Os Cinco Elementos

6 A História das Reliquias


Notas iniciais
No ultimo capítulo Alden encontrou uma pedra que poderia garantir-lhe a vitória, qual será a decisão de Kilac quanto ao vencedor?

Alden calou todos naquele momento, a euforia foi trocada por um silencio atormentador, então um por um os aldeões começaram a ajoelhar-se, ele não entendia por que uma pedra faria todos curvarem-se daquela maneira, até mesmo Ikaku que estava ao seu lado tinha assumido aquela posição de reverência. Kilac olhou para pedra e disse algumas palavras para seu povo, todos se levantaram e fizeram um gesto de saudação a Alden, Ikaku se retirou do local e juntou-se a multidão, assim todos saudaram novamente. Assim Kilac aproximou-se de Alden e começou a explicar.

– Jovem Alden primeiramente devo dizer que não será preciso ter um julgamento, como pode ver você ganhou a disputa e esta saudação que todos fizeram significa que você é o vencedor, mas não sei dizer se por sorte ou azar você encontrou algo que não deveria ser encontrado, esta pedra que esta em suas mãos é uma relíquia sagrada que possui um enorme poder e desde a ultima guerra estava escondida no santuário dos reis, temo que ao retira-la de lá você atraia olhares de outros povos que vivem próximos daqui e se a noticia se espalhar, uma nova guerra pode surgir.

Ao ouvir as palavras de Kilac, que foi bem direto com o assunto, Alden estava com uma expressão apática, como uma pequena pedra como aquela poderia gerar tamanha confusão, será que tudo o que tinha passado não era o suficiente, agora estava com uma pedra mágica nas mãos que poderia gerar uma guerra, ele nem entendia o que era uma guerra, seu povo era extremamente pacífico não havia lutas ou disputas em sua aldeia, assim assustado respondeu a Kilac:

– Me desculpe! Não sabia que esta pedra tinha tamanha importância... Devolverei imediatamente ao local devido...

– Acalme-se jovem! – disse Kilac com um tom calmo, mas imperativo, aquela ansiedade do rapaz era irritante — agora que ela foi retirada de seu local de descanso não poderá mais devolve-la, o santuário não mais protegerá a pedra, se você a achou isso quer dizer que estava na hora de ser encontrada, fico feliz que ela não tenha caído em mãos erradas.

– Mãos erradas? Existe mais alguém que esta a procura desta pedra?

– Acho que chegou à hora de dar algumas explicações a você...

Kilac convocou Iva e Ikaku para participarem de uma reunião e ordenou aos outros aldeões que ficassem alertas, pois possivelmente havia perigos maiores que predadores gigantes naquela região, assim pediu ao três jovens que o acompanha-se até sua tenda sua tenda para começar as explicações que prometera. No caminho Alden e Iva não paravam de se olhar, mas não conseguiam conversar, o clima era constrangedor. Alden voltou de sua caçada com as palavras de Iva em seus pensamentos, seu desejo era ouvir dela o que pensava sobre o “casamento forçado”. Os dois jovens esperaram tanto para iniciar a conversa que quando Alden finalmente criou coragem para falar algo já estavam em frente a tenda de Kilac, e Ikaku impaciente forçou os dois a entrarem, dentro da tenda sentaram-se em frente a Kilac que logo começou a falar:

– Iva falarei na língua de Alden então traduza para Ikaku o que você entender – Disse Kilac em tom imperativo – Jovem Alden o que você sabe sobre o mundo alem da sua aldeia?

– Infelizmente não conheço nada, passei todo esse tempo sem imaginar o que poderia haver alem das florestas e do grande precipício...

– Pois bem vou começar a história por onde todos de nossa aldeia já conhecem até mesmo os mais jovens. Este mundo nem sempre foi tão pacifico como é hoje, mesmo com as feras que enfrentamos diariamente nada a se compara ao que aconteceu antes, em tempos antigos existiam homens que desejavam dominar as terras que habitamos, tiranos que escravizaram varias aldeias fazendo-os jurar lealdade e trabalhar em prol da causa ou morrer em frente a todos, esses tiranos se auto-intitulavam “Reis do Novo Mundo” e conseguiram montar um exército grande, suficiente para dominar todas as terras que quisessem.

– Que terrível, como nunca me contaram isso! – exclamou Alden.

– Logo chegarei nesta parte, tenha paciência... Ao total havia cinco Reis que tinham seus domínios divididos igualmente, seu exército principal era composto por guerreiros selvagens que não possuíam nome, eram chamados de “Exercito Fantasma”, pois apareciam sem ser vistos e dominavam todo o local em segundos. Foi assim que após muitas batalhas surgiu um homem que conhecia uma antiga forma de transformar a energia da natureza em poder bélico, sua origem não era conhecida, mas todos acreditavam que era um ser Elemental que vivia entre nosso mundo e o outro. Assim ele reuniu as tribos remanescentes que não foram dominadas e lhes ofereceu uma alternativa, poderiam ter sua liberdade lutando contra o exercito dos Reis, mas para isso teriam que fazer alguns sacrifícios. Ele explicou que poderia oferecer um poder inimaginável aos que se dispusessem a aceitar o desafio, podendo assim ter uma chance de liberdade, então dentre as tribos foram escolhidos sete dos melhores guerreiros para enfrentar o desafio. Todos imaginaram que seria um prova física no qual o mais forte seria escolhido, mas o desafio foi espiritual, os guerreiros foram colocados em um circulo rodeados por tochas que possuíam um fogo azulado, após algumas palavras do homem misterioso uma neblina cercou o local. Após algumas horas a neblina desapareceu e havia cinco homens em pé, cada um portando uma jóia diferente em suas mãos, já os outros dois não foram mais vistos, de acordo com a história ficaram presos no outro mundo onde vivem os espíritos.

Kilac parou a conversa durante alguns segundos, Alden se atentou a sua expressão que ficava mais triste ao decorrer da história, assim após a pausa ele retomou o conto:

– Os cinco que retornaram possuíam habilidades que ninguém tinha visto antes, agora tinham o controle de elementos da natureza, aquele que portava a pedra “Pulsar do Vulcão” controlava o fogo, a pedra “Rugido das Montanhas” controlava a terra, a “Lagrima dos Rios” controlava as águas, a pedra “Fulgor dos Céus” controlava os ventos e a “Respiro dos Bosques”, a pedra que você encontrou, controla as florestas. Juntas emanavam um poder absurdo que foi utilizado na batalha contra os exércitos dos Reis. O cinco guerreiros e o exercito das tribos remanescentes conseguiram vencer os tiranos e conquistar novamente a liberdade, após a batalha decidiram que não mais usariam aqueles artefatos, assim lacraram as pedras em cinco santuários ocultando seus poderes.

– Mas qualquer pessoa pode usar esta pedra? – Perguntou Alden.

– Quem sabe... Apenas um homem utilizou esta pedra, depois disso sobraram apenas histórias, mas acho melhor prevenir que esta pedra não caia em nas mãos de qualquer um.

– Mas o senhor disse que tinha algo mais para contar, algo que nós nunca escutamos... – disse Iva.

– Pois bem, a história acaba com os cinco guerreiros vencendo os exércitos dos Reis e conquistando a liberdade, mas não esta explicito o que aconteceu com os Reis, nem sobre o exercito fantasma... Depois da derrota houve o expurgo dos exércitos, foram todos enviados para um local remoto, muito alem das terras que conhecemos...

– Então os exércitos e os Reis não foram destruídos, apenas exilados destas terras. – Exclamou Alden.

– Isso mesmo e o local escolhido foi uma ilha, para chegar até ela é necessário caminhar durante dias pela grande floresta a oeste, na direção oposta do grande lago, então chegará ao mar, lá próximo as montanhas negras é possível enxergar um ponto no horizonte, este ponto é a ilha de exílio. Os que lá se encontram foram enviados pelos cinco guerreiros, que unindo suas forças conseguiram expurgar todo o exercito junto com os cinco Reis... Alden você quer saber qual sua parte nesta história?

– Claro que sim, quero saber tudo o que não me contaram...

– Pois bem, a sua tribo também participou desta guerra, mas diferente das outras tribos a sua foi a que mais contribuiu... Os artesãos daquela época forjaram as melhores armas que se poderiam confeccionar, armas fabricadas a partir de pedras negras muito úteis e leves, seu povo foi um dos motivos de conseguirmos vencer a guerra, sem a ajuda deles a guerra provavelmente teria se prolongado por muito mais tempo. E como acontece em toda guerra, todos perdemos pessoas queridas e com sua tribo não foi diferente, os Reis descobriram quem fabricava os armamentos, então foi ordenado um ataque contra sua aldeia, neste ataque metade do seu povo foi dizimado pelo exercito fantasma, mas graças a um antepassado seu o cenário foi bem diferente do que os Reis imaginaram que seria. Você não deve ter ouvido sobre ele, mas Halain, um guerreiro de sua tribo, portava um das jóias, para ser mais especifico a que controlava os ventos, com seus poderes conseguiu salvar muitos e descobriu um local seguro para começar uma nova vida, a partir deste dia sua tribo começou a viver nas montanhas, uma fortaleza natural e bem abastecida de suprimentos.

Enquanto Kilac explicava para Alden sobre o passado de sua tribo, Iva traduzia a historia para Ikaku, que ao ouvir não imaginava que aquilo realmente poderia ser verdade, todas as vezes que lhe contaram sobre essa “lenda” antiga ele imaginou que eram apenas contos para entreter os mais jovens e não que realmente houve uma guerra deste porte, mas com as explicações de Kilac ele passou a entender o porque os mais velhos cultuavam tanto as relíquias antigas, por inúmeras vezes ouviu falar destas jóias do passado que salvaram seu povo, mas ainda tinha suas duvidas quanto ao que Kilac contava, para ele havia algo estranho naquela história. Enquanto Ikaku tentava ligar alguns pontos Aldens continuava a conversa:

– Mas porque minha tribo fala uma língua diferente da sua?

– Isto porque sua tribo fazia parte de um grupo que não era destas terras, melhor dizendo vocês foram os primeiros a se rebelar contra os Cinco Reis– Explicou Kilac.

– Um momento... Quer dizer que minha tribo descende do exercito dos Reis?

– Na verdade Helain, o homem que citei anteriormente, era um príncipe...

– Príncipe! – Interrompeu Alden novamente.

– Isso mesmo... Ele lutava pelas ambições de seu pai, mas após ver seu povo estava sendo torturado pelos Reis, sendo obrigados a guerrear e morrer por algo que não acreditavam, o príncipe se revoltou contra o império de seu pai, reuniu as famílias que desejavam liberdade e fugiu do poderio dos Cinco Reis, em sua fuga encontrou acidentalmente nossa tribo, ainda não vivíamos aqui, nosso povo morava num local seguindo para oeste, onde antes se encontravam as campinas douradas que eram utilizadas como zona de caça, mas hoje são apenas um grande deserto rochoso. O príncipe era um homem muito inteligente, conhecia a língua de algumas tribos inclusive a nossa, não foi difícil para ele explicar a situação, graças a ele conseguimos nos preparar para os ataques do “Exercito Fantasma”. Juntos nos refugiamos neste local e nos preparáramos para o que viria, mas Helain decidiu seguir em direção ao lago em que você veio parar quando caiu do precipício, aquela região era abundante em pedras negras, os artesões encontraram uma maneira de forjar as pedras e criar armas e outros utensílios, assim levantaram acampamento naquele local. Após fabricar uma grande quantidade de armas Helain dividiu conosco seu armamento e começamos a formar um pequeno exercito, depois de algum tempo outras tribos apareceram junto com o Homem Elemental da historia que contei anteriormente.

– Espere um pouco... Você fala como se tivesse vivenciado tudo o que aconteceu... Quando que essa guerra aconteceu?

– Huhuhu... Esta guerra não é muito antiga, ela aconteceu quando o avô de seu avô era jovem e você esta certo novamente Alden, eu estava lá quando tudo aconteceu.

Ao ouvir de Kilac que ele tinha participado do que ocorrera Iva achou que entendera errado as palavras de seu avô, Alden ouviu, mas não acreditou pois como ele teria sobrevivido por tanto tempo, Ikaku ainda não tinha sido informado então apenas olhava confuso para as expressões no rosto dos dois. O silêncio foi quebrado por Kilac que levantou e foi na direção de Alden, pegou o seu cantil e retirou a pedra de dentro, quando ela tocou as mãos o brilho iluminando o local de uma forma majestosa, então Kilac disse:

– “Athous Meledin Ibha”.

E uma aura verde adornou seu corpo, como se um campo energético o protegesse, a sua frente os três jovens não sabiam que reação demonstrar, mas apenas Alden olhava com um sorriso no rosto admirando aquela luz que emanava pelo poder da pedra.

Notas finais
Finalmente a verdade por trás das histórias de Kilac foi revelada... No próximo capítulo novas aventuras serão desbravadas!