o quê. Desde esse dia ele me proibiu de mexer nas suas coisas.
– Tá, isso não quer dizer nada, são apenas pastas! Vocês estão delirando. – Lisa concluiu.
– Será que você não entende? Porque alguém iria atacar minha casa e a do Caio sem nenhum motivo? Se são ladrões de comida, por que só levaram a nossa comida? Por que nenhuma outra casa foi atacada? O Nicolas foi assassinado! Que desgraça ainda precisa acontecer para que vocês caiam em si e vejam que isso não é algo tão simples como uma quadrilha de assaltantes!? – eu desabafei
– Calma Gregg, nós vamos descobrir o que está acontecendo, mas não assim, nesse estado, precisamos nos acalmar e pensar. – Caio me aconselhou.
– E você, Miss Valentão, sabe de alguma coisa estranha sobre seus pais? – Lisa me perguntou.
– Sinceramente, não. – eu disse a verdade, meus pais são as pessoas mais normais desse planeta, sempre corretos, sempre na hora, sempre calmos... ou... talvez esse seja o problema deles. – A não ser que ser cidadãos exemplo seja algo sobrenatural.
Depois disso, nada deu certo, porque nós começamos a rir de qualquer argumento usado, então decidimos ir jogar videogame e esquecer esse assunto por hora. Mas esse assunto, não esqueceu a gente.
Pedro e Lisa foram me deixar em casa, e no caminho nós falávamos mais sobre esses acontecimentos, e o que nós verdadeiramente achávamos que estava acontecendo. Pedro disse que não consegue achar um motivo que explique tudo isso, Lisa ainda acha que são mendigos armados, e eu não tiro da minha cabeça que a minha família e a de Caio, são alvos de alguma espécie de organização.
Em casa, no meu quarto, eu decidi pôr em prática a coisa mais idiota a se fazer, pesquisar “Gustaf” no Google, o que não adiantou muito porque todos os resultados eram falando sobre a origem e o significado do nome. Mas então algo passou pela minha mente, “minha família e a de Caio são alvos de algum tipo de organização”, é isso, Gustaf deve ser o nome da suposta organização. Mas mais uma vez, o Google não ajudou.
Decidi mexer nas coisas dos meus pais, algo que eu nunca fiz na vida, e aproveitar enquanto eu tinha a noite toda, já que eles haviam saído para jantar. No quarto deles eu não encontrei nada, então parti para o escritório. Mexendo nas gavetas eu apenas encontrava fotos, cd’s e papéis e mais papéis com nomes, endereços e telefones, mesmo assim decidi olhar um por um. Resultado: nada. Nada que me desse pelo menos mais uma pista.
Deixei sem querer meu celular cair, e quando abaixei para pegar tive a ideia de olhar a parte de baixo das gavetas, para a minha surpresa lá tinha um envelope pregado com fita adesiva, o tirei com cuidado e hesitei por um momento ao ver o nome “Gustaf” escrito nele, mas quando abri havia dinheiro dentro, alguma cédulas de 100, e depois de contar vi que tinha 5 mil reais e um cheque no valor de 15 mil. Guardei tudo em seu devido local, voltei pro quarto e passei o resto da noite pensando em de quem seria aquele dinheiro.
No outro dia faltei a escola e Lisa também, então a chamei pra minha casa e assim que ela chegou eu lhe contei do que eu havia descoberto na noite anterior.
– Seus pais não estavam passando por problemas financeiros? – ela perguntou.
– Era o que eu pensava.
– Talvez eles tenham recebido esse dinheiro de alguém. – ela supôs – De algum cliente, talvez.
– Talvez, mas porque esconder debaixo da gaveta? – eu questionei
– Ah, aí eu não sei. – disse ela – E quanto ao nome? Gustaf, já descobriu o que é?
– Eu suspeito que talvez não seja uma pessoa, e sim uma organização – eu contei
– Então é melhor descobrir logo – ela falou com um ar sério
– Porque? O que houve? – eu perguntei
Lisa ligou para uma pessoa e me passou o telefone.
– Gregg? – era a voz de Caio, talvez ele estive no intervalo da escola.
– Oi, sou eu. – respondi.
– Eu lembrei o que tinha escrito nas pastas do meu pai. – ele disse – E você não vai acreditar.
– Não precisa terminar. – eu disse por fim.
Eu já desconfiava, e agora tenho certeza, o nome que Caio viu nas pastas vermelhas de seu pai, era o mesmo nome que eu vi no envelope de dinheiro no escritório dos meus pais, o mesmo nome que tinha naquelas duas malditas plaquinhas de metal, Gustaf.
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