Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira

19 Capítulo 19 – O incrível escudo de prata!


Notas iniciais
- O Capítulo foi inspirado no episódio 105 da série clássica de Saint Seiya, qualquer semelhança NÃO é coincidência; - A princípio a luta de Ian terminaria nesse episódio mesmo, mas acabou ficando grande demais, tentarei evitar o mesmo no próximo capítulo.

Os 8 Ventos filhos de Éolos voltaram à vida e querem reviver seu pai para então tomarem o controle da Terra. Para isso, raptaram o Mestre do Santuário Shion, que sobrevivera à guerra santa contra Hades no século passado. Para proteger a Terra e o Santuário de Atena, os cavaleiros de prata Kraisto, Ian, Maya e Altair, assim como Shee que agora se tornara um cavaleiro de bronze se dividem pelos andares da Torre afim de derrotar os Grandes Ventos e salvar o Grande Mestre. Shee prova seu valor como novo cavaleiro e derrota Kaikias, o vento nordeste. Ian já se encontra no 3º andar e enfrenta o vento sudoeste, Lips. Maya, por sua vez, derrota finalmente a Apeliotes, o vento sudeste.

Maya caminhava cansado quase sem energia em direção das escadas para o próximo andar, no entanto, ele estava quase caindo de tanto desgaste quando alguém se aproxima rapidamente e o segura colocando o braço no ombro, era Shee que finalmente o alcançara. Maya não diz nada, ele não tinha forças para nada. Shee então o joga para suas costas e o carrega rumo ao andar seguinte. Eles passam pelas escadarias e por fim saem daquele andar rumo ao terceiro. Após andar um pouco carregando Maya em suas costas, Shee decide parar e o coloca no chão, respirando aliviado.

– Nossa, como pesa um cavaleiro trajando armadura... — comentava Shee aliviado, como se tirasse um enorme peso das costas.

– Eu ouvi isso... — dizia Maya acordando finalmente.

– Oh... Se-Senhor Maya! — diz o cavaleiro de bronze se assustando com o companheiro de batalha.

– Tire esse “senhor”, idiota. — diz Maya se levantando – Somos companheiros de batalha agora. — Maya encara Shee – Mesmo seu cosmo sendo tão baixo como o de um cavaleiro de bronze, estamos todos aqui lutando pelo mesmo objetivo, certo?

– Oh... Si-Sim. — diz Shee abrindo um sorriso e surpreso com a mudança repentina de atitude.

Maya se vira, dando de costas para Shee e então encara o distante caminho à sua frente.

– Vamos, o próximo andar ainda está bastante longe. Até que salvemos o Grande Mestre, somos iguais, ok?

– Certo! — responde Shee com firmeza em sua voz.

Os dois então se preparam para continuar seu caminho quando de repente notam um cosmo fraco e uma aproximação agressiva.

– Eu não vou deixar que sigam caminho!!! — grita Apeliotes que estava bastante machucado e com sua Padparadja danificada. Ele avançava contra os dois.

– Apeliotes! — diz Maya ainda com dor nos braços – Ainda está vivo?!

– Não se considerem vitoriosos ainda! — diz o semi-deus – Porque jamais conseguirão concluir sua missão!

– Como é?! — diz Shee.

– Por mais que queimem seus cosmos intensamente ou que usem todos os seus poderes, jamais destruirão um Deus! Não importa que meu corpo tenha sido envenenado com sua flecha, é simplesmente impossível!

– Desgraçado! — diz Maya em posição de combate – Eu irei destruí-lo, aconteça o que acontecer! Darei minha vida se for preciso! Mesmo que eu seja morto, Ian, Kraisto ou até mesmo esse pivete aqui – diz ele apontando para Shee com seu polegar – aparecerão para te matar!

– Ei! O que houve com “até alcançarmos nossos objetivos aqui, somos iguais”, hein?! — dizia Shee que era um tanto que ignorado no momento.

Maya queima seu cosmo mais uma vez, se preparando para o ataque.

– Você é mesmo um tolo! — diz Apeliotes – O que está tentando fazer?

– Não importa o que aconteça comigo. — diz Maya – Meu único interesse é te derrotar e seguir em frente.

– Sagitta, você é mesmo corajoso. — diz o vento sudeste – Está aumentando seu cosmo mesmo seu corpo não resistindo direito. Como estou fraco, se me atacar é capaz de realmente me derrotar, mas isso lhe custará a vida também!

– Vamos lá! — diz ele – Queime cosmo!

– Não faça isso! — diz Shee intervindo e se colocando entre eles.

Enquanto isso, Altair subia as escadas em direção ao 4º andar. Porém, sem saber disso, o caminho parecia sem fim.

– Pra onde será que essas escadas levarão? — diz ele agoniado – Isso é muito estranho... Parece que quanto mais eu subo, mais longe estou de chegar. Tenho que chegar ao último andar o mais rápido o possível. Não tenho tempo pra ficar perdendo com essa escada... Ahhh....

Altair leva as mãos ao cabelo e o bagunça já irritado. Ele então resolve aumentar ainda mais sua velocidade e segue caminho. De volta às escadarias entre o segundo andar e o terceiro, Shee impede que Maya lute.

– Maya, não faça isso. — insistia o garoto – Pare!

– Garoto! — diz Maya.

– Olhe pra você. — continuava o cavaleiro de bronze – No seu atual estado você vai conseguir apenas se matar. Nós precisamos chegar todos vivos ao último andar da Torre. Portanto, não se arrisque.

– Não seja abusado! — diz Maya irritado – Eu...

– Você não vai conseguir completar sua missão com sua força atual! Descanse, deixe que eu cuido dele.

– Como é?! — diz o semi-deus rindo – Hahahahaha, garoto impetulante! Você também está fraco da última batalha, e é apenas um cavaleiro de bronze, isso também é suicídio! Hahahahaha

– Você vai aprender a mesma lição que o seu irmão, Apeliotes! — diz Shee concentrando energia espiritual em suas mãos – Não subestime o poder de um cavaleiro de Atena!!!

– Pois bem, se quer morrer no lugar do seu companheiro, que seja!!! Venha!!!

Apeliotes corre na direção de Shee que envolve os espíritos em seus braços e os puxa na altura da cintura enquanto dobra os joelhos como se sentasse no vazio.

– Ciranda de Câncer!– diz o rapaz lançando seu ataque contra o vento sudeste que é atingido em cheio.

– Esse cosmo... — diz o semi-deus enquanto recebia o golpe – É o cosmo de alguém que despertou o sétimo sentido completamente!!! N-Não pode ser!!!

A Padparadja do semi-deus é destruída, ficando apenas as pernas protegidas. Apeliotes cai de cara no chão, agonizando.

– Ca-Cavaleiros de Atena... — dizia Apeliotes com suas últimas forças – Vo-Vocês são incríveis. Derrotaram um semi-deus, arriscando suas vidas. Tomem cuidado com os caminhos à sua frente.

Ele por fim, cai. Um brilho vermelho emana do corpo e se converte em uma esfera de luz, da mesma cor, evaporando-se no ar em seguida. Os olhos do corpo à frente dos nossos heróis se clareiam e perdem o brilho, como se já não houvesse mais vida ali. Maya o olhava agora com respeito. Diante dos dois surge uma divisão, criando uma escadaria para um novo caminho.

– Outra escada? — diz Shee – E agora?

– A escada que estávamos seguindo provavelmente nos levará para o terceiro andar. — diz Maya que em seguida aponta para a nova – Vamos por esta. Ian já está cuidando dele, essa só pode nos levar para um andar mais acima.

– Certo.

Os dois correm então rumo à nova escadaria. Enquanto isso, no terceiro andar, Ian continuava a enfrentar o vento sudoeste. Lips o atacava com seus Ventos Luminosos, porém, Ian parecia conseguir se proteger usando o escudo de sua armadura.

– Jamais pensei que existisse um escudo tão sólido e resistente. — diz o semi-deus para o cavaleiro de prata – Porém, não permitirei que passe deste andar e nos impeça de reviver meu pai. Por isso, volto a lhe perguntar, irá mesmo se atrever a enfrentar o grande Lips, o vento sudoeste?!

– Hunf... — esnoba Ian – Não pense que seu poder me assusta!

– Como é?! — Lips se irrita e volta a atacar Ian com seus ventos de luz.

Ian continuava a desviar dos ataques, dessa vez com uma certa dificuldade até que um deles passa de raspão por ele, criando uma estática próximo de sua costela, que fica com uma leve sensação de vibração.

– Se eu fosse você pouparia seu fôlego, mundano. — diz Lips levando seus braços à altura dos ombros, deixando as palmas das mãos expostas para o inimigo – Não há como escapar do poder dos meus Ventos Luminosos!

– Ele tem razão...– pensa Ian – Eles são rápidos demais, e mesmo que eu seja pego apenas de raspão isso pode ser perigoso... – o cavaleiro de escudo leva a mão esquerda ao local atingido.

– Oh? — diz Lips percebendo – Está sentindo o efeito do ataque que quase o atingiu, não é?! Consigo ver o medo em seus olhos! Hahahahaha

– Droga... Lips é realmente forte como um deus da mitologia. Preciso encontrar uma forma de impedir os ataques dele. Se eu conseguir deter os seus raios e me aproximar dele...

Ian fica um momento observando o deus, tentando encontrar uma forma de quebrar o ataque do vilão. Mas, por mais que pensasse, ele não conseguia ver uma solução.

– Lips, — diz ele finalmente – Você disse que é um mestre na arte de manipular a luz e fazê-la se misturar ao vento cortante, certo?

– Sim, o que tem isso? — pergunta o deus sem entender as intenções do cavaleiro.

– Será que eles são tão poderosos assim? Meu escudo não sofreu nem mesmo um arranhão a pouco... — diz ele na tentativa de provocar o deus – Achei que como um deus, essas suas lanças de luz e vento fossem mais sólidas, mais poderosas. Mas se não conseguem ao menos destruir o escudo de um cavaleiro de prata, vejo que te superestimei.

– Heh, você é mesmo muito abusado. Muito bem, se quer tanto assim a morte, provarei pra você o meu poder. Se acha que meus raios são tão fracos assim, usarei um poder ainda mais poderoso... — responde o semi-deus esticando seus braços para o alto. Seu corpo começa a ser banhado com duas energias de cores diferentes.

De repente, atrás de Lips surgem as imagens gregas de seus irmãos, Kaikias e Apeliotes. As imagens ficam um tempo ali, dando a impressão de que encaravam Ian. O céu escurece e começa a trovejar acima deles.

– Ian de Escudo, sinta a ira dos três ventos menores de Éolos... Prepare-se para morrer, cavaleiro!

– Morrer? — diz Ian – Estou preparado pra isso há muito tempo!!

– Muito bem, se é isso que quer, providenciarei sua morte agora mesmo! — diz o semi-deus se concentrando ainda mais e fazendo as duas imagens se tornarem energia e com que entrassem em seu corpo — Poderoso Tornado!

O corpo de Lips se transforma em um tornado trovejante que ruma na direção de Ian. O cavaleiro de prata leva seu escudo à frente.

– Vamos lá, escudo! Me proteja! Escudo Perfeito!

O escudo de Ian começa a girar rapidamente em sua frente criando uma energia de cosmo que envolve seu corpo. O tornado de trovão se lança rapidamente contra o cavaleiro e tudo é dominado por uma forte luz e raios. Ian se vê envolto por aquela forte luz e raios passando por ele que faziam o chão quebrar quando o tocavam. Ele sente seu poder se desequilibrando com o do deus. A sensação de vibração no corte feito anteriormente começa a ressoar com os raios que batiam próximos ao cavaleiro, e então uma dor insuportável o acomete, fazendo o cavaleiro ser atingido em cheio pelo ataque.

Uma certa quantidade de sangue é jorrada do arranhão próximo à costela de Ian, fazendo com que o arranhão se convertesse numa grave ferida. O cavaleiro de prata recua enquanto leva sua mão à ferida.

– Esse deus, ele é mais forte do que aparenta.– pensa o rapaz – Ele não só conseguiu me ferir aquela hora como agravou o machucado e me fez quebrar minha defesa por alguns instantes. Se continuar assim, eu não durarei muito.

Lips retorna à sua forma humana e então encara o cavaleiro de Atena.

– Você é mesmo poderoso. — diz Ian.

– Vejo que pode compreender. Isso quer dizer que irá se render à magnitude dos ventos deuses, não é mesmo? — o deus então repara que Ian continuava em posição de defesa e fica confuso – Me diga, porque continua se mantendo em defesa? Por um acaso continua pretendendo lutar? Você mesmo admitiu meu incrível poder.

– Não se esqueça que sou um Cavaleiro de Atena. — retruca Ian – Se for para que eu morra aqui, que não seja em vão! Eu tenho o orgulho de possuir o escudo mais sólido dentre todos do exército de Atena! Enquanto ele se mantiver inteiro, eu continuarei lutando!

– Você é muito ingênuo! — diz o deus como se quisesse rir do rapaz – Como pode se atrever a desafiar e desdenhar o poder de um deus? Será que ainda não consegue enxergar? — Lips volta à pose de ataque – A diferença entre os nossos poderes?

O vento sudoeste lança um pequeno raio contra o machucado de Ian que, se sentindo consumido pela dor, não se defende e é atingido, caindo no chão em seguida.

– Cavaleiro de Escudo, eu admiro sua valentia e determinação. Mandarei que ergam uma estátua em sua homenagem quando meu pai governar este mundo.

Lips se vira de costas e começa a andar rumo à saída. Ian permanecia deitado, ele agora além da dor, podia ouvir toda a sua coluna ressoando um som como se trovejasse entre suas costelas que vibravam de uma forma que lhe causava uma dor capaz de lhe tirar a fala.

– Não posso acreditar que depois de tanto treinar, de tantas missões, morrerei aqui. O poder de um deus... Como é horrível! – pensava ele – Essa é a primeira vez que me sinto indefeso.

*- Então é isso?* – diz a voz de Kraisto na mente do rapaz — *Você vai desistir assim? Na primeira grande batalha da sua vida?*

– Kra-Kraisto...

*- Ian! Seu orgulho como cavaleiro de prata vai até aí? Quanta decepção! Fizemos a promessa de chegarmos todos vivos ao último andar dessa Torre e salvar o Grande Mestre! Você vai descumpri-la assim?*

– Kraisto, eu...

*- Além disso, já se esqueceu da nossa promessa de infância?!*– dizia a voz de kraisto ainda na mente de Ian.

– Nossa... Promessa?

[Flashback]

Kraisto e Ian treinavam juntos no santuário. Do lado dos dois se encontravam suas respectivas Pandoras Box. Eles eram mais novos um pouco do que a idade atual. Eles finalmente se jogam no chão, cansados.

– Ei, Ian... — diz o jovem Kraisto – Esse foi um treinamento e tanto.

– É... — diz o jovem Ian com um sorriso no rosto – Kraisto, agora que conseguimos finalmente nos tornarmos cavaleiros, o que será que vai acontecer com a gente?

– Ora, isso é muito fácil de responder, amigão! — diz Kraisto olhando pro amigo – Nos tornaremos lenda!

– Lendas, huh? — Ian continuava a olhar para o céu – É... Tá aí... Gostei disso!

– Então tá prometido! — diz Kraisto se sentando e olhando para o amigo com a mão esticada e o dedo mindinho em evidência – Não nos daremos por vencidos até que nos tornemos lendas!

Ian olha para ele e então se senta também. O garoto então cruza seu mindinho com o do amigo e sorri.

– Promessa feita!

[Flashback]

*- Nós temos que nos tornarmos lendas! Você não pode desistir, não ainda! Esse cara não é nada pra você!*

– Kraisto...– diz Ian se levantando finalmente – Obrigado, amigo!

Lips continuava a andar até notar uma movimentação, o semi-deus então para e se vira. Ele vê Ian de pé e erguendo seu escudo mais uma vez.

– Escudo, porque teimou em se levantar? Seria tão mais simples esperar pela morte sem sofrer mais. Você é tolo demais.

– Irei acabar com seus ventos de luz, Lips. Não importa a forma que eles tomarem!

– Bobagem. — o deus fecha os olhos menosprezando o cavaleiro – Ian de Escudo, eu consigo ouvir a morte lhe chamando, você é louco se acha que ainda tem forças pra me vencer! Você se provou um adversário muito fraco!

– Um velho amigo me fez lembrar de uma promessa que fiz logo que me tornei um cavaleiro de prata. — diz Ian – Não deixarei que me derrote! O fraco aqui é você!

– Apesar de insolente, você é um cavaleiro realmente persistente com um escudo excepcional! Muito bem, cavaleiro, farei as honras de lhe mandar diretamente para o inferno!

– Vamos lá... Eleve-se cosmo!– pensa o cavaleiro concentrando o máximo de cosmo possível – Em nome de minha promessa, eleve-se e queime até o sétimo sentido!

– Morra!!! — diz o deus se tornando um tornado trovejante novamente – Morra cavaleiro de prata!

Ian para em posição de defesa com seu escudo à frente novamente. Ele usa novamente sua técnica Escudo Perfeito que agora parecia implacável.

– O que?! — diz o semi-deus de dentro do tornado, surpreso com a resistência do escudo – Como isso é possível? Não faz o menor sentido! Agora mesmo sua defesa era ridícula e ainda havia o machucado que fiz em você, que agora deveria estar pior mas não, ele nem parece lhe fazer cócegas!

– Em meu escudo queima agora o brilho da amizade! — diz Ian – Uma amizade tão poderosa que é capaz de derrubar até deuses! — Ian empurra o tornado com o escudo, fazendo com que o golpe se desfizesse e então encara o semi-deus olho no olho – Lips, observe como o escudo mais sólido do exército de Atena derrotará um deus!

Ian se eleva pelos ares e projeta seu pé sobre seu adversário, girando sobre si mesmo, como um tornado.

– Escudo Mortal!

O golpe é concluído com uma voadora giratória, similar ao funcionamento de uma britadeira que é lançada diretamente contra Lips.

Continua...

Notas finais
Gostou do capítulo? Não gostou? Por favor, seu comentário e opinião são muito importantes! Não deixem de postá-los, por favor! ^^