Os Condenados

3 Vamos juntos num passeio turbulento


Notas iniciais
Hey hey pessoal, já faz tipo muito tempo não é? Antes de qualquer coisa, queria dizer que escrever sempre foi um hobbie que eu amei, mas nunca foi com o intuito de compartilhar com as pessoas, então quando eu tive um surto de falta de inspiração eu dei essa história como terminada, assim como as outras que estão na minha conta do nyah, e então eu fiquei muito tempo sem nem mesmo entrar no site, me ocupando com outras coisas, mas agr que o fim do ano tá chegando, e a minha vida deu uma acalmada, eu percebi que não era justo postar alguma coisa, que talvez alguém realmente goste, e não dar um fim adequado, então eu me coloquei no lugar de leitor/a ( o que eu sou mesmo, fanática ), e resolvi que vou terminar essa história, por vocês e também por mim, como um aprendizado. Mil perdões por toda essa falta de compromisso, e estou anunciando aqui que continuarei minhas outras fics, e talvez até poste alguma coisa nova, mas só se eu tiver certeza de que posso seguir até o fim. Bjos, espero que gostem. TalithaMalfoy.

Quem nunca teve um daqueles momentos em que tudo que se deseja é sumir da face da Terra?

Bem, eu estou tendo um deles bem agora.

Depois da meia hora mais humilhante, causticante, cheia de auto-piedade e todas as outras formas possíveis das quais o ser humano pode fazer uso para se desprezar, eu finalmente consegui passar pela porta de saída da sala do diretor.

Nunca, repito, nunca, jamais em minha vida achei que uma pessoa sorrir e falar compreensiva e gentilmente comigo fosse me fazer querer arrancar meus próprios ouvidos e queima-los.

Quem diria não é?

Mas aconteceu, e eu queria me enterrar no buraco mais profundo do planeta por causa disso.

Em retrospecto, depois de escutar a narrativa um tanto quanto exagerada da Srta. Bones sobre o nosso episodio no corredor, o Sr. Tompson resolveu que aquilo não era nada demais, senão muito um conflito da nossa difícil fase

adolescente, e que não merecia tanto crédito quanto ela o estava atribuindo.

Isso, obviamente, a deixou furiosa. Odiava quando questionavam seu caráter e poder de julgamento, mas ele era seu chefe, no fim das contas.

E eu podia viver sem uma ela e grande Detenção.

Mas eu não podia viver com o sentimento de profunda vergonha e humilhação que queimava e borbulhava dentro de mim por ter sido confundia com umas das "Queen of the Drama" que povoavam a sociedade estudantil.

Chame-me de preconceituosa, mas eu não era uma maldita líder de torcida, pelo amor de Deus!

E agora, nesse exato momento, eu corria como uma louca desvairada pelos corredores feios e frios da minha adorada escola, tentando uma fuga desesperada pra fora daquele lugar moderadamente infernal, me aproveitando dos cinco minutos de café dos inspetores que geralmente patrulhavam em busca de possíveis fugitivos, não que eles realmente impedissem alguém de sair, mas a intenção valia não é?

Quando eu finalmente sai para o estacionamento frio debaixo de um céu cinza e chuvoso, eu me dei um minuto para respirar e recuperar meu corpo sedentário da minha pequena maratona, aproveitando para olhar em volta, e garantir que não havia ninguém no meu caminho para a liberdade.

E havia alguém bem no meio do meu caminho para a liberdade!

Dickerson!

Parado a três carros de distancia e olhando diretamente para mim com um sorrisinho presunçoso, que diga-se de passagem, não ajudou na minha recuperação de fôlego.

Não tinha jeito de isso estar acontecendo!

Foda-se!

Não. Havia. Uma. Maldita. Maneira!

Pela primeira vez em 393 dias desde que ele apareceu por aqui, eu não estava nem um pouco contente em vê-lo!

—Alguém não deveria estar aqui.

Eu queria bater em mim mesma pelo efeito que aquela voz rouca e forte teve em mim, fala sério, dava pra sentir o sangue correndo furiosamente para o meu rosto enquanto eu corava como uma maldita pimenta!

— Bem, parece que eu não sou a única!

Agora eu estava falando alto e na defensiva, como se eu estivesse fazendo alguma coisa errada!

Bem, eu estava, mas não era da conta dele.

— Alguém esta brava porque foi pega fazendo algo errado.

Que merda era essa de alguém?

Eu tenho um nome, porra, use-o!

Então me lembrei de que ele provavelmente não fazia ideia de qual era o meu nome, mas alguém ainda era uma alternativa completamente horrível!

Quem nesse mundo usa alguém para começar uma frase?

— Escuta, sinto muito se você não sabe o meu nome, mas pare de me chamar de alguém! Não é educado falar assim com uma pessoa que você não tem intimidade. É estranho.

Intimidade!

Eu podia sentir meu rosto queimando fervorosamente, e percebi que o meu mal fadado tique de puxar e beliscar minha roupa estava de volta ao presente, como uma lembrança de que eu não podia enfrentar o nervosismo sem ele.

Eu tinha ate abaixado a minha cabeça, como se encara-lo fosse queimar

minhas retinas e me deixar cega.

Por favor, vá embora e me deixe em paz!

Só se vire e finja que eu não existo, como todos os dias, eu imploro!

— Sinto muito se eu ofendi você. E sim, eu sei o seu nome, pra sua informação, então não precisa sentir muito.

Eu olhei para ele tão rápido que meu pescoço estalou pelo movimento brusco, meus olhos arregalados como os de um peixe.

—Vai acabar machucada fazendo esse tipo de coisa, seus olhos parecem que vão saltar pra fora do seu rosto. Esta passando mal? Seu rosto esta todo vermelho.

Merda de rubor!

— O que é que você quer? Diz de uma vez, e pare de perder o meu tempo e o seu!

— De volta a postura agressiva? Eu gostava mais da envergonhada.

Filho da puta desgraçado! Talvez seja a hora de repensar alguns sentimentos. Paixão? Não. Extremo desagrado? Com certeza!

Foi então que eu ouvi, como um grande e desesperador sinal de alerta, martelando nos meus ouvidos, o som que indicava o final do período e a volta das pessoas aos corredores, o que significava que eu seria pega.

Não, não hoje!

Então eu fiz o que qualquer pessoa na minha posição faria.

Eu fugi o mais rápido que eu podia e para o mais longe possível do aglomerado de gente que eu sabia estar enchendo todos os cantos das áreas comuns daquele prédio, rumo a sua próxima aula.

Contornando o carros parados na minha frente e corri para a cerca de ferro que contornava a propriedade, para o buraco que eu sabia que era a rota de fuga de muitos alunos, me atirando através dele para a área de mata preservada no bosque atrás da escola.

Foi ai que percebi que não estava sozinha.

Dickerson estava bem atrás de mim, tirando um graveto do seu cabelo negro, seus olhos verde acinzentados muito realçados pela folhagem escura das arvores e vegetação.

Olhar pra ele foi como um soco no estomago.

Não era realmente justo alguém ser bonito desse jeito.

Eu tinha a minha mochila em um aperto de morte sobre o meu ombro, e a adrenalina da corrida estava finalmente se dissipando, e eu finalmente me concentrei o suficiente para ver que ele carregava uma grande mochila de couro preto.

Combinava com ele.

— O que é que você esta fazendo? Por que esta me seguindo? — eu chiei.

— Seguindo? Caso você não tenha percebido, você não seria a única metida em problemas se fosse pega no estacionamento em horário de aula.

— E por que é que você estava lá no fim das contas? E a culpa seria sua se nos fossemos pegos, foi você quem ficou enrolando lá atrás com aquele papo de "alguém isso e alguém aquilo"!

O olhar que ele me deu foi assustador, levando em conta a diferença de 20 cm de altura que havia entre nós.

— Eu não devo satisfações da minha vida, do que eu faço ou deixo de fazer para você, não importa quem você seja.

Ele parecia furioso, mas a sua voz ainda tinha um tom controlado e macio, mas agora parecia feroz, com um quê letal.

Eu dei um passo para trás, colocando distancia entre nós, com todos os meus instintos gritando "Corra"!

Acho que alguma coisa no meu gesto cauteloso deu a ele uma indicação do meu medo, e ele suavizou a sua própria atitude.

— Sinto muito. Eu só não estou em um humor muito bom hoje, não é nada pessoal com você.

— Você parecia bem feliz e conversador lá atrás. — eu disse apontando por cima do meu ombro, em direção ao estacionamento da escola.

— Você não parecia.

— Eu estava, ate um idiota metido a besta resolver me irritar.

— Mesmo, quem era esse?

Por favor, alguém bata nele!

Eu virei as costas e comecei a caminhar mata a dentro, seguindo as minhas memórias de criança, que conheciam esse lugar como a palma da sua mão, de tanto correr por entre essas arvores.

Não demorou muito para que eu ouvisse passos, e eu não precisava me virar para saber que Dickerson estava bem nos meus calcanhares, e não parecia que ia parar.

— Pra onde você esta indo? Você não mora na floresta não é? Seria esquisito.

— Eu não devo satisfações da minha vida, do que eu faço ou deixo de fazer para você, não importa quem você seja.

O orgulho surgiu como uma onda calorosa no meu peito quando ele não me respondeu, ou fez alguma gracinha.

Eu apenas continuei andando, e ele apenas continuou me seguindo.

Quando eu finalmente despontei na clareira, onde a grande casa em ruínas estava, eu me toquei que ainda havia um garoto me acompanhando, e que aquele lugar agora conhecido por mais uma pessoa.

Eu sabia onde eu queria ir, e sabia como chegar lá, mas não sabia como explicar pra alguém o porque de eu ir para lá, quando podia ir para a minha casa, assistir TV ou navegar na internet, mas eu nunca pensei que realmente fosse ter que apresentar meu esconderijo para mais alguém alem de mim mesma.

Eu conhecia aquele lugar desde quando eu conseguia me lembrar, mas não sabia exatamente como eu o tinha encontrado, era só como se ele tivesse surgido no meio das minhas memórias, e eu simplesmente tivesse chegado lá, como uma sonâmbula no meio de um episódio de sonambulismo, mas o mais importante de tudo, é que eu o amava.

— Bela casa, mas achei que você morava em um lugar que tivesse telhado.

Eu podia sentir o sarcasmo pingando de cada palavra dele, e isso me levou ate a borda do meu abismo de fúria assassina.

— Não que você tivesse que ter vindo comigo, mas já que te incomoda tanto o lugar, você pode dar meia volta e ir embora.

— Como se eu fosse largar você aqui no meio da floresta nesse lugar estranho, não seria uma atitude de cavalheiro. Não que você seja uma dama, claro.

— E você é tão cavalheiro quanto o meu ultimo cachorro que mastigava meus sapatos!

Eu marchei em direção ao casarão, saindo da orla do bosque para o belo descampado ricamente iluminado a minha frente, se eu o ignorasse, ele iria embora e todos os meus problemas estariam resolvidos.

Eu dei cerca de dez passos antes de uma mão segurar firmemente o meu antebraço e me fazer voltar para encarar meu captor.

— É serio, vamos embora, eu não gosto desse lugar, ele não me parece... seguro.

Agora seriedade exalava dele, dos olhos, atitude e voz.

— Sinto muito, mas eu gosto. Você pode ir embora se quiser, ninguém esta te prendendo, mas eu vou ficar.

Puxando o meu braço livre, eu continuei ate chegar a varanda carcomida de cupins e com madeira podre, para então empurrar a grande porta de carvalho solida, que eu sabia que levaria a uma sala de estar cheia de moveis puídos, cobertos de poeira.

— Lar, doce casa caindo aos pedaços — eu sussurrei.

Eu fez meu caminho por entre os moveis diretamente para as escadas no fim do cômodo, subindo de dois em dois degraus, e saindo no escuro corredor do segundo andar, em direção ao quarto principal, no qual eu sempre ficava, já que foi o único lugar que eu me dei ao trabalho de limpar.

— Você sobe escadas como uma garota.

Eu senti meu coração falhar uma batida pelo enorme susto que eu levei, e minha respiração ficou presa nos meus pulmões tempo o suficiente para me deixar ofegante.

Dickerson estava parado no batente da porta, braços cruzados e postura completamente relaxada.

— Você não disse que ia embora porque estava tendo um tipo de premonição sobre o lugar? Que é que você esta fazendo aqui?

— Eu nunca disse que estava indo embora, eu disse para nós irmos embora. Sim, eu não gostei do lugar, mas eu também disse que não ia te largar aqui sozinha. — ele disse como se eu tivesse que ficar mais do que feliz por essa sua atitude.

— E por acaso eu deveria ficar agradecida?

— Alguém normal ficaria.

— Você acabou de me chamar de anormal? Eu sou muito normal!

— Claro, porque pessoas normais ficam em casas caindo aos pedaços no meio do nada de uma floresta.

— Ninguém pediu pra você ficar aqui comigo! É só virar as costas e ir embora!

— Eu não posso. Não é como se eu não quisesse, eu só... não posso!

O tom frustrado na sua voz me fez ficar ainda mais inquieta.

— Eu não estou vendo nada te segurando! Ou por acaso você está com muito medo de se perder pra poder cair fora?

— Fala como se eu precisasse de você para ser a minha guia, mas eu posso muito bem achar meu caminho de volta sem a sua ajuda.

— Então se manda e me deixa em paz!

— Não dá!

— Por que não?!

Eu sabia que nós dois já estávamos gritando a plenos pulmões, ou pelo menos eu estava, porque ele fez apenas elevar um pouco a voz, mas suas exclamações duras pareciam gritos nos meus ouvidos.

— Porque eu vou sofrer se você se machucar. — um sussurro baixo e letal, cheio de fúria mal contida, que me deixou paralisada.

E foi ali, exatamente naquele instante, no quarto velho e frio, que eu percebi que algo estava diferente.

E errado.

Notas finais
Bom, como eu disse nas notas iniciais, vou continuar com essa fic até o fim, e tbm com as outras já postadas aqui, pedir um retorno dos leitores seria muito presunçoso da minha parte, então venham todos, leitores com contas, os assíduos, os participativos e os fantasmas, ( uma coisa que eu tenho sido ultimamente ), todos são bem vindos, afinal, a fic é pra vocês. Bjos. TalithaMalfoy.