Os Acordes Do Amor
18 Ouvindo o coração
Notas iniciais
-
Primeiro quero agradecer aos reviews lindos que recebi, vou começar a respondê-los já. E agradecer as belas recomendações feitas pela Flavinha e Pela Jeny eu AMEI meninas, de verdade fiquei muito lisonjeada com as palavras de vocês.
-
Bem vou avisar logo que nesse capitulo não tem nada do Jake, porque preferi deixar um capitulo inteiro com a parte da banda se não esse alem de ficar extremamente grande demoraria mais a sair e como estou em fim de periodo e os trabalhos vão chegando um em cima do outro, vou demorar um pouquinho para postar por isso resolvi postar logo esse pra vocês, não está tão grande mas prefiro assim a deixá-las mais de uma semana sem um capitulo.
-
Agora ao que realmente interessa, boa leitura!
Há quilometros de onde os rapazes se instalaram, dentro de uma lanchonete pouco movimentada, em uma mesa encostada a janela de onde via-se o crepúsculo se instalando, Nahuel e Nessie conversavam animados enquanto consumiam despreocupadamente sanduíches e sucos.
– Ah Renesmee eu não aguentaria tanto, teria dado uns murros nele, àquela altura do campeonato não me lembraria que era meu pai. — Nahuel gracejou com um sorriso brincando em seu lábios. Ele e Renesmee conversavam sobre as insanidades de Edward e Nessie surpreendeu-se, Nahuel levava todos os assuntos com um humor benéfico, o que deixava as coisas mais fáceis principalmente aquele assunto que tanto lhe feria.
– Eu tive vontade de bater nele, mas a verdade é que quem quase me bateu foi ele, primeiro quando eu o enfrentei e depois quando descobriu que eu estava grávida. — Renesmee recordou-se com um sorriso sombrio em seus lábios. — Mas acho que quando percebeu minha barriga sob a blusa aquela manhã ele quis morrer. — Ela concluiu sorrindo porém era um sorriso frio, apesar de querer que Edward entendesse que nada iria contra o destino não ficava satisfeita em saber que sua pequena filha, que tanto lhe alegrava antes mesmo de nascer, era motivo de consternação para seu pai.
– Eu sinto de verdade mesmo, Renesmee. — Nahuel ofereceu-lhe um sorriso indulgente que Renesmee retribuiu.
Sobre a mesa, os finais dos sanduíches e lá fora uma leve névoa, Renesmee tirou seus olhos de Nahuel, carregou-os pelos pratos na mesa e fixo-os na janela de vidro. Podia ver o exterior onde a movimentação diminuía conforme a neblina da noite fria firmava-se na cidade.
– Renesmee? — Nahuel chamou-a e ela virou-se para ele com um sorriso nostálgico que continha um traço de tristeza.
– Obrigada por me ouvir, Nahuel. — Renesmee agradeceu apoiando as mãos na mesa e o fitando verdadeiramente grata por possibilitar que desabafasse.
– Te peço perdão por ter tocado no assunto. Eu só queria saber mais sobre o que aconteceu. — Contestou-a com um sorriso torto, um pouco constrangido por tê-la feito viajar no mar das lembranças sombrias.
– Ah Nahuel por favor, você tem o direito, está me ajudando e muito, vou ficar te devendo pelo resto da vida. — Disse ela com um sorriso largo e simpático.
– Já disse que o faço com prazer, você merece toda ajuda do mundo. — Afirmou e Renesmee sentiu-se ruborizar pelas palavras ditas com afinco.
– Então faremos assim, pode me perguntar qualquer coisa, vamos lá, se isso a fizer sentir-se melhor. — Sugeriu faceiro. — Sei boa parte de sua vida pessoal, pode perguntar o que quiser da minha. — Nahuel sorria brejeiro fazendo Nessie sorrir espontaneamente.
– Me fale sobre seu filho então. — Renesmee pediu singelamente apoiando os antebraços na mesa e cruzando as mãos.
Nahuel guardou seu sorriso e seus olhos alardeou um brilho forte que não passou despercebido por Renesmee, ele relaxou em sua cadeira antes de suspirar e responder:
– A mãe do Daniel nos deixou antes que ele completasse um ano, bem desde então sou pai e mãe, eu não sei com certeza mas acho que isso dobra meu amor por ele. — Confessou com o sorriso torto novamente nos lábios. Renesmee então sorriu com o jeito acanhado de Nahuel em contar os fatos. — Pode ser só loucura minha, mas eu não sei se alguém ama mais um filho do que eu. — Nahuel acrescentou fazendo seu sorriso completo e caloroso dessa vez.
– Dá pra ver em seus olhos Nahuel o quanto o ama, ele deve amá-lo muito também. — Comentou sorrindo enlevada pelo amor fulgente nos olhos claros de Nahuel.
– Acho que sim, ele me espera acordado todos os dias e olha que só tem dois anos. — Comentou orgulhoso e continuou. — Por isso nunca hesito em ir para casa ou chegar cedo, não me sinto cansado ao brincar com ele. — Nahuel contou com graça e Renesmee sorriu indulgente para logo uma sombra de condolência encobrir sua face.
Ela recolheu o sorriso e engoliu em seco, contemplava o sorriso radiante e o brilho do olhar de Nahuel, o amor majestoso eminente que sentia pelo filho, precisou resfolegar, perdia o ar por pensar que estava privando Jacob daquele sentimento puro.
– Renesmee está bem? — Nahuel perguntou preocupado e a morena forçou um sorriso para disfarçar enquanto balançava a cabeça confirmando seu questionamento.
Nahuel manteve-se sério. O que havia dito para Renesmee ficar tão tensa? – perguntou-se. Mas Renesmee não queria tocar naquele assunto com Nahuel, então sorriu o melhor que pode e indagou:
– Então vou fazer uma pergunta indiscreta, posso? — Seu tom gaiato fez Nahuel relaxar um pouco e estirar os lábios em um sorriso.
– Claro. — Sorria abertamente para ela. — Vá em frente. — Acrescentou faceiro.
– Sentiu a separação? Digo você ficou muito mal quando a mãe do Daniel foi embora? — Perguntou receosa mexendo no copo com o resto de suco que não quis beber.
Nahuel sorriu tranquilamente.
– Por ter me separado não, pelo Daniel sim, ele ainda mamava então foi dificil no primeiro ano. — Respondeu simplesmente, ainda sorrindo.
– O que aconteceu? — Renesmee especulou meticulosamente com medo do que faria em Nahuel aquelas perguntas, mas ele alargou seus lábios novamente e Nessie surpreendeu-se. Ele não se ressentia nunca?– Foi uma pergunta que brotou em sua cabeça. Não que quisesse feri-lo, mas imaginou ser um assunto o qual Nahuel não levaria tão naturalmente.
– A mãe do Daniel era muito nova, quando digo nova quero dizer que tinha 18 anos quando ele nasceu. — Relatou Nahuel e Renesmee ostentou um "o" perfeito nos lábios, não imaginaria Nahuel, que provavelmente tinha os seus 35 bem cuidados anos, com alguém tão mais nova.
– Morávamos juntos a pouco tempo, sei que parece estranho mas ela parecia bem madura apesar da idade. — Continuou. — Ela era muito louca, divertida e libertina e eu nunca pensei que isso interferisse em nosso relacionamento, principalmente depois que o Daniel nascesse. — Nahuel curvou a comissura de seus lábios em uma careta descontente, incomodava-o o fato de não ter visto que as coisas nunca estiveram de fato certa entre eles.
– Eu sinto muito, você devia gostar dela. — Renesmee disse baixo.
– Não sinta Renesmee, eu era apaixonado demais quando nos envolvemos, mas desde que ela ficou grávida e mostrou o quão imatura era percebi que só estava me afundando em um sentimento infurtífero. — Replicou sério dessa vez.
– Não sente falta dela? — Renesmee questionou sem titubear. — Me perdoe Senhor Jenkis deixei minha curiosidade passar da conta. — Encabulou-se por ter desatado as perguntas em cima do homem.
Nahuel liberou um riso de sua boca e encantou-se com o rubor da face de Renesmee.
– Pelo Senhor Jenkis eu não perdôo nada. — Gracejou e Renesmee não controlou um sorriso. — Se me chamar por Nahuel, lhe responderei quantas curiosidades tiver, de verdade Rneesmee não me importo. — Declarou sereno a fitando.
Renesmee apenas assentiu e manteve-se atenta a continuidade da conversa.
– Depois que uma amiga da minha mãe, que tomava conta de mim quando criança, passou a cuidar do Daniel quando eu não estava, as coisas ficaram mais fáceis, não sinto falta dela, até por que nem ficamos juntos por tanto tempo assim. — Respondeu dando de ombros.
Então Renesmee compreendeu e o fitou especulativa:
– Acha que os sentimentos se intensificam com o tempo, Nahuel? — Perguntou em seu tom melodioso e suave.
– Não claro que não, duas pessoas podem estar a dez anos juntas e nunca sentir o ardor de um amor que tem apenas um mês. — Respondeu com seu comum tom macio e suave. Renesmee baixou o olhar e passou os dedos sobre os cabelos arrumando-os enquanto seguia o raciocínio de Nahuel. — A questão Renesmee não é o tempo e sim a intensidade dos sentimentos, no meu caso nos envolvemos por que era conveniente, nos conhecemos na faculdade, encontrávamos todos os dias, eu fui me apegando e as coisas aconteceram, eu nunca senti que precisasse dela para viver por que se fosse assim agora eu estaria moribundo, não concorda? — Nahuel expôs sua opinião sob os olhos aflitos e a mente nebulosa de Renesmee.
– Eu-eu... Acho que sim. — Renesmee titubeou quase sem voz, seu peito subia e descia visivelmente e seu coração trotava absurdamente, seu olhar escureceu e um bolo rompeu sua garganta e foi impossível não arfar diante das lembranças arremetidas pelas palavras de Nahuel.
Jacob e ela estavam na praia sobre os cobertores e ele colou sua testa com a dela, e lhe sussurrou mais uma vez, causando arrepio em seu corpo só por recordar a veracidade das palavras e a sofreguidão em sua voz:
– Eu te amo, não imagino minha vida sem você. – Jacob pousou suas mãos nas laterais de sua face fazendo-a aquecer-se.
Renesmee sentiu a face queimar, não pela memória do toque mas sim pela falta do calor de Jacob em sua pele. Por fim ela puxou o ar com força.
– Renesmee, tudo bem? — A voz gentil e suave de Nahuel, tão diferente daquela em sua mente, a fez recobrar a consciência.
– Me perdoe, mas acho melhor irmos. — Disse um pouco aérea e verdadeiramente tonta.
Renesmee não conseguia focar seu olhar em nada varria-o por todo seu redor, era impossível encarar Nahuel, suas mãos passaram por seu rosto subindo até a cabeça onde sem pudor adentrou com os dedos nos cabelos, bagunçando-os e logo alinhando-os desajeitadamente. Sua mente estava um enleio descomunal, sentia-se fora da órbita. Imaginar Jacob divagando, mórbido e mortiço por sua causa a deixava enjoada, precisava esfriar a cabeça de algum modo, estava afogada em amargura naquele momento.
– Renesmee me perdoe se disse algo que não devia, eu a levo para casa. — Nahuel preocupado e remoendo-se por sentir-se culpado do colapso de Renesmee, jogou sem cuidado uma nota de cinquenta na mesa e acompanhou a mulher a qual segurava cuidadosamente para fora.
Renesmee sentiu-se minimamente melhor por receber o ar fresco em seu corpo, mas as pontadas no peito ainda estavam lá, as lembranças em sua mente bradavam a deixando tonta.
Nahuel não quis dizer nada apenas deixou-a entrar no carro em silêncio, observou por um minuto Renesmee morder os lábios violentamente, e sacolejar a cabeça. Ao perceber que estava sendo analisada fitou Nahuel e esboçou um sorriso fraco, mas a dor estava reluzente em seus olhos, Nahuel balançou a cabeça e sorriu transigente fazendo com que Renesmee encostasse a cabeça no banco e fechasse os olhos tentando inutilmente relaxar.
O silêncio estava perturbador no automóvel, Renesmee controlou-se para guiar Nahuel até a casa de Claire.
– Renesmee, me perdoe de verdade. — Pediu ambíguo, ainda não entendia o que aconteceu. — Eu não sei o que fiz ou falei para que ficasse mal, você está melhor? — Mostrou-se atencioso.
– Estou bem Nahuel, agradeço a preocupação. — Respondeu ela com um sorriso fraco. — Eu só me senti um pouco tonta, não foi nada que tenha dito. — Mentiu com um singelo sorriso na face. — Me perdoe pelo comportamento. — Pediu ainda segurando o fraco sorriso nos lábios.
Nahuel ponderou consigo mesmo se acreditava ou não, mas estudou a face da mulher no banco do carona, parecia cansada e com os olhos obscuros, ele optou por sorrir de volta e completar o caminho.
[...]
– Nessie o que foi minha amiga? Você está branca. — Claire horrorizou-se com o estado que sua amiga chegara em casa.
– Claire. — Renesmee não hesitou em desatar as lágrimas, que segurou por minutos enquanto estava na companhia de Nahuel, sobre o ombro da morena. — Eu sou um monstro Claire, eu.... eu — Engasgou-se nas próprias lágrimas.
– Nessie que absurdo é esse que está dizendo? — Claire segurou em seus ombros dando-lhe leves sacudida pelo pensamento errôneo se sua amiga.
Renesmee perambulou até o sofá tentando controlar o choro contínuo.
– Eu me dei conta Claire o quanto o Jake deve ter sofrido, o quanto ele deve sofrer e além de estar privando-o de toda glória em ser um pai. — As palavras fluíram da boca de Nessie e Claire fitou-a com o cenho franzido, interrogava-se o que levou Renesmee a pensar em tal desatino.
Claire pensava que se tinha algum culpado pela vida sofrida de Nessie, Jake ou da filha deles, era o crápula do Edward.
– Não diga isso. — Disse a morena sentando-se ao lado da amiga.
– Você tem razão Claire, eu...- Nessie sufocou as palavras, sua garganta estava fechada por um bolo amargo que ela forçou-se a engolir para continuar. — Preciso do Jake. — Constatou em voz alta e um sorriso hesitante brotou em seus lábios, logo levantou-se em ímpeto assustando Claire.
– Eu preciso dele, sempre precisei e ele precisa de mim. — Disse desesperadamente para sua amiga. Claire sorriu estagnada com o jeito desnorteado que sua amiga estava.
– Eu preciso tocar, eu vou tocar. — Disse com veemência. Renesmee estava passando de um lado para o outro da sala, repassando seus pensamentos dos últimos dias deliberando suas ações sob o olhar assustado de Claire. Sua cabeça estava em um turbilhão de pensamentos, de sua boca saíam frases desconexas.
Claire aproximou-se:
– Estou contente por você Nessie e não quero vê-la com lágrimas nos olhos, você não merece isso. — Afirmou e fez Renesmee parar no centro da sala, conseguindo focar o olhar em sua amiga e logo relaxar o corpo no assento do sofá.
– Sabe eu percebi que o Jacob pode não me amar mais, mas eu devo a ele a alegria de ser pai e um pedido de perdão por todo sofrimento que causei. — Insistiu enquanto limpava o excesso de lágrimas com as palmas das mãos.
– Renesmee, por favor amiga. — Claire Ralhou. — O único culpado pelo sofrimento do Jacob e o seu é o estúpido do deu pai. — Continuou ela explicitando a veracidade dos fatos em suas palavras.
Nessie fitou-a assustada, Claire estava visivelmente chateada, então lentamente foi sorrindo para ela. Ela viu todo o carinho que Claire tinha por ela, estava expresso em seus olhos azuis.
– Obrigada Claire, bendita a hora que você chegou na minha vida. — Confessou a abraçando. Claire logo a retribuiu também sorrindo.
– Okay, agora vamos deixar de tristezas e me conta, o que o senhor Jenkis lhe disse? -Claire indagou com olhos ansiosos e divertidos.
Renesmee suspirou havia esquecido completamente da conversa com Nahuel. Então puxou as pernas para cima assim como Claire, deixando-as flexionadas no sofá e sentando-se por cima delas e logo relatou os fatos resumidamente desde que chegara ao conselho.
– O quê? Ele te chamou para sair? — Claire alarmou-se de forma inusitada fazendo Nessie soltar uma breve gargalhada.
– Claire ele só queria conversar, saber mais da minha situação, não foi um encontro. — Renesmee explicou revirando os olhos.
– Sei. — Claire suspendeu uma de suas sobrancelhas com descrença. — Diga-me qual foi o assunto? — Especulou desconfiada.
– Sobre o Edward, o que ele fez para me tirar de Forks, quando descobri a gravidez, quando tive que sair de Nova Iorque. — Nessie suspirou impaciente. — Tudo isso. — Concluiu.
– Só isso? — Claire indignou-se.
– Tá ele falou da ex-mulher e do filho dele de 2 anos... — Renesmee enfadada respondia quando um grito agudo de sua amiga a interrompeu.
– Ah eu sabia, ele falou da ex mulher, ele está afim de você. — Concluiu a morena presunçosa e Renesmee gargalhou mais uma vez.
– Claire, pare de bobagem, ele falou da ex mulher porque perguntei, foi só um bate papo, não durou mais que uma agradável hora. — Replicou-lhe. — Nahuel é bastante profissional e cortês. — acrescentou.
– Hum. — Claire mostrou-se ainda cética.
– Claire, me poupe sim? — Renesmee buliçosa dirigiu-se para a cozinha sendo seguida por sua amiga.
Claire desatou a falar enquanto Renesme tirava um congelado do freezer.
– Não sei não, esse cara é bonzinho demais. — Claire sentou frente a mesa e colocou seu indicador sobre o lábio inferior em uma expressão pensativa.
Renesmee abriu a embalagem que sgurava e levou-a ao microondas enquanto retrucava:
– Também pensei assim Claire mas me surpreendi. — Confessou suspirando sentando-se do outro lado da mesa em frente a Claire. — Eu o analisei várias vezes, Nahuel tem os olhos muito transparentes e fala com muita veracidade, acredito que seja realmente gentil, se não, não escolheria essa vida de ajudar as pessoas. — Renesmee explicou suavemente, brincando com as frutas que adornavam a mesa que agora estavam em suas mãos.
– Pode ser. — Claire deu-se por vencida dando de ombros. — Vai procurar o Jake? — Indagou de repente e Renesmee fitou-a ligeiramente alarmada.
– Não sei, eu pensei em me organizar primeiro. — Respondeu. — Decidi que vou tocar no evento do Instituto, quando será? — Sondou franzindo a testa.
– Daqui uns dois meses, creio eu. — Claire respondeu sem muita certeza de suas palavras.
– Vou me preparar, eu sinto que preciso tocar. — Renesmee tinha um tom sonhador e Claire percebeu o quão absorta a amiga estava naquele momento. — Talvez ele me escute. — Concluiu suspirando e levantando-se.
– O quê? — Claire sobressaltou-se e arregalou os olhos. — Renesmee como assim te ouvir? — Ela tinha a confusão evidenciada nos olhos e em sua face retorcida.
Renesme limitou-se a buscar um copo d'agua, bebê-lo e sentar-se outra vez sob o olhar ansioso de Claire. Prendeu os cabelos em um coque frouxo e calmamente contestou-a:
– Aqui. — Renesmee disse vigorosamente pondo a mão espalmada em meio a seu peito e Claire suavizou o rosto, Renesmee falava do coração, ela constatou.
Então a morena mostrou os dentes em um sorriso complacente, e balançou a cabeça em afirmativa, Renesmee tinha razão. Claire apenas colocou uma de suas mãos sobre a mão de Nessie que repousava sobre a mesa e a apertou dando-lhe apoio incondicional.
Renesmee sentiu-se confortada, seu coração batia calmo e solene, sentia que estava finalmente entendendo-se com aquela bomba vital que agora guiava seus caminhos e ela decidiu que o seguiria cegamente.
[...]
– Alec, eles não irão se importar, tenho certeza. — Alícia confortava o jovem cabisbaixo ao seu lado, enquanto voltavam da escola em uma tarde de sol acalentador.
Alec havia recebido uma prova com um "F" bem grande, o que significava castigo, recuperação e férias trancafiado em casa estudando sem cessar, mas a morena insistia em lhe apresentar um sorriso solidário e palavras ditas docemente com a intenção de confortá-lo.
– E também não será tão ruim estudar mais um pouquinho. — Aly continuou balançando os ombros e Alec sorriu para a menina a seu lado. Ele carregava sua mochila e a dela, dando-lhe a mão durante todo o caminho. Jane ia na frente, altiva e prepotente.
– Sabe Alec, sinto falta do piano do orfanato. — Alícia comentou de repente o fitando penosamente.
Alec sorriu.
– Sabe tocar piano? — Perguntou o garoto descrente.
– Sim, toquei algumas vezes, e bem desde que vim para cá não toco em teclas. — Explicou risonha fazendo com que Alec acompanhasse o riso tênue dela.
– Lá em casa eu tenho um teclado antigo, tentei tocar uma vez. — Comentou. — Ele deve está no sóton, posso buscá-lo para você. — Alec cogitou e os olhos de Alícia brilharam em expectativa. — Não é um piano mas possui "teclas". — Fez aspas com as mãos ao imitar o jeito gracioso de Alícia. — Diga-me já tocou em um teclado alguma vez? — Sondou-a.
Aly apenas negou com sua cabeça mas seu olhar para o garoto era pedinte. Alec deu um sorriso ruidoso e gentil antes de proferir firmemente:
– Vou procurá-lo e então você tenta, se conseguir deixarei para você. — o garoto piscou para ela que mostrou seus perfeitos dentes reluzentes em um sorriso largo e abrasador.
Logo que chegaram em casa, banharam-se e almoçaram animadamente. Alícia estava tão entusiasmada pela promessa de Alec que não pensou em algo desagradável para fazer ou falar durante ou após a refeição, estava afoita demais para rejeitar a comida ou fingir estar insatisfeita.
Alec não faltou com sua promessa, finalmente depois do almoço achou o tal teclado no sóton como havia imaginado. Toda a face de Alícia resplandecia a felicidade de poder tocá-lo.
Sentaram-se na sala, somente os dois, o instrumento tinha um tripé e Alec o ajeitou corertamnete para a altura de Aly e deixou-a seguir.
Alícia fitou primeiramente as teclas, seu coração batia desenfreado ao ponto de descompassar sua respiração, tão grande era sua apreensão, então sussurrou pra si mesma: — Não deve ser difícil.
Alec estava sentado ao sofá, e mesmo não ouvindo a nota mental verbalizada de Alícia a avisou:
– Não é difícil, se toca um piano corretamente, tocará um simples teclado também. — Encorajou-a com o olhar gentil.
A morena fitou-o e logo virou-se novamente para o instrumento posto em sua frente.
De primeira Alícia somente testou os sons de cada tecla e sorriu, o som de qualquer música acariciava seu âmago solenemente. Então cerrou os olhos e tentou compor algo ali mesmo enquanto tocava as teclas sem ao menos saber que notas apraziam seus ouvidos.
– Aly você é boa, mas tem noção que notas são essas? — indagou Alec enlevado com a forma astuta de Alícia tocar o teclado.
A menina apenas negou com a cabeça dando uma breve pausa antes de continuar a melodia combinada. Alec sorriu e chamou-a:
– Aly. — A voz amena do garoto interrompeu o movimento dos dedos da morena mais uma vez.
Assim que a menina pôs os olhos sobre ele, o mesmo bateu as mãos no estofado, pedindo para que Alícia sentasse ao seu lado. A menina levantou-se e o atendeu, em seguida Alec disse:
– Acho que você nasceu pra musica Aly, já a vi tocar violão é maravilhosa e bem com a orientação certa será capaz de compor melhor que muito compositor por aí. — Assegurou-a.
– Eu sei disso Alec, eu sinto que devo tocar, eu sinto aqui sabe? — A menina com sua voz de sinos apontou para o coração e fitou o jovem com afinco. Alec sorriu acariciando os cabelos negros ainda úmidos de Alícia. — Cora me disse que conhece um escola perto de sua casa, para pessoas como eu, gostaria de conhecer. — Alícia despejou as palavras docemente.
– Acho que posso falar com meus pais sobre isso. — Ele sorriu para ela que abraçou-o em agradecimento.
Logo Aly voltou a tocar, Alec mostrou-lhe uns esboços de acordes que havia copiado uma vez quando tentara tocar. Alícia seguiu as notas coordenadamente, fazendo Alec extasiar-se mais com o bom empenho da menina.
Alec após o jantar quando Alícia já dormia, foi ao quarto de seus pais falar sobre a conversa que teve com Alícia.
– Alec não sei, essa menina é estranha, ela detesta tudo que fazemos. — Sulpícia disse abatida como resposta o pedido do filho de levar Alícia para uma escola de música.
Ela estava deitada em sua cama de lençóis em tons pastéis e pronta para dormir enquanto dava atenção ao filho que estava sentado a beira de sua cama pedindo por Alícia.
– Ela só está assustada mãe. — defendeu-a.
– Já se passaram semanas Alec, mais de um mês e essa menina parece não se adaptar a nós, só com você, o que faz? — Sulpicia lamentou-se e interrogou-o.
Alec esboçou um sorriso e elevou os ombros ligeiramente.
– Não sei, eu somente tento a agradar verdadeiramente. — respondeu.
– Como assim, filho? — A voz masculina de Aro soou.
Ele que até o momento estava no banheiro da suíte, juntou-se a conversa postando-se ao lado de sua esposa.
– Aly gosta de tocar mais do que de comida, aquilo para ela é como respirar, eu a levo ao parque todos os dias para tocar . — Declarou claramente. — Acho que se levassem a Aly para as aulas ela não negaria, tente isso. — Alec sugeriu eloquente encarando seus pais.
Aro e Sulpícia pareceram pensar por um breve minuto sob o olhar inquieto de Alec, logo Aro suspirou e respondeu:
– Bem filho, eu preciso pensar melhor mas eu quero vê-la feliz, prometo fazer o que puder. — Ofereceu um sorriso gentil para o filho que somente agradeceu, em seguida despediu-se para sair do quarto.
– Está pensando em deixá-la ir? — Sulpícia sondou.
Aro refolegou.
– Não sei mulher, talvez. Essa menina é muito doce apesar de tudo, mas vejo que é também muito triste, quero verdadeiramente vê-la feliz. — Contestou sob o olhar atencioso de sua esposa. — Procurarei saber mais disso com Alec amanhã e resolverei. — Acrescentou embrenhando-se no edredom da cama.
Sulpícia permaneceu sentada em seu lado da cama mas logo imitou seu marido.
– O que decidir para mim estará bom. — Disse sorrindo afável para seu marido que depositou-lhe um beijo casto nos lábios.
[...]
Na tarde do dia seguinte, lá estava Alícia e Cora conversando e tocando. Alec não havia levado ela aquela tarde. Alícia cada dia que passava ficava melhor em sua performance, porém o dinheiro que ganhava deixava para Cora mesmo que ela o aceitasse contra vontade.
Alicia tinha consciência que Cora vivia sozinha em um apartamento minúsculo e não tinha um trabalho além de tocar em diversas praças por Seattle, a loira queria dinheiro suficiente para estudar. Alícia não achava justo ficar com um dinheiro que não precisava enquanto Cora que além de ser órfã como ela não tinha tutores como os seus que dessem-lhe teto, comida e suprisse suas necessidades mais triviais.
– Se quiser posso falar com eles Alícia. — Cora sugeriu enquanto oferecia a Aly o sorvete que havia acabado de comprar para ela.
As duas ainda estavam sentadas naquele costumeiro banco mas não mais tocavam, a quantidade de pessoas estava significativamente menor apesar do belo dia que ostentava um agradável sol no céu.
– Alec falou, espero que aceitem. — Comentou a menina pegando seu sorve enquanto Cora já provava o que estava em suas mãos. — Mas se não me deixarem irei assim mesmo. — Disse veemente antes de levar o doce gelado a boda.
– Aly, não pense em besteiras e além do mais deixarão sim, como disse posso ir com você até lá e falarei com eles. — Cora a repreendeu e explicou suas intenções.
A menina fez uma careta mas continuou a degustar seu sorvete e a conversar com a amiga. Suas expectativas estavam em alta,há dias que Alícia não chora ou sente-se triste por estar longe de sua verdadeira família, aquela que leva no coração sem ao menos conhecê-la. A menina via a cada dia no parque famílias unidas e sorridentes e não acuava-se por isso, ao contrário, enchia-se de coragem para chegar e encontrar o que queria, aquelas tardes de conversas sábias com Cora eram injeções para seu arrojo, sentia que o seu glorioso dia estava perto.
Notas finais
-
Bem o proximo é sobre o Jake, a banda e por aí vai... Se não ficar muito grande posto logo mais uma parte da Aly e Nessie. =) Só não sei quando ficará pronto mas espero que antes da minha bateria de provas eu consiga postar pra vcs =)
-
Super beijooos.
Fale com o autor