Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda de Seiya
130 Saga Não!
Debaixo do mar, Sorento de Sirene, com sua Escama inteira destruída, caiu de joelhos ao ver que o Pilar que deveria proteger agora estava espalhado no chão, pedaços de concreto enormes sobre montes e pedras adiante. Ele olhou com assombro para as vestimentas que os garotos à sua frente estavam usando.
— Então esse era o segredo. As Armaduras de Ouro. — repetiu ele para si. — Graças às Sagradas Armaduras do Zodíaco, vocês foram capazes de realizar os milagres para derrubar os Pilares do Mar. Agora eu entendo.
Hyoga de Aquário se aproximou dele observando os detalhes de sua Escama, ainda com parte de uma asa quebrada e a proteção da cintura que alongava-se como um saiote de escamas.
— Você não é o General Dragão-do-Mar, estou certo? — falou ele, com dureza.
Sorento não respondeu e Alice, achando estranho, foi quem lhe respondeu.
— Este é Sorento de Sirene.
— Sirene? — tornou o garoto para ela.
— Sim, Hyoga. O que está acontecendo?
— Precisamos encontrar o General Dragão-do-Mar. — falou ele de uma vez.
— O Dragão-do-Mar é o General que guarda o Pilar do Oceano Atlântico Norte. Foi ele que nos recebeu logo que chegamos aqui.
— Ele é o responsável por toda essa batalha.
A face de Alice tornou-se surpresa e Sorento se apurou melhor para ouvir.
— Não é Poseidon?
— Tudo indica que não.
— Alguns dos Marinas que encontramos pelo caminho não pareciam realmente prontos para essa batalha. — falou ela, olhando para Sorento. — Mas Dragão-do-Mar é realmente diferente, Hyoga. Ele é um guerreiro formidável. Seu poder não deve em nada aos Cavaleiros de Ouro do Santuário.
— Eu posso imaginar perfeitamente o motivo. — comentou ele, de maneira misteriosa.
— O que quer dizer com isso? — perguntou Sorento, finalmente colocando-se de pé.
Hyoga olhou para ele, com certa piedade pelo estado lamentável em que estava. Ainda assim hesitou em contar toda a verdade.
— Ele já não pode fazer nada. — falou Alice, olhando para o General, que agora assemelhava-se mais ao artista que ele verdadeiramente era. — Conte-nos, Hyoga.
Ele respirou fundo e finalmente falou.
— Quando cheguei até este Reino do Mar, eu reencontrei meu querido Mestre em carne e osso. — Alice pareceu surpresa. — O verdadeiro dono desta Armadura de Ouro que estou usando agora. E por isso logo desconfiei que algo aqui não estava certo.
— Camus? Mas achei que ele estivesse…
— E está. — falou Hyoga logo de uma vez. — Continua morto no Santuário.
— Um truque de Cassandra. — adivinhou Sorento, antes de completar o pensamento com a voz cansada. — A General do Oceano Antártico. Ela é capaz de ver os cantos mais profundos do coração humano e tomar a forma da pessoa que mais amamos.
— Exatamente. A General do Oceano Antártico. — concordou Hyoga, mas sua voz tomou contornos sérios. — Mas por ela ter usado o rosto de meu Mestre e não de minha mãe, eu desconfiei que havia algo suspeito. Meu Mestre Camus morreu durante a nossa batalha nas Doze Casas. Eu fui o responsável pelo golpe que tirou sua vida. E somente por esse motivo, por um instante eu acreditei que Camus fosse mesmo essa pessoa no fundo de meu coração.
Hyoga parou de falar e Alice segurou seu braço, pois podia ver no rosto do amigo uma tristeza enorme.
— Só de imaginar que eu poderia ter reencontrado minha mãe, eu…
— Hyoga…
— Ela usou o rosto de meu Mestre, pois alguém lhe contou que era ele o meu ponto fraco.
— Alguém?
— Sim. Alguém muito querido para mim. Alguém de minha infância que sabia exatamente o quanto eu estimava meu Mestre Camus e, ao mesmo tempo, alguém que me amava tanto, mas tanto, que tentou me poupar de ser morto pelas mãos de minha própria mãe. Pois seria assim que eu morreria, eu não tenho dúvidas disso. Não seria capaz de ver através da ilusão. — Hyoga descansou a voz por um momento. — E eu encontrei essa pessoa neste lugar.
— Isaac de Kraken. — adivinhou novamente Sorento, que parecia conhecer todos os seus companheiros de batalha, olhando para o garoto e atraindo para si os olhos dos Cavaleiros.
— Meu irmão, Isaac. — corrigiu Hyoga, e viu Alice derreter-se em tristeza, mas ele logo trouxe ânimo para ela. — Não se preocupe. Isaac está vivo e foi ele quem me mandou nesse caminho para encontrar o Dragão-do-Mar.
— Por quê? — perguntou finalmente Sorento. — O General Kraken lhe contou? O que o General Dragão-do-Mar esconde, afinal?
Hyoga respirou fundo e mostrou seus braços para os dois.
— Embora o rosto de Camus fosse falso, apenas um truque daquela General Marina, esta Armadura de Aquário também estava me esperando no Pilar. Ela que agora está em meu corpo me protegendo. E não era uma ilusão, essa realmente é a Sagrada Armadura de Ouro de Camus. E, no entanto, Isaac me contou que nem ele ou Cassandra a haviam trazido do Santuário. O responsável por isso havia sido o General Dragão-do-Mar.
— O Dragão-do-Mar esteve no Santuário? — perguntou Alice, assombrada.
— Naturalmente. — respondeu Hyoga. — Afinal de contas, o General Dragão-do-Mar, na verdade, pertence ao Santuário. É um Cavaleiro de Atena.
Choque. Sorento continuou:
— Eu sabia que Isaac havia sido um aspirante a Cavaleiro, mas então Dragão-do-Mar também era? — perguntou, com o rosto contorcido de dúvidas.
— Parece que Isaac sempre suspeitou de Dragão-do-Mar, assim como alguns dos demais Generais. — falou Hyoga, olhando para Sorento. — Mas como ele próprio tinha seu passado como um aspirante de Cavaleiro, ele procurou dar o benefício da dúvida para o homem. Isaac também esteve na Sibéria e ficou sabendo de tudo que havia acontecido no Santuário e isso lhe deu ainda mais certeza de que talvez a missão de Poseidon fosse mesmo legítima. Mas um pedido sem sentido feito por Dragão-do-Mar no começo desse dia de batalha somente fez sentido quando ele se viu vencido por mim.
— Um pedido? — perguntou Sorento.
— Você falou que a General que transformou-se em meu Mestre era a guardiã do Pilar do Oceano Antártico, mas ela nos esperava na saída da Ponte Bifrost.
— No Pilar Ártico? — perguntou-se Sorento, olhando meio confuso para o horizonte. Hyoga confirmou.
— Isaac contou-me que, antes da batalha começar, o General Dragão-do-Mar lhe pediu para proteger o Pilar do Oceano Antártico. Para que trocasse de guarda com a General Cassandra. Me parece que Dragão-do-Mar sabia exatamente quem éramos. Nossos nomes. Nossas armaduras. Se tinha espiões ou estivera em pessoa em Asgard, Isaac não sabia, mas soube de tudo isso por ele. Logo compreendeu os planos de Dragão-do-Mar de usar a General metamorfa para nos matar logo quando chegássemos aqui, atacando nossos corações.
— Ele já sabia que os Generais não seriam páreos em batalha. — refletiu Sorento, fechando os olhos em comiseração.
— Foi o que Isaac me falou também. Ele próprio havia levantado essa preocupação, mas Dragão-do-Mar lhe confidenciou que nenhuma batalha seria travada. Foi tudo que falou, mas Isaac conhecia as habilidades da General Cassandra e calculou o que aconteceria em seu pilar. Foi nesse momento que Isaac contou à General quem se escondia em meu coração, como uma forma de contribuir com a missão de Poseidon. Foi assim que ele me salvou.
— Mas vocês não vieram por Bifrost…
— Não. — concordou Hyoga com Sorento. — Isaac contou-me que quando viu o naufrágio no céu-de-mar, sentiu como se o plano houvesse falhado.
— Foi o Dragão-do-Mar que nos contou dos Pilares. E então nos dividimos pelas ruas, cada um para ir em uma direção. — falou Alice, lembrando-se dos eventos. — Mas, por um tempo, senti que um Cosmo me fazia andar em círculos.
— Era ele. — respondeu Sorento, que lembrava-se do General sentado na fonte central.
— Mas quase seu plano deu frutos. — completou Hyoga, tocando o ferimento em seu pescoço. — A General foi capaz de me vencer facilmente, pois Camus ainda era uma figura importante em meu peito. Seiya continua caído em frente ao pilar.— Alice levou a mão à boca. — E Shun também estaria vencido não fosse a força de Ikki de Fênix.
Ao longe, o furacão no horizonte continuava rugindo.
— Mas o que finalmente fez Isaac ter certeza de que suas suspeitas eram verdadeiras sobre Dragão-do-Mar foi essa Armadura de Ouro em meu corpo. Quando o venci usando ela, ele percebeu que só poderia ser a verdadeira Armadura de Ouro. Uma Armadura que só poderia estar no Santuário de Atena.
— A Armadura de Sagitário também veio em meu auxílio. Aioros ainda habita nela. Camus talvez habite em Aquário.
— Não. — corrigiu rápido Hyoga. — Quer dizer, sim. A Armadura surgiu para mim no momento derradeiro de nossa batalha, quando meu Cosmo brilhava forte. É nesse momento que o Santuário de Atena parece nos ouvir e operar certos milagres. Mas a Armadura de Aquário já estava no Reino de Poseidon. Foi ela que eu vi assim que pisei fora da Ponte Bifrost. Ela havia sido trazida muito antes de qualquer batalha começar. E isso somente poderia ser feito por seu verdadeiro dono, Camus. Ou por um invasor ardiloso do Santuário. Camus está definitivamente morto, portanto a única alternativa que sobra…
— Está dizendo que Dragão-do-Mar invadiu o Santuário somente para trazer a Armadura de Aquário até aqui? Mas isso não é possível! Sabemos que a única forma de atravessar as Doze Casas é escalando a face da montanha, não é possível teleportar-se até lá.
— É o que dizem. Mas, sem a presença de Atena, eu me pergunto se isso é mesmo verdade. Já estamos há horas batalhando neste lugar e nenhum sinal dos Cavaleiros de Ouro entre nós, como se nos houvessem abandonado. Ou será possível que não podem deixar o Santuário, justamente porque qualquer um poderia atacá-lo agora?
— Então Dragão-do-Mar conhece mesmo o Santuário. — refletiu Sorento.
— Isaac não tem dúvidas de que ele foi um Cavaleiro antes de vir até aqui. Está decidido nisso e por isso me contou tudo que compartilhei. Mais do que isso, acredita que Dragão-do-Mar não era um Cavaleiro qualquer. Mas alguém terrivelmente poderoso. E por fim, agora suspeita que toda essa batalha e até mesmo a crise de Asgard foi obra desse General. E não de Poseidon.
Olharam-se os três, confusos, quando sentiram um leve tremor que reverberou por todo o Reino dos Mares; no céu, puderam ver todos como a Tempestade que havia rompido o oceano ao longe aos poucos parecia desaparecer. Sorento sabia exatamente onde tudo aquilo estava se passando.
— Não posso acreditar! Então as minhas suspeitas também estavam mesmo corretas.
Hyoga olhou-o com dureza, enquanto o General seguiu falando.
— Isaac não era o único. O General Dragão-do-Mar é mesmo um mistério até mesmo para os Marinas de Poseidon. Ele tem a total confiança do Deus dos Mares mas, entre nós, nunca compreendemos exatamente quem ele é. Quem será esse homem? Uns confiam mais do que outros. Cassandra era uma que o tinha em grande estima.
— Não importa, o que importa é que precisamos chegar até ele, Alice, e então dar um jeito de impedir que ele consiga o que quer que seja que ele esteja planejando.
Alice sentia-se dividida.
— Estou com um terrível pressentimento, Hyoga. Alguém forte assim conspirando contra Atena…?! Contra a Saori. Eu não posso perder mais tempo aqui nessas batalhas inúteis. Eu vou até o Templo de Poseidon, vou até ela.
— Alice… — interrompeu Hyoga, tentando impedir que fosse, mas ela seguiu falando.
— Leve a Armadura de Libra até o último Pilar, Hyoga, por favor. O Pilar do Atlântico Norte é o Pilar que o General Dragão-do-Mar está protegendo e, pelo choque de cosmos, eu tenho certeza de que alguém está lá esperando para derrubar o último pilar. Eu vou até a Saori e vou usar a Flecha de Sagitário para libertá-la.
Hyoga viu nos olhos da amiga que não havia jeito de convencê-la, muito menos parecia que eles tinham tempo para hesitar. Concordou e ela partiu voando com suas asas douradas.
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Enquanto morria a Tempestade no céu-de-mar, Julian Solo caminhava pelo Corredor das Águas, que separava a sua câmara até a entrada do Pilar Fundamental, por onde Saori havia entrado para seu sacrifício. Os arpejos da voz da garota ainda ecoavam em sua mente, tão bonitos eram os melismas da melodia que ela cantava. As criaturas marinhas esculpidas em pedras-amarelas jorravam água límpida pela passagem para que o Deus dos Mares sempre caminhasse sobre as águas.
Cruzou o caminho todo em silêncio e subiu um lance de escadas externas que circundava o Pilar Fundamental até uma considerável altura em seu corpo. Ali, seu Cosmo Profundo fez a pedra rugir e abrir magicamente um enorme reentrância com vista para dentro da construção, de onde ele podia ver as costas de uma garota encharcada.
A parte de dentro em que Saori estava ajoelhada era iluminada por archotes de fogo oceânico, enquanto as quatro carrancas espalhadas na parede jorravam a água do oceano que seu cosmo de amor purificava. Aquela enorme câmara em que a garota havia entrado já estava cheia de água, ao ponto que já alcançava o topo do pináculo em que ela havia subido para aguardar seu afogamento. A água já lhe batia no colo, enquanto ela, ajoelhada e de mãos unidas, rezava por seus Cavaleiros.
— Seu tempo está se esgotando, Atena. — falou Poseidon.
A garota não respondeu.
— Seus Cavaleiros vieram resgatá-la, mas estão caindo um a um.
Atena abriu os olhos, finalmente resignada, mas nada disse de volta.
— Diga alguma coisa, Atena! — ordenou o Deus dos Mares, irado.
Mas ela manteve-se pacífica e calada.
— Que assim seja. Sua vida será um enorme presente ao Mar. Adeus, Atena, até a próxima vida.
Poseidon finalmente despediu-se dela e seu cosmo voltou a fechar a pedra daquela prisão; Julian Solo, por outro lado, desceu as escadarias desapontado e com o semblante preocupado. À tudo isso a Sereia Tétis viu, apoiada ao Trono de Poseidon, que ficava do outro lado do Corredor das Águas, em seu Templo; ela o viu caminhar preocupado pelas escadarias, e somente no meio de sua travessia pelo Corredor é que o Deus dos Mares pareceu dar conta ela.
Ela se afastou do trono e ajoelhou-se, aguardando o retorno de Poseidon.
— O que quer aqui, Sereia? — perguntou com força. — Este lugar é destinado somente aos Deuses. Você não pertence a este lugar.
— Meu Senhor, vim lhe dizer que os Cavaleiros de Atena derrubaram seis dos Sete Pilares do Mar e estão vindo até aqui para resgatar Atena.
— Atena não quer ser resgatada.
Tétis calou-se, imaginando que Julian havia suplicado algum tipo de perdão à Deusa da Terra e havia sido novamente negado.
— Isso não impedirá que eles venham.
— Não chegarão até mim. A missão dos Cavaleiros de Atena está fadada ao fracasso. — respondeu ele, retomando sua marcha até o trono.
— Os Generais Marinas caíram em batalha. Muitos sentinelas também foram mortos. Será que você não teme por sua vida?
— Eu sou eterno.
— Julian, estou falando de você. Eu não quero que morra!
— Julian já não existe! — bradou Poseidon finalmente sobre ela.
O Reino inteiro tremeu, mas Tétis não esmoreceu diante dele, embora seu coração houvesse balançado de terror. Ela respirou coragem e seguiu falando.
— Esta batalha não poderia acontecer. Este não é o Tempo de Poseidon. Seus súditos não deveriam ter caído. Tem algo muito errado acontecendo em seu Reino. Algo que não estamos enxergando.
— A vida no Mar morre. Este é o erro que todos deveríamos estar enxergando.
— Mais do que ninguém, eu sei exatamente dessas dores. Julian, você sabe do meu coração. A dor que foi perder meus pais. Mas não deveria ser assim. O seu Templo está sendo destruído. Você vive em seu Templo e se ele for destruído… — sua voz falhou momentaneamente. — Se tudo desmoronar, você também desaparecerá.
— Logo tudo estará acabado.
— Esse não é o tempo de Vossa Profundidade estar entre nós. Ainda é tempo de libertar Atena e voltar ao seu Sono Profundo até que as hostes do mar se levantem finalmente.
— É tarde demais para isso.
A voz que respondeu à Tétis foi uma que ela poderia reconhecer sempre, de modo que ela levantou os olhos para encarar Poseidon e, como há muitos dias, reconheceu seu amigo Julian de volta.
— Julian. Não, ainda não está tudo perdido. Há tempo. Me escute, por favor me escute. Liberte a garota. Deixe que Poseidon volte ao seu Sono e retorne a ser quem você era.
O Deus não lhe respondeu e então, finalmente, sentou-se em seu trono.
— Me escute, essa batalha pode ter sido um erro. Os Cavaleiros de Atena imediatamente reconheceram o General Dragão-do-Mar como aquele que causou a tragédia em Asgard.
— Asgard? — tornou o rapaz.
— Sim, eles disseram que o viram em Asgard. Que ele havia traído aquela terra e causado toda a desgraça que assolou aquele povo. Pois, Julian, este homem pode estar tramando contra sua própria existência.
— Um homem de Asgard. — repetiu Julian, e Tétis percebeu claramente como sua consciência aos poucos parecia esvair-se para deixar que Poseidon o tomasse novamente.
Sua voz voltou a soar feito um trovão divino.
— Há sempre uma Semente do Norte na história de Poseidon.
— Essa história pode não terminar bem para o Imperador dos Mares. — falou ela preocupada, mas o enorme Deus levantou-se de seu trono com ira.
Tétis afastou-se assustada e viu Poseidon projetar uma sombra enorme sobre ela; seu amigo Julian era magnífico naquela túnica branca brandindo aquele Tridente mitológico. Ela ficou calada e ele, lentamente, virou-se para o trono em que estava sentado e tirou do topo do encosto uma espécie de máscara vazada, de cor acobreada e detalhes dourados. Virou-se para a Sereia e ela o viu colocar apenas uma mão aquele adorno no rosto, que emoldurava sua face e cabelo, ao mesmo tempo que permitia ver os olhos e o resto do rosto.
Levantou seu Tridente e o chocou contra o chão três vezes.
— Chegou nosso primeiro convidado. Afaste-se, Sereia.
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No templo do Pilar do Oceano Atlântico Norte, o General Dragão-do-Mar estava em cima de uma laje de pedra com os olhos fechados. Abriu-os calmamente, olhando para o horizonte, na direção do Pilar Fundamental em que Atena aos poucos morria. Todos os outros pilares haviam sido destruídos pelos Cavaleiros do Santuário; sobraram apenas aquele no horizonte e o outro às suas costas.
— Uma Armadura de Ouro acaba de chegar no Templo de Poseidon. — falou ele para si mesmo. — Outras duas estão vindo até mim, ótimo. Enquanto estiverem separadas, não há nada para me preocupar.
O nível do céu-de-mar estava muito mais baixo do que deveria e, olhando para cima, o General notou que o imenso redemoinho que seu Cosmo havia criado no céu ao redor de um triângulo de ouro aos poucos se fechava em um espetáculo de luzes. O mar do Oceano Atlântico acima de sua cabeça tingiu-se de rosa, de laranja e amarelo de forma mágica. Um imenso Cosmo invadiu todo aquele Templo que ele deveria proteger.
— Mas que surpresa curiosa isso que acabei de ouvir.
O General procurou nos arredores a fonte daquela voz e deu alguns passos na direção da rua pavimentada que levaria até o centro do Reino, mas então percebeu que não conseguia mais mexer as próprias pernas.
— Que Cosmo ameaçador é esse? É capaz de me paralisar. O ar parece calmo e tranquilo, mas impede completamente meus movimentos.
Olhando de volta para o céu, ele viu descer e pousar à sua frente uma ave de fogo em um espetáculo pirotécnico, revelando a silhueta de uma garota por trás da cortina em chamas.
— Não posso acreditar que tenham voltado do Triângulo de Ouro.
— Essa não seria a primeira vez. — falou a dura voz de Ikki para ele. — Eu vaguei pelo inferno e voltei. Como eu sempre voltarei para lhe assombrar, maldito. Agora que eu sei a face por trás do elmo, eu tenho certeza absoluta de que tudo isso é uma desgraça causada por você. Estou errada, General Dragão-do-Mar? Ou será que eu deveria lhe chamar pelo seu verdadeiro nome? Saga de Gêmeos.
Ikki finalmente surgiu quando o fogo se apagou; sua Armadura estava novamente intacta e brilhante, enquanto seus olhos queimavam de ira.
— Isso é impossível. Ninguém deveria ser capaz de retornar do Triângulo de Ouro para onde lhe enviei. Como foi que você voltou, Fênix?
— Se eu lhe contasse, você não acreditaria. — começou ela, com deboche na voz. — Mas já deveria saber que esse golpe não funcionaria comigo. Pode chamá-lo como quiser, mas eu já retornei da Outra Dimensão uma vez. Ou será que já se esqueceu? A verdade é que, quem quer que esteja do outro lado, simplesmente não quer minha presença por lá, Saga.
O General escutou com atenção, mas ainda tinha um pequeno sorriso maquiavélico no rosto, que intrigava Ikki.
— Você fala muito para quem estava à beira da morte. Seu espetáculo de fogo não me impressiona, Fênix. O Cosmo que me paralisou é muito mais forte que o seu. Onde está aquele verme?
— Aquele verme… — começou ela, com ódio na voz. — Está nesse momento indo resgatar a Deusa Atena e enfrentará Poseidon sozinho, se for preciso.
— O quê!?
— É isso mesmo que você ouviu. Meu irmão, Shun de Andrômeda, irá até o Pilar Fundamental resgatar a Deusa Atena enquanto eu arranco a verdade da sua mente, Saga de Gêmeos.
O General Dragão-do-Mar deixou escapar uma risada maquiavélica e novamente ficou com um sorriso no rosto, enquanto seus olhos pareciam vidrados.
— Saga? — repetiu ele com deboche enquanto ria. — Saga de Gêmeos. O guerreiro adorado por todos no Santuário como um deus, que se deixou corromper pela força maligna que habitava sua mente apenas para ser vencido por uma garota-Atena e seus Cavaleiros-mirins.
Ikki parecia confusa ao ouvi-lo falar como um lunático que refere a si próprio na terceira pessoa; o General à sua frente seguia sorrindo.
— Como pode me confundir com o idiota do meu irmão mais velho?
Fênix reagiu com espanto e confusão.
— Um irmão?!
— Isso mesmo. — logo adicionou Dragão-do-Mar. — Eu sou o irmão de Saga. Meu nome é Kanon. Kanon de Gêmeos.
— Kanon. — repetiu Ikki para si. — Então aquele maldito do Saga tinha um irmão, assim como a sua constelação protetora. Um irmão gêmeo.
— Exatamente, mas não me confunda com ele. Somos gêmeos, mas eu sou completamente diferente de meu irmão, Fênix. — o General deu um passo adiante para se aproximar dela e seguiu falando de forma misteriosa e debochada. — Saga sempre foi torturado por duas índoles, a boa e a má. Como se duas almas o possuíssem por dentro. Eu, por outro lado, tenho apenas uma. A má.
— Uma alma má. — repetiu Ikki, receosa. — E o que o maligno irmão de Saga faz ao lado de Poseidon, afinal de contas? Será possível que você está tentando fazer aquilo que seu irmão jamais conseguiu?
— Quem saberia dizer, não é mesmo?
— Não vai conseguir. Igual seu irmão. Eu ouvi você delirando sozinho, Kanon de Gêmeos. Tem medo de que as Armaduras de Ouro se juntem. Qual é esse segredo? Vamos, me conte!
— Medo? — perguntou Kanon, seguido de uma risada retumbante. — Eu nada tenho a dizer para você. Deveria ter ficado vagando pelo espaço-tempo, pois nesta dimensão você não terá qualquer futuro.
Ao redor de Kanon, uma aura dourada manifestou-se fazendo seus cabelos esvoaçarem, mas Ikki não sentiu-se ameaçada e também ardeu as chamas de seu Cosmo de Fênix.
— Seus golpes são inúteis. — falou ela, confiante. — E agora eu entendo tudo com muito mais clareza. Quando enfrentei seu irmão Saga no Santuário, ele foi capaz de me enviar para a Outra Dimensão e eu só pude retornar graças ao Cosmo de Atena, que me guiou de volta à batalha. Mas quando fui tocado por seu Triângulo de Ouro, as minhas asas de Fênix foram suficientes para voltar do espaço que me enviou, Kanon. Comparado à Outra Dimensão de Saga, o seu Triângulo de Ouro não é nada. Embora sejam gêmeos, você é muito inferior ao seu irmão Saga.
— Atreve-se a dizer que Saga era superior à mim? — revoltou-se Kanon por um instante.
— Essa é a pura verdade. — tornou Ikki. — E você deve saber disso melhor do que ninguém, não é mesmo, Kanon? Afinal de contas, ele foi o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos, enquanto você não passa de um impostor no Reino de Poseidon.
— O quê!? — Kanon empoderou-se de seu Cosmo cheio de ira. — Agora chega de bobagens. Eu garanto que dessa vez eu vou acabar com você, Ave Fênix. Vou estraçalhar o seu corpo junto às estrelas.
Todo o templo foi substituído pelo tapete cósmico, onde os planetas à distância explodiam em terremotos apocalípticos.
— Explosão Galática!
Toda a pressão daquela técnica terrível, Ikki fechou os braços e suas asas de bronze, enquanto a suportava completamente no corpo. A Armadura de Bronze rachou em vários pontos, mas seu cosmo incandescente brilhou com força, mantendo-a viva. Logo tudo se apagou e uma cratera no pátio havia se aberto onde antes Ikki estava.
— Eu não posso acreditar. — falou Kanon, assombrado.
— Vou repetir, Kanon. Você não chega nem aos pés de Saga. Quando o enfrentei, essa técnica acabou comigo em um piscar de olhos, mas essa já é a segunda vez que você tenta imitá-lo contra mim e tudo que consegue é trincar a minha armadura. Você é ridículo.
— Cale a boca, maldita!
Kanon, tomado pela fúria, levantou os braços para tentar atingi-la novamente, quando percebeu um filete quente invadir sua testa e atravessar o seu cérebro.
— Agora você vai ficar parado e eu encontrarei em sua mente absolutamente tudo que eu preciso. O que o irmão maligno de Saga está realmente fazendo aqui? É o que eu irei descobrir e depois lhe deixarei para morrer, maldito.
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Alice de Sagitário saltava pelos montes corais do Reino do Fundo-do-Mar, quando viu o redemoinho se dissipar no céu-de-mar e os clangores de uma nova batalha começar no único pilar que seguia de pé, além do Pilar Fundamental para o qual ela voava. Confiou naquele Cosmo quente que lutava novamente e seguiu caminho até a área central daquele reino, onde se levantava o enorme Templo de Poseidon. Ela pousou perto do pátio onde as escadarias começavam e viu uma figura esperando-a na entrada.
Era Tétis de Sereia novamente.
— Leve-me até o Pilar Fundamental. — ordenou a Cavaleira de Ouro de Sagitário.
A garota estava um pouco longe, nas escadarias, de modo que Alice não pôde ver com detalhes, mas Tétis tinha lágrimas contidas nos olhos.
— Vocês, Cavaleiros de Atena, deixam um rastro de destruição por onde passam. O sonho de muitas crianças-do-mar é cuidar de cada tijolo deste Santuário. Passamos toda nossa vida olhando para essa cidadela do céu-de-mar esperando a nossa chance de poder passar alguns dias com os tritões e sereias mais velhos. Limpando uma fonte, aparando um coral fora de lugar, polindo os espelhos de água-de-prata.
Alice escutava, mas começou a subir os degraus para a entrada do Templo.
— E vocês estão arruinando tudo. Destruindo todos os Pilares Divinos por puro egoísmo.
— Estamos tentando impedir uma injustiça.
— Atena escolheu esse caminho! — bradou Tétis, ainda sem acreditar que seus seguidores pudessem ser capazes de se colocar contra sua vontade.
— Não! — retornou Alice, com força na voz. — Esse caminho foi escolhido por outra pessoa. Nem mesmo Poseidon foi o responsável por tudo isso. Nem quando decidiu inundar o Planeta Terra. Mas Atena está lutando mesmo assim, e nós lutaremos por Atena. Agora leve-me até o Pilar!
Tétis de Sereia, usando sua Escama carmesim, engoliu as palavras e, à contragosto, abriu passagem, convidando Alice para entrar no Templo de Poseidon. Ela já sabia que não teria condições de convencê-la do contrário, muito menos de lutar contra ela. Já havia sido vencida sem que ela sequer estivesse usando uma Armadura, e agora, coberta por aquele manto reluzente e dourado, Tétis tinha plena convicção de que seria ridículo tentar lutar. A guiou pela escuridão do Templo.
Seguiram em silêncio pelos corredores absolutamente abandonados. Alice sentiu um certo terror pelo silêncio claustrofóbico que havia. Pouco tempo depois, chegaram até um enorme portal trabalhado em motivos oceânicos; Alice deixou que Tétis o abrisse e tomou a frente para finalmente chegar até uma enorme câmara. Um lugar amplo, mas escuro, iluminado apenas pelo brilho de algumas quedas de água muito afastadas, que davam luz e também um som característico para aquele lugar.
— Está me enrolando. Onde fica o caminho até o Pilar? — falou Alice, brava.
— O Pilar fica adiante. — apontou ela para um enorme mural ao fundo.
Diante do mural, sentado em um trono de pedra, estava a figura de um homem trajando uma túnica longa e branca; repousando em sua mão direita, um enorme tridente de ouro. Atrás dele, esse enorme mural talhado em uma antiga representação do Deus dos Mares rodeado de seus muitos filhos do oceano. Alice imediatamente reconheceu a figura de Poseidon e sentiu um enorme calafrio lhe congelar o corpo inteiro; sua própria respiração faltou por um momento.
Ao seu lado, Tétis imediatamente se ajoelhou enquanto ela não parecia ter reação. Mas, passado o primeiro momento de pânico diante da ideia de estar diante de Poseidon, Alice notou que, na verdade, a sensação de estar com aquela figura não era assim tão intensa. Ou tão divina. Alice sentiu que não estava realmente na presença do enorme Deus que o nome de Poseidon evocava, parecia apenas ser alguém usando trajes cerimoniais. Mas, pior do que isso, aquela presença parecia desconfortavelmente familiar.
— Onde está Atena? — tomou ela a coragem de perguntar.
Não houve qualquer resposta do outro lado e Alice encheu-se de coragem.
— Poseidon, Senhor dos Mares. Eu sou Alice, Coruja de Atena, e exijo vê-la!
Novamente a voz de Poseidon manteve-se calada em um primeiro momento, até que finalmente falou com certo desdém.
— O que significa isso, Sereia? Por que escoltou essa garota até a Câmara de Poseidon?
— Meu Senhor, eu… eu não tive escolha. — tentou justificar-se Tétis, mortificada por sua fraqueza.
— Saiam daqui. — ordenou Poseidon, pausadamente.
Houve um certo silêncio que trouxe uma esperança para Tétis de que, por um milagre, Alice realmente obedecesse, mas aquela voz deixou Alice confusa. Seu silêncio era apenas o momento para que ela pudesse buscar em sua memória onde havia escutado o dono daquela voz. A Cavaleira de Sagitário deu alguns passos adiante, fazendo com que Tétis se levantasse preocupada com o que pudesse acontecer, mas incapaz de impedir a Coruja de aproximar-se perigosamente do Senhor dos Mares.
Ele não dirigia seu olhar à ela mas, próxima como estava, Alice finalmente viu o dono do tridente sob uma luz tênue que refletia das águas.
— Você?! — surpreendeu-se ela, dando alguns passos para trás. — Saori… O que significa isso? Não me diga que… Eu não posso acreditar. Solte ela! Isso é ridículo. Eu não posso acreditar que alguém como você seja Poseidon.
— Alice! — protestou Tétis, horrorizada, mas a Coruja continuou.
— O Mundo inteiro foi chacoalhado, milhares de pessoas morreram e Saori está agora perdendo sua vida, tudo porque você foi rejeitado?
— Cale-se! — bradou finalmente a voz poderosa de Poseidon.
Os olhos de Poseidon, que antes sequer olhavam para Alice, lentamente a fitaram com profundidade. Alice engoliu em seco, pois se um segundo antes sentia-se na presença de Julian Solo, um rapaz pouco mais velho do que ela rejeitado por uma garota, de repente foi afogada com a sensação profunda de ouvir o trovão da voz do verdadeiro Senhor dos Mares.
— Não me confunda. — disse Poseidon, de forma ameaçadora.
Alice então sentiu seu corpo sendo paralisado e arrastado contra sua vontade até onde Tétis estava, para então cair de joelhos sem fôlego. Foi a primeira vez que Tétis sentiu também a força de Poseidon e, ainda que estivesse ao seu lado, sentiu um medo imenso de seu antigo amigo. Alice levantou-se com o Cosmo inflamado em ouro e o Arco e Flecha de Sagitário armados na direção do Senhor dos Mares.
— O que é isso? — assustou-se Tétis ao seu lado.
— Leve-me até Atena ou eu atiro!
Poseidon não respondeu e o Cosmo de Sagitário tornou-se ainda mais intenso; Tétis levantou-se, colocando-se ao lado da garota, tentando trazê-la de volta à razão.
— O que está fazendo?
— Saia daqui, Tétis!
— Você enlouqueceu, Alice! Não sentiu a presença divina agora há pouco? O que pensa que vai conseguir?
— Vou fazer um milagre.
— Vai só se machucar.
— Esta Flecha de Ouro foi capaz de derrubar um dos Pilares de Poseidon, levantados por sua própria Vontade Divina. — anunciou ela alto o suficiente para que Julian a escutasse do outro lado.
Tétis hesitou por um instante e olhou para Julian, que permanecia sentado sem fazer qualquer menção de se proteger; o corpo de Alice, brilhante naquele traje magnífico de ouro, enquanto o amigo dela usava apenas uma túnica branca com um tridente nas mãos. Ela ficou com medo e então colocou-se entre a seta de ouro e Julian.
— Saia da minha frente, Tétis. Isso não tem nada a ver com você, eu não quero te machucar. Vamos, saia daí!
— Isso tem tudo a ver comigo. Não vou permitir que ataque o Imperador Poseidon.
Tétis tinha o rosto sofrido e seus cabelos louros foram iluminados pelo Cosmo flamejante de Alice, que finalmente pareceu se lembrar de quem ela era. Reconheceu uma das serviçais da Mansão Solo, em tantas festas que foi obrigada a ir ao lado de Saori; Alice achou um total absurdo tudo aquilo que se revelava naquela Câmara mas, fechando os olhos, tentou focar em salvar sua amiga.
— Saia já daí, Tétis! Eu preciso chegar até ela.
— Essa flecha nunca chegará até ele. Você nunca chegará até ela. Eles são deuses. Nós somos mortais. A flecha vai voltar em seu peito.
— Então por que não sai da minha frente? Se está aqui é porquê você teme que eu realmente consiga realizar um milagre. Ou do contrário me deixaria atirar quantas vezes eu quisesse.
— Não, Alice. A ira divina vai te consumir. Não faça isso.
— Saia da minha frente! Eu preciso tentar!
Alice puxou a corda ainda mais fortemente e fechou os olhos.
— Não vai conseguir nada com isso. Poseidon é um Deus, tudo que irá encontrar adiante é a sua morte, Alice. Aquele não é mais um homem.
— Chega!
A Flecha de Sagitário zuniu na direção do peito de Tétis, mas antes que ela pudesse ser perfurada mortalmente pela seta de ouro, viu que a flecha parou a centímetros do seu peito e, à sua frente, Alice foi arremessada para longe contra uma pilastra por uma força imensa. A flecha de ouro caiu inerte aos pés da Sereia, Tétis virou-se para Poseidon e percebeu que ele a olhava diretamente nos olhos, embora ainda sentado, com uma aura brilhante ao redor de seu tridente.
Tétis sorriu, pois ele havia salvado sua vida.
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