Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira
30 Capítulo 30 – Éolos desperta! O terrível poder do Deus dos Ventos
Notas iniciais
A armadura de Triângulo é restaurada e trás de volta a ilha flutuante Eólia, onde se encontrava descansando o corpo do deus dos Ventos Éolos. Shee e os outros são abordados por Alrisha de Peixes que havia traído o santuário e raptado o Grande Mestre. Alrisha demonstra uma vantagem grandiosa diante do cavaleiro de bronze e seus colegas de prata, mas Jaga de Órion junta-se a eles e pouco depois quem aparece para ajudar é Hamal de Áries. Feridos e perto da morte, os cavaleiros fogem do jardim e se recuperam com a ajuda do jovem Botein, assistente de Caeli, o atual reparador de armaduras. Por fim, eles finalmente alcançam Bóreas, porém, já era tarde demais...
O céu se escurece chamando a atenção de todos na ilha. Trovões caem iluminando em flashes a casa do grande deus dos ventos. Os olhos de Éolos se abrem enfim, brilhando em um tom rubro intenso. O deus se levanta ainda atordoado por tanto tempo em sono profundo. Ele olha em volta reconhecendo o local e então volta seu olhar para Bóreas, como que tentando reconhecer o homem à sua frente.
– Meu pai. – diz o vento norte se curvando diante do deus – O senhor deve estar um tanto perdido nesse momento, acredito eu. Sou eu, seu filho Bóreas.
– Hm? – diz ele reconhecendo aquele nome – Bóreas... É você?
– Sim, meu pai, infelizmente tive de reencarnar neste corpo mundano após o ocorrido. – explicava ele.
– Após o ocorrido? – Éolos parecia não se lembrar direito, ele leva a mão à cabeça, ainda sentado na cama de mármore – O... O que houve mesmo? – dizia ele tentando puxar pela memória.
– O senhor não se lembra? Por termos nos aliado a Poseidon durante a última guerra santa marítima e nos voltado contra os mortais, fomos todos aprisionados em safiras e banidos junto com nossa ilha para outro mundo, tudo por culpa do exército de Atena.
– Oh... É mesmo... Estou me lembrando disso. – Éolos finalmente se levanta da cama de mármore e para diante de seu filho – Bóreas, me diga, fomos perdoados pela Deusa da Justiça e da Guerra?
Bóreas não diz nada, apenas nega com a cabeça e com uma feição de lamento por ter de dar aquela notícia. Ele então volta o olhar para seu pai.
– Infelizmente, Atena ainda insiste em nos negar absolvição, meu pai. – ele então aponta sua mão esquerda para os cavaleiros atrás dele sem tirar os olhos de Éolos – Ela inclusive mandou seus cavaleiros de prata para tentar nos impedir que lhe trouxéssemos de volta a vida.
– Compreendo. – diz o deus dos ventos olhando brevemente para os cavaleiros, como se a presença deles não fossem nada – E seus irmãos?
– Foram derrotados na tentativa de lhe proteger, infelizmente. Sobrevivemos apenas eu e Zéfiros.
– Meu filho, — Éolos levanta Bóreas o olhando de forma serena e complacente e então o encara diretamente nos olhos – Obrigado, obrigado por tudo, por tua devoção a teu pai.
– Meu pai, permita-me lhe servir mais uma vez, derrotando esses tolos cavaleiros de Atena! – dizia Bóreas se virando para Shee e os outros com um sorriso maligno no rosto.
– Oh... Servir a mim, claro... – diz Éolos em um tom malicioso e mudando sua feição para uma totalmente diferente da vista até então. De um deus aparentemente piedoso e bom, que ama seus filhos, ele mudara completamente para algo que os cavaleiros só podiam comparar ao próprio Hades – Mas não assim!
– O quê...?!
Bóreas se vira para o pai e é perfurado em seu coração no mesmo instante. Os cavaleiros podiam ver a mão do deus atravessada e segurando o coração do vento norte, dando suas últimas batidas. O deus dos ventos então puxa sua mão e atravessa o corpo de Bóreas novamente. O semideus olhava perplexo.
– Meu pai... – dizia ele sem sentir nada, nem mesmo dor apenas chorando e olhando para Éolos – Porquê? Eu sempre fui seu... – ele tentava conter o sangue que queria sair de sua boca e que agora escorria pelos cantos assim como escorria de seus olhos se misturando às lágrimas – Seu mais fiel guerreiro! Seu... Filho...
Com essas palavras, o vento norte cai nos braços de seu pai que volta ao olhar sereno e pacífico de antes. Como um pai cheio de compaixão e paz ele deita o corpo do filho.
– Descanse agora, Bóreas. Dê-me a força de que preciso.
Éolos então começa a sugar o ar em volta do filho que começa a se desfazer e se misturar se tornando um vento brilhante de cosmo que entra pela boca do deus dos ventos. Os cavaleiros olhavam aquilo perplexos. Uma vontade súbita de vomitar toma conta de Shee que se segura para não fazê-lo.
– Monstro... – diz Altair em voz baixa aumentando gradativamente em seguida – VOCÊ É UM MONSTRO!!!
– Hm? – Éolos se vira para eles – Ah sim, os grandes cavaleiros de Atena! Que bom que estão aqui para presenciar a minha ascensão.
– Ele era o seu filho! – interrompe Shee – Como pôde fazer isso?!
– Sentimentos como esse são coisas de meros mortais como vocês. Eu sou um deus.
– Um deus? – dizia Maya indignado – Você se considera mesmo um deus?
– E o que você diria que eu sou? Sinta o meu cosmo, sinta a minha grandeza!
– Você quer saber o que eu diria que você é? – dizia Maya com raiva – Pra mim você é o próprio demônio!
– Eu já conheci o próprio demônio, tenho de lhe dizer... – Éolos some dali e então aparece bem na frente de Maya — ...Ele não chega aos meus pés!
O deus dos ventos dá um soco no estômago do cavaleiro de Sagitta que cospe uma grande quantidade de sangue e se encolhe ao chão sentindo dor. Naquele mesmo instante, Kraisto parte pra cima do vilão.
– Tempestade Congelante! – dizia o cavaleiro lançando sua técnica.
Jardim de Flores — Eólia
– Rosas Piranhas! – diz Alrisha cortando os fios de cosmo criados por Hamal e se soltando enfim.
O cavaleiro de Peixes lança seu cosmo dourado contra o de Áries que faz o mesmo. Os cosmos se chocam e ambos iniciam uma competição de energia e resistência.
– Porque não desiste de uma vez, Hamal? Essa luta sem fim não faz sentido algum! Nosso nível de poder é o mesmo, ficaremos assim eternamente!
– Se é a eternidade que preciso para proteger os outros e manter a paz nesse mundo, que assim seja!
– Tolo! Não vê que já é tarde? Por acaso não notou essa escuridão, a presença do deus dos ventos?
– Isso não importa! Um cavaleiro de Atena jamais desiste, você deveria saber disso!
Os dois intensificam ainda mais os seus cosmos ao ponto de quase não aguentarem mais, eles mal conseguiam ficar em pé agora. Hamal fazia uma força enorme para fixar seus pés ao chão enquanto que Alrisha bufava de cansaço. Ambos suavam muito.
– Impressão minha ou você mal se aguenta em pé? – provocava o cavaleiro de Peixes – Você deve sentir seus braços pesados e sua respiração um tanto quanto difícil agora...
– É... – dizia Hamal num tom de raiva e incômodo – Você não me parece muito diferente disso, seu baiacu fedido!
– Baiacú fedido? Quantos anos você tem, 5? Isso não importa... – Alrisha tomava um tom de superioridade e mudava o assunto – Você não percebeu, não é mesmo?
– Perceber...? – Ao ouvir aquilo, Hamal notava no ar uma pequena coloração avermelhada com pequenas pétalas de mesma tonalidade – Alrisha, seu traidor desgraçado...!
– Hahahaha, finalmente notou! – ria o cavaleiro de peixes – Eu misturei minha Névoa Sangrenta com minhas Rosas Diabólicas Mortais para desenvolver essa nova técnica... Você pode chama-la de Névoa das Rosas Sangrentas Reais, se preferir.
– Névoa... Das Rosas Sangrentas... Reais?
– As pétalas das Rosas Diabólicas ferem seu corpo mortalmente enquanto você respira a minha Névoa sangrenta, acelerando o efeito das rosas. Você já deve estar sentindo a garganta se fechar, aos poucos você perderá os sentidos.
Alrisha estava certo, Hamal não conseguia mais falar, sua garganta parecia fazer uma pressão enorme sempre que tentava e ele começava a sentir fraqueza e uma vontade enorme de desmaiar, porém, sua força de vontade o mantinha de pé. Os olhos do cavaleiro se fecham, mas o cosmo continuava a emanar dele.
– Hamal... – dizia Alrisha impressionado – Mesmo inconsciente você continua a resistir bravamente? Sua força de vontade e fé no santuário são realmente surpreendentes!
Lágrimas escorriam dos olhos de Alrisha. Apesar de lutar contra, ele e Hamal sempre foram amigos, desde a infância e vê-lo chegar àquele extremo contra o amigo lhe doía o peito e causava aflição. Naquele mesmo instante, um feixe de luz atingia o cavaleiro de peixe pelas costas o fazendo cuspir sangue e cair enquanto tentava se virar para ver quem era. O cavaleiro de peixes se choca contra o chão olhando para cima.
– T-Tudo o que eu queria era proteger a todos do meu carma... Nada mais...
O céu negro a sua frente era ocupado pelo rosto de Deneb que sorria.
– Toma... – diz o cavaleiro de Capricórnio colocando uma balinha no peito do cavaleiro de ouro traidor – Para que você sare logo...
O cavaleiro sorria o tempo todo e então ele é chamado a atenção por Shaula que estava mais a frente tentando carregar Hamal.
– Ei! Pare com essa sua esquisitice e me ajude a carrega-lo aqui.
– Mas e quanto ao Peixes? – indagava Deneb com seu sorriso estranho na cara.
– Pode deixar comigo – dizia uma voz vinda de trás que logo se revelara sendo a de Atla – eu levo Alrisha nos ombros.
– Ok, grandão!
Deneb entrega uma balinha pra Atla que, sem graça, aceita e se abaixa para pegar Alrisha que desmaiara. Em seguida, Deneb se aproxima de Shaula e o ajuda que começa a chamar a atenção do estranho colega. Eles então partem dali com a ajuda do poder de Atla.
Túmulo de Éolos — Eólia
Kraisto caía no chão derrotado. Ele tenta se levantar, mas parecia não ter forças contra o novo oponente.
– Kraisto! – grita Ian se aproximando do amigo.
– Q-Que poder terrível! – diz Kraisto segurando o braço do cavaleiro de escudo – Ian, meu golpe mal surtiu efeito nele... O que vamos fazer?
Shee corria na direção do inimigo, mas Ian o detém.
– O que está fazendo? – dizia o garoto indignado por ter sido impedido.
– Aguarde aqui, eu vou ataca-lo agora. Ninguém faz isso com um amigo, nem mesmo... – Ian era atingido de surpresa pelo deus dos ventos que ria sadicamente. O cavaleiro de prata se choca contra uma parede caindo completamente machucado.
– Hahahahaha – dizia Éolos olhando para suas mãos – Meu poder está quase todo recuperado! HahaHahahaha
– Está dizendo que esse não é todo seu poder? – dizia Shee espantado – Ele derrotou 3 cavaleiros de prata...
Shee caminhava para trás, com muito medo até esbarrar em Jaga.
– Jaga... O quê...?
Jaga segura o braço do rapaz e então o entrega a Altair.
– Tire o garoto daqui. – dizia Jaga – Ele ainda não está preparado para isso.
– O que? – diz o cavaleiro de Águia – Mas, Jaga, o que você vai...?
– Faça logo o que estou dizendo! Protegermos uns aos outros também é função dos cavaleiros, proteja o garoto, tire-o daqui.
– Não! – gritava Shee desesperado enquanto Jaga ia para cima do deus maligno – Por favor, Jaga!!!
No entanto, Zéfiros surge diante deles e ataca o cavaleiro de Órion. Os dois se encaram.
– Eu lhe falei para não vir ajudar seus amigos, não falei? – dizia Zéfiros – Porque não me ouviu, Órion? Você poderia ter sobrevivido para viver no novo mundo.
– Me desculpe, mas não é do feitio de um cavaleiro de Atena se acovardar e fugir deixando seus companheiros para trás...
– Essa sua lealdade a essa sua deusa idiota e aos seus amigos não passa de uma tolice! Você só vai conseguir cair nos braços da morte mais cedo! Essa é a sua última chance, Órion! Fuja daqui!
– Jamais! – insistia Jaga – Nem que pra isso eu tenha de enfrentar a você e a seu pai juntos!
– Muito bem, vejo que está decidido a morrer. – Zéfiros se vira para o pai e então o ataca – Melodia Alada!
Com as asas em sua Padparadja, Zéfiros cria um campo de proteção com o som emitido delas, impedindo que seu pai se aproximasse dos cavaleiros. Jaga fica surpreso e confuso com aquilo.
– Zéfiros! Meu filho! – dizia Éolos – Você ousa trair seu próprio pai?!
– E o senhor?! Por um acaso não traiu Bóreas, seu próprio filho? De todos nós, Bóreas era o que mais desejava lhe trazer de volta e para quê? Para que o senhor se livrasse dele como se não houvesse importância alguma?
Os olhos de Zéfiros se enchiam de lágrimas, Jaga notava uma mistura de lamento com ódio vindo do vento oeste. Pela primeira vez, Jaga conseguia enxergar um sentimento de amor puro vindo daquele que até pouco tempo era seu inimigo. Zéfiros olha de canto para Jaga.
– Órion, o que ainda faz aqui? Vamos! Pegue seus companheiros e saia daqui de uma vez!
– Zéfiros, não me diga que... – dizia o cavaleiro lendário de prata percebendo o plano do semideus.
– Eu não conseguirei segurá-lo por muito mais tempo!
Entendendo a vontade do semideus, Jaga faz o que ele manda. O cavaleiro se vira para Shee e Altair e pede a ajuda dos dois para levar os seus amigos caídos de lá. Eles fogem para fora do túmulo.
– Zéfiros, você sempre foi o mais tolo dos meus filhos. – dizia Éolos perfurando o corpo do semideus em seguida.
O vento oeste grita tão alto que Jaga e os outros conseguiam ouvir, fazendo o cavaleiro de Órion lamentar muito por dentro.
– Zéfiros, você traiu o amor que tinha por seu pai para nos proteger, para salvar o reino de Atena, você sim, foi um verdadeiro deus. Isso não terá sido em vão, eu prometo! – pensava Jaga enquanto corria com os outros.
O túmulo começava a desmoronar em cima deles. Os cavaleiros correm o mais rápido que podiam até conseguirem sair e então, eles se deparam com 5 cavaleiros de ouro e Shion que estava desmaiado nos braços de Castor de Gêmeos.
Continua...
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