Os Caçadores: A Última Guerra
48 Faaram
Notas iniciais
Parte 1: Lillian Vs. Jin
Estava ventando muito naquela divisa de floresta e deserto. A Lua iluminava Hermoni por completo, mas em especial aquele lugar. A ventania jogava longe os cabelos de Lilly, que estava encarando Jin como um leão perseguindo sua presa. Já Jin, estava tranquila como um uma aranha planejando onde fazer sua escultura simétrica de teia.
— Vocês não deveriam ter vindo até aqui. Eu tenho certeza de que sairão mortos. Todos vocês. – comentou Jin, alisando uma faca totalmente de prata com aproximadamente dez centímetros de tamanho, que refletia a luz da lua. – Eu sei o que vocês estão fazendo aqui, mas posso te garantir que magos poderosos tentarão impedir vocês. Sua guilda vai perceber isso quando Natallius chegar de viagem. Ele é um mago surpreendente.
Sempre ajeitando sua espada na posição correta, ao mesmo tempo pronta para defender e/ou atacar, Lilly não estava nem um pouco com medo. Entretanto, ao ouvir o nome “Natallius” seu corpo estremeceu diante um poder que nem estava perto. Ela pode sentir de longe a magia desse tal e isso sim a deixou em estado de pavor. Vendo que seria desnecessário sua espada, ela a colocou sobre o suporte por dentro de sua roupa – nas costas. Tocou na areia que estava sob seus pés e seu corpo todo a materializou.
— Eu vou imobilizar você e depois ajudar meu amigo. Não tenho tempo para conversa. – disse Lilly, fazendo com que aquela areia toda tomasse vida. Em instantes, ela conseguiu criar uma prisão de areia com enormes grades e até uma parte sólida em cima como se fosse um teto. Jin tocou na areia e viu o quão complexo é a magia de Lilly, mas mesmo assim permaneceu no mesmo estado de espírito, atravessando aquelas grades como se não existisse nada ali.
— Eu consigo atravessar qualquer coisa. Criar uma simples prisão não vai te fazer mais efetiva contra mim. Se apenas isso for o seu poder... sinto te dizer, mas você estará perdida. Agora vou pegar você pelo pescoço e picotar sua garganta com a minha lâmina. Essa faquinha é pequena, mas faz milagres. Falando em milagre... milagre mesmo vai ser você sair viva daqui. – provocou Jin, correndo rapidamente em direção de Lilly. Quando chegou perto o suficiente, tentou atingir a garganta da inimiga, mas como Lilly estava com o corpo feito de areia, apenas grãos voaram longe.
Criando uma enorme mão de areia fechada, Lilly socou Jin longe. Jin foi “quicando” areia a frente. Ela se levantou e arremessou sua faquinha, mas do mesmo jeito que ela não foi o suficiente para cortar também não foi para furar. Atravessou o corpo de Lilly como uma mão que deixa a areia escorrer. Jin percebeu, assim que puxou a sua faquinha de volta com uma linha de Chi ligando seu dedo indicador ao objeto, que tal movimento seria inútil caso fosse repetido. Ela se viu na obrigação de mudar a estratégia. Foi o que ela fez. Como tinha grande habilidade em moldar o Chi, fazendo com que ele deixasse seu corpo menos denso e opaco para poder atravessar as coisas, um enorme bastão foi criado. Um bastão de Chi azul. Sem mais, nem menos, ela começou a girar ele rapidamente, também utilizando Chi para ampliar a velocidade da rotação. Uma tremenda ventania começou a fazer com que o corpo de areia de Lilly se desfizesse. Sem outra alternativa, já que a ventania estava muito forte e seu corpo leve por conta da areia, ela se “desmaterializou” e voltou a ser de carne e osso. O bastão de Chi foi desfeito.
— Toda vez que você virar areia, eu irei fazer isso. E mesmo se você fizer e quiser me acertar, você atravessará meu corpo assim como minha lâmina atravessou duplamente o seu. Naquela hora você só me acertou por sorte. Eu não tinha pensado em desviar ou deixar o seu soco me atravessar. Vai ser uma batalha de tempo infinito e vamos ficar em um loop repetitivo. Você vai ter que ser bem mais criativa para poder me derrotar. Ou senão você pode desistir. Eu levo você e seu amigo para a minha patroa e a gente vê no que dá. Quem sabe você não sai viva dessa história toda.
— Não. Eu não vou me render. Não sou desse tipo e eu acho que você está com razão no sentido da “batalha infinita”, “loop repetitivo” ou sei lá o que. Realmente se ficarmos nessa de atravessar as coisas nossa luta nunca vai terminar. Pode deixar. Eu tenho cartas na manga. – concordou Lilly, correndo em direção à algumas pedrinhas que estavam ali no chão. Seu corpo agora virou puramente pedra assim que ela tocou nas. Com isso ela sentiu que estava absurdamente forte, mas mais lenta do que o normal. Correu em direção à Jin e tentou um soco, mas seu punho atravessou seu peito.
— Você se esqueceu de um detalhe que acabamos de discutir agora: eu consigo atravessar as coisas e as coisas podem me atravessar caso eu queira. Você nunca vai me atingir. Como eu disse, você vai precisar de criatividade. – corrigiu Jin, dando um salto mortal para “sair de dentro” do braço de Lilly. Assim que posou atrás dela, Jin pegou sua faquinha e com uma porção de Chi na ponta para deixar ela mais afiada, fez vários cortes nas costas e na parte de trás das pernas de Lilly. Como consequência, Lilly caiu com tudo e uma nuvem de areia subiu por conta do peso de seu corpo de pedra. Jin se distanciou.
— Realmente eu vou ter que ser mais criativa... nem que isso custe a minha vida... – comentou baixinho Lilly, tentando se levantar. Estava com seu corpo de carne e osso. A sua inimiga estava bem distante, assustadoramente tranquila. Estava ciente de que qualquer golpe de Lilly não a acertaria de jeito nenhum. Quando disse que a criatividade custaria sua vida, ela não exagerou. Em seu pescoço sempre teve um colar. Um colar não muito usado. Um colar que permite a invocação de chaves, onde cada chave tem uma função mágica diferente. Um poder diferente. Entretanto, o uso desse colar (que na verdade era um amuleto com uma cordinha que formava um colar), dessas chaves, enfim; tem um preço. Ou um uso exagerado de magia ou dependendo do poder mágico da chave... sua própria vida. – Forest Jewel: Material Change Key.
O corpo de Lillian começou a jorrar Chi Negro para todo lado. Seu poder mágico saia e entrava em sua mão que estava estendida, por fim formando a Chave da Mudança Material. Tal chave permitia que o usuário (no caso usuária) mudasse a matéria de qualquer coisa existente no universo. Lillian, com a chave na mão e cansaço no corpo, se aproximou de Jin (que não ficou nem um pouco assustada com o que viu) e parou diante dela. Como tinha areia em seus sapatos, Lilly deixou seu corpo novamente no estado de areia e criando um braço gigante pegou Jin pelo pescoço e levantou ela no alto.
— O que está acontecendo? Porque a minha magia não funcionou??! Me solta sua filha da... socorro... – Jin teve a matéria de seu corpo apenas “ajustada” pelo poder da chave, que não precisava de muito esforço do usuário para utilizar. O corpo de Jin estava opaco e com pouca densidade. Lilly apenas reverteu isso, deixando o corpo dela mais denso, assim “anulando” a magia. – Você... O que você está fazendo? Como conseguiu?
— Não te interessa. Antes de acabar com você quero te dizer algumas coisas. Primeiro: não subestime a criatividade das pessoas. Segundo: nós, caçadores, viemos atrás de uma pessoa importante, muito importante, para um dos nossos, que também é relevante para gente. Então a nossa motivação é bem maior do que o poder de qualquer mago do seu bando. Terceiro: não tem terceiro. Morra.
Lilly quebrou o pescoço de Jin com o seu braço de areia. Depois ela começou a girar o braço e assim que pegou impulso, o corpo de Jin foi arremessado longe, saindo fora de vista. A areia de seu corpo deixou a pele aparecer e seu corpo voltou ao normal. A chave desapareceu aos poucos e seus olhos começaram a fechar lentamente. Lilly atravessou a divisa da floresta com a praia, chamada de Linha de Hermoni, e se encolheu perto de uma árvore que a deixou bem escondida. Seus olhos fecharam por completo e Lillian adormeceu.
Natallius surgiu, então. Ficou encarando ela, sem saber o que fazer, mas tinha assistido a luta. O que explicou o fato de Lilly ter sentido sua magia após ouvir seu nome. O que ele iria fazer com Lilly? Ele estava diante a inimiga e ela, por sorte dele, estava desmaiada. Não sei. Cenas dos próximos capítulos.
...
Parte 2: Faaram Vs. Kozaki e Evren
A luta de Faaram já tinha começado antes mesmo da de Lilly. Ele já estava todo espancado e seu corpo não aguentava mais tanto golpe. Mesmo com a sua absurda e efetiva velocidade, ele estava quase na mesma situação de Lilly em relação à Kozaki, que tinha uma armadura invisível em seu corpo. Todo golpe deferido contra ele não valia de nada. Já Evren, com sua super força, sempre atacava Jin quando ele estava ocupado com o outro. Uma grande injustiça mista de covardia por conta de ser dois contra um.
— Você é muito fraco, cara. Não está tendo muita graça. Na verdade, graça nenhuma. Fraco. Inútil. Tolo. – reclamou Kozaki, sentando-se um pouco. Ele olhou para Evren e fez um sinal com a mão tipo “pode ir, eu espero aqui sentado”. – Pode ir. Eu espero aqui sentado. Quando você terminar a gente vai embora. Cansei de bater nesse moleque. – Kozaki colocou os pés sobre uma pedra que tinha sobre a areia. Eles também estavam próximos a Linha de Hermoni, só que na parte de dentro da floresta e bem distante de Lilly, que estava inconsciente.
— Pode deixar comigo, “Koza”. Eu vou terminar essa luta rapidamente. Vou jogar toda a minha força nessa luta. Não... – ela parou para pensar, colocando a mão no queixo. – Se eu fizer isso posso dividir essa floresta ao meio. Eu tenho que dosar a minha força. Afinal, ele é fraco mesmo.
Faaram estava ofegante. A sua adaga estava toda desgastada, mas sem sangue nela. Não tinha conseguido atingir um golpe sequer em nenhum dos dois. Quase sem esperança, Faaram juntou as mãos sobre a adaga e a fincou na terra rodeada de plantas. A floresta era densa e a adaga logo seria ignorada diante tantos detalhes. Faaram deixou de usar a adaga para usar apenas magia. Mesmo embaixo de inúmeras árvores enormes, inúmeros galhos com grandes folhas, a luz da lua atingia a sua pele. Isso que estava deixando ele de pé. Caso contrário teria perdido há muito tempo aquela cansativa briga.
— Vocês falam demais. Esse é o vosso problema. Até a Lua me disse que não aguenta mais ouvir a voz de vocês. E sabe mais o que ela me disse? Que eu vou sair vitorioso hoje. Sabe porquê? Ela me permitiu usar seu poder. É... isso mesmo... a Lua me emprestou seu poder mágico. Agora eu vou acabar com vocês dois. Em um piscar de olhos. – disse Jin, se teleportando atrás de Evren, que só percebeu depois de ter sido arremessada floresta a longe, deixando parte de seu corpo para trás. Mutilações forçadas por conta de trombar em galhos pontudos e com bastante força nas árvores, também.
— Caramba... O que foi isso? Que velocidade é essa? Você mudou de uma forma para outra. Será que a Lua te deu poder realmente? — Kozaki engoliu seco. A sua parceira de guilda morreu brutalmente em um piscar de olhos. Ele não acreditou que pela segunda vez Faaram fez isso. Primeiro com Clodoof e depois com Evren. Sobrou para ele tentar alguma coisa contra Faaram.
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