Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira
31 Capítulo 31 – Tranquem a Ilha Flutuante! O Poder do Seikishiki!
Notas iniciais
Os cavaleiros fogem do jardim de flores da Ilha Flutuante Eólia já perto da morte e se recuperam com a ajuda do jovem Botein, assistente de Caeli, o atual reparador de armaduras. Eles finalmente alcançam Bóreas, mas o vento norte consegue reviver seu pai, o deus supremo dos ventos: Éolos. O deus se mostra um ser terrível e repleto de maldade após matar a sangue frio e absorver o cosmo de Bóreas. Quando o deus se caminha para os guerreiros da justiça, eles são salvos por Zéfiros, o vento oeste.
– Órion, o que ainda faz aqui? Vamos! Pegue seus companheiros e saia daqui de uma vez!
– Zéfiros, não me diga que... – dizia o cavaleiro lendário de prata percebendo o plano do semideus.
– Eu não conseguirei segurá-lo por muito mais tempo!
Entendendo a vontade do semideus, Jaga faz o que ele manda. O cavaleiro se vira para Shee e Altair e pede a ajuda dos dois para levar os seus amigos caídos de lá. Eles fogem para fora do túmulo.
– Zéfiros, você sempre foi o mais tolo dos meus filhos. – dizia Éolos perfurando o corpo do semideus em seguida.
O vento oeste grita tão alto que Jaga e os outros conseguiam ouvir, fazendo o cavaleiro de Órion lamentar muito por dentro.
– Zéfiros, você traiu o amor que tinha por seu pai para nos proteger, para salvar o reino de Atena, você sim, foi um verdadeiro deus. Isso não terá sido em vão, eu prometo! – pensava Jaga enquanto corria com os outros.
O túmulo começava a desmoronar em cima deles. Os cavaleiros correm o mais rápido que podiam até conseguirem sair e então, eles se deparam com 5 cavaleiros de ouro e Shion que estava desmaiado nos braços de Castor de Gêmeos.
– Mestra Acubens! — dizia Shee contente em vê-la. O rapaz corre até ela e a abraça.
Um tanto constrangida, Acubens corresponde ao gesto do pupilo. Em seguida, ela olha para Jaga e Altair.
– Vocês precisam sair daqui o mais rápido o possível.
– Mas, Éolos, ele... — ia dizendo Altair.
– Sim, estamos a par disso já. — dizia Sadal – Porém, vocês já fizeram o bastante, agora nós cuidaremos disso.
– Com todo o respeito, eu tenho um poder equivalente aos de vocês, cavaleiros de ouro e pude perceber que não conseguiria derrotar o inimigo. O poder de um deus é demais para nós. Se ao menos Atena ou o Cavaleiro de Pégaso estivessem aqui... — diz Jaga cerrando os punhos lamentando não ser forte o bastante.
– Vocês foram incríveis. — diz Atla aparecendo ali como num passe de mágica, fazendo ali presentes agora, 6 cavaleiros de ouro – Não rebaixe seu poder.
– Aldebaran tem razão. — dizia o cavaleiro de leão – Vocês cumpriram sua missão, recuperaram o Mestre do Santuário e conseguiram enfrentar deuses, isso não é pra qualquer um.
– E o mais impressionante foi você, garoto. — dizia Castor olhando para Shee.
– E-Eu?
– E-Exatamente. — concordava Shion recobrando a consciência naquele instante. Castor o coloca no chão e ele volta a olhar para o cavaleiro de bronze – Eu vejo em você o mesmo brilho que via nos olhos do Pégaso. Você com certeza será um cavaleiro brilhante.
Shee fica um tanto sem graça de ouvir aquilo do Grande Mestre. Tudo ali continuava a tremer, eis então que surge diante deles o deus dos ventos.
– Ora, ora, quanta honra! — dizia ele em deboche – Os melhores cavaleiros do exército de Atena estão aqui!
– Essa não! — diz Shee.
– Aldebaran! — dizia Acubens se dirigindo a Atla – Você já sabe o que fazer!
– Sim!
Atla reúne todos em um círculo em volta dele. A única exceção ali era Acubens que permanecia na mesma posição de antes.
– Mestra Acubens, rápido! — dizia Shee olhando sua mestra – Desse jeito a senhora...
– Shee, vai ficar tudo bem! — dizia ela sem tirar os olhos do deus.
– Não estou entendendo... — dizia o rapaz confuso. Altair o olha com um olhar de lamento e é então que o cavaleiro de bronze se toca do que estava prestes a acontecer – Não! Mestra Acubens, você não pode!
– Aldebaran! — insistia a amazona de ouro – Agora!
Atla não diz mais nada. Shee grita tentando sair do círculo enquanto um flash branco surge envolvendo a todos que desaparecem, ficando ali apenas Acubens e o deus dos ventos.
– Deus dos ventos Éolos! — dizia a amazona – Agora somos apenas nós dois!
– Hahahahahaha! — ria o deus – Tola! Nenhum dos guerreiros de Atena conseguiram impedir minha ressurreição, nem mesmo o meu filho Zéfiros, um deus, conseguiu! O que lhe faz pensar que uma mera amazona conseguirá sozinha? Hahhahahahaha.
Santuário de Atena
Botein terminava de fazer com que Ian bebesse um pouco da água de outrora. O cavaleiro de escudo então finalmente desperta se dando conta de onde estava.
– É Botein, não é isso mesmo? — confirmava o cavaleiro – Obrigado por sua ajuda da outra vez e agora.
O garoto coça a cabeça e sorria com toda sua malandragem. Ele então olha atrás do garoto e vê Kraisto com a cabeça e o peitoral enfaixados.
– Kraisto, você está bem?
– Vou melhorar. — responde o cavaleiro do cruzeiro do sul – Fico feliz que essa água milagrosa já começou a fazer efeito em você também.
– Então você também teve de tomar dela novamente, não é?
– Todos nós. — respondia Maya que estava escorado na porta do quarto médico.
– Maya, você está bem! Que bom! — Ian sorri.
– Mas é óbvio... — dizia ele tentando esconder a expressão de alívio por seus amigos estarem bem – Como é? — ele mudava de assunto – Vão ficar aí deitados o dia todo? Levantem essas bundas gordas da cama e venham comigo. O Grande Mestre me pediu para vir buscá-los.
Ian e Kraisto se olham surpresos com isso mas se levantam e seguem Maya. Assim que entram, eles são recepcionados por seus mestres: Hamal, Deneb e Shaula. Além desses três também se encontravam no salão o cavaleiro de Sagitário e ao lado dele Altair que parecia contente em vê-los.
Kraisto se aproxima de Hamal ao notar que seu mestre estava com o braço enfaixado assim como a testa. Deneb oferecia um balinha para Ian e bagunça o cabelo do rapaz que fica constrangido diante dos outros. Maya permanece no mesmo lugar apenas observando seu mestre conversar com Altair. Jaga estava do lado de Shaula, os dois demonstravam o mesmo ar de superioridade e seriedade.
– Hm? Esperem aí... Está faltando alguém... — dizia Ian olhando ao redor – Onde está o novato?
– É mesmo, o pivete não está aqui. — dizia Kraisto reparando nisso apenas após Ian comentar.
Atla aparece naquele momento e vê todos reunidos.
– Estão todos bem, fico contente. — ele então se dirige ao Grande Mestre – O cavaleiro de peixes já está trancafiado no calabouço do Cabo Sunion, como o senhor mandou, Grande Mestre.
– No Cabo Sunion? — indagava Hamal – Mestre, o senhor tem certeza de que isso era mesmo necessário? Ele agiu sob o controle do inimigo.
– Ainda que esteja sob o controle do inimigo, Alrisha ainda é um traidor do santuário e deve ficar lá até pagar por seus crimes, essa é a leia de Atena.
– Sim, mestre... — dizia Hamal chateado.
– Grande Mestre... — interrompia Ian – Onde está o garoto?
–O Cavaleiro de Câncer Menor está com sua mestra. — respondia Atla no lugar do mestre – Ele não pôde suportar ver sua mestra se sacrificar e então fugiu do círculo de teleporte antes que pudéssemos impedí-lo. É um garoto realmente corajoso. Deve estar passando pelo maior desafio de sua vida. Que Atena o proteja.
Atla olhava para o alto preocupado com a amazona de ouro e seu pupilo.
Eólia – sob os céus da Grécia
Acubens respira um tanto ofegante, ela era durona, mas sabia que o que tinha que fazer naquele momento não tinha volta e isso a deixava nervosa. De repente ela percebe a presença de Shee ali e o olha de canto.
– O que você está fazendo aqui? Eu não lhe disse pra ir embora com os outros?
– Me desculpe. — dizia o garoto com uma cara brava e séria – Eu jamais faria uma coisa dessas.
– Hm?
– A senhora já se esqueceu do quanto significa para mim, mestra? — dizia o garoto – A senhora é como uma mãe para mim. Sempre esteve lá quando mais precisei, me deu um novo motivo para viver e um sonho para seguir.
– Shee... — diz Acubens se desarmando e olhando diretamente para o garoto.
– Pedir que eu lhe abandone e deixe fazer uma loucura dessas sozinha?! — o garoto começava a chorar, ele cerrava os punhos cheio de raiva, ainda assim sem tirar os olhos do inimigo – Isso seria imperdoável! Como eu poderia viver comigo mesmo?
– Hahaha! — ria amazona – Hahahahahha.
– Hm? — Shee ficava confuso, ficando mais parecido com a idade que tinha – Porque está rindo?
– HAHAHAHAHHAHAHA Garoto! HAHAHAHAHHA Você não possui o meu sangue mas pelo visto o convívio te deixou ainda mais parecido comigo e com meu avô! — diz Acubens tocando a cabeça de Shee e bagunçando seu cabelo. Ela então se vira novamente para Éolos que apenas observava – Muito bem! Está preparado? Isso pode ser perigoso e não tem volta.
– Se esse for o meu fim, fico feliz que seja do seu lado, mestra. — responde o rapaz abrindo um sorriso, ainda sem tirar os olhos do inimigo e em posição de luta.
– Vejo que finalmente decidiram lutar! — dizia o deus finalmente se manifestando – Esse melodrama todo de vocês já estava me cansando.
O deus dos ventos cria uma enorme ventania ao redor deles. O vento passava rapidamente pela amazona e seu pupilo cortando os dois como navalhas. O vilão queimava seu cosmo demonstrando não estar brincando.
– Vocês deveriam ter recuado junto de seus amigos, agora eu os engolirei com meu cosmo! — ameaçava Éolos.
– Shee, faça o mesmo que eu! — ordenava Acubens queimando seu cosmo dourado.
– O que pretende fazer, mestra?
– O que irei fazer agora é a técnica mais poderosa dos Cavaleiros de Câncer. Se quer me ajudar, eu preciso que me observe e faça exatamente o que eu fizer.
– Certo!
Acubens fecha seus olhos se concentrando e em seguida Shee faz o mesmo assim como começa a queimar o seu cosmo.
– Concentre-se, deixe que seu cosmo e espírito se encontrem e tornem-se um só.
– Concentrar-me... — repetia o garoto tentando fazer o que a mestra lhe mandava – Deixar que meu cosmo e espírito se encontrem...
Shee enxerga o universo, uma enorme chama queimava. A imagem dele nú aparece tocando essa chama que começa a envolvê-lo. Enquanto ele se concentrava, Acubens se preparava para atacar Éolos.
– Ondas do Inferno!– gritava Acubens concentrando todo seu cosmo na ponta dos dedos e o lançando para cima.
Uma aura branca começa a envolver a Ilha Flutuante de Eólia. Essa aura leva eles para um mundo totalmente diferente. A ilha agora flutuava sob uma enorme pedreira onde diversas pessoas moribundas caminhavam em direção ao que parecia ser um desfiladeiro. O deus não parecia muito impressionado, no entanto.
– Então este era o seu plano? Me trazer ao Seikishiki?
– Como Amazona de Ouro era a única coisa que poderia fazer, mas isso não é a única coisa em meu plano.
– Oh, não? O que mais pretende fazer?
Éolos começa a jogar sua ventania contra o Seikishiki, empurrando as almas que ali caminhavam contra a colina. Ele então começa a empurrar a amazona com seus ventos, tentando a jogar para baixo, no intuito de jogá-la contra a colina.
– Tola! Você cavou seu próprio fim! — dizia o deus – Abaixo desta ilha está o Yomotsu Hirasaka, onde sua alma será atormentada pelas almas de seus inimigos!
– Sim, isso pode até acontecer, – dizia a amazona sem se importar – mas eu te levarei comigo.
– Oh, é mesmo? E como pretende fazer isso? — indaga o vilão.
– Shee! — dizia ela.
O corpo de Shee absorve as chamas em seu interior, criando uma supernova no universo que ele enxergava. O cosmo do garoto muda de esverdeado para dourado repentinamente e então ele abre os olhos.
– Ondas do Inferno!– gritava ele concentrando o cosmo em suas duas mãos.
Ele então aponta a direita para o deus dos ventos enquanto apontava a esquerda para o chão de Eólia que se racha com todo aquele poder. Acubens então percebe que o rapaz havia alcançado o sétimo sentido naquele momento. Ele lança seu cosmo com toda a sua força, fazendo a ilha tremer e desmoronar por completo junto com o poder de sua mestra.
– Não! Isso não é possível! — dizia Éolos notando sua derrota – Isso não pode estar acontecendo! Meros humanos derrotarem um deus? Não consigo acreditar nisso!!!
A aura, agora muito maior e poderosa, envolve o corpo do deus o empurrando para fora da ilha. No entanto, um poderoso furacão criado pelo deus puxa a amazona.
– Você disse que se caísse me levaria junto, não foi? — dizia o deus – Hahahahaha! Então posso dizer o mesmo! Levarei você comigo, Amazona de Atena!
Desesperado com aquilo, Shee se joga em direção aos dois e segura sua mestra.
– Shee? O que está fazendo?!
– Eu te disse! — gritava o garoto – Não me importo de morrer se for com a senhora!
– Shee, não seja bobo! Não devia fazer isso!
– Nós sabíamos que essa era uma jornada sem fim! Está tudo bem, mestra!
– Não! Não posso deixar que morra aqui, que morra assim!
Acubens concentra tudo o que lhe restava de cosmo, fazendo com que a armadura dourada de câncer começasse a se tornar energia pura. Essa energia envolve o corpo de Shee que começa a levitar para fora do furacão.
– Não!!! Mestra Acubens! Não posso! Não posso te dizer adeus, não ainda! Mestra! Mestra!
– Vai ficar tudo bem! Eu sempre estarei com você, garoto! Adeus!
O corpo de Shee se torna energia pura e então tudo fica branco em sua visão.
Santuário de Atena – Grécia, alguns anos depois...
As pessoas se reuniam para um pronunciamento do Grande Mestre. Além dos cavaleiros de bronze do santuário, também estavam presentes os cavaleiros de Ouro, com exceção de Alrisha, que ainda permanecia no Cabo Sunion, Dohko, que estava em Rozan e Acubens. Além deles, também estavam Ian, Kraisto, Maya e Altair.
– Não fique nervoso, rapaz. — dizia Atla – Está tudo bem. Hoje é o seu grande dia.
– S-Sim. Acho que sim. — respondia alguém que não era muito visível devido ao enorme corpo da armadura de touro.
Atla empurra o rapaz que trajava uma armadura de ouro e se junta aos outros cavaleiros dourados. O rapaz caminha na direção de Shion e então para se ajoelhando perante o Grande Mestre.
– Alguns anos se passaram desde a luta contra Éolos e seus guerreiros safiras. Infelizmente, nessa batalha perdemos uma grande guerreira: a amazona de Câncer. Durante esses anos, a casa de Câncer ficou desprotegida, esperando a chegada de um novo guardião. — Shion então se abaixa para levantar o rapaz e olha diretamente nos olhos dele – Presenciem e saúdam o novo protetor da casa de Câncer!
O grande mestre vira o rapaz que era na verdade Shee, agora um pouco crescido, ele trajava a armadura de Câncer que estava com um detalhe diferente dos demais cavaleiros de ouro, em seu peitoral haviam pequenos detalhes azul marinho e uma pedra vermelha. Seu elmo possuía uma pedra vermelha também.
– Agora, proteja e honre o título que um dia sua mestra carregou.
Os cavaleiros todos aplaudiam e comemoravam, aquela era a primeira vez que um cavaleiro de bronze subia à patente de ouro.
– É... — dizia Kraisto olhando aquilo – As coisas estão mesmo diferentes no Santuário.
– Deixe de ser marrento. — comentava Ian – Esse vai ser o começo de uma nova era. O Santuário precisa evoluir, mudar.
– É... Talvez, talvez... — concordava Kraisto mesmo achando ruim.
– Vem cá... — interrompia Altair – Alguém aí viu o Jaga?
– Ele disse que precisava fazer uma coisa... — comenta Maya.
– Heh... Esse cara não muda nunca. — dizia Kraisto voltando seu olhar para a comemoração.
Fim dessa história, mas continua em Era de Prata – A Saga de Eros...
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