Os Acordes Do Amor
28 A busca
Notas iniciais
No céu despontava um degrade de lilás e azul sobre a cidade de Tacoma naquele começo de noite. O centro estava lotado, todavia Jacob e Renesmee se encontravam confortáveis em um café em frente à pousada a qual se instalaram.
––– Por onde começamos? ––– Jacob indagou sério observando a sua volta.
Renesmee suspirou e igualmente ao moreno rodeou os olhos sem precisão e inclinou-se a responder, entretanto a interromperam.
––– Renesmee? ––– A voz cansada e ríspida do homem fez Nessie largar seu donut no prato, desistir de dá uma resposta a Jake e erguer as vistas para o dono da voz.
––– Senhor... ––– Renesmee tentou não demonstrar sua aflição ao ver o investigador diante da mesa em que estava.
––– Shane Wilson, senhorita Cullen. ––– ele completou plácido sem alterar sua expressão.
Jacob juntou as sobrancelhas. Ambíguo, não fez perguntas, no entanto.
––– O investigador... ––– Nessie comentou débil sem intensão de ser ouvida, mas tanto Shane tanto Jacob ouviram seu murmúrio.
–––É uma surpresa vê-la aqui.
O senhor era astuto suficiente para encobrir o sarcasmo, embora o casal à mesa soubesse que o encontro não era irrelevante para o investigador.
––– Diga por que tão longe de casa? ––– Os olhos de Shane eram especulativos e enigmáticos enquanto os sondava.
––– E — eu vim a passeio. ––– A mulher levemente trêmula respondeu simulando tranquilidade.
––– Hum entendo, perdoem-me se estou sendo invasivo, mas não me parecem a passeio. – Shane disse e Jacob (carrancudo e incômodo) mexeu-se na cadeira sutilmente.
––– Chegamos a pouco e estamos cansados. ––– o moreno contestou.
Jake se quer sabia a importância do homem em todo o fato, contudo desconfiava que devesse entrar no jogo implicitamente imposto por Renesmee.
––– E o senhor seria um amigo? ––– Perguntou Shane sem cerimônia.
––– Não exatamente... ––– Jacob começou inseguro.
––– Um pouco mais eu diria. ––– A mulher completou incisiva, um tanto impaciente com o interrogatório.
––– Diga-me, por que o interesse em minha vida pessoal senhor Wilson? ––– Renesmee inquiriu enfadada.
––– Perdoe-me mais uma fez, sou detetive e a senhora estava na delegacia quando a menina Alícia desapareceu e nenhum de vocês está impune para mim. Gostaria de lhe fazer algumas perguntas amanhã, pois ficarei na cidade para umas investigações, eu poderia? ––– Shane sondou tranquilamente.
Renesmee remexeu-se na cadeira. Perturbada. Àquele homem sutilmente a acusara — e era ridículo se não triste ––– que ela havia sequestrado a própria filha.
Por outro lado Shane não tinha noção do verdadeiro envolvimento de Renesmee naquele caso. Mas seus sentidos e experiência o faziam crer que sim, Renesmee tinha algo a ver.
Estava aflita demais na noite na delegacia e agora se mostrava do mesmo modo ou mais nervosa. Suas íris estavam escurecidas como naquela noite.
Wilson era perspicaz e observador o suficiente para notar o estado de alerta em que a moça se encontrava sem ser muito descarado. Jacob por sua vez se tornara uma incógnita para ele.
Uma vez que o moreno ostentava o mesmo olhar ansioso e postura incomoda, observações também feitas em Renesmee.
––– Tudo bem. ––– Murmurou a mulher.
––– Me encontre neste endereço as nove, por favor. ––– Ele lhe entregou um pedaço de papel riscado rapidamente por ele.
Assim que Shane sumiu pela viela próxima ao café, Renesmee soltou todo o ar que prendia inconscientemente e um pânico lhe abateu fazendo-a sentir uma queimação ardorosa no peito. Uma arritmia palpável.
––– Amor ficará tudo bem, se acalme. ––– Jacob apertou forte suas mãos sobre a mesa.
––– Jacob o que direi a ele? ––– Sua voz sufocada era ao mesmo tempo desesperada.
––– Não pense nisso agora Nessie e você não tem obrigação de estar lá. Não precisamos encontrar com ele outra vez. ––– Jacob respondeu suave.
––– Ele acha que sequestrei minha filha, por Deus isso é ridículo. ––– Nessie cuspiu as palavras; contrariada.
Renesmee levou as mãos nos cabelos em nervosismo e seus lábios se apertaram formando um sorriso de aborrecimento e consternação.
––– Acalme-se, não precisa comparecer se o fizer terá que mentir e será pior, portanto é melhor não ir. ––– Jacob disse aproximando-se dela e a abraçando de lado.
Renesmee tremia em seus braços.
––– Ele tem razão não vá. ––– A voz de Nahuel chegou aos ouvidos do casal que logo repararam a silhueta do homem esguio ao lado.
––– Me desculpem, mas eu estava acompanhando Shane de perto e o vi entrar aqui e os avistei, finalmente. ––– explicou-se o assistente.
––– Sente- se. ––– Jacob indicou a cadeira da frente contra sua vontade.
Era algo sensato. Se alguém ––– naquele momento ––– poderia ajudar a Renesmee era Nahuel. Pelo menos era assim que Jacob ––– desgostosamente ––– pensava. Nahuel poderia ter sentimentos pela mulher que amava, mas segundo Nessie ele se mostrara bem eficiente e seria estupidez de Jacob destratá-lo.
Tão pouco o moreno demonstrava afabilidade para com o assistente como Renesmee que logo lhe sorriu.
––– O que há com ele? ––– a moça indagou aflita ao assistente.
––– Alguém da escola está envolvido, porém todos contam a mesma estória, nenhum aluno sabe da Aly, nenhum professor e muitos por incrível que pareça conhecem a Cora, mas Shane tem quase a certeza de que é um professor, basta saber qual. ––– Nahuel informava em seu tom calmo e profissional.
––– E porque veio atrás da gente? Aqui? ––– Jacob quis saber.
––– Renesmee estava na delegacia e mostrou-se muito afetiva com a menina, ele é muito observador, ossos do ofício, portanto ele sente que Renesmee tem interesse na questão, assim como eu. Todavia ele me descartou quando houve denúncias convincentes de Tacoma. ––– Nahuel tomou folego e emendou. ––– Alícia foi vista com uma menina ruiva perto de uma loja.
O assistente fez uma pausa esperando especulações de Jacob ou Renesmee, porém o casal o encarava ansioso por mais informações.
––– Shane está com um assistente rondando pela região ––– continuou –––, entretanto ele resolveu averiguar toda a cidade e ele não confia muito em mim, mesmo assim prometi ajudar no que puder. ––– Nahuel revelou um tanto aborrecido por não está mais envolvido nas investigações.
Ainda estava no escuro se pensasse de forma superficial.
–––É como procurar uma agulha no palheiro. ––– Jacob desabafou jogando as costas no respaldo da cadeira.
––– Conseguiremos. ––– Renesmee o confortou alisando seu ombro de forma encorajadora.
––– Eu sei. ––– o moreno suspirou e ofereceu um sorriso fraco a ela. ––– Para onde vão agora? ––– Jake dirigiu a pergunta ao assistente.
––– Eu já voltaria para o hotel. Shane disse que ficaria na praça aqui perto, ele e o amigo querem ver se dão a sorte de encontrá-la na rua. ––– Nahuel respondeu como um resmungo.
Estava clara sua discordância sobre os planos de Shane. Gostaria de estar metido em cada passo dessa busca.
––– Se pudéssemos... ––– Jacob cogitava, porém foi cortado por Nahuel.
––– Não, não adiantaria e só traria mais desconfiança para Nessie, o melhor a fazer é aguardar, a mim também não agrada essa inércia forçada. ––– revelou ––– Mas qualquer alarme eu os aviso, estarão aqui perto. ––– assegurou o assistente.
––– Morrerei de ansiedade Nahuel. ––– particularizou Renesmee.
––– Esperamos encontrá-la o mais rápido possível. ––– Nahuel disse em tom categórico.
****
Renesmee fechou os olhos e relaxou ao sentir os lábios de Jacob em seu ombro. Ela estava pronta para dormir ––– apenas o conjunto de moletom ––– era a terceira vez que se levantava e sentava na cama no meio daquela noite.
––– Precisa dormir amor. ––– Jacob como das outras vezes a imitou e a abraçou deixando a cabeça dela repousar em seu peito.
––– Não consigo Jake, penso nela o tempo todo. Ela pode estar aqui ao lado ou muito longe, de repente ela esteve aqui antes de nós ou passará na calçada enquanto estivermos dormindo, Jake eu penso em tantas possibilidades... ––– Renesmee disparava as palavras com sua voz entalada e esganiçada.
––– Amor dará tudo certo no final, confie. ––– Jacob disse e beijou o topo de sua cabeça.
O moreno a embalou nos braços por minutos a fio. Logo sentiu que a mulher aconchegada em seu peitoral pesava mais e não mais suspirava em curtos períodos, apenas ressonava.
Ao deitá-la na cama Jake percebeu que ela não estava tranquila, sua testa possuía uma ruga ––– de preocupação ––– as comissuras de seus lábios estavam franzidas.
Jacob só torceu para que ela não estivesse tendo pesadelos. Não demorou e admitiu que, seu sono também havia fugido.
Com cuidado levantou-se e foi até a janela fechada. O moreno somente sentiu as pálpebras pesarem quando o negro do céu deu lugar a um azul cinzento.
Em todo momento as possibilidades citadas por Renesmee lhe vinham à cabeça. O som da voz da Alícia vinha junto, os olhos cintilantes estavam no fundo de tudo. Durante alguns instantes Jacob sentia-se tonto por muito pensar e se preocupar em onde e como estaria sua filha.
Em uma dessas tonturas, o homem percebeu que dormia encostado na janela e arrastou-se para a cama.
––– Não dormiu nada. ––– Renesmee observou.
Ambos tomavam café no salão da pousada.
––– Perdi o sono, fiquei pensando na Aly, em seu rosto, sua voz, Nessie a quero tanto. ––– ele confessou em um muxoxo.
––– Eu sei. Também a quero. Tudo que mais quero é que toda essa tormenta acabe e que tenhamos nossa menina nos braços...
––– Como era para ter sido desde o começo. ––– Jacob atropelou-a categórico.
––– Sim, sinto muito por isso, Jake. ––– disse Renesmee com doçura.
––– Não, não. A culpa não foi sua. ––– ele retrucou firme pegando as mãos dela e levando aos lábios. ––– A encontraremos e tudo isso será um sonho ruim que trancaremos para sempre. ––– deliberou.
––– Estou ansiosa por isso. ––– Ela suspirou levando as mãos ao colo. ––– Voltará amanhã? ––– Renesmee perguntou continuando uma conversa que tiveram no caminho de Seattle até ali.
––– Sim, eu tenho trabalho em Port Angeles, estive pensando em explicar e pedir uma licença, eu quero estar aqui, não terei cabeça lá. ––– esclareceu o moreno bebericando o café.
––– Se precisar ficar, eu compreendo. ––– ela lhe ofereceu um sorriso solidário.
––– Eu não quero ficar lá, de qualquer forma, voltarei na sexta. ––– ele assinalou.
*****
A semana não estava fácil para ninguém.
Renesmee estava um pouco aliviada por Bella ter dado notícias. Encontrava-se em sua casa em Nova Iorque ––– cuidando de Edward –––, mas já tinha planos de voltar a Seattle na próxima semana.
Nessie, no entanto começou a cogitar a ideia de vender seu apartamento em Nova Iorque. Ela não pretendia voltar. Não queria voltar.
Era uma cidade que, apesar da agitação e distração lhe remetia a momentos escuros de vida. E naquele momento por mais aflito que fosse era caloroso e claro. Havia Jacob a apoiando, Claire mais contente e solidária que nunca, Nahuel esforçando-se para ajudá-la e a esperança viva de encontrar sua filha.
Para Nahuel, as coisas estavam caminhando. Ele tinha boas noticias para Renesmee, finalmente. Com o desaparecimento de Aly os Volturi tiveram a guarda suspensa ––– Alícia não deveria estar distante da presença deles –––. E mesmo não sendo certo Shane chegou à conclusão que talvez o professor Mark estivesse envolvido.
Era uma hipótese para o investigador. Ele o vira em Tacoma na terça, o interrogou na quarta, no colégio. Ele mentiu.
Além de todas as suspeitas comuns a todos, Mark mantinha pequenas contradições sobre não saber a pretensão de Cora com o emprego. A garota garantiu a Shane que sim. Suas constantes adoções era um caso (estranho) a pensar.
E seus negócios obscuros, Mark não falava sobre eles, mas em suas investigações ––– sobre o professor ––– Shane soube que o homem não vivia somente do mestrado.
Todavia o senhor Wilson nada podia fazer sem provas, ou sem indícios mais convincentes, não poderia acusar o homem por suposições, deveria haver algo de concreto e Shane estava disposto a lutar por isso agora que tinha um forte suspeito.
****
Port Angeles, sexta-feira.
Jacob andava com a cabeça fervendo por Alícia, Renesmee e... Jéssica.
––– O que quer aqui? ––– Jacob indagou a loira que se sentou a sua frente na lanchonete na qual ele “almoçava” um sanduíche.
––– Você chegou estressado Jacob... E tem me evitado, não atende minhas ligações. ––– Jéssica comentava dissimulando descaso.
Jacob (impaciente) ergueu a vista para ela.
––– Jéssica acabou. Eu te disse. ––– ele foi contundente nas palavras.
––– Mas estávamos em uma trégua. ––– argumentou manhosa com sua voz melosa.
––– Acabou Jéssica, acabou. ––– Jacob bradou terminante e a loira arregalou os olhos por sobressalto da elevação da voz do homem. ––– Escute, eu...
Jéssica engoliu em seco, desgostosa ainda prestava atenção no moreno. Jacob por outro lado bloqueou o “Eu estou com sérias preocupações. Minha filha sumiu, Renesmee precisa de mim e eu ficarei louco se abrir a boca outra vez” em sua garganta e pousou os olhos em algo por trás da loira.
Uma menina morena com os cabelos lisos e pesados, semelhantes ao de sua filha. Aquilo formou um formigamento no peito do homem, seu maxilar apertou e seus olhos obscureceram assustando a mulher a sua frente.
––– Jacob? O que há?
Mas o homem não a ouvia, ele estava focado na pequena que implorava a mão por um doce a poucos metros deles.
Jacob concentrado, não sentia o toque preocupado e macio de Jéssica em suas mãos. A mulher, assombrada virou-se e ficou ambígua com aquela imagem.
––– Jake, não estou entendendo. ––– ela murmurou, no entanto a mente de Jacob estava totalmente voltada para Alícia.
Em cada momento.
––– Eu preciso ir. ––– O moreno anunciou largando 20 dólares sobre a mesa e levantando-se simultaneamente.
Jéssica levou uns segundo para raciocinar e ir atrás do homem e quando o fez, reparou o carro de Jacob sair do prédio em frente ––– onde trabalhavam ––– e partir em alta velocidade.
*****
A mente de Jacob fervilhava, era muita informação. Ele dirigia a 110 km/h. A conversa que teve com a filha gritava em sua mente. A queimação em seu peito aumentava a cada minuto.
Meia hora após sua partida o seu celular tocou e apenas na terceira tentativa Jacob atendeu.
––– Jacob, onde está? ––– Rachel indagou apavorada.
––– Estou indo para Seattle, estou na interestadual. ––– avisou sem desacelerar.
––– O que está fazendo? Enlouqueceu? ––– Rachel vociferou atordoada andando de um lado a outro na sala de sua casa. ––– A Jéssica ligou para mim, disse que você parecia louco, saiu correndo de carro, o que está havendo? ––– o interrogava maltratando o chão.
––– Eu preciso ir até lá, acho que sei onde encontrar a Aly. – respondeu confiante apesar da dúvida.
––– O quê?
––– Lembrei-me da conversa que tive com a Aly àquele dia, um professor queria levá-la a tal concerto, eu acho que talvez ele possa estar com ela. ––– Ele explicava com olhos na estrada.
––– Jacob tem certeza? ––– perguntou cautelosa e logo acrescentou o repreendendo. ––– E você não poderia ter ligado. Precisava ser assim? Como louco.
––– Eu estou afoito, okay? Preciso encontrar a Nessie, preciso ver isso o quanto antes, lá eu ligo para O’Donnell e explico tudo, ele já sabe o que estou passando.
Rachel suspirou.
––– Ligue para mim quando chegar, pois ficarei preocupada e tome cuidado na estrada. ––– ela pediu e Jacob sabia que seus olhos estavam suplicantes. E estavam.
––– Prometo ligar.
****
––– Jacob o que está fazendo aqui? ––– Renesmee indagou sobressaltada.
Havia aberto a porta às presas diante da campainha incessante. Fosse quem fosse estava com pressa.
O susto não retrocedeu quando a voz de Jacob soou e ao abrir a porta o avistou vestindo paletó e gravata ––– aquilo não combinava com Jake –––, mas ela não teve tempo para outros questionamentos.
O homem adentrou e passou a transladar rapidamente em sua sala.
––– Eu sei onde ela está. Quero dizer onde estará, digo eu suspeito... – Jacob tagarelava nervoso.
––– Do que está falando, Jake? ––– inquiriu Renesmee com seus olhos arregalados, porém o moreno não a ouviu.
Ela suspirou e disse calmamente, um pouco receosa.
––– Venha, sente-se. ––– lhe indicou o sofá, todavia Jake sequer ouviu.
––– Ela me disse que teria um concerto no Instituto do centro, sabe qual estou falando não é?
Renesmee assentiu.
––– Ele deve estar com ela Nessie, ele pode estar. ––– Jacob falou eufórico pela primeira vez desde que entrou, encarando Renesmee.
––– Pode não estar. ––– murmurou desgostosa.
–––É uma possibilidade. ––– exasperou e levou as mãos aos cabelos, nervoso e consternado.
Renesmee permaneceu atônita em pé nas costas dele por uns minutos, pensando em suas palavras.
––– Você sabe quem é?
––– Não sei, ela só comentou que um professor iria levá-la, nada mais eu não consigo pegar mais detalhes. ––– lamentou-se. ––– Ela estava com um sorriso tão lindo que não prestei atenção em mais nada. ––– Jacob amofinou-se se deixando cair sentado no sofá.
––– Vou ligar para o Nahuel. ––– Renesmee noticiou indo até o telefone na base.
Jacob ergueu o olhar e pendeu a cabeça para o lado, fitando-a especulativo.
––– Como? ––– seu tom foi ressabiado.
––– Ele disse que Shane tinha um suspeito, o viu em Tacoma e ele conhece a Cora, poderia muito bem ter armado tudo, talvez com essa informação ele chegue mais perto. ––– Renesmee explicou discando os números do assistente.
Contrariado, agitado e ciumento Jacob apertou os lábios visivelmente, cruzou os braços e recostou-se no sofá.
****
Não levou muitos minutos e Jacob e Renesmee estavam sentados no escritório de Nahuel explicando tudo. Jacob contou sobre o Instituto, a intenção do professor em levar sua filha até lá e o entusiasmo de Alícia em ir.
–––É o Mark, Alícia comentou uma vez sobre isso, mas não dei muito crédito dificilmente isso aconteceria e bem se acontecesse saberíamos, nunca imaginei que ele fosse capaz de sequestrá-la. ––– Nahuel articulava em seu tom sereno.
––– E para quê? ––– Renesmee indagou dolorosa.
––– Isso ele explicará à polícia. ––– assinalou firme. ––– Ele reside em Tacoma, mentiu para Shane na averiguação, mas o Sr. Wilson já sabe da verdade e o está monitorando.
––– Então podemos ir até lá? ––– Jacob perguntou inquieto.
––– Vou avisar aos Volturi, eles estão muito preocupados, vocês podem ir adiantando. Shane já está a espreito de Mark. ––– Nahuel contestou aprontando-se também para partir.
****
Alícia se encontrava abaixo do céu escuro de Seattle, estava feliz por participar de um recital de verdade. A menina analisava seu simples vestido azul-claro, muito contrastado no leve moreno de sua pele, seus cabelos levavam largos cachos na ponta.
Aly sentia-se muito bonita e realizada, e esperava que seus amigos realmente estivessem lá para vê-la.
––– Vamos? –––Liza indagou.
Todos encaminharam para dentro do Instituto, no entanto Alícia permanecia na sala de concertos ensaiando.
Há poucos minutos dali Jacob e Renesmee lutavam contra o infernal transito de sexta feira da S. Weller street.
––– Infernos! ––– Renesmee praguejou quando mais uma vez o sinal fechou e Jacob parou com seu carro bem em baixo dele.
O homem tamborilava os dedos no volante e seus olhos (esbugalhados) ficaram grudados no semáforo por um angustiante minuto.
Por mais que Jacob tentasse correr, havia muitos carros, coletivos e até motocicletas. A cada minuto Nessie resmungava e praguejava a seu lado. O ar Jake soltava com brusquidão em todo o tempo até chegarem ao bendito instituto.
No entanto, a chegada não desacelerou o coração de Renesmee, ao contrario somente a deixou mais aterrada e seu corpo mais trêmulo.
A música do interior chegava a seus ouvidos no grande salão de entrada, uma leve melodia de violino e logo um piano suave acompanhava. Renesmee pensou que desmaiaria, entretanto não aconteceu.
Jacob mesmo atordoado e ansioso, com o coração retumbando e as pernas frágeis, conseguiu amparar Renesmee pela cintura e a conduzia para dentro da sala de concertos.
Onde tudo mudou. O mundo deixou de ser importante. Por que o centro dele estava ali, diante seus olhos.
Fale com o autor