Os Cinco Elementos
7 O Anuncio de uma Nova Era
Numa noite chuvosa viam-se apenas duas silhuetas contornadas por auras brilhantes, em pé sobre um campo de cheio de corpos ao chão enlameados pelo barro misturado ao sangue, trovões e lampejos tornavam aquela cena ainda mais depressiva, naquela escuridão o silencio foi quebrado:
– Acabou? – Disse o primeiro homem sentando-se em uma pedra.
– Acho que sim, não vejo mais nenhum inimigo por perto, devem ter fugido para a costa oeste.
– Devemos persegui-los?
– Ainda não, vamos esperar Malakay e Thallos, não devem estar muito longe e precisamos de toda ajuda possível...
– E Irise? Ela estava bem próximo as montanhas negras antes do ataque começar, será que ainda esta viva?
– É bem provável, dos cinco ela é a mais experiente, você viu a força dela, não existe alguém que possa derrotá-la facilmente.
Neste momento um grupo de guerreiros aproximou-se rapidamente dos dois homens, um deles ajoelhou-se prestando reverencia ao homem que estava em pé e disse:
– Mestre Helain trago noticias dos campos do norte, o exercito fantasma foi repelido e marcharam para costa oeste.
– E quanto a Malakay e Thallos onde estão?
– Malakay seguiu para no Norte encontrar Irise, pediu para encontrá-los junto a costa oeste, Thallos esta vindo a nosso encontro com o que sobrou do exercito do sul.
– Muito bem... Vocês esperarão aqui até que Thallos chegue... Kilac e eu seguiremos para a costa, apressem-se, pois não sei quando tempo conseguiremos lutando sozinhos...
– Esperem! – Um grito vindo de longe.
– É Thallos como exercito do sul, como ele chegou tão rápido? – disse Kilac.
– Hahaha... Deve ter forçado todos a correr sem parar... Agora estou mais confiante. – disse Helain.
– Vocês estavam indo se divertir e me deixando para trás, não é justo vocês sempre ficam com a melhor parte. – Disse Thallos com a respiração pesada...
– Hahahah... Não se preocupe, vai ter muito que fazer. – Disse Kilac.
Chegando próximo a Kilac e Helain, Thallos avistou logo a frente um exercito marchando em sua direção, ao longe era possível ver uma grande quantidade de soldados portanto lanças e vestindo a roupas negras com a marca dos Cinco Reis, assim Helain disse:
– Você queria diversão, pois ai esta...
– Pois que assim seja... Kai Alghul Tintidah! – disse Thallos sendo envolto por uma aura cinza.
– Acho que o caminho até a costa será bem longo... Exhutus Mellum Avottu! – disse Helain criando uma aura cintilante.
– Athous Meledin Ibha! – disse Kilac com uma expressão séria e sendo envolvido por uma aura esverdeada.
.....
– V...o... Vovô... Vovô!
– Senhor Kilac... Esta nos ouvindo?
– Oh... Sim... Desculpem-me, acabei envolto em antigas lembranças.
– Achamos que você tinha desmaiado depois que recitou aquelas palavras... – afirmou Alden.
– Não se preocupem... – ao dizer estas palavras Kilac mudou sua expressão – Acho que temos companhia, não saiam da tenda.
Kilac saiu de sua tenda e em sua frente cercado pelos guardas de sua aldeia estava a ultima pessoa que ele gostaria de encontrar naquele momento, um homem com roupas simples que carregava consigo um colar brilhante de forma oval com sete pedras coloridas adornando sua circunferência. Kilac pediu aos guardas que abaixassem as armas e descansassem, pois não havia perigo ali, então se aproximou do estranho e perguntou:
– O que o traz a minha aldeia Grande Sábio?
– Jovem Kilac, quase não o reconheci, pelo visto você ganhou um bom tempo de vida utilizando o “Respiro dos Bosques”.
– Para minha infelicidade fui o único que recebeu essa dádiva, mas antes minha vida tivesse seguido o fluxo correto, não era o meu desejo viver mais que meus filhos e netos...
– Não critique o que lhe foi dado, isso ocorreu por um motivo, é seu dever descobrir o porquê.
– Estou muito velho para discutir com você novamente, então perguntarei outra vez, o que o traz a minha aldeia?
– Devemos conversar em particular, tenho muitas informações úteis para você...
– Minha tenda esta lotada, mas acho que podemos conversar sem problemas...
Kilac indicou o caminho e ambos entraram, ao entrar o homem deparou-se com três jovens entre eles um chamou muito a sua atenção, Kilac indicou um local para sentar-se ofereceu algo para comer e beber, mas o estranho queria iniciar logo a conversa então começou:
– Vejo que esta ocupado, esses jovens são seus alunos?
– Não... A jovem é minha neta Iva, ao lado direito esta Ikaku um jovem caçador de nossa aldeia, o outro jovem é Alden, ele veio da tribo das montanhas...
– Tribo das montanhas... Mas seu rosto é familiar, já nos encontramos antes rapaz?
– Acho que não senhor... – disse Alden encabulado.
– Fuuu... Bom devo estar enganado... Mas Kilac você quer continuar a conversa com os jovens aqui?
– Acho que sei sobre o que você vai falar e quero que esses três estejam informados sobre o que esta por vir.
– Bom... Então acho que devo me apresentar, sou aquele que ajudou as tribos com sua revolta contra o exercito dos Cinco Reis, devo dizer que graças a minha ajuda a guerra contra o exercito fantasma pode ser vencida... Na época convoquei os lideres das tribos para realizar um ritual de invocação do poder da natureza, vocês já devem ter ouvido sobre esta história...
– Na verdade eu acabei de contar sobre a guerra e o exílio dos Cinco Reis junto ao exercito fantasma – disse Kilac.
– Excelente... Então eu posso pular para a parte principal, os selos que ocultavam as pedras perderam seu efeito, algo aconteceu e agora é possível sentir a presença delas e se estes selos foram quebrados é muito provável que o exercito dos Cinco Reis possam fugir de seu exílio... Vocês devem ter percebido que o numero de feras aumentou na região, isso indica que as forças da natureza estão se desequilibrando e que as “Pedras das Sombras” estão sendo utilizadas novamente...
– Desculpe... Posso perguntar algo? — Disse Alden.
– Claro que pode jovem Alden – Afirmou Kilac.
– A pouco estávamos ouvimos a história sobre cinco pedras mágicas e agora surge mais uma... O que são estas pedras das sombras?
– Jovem estas pedras são artefatos que controlam energias que até mesmo os Sábios Elementais evitam manejar, ao contrário das pedras elementais que controlam o fogo, a água, a terra, o ar e as florestas, estas utilizam uma energia um pouco mais complicada... Por exemplo, a pedra que esta nas mãos de Kilac controla o poder das florestas, ele pode utilizá-la sem sofrer danos físicos ou mentais, alias graças a ela Kilac ganhou um tempo a mais de vida, já as pedras das sombras você deve sacrificar algo para ganhar poder, reduzindo seu tempo de vida. – Explicou o Sábio.
– Mas se ela reduz o tempo de vida de quem a usa, porque alguém utilizaria estas pedras? – perguntou Iva.
– Os Cinco Reis utilizaram outro método para usar os poderes das pedras... Ao invés de sacrificarem a própria vida, eles sacrificavam a vida dos aldeões que eram capturados... As pedras sugavam a energia vital dos prisioneiros e convertia em energia para ser utilizada, assim foram criados os exércitos fantasmas, através desta energia negra. Mas ao utilizá-la a energia da natureza sobre um enorme desequilíbrio, ao tentar corrigir este equilíbrio surgem feras e monstros e seres com energias sobrenaturais... Para tentar corrigir este balanço eu pedi aos grandes guerreiros que fizessem um ritual para extrair essa energia natural e ser utilizada contra o exercito dos Cinco Reis, assim foram criadas as Relíquias Elementais que vocês conhecem... – Respondeu o Sábio.
– Então estamos próximos de mais uma guerra? È por isso que você veio até aqui? – disse Kilac.
– Temo que sim... E tenho que admitir que vim pedir um favor a você...Temos que reunir novamente os Exércitos das Tribos para se preparar contra um ataque que logo virá, não tenho certeza de quando, mas quanto mais breve o exercito se reunir melhor... Seria de grande ajuda se você me acompanhasse até as tribos do sul, pois como você se lembra, eles não são cordiais com estranhos.
– Se o exercito dos Cinco Reis retornarem o que vai acontecer? – Perguntou Iva.
– Tenho quase certeza que começaram com um ataque maciço nas tribos das montanhas do oeste, pois são as mais populosas, depois caçarão as tribos que possuem as pedras elementais, destruindo todos que ficarem em seu caminho, tenho certeza que não irão descansar até encontrar-las. E principalmente, sua tribo jovem Alden, como Helain foi a chave principal da união das tribos desta vez eles não irão para até ter eliminado todos de sua tribo.
Fez-se um silencio após a explicação do Grande Sábio, Alden estava perdido em pensamentos, imaginando todos de sua tribo, a paz que reinava naquele local e que logo tudo aquilo se perderia se este exercito retornasse, antes seu desejo era apenas voltar para sua casa e rever sua família, mas agora tudo aquilo que amava estava sendo ameaçado por um mal que a muito tinha sido afastado daquelas terras, continuou pensando em silêncio até foi tirado de seus pensamentos por uma pergunta do Sábio:
– Alden... Ainda esta conosco?
– Hummm... Desculpem-me, estava pensando em algo...
– Não se desculpe, todos estamos preocupados com o que pode acontecer daqui para frente, mas você pode voltar para sua tribo e avisá-los, assim poderão se preparar para o que vai acontecer, você não precisa ficar pois logo este local vai ficar muito perigoso e você não aparenta ser um caçador nem guerreiro...
– Não... – Disse Alden interrompendo o Sabio – Minha tribo esta bem protegida, Kilac me contou que Helain procurou o local mais seguro para proteger sua família, por enquanto eles estarão bem... Quero ajudá-los, já que este problema logo será de todos nós... Não posso simplesmente ir embora e deixá-los para trás, alem disso fui eu quem encontrou a pedra e agora essa responsabilidade também é minha...
Kilac esboçou um sorriso, Alden mostrava-se um grande homem, sua coragem começou a lembrá-lo de seu velho amigo Helain, que também se preocupava com outros e colocava sua vida como um escudo para proteger aqueles que amava e o fato do jovem não parar nunca de falar lembrava-o ainda mais, então Kilac interrompeu o jovem:
– Alden acalme-se! Sei que você tem muita coragem, mas não sabe o que irá enfrentar se resolver entrar nessa batalha...
– Se eu puder proteger todos que são importantes para mim não me arrependo de sacrificar minha vida... Não quero mais que meus pais e irmãos sofram por perder alguém, ainda me lembro das expressões deles quando tentaram me salvar naquele dia... Meu desejo é protegê-los da mesma maneira que eles tentaram me protegem... E também tem mais alguém... – O rosto de Alden ficou rubro ao tentar explicar seus sentimentos...
– Esta bem... Se for seu desejo você pode ficar e nos ajudar... Mas espere, você disse que encontrou a pedra, como isso aconteceu? – perguntou o Sábio.
Então Kilac começou a explicar sobre o desafio e como Alden encontrou a pedra, por fim acabou contando a história do rapaz e como chegara até ali, enquanto ele contava a história o Sábio que anteriormente não expressava grandes emoções em sua face, começou a ficar espantado com o que Kilac contava, até que terminou contando sobre a grande serpente que atacou sua tribo e foi abatida por Alden.
– Bem... Acho que o julguei mal jovem Alden, ou melhor dizendo, agora peço encarecidamente que você nos acompanhe nessa batalha, talvez coisas incríveis aconteça com você ao nosso lado.
Alden esboçou um sorriso ao ouvir as palavras do Sábio, permanecer e lutar era seu maior desejo já que sua vontade era proteger alguém muito importante ali. Então Kilac continuou a conversa com o Grande Sábio sobre as estratégias que tomariam quanto a reunião das tribos, os três jovens permaneceram no local apenas escutando, algum tempo depois o Grande Sábio pediu a Kilac que postergasse a reunião, pois já estava tarde e gostaria de discutir os detalhes quando todos estivessem descansados. Kilac mandou os jovens para suas tendas e ordenou a um dos aldeões que preparasse um local para a estadia do Sábio, ao sair da tenda Alden se deparou com Iva que o chamou para um passeio, envergonhado ele aceitou e começaram a caminhar juntos sem trocar palavras, apenas apreciando a companhia um do outro, até que Alden tomou coragem e começou a falar:
– Não tinha reparado, mas as noites em sua aldeia são muito mais calmas que na minha... De onde eu vim ao escurecer os mais velhos se reúnem e ficam papeando durante horas...
– Eu gostaria de conhecer sua aldeia, parece um lugar lindo...
– Iva... Eu gostaria de saber o que você queria me falar quando eu parti para o desafio contra Ikaku... Durante todo o desafio pensei apenas nisso. – Disse Alden parando enfrente a Iva olhando diretamente em seus olhos.
– O que eu queria falar... Na verdade o que eu sinto... – Iva não conseguia dizer as palavras que estava pensando nem o que realmente sentia por Alden.
– Não esta um pouco tarde para os Jovens ficarem zanzando sozinhos por ai...
– Vovô...
– Senhor Kilac.
– Iva e Alden, temos muito que fazer amanha, quero que os dois voltem para suas tendas e descansem, depois cuidaremos dos assuntos pendentes. – Disse Kilac com um tom imperativo.
– Sim vovô – disse Iva se retirando do local. – Boa noite Alden.
– Boa noite Iva. – disse Alden expressando um sorriso bobo.
– Alden, antes de ir podemos conversar um pouco...
– Claro que sim, sobre o que o senhor quer falar?
– Quero que você e Iva, junto a um pequeno grupo, partam para a costa oeste, será uma viagem não muito longa, mas necessária, você falará aos lideres das tribos sobre o que esta acontecendo e que o Grande Sábio esta novamente entre nós...
– Eu... Mas eles irão me ouvir?
– Não se preocupe... Eles te ouvirão sem questionar... Ah sim mais uma coisa... Pela manha também quero oficializar sua união com Iva... – Disse Kilac virando as costas deixando Alden estático e sem palavras.
Alden casado! A volta do Exercito dos Cinco Reis! Pedras das Sombras! Muitas revelações no próximo capitulo.
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