Os Cânticos de Ifen
5 O Ministério da Solidão e do Esquecimento
Este lugar, vazio, esquecido, sem mesmo ter luz própria... nele, você poderia me dar... uma segunda chance?
Entendo que tu me fizeste o bem que poucos fariam, só o fato de ter olhado para trás e me puxar com tuas delicadas mãos já mostra isso. Foi você, aquela que me resgatou em meio ao abandono, em meio aos enxames do caos e da desordem, me trazendo ao vazio deste mundo, mesmo eu sendo deixado pelos que um dia considerei irmãos de batalha.
Não há formas de agradecer tamanha bondade, não tinha conhecimento de que era possível existir um ser tão nobre, tão amável quanto tu, minha senhora... Aceitou meus feitos pretéritos como fundamento de meu julgamento, minhas visões como a base de meu ser, meus atos como as paredes de minha competência, meus erros como as rachaduras de minha morada e meus vieses como o pilar central de toda a minha humilde existência.
Hoje, posso estar aqui, repousando neste florido campo de íris e narcisos, sentindo a vastidão serena destes dias solitários, algo que não posso negar. Finalmente posso refletir em meio à melancolia, entender o que outrora fiz sem pensar, sem recuar.
Finalmente... posso contemplar a solitude de minha e garantir... a minha salvação.
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