Notas iniciais
Quero agradecer a Raquel Duarte por ter desenhado a capa *---*

Alícia esfregava suas mãozinhas uma na outra, seu peito retrucava e retrucava.

––– Acalme-se querida. ––– disse Dayse docemente.

A menina encarou a moça com seu olhar amendoado e brilhante. Dayse engoliu em seco por ser golpeada com a intensidade daqueles olhos.

Alícia estava apreensiva. Nervosa. E ela também estava.

A partir daquela noite Herald e Mark tinham planos para aquela criança e Dayse sentiu o formigamento do estômago ––– que sempre sentia ––– se fortalecer e lhe causar uma dor, um gosto amargo na boca e uma sensação ruim.

––– Alec virá? ––– Aly indagou inocente desenhando um sorriso em seus lábios.

Dayse respirou fundo e fugiu do olhar da menina.

––– Não sei querida, espero que sim. ––– murmurou a resposta, fingindo analisar o vestido verde de cetim.

Alícia aguçou os ouvidos para entender, porém compreendeu que Dayse se limitaria àquela resposta e não, não a tranquilizaria.

A menina esperava mais daquela noite. Seus amigos, seus irmãos, tudo aquilo que ela conhecia como família, no entanto o único alento que possuía eram Cassie e Corey divertindo-a com bobagens, Liza ajudando-a a ensaiar com o piano ––– ficara decidido que o instrumento tocado por Aly seria esse, ela preferiu assim também –––, e Dayse lhe prestando o máximo de atenção.

Todavia, Alícia sentia falta das implicâncias de Jane e sabia que se estivesse ali, com certeza, resmungaria sobre o atraso.

Sentia falta de Suplicia e seus esforços para seu bem-estar. Saudades de Aro e sua proteção agradável.

Aly inspirou o ar com força e sentiu seu coraçãozinho apertar. Nahuel, Cora.

Ela notou a necessidade absurda que sentia do assistente. Veio em sua mente, cada risada, cada brincadeira, cada abraço. Alícia sorriu nostálgica por ter as memórias de Nahuel em sua cabeça. Memórias alegres e confortáveis.

As mãos pequenas largaram o piano e Alícia juntou-se aos outros que participariam do concerto ––– todos adultos ––– e permaneceu com seu olhar distante, sua face esmorecida. Ainda pensava em Nahuel quando Cora outra vez surgiu nos seus pensamentos.

A risada da amiga, a voz, o jeito meigo. Alícia suspirou e teve vontade de chorar.

––– O que houve? ––– Cassie indagou tristonha por ver a amiga tão longe e desanimada.

Esforçou-se para sentar-se na mesma cadeira que Alícia.

––– Queria a Cora e o tio Nahuel aqui. ––– a moreninha confessou e outro suspiro lhe escapou dos lábios enquanto seus ombros caíam.

Dayse mesmo um pouco distante em pé ao lado de Liza, comtemplou o rostinho entristecido de Alícia. Aquilo lhe cortou o coração.

––– Já chega. ––– soltou Dayse em um rompante.

––– Aonde vai mãe? ––– Corey perguntou, pois estava ao seu lado.

––– Aonde vai? ––– Inquiriu Liza um pouco assustada, com seus olhos esbugalhados.

––– Procurar Mark e acabar com isso, essa menina não merece e não pode passar por isso. ––– Dayse decidiu virando-se para a saída.

––– O Mark é rígido demais, Dayse. ––– Liza a interceptou assombrada.

––– Ele não fará nada comigo, não se preocupe. ––– Dayse assegurou dando um sorriso meigo para Liza e lhe acariciou a face brevemente.

Liza soltou o ar com rispidez. Tinha medo de Mark, ele sabia ser severo quando queria ou quando alguém o desafiava e gostava de Dayse, temia por ela.

Havia adquirido um afeto por Alícia, porém seus sentimentos por Dayse eram muito maiores e o medo de sofrer represálias e agressões de Mark também era bem maior.

Por fim, a ruiva cruzou os braços e apoiou-se na parede, rezando para que Dayse conseguisse realmente terminar com tudo aquilo sem mexer na fera inferior de Mark.

Fitou Alícia que conversava desanimada com Corey e Cassie. As comissuras de seus lábios se elevaram em um sorriso abatido, também esperava que Aly se libertasse das mãos de Herald.

****

Antes de Dayse pôr as mãos sobre os ombros de seu marido, o salão principal lotou e todos seguiam em uma só direção. À sala de concertos.

Finalmente o concerto começava e por fim Alícia ––– nervosamente ––– subiu ao palco.

No princípio a moreninha rolou os olhos pela plateia, todavia não via aos seus.

Com gestos e maneios permitiu que os violinistas começassem regidos pelo maestro e por fim a garota sentou-se ao piano e manteve um solo por muito, muito tempo.

Tempo suficiente de Jacob e Renesmee chegarem e adentrarem naquela sala, onde todos estavam de pé para poder ver e admirar a pequena pianista que deixava a todos de queixo caído por toda formosura e maestria em compor e tocar de forma tão exímia.

Alicia mal distinguia as notas na partitura, mas era sua composição, dificilmente esqueceria. E não esqueceu.

Renesmee não enxergava as pessoas ao seu redor nem mesmo as mãos de Jacob agarradas às suas ela era capaz de notar.

Somente focava a visão e as emoções no palco onde a pequena garotinha tocava o piano, este era bem maior que ela.

––– É ela? ––– Nessie sibilou para Jake sem fitá-lo.

––– Sim. Não é linda, nossa filha? ––– O homem de olhos marechados respondeu embevecido dando uma breve olhada para a mulher ao seu lado.

Esgueirando-se pela plateia e sendo guiada por Jake Renesmee chegou ainda mais perto do palco. Uma única fileira de gente em sua frente não causou um limite em sua visão.

Seu coração trotava por estar tão perto, tão próxima de sua filha.

Renesmee reparava em cada detalhe de Alícia. Bochechas coradas, cabelos escuros, mãos habilidosas e delicadas. Um sorriso nervoso e olhos fechados.

Aly não precisava ler nada para saber qual seria a próxima nota, seus dedos deslizavam com destreza pelo teclado e raramente seus olhinhos reparavam a fascinada multidão.

Nessie segurou-se na não de Jake, e prendeu o ar. Os olhos curiosos de Alícia eram tão vívidos, tão inocentes, muito ansiosos. Naquele momento o ímpeto de abraçar a menina cresceu dentro de Renesmee.

Lágrimas silenciosas desciam pelo rosto alvo. Inconscientemente Jacob puxou Renesmee para um abraço parcial e nenhum dos dois tirou os olhos da menina.

Enlevada pela canção Alícia sorria, de maneira incandescente e infantil, tão puro e contagiante, seus olhinhos pousavam na partitura sem atenção, por um segundo fitou o resto da orquestra acompanhá-la, cerrou os olhos e logo uma onda de algo enérgico a invadiu.

Alícia era uma criança, não sabia o que acontecia, todavia estudou aqueles que lhe assistiam. Todos vidrados apenas em sua figura.

Voltando-se (inquieta) ao instrumento, Alícia sem demora finalizou e batidas mais fortes vieram em seu peito e um pouco trêmula ––– no fim ––– levantou-se.

Ao lado do gentil regente Alícia estava. Jacob e Renesmee arfaram e juntos sentiram o coração falhar e trotar em seguida.

Apenas um metro os separava do maior presente que já tiveram na vida. As mãos de Nessie estavam aferradas no peito de Jacob, seus olhos lavados por lágrimas e arregalados. Enquanto seu corpo permanecia trêmulo.

Se não fosse por Jake teria ido ao chão por certo.

Alícia reverenciou a plateia que lhe aplaudia de pé, no entanto focou seus olhos no homem alto e moreno em sua direção.

––– Jake. ––– a menina murmurou e alargou o sorriso ––– exclusivamente para ele.

E no minuto seguinte ––– durante a apresentação solo de uma violoncelista ––– Alicia descia do palco.

–––Vem. ––– Jacob despertou de sua inércia e arrastou Renesmee para trás do palco, uma das portas estava aberta e muitas pessoas entravam e saíam.

E ao centro do saguão recebendo várias atenções estava a pequena Alícia.

Renesmee sentia o peito doer de tão forte que seu coração batia. Nada a prepararia para aquele momento, contudo o momento havia chegado.

E Alícia ––– sua pequena menina ––– estava ali.

Aly já no saguão posterior rolou seus olhos esperançosos. Realmente imaginou que veria Liza, Cassie, Corey, sobretudo Alec, Cora e Nahuel.

Entretanto seu olhar caiu de desilusão, cumprimentos e elogios vinham de pessoas que Alícia mal reconhecia e entre um ribombar e outro de seu coração a garota ergueu a vista e seu sorriso não poderia ser mais largo e cintilante.

Jacob na porta do saguão permaneceu estagnado, seu sorriso estava refletido no rosto da menina que corria para ele sem se importar na porção de gente deixada para trás.

––– Tio Jake. ––– Alícia bradou com tanta empolgação correndo para o moreno, que chamou os olhares de todos os presentes.

Jacob a enlaçou com seus braços a apertando contra o peito conforme lágrimas grossas e pesadas desciam por seu rosto.

––– Princesa, que bom que está aqui. Graças a Deus. ––– Jacob falava enrolado e urgente com seu rosto enterrado no pequeno espaço do pescoço da menina ––– Eu te amo tanto minha filha. ––– declarou com adoração enfim fitando o rosto pequeno e curioso de Alícia.

––– Porque chora tio? ––– indagou a criança recolhendo uma lágrima do homem com seus pequenos dedos.

Só então Jacob percebeu seu rosto molhado, porém o sorriso não saía de sua face e seus braços não afrouxavam em volta da menina.

––– Senti sua falta. ––– disse ––– Você é tão linda minha princesa. ––– ele murmurou com devoção ignorando o olhar questionador da menina. ––– Te amo tanto. ––– Jake sufocou essas palavras aconchegando-a outra vez em seu peitoral.

Aly sorriu pelo abraço caloroso e acalentador, contudo fitou acima do ombro largo de Jacob enxergando a mulher trêmula e comovida com os olhos vidrados em sua figura.

––– Tio quem é ela? ––– perguntou sem desviar-se dos olhos cintilantes de Renesmee soltando-se de Jacob vagarosamente.

Atrás de Jacob soluçando ruidosamente e em lágrimas incessantes Renesmee contemplava a cena. Extasiada demais para mover-se.

––– Você é perfeita, a mais linda que já vi. ––– Renesmee sussurrou à medida que seus joelhos enfraquecidos lhe traíram a fazendo ir ao chão.

De joelhos e na mesma altura que Aly Renesmee a observou se aproximar (atenciosa) e não pestanejou antes de abraça-la. Forte. Com amor. Ardorosamente.

Os soluços de Nessie eram altos e o corpo da garotinha se aconchegava no calor dos braços dela.

Aly, apesar do momento estranho, experimentou um conforto no abraço da mulher, o choro passional, o cheiro atraente... E isso a fez sorrir e corresponder ao gesto, mesmo acanhada ela retribuiu com afabilidade.

Alicia sentiu-se como nunca antes. Em casa, segura. A moreninha alargou ainda mais o desenho alegre de seus lábios enquanto era apertada por braços fervorosos.

E logo reconheceu uma mão quente e macia em seu ombro.

Jacob venerava os cabelos e a pele de sua filha delicadamente com suas mãos.

Prontamente Renesmee soltou à moreninha e centrou seu olhar no dela.

––– Você é tão linda, meu amor. ––– Renesmee sussurrou acariciando as bochechas de Aly.

A criança sorriu enlevada e fitou a Jacob atrás dela. O olhar brilhante e interessado da garotinha fez o moreno sorrir abobado.

Jacob moveu sua cabeça assentindo incentivando a menina a fazer o que estivesse pensando em fazer e imediatamente Aly virou-se para Renesmee sustentando seu sorriso contagiante e proferiu:

––– Você também é linda. ––– Alícia passou as mãos no rosto da moça colhendo as lágrimas constantes.

No local havia um aglomerado de pessoas diversas e, Renesmee ao menos percebia. Seu coração estava trotando, seus músculos se encontravam fracos e seus olhos e mãos não poderiam estar em qualquer outro lugar que não fossem sobre sua filha.

––– Venham. ––– Jacob às conduziu para uma poltrona logo atrás dele.

Alicia sem delongas subiu ao colo de Jake.

––– Por que choram? ––– A menina perguntou pela segunda vez, agora a questão era dirigida aos dois.

Por outro lado Renesmee ––– sentada ao lado de Jake ––– nada mais dizia apenas acariciava as bochechas coradas de Aly.

Encontrava-se totalmente encantada pela presença de sua filha ali.

––– Princesa... ––– Jacob começou e em seguida precisou puxar o ar com força para estabilizar a voz e os nervos.

––– Deixa Jacob, eu faço isso. ––– Nahuel estremeceu sua voz ao dizer relativamente alto se aproximando.

Jacob e Renesmee fitaram o assistente primeiramente em sobressalto, depois com alívio e em seguida consternação.

Nahuel representava (agora) uma parte dolorosa da realidade. Aly estava ali, no entanto isso implicaria muitas coisas, especialmente o direito de sua guarda e naquele momento ––– para tristeza e segurança simultânea do casal ––– o assistente era responsável pela menina.

Alícia engrandeceu os olhos e seus orbes faiscaram contentamento.

––– Tio Nahu. ––– a menina saltitou até o assistente.

––– Como está princesa? ––– Nahuel ajoelhou-se ficando da mesma altura de Alícia apertando-a em seus braços. ––– Senti tanto sua falta. ––– Ele disse com a voz abafada nos cabelos da morena.

––– Também senti muito sua falta. ––– confessou Alícia antes de deixar um beijo estalado na bochecha de Nahuel. ––– Você viu a minha apresentação? ––– Indagou entusiasmada.

O assistente afrouxou os braços até poder encará-la.

––– Sim, estava belíssima. ––– respondeu alisando os cabelos cuidadosamente arrumados da garota.

De fato Nahuel tinha visto cada segundo da apresentação. Todavia nos minutos finais sua atenção fora desviada, pois estava à caça de Mark.

Não foi difícil encontrá-lo no canto esquerdo do salão. Sem perceber Shane estava em sua cola, e logo o investigador estava “cordialmente” questionando de forma hostil o professor.

Por outro lado Nahuel não queria mais ficar um segundo ali. A “conversa” entre os homens não estava nem um pouco amistosa.

Depois de um minuto somente, o homem sentiu um enjoo em seu estomago. A apresentação já havia terminado, portanto partiu em busca de Aly e lá estava ela, contente e entretida com seus pais.

O assistente permitiu que uma lágrima descesse ––– por sua comoção com a cena ––– à medida que um sorriso bobo e embevecido era implantado em sua boca, e em seguida Nahuel limpou a face indo até eles.

Afinal era notória a falta de controle sentimental tanto de Jake como de Nessie e além da imensa falta que sentia de Alícia, ele precisava levar sua missão até o final.

De esgueira Nahuel fitou o casal que não tirava os olhos da menina que tagarelava algo sobre teclas e mãos tremendo. O assistente homem de terno cinza hesitou um pouco, não tinha segurança de ser um bom momento.

Porém Aly parou de falar ao recordar-se de algo e a súbita pausa da menina chamou atenção de Nahuel.

––– Tio venha. ––– Alícia agarrou a mão do assistente e o conduziu até Jake e Nessie.

––– Esse é o tio Jake, ele veio me ver. ––– ela contou vibrante e emendou. ––– Ele tem uma banda, ele é musico, ele é muito legal e lindo. Eu posso ir com ele assistir ao show? ––– Alícia palavreava deixando os três ali um pouco zonzos.

––– Calma princesa. ––– Nahuel advertiu rindo dela.

Renesmee que até o momento permanecia extasiada fitando Alícia como algo milagroso ––– e realmente era ––– soluçou alto assim como sua risada chamando os olhares para si. A mulher levou a mão na boca para conter-se e no segundo seguinte estava embalando Alícia outra vez em seus braços.

O corpo de Nessie tremia, no entanto suas mãos não soltavam o corpinho de Aly, suas lágrimas molhavam o ombro da moreninha, seu coração desenfreado parecia querer pular, Renesmee teve vontade de erguer sua filha nos braços e a rodopiar no ar, entretanto suas pernas estavam vacilantes demais e seu corpo completamente confortável colado ao pequenino de sua menina.

––– Ness... ––– Nahuel chamou-a dolorosamente, ao mesmo tempo era tocante e triste aquela situação.

Jacob aproximou-se e adulou Renesmee devagar.

––– Porque chora tanto? ––– Alícia centrou seu olhar nos orbes de Renesmee.

Encontrava-se curiosa e fascinada com a paixão expressa nos olhos inundados daquela mulher.

––– Jacob é minha filha, eu a amo tanto. Ela é tão linda. ––– choramingou sorrindo e submergindo seu rosto no peito do moreno.

Alícia (confusa) franziu o cenho, contudo permaneceu branda esperando algum esclarecimento.

––– Princesa. ––– Nahuel a chamou sério, porém amável abaixando-se novamente.

Ao receber o olhar concentrado da criança, ele continuou:

––– Lembra que eu havia feito uma promessa para você? ––– introduziu cauteloso.

––– Tio você prometeu tantas coisas. ––– Alícia respondeu risonha.

Era verdade! Entre muitas coisas Nahuel havia dito que lhe daria bonecas, CDs, DVDs, jogos, mas não era disso que o homem falava.

––– Não Aly, eu te prometi uma família, lembra? ––– Nahuel manteve seu tom ameno, levando sua mão ao rosto da menina o afagando levemente.

––– Sim, agora eu tenho os Volture. ––– a menina contestou sorrindo simpática.

Nahuel encarou os olhinhos brilhantes de Alícia, tão vividos e fascinantes ––– como os de Renesmee –––.

O homem arrepiou-se por recordar-se desse fato e virou-se para mirar a mulher que ainda tinha seu rosto escondido por Jacob.

O moreno ––– com sua face banhada por lágrimas silenciosas ––– sorriu encorajador para o assistente enquanto aconchegava ainda mais a mulher em seus braços.

––– Aly lembra-se quando me disse que seus pais procuravam por você? Os verdadeiros? ––– Nahuel indagou.

Alicia balançou a cabeça freneticamente confirmando.

––– Eles estão. Eu sei tio e chegarão, um dia. ––– ela respondeu animada.

––– Aly... ––– Nahuel começou sorrindo pela esperança da criança, respirou fundo e levantou-se.

O assistente estava levando Alícia para sentar-se quando vozes a chamaram.

––– Aly.

Alícia virou-se no mesmo segundo e seu sorriso chegou às orelhas de tão largo.

––– Alec, Cora! ––– a menina alvoraçada fez menção de correr para os dois jovens, mas esses já chagavam (correndo) a seu encontro.

––– Sentimos sua falta. ––– Alec bradou a colocando no colo.

––– Que susto, Aly. ––– Cora beijou o topo da cabeça da menina que abraçava aos dois.

Prontamente Aro, Suplicia e Jane vieram atrás, também ansiosos para verem Alícia de perto.

Alícia também se aproximou deles com a mesma agitação, porém sem entender toda aquela emoção palpável dos presentes.

––– Como você estava linda! Sentimos muitas saudades. ––– Suplicia abraçou-a e apertou-a em seus braços.

––– Hei pirralha, ficamos preocupados. ––– Jane comentou timidamente abraçando a moreninha.

––– Senti sua falta Jane. De todos vocês, achei que não viriam hoje, não estavam no meu teste. ––– a acusação na voz meiga e magoada de Alícia cortou o coração de todos.

––– Aly, nós não sabíamos que estava aqui. ––– Aro justificou.

A menina inclinou a cabeça para o lado em um claro sinal de que não estava entendendo.

––– Aly enganaram você, princesa. ––– Nahuel informou suavemente, ele estava sentado na mesma poltrona em que Jacob esteve outrora.

––– Mas tio Mark disse que viriam e Herald conhece meus pais. ––– retrucou insegura, fitando os pés dessa vez.

––– O quê? ––– Jacob interveio sobressaltado.

––– Quem é você? ––– Aro verbalizou a pergunta de sua esposa e filhos.

Segundos de silêncio passaram.

Nahuel trouxe Alícia para junto dele, apoiou suas mãos nos ombros da garota e a fitou com doçura.

––– Aly eu encontrei seus pais verdadeiros, na verdade eles me encontraram porque procuravam por você. ––– Nahuel jogou as palavras de maneira aveludada e Alícia permaneceu embaraçada encarando o assistente com seus olhos levemente esbugalhados.

Logo a menina ainda com seus olhos ambíguos fitou a cada um, sentindo o sangue fervilhar em suas veias e suas bochechas ruborizarem.

Aro ainda estranhando a presença de Jacob, Suplicia olhando-a com amor e doçura, Jane impaciente vidrada em Nahuel, Alec e Cora aflitos fitando de Nahuel para Alícia.

O assistente por sua vez a encarava afável, esperando uma pergunta ou qualquer reação se quer.

Quando pousou seu olhar em Jacob e Renesmee, Alícia se deteve ali. A mulher era amparada por Jacob, ela chorava. Alícia tinha notado que desde o começo ela estava sempre com lagrimas na face, um sorriso ébrio e um ardor extraordinariamente confortante quando a tocava.

Mesmo com seu coraçãozinho acelerado e a respiração pesada, Aly sorriu por relembrar daquela sensação protetora dos braços calorosos de Renesmee.

––– Te procurei tanto meu amor. ––– Renesmee declarou com um fio de voz abaixando-se em frente à Alícia.

A menina olhou para Nahuel quase como instinto, procurando por uma orientação.

Nahuel umedeceu os lábios com a língua.

––– Aly, você estava certa princesa, ela realmente procurava por você. ––– a voz do homem quase não saiu, uma vez que reparou os orbes brilhantes de Alícia se inundarem. ––– Ela te ama muito. ––– Ele direcionou seu olhar para a mulher ajoelhada diante da criança.

––– Amo tanto você. ––– Renesmee professou em meio a um sorriso arrebatado.

––– Vá até lá, Aly. É a sua mãe. ––– Nahuel

Com mais dois passos Alícia abraçou Renesmee bem lentamente. Seu coração já acelerado desenfreou absurdamente e Aly teve a sensação que ele poderia saltar pela boca.

––– Então você é mesmo minha mãe? ––– a moreninha indagou encabulada.

Renesmee a soltou minimamente.

–––Sim meu amor, sim. ––– respondeu sorridente acariciando os cabelos da pequena.

Alícia ainda olhou uma última vez para o assistente e em seguida, intempestivamente jogou-se nos braços de Nessie.

––– Mamãe. ––– A garota apertou em demasia a cintura de Renesmee, essa por sua vez ao menos se incomodou.

Com o coração a galope, Nessie embalou a filha nos braços até os bracinhos ao redor de seu corpo afrouxar de forma suave.

––– Porque chorava? ––– a menina sondou docemente.

––– Felicidade meu amor, felicidade. ––– Renesmee respondeu e Aly sorridente fitou a todos.

Como Renesmee, Jacob tinha seus olhos inundados por lágrimas que morriam em seu sorriso extasiado.

––– Tio, você também conhece a minha mãe. ––– Constatou exibindo as fileiras de dentes perfeitamente a amostra em seus lábios para Jake.

––– E porque chora? ––– de repente Aly guardou o sorriso e formou-se uma ruga em sua testa. ––– Estou feliz. ––– acrescentou

––– Eu sei anjinho, também estou feliz por estar com você. –––Ele pegou a menina no colo. ––– Eu te amo tanto. ––– Ele olhou nos olhos dela e elevou as comissuras de seus lábios, com seus olhos chispando contentamento.

Alícia o abraçou e o soltou de imediato. Ela permaneceu avaliando o rosto do moreno que a sustentava.

Suas mãos enlaçadas no pescoço de Jake, em seu rosto um biquinho lindo denotando seu estado reflexivo. Por fim Jacob murmurou com seus olhos fechados:

––– Não sou seu tio, Aly.

Automaticamente a menina esbugalhou os olhinhos.

Por breves segundos ela contemplou Renesmee ao lado e suspirou um tanto assustada.

––– Você é meu... Pai? ––– inquiriu com um meio sorriso bobo, fitando a face do moreno.

Jacob abriu um sorriso enorme e anuiu.

––– Mas disse que não era. ––– Ponderou Alícia entre risos.

A menina estava com uma alegria incontida, um bálsamo em seu interior, sentindo-se plena ali onde estava.

––– Eu não sabia. ––– Jake defendeu-se enquanto descia Alícia de seu colo.

––– Hã? ––– A menina franziu o cenho e inclinou a cabeça em total falta de entendimento.

––– Aly é muita informação para um só dia, princesa. ––– Nahuel intrometeu-se fazendo Alícia olhar para ele. ––– O importante é que seus pais a amam muito e finalmente estão aqui, com você, não concorda?

A menina pensou por segundos e balançou a cabeça freneticamente concordando.

––– Eu gosto do pai que tenho. ––– Ela virou-se novamente e sorriu para Jake. ––– E a mamãe também. ––– disse tímida sem fitar Renesmee.

Alícia pegou a mão de seus pais ficando no meio.

––– Olha Alec, eu tenho pais de verdade. ––– exclamou alegre.

––– Eu sei e tenho certeza que são ótimas pessoas e serão pais maravilhosos para você. ––– respondeu o jovem risonho e sincero.

E então a menina correu para o jovem.

––– Você ainda é meu irmão Alec e Jane também. ––– Alícia deu uma olhadela para a loura que sorriu condescendente. ––– E o Aro e a Suplicia também são meus pais, mas de mentira né. ––– completou entre risos.

A criança então abraçou seus ex-guardiões.

––– Estou tão feliz por ter todos aqui. ––– ela proclamou sorridente.

Abraçou a Alec fortemente, em seguida Cora que com seu jeito tímido, mantinha os olhos inundados e logo havia um abraço em grupo envolta da moreninha de vestido azul.

****

Enquanto as meninas mimavam Alícia e Alec participava da adulação ––– sendo cativo por Aly que mantinha seu braço cruzado com o dele––– Aro e Jake foram com Nahuel para a recepção onde havia poucas pessoas saindo do concerto que chegava ao fim na sala de apresentações.

––– Como ficou tudo? ––– Aro inquiriu.

––– Shane está cuidando de Mark e bem, me desculpe Aro, mas com tudo isso o seu direito de guarda foi suspensa e sua autorização de adoção interceptada, acredito que você já esperasse por isso. ––– Nahuel respondeu em seu tom ameno e profissional.

O homem engoliu a seco.

––– A Aly voltará para o orfanato, em breve. ––– o assistente acrescentou.

––– Mas... ––– Jacob de repente esbugalhou os olhos à medida que um pavor correu em seu corpo. ––– A Aly ficará sozinha, lá? Outra vez? ––– Havia uma sombra de dor em seu tom sereno.

O homem mais esguio suspirou pesaroso.

––– Suponho que você como Renesmee quererá a guarda, isso exigirá um bom advogado. Os Volture eu suspeito que permaneçam com o pedido de adoção também. ––– ele expos e virou-se para Aro.

O mais velho pareceu aturdido.

––– Não pensamos nisso ainda, apenas estamos preocupados com o bem da menina. ––– Aro contestou fracamente.

––– De qualquer forma, Alícia não pode mais ficar em sua casa, não pela guarda provisória, ela foi destituída e apesar de uma decisão revogável do juiz, como o caso dos pais biológicos, esse também é um processo complicado e você precisará de um bom advogado especialista nesse caso, sinto muito. ––– Nahuel explicava e Aro lhe lançou um olhar desconfiado.

––– Eu quero o melhor para Alícia, de verdade. E enquanto o juiz não decidir quem ficará com a guarda, mesmo uma provisória, ela volta ao orfanato. Creio que não demorará. ––– o assistente finalizou.

Os três encaram-se pesarosos e céticos. Jacob reconhecia um bolo amargo na garganta, Aro tinha a carne tremula e as mãos fechadas em punho, controlando a vontade de esbravejar.

O problema era que ele não sabia exatamente com o que queria esbravejar. Nahuel? Jacob? Ele mesmo? Mark? Cora?

Aro expulsou o ar de sua boca com violência e pôs as mãos nos quadris detendo-se a uma pintura na parede para distrair-se.

Foi então que Shane aproximou-se.

––– O que aconteceu? ––– Nahuel interrogou.

––– Mark está detido, mentiu para a polícia e foi pego aqui com a menina, isso já seria o suficiente para ser considerado culpado, no entanto precisamos de um novo interrogatório. ––– O investigador respondia. ––– E segundo relatos de testemunhas ele realmente prometera a menina trazê-la aqui e pretendia enviá-la a um desonroso e enganador caçador de talentos. ––– o homem bufou inconformado.

Aro juntou-se aos homens enquanto Jacob fazia sua observação:

––– Aly falou sobre isso lá dentro, não foi? ––– ele refletiu.

–––Sim é verdade. Disse-nos que um amigo de Mark conhecia seus pais. ––– ele declarou soltando um riso incrédulo da mentira contado pelo tal sujeito.

––– Não sei nada sobre isso, mas desconfio que Mark seja o olheiro e esse tal que estava com ele seja o negociante. Precisarei falar com a menina para esclarecer alguns pontos. ––– Shane professou.

––– Hoje ela precisa descansar. ––– Jacob advertiu atencioso.

––– Poderei investigar amanhã, hoje recomendo que todos voltem para casa.

Logo Alícia de mãos dadas com Cora chegou à recepção, sendo seguida por uma Renesmee (agora) mais controlada, Suplicia curiosa e risonha junto a filha tão reservada. E atrás Alec contente com seu sorriso imenso.

O garoto apertou os passou e chegou aos homens mais velhos.

––– Segunda-feira é um bom dia para retornar com a Aly ao orfanato. ––– Nahuel terminava uma frase.

––– Quê? ––– Alec indagou horrorizado. ––– Alícia voltará ao abrigo? ––– expos em alto som.

––– Não é justo. Concordo com o Alec. ––– Disse Jane parando ao lado do irmão.

Nahuel olhou os olhos repentinamente tristes de cada recém-chegado ao local e prosseguiu:

––– Eu não posso passar por cima dessa regra, posso tardar em retornar com a menina até lá, porém não por muito tempo.

––– Os pais da Aly pedirão o direito de guarda. ––– Aro informou a esposa.

––– E nós? ––– Suplicia sondou sem abraçada de lado por seu marido.

–––Vocês podem brigar também se quiserem, expliquei ao Aro o que ele tem que fazer. Não irei me intrometer no processo.

Aro lhe deu uma olhadela descrente.

––– Prometo. ––– Assegurou ––– Estão em um caso bem difícil são dois casais querendo uma adoção, em suma. ––– acresceu.

Os Volture mais o assistente olharam Alicia risonha no colo do pai conversando com Nessie e Cora, eles pareciam estar se dando bem.

Mesmo ouvindo as instruções de Nahuel, Jacob, Renesmee e Cora não desviam a atenção das graças de Alícia contando sobre a semana de ensaios e brincadeiras com Corey e Cassie.

Eles ficaram por minutos ali até notarem Alicia bocejar e deitar no ombro de Jacob.

––– Aly querida, precisamos ir. ––– Nahuel anunciou.

––– Hum. ––– A menina meio sonolenta levantou a cabeça e esboçou um sorriso para o assistente. ––– Quero ficar. ––– pediu manhosa bocejando.

Nahuel suspirou.

––– Por hoje posso abrir uma exceção. ––– disse o homem dos olhos azuis. ––– Você pode escolher para onde quer ir. ––– anunciou.

Todos sorriram. Aly desceu do colo e abraçou Nahuel.

––– Então vamos ficar todos juntos hoje? ––– ela inquiriu animada.

Os presentes se olharam cúmplices.

––– Aly, não poderemos ficar todos juntos. ––– pontuou Cora suavemente.

––– É querida, não é possível. ––– Suplicia reforçou sorrindo amavelmente para a garotinha.

––– Por quê? ––– Alícia perguntou com seus olhinhos pidões.

Nahuel abaixou-se a altura dela para esclarecer.

––– Princesa, ou você vai com os Volture ou com a Nessie e o Jacob.

A menina olhou a cada e abaixou a cabeça, puxou o ar com violência e fitou os olhos claros daquele homem de forma suplicante.

––– Eu deveria te levar ao orfanato, mas por enquanto vou te dar uma escolha princesinha, até eu cumprir o meu trabalho, o que será em breve, você pode escolher para onde vai, mas não pode passar a noite em dois lugares nem com todos ao mesmo tempo. Você precisa decidir com quem irá. ––– demarcou Nahuel suavemente.

Alícia com brilho nos orbes fitou Jacob e Renesmee. Fascinação e contentamento imperavam nos olhinhos amendoados. Finalmente eles estavam ali. Por ela.

E então fitou Alec, Jane e abriu um sorriso imenso.

Em um segundo ali estava rodeada por aqueles que a amavam e no outro se encontrava aconchegada e apertada nos braços de Alec.

Renesmee prendeu a respiração, seu peito nunca doeu tanto. Alias quando achou que seria rejeitada por Jake, imaginou desfalecer. Contudo agora a dor lancinante era em maior proporção.

Foi como perder o sentido de sua vida. Porque era verdade. Alícia era sua motivação desde que sobe que ela estava em seu ventre.

Jacob podia sentir a angustia de sua amada. Era seu próprio martírio, reconhecer ser um entre tantas essências na vida de sua filha e ser deixado para trás.

O moreno amparou Renesmee nos braços e a deixou molhar sua roupa com as lágrimas torrentes e sofridas.

O corpo dela balançava conforme os soluços vinham e o peito doía à proporção que as batidas enfraqueciam. Jacob teve um grande esforço para sustentá-la.

Caso ao contrário, por certo ela desabaria, deixando-se sucumbir àquela desilusão e soltar-se das forças que a mantinha de pé até agora.

Notas finais
Então, o que acharam? Não darei a data para o proximo, porém ele já está bem encaminhado. Postarei em breve. beijocaas