Os Condenados

4 Quando a sua história se torna a minha


Notas iniciais
Hey hey, espero que todo mundo esteja bem ♥ Como eu disse antes, (capítulo anterior) eu estou de volta para terminar essa e as outras fics postadas na minha conta aqui no nyah, por isso se você lia minhas histórias antes do meu épico sumiço, agradeceria se voltasse, você é muito mais do que bem vindo, mas enfim, eu acho que já enrolei muito ( quase um ano XD ), então vamos a mais um cap. Bjos. TalithaMalfoy.

Sabe aqueles momentos em que você realmente sente medo?

Não aquele medo de um filme de terror, ou aquele de quando você faz algo errado e acha que seus pais vão descobrir.

Não.

Eu estou falando do pânico cego, aquele que faz seu coração martelar nos seus ouvidos e seu sangue congelar nas suas veias, que te faz perder o folego e ter aquela sensação de que o chão está ruindo sob os seus pés e você não tem para onde fugir ou se esconder.

Bem, essa ai é uma boa descrição do que eu estou sentindo nesse exato momento, enquanto estou presa num quarto mofado com o cara dos meus sonhos, que estão mais pra pesadelos agora, mas que segundo ele, é o meu verdadeiro amor predestinado, só que no entanto isso é uma condenação para ele.

Alguém já ouviu uma palhaçada maior que essa?

— Espera ai só um minutinho, você acabou mesmo de dizer que está condenado à mim? Mim, tipo eu?

— Acho que tem uma parte faltando ai nessa sua pergunta, como talvez a parte em que nós também nos amamos.

— Condenado? Sério?

— Por que você tinha que focalizar logo nessa palavra? Que tipo de garota é você que não liga pro verdadeiro amor quando alguém fala sobre ele?

— Eu vou te dizer, sou o tipo esperta, mas se não for incomodar sua majestade cheia de amor, dá pra explicar de novo esse negócio de condenação?

— Esperta? Eu não tenho certeza, mas eu vou tentar simplificar a história toda pra você. E que tipo de pessoa chama a outra de sua majestade cheia de amor? Sinceramente, você tem algum tipo de problema.

Ele olhou a sua volta pelo ambiente úmido e depois de volta para mim.

— Acho melhor se sentar.

E seguindo sua própria recomendação ele se acomodou no pequeno sofá puído no canto da porta.

Eu me ajeitei na cama em estado degradante.

— Vou tentar tornar isso o mais simples que eu puder, mas se você pudesse prestar realmente atenção no que eu estou falando, já vai ser meio caminho andado para o seu cérebro aparentemente muito lento compreender os fatos.

Eu bufei gloriosamente e fiz a minha melhor cara aborrecida para ele.

— Geralmente é mais fácil entender as coisas quando elas vêm de crenças populares passadas de geração em geração, então vamos tentar por ai. Você por acaso já ouviu falar de uma coisa chamada O Fio Vermelho do Destino?

— Acho que li um mangá sobre isso. O que é que tem?

— Não posso dizer que fico surpreso que uma estória em quadrinhos japonesa fale sobre isso, afinal de contas, essa é uma lenda milenar do Japão. Ume no akai ito, o fio vermelho que liga duas pessoas destinadas a ficarem juntas, desde o nascimento, e que só é visível no mundo dos espíritos. Isso é mais ou menos o que acontece com a gente.

— Você quer que eu acredite que tem um fio vermelho invisível amarrado em mim e em você que nos torna predestinados a ficar juntos, e isso já está ai desde que eu e você nascemos? É isso mesmo?

— Não exatamente. Essa lenda é só o conto popular mais próximo da nossa realidade que eu pude pensar para tentar fazê-la entender, mas na verdade o que há conosco é um pouco mais complicado.

— Tipo uma condenação? Sério, eu realmente adorei essa parte, então me perdoe por ser repetitiva.

— Você tem o dom de fazer eu me arrepender das minhas palavras a cada maldita frase que eu digo!

UH! Alguém parece estar ficando irritadinho.

— Foi você quem disse pra mim isso? E depois você pergunta que tipo de garota eu sou? Que tipo de garoto você é?! Quem diabos diz pra uma menina que estão destinados e depois fala que isso é um tipo de sentença? Alguém completamente estupido!

— Eu vou deliberadamente ignorar as palavras insultantes que você acabou de me dizer, considerando que nesse momento você deva estar um pouco abalada pela natureza das coisas que eu te disse.

Abalada? Pode crer, amigo.

— De uma forma simples, o que acontece conosco é o seguinte; quando você nasceu, eu estava dormindo á pelo menos cento e trinta anos, desde a última vez que caminhei pelo mundo, na década de 1860, e eu também estava lá pelo mesmo motivo que eu estou aqui, por alguém, mas isso não é importante agora...

— Alguém? Uma garota?

Ele fingiu que não me ouviu.

— O fato é, eu nasci no velho mundo a mais de 700 anos, numa pequena vila ao pé de uma montanha gelada, onde uma velha bruxa vivia, sendo cultuada pelo vilarejo como uma deusa, alguém que poderia resolver qualquer problema, com simples palavras.

— Ainda esperando uma explicação decente.

— Dá pra fazer o favor de parar de me interromper?

— Tanto faz.

— Nós levávamos a vida bem, não era fácil, mas também não era difícil a ponto de passarmos necessidades. Num lugar pequeno, as coisas são mais fáceis de se manter eu acho, mas isso mudou no primeiro dia da temporada de colheitas, pois a nossa intitulada deusa, desceu a montanha pela primeira vez eu que qualquer pessoa viva na aldeia pudesse se lembrar. Ela queria algo, alguém.

A expressão dele se revirou, como se lembrasse de uma visão horrível, como um acidente cheio de gente mutilada e sangrenta.

Então ele olhou no fundo dos meus olhos, e foi como se alguém me batesse, e eu entendi que alguém, não era apenas alguém.

Era Dickerson.

— Eu acho que depois de tanto tempo sozinha enfiada no meio de uma floresta, ela se sentiu sozinha, e achou que uma companhia cairia bem. Eu tinha acabado de fazer 18 anos naquela época, e estava pronto para começar a procurar uma noiva, formar uma família, eu era um homem feito, pros padrões de alguns séculos atrás.

O rosto dele mudou mais uma vez, contorcido em uma mistura de raiva, desprezo e tristeza, sua voz cheia de uma profunda amargura, e aquilo, por algum motivo, me fez querer chorar, talvez fosse a minha empatia, com o sofrimento dele, comprimido naquele quarto, me sufocando junto com ele.

Eu engoli o bolo apertado na minha garganta e pisquei minhas lagrimas de volta, então acenei para que ele continuasse, rezando silenciosamente que ele não tivesse percebido o meu momento de solidariedade.

— Depois da notícia de que ela tinha descido se espalhou como uma peste por toda a vila, nós nos reunimos todos ao pé da montanha, e ela estava lá, e não era nada do que ninguém jamais esperou, uma vez que ninguém que já subiu a montanha a procura da sua ajuda, já tenha visto seu rosto, e mesmo assim, isso fazia mais de uma década naqueles dias.

Olhos perdidos e opacos me encararam, como se eu fosse algo que o lembrava uma coisa importante, uma pessoa de quem ele não quer esquecer o rosto, e eu me pareço com ela o suficiente para fazê-lo ter uma memória clara.

— Longos cabelos cor de mogno, clareados pelos beijos do Sol, olhos de um profundo azul céu que pareciam ler seus pensamentos mais profundos, e um rosto que poderia realmente ter pertencido a uma deusa, magra e esbelta, não muito alta, mas perfeita. Seu nome era Ilíria, e ela não parecia ter mais que 20 anos. E ela veio diretamente pra mim, sorrindo como se fosse o dia mais feliz da vida dela. Naquele momento, eu conheci o que era o verdadeiro desejo por alguém.

—Eu estava paralisado, encarando a própria encarnação de tudo que era belo e perfeito, vir na minha direção, então, quando ela me alcançou, me pegou em um abraço apertado e me disse:

"Driker, eu quero você. Seja meu."

Ele abaixou a cabeça, apoiou os cotovelos nos joelhos e ancorou seu rosto nas mãos, mas eu vi, estava lá antes que ele pudesse esconder, um fraco sorriso nostálgico, que você dá para as coisa que mais machucam, mas que não se é possível parar de sentir falta.

— Driker era meu nome na época, mas eu não achei que fosse combinar com os dias de hoje, na verdade, já não combinava a uns dois séculos atrás.

— E depois disso, o que aconteceu?

Eu quase não reconheci a minha própria voz, um sussurro fraco e estrangulado, quase com medo.

Pra onde foi a menina brigona que estava gritando a 10 minutos atrás?

Eu queria muito mesmo que ela voltasse.

Por favor, volte.

Volte e me salve de morrer afogada nesse mar de mágoa, que parece não ter fim e se despeja nesse espaço pequeno demais para acomoda-lo.

Não me deixe aqui sozinha, com ele e seu sofrimento.

— Ela me queria, então ela poderia me ter. Eu subi a montanha com ela, de volta a sua casa, deixando para trás tudo o que eu tinha e conhecia; meu pai, minha mãe, e três irmãos mais novos que eu tinha jurado proteger para sempre, mas acho que sempre se pode ficar estupido por uma garota.

— Você se arrepende, de ter deixado tudo para trás, por ela?

O que era isso no meu peito, aumentado e comprimindo o meu coração cada vez mais no cantinho?

— Acabou que eu não consegui me lembrar de nada mais uma vez que eu coloquei meus olhos nela, então acho que arrependimento não foi uma coisa para a qual eu dei importância suficiente, ou ao menos cogitei, mas se algo de que eu realmente me arrependo, é ter olhado pra mais alguém.

— Como assim? Pelo que eu entendi você foi pro meio do mato com ela, havia mais alguém lá?

— Não só havia, mas era a criatura mais perfeita que poderia conhecer. E enquanto eu desejei Ilíria com todo o fogo que o meu corpo poderia ter, eu amei sua irmã mais nova com todo o meu ser, e eu a quis ainda mais, do que nunca poderia querer sua irmã mais velha. E ela me amou também, contra todas as regras, e tudo que fazia sentido, nós fomos felizes, até que fomos descobertos, é claro.

Eu estava sufocada, aguardando o desfecho da sua história, presa a ela como se fosse salvar a minha vida.

— E então?

— O que mais poderia ter acontecido? Nós tivemos um fim trágico, mas com um caminho que levou a ele que eu não trocaria por nada, bom, talvez por um final feliz.

— O que exatamente você quer dizer com um fim trágico?

— Digamos que Ilíria não lidou muito bem com a nossa traição, e como uma boa bruxa, lançou uma bela maldição em nós dois, nos fadando a reencarnar vida após vida, ligados a outras pessoas, sem nunca podermos nos tocar outra vez, nos alternando para ter as lembranças de nossas vidas passadas, sofrendo um de cada vez, mas acho que dessa vez, algo saiu errado, pois eu tenho uma chance de tê-la para mim outra vez, e não vou desperdiçar essa oportunidade.

— Eu entendi a parte de estar condenado, quer dizer, não é por minha causa, o que é um alivio, mas não entendo como vai conseguir sua namorada de volta, já que a pessoa da ligação dessa vez sou eu, não que eu ligue, até ajudo você se quiser.

— Com certeza você pode me ajudar.

Eu não gostei do tom de voz que ele usou agora mesmo, parecia intimo demais pro meu gosto.

OK.

Hora de mudar de assunto.

— E como ela era? E o nome dela?

Ele voltou a me encarar, olhos brilhantes dessa vez, malicia quase saltando para a vida deles, focados no meu rosto, como se não pudesse olhar para mais nada no mundo além dele.

— Perfeitas ondas de chocolate brilhante, olhos de um caleidoscópio de verde, dourado e castanho, como as florestas, um rosto de boneca, magra, pequena e delicada, gentil, calma, inteligente, tudo eu qualquer um poderia querer ser ou ter. Seu nome era Liara.

— Você me disse que as memórias de vocês dois eram alternadas, e como você parece se lembrar de cada coisa muito bem, eu suponho que ela não saiba de nada nessa vida, não é?

— Absolutamente certo.

— Então como é que você vai encontrá-la e fazer com que ela se lembre de você, inferno, como você vai faze-la sequer acreditar em você?

— Eu já a achei, faz mais de um ano, e acho que ela acredita em mim, nessa altura do campeonato, ou assim me aprece.

— E que droga você ainda está fazendo aqui comigo, nessa casa caindo aos pedaços, que não está lá, com ela, curtindo o amor de mais de 700 anos que foi tragicamente interrompido pela cunhada louca?

Então eu pude sentir, o momento derradeiro, quando ele se levantou e cruzou o quarto, pegando meu rosto entre as suas mãos, e me encarando profundamente, os olhos agora cheios de pura paixão crua, daquelas que movem céus e terras, tirando qualquer obstáculo do seu caminho até que alcance seu destino.

— Eu estou com ela.

Não! Eu não quero saber!

Pare agora, não diga o que quer que você esteja pensando em dizer a seguir, não faça isso!

— Eu senti sua falta, amor.

Notas finais
Mais uma vez aqui estou eu, desejando que vocês tenham gostado desse cap. e esperando que voltem para mais. (leia desejando do fundo do coração). Bjos. TalithaMalfoy.