Os Contos De Um Meio-sangue
5 Capítulo 5 - Bem Vindo aos Jogos Mortais.
Ao abrir a maleta, um metal reluziu a luz que entrava pela porta no meu rosto, fazendo com que eu pusesse a mão na frente. Ao olhar novamente a imagem formou foco. Era uma espada de lâmina larga cor da prata mais branca que já vi, seu cabo de bronze tinha formado de garras na base da lâmina dando impressão de estar se segurando a ela. Na extremidade do cabo havia um símbolo em forma de uma cobra.
– Vamos, pegue. – Disse Juan.
Inseguro, peguei a espada que estava encaixada num veludo vermelho e a tirei de dentro do encaixe. A espada reluziu e eu senti como se eu fosse indestrutível. Se eu pudesse, colocaria aquela cena em Slow Motion e de trilha sonora, The Conquest of Paradise. Brandi-a com orgulho e reparei que estava pegando mal na frente dos dois então a abaixei.
– E como faço para que ela não se pareça uma espada? – Disse eu voltando o meu olhar para a lâmina.
– Não tem como... Por isso providenciamos isso para você – Disse Tati pegando uma daquelas bolsas cilíndricas compridas que arquitetos levam em suas costas. Abrindo a tampa, pude ver que se tratava de uma espécie de bainha. Ela me entregou a bolsa e eu pus a espada nela. – O nome dessa espada é Ekmidénisi. Espero que a use bem. E... Tenha cuidado com ela.
– Terei. – Prometi.
– O líder do seu chalé encontrará com você no Campo de Treinamento. Fica próximo às forjas, você já foi lá certo? Vá até lá. Você saberá onde fica o Campo de Treinamento olhando ao seu redor. – Disse Tati.
Respondi um “Ok” e saí do Pavilhão. Atravessando a ágora, me aproximei das forjas e, olhando para o lado, vi quase todos os campistas travando duelos de espadas, atirando flechas, lutando mano a mano, correndo e se defendendo. O Campo de Treinamento ficava numa leve elevação da grama e se estendia até um tipo de celeiro distante. Pude ver Carlos observando por alto, vários campistas enquanto conversava com um garoto robusto e alto. Aproximei-me de Carlos e ele se virou para mim.
– Ah, olá Pedro, este é Hugo, líder do Chalé de Ares – Disse ele sorrindo. – Venha, vamos treinar sua nova espada.
Puxei minha bolsa que estava nas minhas costas e tirei a tampa. Quando puxei a espada, muitos campistas se viraram para mim.
– Ei ei, não tem nada pra vocês aqui! Voltem aos seus treinamentos! – Gritou Carlos. E virando-se para mim, continuou – Pedro. Quero que você saiba que essa lâmina é muito poderosa... Talvez para você ela não tenha o efeito que ela tem nos outros... Venha, vou te mostrar. – E se virou para um balde de madeira cheio de água, puxando-o para mim. – Ponha a sua lâmina aqui.
– Certo. – Não sei bem o que aquela espada faria, mas o obedeci.
Ao colocar a lâmina da espada na água, esta começou a se tornar densa e se congelou. Tirei a espada do balde e a água congelada se levantou com ela, fazendo-a parecer um picolé grande e pesado e após dois segundos, o gelo se findou e se quebrou ao meio mesmo eu não fazendo força alguma.
– As espadas dos semideuses fazem isso normalmente? – Perguntei impressionado.
– Não, porém a sua faz. – Respondeu ele sorrindo – A maioria das espadas usadas é feita de Bronze Celestial, um metal muito poderoso capaz de atingir qualquer monstro ou criatura ligada aos deuses, ao tocá-los pode até pulverizá-los em apenas pó. Porém a sua é feita de Prata Celestial, um material menos usado, pois não tem o mesmo poder de “Pulverização” do Bronze Celestial, a sua vantagem é que além de atingir monstros, atinge também mortais, ou seja, pode cortar qualquer ser. Outra vantagem deste metal é que pode ser encantado por um Deus tomando novas propriedades, como sua lâmina congela, há algumas que queimam, outras que se tornam invisíveis e por aí vai.
– Então minha espada é encantada por algum deus?
– Sim, nosso pai a encantou e te deu. – Disse ele. – Você pode controlar quando quer que ela congele e quando quer que não congele, basta você se concentrar e ela será uma espada comum... Hoje à tarde depois do almoço, teremos um caça bandeira, não tenha medo de usar usa espada, você verá coisas piores – E sorriu como se aquilo fosse super comum. Carlos puxou uma espada comum que estava segurando e disse se posicionando – Venha com tudo.
Levantei minha espada e avancei contra ele. Acho que nunca paguei mico maior. Ao girar a espada contra ele com toda minha força ele se desviou e a espada escorregou se meus dedos voando para o lado. Se não fossem as esquivas dos campistas, muitos já sairiam com um belo corte nas costas. Carlos riu um pouco e eu sem graça fui atrás da espada que agora se encontrava nas mãos de Laura. Sorrindo, ela me entregou a haste da espada e eu a peguei. Ela usava a camisa do acampamento por baixo de uma couraça simples e uma calça jeans com proteções nas pernas. Sorri quando a vi.
– Oi Pedro – Disse ela.
– Oi, você tá melhor?
– Mais ou menos... Melhor que ontem pelo menos.
– Aqui... Se aconteceu alguma coisa e quiser me contar, pode falar, ok?
– Ha, valeu – E sorriu. – Vou voltar ao treino... Você vai participar do Caça Bandeira hoje?
– Vou sim, te vejo lá... Depois conversamos mais.
Ela acenou para mim e eu retribuí. Reparei que ela carregava uma adaga de Bronze Celestial e um escudo marrom. Afastei-me voltando para Carlos onde ele brandia a espada sorrindo. Continuei tentando várias golpeadas diferentes, mas ele era bem rápido e conseguia desviar-se delas. Inusitadamente, tentei um movimento diferente em que ao finalizar um ataque mal sucedido, me voltei num rodopio acertando sua couraça tornando-a clara pelo congelamento. Ele se afastou surpreso e disse:
– Muito bom, uma jogada digna de Hermes. – E desta vez, ele brandiu sua espada, protegi poucos três golpes e ele passou pela minha guarda parando a ponta da espada no ar bem no meu nariz. Voltou-se para trás sorrindo e se virou pra mim. – Este é o espírito, continue.
Senti-me disposto e me empolguei com a batalha, continuei com os golpes sempre tentando algo novo até descobrir meu ponto forte na batalha. Várias vezes Carlos prendeu sua espada a minha fazendo com que a Ekmidénisi parecesse ser feita de papel ao ser desprendida da minha mão e solta ao ar. Continuei com os ataques e quando reparei, um cheiro bom de comida entrou em minhas narinas me confortando.
– Você é bom... Acho melhor irmos almoçar...
– Já? – Disse eu.
– Chegamos aqui às dez e meia, já são três. – Disse ele rindo.
– Sério? Nem vi o tempo passar... – Respondi. – Sendo assim... – Finquei minha espada na grama e reparei que eu estava ofegando e o suor escorria em meu rosto.
Sentei na grama, pois senti minhas pernas pedirem por isso e pensei que se eu continuasse ali, nunca iria parar. Após um tempo respirando fundo, me levantei puxando a espada e vi Carlos agachado próximo a mim virado para frente, onde se encontrava o arsenal.
– Vamos? – Disse eu.
Ele pareceu sair de um sonho acordado e disse:
– Ah sim, vamos! COMER! – E se levantou num pulo animado.
Após um almoço MUITO reforçado, nos dirigimos para o Campo de Treinamento onde todo o Acampamento se reunia usando elmos com penas azuis e vermelhas. Quando me virei para ver meus meio irmãos, reparei que todos pegavam para si um elmo com penas azuis, me aproximei deles e peguei um elmo igual para mim e o encaixei.
Numa espécie de palco pequeno, estavam dispostos doze pessoas e Juan, o centauro, creio que estes eram os líderes de cada chalé, afinal, Hugo e Carlos estavam lá. Dividiam-se em metade vermelha e metade azul e Juan se posicionava no meio deles. Senti uma mão no meu ombro e sobressaltei com o susto, quando me virei era Laura. Estava equipada com armadura completa de batalha e segurava outro conjunto de armadura com um braço.
– Ei, calma – Disse rindo.
– Ah, oi – Respondi – Você é do meu time? – Disse eu olhando para suas penas azuis do elmo.
– Acho que sim... Mas acho melhor você vestir uma armadura, porque... – E apontou para o machado de um garoto que passava por trás de mim – Tome, fique com essa – E empurrou para mim a armadura extra que carregava.
– Aconteceu alguma coisa lá na sua casa? – Disse eu após uma pausa enquanto armava-me.
Fez-se um silêncio mortal exceto pelo som das armas se esbarrando e dos semideuses conversando entre si. Laura suspirou e me contou que após uma série de discussões com sua mãe e após implorar muito para ficar em casa com seu pai acabou tendo que ir para o Acampamento sem nenhuma resposta de ninguém.
– Mas tudo bem, já estou melhor... Valeu por perguntar – E sorriu.
Retribuí com um sorriso.
Após vestir minha armadura, ouviu-se o soar de um trompete, como o que soou nos horários de refeições, porém mais longo e com mais notas.
– Atenção! – Gritou Juan – Para quem acabou de chegar ao acampamento e para os filhos de Ares e Apolo que precisam ser lembrados das regras – O Chalé de Apolo e o de Ares murmuraram – Lembrem-se de que devem buscar a bandeira do time adversário para ganhar o jogo, não é matar uns aos outros. Reúnam-se e posicionem a bandeira de seus times, em três minutos o jogo começa!
Um alvoroço tomou o campo de batalha e o garoto que estava com Laura a chamou e ela se despediu e o seguiu. Carlos gritou meu nome e eu o acompanhei enquanto todos os capacetes azuis se dispersavam conosco e os vermelhos seguiam direção contrária.
Após entrar na floresta, chegamos numa clareira que dava numa pequena depressão do solo de mais ou menos um metro de profundidade. Alguns campistas posicionavam a bandeira do outro lado da clareira enquanto um garoto loiro de pele clara e olhos cor de mel começava a falar:
– Hoje nós venceremos aqueles filhos de Ares! Quero que o Chalé de Hefesto se divida e vá para a abertura da caverna e para o cemitério! Podem usar os explosivos especiais – E abriu um sorriso malicioso. Os filhos de Hefesto saíram correndo como já fizessem isso há tempo. Agora sobraram o meu chalé, o de Zeus, alguns garotos meio sombrios e alguns outros animados – O Chalé de Hades vá para o cemitério com os de Hefesto! Evoquem o melhor número de mortos que puderem! – E cinco garotos de expressão sombria saíram da clareira. – O Chalé de Hermes levante guarda mais a frente e os filhos de Hécate os ajudem, eu e o Chalé de Éolo protegeremos a bandeira. Filhos de Zeus e dos outros deuses procurem a bandeira. VÃO!
Viramos-nos e entramos novamente na floresta.
– Quem era ele? – Perguntei à Gui que estava ao meu lado.
– Este é Marcos, o único filho de Deimos, o deus do terror, aqui do Acampamento... E o último cara que você pensaria em topar pela frente.
Carlos que abria caminho fez sinal para que houvesse silêncio e todos obedecerem. Ele começou a andar levemente e quase não pude ouvir seus passos em meio à grama.O trompete tocou anunciando o início da batalha.
Normalmente, quando chove, é normal que caia água. Porém dessa vez caíram pessoas. Vários campistas de capacetes com penas vermelhas começaram a cair das copas das árvores e nos atacaram, quando me deparei novamente, metade do chalé de Hermes havia sumido sem vestígios, por sorte nenhum garoto saltou em minha direção, então tive a oportunidade de sacar minha espada e avançar contra alguns campistas. Alguns garotos do time vermelho rodavam em seus lugares procurando os campistas de Hermes enquanto eu atacava outro campista investindo golpes contra ele, por sorte ele era inexperiente, o mesmo faziam outros campistas do meu time que também estavam ali.
Subitamente o chalé de Hermes reapareceu aproveitando a guarda baixa do time adversário e começaram o contrataque. Quando investi um golpe surpresa contra o campista que batalhava comigo, cortei seu braço com a minha espada e imediatamente o braço dele endureceu e começou a se azular. Congelei seu braço. Aproveitei a deixa de sua dor e dei um chute em seu peito jogando-o de costas no chão fazendo-o perder seu fôlego por acertar seu diafragma. Nunca achei que conseguisse fazer isso, mas pude sentir minha adrenalina correr em minhas veias.
Empolgado, acertei a espada nas costas de um garoto que lutava contra um parceiro do meu time. Foi um corte fino e leve, porém conseguiu congelá-lo e distrair-se comigo dando espaço para o meu parceiro que embainhou sua adaga e torceu seu braço jogando-o no chão. Entreolhamos-nos em aprovação e eu segui duelo contra outro campista que vinha em minha direção. Os campistas do time vermelho começaram a ganhar vantagem mesmo com suas baixas, por quê?
A batalha continuava, o campista com o qual eu lutava agora era uma menina muito mais experiente que eu e conseguiu desviar muitos ataques. Começou agora a me atacar com vários ataques rápidos e acabei perdendo a Ekmidénisi que voou ao ar me desarmando.
Ela acertou-me no peito com a extremidade do cabo de sua espada curta e me deu uma joelhada no abdômen fazendo-me cair no chão pela dor imensurável. Sua força era incrível, nunca tinha visto uma garota tão forte. Ela me levantou pelos ombros e acertou um golpe estilo karatê no meu pescoço próximo à clavícula e eu apaguei.
Notas finais
Obs².: O Chalé de Hades faz parte do time azul nesta fic
Obs³.: Comentem lacaios. u-u
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