Os Cânticos de Ifen

4 O Ministério da Caridade


Aqui já estou, infeliz como ser, apenas mais um dos pobres espíritos a vagar neste mundo destroçado.


Outrora, lutamos por algo maior que nós, maior que nossa existência, e agora… estamos aqui, com um fruto precioso dentro de nós, que não pode ser tirado, nem mesmo ao fim de minha vida. E você vem, mostrando tua mão… pelo quê? Por almas perdidas, profanadas pelo caos, deixadas na crosta de Abis a ponto de que a dor e a corrupção se tornaram parte de nossa antes pura essência?…


Eu… mesmo vendo que não tenho mais salvação… te agradeço, tu foste a chave para sair da maior das desgraças. Minha infelicidade seria ser largado para sofrer as lascivas e doentias punições do Abismo e de seus filhos, minha mente ainda lembra do quão desumano… desregrado fora passar os dias abandonado por meu senhor naquela terra amaldiçoada.


E eu, ainda com um coração ímpio e cheio de rancor, ensandecido em busca de sangue, fui abençoado por sua dádiva, pelo alívio de teu olhar de me conceder, por meio de tua caridade, uma parte tua a mim… Tudo graças a ti, tudo fora graças a ti, eu estaria hoje sendo devorado pelos filhos de Dooroma se fosse tua concessão.


Oh! Grande Príncipe Erudito Enviristóteles, Senhor dos caridosos, dos flagelados, patriarca dos sábios de coração. Eu lhe louvo por sua caridade, por ter me dado a oportunidade de me livrar do perpétuo sofrimento no abismo e me refugiar em Ifen…


Por favor, meu senhor, conceda novamente tua caridade e permita-me ser teu cidadão, teu servo. Permita-me ser os teus olhos, para que tu possas ver as belezas de teus feitos e os frutos de vossa graça. Permita-me ser tua espada, para que eu, com minhas mãos, meu corpo e minha alma, proteja teu legado, teus feitos do mal profano que você nos tirou.