Os Acordes Do Amor

19 Tentando não amar você.


Notas iniciais
Olá amoreees. - Demorei? Rs perdoem -me é que eu realmente estava enrolada, mas agora enfim: feriaaas. - Quero agradecer a compreensão de todas e as lindas recomendações que recebi, eu adorei!. - Sobre o capitulo, ele ficou grande, não quis dividi-lo pois achei que perderia o sentido. Gostei assim, espero que não se importem. - Pra quem gosta do Jake e da banda deleitem-se, para quem prefere a Nessie peço que aproveitem o cap. pois é IMPORTANTE. - O capitulo está regado de link de músicas, são legais para ajudar a compreender o Jacob, mas apenas duas são essenciais, vocês descobriram quais são lendo o capitulo. - Bem nos falamos lá em baixo, boa leitura.

Após um dia de descanso Paul, Jake, Seth, Sam e Quil estavam preparados para o que viria a seguir.

Jacob puxou o ar lentamente e segurou-o por alguns segundos, arrumado com sua jaqueta preta e seu jeans escuros, mirou-se no espelho e ostentou o olhar avaliador em seu proprio reflexo, logo soltou o ar mais uma vez. Sua mente estava um enleio desde a manhã, pois nem a ansiedade pelas apresentações e companhia de seus amigos suprimiam a estranha necessidade de Renesmee. Jacob franziu os lábios em um trejeito descontente, o moreno roçou as mãos uma na outra antes de passá-las por seu rosto e arrastá-las por seus cabelos, desalinhando os fios já bagunçados propositalmente.

– Jake. — O chamado de Sam fez Jacob fitar a porta do banheiro e responder:

– Estou saindo. — O moreno então abaixou-se na pia abrindo a torneira e em seguida pondo as mãos sob a água que caía fortemente, logo passando as mãos molhadas por sua nuca e rosto no propósito de aliviar a tensão que estava instaurada em seu corpo.

Jacob não tardou, fechou a torneira, pegou uma toalha branca que estava pendurada ao lado da pia e secou-se. Logo saiu e acompanhou seus amigos até o carro.

As estrelas já adornavam o céu escuro, dentro do carro de Sam estavam os instrumentos essenciais e Seth, os dois estava entre risos e conversas saudáveis enquanto seguiam o carro de Jacob. O veículo ao qual era dirigido por Quil levava Jacob, sua irmã, sobrinho e Paul, cantavam e brincavam no caminho longícuo, mas a medida que se aproximavam, os batimentos cardíacos naquele carro subia assim como acontecia com Sam e Seth, até o momento que formou-se um silêncio feroz causando calafrio nos rapazes.

Estavam ansiosos, cada apresentação era uma surpresa, mas dessa vez estavam brandos, pelo menos até aquele momento a tensão não estava tão devastadora como outrora tinha sido.

– Vamos lá, não será ruim. — Sam disse enquanto parava o carro aos fundos do bar em uma viela que tornava-se ainda mais sombria com a falta de iluminação da rua, porém o movimento de entrada e saída do recinto que era notório não deixava que o lugar fosse visto como uma área tenebrosa.

Era um bar grande, exteriormente uma pintura embaciada e pouco aprazível. Ao adentrarem pode-se sentir o calor das pessoas, o cheiro de cigarro misturado ao aroma de bebidas diversas. A iluminação era baixa, porém notava-se uma luz mais forte sobre o palco e luzes coloridas e piscantes e extensas que percorriam o interior do salão.

Como eles haviam chegado cedo, afim de ensaiarem, perceberam que o salão não estava lotado, mas sim todas as mesas do fundo, próximas ao bar, estavam ocupadas. Todos os rapazes sentiram um comichão subir do estômago até a garganta, sinalizando a apreensão de todos, inclusive Rachel não reprimiu um sorriso afortunado ao notar o tanto de gente veria os garotos tocarem. Até Josh de mão fortemente agarrada a de Jacob, sorria abobalhado com o lugar amplo e pessoas com curiosidade e ansiedade no olhar dirigidos a eles.

Não demorou e os rapazes montaram os instrumentos com ajuda de músicos que já frequentavam o local e que aquela noite cederiam o espaço do palco para a banda que já estava combinada.

[...]

– Estou com dor de barriga. — Seth gemeu ainda à espreita do canto do palco observando as pessoas que divertiam-se enquanto bebiam, dançavam, fumavam e conversavam, ele não conseguia quantificar o número de pessoas que via, mas sentia o desconforto abdominal e a debilidade de suas pernas.

– Pare de bobeira, aqui não é diferente de Forks ou Los Angeles. — Rachel disse a ele colocando-se ao seu lado e apoiando as mãos no braço dele enquanto também observava as pessoas espalhadas pelo salão e continuava a falar. — A Leah ligou e desejou-lhe uma ótima apresentação e disse para não ficar nervoso. — A morena sorria para Seth que somente esboçou um sorriso apreensivo saindo dali e indo de encontro aos amigos em um pequeno quarto que usavam para o último preparo antes de subirem ao palco.

– Seth como você está? — Jake perguntou com um traço de escárnio em sua voz.

Seth estreitou os olhos para o primo e retrucou:

– Não enche, Jacob. — Seu tom sem humor deixou claro que estava realmente nervoso, enquanto os outros deixavam risos baixos preencherem o ar.

– Acho que já podemos ir, não? — Paul sugeriu levantando-se da poltrona de tecido ruído, a qual abrigava seu filho adormecido, e encarou os amigos com ansiedade.

Jake que estava sentado em cima da pequena mesa, desceu e resfolegou, logo soltando o ar lentamente, em seguida agitou as mãos afim de aliviar a tensão que apesar de oculta, ele sentia.

– Vai dar tudo certo. — Sam assegurou para Jake, dando-lhe um breve aperto no ombro.

Nesse momento Rachel entrou cautelosamente no pequeno quarto.

– Como estão as coisas por lá? — Quil inquiriu, estava sorrindo porém era mais um inquieto.

– Muita gente, e já anunciaram que vocês vão tocar, mas primeiro um cara cantará uma música. — Rachel respondia enquanto aproximava-se do filho e agachava-se para ver melhor o menino que ressonava tranquilamente. — Vocês precisam relaxar, são ótimos e aquela gente vai adorar. — Continuou , e colocou-se de pé. — Em breve conseguirão gravar um disco, tenho certeza. — Acrescentou com um sorriso jovial contagiando os meninos com seu otimismo.

Sem delongas cada um dos homens despediu-se de Rachel, que decidiu ficar com o filho adormecido, e seguiram para fora. Quil e Jacob que continham cada um sua própria guitarra, aproveitaram para usarem o instrumento de apoio apertando-o sem medir a força.

[...]

As luzes fracas ofuscavam um pouco a plateia, mas não abrandava a euforia da banda. Todos estilosamente vestidos, Paul com sua camisa de botão semi aberta deixando parte de seu abdômen a amostra, Seth com uma camiseta negra, sempre usava aquele estilo, combinava com seu jeito jovial. Sam usava uma jaqueta de couro como Jacob mas não era negra era um marrom igualmente a suas boas, Quil era largado a camisa de manga e a bota de mesma cor em conjunto ao cabelo bagunçado era sua marca, postos em suas posições — Jake no vocal com uma guitarra, Quil com outra guitarra e back vocal, Paul ao teclado, Seth na bateria e Sam em seu quieto canto com o baixo. — Respiraram fundo e sorriram nervosos enquanto as pessoas aplaudiam ainda a entrada impactante dos formosos homens.

Break (Quebrar)

Esperaram aflitos a calmaria das pessoas, coisa que veio logo, então Quil, mesmo que nervoso, com um sorriso sacana no rosto deu um solo na guitarra que rompeu o ouvido da galera que ovacionou pelo solo perfeito. Logo Jake saudou a plateia e em introdução entoaram uma das canções antigas.

Quil e Jake tocavam sob os assobios e animação da plateia, o que causou uma certa calma nos guitarristas que sorriram abertamente um para o outro deixando que as pernas bambas firmassem no chão dessa vez e as mãos apertassem ainda mais o braço do instrumento.

Os outros integrantes acompanhavam a música mesmo que somente Quil e Jacob partilhassem do mesmo microfone.

Entoavam a canção com ardor na voz que contagiou os outros integrantes que acompanhavam o verso e a plateia que não deixava de curtir a música.

Jake retomou o fôlego e apertou o microfone com força deixando para somente Quil a tarefa de entoação das notas com a guitarra. Enquanto cantava com os olhos cerrados o moreno sentia que uma euforia adentrava e com o frenesi correndo por suas veias as lembranças que tomaram sua mente.

A imagem da garota frente as ondas que quebravam nas pedras de La Push tomou conta de sua visão, mesmo que seus olhos estivessem fechados enquanto cantava. Os cabelos esvoaçantes da pequena mulher acometiam a face que Jacob já havia visto por pequenos minutos não havia muito tempo.

Sorrindo Jacob em cima da pedra fria voltou seu olhar ao horizonte tranquilizador, mas não tardou a fitar novamente a jovem que observava o mesmo mar que ele.

– É lindo, não é? — Perguntou sem deixar de fitar a moça enquanto com ímpeto Renesmee virava-se para trás e com sua expressão assustada por procurar o dono da voz. Jacob não segurou a gargalhada diante da confusão da garota, a qual ele não deixou de contemplar a beleza enquanto ela espontaneamente sorria para ele.

– Te assustei? Desculpe — Jacob disse sapeca entre risos.

A moça maneou a cabeça sorrindo.

– O que faz aí? — Ela perguntou curiosa e a sua voz melodiosa viajou até Jacob que congelou o sorriso por ficar embevecido por aquele som harmonioso.

Jacob abriu os olhos ainda sorrindo com as lembranças, a letra da música fluía por seus lábios mas o que entrava eram as notas e a voz melodiosa de Renesmee que seguira por todo o diálogo que tiveram. Aquilo não lhe causou dor e nem tristeza, apenas conforto, eram boas lembranças e um som animador que guiavam as batidas do seu coração.

Todos no palco sentiram o peito esquentar e os batimentos cardíacos elevarem assustadoramente ao ouvirem a plateia acompanhar o refrão tão pesadamente quanto eles.

Ao fim da canção o moreno sorriu para a platéia que ouvia extasiada a melodia com entusiasmo. Jacob afastou-se por breves segundos do microfone dando as pessoas que os ouviam e assistiam uma visão privilegiada de toda estrutura máscula e radiante de Jake.

Jacob respirava aos arquejos, sorriu para os amigos e entreolharam-se os cinco e logo Quil puxou a primeira nota e Jake sabia qual a canção.


Long Way (Tão longe)

O moreno sorriu e o acompanhou, era uma de suas composições e fitando toda aquela gente que ouvia-os em silêncio Jacob puxou o ar violentamente e expirou enquanto entoava solenemente.

Estradas empoeiradas, olhos sem esperanças, olhando para as luzes cegantes
Eu vi seu fantasma

Aqui hoje à noite,

Ele permanece e eu te sinto vivo

puxando-me de volta para o lugar

Jacob afastou-se por segundos fitando o fundo do estabelecimento.

Mas o pensamento de te encarar
É mais do que eu possa lidar

Logo retomou seu lugar agarrando o microfone com uma das mãos e continuou cantando absorto nas sensações arremetidas pela música.

Faziam quatro meses, quatro malditos meses que Jacob havia visto o olhar de sua amada pela ultima vez.

Sua animação em revê-la foi embora instantaneamente quando viu a placa medonha com o escrito em vermelho: vende-se, em frente a grande propriedade que tinha certeza ser a de Renesmee. O amargo que subiu à sua boca naquele dia, estava mais uma vez salpicando em sua língua aquela noite.

As batidas do coração de Jacob não tinham uma ritmo contínuo, ora abaixava ora era tão alto que Jacob pensou em poder ouvi-las, a angustia que sentia em seu interior agora era fraca porém desconfortável, a sensação de estar dando voltas sem destinos, eram expelidas sem hesitação por seus lábios enquanto cantava fervorosamente embevecendo a plateia.

Jacob abaixou as pálpebras permitindo-se sentir a música invadir sua alma, mas a euforia das pessoas despertou-o fazendo-o abrir os olhos ao cantar outra vez. Suas mãos agora prendiam-se ao microfone com afinco tão grande que as pontas de seus dedos ficaram brancas assim como sua voz ia ficando mais grave conforme seus sentimentos eram expressados e ouvidos por toda aquela gente que absorvia cada sensação, mantendo-se enlevadas.

Os meninos sentiam uma áurea de felicidade naquele palco, sentiam-se mais leves e eufóricos ao mesmo tempo. Todos já soavam , mas não deixavam de castigar as cordas vocais tão pouco poupavam as cordas de ceda ou os pratos da bateria como também o teclado não era aliviados nos dedos enérgicos de Paul.

Fitaram-se por alguns segundos afim de recuperar o fôlego, pois os cinco respiravam custosamente, mas logo voltaram a atenção a plateia enquanto Jacob cantarolava baixo.

Eu vi seu fantasma

Aqui hoje à noite,

Ele permanece e eu te sinto vivo

A plateia ovacionou e os cinco sorriram fitando-a, principalmente Jacob que permitiu-se enredar pela música.

Em meados da apresentação as pessoas já gritavam a cada canção entoada, mesmo sem conhecer a letra por completo mas elas estavam tão enlevadas pelo talento dos rapazes que detiveram a atenção sobre o palco e as músicas.

Os rapazes estavam radiantes, ligeiramente relaxaram os membros e todos voltaram às suas posições sob os aplausos das pessoas.

Half-life (Meia-vida)


Então Jacob respirou mais uma vez enquanto Paul engatou em uma última canção, fazendo os amigos sorrirem enquanto se recuperavam e logo Jacob estava novamente com as mãos em repouso no pedestal do microfone deixando sua voz exalar sentimentos, emoções e fagulhas nas pessoas, e permitindo-se sentir-se tão embriagado quanto elas.

Jacob moveu as pálpebras lentamente para baixo e sentiu o coração trotar, ébrio por suas lembranças. O moreno moveu levemente a cabeça para o lado afim de tirar as perturbadoras imagens de sua cabeça.

Ele e Renesmee no banho, ele e Renesmee na praia, ele e aquela arrebatadora mulher se amando na sala, ambos conversando na cozinha, trocando declarações deitados sobre a cama, o moreno notou ali que o problema não era cantar e tocar ou a canção, era ela, Renesmee que jamais abandonaria seus pensamentos e ele sentiu-se débil por isso.

– Não quero que vá. — Jacob disse birrento observando Renesmee com apenas sua camisa sentada sobre a mesa devorando a geleia de morango, levando copiosamente o indicador para a boca limpando todo o conteúdo doce de sua pele.

– Eu não vou, amor. Já disse-lhe isso, nunca me senti tão bem como me sinto com você. — Disse ela antes de beijá-lo e fazer com que Jacob também sentisse o doce afrodisíaco em sua boca.

Jacob entoava o refrão da música sendo acompanhado por seus amigos, ele fitava a plateia que estava exultante diante da apresentação impecável dele e de seus amigos.

– Ai Jake eu sinto tanto sua falta. — choramingou ela do outro lado da linha do telefone.

– Vou contar cada minuto até você voltar. — Disse Jacob sério, seu coração estava apertado.

Seu coração vacilou ao recordar da última vez que ouviu sua amada e Jacob notou que lágrimas traiçoeiras eram formadas atrás de seus olhos.

Venha, vamos nos apaixonar
Venha vamos nos apaixonar novamente

Por que ultimamente o sol aqui não se sente bem
Esta é somente uma meia-vida
Sem você eu vou quebrar
Oh, me acorde
Eu quero ver a luz do dia
Me salve desta meia-vida
deixar você e escapar
Escapar do tempo
Venha, vamos nos apaixonar
Venha, vamos nos apaixonar
Venha, vamos nos apaixonar ..... de novo

[...]

A euforia estava grande ao final da apresentação, não havia proteção no palco uma vez que o lugar não era rotineiro de belas performaces como a que teve aquele dia, então assim que os rapazes desceram do palco sorridentes e mais jubilosos que a plateia, duas moças robustas e loiras seguraram deliberadamente os braços de Paul e Jacob, uma em cada braço, ficando nas extremidades da corrente formada. A mais baixa agarrou-se em Jacob e a outra mais magra e alta em Paul. Os dois sorriram divertidos enquanto caminhavam, pois as mulheres os lavavam de lisonjeio, e da mesma forma fazia a ruiva que se aproximara de Quil, esse logo a abraçou e sorria desavergonhado já que a ruiva também não economizava elogios dirigidos a ele.

Os rapazes seguiram para o open bar, onde Rachel já esperava desde a última música. Depois de quase duas horas na adrenalina, precisavam de uma boa dose de cachaça pra molhar a garganta.

Logo Sam e Seth chegaram primeiro ao bar, mesmo Seth ladeado por duas jovens um pouco encabuladas conseguiu acompanhar Sam e ambos cumprimentaram a Rachel antes de se sentarem nas cadeiras ao seu lado direito. No entanto Rachel apenas sorriu e parabenizou os meninos sem ao menos encará-los, seus olhos estavam ardendo e focados em Jacob e Paul, mas precisamente em seu marido, já que ambos estavam confortavelmente enredados pelas mulheres tagarelas.

Quil também cumprimentou a morena assim que chegou ao bar e logo afastou-se alguns bancos para assim sentar-se com a ruiva que enchia-lhe o ego já avantajado.

– Meus amores, vocês foram maravilhosos. — Rachel pretensiosa ovacionou abraçando Paul e Jake, pondo-se entre eles ao mesmo tempo, ignorando completamente a presença das duas mulheres.

– Obrigado, obrigado. — Jacob agradeceu jovial beijando carinhosamente a bochecha de sua irmã.

Logo Paul fez a menção de curvar-se e beijar os lábios da morena, porém Rachel tão cedo e prontamente largou a cintura de Jacob e envolveu esse mesmo braço no pescoço do marido espremendo seus lábios no dele severamente logo adentrando com a língua em sua boca sem sua permissão. Paul no primeiro segundo, surpreendido, ficou estático e no segundo seguinte soltou a loira e cingiu seus dedos nos cabelos escuros da esposa correspondendo impetuosamente o ritmo imposto por ela.

Enquanto Rachel e Paul enlevavam-se em um beijo fogoso o qual causava excitação em ambos, Jacob e as loiras franziam a testa e erguiam um lado apenas dos lábios em uma careta de aversão a cena. Jake era mais pelo fato de que a mulher agarrada e embrenhada no homem ali era sua irmã, o que fazia a cena para ele ser um pouco nauseante. Já as loiras tinham inveja do jeito voluptuoso que Paul levava o beijo após a investida da morena.

Jacob ainda ostentando a careta de incomodo, soltou-se da loira que ainda tinha o braço envolto no seu. Aproximou-se mais do bar pedindo uma malzebier¹, deixando a cena protagonizada por sua irmã e cunhado à suas costas.

– O ... que .... aconteceu? — Paul perguntou aturdido e com sua respiração irregular.

Ainda estava agarrado ao corpo de sua mulher, como também soltava sua respiração custosa nos lábios dela atraves de sua boca entreaberta.

Rachel também sentia o ar escasso, resfolegou e libertou-se de Paul, colocando uma mascara prepotente em sua face. E com essa postura altiva, dirigiu-se ao bar e sentou-se em um banco, lugar esse que a morena nem percebeu que havia sido cedido por Seth assim que ela aproximou-se.

Paul permaneceu sem expressão em sua face esperando uma resposta, Jake ao lado de sua irmã também aguardava uma explicação para o inusitado comportamento dela enquanto tomava um sorvo de sua bebida. Seth agora de pé e entre Paul e Rachel olhava divertidamente a cena.

– Da próxima vez. — Assinalou. — Escute bem Lahote. — Rachel ostentou um tom petulante em sua voz assim como o olhar que tinha sobre o corpo rígido de Paul. — Da próxima vez que eu ver seu descaramento em deixar-se levar por uma qualquer e ficar aos risos travessos com ela...., — advertia pausadamente movendo seu indicador para Paul que tinha o olhar levemente arregalado e bastante assombrado porém com traços de divertimento. — Não lhe darei um beijo, lhe arrancarei as bolas. — Concluiu em uma veemência tão absurda que não foi só Paul que gemeu diante da ameaça, mas os outros três que a ouviram também.

– Amor, não fiz por mal, eu nem reparei. — O moreno aproximou-se e desculpou-se em tom suave e doce.

– Não perguntei porque fez, e sim disse o que acontecerá se acontecer outra vez. — Rachel mantinha seu tom impertinente e continuou em sua voz habitual. — Agora verei MEU filho que está dormindo sozinho naquele quartinho, — disse ao se levantar. — Por favor não demorem. — Dirigiu-se a todos exceto a Paul que encarava-lhe esmorecido, mas sabia que o pedido aplicava-se a ele também.

[...]

Já chegava as 04:45 da madrugada e Sam, Rachel e Jacob conversavam na sala enquanto a morena zapeava os canais da tv apertando o botão "up" do controle repetidamente sem prestar atenção no que passava na Tv. Aguardavam Paul retornar a sala com os sanduíches e Seth vir do banho, era uma disputa acirrada para saber quem retornaria primeiro.

– Eu não tenho sono. — Seth declarou pulando o respaldo do sofá e sentando-se brutalmente ao lado de Sam que balançava sua lata de cerveja entre as mãos enquanto ria do jeito brejeiro de Seth.

– Ninguém aqui dormirá tão cedo Seth. — Jacob comentou levando sua bebida a boca.

– Josh está dormindo. — Seth rebateu com as sobrancelhas juntas.

– Ele é criança idiota. — replicou Sam impaciente. — Além do mais o pobrezinho dormia já antes de começar o show. — explicou e Seth simplesmente deu de ombros.

– Ninguém sente sono que eu sei, mas e fome? — Paul indagou retornando a sala com vários sanduíches feitos de queijo, presunto, maionese, alface e picles, postos em uma bandeja simples que encontrou.

Não demorou e mãos grandes e desmazeladas partiram para a bandeja recém colocada na mesa por Paul, esse por sua vez em um lampejo de cavalheirismo entrou momentaneamente na briga por uma busca de sanduíche, logo pegando um e oferecendo a Rachel que sentada ao lado de seu irmão olhava a cena horrorizada.

– Ai, obrigada amor- Agradeceu ao marido dando-lhe um leve estalo nos lábios antes de continuar sobre seus lábios. — Não sei se conseguiria comer com esses brutamontes sem educação devorando tudo. — Alfinetou e Paul apenas riu esforçando-se para sentar entre Rachel e Jacob, o que precisou de um pouco de força já que Jake não salientou-se em movimentar-se para o lado.

– Ah o Paul demorou muito, como queria que eu reagisse diante de uma boa porção de sanduíches deliciosos? — Replicou-lhe Seth com a boca cheia.

Logo estavam com as fomes controladas e esbanjando piadas com humor, Rachel apesar de um pouco cansada, afinal já era de manhã, não podia deixar de rir das estórias inventadas e aumentadas dos amigos, seu irmão e marido. Todos explodiam em ruidosas gargalhadas, inclusive Rachel.

– Meu Deus parem, vão acordar o Josh assim. — Observou a morena entre risos mal contidos de sua parte.

– Tá escuta. — Paul chamou a atenção de todos ficando sério de repente. — O bar de amanhã é foda, toda semana tem algum músico ou banda por lá, vamos ter que arrasar. — Assinalou sorridente com suas palavras um tanto tortuosas pelo grau de álcool já ingerido.

– Isso é fácil, vocês são ótimos, e não é só a minha opinião. — Rachel demarcava. — Precisam ver como as pessoas ficam extasiadas por vê-los tocarem, escrevam o que digo. — A morena varreu os olhos pela face de cada um ali presente que a fitavam com apreensão, e logo ela continuou. — Se um dia um produtor por os olhos em vocês, tenham certeza que não hesitaram em um contrato vocês extraordinários. — Ela acrescentou embevecida, com um brilho devoto no olhar, permanecendo com a visão cobre os homens que fitavam-na ainda tragando sua declaração.

– Rachel sou muito grato pela força que nos dá. — Jacob disse abraçando-a.

– Vocês merecem, são talentosos. — Retrucou despretensiosa balançando brevemente os ombros.

Logo o clima de divertimento voltou a instalar-se na sala, até que clareou o dia e restava apenas Jake dormindo no sofá da sala.


[...]

O sol estranhamente ostentava o céu de Seattle, estava calor demais ou talvez fosse a pequena casa alugada que abafasse tanto o ar. Os rapazes divertidamente assistiam a um jogo na Tv incluindo Josh na reunião, deixando para Rachel a prazerosa tarefa de cuidar do almoço.
Logo estavam todos estavam satisfeitos com a comida servida pela morena. Josh e Quil mal descansaram do almoço e arriscavam uns leves golpes de luta no gramado reluzente pelos raios de Sol. Já o restante divertiam-se com um programa de humor que passava na Tv juntamente as piadas desconexas contadas por Seth
Por outro lado o aparelho celular de Jacob passou a tocar insistentemente sobre a mesinha da sala. O telefone tocou o suficiente até o som estridente sobressair em meio as gargalhadas

– Só um minuto. — Jacob pediu, erguendo o dedo indicador e controlando a risada buscando o celular, enquanto seus amigos limitaram-se a abaixarem em um tom o volume da voz e risadas.

Jacob por outro lado não deu-se ao trabalho de ler a identificação no aparelho apenas levou o aparelho a orelha voltando a sentar-se e atendeu :

– Alô. — Sua voz era jovial, o que levou os lábios femininos do outro lado da linha elevarem as comissuras.

Jake.– A voz estridente e feminina de Jessica fez Jacob despertar repentinamente e roubar a sua atenção de alguma piada de Seth, enquanto consertava a postura ao responder:

– Oi Jessica. .. hã como você está? — A voz hesitante e palavras receosas de Jake também fizeram Rachel, que estava sentada ao seu lado no sofá, ligeiramente levar a atenção a conversa.

Eu liguei para saber de você né sumidinho - Respondeu a loira deitada em sua cama. — Estou com saudades e como foi o show?– Continuou ela.

– Fico feliz que tenha ligado. — Respondeu simpaticamente,mas sem um sorriso reluzente nos lábios, apenas uma curva leve e singela. — E sobre o show foi tudo bem, o que acontece é que desde que cheguei não tive muito tempo vago. — Explicou a Jessica — Achei que poderíamos conversar quando eu chegasse, seria mais cômodo. — Observou.

Jessica sentiu um desalento golpeá-la diante a indiferença explícita de Jake, mas não deixou-se abater, impôs um sorriso em sua face, mesmo que Jacob não o visse poderia senti-lo em suas palavras:

Estou com saudades, você nem me deu um telefonema.– Chiou e então Jacob refolegou suavemente levantando-se e indo até a cozinha.

– Jessica deixei claro que não temos compromisso algum, justamente por meus sentimentos complicados, não se prenda a mim por favor, detestaria te magoar. — Retrucou sério, buscando uma garrafa de água na geladeira.

– Jake achei que gostasse pelo menos de ficar comigo.– Choramingou enquanto Jacob dava um sorvo na bebida pelo próprio gargalo da garrafa.

– Jessica eu gosto de você, e falei sério quando disse que ia tentar que déssemos certo, mas não pressiona, Okay? Vamos devagar. — O moreno pediu e logo levou a garrafa a boca mais uma vez.

Jessica por sua vez suspirou tristonha.

Está bem Jake, se quer assim eu espero, mas eu posso te ligar pelo menos, quando eu sentir saudade?– Disse chorosa e foi a vez de Jake suspirar desanimadamente, decidindo-se sua preferência entre ela o aceitar confuso desse jeito a mandá-lo para o inferno.

O tamborilar dolorosamente lento de seu coração mostrava-lhe que uma rejeição seria muito mais aprazível a compreensão passional de Jessica.

– Está bem, me ligue quando quiser. — Jake soprou as palavras sem vontade erguendo os olhos da garrafa e pondo-os sobre a figura morena e carrancuda apoiada na soleira da porta.

– Beijo Jake, tenha uma boa tarde.

– Boa tarde para você também, beijo.

– Jacob não te entendo, não a ama, não é justo com você e nem com essa daí. — Rachel reclamou sentando-se em uma das cadeiras de madeira assim como era a mesa.

– Rachel gosto da Jessica do jeito que é, não posso obrigá-la a me largar, uma vez que disse toda a verdade e mesmo assim insiste em nós, não irei dispensá-la quando sei que não encontrarei tão fácil assim uma mulher legal como ela que aceite o fato que estou fadado a amar uma mulher que nem ao menos sei por onde anda. — Contestou o moreno sentando-se ao lado de Rachel.

– Ah claro ela é óbvia pra você. — Retrucou sarcástica. — Mas não pode impedir que ela tenha pensamento possessivo com você ou se ache com direito de algumas coisas, tendo compromisso sério ou não jake, sendo fácil ou não ela é uma mulher e muito mais que isso, ela vê em você um troféu, um porto seguro, ou você acha que ela também não está cega para os demais? Escute o que estou te dizendo Jake, não é uma ordem é um conselho, se não terminar com isso de uma vez vai deixá-la ganhar um espaço que não tem e você ficará preso em uma relação enfadonha. — Rachel disse fitando-o seriamente, sustentando seu olhar no dele que transparecia ambiguidade.

– O que me sugere Rachel? Que fique por aí me remoendo por alguém que não me quer ou talvez pegando dezenas de mulheres até achar uma como a Jessica e pararmos no mesmo problema ou talvez eu deva enganar uma pobre mulher dizendo que a amo quando na verdade estou com ela por puro consolo? — Jacob questionava em tom gutural. — Por favor Rachel deixe as coisas como estão, se eu tiver que firmar um namoro com a Jessica mais uma vez para sentir-me melhor o farei. — Assinalou.

Rachel suspirou derrotada, abaixou brevemente o olhar fitando suas mãos recém entrelaçadas sobre a mesa e fitou seu irmão novamente antes de pronunciar-se:

– Então esse é seu plano para o futuro? Deixar aquela loira te dominar até casarem e você ficar a mercê de uma relação de conveniência? — Especulou amarga o fitando com descrença.

– Não Rachel. — O tom de Jake foi suave porém firme o que fez prender a atenção de Rachel nas palavras seguintes do irmão. — O meu plano é deixar o passado para trás, e espera um futuro melhor, seja lá como for. — Deliberou sem expressão em sua face com seu olhar negro excruciante.

Rachel penosa aproximou-se do irmão e afagou-lhe a bochecha sob uma de suas mãos.

– Espero que não se arrependa do que está fazendo, sei o quanto se esforça pra deixá-la sair de seus pensamentos e largar esse sentimento, e eu gostaria que fossem furtivas suas tentativas mas Jake. — Ela pausou hesitando em suas palavras. — Sinto que não a deixará completamente. — Concluiu receosa.

Rachel desde o primeiro instante soube que Renesmee era alguém diferente na vida de seu irmão, poderia não estarem juntos porém a morena sabia que o grande amor da vida de Jacob era Renesmee e ele nunca iria esquecê-la totalmente, mas Rachel esperava que um dia esse sentimento egoísta e sufocante que enredava seu irmão no mínimo cedesse o suficiente para que ele seguisse a vida sem pesares.

– Eu tenho certeza disso mana. — Jake respondeu baixo e em seguida colocou um sorriso débil nos lábios antes de continuar. — Sinto uma força me ligando a ela a todo tempo, como se estivéssemos entrelaçados por um laço invisível e irredutível, e Rachel acredite eu o amaldiçoo todos os dias por não me fazer esquecer dela nem por um miserável dia. — Seu olhar outrora frio e vazio agora transbordava ardor e paixão com traços de dor, eram sentimentos que extravasavam em seus poros, o calor da paixão imensurável que sentia por Nessie e a dor de não poder viver esse amor.

Paul entrou na cozinha a tempo de escutar a última frase do amigo.

– Ainda nessa jake? — Inquiriu suavemente e o silêncio de Jacob foi o suficiente. — Quer um conselho? — Perguntou aproximando se.

– Amor já lhe dei vários conselhos, mas o Jake quer se entregar ao destino como um leviano, não quer se erguer e passar por cima de tudo. — Lamentou Rachel.

– Rachel não é assim, se eu pudesse por a mão em meu peito e arrancá-la eu faria sem pestanejar, mas Renesmee está viva em mim como se tivéssemos juntos ainda ontem. — Retrucou veemente.

– Eu quis dizer um conselho de alguém que está por fora. — Paul interrompeu a discussão dos irmãos explicando-se. — Eu não estou cego e enredado por um sentimento irrevogável como o jake e tão pouco tenho ressentimento pelo ocorrido como a Rachel, posso ficar triste ao te ver assim, mas não tenho raiva nem da Renesmee e muito menos da Jessica. — Sua voz era suave e penetrante na cabeça de Jacob que prestava atenção no amigo

– Mas Paul a Jessica é uma oferecida e obcecada pelo Jake, não gosto dela para ele. — Rachel pronunciou-se enérgica.

– Isso não cabe a você decidir. — Replicou Jacob imediatamente e impaciente.

Paul balançou sua cabeça concordando com o cunhado.

– Sim, sei disso mas custa considerar uma forte opinião e levar isso em consideração quando for ceder aos desejos daquela aguada? — Retrucou a morena pedindo com afinco a seu irmão.

– Amor, não peça isso a ele. — Paul interveio. — Seu irmão é homem, baby. Por mais que ame a outra e não pense em se aproveitar da Jessica, se ela sentar com um mini vestido no colo dele e rebolar com vontade, amor será impossível não ficar de pau duro. — Assinalou tirando um riso discreto de Jake que concordou com ele acenando com a cabeça.

Já Rachel arregalou os olhos e fez uma careta de horror.

– Paul não diga isso, tenha consciência ele é meu irmão isso é incomodo e deveria me respeitar, sou sua esposa. — Rachel reclamou ostentando um bico em seus lábios.

– Mas é a mais pura verdade, infelizmente nós homens não temos total controle sobre essas coisas. — Paul defendeu-se acariciando a cabeça da esposa que limitou-se a colocar os olhos em branco diante da camaradagem masculina.

– Então eu sugiro que primeiramente o Jake tente ficar em paz com seu espírito, não pode mudar o passado. — Observou cauteloso diante dos olhos atenciosos de Jake. — Mas você pode aguardar um bom futuro. — Finalizou e Jacob sorriu complacente.

– Ela não voltará Paul. — Rachel suspirou as palavras com desânimo.

– Como sabe?. — Inquiriu o marido da morena e tanto ela quanto Jacob franziram o cenho.

– Ela foi embora porque quis, sabe disso. — Rachel contestou em seguida. — E além do mais ela teve oito anos para procurá-lo, não será agora que isso acontecerá. — Afirmou a morena veementemente .

– A Rachel tá certa Paul, Renesmee teve seus motivos para sumir e não voltar, não ficarei ansioso com a ilusão que um dia ela retornará. — Jacob declarou com desalento.

– Jake, pense. — Paul falou fitando-o pedinte. — Não estou dizendo para ansiar por sua chegada mas manter-se calmo, não precisa agarrar-se a qualquer mulher só para esquecer a Renesmee, dê tempo ao tempo, viva normalmente, já disse-lhe isso uma vez. Se não a esqueceu depois de todo esse esforço algum motivo há, não se desespere. — Concluiu e Jacob abaixou seus olhos refletindo na palavras do cunhado.

– Paul eu preciso esquecer a Renesmee, isso faz mal a mim, preciso amar alguém que me ame sem reservas. — As palavras de Jake fugiram de sua bica com sofreguidão e Paul permaneceu com seu olhar seguro sobre o amigo, ponderado qual melhor argumento dessa vez seria viável para fazê-lo entender que o melhor era deixar o destino a cargo de tudo.

– Jacob. — A voz calma e doce de sua irmã invadiu seus ouvidos acariciando-os.

Jacob então sorriu gentilmente esperando a continuação.

– Lembra quando me apaixonei pelo Paul? — Indagou com um singelo sorriso nos lábios tão genuíno e encantador que Paul e Jake fizeram o mesmo.

– Você era uma criança. — Jacob respondeu com um tom nostálgico e sorrindo pelas memórias. Rachel tinha apenas doze anos quando pela primeira vez desejou o amor do homem que estava imóvel ao seu lado.

– Exatamente. — Contestou. — Levei anos guardando o amor por alguém que eu já aceitava que nunca seria meu e quando eu menos esperava o idiota do Paul reparou em mim.- Assinalou.

– Hei. — Paul sorrindo reclamou em tom glacial, mas Rachel com sua face serena virou-se para ele com um olhar repressor.

– Você cala a boca. — Seu tom era autoritário com um toque de diversão. — O que quero dizer Jake é que entendi o que o Paul quer dizer e ele tem razão não vale a pena enlouquecer e agarrar-se aquela louca da Jessica ou tampouco adiantaria ficar como louco atrás da Renesmee, espere Jake, tudo tem seu tempo, fique onde está. — Ela finalizou seu argumento e um minuto de silêncio aprazível dominou a cozinha.

– Galera já estou indo arrumar-me para o show... — Sam comentou adentrando a cozinha mas não demorou a perceber o silêncio estranho. — O que houve?

– Nada. — Paul respondeu logo enlaçados furtivamente a cintura de sua esposa. — Vamos amor, o Jake precisa de um momento sozinho. — O tom macio de Paul tinha um toque de repreensão, mesmo assim Rachel ainda tentou argumentar porém seu marido já puxava-a delicadamente para fora do cômodo enquanto despedia-se dos amigos:

– Jake, Sam, vejo vocês mais tarde.


– Valeu Mano. — Jacob respondeu mesmo que Paul e Rachel somente ouviram durante o caminho.

– Sabe Jake... — Sam começou sentando-se a mesa de frente para o amigo. — Eu não gosto de interferir na vida de ninguém porque não gosto que façam isso com a minha, tão pouco minha opinião mudará algo, mas preciso te dizer algo que há muito tempo eu aguardei para mim. — Disse tipicamente serio com as sobrancelhas juntas esperando um "aval" de Jake para continuar.

Jacob elevou seus olhos para o amigo que encarava-lhe sério com os olhos profundos, o moreno pegou um pouco mais de ar lentamente e consertou-se na cadeira mantendo seus olho sobre o homem a sua frente.

Sam era de pouco falar e aconselhar então.... Isso era tarefa para Paul que tentava ajudar a todos a quem queria bem. Mas Sam no pouco que dizia era sábio, Jacob reconhecia isso, mesmo rude e frio na maior parte do tempo Sam estimava cada um dos seus e nada que dizia a eles era com má intenção.

Certo de que seja lá o que Sam dissesse confortaria-lhe, com um das mãos Jacob sinalizou que o amigo podia falar.

– Sabe que não concordo com essa sua depressão descabida por aquela garota, até porque acho irracional seus sentimentos por ela. — Assinalou com seu típico tom glacial. — Bem isso não é da minha conta e peço-lhe perdão por não compartilhar de sua dor, eu somente não faço gosto da automutilação, isso não significa que não me comova verdadeiramente por seu sofrimento. — Acrescentou e calou-se abruptamente deixando Jake a espera por mais. — Sei que uma vez ainda disse que Renesmee não queria-lhe de verdade e que perdia seu tempo esperando por ela, bem perdoe-me Jake, sabe que eu estava furioso, enfim eu sou enervado assim mesmo, não é? — Sam explicou-se em tom suave vendo as comissuras doas lábios de Jacob elevarem-se em um sorriso complacente.

– Eu estava errado. — Demarcou e Jacob encrespou as sobrancelhas unindo-as em sinal de confusão. — Não deveria ter dito aquilo, eu não tenho o direito de julga-la, sinto muito não ter lhe dito isso antes mas observando tudo penso que talvez algo possa ter acontecido a ela não? — Especulou e as orbes negras de Jake saltaram em sobressalto. — Não sei jake penso que não deve se martirizar por algo que você desconhece. — Completou.

Jacob manteve o corpo rígido, o tumulto de seus pensamentos estava espelhado em seus olhos e face. Sua expressão era tão séria quanto a de Sam, cruzou os braços em desconforto.

– Acha que faço errado em tentar esquecê-la? — Indagou Jacob em seu tom suave e ambíguo criando mais rugas em sua testa.

Sam sorriu condescendente antes de responder-lhe:

– Não, na verdade não estou aqui para dizer-lhe o que é certo ou errado, estou aqui para deixar meu parecer diante de toda a situação tortuosa a qual se encontra, meu amigo. — O tom de Sam era curiosamente brando. — Acho errado Rachel e Leah se meterem em seu...rolo com a Jessica, Seth e Paul tentarem achar uma solução para seus problemas também acho dispensável. — Sam gesticulava enquanto deixava sua opinião em seu costumeiro tom introvertido. — Sobretudo não gosto que todos eles tentem ditar a sua vida, como você sabe odeio essas coisas. — Continuou e Jacob sorriu mais uma vez balançando a cabeça afirmativamente. — Mas eu tinha que te deixar saber da minha visão da estória depois dos momentos intragáveis que tivemos. — Sam concluiu por fim com uma careta desgostosa que foi imitada por Jake.

– Sam você não precisa se preocupar, eu sei que portei-me errado com todos vocês, mas eu só precisava de tempo e espaço para "curtir" minha dor. — Jacob fez aspas com os dedos enquanto formava-se um sorriso sem brilho em seus lábios.

– Não precisa sentir dor Jake, como eu dizia o que penso, Renesmee pode está tão aflita como você, mil coisas podem ter ocorrido Jacob. — Argumentou e o rosto de Jacob suavizou, mas o traço de confusão ainda estava em seus olhos.

– Você acha que... — Jacob começou a tentar desenrolar o enleio em sua cabeça, porém Sam abruptamente levantou-se.

– O que acho já disse, reflita sobre isso e mande o resto pra puta que pariu, inclusive a mim se assim desejar, o único que decide nossas vidas somos nós mesmos, Deus nos dá as opções. — Disse eloquente observando Jacob fitá-lo atenciosamente.

Sam dirigiu-se até a soleira da porta sob o silêncio de Jacob.

– E Jake? — o homem virou-se ao chamá-lo. — Não deixe a merda do destino decidir a vida por você também, caso não esteja de acordo com ele, lute contra ele. — O tom sereno do amigo viajou até Jacob que sentiu as batidas do peito vacilarem. — Até mais, não demore. — Sam disse antes de prosseguir e sumir das vistas do amigo pensativo.

Jacob com a mente e corpo cansados, sentiu o turbilhão de ideias e pensamentos embaralharem-se em sua mente. O moreno apoiou os cotovelos na mesa e sua cabeça foi sustentada por suas palmas. Palavras de Rachel, Paul, Sam até mesmo de Leah circundavam sua mente perdida. Cansado Jacob simplesmente deixou os braços caírem sobre a mesa e sua cabeça apoiou-se em seus antebraços sobrepostos. Se iria pensar sobre seus últimos anos vividos e suas últimas atitudes tomadas, consequentemente decidindo ele mesmo seu futuro,precisaria de um bom descanso de sua mente primeiro, esvaziar-se.

Ergueu a cabeça e fitou atráves da pequena janela, o tom arroxeado do céu estava lá, mostrando que não era hora para estudar suposições e fatos. Jacob suspirou pesadamente obrigando-se a levantar-se. Fechou as mãos em punho e cerrou os olhos brevemente, buscando forças e ânimo para a longa noite que viria. Pensando em prováveis novidades, o êxtase da plateia e as diversas sensações proporcionadas pela música que entoaria, que agora Jacob sabia lidar com elas, ele sorriu timidamente porém vivaz, pensando em como a noite poderia ser produtiva e positiva saiu em passos largos até o quarto.

[...]

Dessa vez Era um Café de boa aparência. Assim que os carros estavam devidamente estacionados os ocupantes saíram e dirigiram-se à fachada do estabelecimento. Vislumbraram o requinte do exterior.

Tijolos antigos que molduravam três janelas de persiana e uma grande porta de vidro envolta por madeira branca em conjunto com as persianas eram o que caracterizavam a frente rústica do lugar, mas a iluminação proposital não substancial acrescentava um requinte a fachada.

O lugar era fechado porém amplo, era sofisticado até certo ponto, haviam luzes de neon em cada canto do grande estabelecimento e mesas postas ao centro. Perto do palco pessoas apoiavam-se em banquetas e ao fundo estava o balcão fortemente iluminado por um verde neon que notava-se do palco.

This time (Dessa vez)


Jacob puxou os acordes iniciais dessa vez, os outros rapazes assustaram-se de ínicio, mas se Jake escolheu assim, ele deveria estar bem com isso e com esse pensamento os rapazes sorriram ao acompanhá-lo levemente.

Sua voz começou a entoar suave porém era marcante aos ouvidos dos demais e em seu âmago uma tranquilidade assombrada. Entretanto o moreno que cantava sentia o sangue ferver, pois ele era o único que conhecia a veracidade atrás de cada linha da canção.

Jake surpreendeu-se: Deveria estar tonto, não? Entretanto os sentimentos dolorosos que sentia outrora agora eram vislumbres e serviam de lampejos passionais para quem ouvia. Suas mãos apesar de trêmulas formavam os acordes com maestria.

Por fora Jacob estava sereno e brando, por dentro estava em chamas pois não era só a canção e os sentimentos nela expresso que instigava-o, as lembranças também eram arremetidas em sua mente e nocauteavam seu âmago arrebatado.

– Nessie não faça isso. — Jacob demandou, porém seu tom de diversão e seu sorriso brejeiro não deixaram a autoridade vencer em sua frase.

– Porque? — Renesmee indagou travessa continuando calmamente sua tarefa de acariciar o pescoço de Jacob com os lábios.

– Se não agarrarei você aqui mesmo e esquecerei que qualquer um pode entrar e ver a gente. — Explicou ele com sua voz séria assim como seu rosto, porém seu olhar estava negro e queimava de desejo.

Eles estavam na garagem de Sam, esperando por mais um ensaio, Jacob sentado no único sofá e Renesmee em seu colo. Nessie com uma saliência descabida rolou os olhos pela garagem e sorriu ainda mais levada.

–Amor ninguém virá agora. — Miou no ouvido de Jacob que a apertou ainda mais em seu colo enquanto recebia uma mordida em sua orelha, logo tomando os lábios rosados e convidativos da garota iniciando um beijo lento e excitante.

Jacob ainda tocando e cantando mirou a plateia, sua visão desfocada, mas o sorriso nostálgico permanecia ali. O moreno fincou então o olhar nas luzes que circulavam no salão enquanto sua mente ainda viajava.

Renesmee passou as mãos na nuca de Jacob apertando seus dedos sobre a pele do moreno, colando-se mais a Jake que fechava os braços e as mãos em torno de seu corpo. Jacob estava em chamas enquanto sentia o pequeno corpo em suas mãos esquentar e a respiração de sua amada ficar tão pesada quanto a sua, avisando que infelizmente era o momento de parar o vigoroso beijo.

– Eu te amo. — Ela sussurrou ainda de olhos fechados e com os lábios colados aos dele.

Renesmee abriu os olhos cintilando de paixão sendo golpeada pelas emoções vorazes presentes nos olhos do moreno.

– Amo você. — Disse Jacob agora podendo fitar aquelas orbes cor de chocolate enquanto acariciava os cabelos sedosos de Renesmee que caíam pelo ombro desnudo.

O show seguiu tranquilo, porém animado.

Trying not love you. (Tentando não amar você)

Os meninos levavam uma injeção de ânimo a cada vez que terminavam uma canção e a galera gritava por mais e mantinham-se vibrantes com a apresentação.

Jake apesar de sua respiração custosa devido a toda animação do show, sustentou seu tom sereno e controlado, mas mesmo assim as emoções oriundas de seu âmago enredavam suas palavras chegando as pessoas que ouviam.

Você chama por mim, e eu caio aos seus pés
Como alguém pode pedir por mais?

E nosso tempo separados, como facas no meu coração
Como alguém pode pedir por mais?

Mas se há alguma pílula que me ajude a esquecer
Deus sabe que eu ainda não encontrei
Mas eu estou morrendo por uma, Deus, eu estou tentando

Tentando não te amar, somente vai muito longe
Tentando não precisar de você, está me partindo ao meio
Não consigo ver o lado bom, caído aqui no chão
E eu apenas continuo tentando, mas eu não sei para que
Porque tentar não te amar
Apenas me faz te amar mais

[...]

– Jake você tá legal? — Rachel perguntou vendo Jacob sentado ao sofá ainda com a roupa que usara no show. Estava alheio a corriqueira conversa que rolava na sala.

E esse tipo de dor, apenas o tempo pode levar embora

É por isso que é tão difícil te deixar ir

– Estou bem mana, só preciso de um pouco de ar. — Respondeu sorrindo fraco e levantando-se.

E eu não posso fazer nada sem pensar em você

É por isso que é tão difícil te deixar ir

Rachel apenas assentiu, e esboçou um sorriso complacente. Era evidente que Jake presciava de um tempo pra pensar em sua própria vida e em seu futuro.

Sem pestanejar ou avisar Jacob deixou os companheiros dentro da casa e rumou para a varanda.

Jacob acomodou-se nos degraus da varanda que levavam a relva baixa, apoiou seus antebraços nas pernas dobradas e fitou o horizonte tão comum.

Memórias rondavam sua mente, porém a voz estridente e fastidiosa de Jessica intercalava-se com suas boas lembranças.

As vozes de Rachel e Paul também apareciam em sua mente, a conversa de Sam era a mais vívida quando as lembranças cessavam, mas as músicas que entoava com o coração tocavam de fundo em sua cabeça a todo instante.

Porque tentar não te amar
Apenas me faz te amar mais

Então eu sento aqui dividido, apenas conversando comigo mesmo
Foi algo que eu fiz?
Foi outro alguém?
Quando uma voz atrás de mim, que está lutando contra as lágrimas
Sentou bem aqui do meu lado, e sussurrou em meu ouvido
Está noite estou morrendo de vontade de dizer-lhe
Que tentando não te amar....

Passou-se horas enquanto Jacob discutia com sua própria consciência sobre o que fazer, e o que não fazer. Era difícil, não queria errar mais uma vez tão pouco queria magoar alguém, ou se magoar outra vez.

Agora eu consigo ver o lado bom, pelo que estamos lutando
E se nós continuarmos tentando, nós conseguiremos muito mais

Céus! Ele só queria ser feliz! Era isso que o homem rogava ao fitar pedinte e alucinado às estrelas. Uma lágrima espessa desceu de seus olhos sem nem ao menos Jacob perceber que a tinha presa em seus olhos. Não sentia dor e nem um bolo amargo na garganta, apenas uma sensação de inércia um pouco incomoda e lágrimas contínuas e grossas que molhavam sua face, sem sua permissão apenas libertando sua aflição enredada.

Tentar não te amar
Apenas me faz te amar mais
Apenas me faz te amar mais
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Malzebier¹: é um tipo de cerveja, doce e com baixo teor alcoólico (geralmente entre 0 — 4%), de cor escura.

Notas finais
Por hoje é só amores. - Me digam o que acharam? - Como estou de ferias agora os capitylos virão mais rapidos rsrsrs. - Ah estou com uma nova fic Jake e Nessie: http://fanfiction.com.br/historia/438827/Doce_Trapaca/capitulo/1/ - Gosstaria que dessem uma olhada se puderem :) - Bem, até o proximo amores.