Os Acordes Do Amor
20 Conforto
Notas iniciais
Quando Jacob decidiu já ser a hora de entrar e descansar, levantou-se preguiçosamente. Ele ainda fungava pelo choro incontido.
Assim que adentrou a sala percebeu que só havia ele acordado. Colocou as mãos na cintura e bufou fadigado ao mesmo tempo em que agradeceu por ninguém estar ali, não precisava de plateia para suas lamúrias.
Não mais.
Havia deliberado há minutos atrás: Não choraria mais, ou lamentaria. Seguiria sua jornada, mas não a moda do cruel destino que o manteve as sombras durante os últimos anos. E sim à forma mais deleitosa para ele.
Entretanto, não adiantaria ficar fervendo os pensamentos, cansando ainda mais a mente já esgotada. Mas sua realidade irrevogável estava ali rondando sua consciência.
Logo o moreno arrastou-se até o sofá sem vontade e jogou-se nele, sem ao menos acomodar-se.
Reviveu uma... Duas vezes seu passado afortunado e depois os tortuosos oito anos que passou.
Quando aquilo iria acabar? Perguntou-se.
As incertezas, as dúvidas, os conselhos, as lembranças. Jacob sentiu-se exausto só por remoer tudo aquilo.
Quando o buraco em seu peito iria fechar? Jacob amofinava-se pela falta de respostas.
Era um refrigério que ninguém poderia lhe dar.
Depois de tantas conversas e tantos sentimentos enredando-o Jacob repousou a cabeça no respaldo do sofá e simplesmente mirou o teto branco.
E se a resposta estive em seu interior? Seria a opção mais viável, refletiu.
A vida era dele, caramba. Como Sam havia lhe dito, ele dirigia. Apesar dos conselhos e pensamentos era ele quem decidia.
Eu decido. Jacob sussurrou para si mesmo curvando seu corpo para frente e apoiando as mãos unidas rente aos lábios, pensativo. Em seguida as levando a suas coxas apertando-as sem ao menos sentir qualquer incomodo.
Não é porque estou sem a mulher que amo que estou condenado a permanecer com essa dor cruciante em meu peito. – demarcou. — Estou com essa falha em minha vida e não posso me acomodar a isso. – Murmurou sem ter a certeza se a voz saía.
Essa saía, mas era fraca.
Sam está certo, eu tenho que brigar com essa droga de destino mal.– O moreno dissertava sozinho enquanto as lágrimas silenciosas ainda caíam em sua face.
– Ouviu? — Indagou com sua voz alta e trêmula pelo choro, dirigindo-se ao vazio da sala.
– Porra de destino cruel, eu decido as coisas, não você. — Discutia ele com um alvo imaginário.
– Eu a quero, eu a terei. — Deliberou e limpou as lágrimas com as costas das mãos e imediatamente emendou com veemência. — Seja lá o que tenha feito a minha Nessie se afastar de mim, eu o amaldiçoo e vou lutar e vencerei.... A não ser que... ela não me queira mais. — Sua voz grossa tornou-se um fio glacial e choroso.
– Não pode ter sido tão cruel comigo ao ponto de tirar o amor que ela sentia por mim. — Ralhou ele outra vez sem direção e novamente sua cabeça estava repousada no sofá.
Deus se aquela mulher não me amar ainda, eu não sei se sobreviverei ao ter certeza disso.– Murmurou de olhos cerrados.
Era um fato que a dor que o açoitava teria uma possibilidade de ser extinta, Jacob bem no fundo esperava que aquilo fosse um pesadelo e que um dia Renesmee voltasse a sorrir para ele e dizer que o amava com tanto afinco nas palavras como o vigor em seu olhar.
Jacob sorriu ao recordar-se do sorriso sincero e cativante, do olhar doce e intenso e da voz melodiosa enquanto dizia incessantemente que o amava.
Aquilo era um furor para sua alma e para seu coração que trotava com as lembranças.
Contudo, a imagem de Renesmee sendo alguém distinta àquela que um dia resplandeceu seus dias feria-lhe como facas cruelmente afiadas, pois significava que não teria mais o amor daquela mulher.
Imaginar outro homem a tocando e a amando trazia um fel a sua boca e um enjoo em seu estômago.
Jacob então decidiu ali:
Não viverei sem ela. – Afirmou com suas palavras rudes que transbordavam veracidade.
Estava tonto por pensar em demasia. Há horas Jacob refletia sobre aquele assunto. Esmorecido, apenas escorregou no sofá, deitando-se e deixando o cansaço vencer o barulho de seus pensamentos.
*****
Uma nova semana havia chegado, com o sol imposto no céu e a brisa agradável. Alícia sentia-se revigorada por caminhar de volta para casa aquela tarde de segunda na companhia do amigável Alec e a mal-humorada da Jane.
Seu sorriso tímido e aprazível estava formado em seus lábios. A curva em sua boca tornou-se ávida e mais larga ao notar a figura masculina e sorridente aguardando algo em frente à porta da casa dos Volture.
– Tio! — A menina encurtou a distância até o homem, deixando Jane e Alec para trás.
Nahuel que tinha suas mãos no bolso da sua calça enquanto esperava a pequena, agachou-se e abriu os braços prontos para o abraço caloroso que Alícia prometia lhe dar com o fulgor da face à medida que corria em sua direção.
– Eu estava com saudades, princesa. — Nahuel disse enquanto balançava a menina em seus braços.
– Achei que não viria mais me ver. — Aly comentou soltando-o e estalando um beijo em sua bochecha.
– Jamais faria isso. – Afirmou consertando sua postura voltando a sua pose anterior a chegada da menina. – Imagino que tenha novidades para me contar. — Nahuel disse enigmático para ela.
Alícia enrugou sua testa, estava em confusão.
Inclinou levemente a cabeça e deixou sua ambiguidade transparecer nos olhos para Nahuel que riu de sua falta de entendimento.
– Estive conversando com os Volture. — Começou Nahuel a falar, mas pausou para cumprimentar Jane e Alec que passavam por ele para adentrarem a casa. — É melhor entrarmos e lá dentro explicarei tudo. — Demarcou suavemente dando passagem para a menina e entrou logo em seguida.
Sem demora Aly já estava confortável no sofá da sala, sentada entre Nahuel que gentilmente degustava um chá na xícara e Alec ansioso pelo prosseguimento da conversa.
– Bom, se Alícia quer estudar música, assim seja. — Nahuel sorriu continuando uma conversa a qual Alícia não havia participado mais cedo.
– Como assim tio Nahuel? Como você sabe disso? — Aly ao mesmo tempo em que sorria liberava suas perguntas a fim de sanar suas dúvidas.
– Disse ao senhor Jenkins que você ficaria mais confortável frequentando uma escola de artes, ou estou errado? — Aro gentilmente explicou a menina que o encarou atônita.
Alícia mantinha-se cativa em suas próprias objeções.
Não queria ser deselegante ao ponto de negar a veracidade das palavras de Aro, tampouco queria ser agradável aos olhos do casal a sala com medo do agrado à adoção.
Sua pequena mente de apenas oito anos estava em transe.
O que seria melhor? Continuar um plano infrutífero aparentemente ou deixar o orgulho de lado e aproveitar as oportunidades.
– Aly.
A voz grave e macia de Nahuel despertou-a fazendo-a virar-se para o homem a seu lado que prosseguiu:
– Sei que disse muitas coisas antes de vir para cá e acredite, eu ainda creio nelas. — Nahuel continuou encarando a menina com afinco.
Ele não se referia apenas ao plano de revogar a adoção, mas também a promessa feita por ele de que encontraria a família biológica de Alicia, e a menina entendia perfeitamente o oculto nas palavras de Nahuel, tanto que sorriu para o assistente antes que esse continuasse.
– Mas agora precisa ser mais complacente e dar uma relaxada, você precisa aproveitar essa chance. — Nahuel permaneceu com sua voz serena e seu sorriso afável.
O assistente recebeu de volta um sorriso abrasador e compreensivo de Aly. A menina então se levantou e foi até a poltrona da frente colocando-se diante de Aro.
O homem desajeitado surpreendeu-se com o abraço inesperado e apertado da garota.
O alarme foi tanto que Aro levou uns segundos para corresponder o gesto, mas em seguida a apertou de volta ostentando um largo sorriso em seus lábios.
– Obrigada, Aro. — A voz melodiosa de Alicia adentrou os ouvidos do homem que se separou da menina ainda aturdido.
– De nada minha linda, eu quero vê-la bem. — Disse acariciando os cabelos da menina. — Espero que consiga realizar seus sonhos, você é muito boa e merece ser feliz. — completou Aro com as comissuras de seus lábios elevadas e observando o sorriso fulgente que Aly direcionava para ele.
Então Sulpicia observando tudo um pouco confusa sorriu e pronunciou-se:
–Já que decidimos, quero saber senhor Jenkins como ficará a nossa relação com a Aly? — A mulher receosa inquiriu.
Nahuel sorriu e ajeitou-se no sofá, ainda admirava Aly tão cômoda enlaçada por um braço caloroso de Aro.
– Bem senhores, como dizia mais cedo eu preciso arrumar uns documentos, umas autorizações. Como é questão de educação, Alícia está indo estudar e não a passeio, não será difícil conseguir uma trégua. — Disse tirando suspiros de alivio e sorrisos de todos.
– Porém... — Sua preposição causou um calafrio nos demais e então Alícia a mais assombrada de todos aproximou-se.
– Tio... — O beiço trêmulo da menina fez Nahuel sorrir e afagar sua bochecha corada.
Em seus olhos extravasavam o amor que tinha pela pequena.
– Princesa, isso pode implicar um pouco sobre sua guarda e bem pode levar mais um tempo para o juiz decidir... — Nahuel sorriu acalentador para a menina e então ele continuou. — Mas os senhores, devem dobrar a atenção com a Aly sendo a guarda provisória, ou o juiz pode conceder a definitiva logo de uma vez. — Ele dirigiu-se agora um pouco mais firme ao casal a sua frente.
– Como? – Aro inquiriu em tom glacial.
– Bem, Alícia estará cerca de 10 horas por dia longe de vocês então como não possuem a guarda definitiva ainda, pode implicar, eu não estou dando certeza. O juiz pode dar a permissão definitiva, mas caso isso não ocorra o temporário levará mais tempo. – O Assistente foi bem claro em suas palavras que eram atentamente ouvidas por todos.
Alícia não sorriu com a notícia tampouco Nahuel.
Ela almejava estar com sua família verdadeira mais que tudo no mundo, porém tinha apreço pelos Volture, até mesmo Jane com sua antipatia despertava certa afeição na pequena menina.
– Tudo bem. — Aro cortou o silêncio simultaneamente sorrindo. — O importante é a Alícia ficar bem e prosseguir seu curso. Esperamos já por meses, não haverá mal algum se esperarmos mais alguns caso o juiz não permita a adoção por fim. — Continuou e a expressão de Sulpicia suavizou um pouco, mas só um pouco.
– Mas a Aly continuará aqui conosco? – Sondou a mulher.
– Claro. Uma vez que ela já está aqui e legalmente. — Respondeu Nahuel patente. — Ânimo, dará tudo certo. — Disse risonho e virou-se para Alec que estava estranhamente em silêncio no sofá.
–Tudo bem?
– Eu quero que a Aly fique conosco. — Ele disse baixo, todavia seu tom era firme.
O silêncio foi instaurado na sala e então Alicia voltou-se a sentar entre eles.
Alec tinha um apreço imensurável pela menina. Os olhinhos negros quando o fitavam brilhavam, sua doce voz o distraía seja qual fosse à hora do dia e o carinho da menina para com ele acalentava seu coração.
O rapaz respirou fundo e abraçou a menina a seu lado. Não gostaria que amanhã Aly não fosse mais a sua irmã, mesmo que fosse apenas uma adoção, e ainda era uma provisória guarda, os sentimentos fraternais por Alicia eram como se a pequena realmente partilhasse o mesmo grau de parentesco com ele.
– Alec, mesmo que eu não fique por aqui, seremos sempre irmãos. — Ela balbuciou abraçada ao menino.
Nahuel, Aro e Sulpicia sorriram com a cumplicidade entre os jovens. Alec prontamente sorriu, apesar de tudo ia dar o máximo de força para que Alícia cumprisse seus objetivos.
****
Não levou muito tempo e Alícia já saltitava pelo costumeiro parque sem importar-se com o seu vestido violeta que subia levemente quando a brisa forte e aconchegante a golpeava.
Cora ainda repousava sentada ao banco observando as pessoas no campo do parque quando foi interrompida por uma Alícia faceira.
– O que faz aqui tão cedo? — Cora perguntou estranhando o horário. — Os Volture falaram com o meu tio Nahuel, o assistente social e vou poder estudar música. – A menina contou com entusiasmo.
– Que bom Aly, eu acredito que será uma boa hora para eu falar a eles sobre a escola, não? — Cogitou a jovem e Alícia sorriu abertamente para ela.
– Você acha necessário? – Inquiriu inocentemente.
– Claro, Aly. – Cora riu da simplicidade da menina.
– Eles devem estar curiosos para saber mais sobre a escola e também pode passar uma segurança a mais. – Explicou-lhe a jovem.
– Hum... – Alícia parecia pensativa enquanto finalmente sentava-se ao lado de Cora. – Se você diz. — A garota deixou um riso solto no ar e esse logo foi acompanhado por Cora.
Por longos minutos Aly ouviu a amiga tocar. Na empolgação de contar a novidade a pequena se esqueceu do violão então somente ficou apreciando a habilidade de Cora durante toda a tarde.
Já na residência tranquila dos Volture, Sulpicia assustou-se com a hora e a ausência de Alícia.
– Alec onde está Alícia? — Perguntou a mulher preocupada.
– Ela já deve estar chegando. — Respondeu Alec fitando a janela pela quinta vez.
Como tinha uns afazeres, coisas de adolescentes, pediu para Aly ir sozinha para casa. Não era tão longe, mas arrependeu-se e preocupou-se quando o escuro veio e nada da menina aparecer.
Mas no minuto seguinte Alícia tocou a campainha e Sulpicia suspirou aliviada em vê-la em sua frente.
De inicio Sulpicia estranhou a moça ao lado de Alícia que a abraçava de forma acolhedora.
Uma jovem loira, muito bonita de fato, que tinha botas e jeans surrado uma camisa de algodão e uma jaqueta notoriamente velha. Alícia sorria a seu lado enquanto a jovem estava congelada em uma expressão encabulada e terna.
Sem demora Sulpicia sorriu simpática para Cora que receosa seguiu-a adentrando na casa.
Cora antes embaraçada, logo livrou-se do constrangimento.
Mesmo a casa dos Volture sendo um pouco antiquada, Sulpicia e seu marido eram muito hospitaleiros. Isso a jovem notou.
Estavam sentados da mesma forma que há horas atrás como quando Nahuel estava presente, porém dessa vez quem estava ao lado de Alicia era Cora que com graça e timidez contava o que sabia.
– Bem, eu nunca estudei lá, mas já fiz umas visitas e é muito agradável, o ambiente é aconchegante. — Cora explicava com um sorriso amigável enquanto Sulpicia que a ouvia oferecia-lhe um copo com suco.
A loira mesmo envergonhada por estar com desconhecidos aceitou a gentileza.
– É uma escola grande, querida? — Aro sondou.
– Sua estrutura é bem espaçosa. — Cora disse baixo e amavelmente logo continuando. — Mas eles preferem investir em turmas pequenas, para a avaliação de cada aluno de uma forma mais abrangente e dinâmica. — Cora finalmente deu um sorvo em sua bebida fresca.
–E os professores são de qualidade? — Sulpicia quis saber.
– Sim, disseram para mim que os professores são especializados e credenciados.
Levou menos tempo que o esperado para Sulpicia e Aro se convencerem de que valeria a pena Alícia fazer um curso de música.
A menina ficou radiante quando soube do veredito de seus guardiões. Agora seria aguardar o aval (evidente) que Nahuel traria do juizado e aí sim Aly iria sentir uma imensa felicidade.
Não que estivesse plena, mas pensar que em breve estaria aprendendo ainda mais e aumentando aquela paixão solene pela música deixava-a embevecida.
*****
Renesmee finalmente estava com um apartamento novo. O mesmo imóvel simples e aconchegante que havia visto na semana passada.
Adentrou com um sorriso jubiloso por vislumbra seu novo investimento. Muito mais que isso, seria sua residência para os próximos tempos.
Caberia dentro de sua residência em Nova Iorque. O médio apartamento tinha largas janelas emolduradas de madeira branca e paredes pintadas de flamingo bem suave. A mobília era simples e harmoniosa em madeira clara o que recordava Renesmee de sua casa anterior.
Era familiar e aconchegante, tranquilo e cômodo. Definitivamente Nessie tinha feito um bom negócio.
Nessie ainda não havia parado para pensar no que faria sobre seu emprego ou moradia depois que finalmente encontrasse sua filha, mas por hora sentia-se bem naquela cidade. Não só acolhida por Claire e confortável com a amizade de Nahuel.
Os ares de Seattle lembrava muito sua gestação, já que Renesmee passou parte dela na casa de Claire sendo esta a porção mais agradável.
Estar ali era mais que um refrigério era revigorante para ela.
Após inspecionar todo o lugar, Renesmee resolveu sentar-se no chão forrado a taco do apartamento, estando o ar confortavelmente cálido e ao chão era fresco e agradável.
Nessie falava despreocupadamente com Bella através do celular.
– Está tudo bem mamãe?– Renesmee inquiriu ao perceber o rastro de preocupação na voz de sua mãe.
– Está sim querida.– Bella respondeu com uma voz cansada e completou — Só o James que ligou mais cedo e disse que fazer umas economias serão necessárias porque a empresa está com umas poucas dívidas.... exorbitantes.
Bella soltou o ar com brusquidão por fim e sua filha sentiu uma fisgada em seu peito por preocupação e descontentamento.
– Não me diga que a empresa irá...– Pronunciou-se Renesmee receosa sendo interceptada por Bella.
– Não querida, são apenas gastos equivocados. Você sabe que James nunca conseguiu trabalhar sem o assessoramento de Edward e desde que seu pai foi hospitalizado James tem tocado o barco sozinho.– Explicava Bella tranquilamente. – Isso rendeu alguns prejuízos, nada que uma economia de dez mil em nossa renda pessoal não melhore a situação dos negócios. – Finalizou com um singelo sorriso deixando um riso baixo para Nessie captá-lo.
Renesmee suspirou ainda não aliviada, estava aflita com a nova situação de sua família. Apesar de sentir o sorriso na voz de sua mãe ela reconhecia a preocupação latente na voz de Bella e isso não aplacava sua apreensão diante das novas informações.
– Mais da metade da sociedade americana vive com menos do que isso, poderei viver por uns meses com um pequeno desfalque em minha conta.– Assegurou Bella.
– Eu sei mamãe, entretanto temos que nos atentar ao fato de que James pode não conseguir reverter a situação.– Observou Renesmee temerosa.
– Ah querida não se preocupe, Edward agora está em casa e em duas semanas poderá ir à empresa e ajudar aos acionistas a passarem por essa fase ruim.– Bella disse suavemente, sentando-se em sua cama fitando por fora da janela o sol que jazia no céu de Nova Iorque.
Sua maior preocupação agora seria a promessa que fez a Renesmee; de morar com ela assim que Edward melhorasse, no entanto os negócios estavam tão ruins que talvez ficar em Nova Iorque poderia ser uma melhor opção contando com a possibilidade de seu marido precisar de cuidados adicionais.
– Então virá morar aqui?– Especulou Renesmee interrompendo os pensamentos de sua mãe.
Bella sorriu com a voz minimamente animada de sua filha. Percebeu que apesar de todo o esforço Nessie precisava de mais um ombro amigo e não teria um melhor naquele momento que o dela.
Pois agora Renesmee não contava mais com Claire no mesmo teto. Bella reconhecia que Claire era muito mais que uma amiga, mas não morariam mais juntas e isso significava que se caso Renesmee chorasse a noite ou dia, não teria ninguém para consolá-la.
Além do mais isso era uma tarefa para Bella, pois ela mais do que qualquer um acalentaria sua filha com todas as forças.
– Sim.– Deliberou sorridente e Nessie também sorriu enquanto soltava o ar preso, aliviada por saber que em breve estaria com sua mãe que tanto sentia a falta. - Irei na próxima semana.– Bella disse entusiasmada e depois cessou o riso recordando-se de algo.
– E o seu trabalho Renesmee?– Sondou e Renesmee logo ofegou.
– Eu nem sei se o tenho mais.– A filha soprou as palavras e Bella arfou ao ouvi-las. -
Como assim minha filha, está desempregada, está sem dinheiro?– Exasperou-se preocupada.
– Não mãe, eu tenho meu dinheiro, porém há dias não ligo para o escritório e bem...Não sei se estarei perdoada quando regressar e eu nem sei se o farei.– Falou baixo fitando os próprios pés a sua frente.
– Nessie, filha, eu sinto muito. — Lamentou-se Bella. — Talvez se eu fosse até lá poderia conversar com seu chefe e...
– Não, deixe para lá, eu me viro depois. Recebi um email na semana passada, meu chefe está furioso e como não dei data de regresso é provável que no próximo contato eu esteja demitida.– Renesmee sorriu sem humor e continuou. — Não ligo. O que tenho é suficiente e além do mais, eu voltarei a tocar. – Informou com fôlego e serena.
– Mesmo filha?– Indagou docemente.
– Sim, vou ao concerto em University e depois pretendo continuar, sabe seguir o roteiro original.– Renesmee declarou sorrindo. – Vou seguir a minha vida mamãe, decidi que se eu não posso mudar o passado, posso mudar meu futuro. – dizia espirituosa com um sorriso largo.
– Da mesma forma que a esperança de ter a minha filha em meus braços reacendeu minha coragem, a minha inspiração ressurgiu e, além disso, gosto e tocar também. Não adianta fugir da música, pois ela já me acalmou tantas vezes e suponho que agora fará outra vez.– Renesmee colocou seus pensamentos em pauta e Bella sorriu orgulhosa do outro lado da linha.
– Sinto orgulho de você amor. Esperei muito para ouvir isso.– Bella usou seu tom afável e maternal acariciando a alma de Rnesmee. — Você merece ser feliz e como já lhe disse um dia, não há tempo para se realizar os sonhos e ter a felicidade, se outrora não deu certo, dessa vez dará e se não der, querida não desista. Você chegará à glória.– Confortou-a com suas palavras verdadeiras e afetuosas.
Renesmee sentiu os olhos marearem diante do bem-estar proporcionado por sua mãe, mesmo longe Bella era imprescindível para sua filha.
– Obrigada mamãe, eu levei um tempo para entender isso, mas agora eu sei.– Renesmee pronunciava baixas as palavras contendo o choro louco para sair. – Sei que merecemos sermos felizes independentes dos espinhos e...– Uma lágrima teimosamente desceu dos olhos de Nessie. — Eu pensei em Jake, ele não merece ficar oculto em toda essa história ele é pai afinal.– Acrescentou sorrindo débil em meio às lágrimas.
– Irá procurá-lo?– Os olhos de Bella brilharam com a hipótese.
– Não sei.– Respondeu Renesmee secando as lágrimas com uma mãe e levantando-se caminhando em seguida para a janela. – Por hora focarei na minha filha e Jacob será meu próximo passo. – Completou.
– Não precisa dele? Mesmo?– Bella especulou pretensiosa e Renesmee abriu por duas vezes a boca sem ao menos ter uma resposta formulada.– Diga-me filha, está querendo reencontrar o Jacob porque lamenta a omissão de sua filha ou você está sentindo que precisa dele ao seu lado?– Questionou diretamente deixando Renesmee pasma por sua falta de resposta imediata.
Renesmee tocou com a mão livre o vidro da janela, seu olhar estava para as pessoas que passavam na calçada, no entanto não tinha um foco.
Fazia-se a mesma pergunta que sua mãe: O reconhecimento do fato que Jacob seria afortunado se também pudesse contemplar a pequena menina seria um pretexto para sua aceitação da necessidade de Jacob naquele momento?
Pois foi por Jacob que aprendeu a se impor pela primeira vez e foi com ele que descobriu simples maravilhas de satisfação.
Talvez, pensou ela, fosse exatamente esse o ponto que faltava para sua coragem chegar ao ápice.
Jacob e todo seu incentivo genuíno, tanto em suas palavras e carinhos como seu olhar intenso e encorajador, seu sorriso contagiante. Tudo aquilo contribuía como um estopim nas decisões de Rneesmee.
Foi assim antes e quem sabe seria outra vez?
A mulher frente a janela puxou o ar fundo outra vez e logo o soltou com brusquidão.
– Eu não sei mãe, eu...– Renesmee fechou seus olhos buscando palavras para melhor explicar suas oscilações. – Eu apenas preciso vê-lo. Não importa se...é por causa de nossa filha ou por minha comodidade, preciso tê-lo aqui, a presença dele faz a diferença.– Concluiu ela com um sorriso nostálgico nos lábios.
– Assim que eu chegar poderá ir atrás dele eu cuido das buscas pela menina enquanto estiver fora. — Bella assinalou firmemente.
– Não ,mãe. Eu preciso estar aqui eu tenho que estar a par de tudo, não...– Renesmee retrucava.
– Renesmee faça como eu digo.– Cortou-a. — Sinto que nada conseguirá sem Jacob, sei que a sede por encontrá-la é grande e sua força também, mas tudo tem seu tempo, verdade? Acredito que não lhe custará tentar, certo?– Bella argumentou e Renesmee relaxou os ombros, derrotada.
– Podemos resolver isso quando você chegar?– Sugeriu.
– Claro.– Bella sorriu. — Descanse agora, deve estar cansada.
– Não, eu vim buscar a chave do apartamento, vou esperar o piano que comprei chegar e depois vou me encontrar com Nahuel, ele tem novos dados.– Respondeu animada.
– Nahuel?– O tom inquisitivo de Bella golpeou os ouvidos de Renesmee que engoliu um bolo salivar.
Podia imaginar a expressão cética de sua mãe e de fato uma das sobrancelhas de Bella estava erguida como evidência de sua suspeita.
– Não ver muito esse tal de Nahuel, Renesmee?– Seu tom era sereno, porém não agressivo apenas um tanto mordaz.
– Mãe, ele é que mais tem se movido para encontrar minha filha.– Explicou obviamente.
– E até agora nada, não desmerecendo seu trabalho, mas me parece que ele está protelando demais esse trabalho.– Bella observou ressabiada.
Renesmee riu incrédula das palavras de sua mãe.
– Isabella Cullen, não é de seu gênero julgar as pessoas assim.– Repreendeu-a com tom de brincadeira.
– Não é julgamento filha, é experiência.– Gracejou Bella.
– Garanto que Nahuel é um otimo profissional, e não levaria um assunto sério com tanto descaso, confio em seu trabalho.– Retrucou uma Renesmee defensiva e serena.
– Está bem, eu confio em você e se confia no rapaz, não discutirei.– Bella contestou em tom afável. - Verei seu pai agora meu bem, é hora de remédios.
Renesmee em momento algum cogitou a hipótese de perguntar por Edward. Embora o interesse houvesse lhe instigando a fazer uma misera pergunta, ela deteve-se.
Não era preocupação ou afeto, era uma mera curiosidade totalmente controlável.
– Está bem mamãe, eu ligo amanhã para contar-lhe novidades. Eu te amo.
– Te amo e se cuida.
Renesmee desligou o aparelho com um sorriso nos lábios e sua ansiedade em estar com sua mão elevada em grande escala.
Como disse a sua mãe aguardou o piano não tão caro chegar. Era um simples e vertical, serviria para seu treinamento até a apresentação do Instituto.
Nessie não teve muito tempo para contemplar o instrumento posto no canto da sala, o som do toque telefônico insistia em ressoar na sala e as comissuras de seus lábios elevaram-se.
O nome de Nahuel reluzia na tela, enfim novidades.
*****
Para alguém em férias Jacob tinha sua face bem cansada, não só pela carga de suas responsabilidades consigo próprio, mas a conversa com Jéssica fora fastidiosa.
Naquela tarde agradável conversava com seu cunhado que fazia lhe uma visita, apenas de camaradas. Rachel e Josh ainda estavam em La Push cumprindo as tarefas rotineiras, entretanto Paul insistia em perturbar seu melhor amigo quando de folga.
– Você deixa muito se levar pela Rach. — Disse o moreno erguendo sua garrafa Heineken enquanto acusava o amigo não só com as palavras como com seu dedo indicador.
– Não é isso Jake, mas confesse que também dá razão a Rach quando diz que a loira é obcecada em você, por que ela é. — Paul continuava defendendo sua opinião. – Mas continuando, ela não disse que se mataria? — Zombou.
Jacob tomou um gole da bebida e respondeu:
– Disse o de sempre. — Ele elevou os braços e tomou outro sorvo da cerveja enquanto Paul continuava olhando-o aguardando uma resposta mais completa. — Que continuará esperando que eu a procure quando precisar e que me compreende e não se importa que ame a Renesmee. — Jacob dizia despretensioso deixando a garrafa vazia na mesinha à frente.
Paul com a expressão alarmada, porém não cético voltou a fitar a Tv.
Não era nada estranho vindo de Jessica. O fato surpreendente era pensar em quais atitudes de Jacob levavam a loira a pensar que ainda teria uma chance.
– Jake, você deve ser uma cara manso demais, porque ela acharia que você iria correr para ela depois de tudo que você disse? — Paul comentou intercalando seu olhar entre a Tv e Jacob.
– Eu não sei, cara. — Jacob também fitava o comercial na televisão. — Talvez Rachel tenha mesmo razão, ela seja obcecada porque Jessica não é tão barata assim, isso te garanto. — Jacob replicou fitando amigo.
– O que fará agora? Afinal vocês trabalham juntos. — Sondou o moreno mais alto.
– Bem, continuar a tratando como as outras. Fiz isso desde o fim do nosso namoro, não é porque estávamos em um rolo que as coisas mudarão agora, somos maduros o suficiente para aceitar que acabou de vez. — Jacob afirmou relaxando no sofá macio.
– Jake, você é adulto e maduro, mas a Jessica tomou obsessão por você. Outro dia me disse que ela o agarrou em pleno expediente o que garante que não faria outra vez? Se você mesmo admite que ela vive se insinuando. — Paul observou fitando-o.
– Eu sei cuidar da Jessica. — Afirmou confiante. Sua face tensa ostentava uma expressão de seriedade.
Paul manteve apenas seu olhar de ceticismo para Jacob.
– O que foi? — Jacob perguntou exasperado.
– você é manso demais Jacob. — Paul criticou levantando-se e indo até a geladeira pegando duas garrafas de cerveja, abrindo-as e voltando a sentar-se ao lado do amigo que ainda fitava-o raivosamente.
– Não sou manso apenas não quero magoar ninguém. — Defendeu-se puxando sem cuidado uma garrafa das mãos do cunhado.
Paul soltou um riso.
– Como consegue ser tão sensível assim? — Paul zombou o amigo enquanto observava virar a garrafa na boca.
– Como consegue ser tão machista? — Retrucou Jacob estreitando os olhos para o amigo que apenas riu enviesado.
– Faz sentido, eu sou um homem. — Paul replicou logo levando a própria garrafa aos lábios.
– Também sou porra. – Respondeu Jacob defensivo.
Paul deu uma risada alta antes de dar um sovo na bebida gelada e zombar seu amigo:
– Jake, faltou isso aqui. — disse gesticulando um pouco espaço com os dedos que estavam livres. — E você seria uma bichona daquelas bem delicadas e com certeza eu não ficaria sozinho com você. — Paul brincou fazendo-se de sério ao afastar-se mais do amigo.
Jake encarava-o com os olhos flamejando de ira, com traços de divertimento neles.
– Paul, te darei uma certeza; se eu fosse gay você estaria fora da minha lista de candidatos. — Ele contestou divertido e fazendo uma careta estranhando sua própria suposição estapafúrdia. — Eu jamais te agarraria, fique certo. — Demarcou antes de virar a bebida de suas mãos a sua boca.
– Claro, isso seria bom para sua saúde, você conhece minha esposa. Ela é ciumenta. — Paul gracejou novamente piscando para o amigo que gargalhou e socou lhe o braço.
– Vai se ferrar, Paul. — Jacob demandou enquanto sua atenção ia para a Tv onde um jogo de beisebol começava assim como Paul ainda sorrindo também mirava o televisor.
Entretanto, não levou cinco minutos, logo Paul e Jacob não mais puderem prestar atenção ao jogo decisivo, pois o celular de Paul tocava incessantemente sobre a mesinha.
Paul praguejou antes de atender, o número estava privado, porém não gostava de rejeitar chamadas ainda mais sendo a terceira tentativa de chamada, então atendeu.
Jacob por outro lado intercalava sua atenção entre o jogo e a conversa intrigante de Paul.
– É claro.– Ouviu o cunhado dizer e houve mais uns segundos de silêncio.
– Isso não é problema.– Jacob sacudiu a cabeça e voltou a atenção para Tv.
– Quando isso aconteceu?– Paul agora falava alto e depois de segundos ele voltou a falar no mesmo tom.
– Estaremos aí.
A veemência assustou Jacob que o fitava andar de um lado a outro no apartamento, curiosamente oscilando um sorriso nos lábios.
– Está certo. Quando eu chegar, conversaremos.
Jacob ergueu as sobrancelhas, totalmente absorto à conversa. Estava extremamente curioso, ainda mais quando Paul alargou o sorriso que já brincava em seus lábios.
– Eu confio em você.– Paul disse voltando a sentar-se. - Assim que der eu retorno o contato e valeu mesmo pela força.
Jacob na mesma expressão interesseira e perturbada mirou a Paul que sorria jubiloso para a Tv sem prestar atenção nela.
– Vai me contar ou é segredo? — Reclamou Jacob com seu cunhado.
– Ganhamos uma proposta de contrato. — Paul deteve-se nessas palavras e a expressão confusa de Jacob suavizou minimamente e apenas aumentou o seu interesse na conversa que Paul tivera no bendito telefone.
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Spoiler:
Mas à medida que o moreno aproximava-se de seu carro perdia a melodia que estava gravada em sua mente, pois outro soneto tocava.
Notas leves, porém muito bem combinadas formavam o acorde perfeito. De tão majestoso fez Jake sorrir largamente e virar-se na direção de onde vinha o som.
O coração de Jacob acelerou quase que ruidosamente e seus pés deram dois passo naquela direção sem ao menos ele perceber e então o moreno parou abruptamente.
O que está fazendo? Ele se perguntou.
Olhou novamente para onde provinha o som e observou que um grande aglomerado de gente estava lá.
Com olhos estreitos e forçando sua visão, Jacob tentava ver o artista, mas não conseguia ver nada além das pessoas que lá estavam. Foi então que a música parou.
Algumas pessoas se dispersaram e umas poucas permaneceram. Jacob sorriu e balançou a cabeça negativamente a fim de dissipar o devaneio e logo fez menção de voltar a seu caminho, entretanto mais notas soaram e como se houvesse sido puxado por um ímã Jake virou-se novamente.
Seus lábios estiraram em um sorriso genuíno e devoto, aproximou-se em passos mínimos, seu coração trotava conforme sua visão ficava mais abrangente.
O moreno parou a uma distancia significativa, observou a cena com alento e meticulosidade. Suas pernas então tremeram para que avançasse mais em direção à origem do som que ouvia.
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