Os Acordes Do Amor
35 O julgamento
Notas iniciais
Foi apenas por um segundo que houve um silêncio absoluto, e em seguida um gritinho de surpresa foi entoado.
O som veio de Renesmee e então ela jogou-se sobre Jacob o derrubando no chão.
––– Sim, sim, claro que sim. ––– respondeu alegre enquanto distribuía beijos pelo rosto do homem.
No entanto, suas palavras sequer foram ouvidas pelos demais, porque eles aplaudiram e assobiavam incluindo as crianças, essas vibraram com a atitude de Nessie e aglomeraram-se dentro do círculo.
––– Ótimo, porque agora eu posso te dá isso. ––– Jake disse afoito apenas para Renesmee ouvir.
Estando os dois sentados no chão, Jacob afundou as mãos no bolso de sua jaqueta marrom e de lá tirou uma pequena caixa azul de veludo.
Renesmee resfolegou e os espectadores responderam outra vez com assobios e gritos.
O moreno sustentou um sorriso travesso e de lado conforme retirava a aliança dourada do veludo e em seguida encarou a mulher a sua frente com fascinação.
Ela tinha seus olhos marrons imersos em lágrimas contidas, sua mão trêmula repousava sobre a boca e ela somente a retirou de lá quando percebeu ––– após uns cinco segundos ––– que Jacob solicitava aquela mão para ele.
Abrindo mais seu sorriso caloroso, Jacob pegou as mãos trepidas e delicadas de Renesmee, beijou sua palma e prontamente colocou a aliança em seu anelar direito.
Sem pestanejar Jacob segurou na nuca de Renesmee aproximando-a e dando-lhe um beijo apaixonado e profundo arrancando mais vibrações dos demais.
Um pouco aturdida, Nessie finalmente recobrou um pouco de raciocínio lógico e buscou uma segunda aliança na caixinha ––– ainda em uma mão de Jake ––– Imediatamente Renesmee adornou o dedo do moreno com a aliança e repetiu seu ato.
Um longo e intenso beijo, com direito a línguas e mordidas!
Ainda vermelhos e trêmulos Jacob e Renesmee ergueram-se e todos ali presente abraçaram aos dois.
Incluindo Nahuel que também deixou suas felicitações aos noivos.
Jacob somente o agradeceu e virou-se para responder algo à Sam. Por outro lado Renesmee deu um segundo abraço no assistente.
Forte e breve.
––– Obrigada Nahuel, você é um bom amigo. ––– Renesmee declarou com tom firme, porém terno.
––– Eu sei, fico feliz de sê-lo. ––– ele lhe deu um sorriso solidário antes de Claire e Rachel ambas afoitas bombardearem Renesmee com comentários sobre o pedido (outra vez).
Não levou muito tempo e Jacob enlaçou a cintura de Renesmee a abraçando por trás enquanto sua irmã e Claire ainda a ocupavam, a divertindo tremendamente com ideias sobre flores e holofotes para a cerimônia.
––– Jake... ––– Nessie virou-se parcialmente para ele. ––– Eu acho bom nós não esperarmos tanto para o casamento, não tem nada mais para nos impedir e, sobretudo já moramos juntos. ––– pronunciou de forma afável e carinhosa.
––– Sim, mas você não prefere fazer as coisas com calma? ––– o moreno retrucou a virando para ele, mantendo sua cintura apanhada em seus. ––– Eu quero que você tenha um casamento espetacular com todas aquelas coisas que as mulheres gostam, vestido, flores, festa... Eu quero que você tenha tudo Nessie, tudo o que for do meu alcance te dar. ––– seu tom era doce e apaixonado.
Renesmee lhe deu um indulgente sorriso e levado, depois um breve beijo.
Ela deu uma breve olhada ao redor e embora estivessem acompanhados, naquele instante eram só eles. Surpreendentemente, não estavam no centro das atenções.
Nessie não soube em que momento as meninas se dispersaram, mas os deixaram a sós sob a lua cheia e o céu recém-escurecido.
––– Eu sei amor e faremos. ––– ela afagou a bochecha do moreno e lhe apresentou um olhar traquinas juntamente a seu sorriso enviesado ––– Só digo isso porque não quero entrar na igreja com uma barriga grande. ––– disse casual e Jacob deixou o queixo cair assim como seus braços também soltaram de Renesmee languidamente.
Renesmee por sua vez permaneceu com seu sorriso doce e seu olhar aceso e radiante para Jacob.
––– V-você...? ––– ele titubeou batendo as pestanas freneticamente.
Renesmee anuiu e Jacob encarou seu ventre com uma chama diferente nos olhos.
––– Tem certeza?
Ela afirmou outra vez e levou sutilmente as mãos ao local onde os olhos do moreno estavam pregados.
––– Amor... ––– ele murmurou e a abraçou fortemente e mais que depressa se separou para encarar o abdômen ainda liso sob o vestido de algodão e o acariciou com devoção em seguida.
Quando Jacob a olhou, seus olhos brilharam por lágrimas e emoção. Havia amor, alegria, devoção e gratidão.
O coração do moreno atropelava as batidas.
Com uma mão ele permaneceu sobre o ventre dela e com a outra ele levou até o rosto de Nessie e a adulou com tanto carinho que Renesmee fechou os olhos sentindo como se uma porção de veludo aquecesse sua pele.
O homem sorriu ébrio e logo limpou uma lágrima que descia lhe molhando a face.
––– Eu te amo. ––– sussurrou e despertou à Nessie que abriu os olhos.
Ela mostrou um sorriso caloroso a ele para depois depositar um beijo casto em seus lábios.
––– Eu ainda não estou acreditando. ––– professou Jake fitando novamente a barriga da mulher que amava. ––– Tem certeza?
Renesmee riu.
––– Tenho Jacob, estou grávida. Repeti o teste há três dias.
O sorriso de Jacob era largo, e cintilante. Parecia perpétuo em sua face. Deixou um beijo breve, porém intenso em Nessie.
Por observar os olhares carinhosos e sorrisos bobos de seus pais, Alícia se aproximou com um sorriso igualmente ao do moreno, porém sem entender o porquê.
––– O que aconteceu? ––– a moreninha inquiriu e Jacob deu risada de sua inocência.
Sean e Josh eram outros alheios, todavia se mantiveram a espreita perto da mesa.
Jacob e Renesmee se olharam em cumplicidade.
––– Você terá um irmãozinho. ––– Renesmee disse amena fitando a menina.
––– Ou uma irmãzinha. ––– Jacob completou com um olhar arteiro.
––– Tem um bebê aí dentro? ––– Alícia fitou a mãe com desconfiança.
––– Tem sim. ––– Renesmee respondeu com um vasto sorriso. ––– Ele ainda é pequeno, mas vai crescer e depois que nascer você poderá brincar e cuidar dele. ––– acrescentou.
––– Ah, pois eu o quero logo. ––– reclamou Alícia contente.
Já tinha noção o que era ter um irmão ou irmã, via Jane e Alec, além de mais alguns amigos do orfanato.
Era uma imagem boa ter alguém de companhia, para brincar, conversar e até mesmo ter uma discussão sadia.
Sobretudo, Alícia entendia verdadeiramente o significado daquilo.
Uma família maior, mais amorosa, mais divertida.
Ela não se imaginava pedindo por mais.
O casal riu da afobação da filha e lhe beijou a bochecha, um de cada lado antes de se aproximarem das pessoas ––– já desconfiadas ––– e levaram a boa nova.
E pela segunda vez naquela noite, Jacob e Renesmee receberam os parabéns.
*****
––– Eu não acredito. Serei avó outra vez. ––– Bella comentou alegre abraçada a filha.
––– É ––– Renesmee suspirou. ––– Me sinto ótima, mãe. ––– ela revelou embevecida.
Estava apenas as duas sentadas em cadeiras perto da mesa, observando sem atenção o movimento dos outros ––– indo e vindo de dentro da casa –––.
Renesmee sentia-se leve, acalentada, uma paz invadia seu coração. As batidas eram calmas, o corpo leve, o sorriso não abandonava seu rosto. Às vezes parecia um sonho, ela olhou outra vez a reunião, todos sorrindo, lhe dando os parabéns.
Sua filha estava cheio de alegria, Jacob ––– na varanda, posicionado em sua lateral e conversando com Sam ––– em cada olhar que lhe dava transbordava amor e felicidade.
Renesmee olhou a mãe outra vez e essa a abraçou.
––– Nunca fui tão feliz e acho que não serei. ––– confessou e soltou um risinho ––– Achei que quando descobrisse onde Aly seria feliz ao máximo, mas me surpreendi quando estive com Jacob, então quando soube que Alícia moraria finalmente conosco acreditei que no meu peito não caberia tanta felicidade, porém ao descobrir que estava grávida no dia seguinte, meu peito pareceu encher mãe. Creio que agora sim, não posso ser feliz mais que isso. ––– sua voz era mansa e maravilhada.
––– Sempre pode Nessie, sempre pode. ––– Bella afagou o rosto da filha. ––– Espere seu filho nascer e verá. ––– completou risonha.
––– É verdade mãe. ––– constatou. ––– Não vejo a hora de ele nascer. ––– ela olhou para baixo e acariciou a barriga. ––– Não, não de ver a minha barriga crescer, preparar o enxoval, arrumar o quarto... ––– Renesmee listava muito eufórica.
Alícia então chegou intempestiva e abraçou dando um beijo no meio de seu ventre.
Bella esgueirou-se e retirou se, contudo seguiu admirando a cena, mesmo já dentro da casa e Jacob sem demora juntou-se a sua família.
––– Quando quiser ir embora amor, me diga. ––– ele avisou.
Nessie apenas aquiesceu sem soltar sua filha.
******
Não levou muito tempo e mais uma vez Jacob depositava sua filha na cama macia. Bella dormiria a seu lado, mas naquele momento a mãe de Nessie banhava-se enquanto Jacob e a noiva babavam na garota adormecida.
––– Precisamos de uma casa maior. ––– mencionou o moreno em um sussurro.
––– Sem dúvidas. ––– Renesmee deixou um risinho escapar.
––– Sabe? Quando eu te vi naquela sala ––– Jacob segredou sem tirar o olhar apaixonado da filha ––– Eu pensei que não poderia ser mais feliz e nem estar mais realizado. ––– ele a fitou ––– E então você me fez o homem mais feliz do mundo quando confirmou que a Aly era minha e agora você aumentou todo amor que tenho no peito, e minha felicidade, pois tenho mais um milagre em minha vida. ––– professou com seus olhos mareados.
O moreno pegou o rosto de Nessie em suas grandes, grossas, no entanto macias mãos.
––– Jake... ––– Ela suspirou ––– Me sinto exatamente igual. ––– contestou em um fio de voz enquanto sorria encantada para ele.
––– Eu te amo Nessie. Definitivamente não posso viver sem você. ––– falou antes de beijá-la intensamente; apaixonado.
Doce e calmo, contudo fogoso, amoroso, emocionado.
*******
Os dias em que Edward passou no hospital estavam longe de serem os piores. A cadeia não era melhor e um pouco pior, além de tudo.
40 dias foi o tempo em que ele passou detido. Quarenta dias e uma visita de Bella.
Eles se encontravam em uma sala vazia, fria, clara e melancólica. Um sentado de frente para o outro.
Bella com o rosto bastante corado, olhos alegres e toda uma aparência saudável. Edward por outro lado, estava magro, sem cor, olhos fundos, e uma careta nada satisfeita por estar ali.
Engoliu a seco quando soube da gravidez de sua filha, todavia permaneceu em um silêncio amargo, contendo a si mesmo para não surtar por seu fracasso.
Ele gostaria de gritar, virar aquela mesa de metal, sacudir a esposa e perguntar: Por quê? Por quê? Por que não é como quero? Porque tem que ser assim? Porque não estou feliz?
Mas Edward tinha a plena consciência de que sabia as respostas. E não gostava delas.
Ele foi egocêntrico, ele foi cruel, mereceu estar onde estava e não merecia uma colher de chá, embora desejasse.
No fundo, nos momentos em que Edward continuava naquela diminuta sala, desejou que Jacob não existisse.
As palavras vieram de seu coração e pararam em sua garganta. E ele as engoliu.
Voltou a fitar Bella que o olhava tão inexpressiva, mas ao mesmo tempo desafiadora, o homem puxou com força o ar e lançou a esposa um sorriso sem vontade e fraco.
Ele também poderia dizer: Estou feliz que nossa filha esteja bem, ao menos.
Todavia não disse.
Nada saiu de seus ressecados lábios. Embora aquelas fossem palavras parcialmente verdadeiras, Edward tinha a noção do quão hipócrita seria em dizer aquilo.
Gostava de ver Renesmee bem sim, de forma contrária a suas idealizações, não.
Atentando-se ao fato de que sua declaração não mudaria nada, optou pelo silêncio.
Incomodo silêncio.
Bella baixou o olhar de decepção, esperava ao menos notar felicidade ou arrependimento nos olhos do homem o qual já havia amado em demasiado, contudo somente viu a consternação de nada estar como ele queria.
Parecia conformado, não feliz.
Isabella lamentou em pensamento e ergueu a vista outra vez para prosseguir:
––– Estou voltando para Nova Iorque, Renesmee deixou-me ficar no apartamento dela, uma vez que você venderá a nossa casa e ela morará com Jacob no apartamento por enquanto. ––– informou.
––– Fico satisfeito de tudo estar indo bem. ––– Edward esboçou um sorriso fraco e uma crise de tosse o atacou.
Bella esperou a crise passar e retrucou.
––– Poderia ter evitado esse sofrimento Edward, poderia ter sido menos egoísta.
––– Não me chateie com isso Bella, viver sem o perdão da Nessie já é um castigo muito grande para mim, e a amo, de verdade. ––– falou categórico.
Bella lhe deu um sorriso frouxo.
––– Não a ama o suficiente para querer vê-la feliz. ––– assinalou veemente.
––– Que droga Bella, eu poderia ter guardado a merda toda para mim, mas contei a verdade no final. ––– ele exasperou e levantou-se da cadeira, mesmo estando ainda algemado.
––– Contou porque poderia morrer e não queria levar esse peso para o tumulo, no final de tudo você é um medroso. ––– Bella rebateu também se erguendo.
––– Eu me arrependi. ––– ele grunhiu.
––– E levou oito anos para se manifestar? ––– alfinetou. ––– Poupe-me Edward.
Ele suspirou pesadamente e voltou a sentar-se.
––– Gostaria de vê-la. ––– Falou calmo ignorando a gritaria anterior.
––– A quem? ––– Bella ergueu uma das sobrancelhas em arrogância.
Edward a fitou cauteloso primeiro e sentiu-se muito pequeno naquele momento.
––– Minha neta. ––– falou tão baixo que duvidou de Bella ter ouvido.
Entretanto ela ouviu e lhe deu um sorriso debochado.
–––Nem sonhe com isso Edward, Jacob o quer há milhas de distância dele e de sua família ––– Isabella o advertiu –––, e dou a razão a ele. ––– acrescentou.
Edward seguia olhando a mulher de pé e altiva perante ele. O olhar do homem era melancólico e sua expressão derrotada.
––– Só uma vez, gostaria de pedir-lhe perdão. ––– argumentou.
Bella suspirou e sentou-se.
––– Posso tentar falar com eles.
––– Você virá ao julgamento? É na semana que vem.
––– Tentarei.
––– E a Nessie?
Bella deu de ombros.
––– É provável.
––– Ele virá? ––– a cabeça dele era baixa como seu olhar.
––– Com certeza. ––– seu tom além de taxativo soou cruel, o que causou um frio na espinha de Edward.
Ele a olhou em angústia e tragou um bolo amargo de saliva.
––– Ele quer matá-lo. ––– Bella contou sem piedade alguma sobre o quadro entristecido de Edward
––– Com razão. ––– Edward murmurou com um sorriso desgostoso.
*****
O murmurinho do tribunal cessou um pouco quando o réu foi anunciado e logo Edward adentrou pelo corredor sob os olhares de poucas ––– no entanto conhecidas pessoas ––– indo imediatamente sentar--se a esquerda.
Sua direita queimou, há poucos metros distância estava o promotor que o acusava de seu verdadeiro crime enquanto Jacob e Renesmee estavam sentados atrás do homem.
De soslaio Edward os viu, sentiu o olhar acusatório e ressentido do casal sobre ele.
Edward sentiu-se péssimo. O murmurinho recomeçou e ele sabia que em nenhum dos comentários ele era a vitima.
O réu abaixou a cabeça e olhar, seu coração se acelerava pelo nervoso. A pele se encontrava mais pálida que nunca. Seus longos dedos brincavam um com outro, tendo os pulsos rodeados por algemas, Edward não tinha outras opções de manifestar seu desconforto.
Conforme o promotor relatava o caso e o juiz ouvia atentamente, Renesmee sentia o nó na garganta, queria chorar.
Sim, estava triste. Decepcionada.
O homem de roupas surradas e algemas no pulso, a criou e ela sempre o vira como o melhor homem desse mundo. Saber o quão malvado ele poderia ser e ouvir aquilo como uma sentença lhe doía.
Era uma magoa tremenda. Ela o fitou e não viu o pai o qual ela abraçou e acarinhou tantas vezes.
Era um homem fraco, criminoso, e detestável.
Ela não o via mais como um herói, aquela imagem se quebrou dentro dela há tempos, mas os cacos ––– a ferida ––– ainda doíam.
Contudo Renesmee não chorou, manteve a sua posse impassível, e ignorou os olhares piedosos que Edward lhe dava.
A mulher apenas sentia um conforto exterior, o calor do braço de Jacob que a envolvia tentando protegê-la do gatilho para a dor daquelas feridas.
Falando no moreno, ele não sentia dor alguma, ele se mantinha enraivecido, com um sentimento abrasador.
Seria capaz de bater em Edward se assim o permitissem. Seus olhos em fendas não largavam o rosto descorado e consternado do acusado.
O réu notava sua espinha gelar com o olhar frio e a face colérica do moreno. Edward percebeu que Renesmee evitava fitar seus olhos, a face dela não era de felicidade, todavia não parecia insatisfeita.
Edward tragou a saliva azeda e fitou o juiz sem esperanças. Não via uma forma de ser mais infeliz do que estava sendo naquela temporada.
–––... Edward Anthony Cullen é culpado pelos crimes de falsidade ideologia, privação de liberdade e falsificação de documento...
Tudo conspirava e estava contra ele. Bella não se encontrava assim como seus pais ou irmão. Esses nem ao menos o visitaram, a única família presente ali, estava... Satisfeita com sua condenação.
Definitivamente, seria melhor estar morto. Pensou irônico quando o juiz o declarou culpado.
Renesmee fechou os olhos ao ouvir as palavras do meritíssimo.
–––... Condenado a 12 anos de prisão, sendo essa domiciliar até que se estabeleça sua saúde.
O bater do martelo, pareceu um botão ligando um rádio, pois começou um murmurinho alto e ouviu-se outra vez a voz do meritíssimo.
––– Está encerrado esse caso.
Edward levantou vencido, seu corpo se encontrava em um estado de inércia, os olhos eram negros e opacos.
Moveu-se preguiçosamente através do corredor acompanhado por um guarda, entretanto Jacob não perdeu a oportunidade de parar de frente para Edward e encará-lo de cima para baixo.
O mais velho realmente sentiu-se diminuído e abaixou o olhar diante da derrota.
Jacob bem poderia confrontá-lo, dizer alguma coisa que o ferisse mais.
Mas preferiu desenhar um sorriso irônico e contente junto com seu olhar vitorioso.
Edward não era burro, e entendi muito bem o que aquilo queria dizer.
Era o “vai se fuder” com o olhar.
Qualquer condenação Jacob julgaria pouco em comparação do mal que ele causou.
E Edward jamais poderia recrimina-lo por pensar assim, ou por levar sua única filha para longe dele, sem qualquer ponderação.
Edward merecia aquele isolamento, aquela condenação, ele merecia qualquer das formas de castigo, e aborrecido assumia isso.
Após o moreno sumir no corredor do tribunal abraçado ao pequeno corpo da mulher que agora era sua noiva. Edward ergueu a cabeça e passou por todos os outros rostos, alguns conhecidos outros nem tanto.
Ficaria na cadeia aquela noite, porém não se importou. Em casa o clima não estaria melhor, isso é se caso Isabella o esperasse lá.
*****
––– Shiu, acabou amor, acabou. ––– Jacob sussurrou nos cabelos de Renesmee ao saírem para o exterior e se abrigarem em uma marquise.
O dia era frio, úmido, mas até o momento não chovia.
Renesmee estava agarrada a Jake, com seu rosto em seu peitoral. Ela usava o som das batidas do coração do moreno para se acalmar.
––– o que disse a ele? ––– Renesmee perguntou bem baixinho, mesmo assim Jacob ouviu e nem ao menos se moveu ao responder amenamente:
––– Nada, não precisava dizer nada. ––– então ele se afastou um pouco para fitar a noiva nos olhos.
Renesmee havia ficado na porta enquanto Jacob encarava seu pai com vangloria, imaginava que Jacob houvesse o confrontado com palavras, contudo o moreno apenas lhe lançou um olhar furtivo e saiu.
––– Sabe? Eu estou aliviada, um pouco decepcionada, porque afinal das contas o cara era meu pai, mas não me sinto triste por ele, e sim por meus sentimentos frustrados. ––– ela confessou. ––– Sou uma má pessoa por isso, Jake? ––– ela refletiu.
O moreno soltou um riso e beijou-lhe castamente os lábios.
––– Não, minha pequena, não é má pessoa. Ele mereceu, merecia até mais, incluindo umas porradas minhas. ––– Jacob falou sério, porém Renesmee não prendeu o riso.
––– Você não bateria nele, Jake. Não bateria em ninguém. ––– ela afirmou o beijando de volta.
––– Eu tenho tanto raiva dele Nessie, acredite eu poderia. ––– retrucou o moreno ainda sério, contudo já era um tom suave.
Ele começou a caminhar com Renesmee de mãos dadas a ele, e a caminho de seu carro na próxima esquina ouviram um breve trovão. E antes mesmo que eles chegassem a casa, uma branda ––– porém insistente ––– chuva caía.
****
Uma semana depois estava o casal e mais Alícia na recepção do consultório da obstetra para finalmente ver e ouvir o novo membro da família a caminho.
Havia mais três casais esperando, um deles com uma menininha poucos meses mais nova que Alícia, a garotinha distraia-se juntamente a mais velha pelo largo corredor adornado em tons de rosa e amarelo.
Enquanto isso e conversam paralelas, Jacob e Renesmee estavam imersos em seus próprios pensamentos.
Jacob por nunca ter estado presente em uma ultra ––– nunca entrou quando levou Rachel por duas vezes –––, sobretudo era para examinar seu filho.
Aquela espera estava lhe causando uma palpitação no coração e certa inquietação, não se mantinha parado na medida em que aguardava, ora batia os pés, ora os dedos do braço envolto nos ombros de Renesmee ele tamborilava na pele nua da mulher que o encarou curiosa.
––– Está nervoso? ––– Nessie indagou voltando a fitar o pôster de uma mãe amamentando a sua frente.
––– Não... ––– Jacob respondeu sem convicção, tanto que Renesmee sequer acreditou, contudo também não retrucou, permaneceu admirando o pôster à frente.
Uma mulher jovem amamentava um bebê envolvido em uma manta verde, Renesmee deixou seus olhos presos ali por incontáveis minutos. A mulher da foto amamentava... Amamentava!
Renesmee nunca amamentou, nunca tocou um bebê que pudesse chamar de seu. A agitação no corpo dela era distinto daquela em Jacob, pois ultrassonografia ela havia feito ––– poucas –––, embora os sentimentos naquela época fossem outros ––– almejava ter Jacob ao lado e por Deus, ele estava ali agora ––– na ocasião sentia-se igualmente ansiosa.
Gostaria de mimá-lo, acalentá-lo, colocar em seus braços e deixá-lo se alimentar de algo que somente ela poderia lhe dar.
Renesmee suspirou e observou a filha tagarelar coisas infantis com a outra garotinha, deu um frouxo sorriso, gostaria de ter mimado Alícia também, tê-la nos braços quando um recém-nascido inocente e acaricia-la enquanto a amamentava.
Então essa vez o resfolegar da morena foi pesaroso e triste.
––– Amor? ––– Jacob sondou ao perceber a mudança de estado de Nessie.
––– Estou ansiosa. ––– anunciou.
––– Por quê? ––– Ele franziu o cenho. ––– Já passou por isso antes. ––– justificou.
Renesmee lhe deu um sorriso débil.
––– Foi diferente, antes eu só pensava em tê-lo comigo e nada mais, eu esperava ter a minha filha nos braços e tinha certeza que em pouco tempo o faria, porém.... ––– Renesmee mordeu os lábios ao sentir uma forte pontada em seu peito ao recordar-se com os olhos fechados seus piores dias ––– Nunca o fiz.
––– Mas agora o fará amor, agora é diferente. ––– Ele a assegurou.
––– Eu sei, e por isso estou inquieta, não sei o que esperar, é como se fosse mãe pela primeira vez e de certa forma...
––– Não é mãe pela primeira vez ––– Jacob a cortou ternamente ––– Cuida de Alícia com bastante destreza, não terá problemas com o próximo. ––– completou.
––– Nunca cuidei de um bebê Jacob. ––– rebateu suave ––– Estou insegura agora, é bobo sei, mas nunca cuidei de um bebê, nunca alimentei a um filho. ––– ela constatou e o peso no coração não a abandonava, engoliu a seco para evitar que o nó em sua garganta se fortalecesse.
––– Mas o fará muito bem, amor. ––– Jacob afirmou sorrindo solidário e deixou um casto beijo na testa dela ––– Eu entendo, porque também me sinto ansioso por tudo, a cada dia é uma etapa nova para mim, e compreendo que será diferente do que é com Alícia, mas conseguiremos, estamos juntos. Não tenha medo. ––– Finalizou com afinco.
O moreno lhe agarrou a mão e a beijou com imensa ternura, logo fitou os olhos amendoados de Renesmee e vislumbrou um brilho e lágrimas ansiosas por caírem.
Nessie riu e levou os dedos aos olhos.
––– Droga de sensibilidade... ––– resmungou tentando evitar que lágrimas descessem.
O medo de errar ainda estava lá, claro. Entretanto sentia-se confortável, por ter o moreno ali.
Diferente de antes, o teria para qualquer coisa. Era uma certeza que possuía agora e antes não.
As coisas mudaram sim, mas Renesmee não reclamaria, não mesmo.
Esforçou-se para se acalmar e não pensar no que viria, estava impaciente e aquilo faria mal ao bebê. Então tentou relaxar emprestando ––– disfarçadamente ––– atenção na conversa dos casais a seu lado e tão prontamente ela foi chamada para a consulta.
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