Os Cinco Elementos

3 A Bela, A fera e Mais Problemas


Notas iniciais
Depois de quase morrer afogado no grande rio e ainda cair precipício abaixo, Alden enfrenta agora um fera! Como ele poderá sair desta situação vivo?

Alden estava encarando a criatura quando ouviu um zunido, num piscar de olhos a fera estava com uma lança transpassada em seu peito, sem saber o que aconteceu o jovem levantou-se cambaleante e se escondeu atrás de uma árvore. Não sabia de onde tinha vindo àquela lança e não conseguia enxergar quem seria seu possível salvador, até que ouviu um som de um galho rangendo, olhou para cima e lá estava a mesma figura feminina que virá anteriormente. Ela desceu da árvore rapidamente como se deslizasse pelo tronco, foi em direção a fera segurou firmemente a lança puxando-a, ao arrancar a lança da carcaça que estava jogada ao chão, a fera soltou mais um rugido mostrando que ainda estava viva, neste momento a lança transpassou sua cabeça, terminando com seu sofrimento. Alden olhava com uma mistura de medo e admiração, não conseguiu reagir e as palavras não saiam da sua boca, a jovem matadora de feras virou-se para Alden e com a lança em suas mãos foi em sua direção, ele permaneceu petrificado em seu lugar, mal respirava enquanto olhava para ela, que se aproximava cada vez mais.

De repente outro rugido foi ouvido, em instantes mais uma fera apareceu lançando-se ferozmente em direção a jovem que dando um salto para traz preparou sua lança para uma estocada, mas no momento em que seu pé de apoio firmou-se no chão a fera já estava muito próxima, não dando tempo suficiente para a jovem contra atacar. Com apenas um ataque ela foi jogada em direção a uma árvore, batendo suas costas e caindo quase desacordada, a fera continuou sua investida e quando se preparou para dar mais um golpe, sentiu uma pancada na cabeça, que tirou sua atenção por um breve momento, virou-se e viu Alden que arremessou mais uma pedra atingindo seu focinho, deixando-a furiosa. O jovem não sabia como lutaria com tal criatura, mas não deixaria que ela atacasse sua salvadora, olhou a seu redor rapidamente e viu a lança da jovem a alguns passos a sua frente, a fera partiu em uma investida na direção de Alden com enorme fúria e sem pensar ele também correu em sua direção.

Neste momento fatídico a jovem que estava semi acordada assistiu toda a cena, um estranho que a momentos atrás estava correndo aterrorizado pela floresta agora se lançava frente a um enorme animal sem temer o que aconteceria. Quando estavam tão próximos que a fera poderia arrancar sua cabeça com suas enormes garras, Alden se lançou ao chão desviando do golpe da fera, agarrou a lança e com todas as suas forças atingiu a fera transpassando sua cabeça com a lança. O jovem já não possuía forças para se manter em pé, após a investida caiu de joelhos e por pouco não foi soterrado pelo peso da fera que matara, não lhe restavam mais forças para manter a consciência, antes de desmaiar olhou mais uma vez para a jovem que também estava caída logo a frente e ao fechar os olhos manteve sua imagem em seus pensamentos.

.....

Acordou assustado lembrando-se do rugido da fera e do desespero da fuga, ao acordar viu que estava dentro de uma tenda de palha de construção simples e se acalmou, sentia que seu corpo já não estava tão pesado quanto antes, mas ainda não conseguia se levantar por causa das dores. Dentre todas as suas queixas a que mais lhe incomodava era sua fome, não comera nada desde quando saiu para coletar pedras. Por sorte ao seu lado havia um vasilhame de barro com frutas e também uma jarra com água, não demorou muito para o vasilhame esvaziar de tamanha fome que o jovem tinha, ainda cansado, mas de barriga cheia, encostou sua cabeça em um monte de palhas, que servia de travesseiro, não demorou muito para cair novamente em um sono profundo.

Alden foi acordado forçadamente por um garoto, que possuía as mesmas características da “jovem matadora de feras”, mas não conseguia entender o que falava, suas palavras eram embaralhadas e com uma cadencia diferente, com sorte o garoto explicou com mímica que era para segui-lo. Ao sair de sua tenda sentiu-se um verdadeiro estranho, todos da aldeia possuíam as mesmas características da jovem que o encantara ele era o único diferente, foi seguindo o garoto, mas não conseguia prestar atenção no caminho, olhava para todos os lados e ao mesmo tempo, na verdade não sabia para onde olhar, quando percebeu tinha chagado a uma tenda que o garoto indicou que entrasse, Alden ficou receoso, mas com um puxão acabou entrando cambaleante para dentro da tenda.

Ao entrar logo a sua frente estava um senhor idoso sentado confortavelmente sobre um monte de palhas coberto por um tipo de tecido, ele aparentava ser o ancião desta aldeia e trajava uma roupa de peles que lembrava a uma das feras que o atacara na floresta, ao lado esquerdo do velho estava um jovem carrancudo de braços cruzados que parecia não simpatizar muito com a situação, o garoto que serviu de guia apontou para Alden um local sentar-se, bem em frente aos dois. Desconfortável com o ambiente e ainda receoso com o que estava acontecendo ele sentou-se, o ancião desferiu algumas palavras e permaneceu esperando uma resposta, mas Alden não tinha entendido e logo respondeu:

– Desculpe não consigo entender o que você esta falando.

O ancião levantou as sobrancelhas com ar de espanto e respondeu:

– Você é da tribo do topo da montanha?

– Acho que posso responder que sim... Eu moro no alto do precipício de onde grande rio nasce.

– Bom vou refazer a pergunta... Meu nome é Kílac, sou o ancião e líder desta tribo, gostaria de saber seu nome?

– Meu nome é Alden, muito prazer.

– Alden... Explique como você veio parar tão longe?

Então Alden contou sua história, todos os detalhes que lembrava até o momento em que se lançou contra a fera que ameaçava sua vida e da uma jovem que encontrara, enquanto contava a história o velho que antes estava com um aspecto apático e sem muito interesse levantou suas sobrancelhas e prestava atenção em cada palavra que era pronunciava, quando então a história foi terminada com:

– Então acordei em uma tenda com um garotinho me cutucando e por fim me trouxe aqui.

– Muito interessante, fico triste pelo seu acidente, seus pais devem achar que não sobreviveu a queda já é um local tão perigoso.

– Sim, muitas vezes me avisaram que se alguém caísse no precipício não conseguiria voltar mais.

– Vou fazer o possível para te explicar, mas sua situação não é muito boa e você não tem muitas opções.

Kilac começou a explicação sobre onde estavam, era uma aldeia muito ao sul onde as florestas verdes terminavam, primeiramente desenhou no chão a aldeia de Alden, como se soubesse cada detalhe de tudo por ali, depois desenhou o grande rio, que possuía varias bifurcações e passavam por montanhas, florestas, vales e muitos outros lugares. Por fim desenhou o lago no qual ele desembarcou e a floresta na qual as feras o atacaram, em cada ponto o velho indicava a distancia com dias de caminhada, o que fez Alden quase desistir de continuar escutando, assim que terminou o desenho do mapa perguntou:

– Você pretende fazer o caminho de volta?

– Eu preciso voltar para minha aldeia, não sei quanto tempo vai demorar nem o que vou encontrar pela frente, mas não posso deixar todos preocupados comigo alias...

Kilac interrompeu a falação constante de Alden:

– Hummm... Devo dizer que você não conseguira voltar pelo mesmo caminho em que veio refazer todo o caminho é muito perigoso, alem daquelas feras que você encontrou no inicio da floresta existem outras muito piores. Posso pensar em um jeito de você voltar, mas será preciso uma colaboração da sua parte.

– Espera... Feras... É mesmo... Havia uma jovem no mesmo local que foi atacada por uma daquelas feras, como ela esta?

– Huhuhu... Não se preocupe Iva é uma grande caçadora, não morreria por tão pouco, logo após você matar a fera alguns jovens caçadores que estavam seguindo os rastros encontraram vocês dois caídos e os trouxeram para cá.

– Nossa... Que bom que ela esta bem. – disse Alden com um sorriso.

– Por quê? – Disse Kilac com um ar de interesse.

– Fiquei preocupado que algo acontecesse com ela.

Kilac observou a expressão que Alden fez ao pronunciar tais palavras, ele estava realmente preocupado com o bem estar de sua neta.

– Mas o que ela estava fazendo naquela floresta? — Alden perguntou.

– As feras que você viu na verdade vivem nas montanhas muito acima do local onde te encontraram, antes elas não desciam até aqui, mas de uns tempos para cá elas estão tentando ocupar a floresta, mas estão causando grandes danos em nossa tribo, minha neta estava fazendo uma ronda com um grupo de caçadores quando avistou as feras.

– Neta!... Errr... Ainda bem que ela estava lá não é?

Sem saber o porquê Alden ficou envergonhado, Kilac deu uma gargalhada deixando o jovem sem jeito, era obvio que ele nutria algum sentimento por ela, mas ainda não admitia isso, assim Kilac continuou a conversa:

– Na verdade você não foi salvo por Iva, a missão dela era caçar as feras e ela não costuma desviar de seus objetivos, salva-lo foi apenas um acidente de percurso.

– Que sorte a minha! Eu não sou um guerreiro nem um caçador por pouco não tive a cabeça arrancada.

– Bom... Eu costumo dizer que a sorte faz parte da habilidade e você deve ter muita por sobreviver a tantos problemas.

Agora Alden é que estava gargalhando, era verdade que sobrevivera a inúmeros perigos até ali e na maioria não tinha idéia do que fazer, já que se continuava vivo depois de tudo o que acontecera considerou a possibilidade de conseguir voltar a sua aldeia. O jovem que estava ao lado de Kilac levantou-se mais mal humorado do que já estava e saiu da tenda, mas nem foi percebido, pois a conversa entre os dois ficava cada vez mais animada, eles conversaram sobre as diferenças entre as aldeias, como exemplo, a de Alden tinha como base a agricultura e pesca já a de Kilac a caça, e vários outros pontos que tomaram todo seu dia. Chegou à noite e Alden estava pronto a se recolher a sua tenda quando Kilac se levantou e o convidou a assistir a um antigo costume, ao sair da tenda viu uma imensa fogueira acesa e vários aldeões em volta entoando um cântico festivo, um pouco a frente deles havia vários outros dançando de uma forma que seus corpos moviam-se num balançar serpenteado, em meio a multidão dançante surgiu uma pessoa segurando algo em suas mãos, após um grito conjunto toda a dança e musica parou, a pessoa começou a aproximar-se e foi reconhecida pelo jovem, era Iva, ela estava com uma das garras da fera que ele matou. Ele admirou cada passo que foi dado em sua direção, era como se o tempo passasse mais devagar naquele pequeno instante em que ela caminhava, aos seus olhos era a mulher mais linda que já tinha visto. Ao aproximar-se de Alden, Iva ajoelhou-se estendendo suas mãos, oferecendo-lhe a garra, ele hesitou por um momento, mas olhou para Kilac que balançou a cabeça com um sorriso afirmando que aceitasse o presente oferecido, ele pegou a garra e a levantou sobre a cabeça mostrando a todos seu presente, um urro estrondoso foi dado pelos os aldeões como se respondendo o movimento feito pelo jovem, Kilac aproximou-se e disse:

– De agora em diante Iva o acompanhara em sua jornada, eu ensinei tudo sobre essas terras a ela, com ela como guia chegarão seguros em sua aldeia. Você aceita que ela vá com você?

– Claro, será ótimo!

Kilac traduziu para sua aldeia o que tinha acordado com o jovem, após ouvir as palavras os aldeões voltaram a dançar e cantar mais freneticamente que antes, Alden foi puxado para próximo da fogueira sendo saldado por todos, ele não fazia idéia do estava acontecendo, apenas via sorrisos, danças e musica por toda a parte como uma celebração comum. Tudo estava bem até que um grito esbravejado ser ouvido, era o jovem que estava na tenda com Alden e Kilac, em instantes toda aquela folia acabara e o silencio pairou naquele lugar, o jovem se aproximou apontando para Alden e repetindo varias palavras que ele nem imaginava o que poderiam significar. Kilac retrucou dizendo algo em seu dialeto, como se repreendesse o rapaz, mas de nada adiantou, ele continuava a esbravejar como se não estivesse contente como que estava acontecendo. Alden, que assistia confuso a cena, foi em direção a Kilac e perguntou:

– O que esta acontecendo? Porque ele esta com tanta raiva?

– Você aceitou a garra que Iva te entregou, em nossa tribo isto é um sinal de respeito e aceitação, agora ela o seguirá para onde você for, mas Ikaku não aceita que eu entregue Iva a um desconhecido.

– Mas porque não? Que problema há nisso?

– Ele não aceita porque não quer que Iva fique com um estranho, na verdade ele quer Iva como esposa, mas agora ela será sua companheira.

– Companheira, você quer dizer casamento?

– Isso mesmo, por esta razão que ela te entregou a garra... E você já aceitou não se lembra?

Antes de Alden fazer qualquer pergunta Ikaku começou a gritar:

– Sarabak Unthos Alden... Humpuku... HUMPUKU!

Em instantes a expressão de todos que ali estavam mudou, muitos murmúrios foram ouvidos e Alden mais confuso que nunca perguntou para Kilac o que aquilo significava, então ele disse:

– “Desafio Alden para um duelo, ao ‘Desafio de Honra’!”. Ele quer disputar com você quem ficara com Iva.

Notas finais
Casamento, disputas como será que ele voltará para casa?