Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
18 Capítulo 18: O jantar
Já pela manhã, Tsuchii despertava com uma forte dor de cabeça, sentindo como se a mesma fosse explodir. O mesmo agora escutava portas abrirem e fechar, como se estivessem sendo batidas, de cinco em cinco minutos, quando na verdade, estavam apenas sendo encostadas. Os sons dos passos das pessoas passando pelos corredores eram insuportáveis, dava a sensação que sua cabeça explodiria a qualquer momento. Desta forma, o mesmo cobriu os ouvidos com travesseiro, ainda enfurecido.
Não demorou para que Akio entrasse no quarto, se deparando com o amigo tampando os ouvidos com travesseiro, já imaginando a dor de cabeça insuportável que o mesmo devia estar sentindo.
— Bom dia, pé-de-cana! –Cumprimentou Akio sorrindo
— Ei…ei…não grita, por favor –Pediu sussurrando –Minha cabeça está estourando
— E olha quem está tendo a primeira ressaca –Soltou uma risada debochada, dando deixando uma caneca de chá sobre a cômoda –Está tão ruim assim?
—Se continua falando alto, eu vou criar um terremoto e levar esse hotel abaixo –Avisou contaminando o ambiente com o seu mau-humor –O que é essa coisa que você trouxe? Tem algo boiando…-Comentou encarando o líquido na caneca
— Isso? É um chá que a Taiyoo indicou. Ela disse que acaba com qualquer ressaca em menos de uma hora. Não vai querer saber o que vai aqui dentro –Riu entregando a caneca
— Chá? Ah não, essa coisas esquisitas da Taiyoo… -Disse desconfiado pegando a caneca
— Quer curar essa ressaca, não quer? Manda tudo para dentro, esse é o preço que se paga por beber que nem você bebeu ontem
Ainda amedrontado com o que tinha naquele chá, Tsuchii pensava que precisava se curar daquela ressaca para comparecer ao jantar na casa da namorada. Ainda engolindo seco, o mesmo virava todo o chá, fechando os olhos, até não restar uma gota.
Ofegante, o mesmo buscava por ar, colocando a língua para fora, reclamando:
— Credo! Que negócio horrível! Que horror!
— Anda se levanta –Mandou –Vamos procurar pela safira
— Akio, podem ir sem mim? –Perguntou –É que na verdade…eu fui convidado pela mãe da Midori para um jantar. Queria dar um jeito em mim antes do jantar –Comentou meio constrangido
— Nossa, que avanço –Soltou um meio sorriso –Tudo bem, não se preocupe, qualquer coisa te mandamos uma mensagem
— Obrigado
Logo Akio puxou o guardião da terra pelo pescoço e começou a fazer vários cafunés, enquanto dizia:
— Mas tenha juízo rapazinho! Nada de mãos bobas, se controla!
— Quem você pensa que eu sou?! –Perguntou vermelho –Me solta! –Tentou se afastar
Sem demoras o guardião das águas o soltou, ainda rindo, enquanto o guardião da terra suspirava, pensando a respeito da decisão que tomaria quanto ao seu relacionamento com Midori.
Ao notar a preocupação de Tsuchii, Akio colocou a mão em seu ombro e disse ainda com um leve sorriso:
— Relaxe e curta esse momento –Aconselhou –Se te convidaram, é porque gostaram de você –Piscou para o rapaz
— Akio…é acho que você tem razão –Soltou um leve sorriso –Eu vou voltar para o templo da terra. Preciso resolver algumas coisas que deixei pendente ontem –Disse agora colocando o uniforme de detetive na mochila e em seguida calçando as botas
— Entendo –Respondeu –Nós já estamos indo. Avise a Midori depois –Pediu se retirando do quarto
— Certo –Respondeu se levantando e pegando a mochila –Akio –Chamou antes que o mesmo abrisse a porta
— Hm? –Perguntou se virando
— Obrigado…por cuidar de mim ontem –Agradeceu meio corado, ainda desviando o olhar –Se você não tivesse aparecido, eu não sei o que teria acontecido…
Ao ver o amigo agradecendo, ainda meio constrangido pelo o que havia acontecido na noite anterior, Akio notou que havia algo de diferente no guardião da terra. O ato do mesmo reconhecer a sua ajuda e agradecer, já expressava um certo ato de maturidade da parte do jovem de dezesseis anos.
Ainda de costas, o mesmo soltou um meio sorriso e disse:
— Todos cometemos erros, Tsuchii. O importante é aprendermos com eles, certo? Eu não estarei sempre lá para te ajudar, por isso de hoje em diante, precisa pensar duas vezes antes de cometer uma loucura dessas
— Sabe Akio…se eu pudesse escolher…gostaria de ter tido um pai igual a você –Respondeu desviando o olhar, ainda alisando o seu próprio braço, meio envergonhado de estar se abrindo daquela forma para o guardião das águas
Ao ouvir aquelas palavras, Akio arregalou os olhos surpreso, afinal, nunca imaginou que o guardião da terra o visse daquela forma. Ele sempre teve um carinho pelo guardião, afinal, quando se encontraram pela primeira vez, ele era apenas um menino de oito anos de idade e agora estava tendo a oportunidade de vê-lo se transformar em um homem.
— Se um dia eu tiver a oportunidade de ter um menino, eu gostaria que fosse como você –Se virou para o guardião da terra soltando um meio sorriso – Honesto, corajoso e respeitador
Logo o guardião das água se retirou do quarto, deixando o adolescente sozinho, ainda surpreso com suas palavras. Tsuchii não tinha ideia que o mesmo pensava isso dele, ainda mais depois do que presenciou na noite anterior.
Durante a sua vida toda o guardião da terra foi tratado como irresponsável, inconsequente, incompetente, privilegiado, mimado, coitado, seja por ter sido criado em templo, por ser órfão, por ser filho do melhor amigo de seus chefe dentro da agência ou até mesmo ser um homem.
O máximo de elogios que faziam ao mesmo era da sua inteligência e habilidades durante o combate, fruto de anos de treinamento naquele abismo escuro. Muito embora fosse bastante paparicado por estes pontos, ninguém nunca visou o seu caráter como Akio estava visando.
Por mais que o guardião das águas dissesse aquelas palavras, Tsuchii não conseguia entender, onde o Akio viu coragem no medo que ele estava sentindo em deixar Midori? Onde ele viu honestidade quando ele confessou que comprou aquele maço de cigarros, mesmo depois de ter prometido parar de fumar? Onde ele estava sendo respeitador, sendo que ele sequer estava pensando nos sentimentos da Midori? Neste momento, tudo o que o guardião da terra conseguia enxergar em si mesmo, era um garoto totalmente egoísta.
Ainda suspirando, o mesmos pegava sua mochila, a colocava em suas costas e se retirava de seu quarto, ainda com a consciência pesada.
Após o ocorrido, algumas horas se passaram. No abismo, no quarto do guardião, praticamente pronto para o jantar, o mesmo já estava pronto para partir para a casa da namorada.
Ao abrir a porta do quarto, se assustou, se deparando com Lin, perguntando:
— E o meu Hagoromo?
— O seu Hagoromo… -Gelou ao se lembrar que havia deixado na mochila da namorada –Eu esqueci na mochila da Midori…!!
— Tsuchii, eu quero a minha manta celestial! –Mandou colocando as mãos na cintura
— Relaxa, está com a Midori –Suspirou –Estou indo na casa dela agora, eu pego com ela, tá legal?
— Não! Não “tá legal” –Imitou o mesmo – Quantas vezes eu tenho que te explicar que aquilo é uma manta sagrada! Se cair em mãos erradas…
— Eu já sei! Dá um tempo! Eu vou pegar! Que saco! –Gritou enfurecido
Não demorou para que Lin em um rápido movimento o agarrasse pelo pescoço e o encostasse na parede, deixando-o sem ar, ainda dizendo:
— Será que devo lembra-lo quem manda neste templo? Não levante a voz para mim, eu te criei e eu posso te matar, me escutou?! Fui clara?!
— Dá um tempo! –Gritou usando sua magia de guardião para manipulas as rochas da parede e acerta-la, fazendo com que a mesma o soltasse – Eu já disse que eu vou pegar a sua manta, não enche!
— O que você tem? –Perguntou seriamente –A sua energia está abalada, Tsuchii, está inquieto!
— Quer mesmo saber? –Perguntou se virando para a mestra –Então me responda você, quem é Yama?! E por que na minha certidão aparece o nome dele e não de Chairo Satoru! O mais engraçado é que vocês três tem o mesmo sobrenome –Comentou debochado, ainda nervoso
— Se você quer a resposta, siga a voz da energia que emana da safira da terra –Respondeu dando as costas para o mesmo –Mas eu aviso, Tsuchii, o que ela pode te mostrar…são cenas muito fortes…
— Você estava lá, não é?! Por que não me conta?! Lin! –Chamou a mesma enquanto a tennyo se retirava de seu quarto
Ainda contrariado, o mesmo limpava o pó de sua roupa e usando sua magia guardião, concertava a parede de seu quarto. Logo o mesmo limpou a pequena mancha de terra que havia em seu rosto e partiu para a casa da namorada.
Enquanto isso, na casa de Chikaku, Midori descia as escadas de sua casa, já pronta para receber o namorado.
Diferente dos demais dias, a mesma não estava de óculos, desta vez usava lentes de contato. O seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo lateral e as pontas estavam onduladas, assim como algumas mechas soltas na parte da frente, próximas a franja.
A detetive vestia um lindo vestido azul, com estampas de faixas brancas em sentido vertical na região do busto. A saia do vestido era lisa e batia no começo do seu joelho. Para transitar mais confortavelmente, como não estava adaptada ao salto alto, a mesma calçou uma sapatilha branca.
Sua maquiagem não era pesada, era bem leve, valorizando os seus olhos e boca. A mesma também usava um par de brincos e colar bastante delicado folhados a ouro.
— Papai –Chamou Midori meio constrangida por estar produzida daquele jeito
— Ela não está linda, Chikaku? –Perguntou Rumiko atrás da filha –Está parecendo uma princesa
— R-Rumiko! O que significa isso?! –Perguntou se levantando –É um jantar! Um jantar! Troque de roupa! Parece que vai casa…
— Acha que está demais?! –Perguntou a detetive preocupada – Mamãe!
— Não! Está adequado para um jantar –Respondeu tentando tranquiliza-la –O seu namorado vai amar –Disse ajeitando o seu cabelo
— Até demais! Eu não estou gostando disso, Rumiko! Eu não gosto disso! A Midori nunca se produziu assim para ninguém, nunca tirou os óculos! Eu não gosto disso! –Começou a andar de um lado para o outro ansioso mordendo o polegar –Midori, vocês não vão sair da minha vista!
— Como você é exagerado –Suspirou Rumiko escutando a campainha tocar –Acho que ele chegou. Midori, porque você não abre a porta? –Perguntou sorrindo
— Tá bem –Disse caminhando até a porta
Logo a mesma a abriu, se deparando com Tsuchii, entregando um dos seus chocolates, que a detetive sempre roubava no abismo, ainda soltando um sorriso travesso. Não demorou para a mesma soltar uma leve risada, cobrindo os lábios, comentando:
— Ora, será o fim de uma era de roubos?
— Eu espero que sim –Respondeu se aproximando corado –Midori…você está… -Disse notando que a mesma estava totalmente diferente dos outros dias, ainda encantado
— O quê? –Perguntou desviando o olhar soltando um sorriso meio constrangida
— Você está linda –Disse se aproximando de seus lábios
Para surpresa de ambos, Chikaku surgiu entre ambos, separando-os ainda dizendo:
— Muito bem crianças, melhor entrar, não é bom ficarem tanto tempo na porta!
Agora ambos sentiam o chefe empurrando-os para dentro da casa. Logo o detetive pegava discretamente na mão de Midori, que segurava a sua, enquanto caminhavam junto para a sala de jantar.
Não demorou para que escutassem a campainha tocando novamente. Já sentados à mesa, um ao lado do outro, casal aguardava a mãe da jovem colocar o jantar na mesa.
— Eu vou atender a porta –Avisou Chikaku caminhando até a sala
— Estamos sendo vigiados por câmeras escondidas, não é? –Perguntou Tsuchii discretamente soltando as mãos da namorada
— Em todos os cantos –Respondeu sorrindo sem graça –Sinto muito por isso
— Tudo bem –Disse olhando para a mesma –Estar aqui com você já é o bastante
Midori agora se encontrava violentamente corada com a declaração do detetive. Ela não imaginava que Tsuchii tivesse um lado tão fofo, seu coração estava a mil.
Mesmo sabendo que haviam câmeras vigiando-os, a mesma deu um beijo em sua bochecha, deixando-o corado, ainda que surpreso, encarando-a.
— Deixei uma marca de batom no seu rosto –Comentou rindo, enquanto tentava limpar
— É bom limpar antes que o seu pai volte –Riu
Logo a mesma viu o pai voltar para a sala acompanhado de sua irmã mais velha, Erika, que agora possuía 26 anos.
— Midori! Nem parece você! –Disse encantada com a produção que a mãe havia feito na irmã –Não me diga que é o seu namorado? O papai me contou, sabe o meu marido e o meu filho ficaram na cidade da folha, tinham compromisso, mas eu sempre tenho tempo para a minha irmãzinha
— Ninguém te chamou –Comentou aborrecida encarando o pai –Pode voltar se quiser
— Não eram sete contando com você? –Perguntou Tsuchii
— Prazer, eu me chamo Erika, sou a mais velha –Sorriu –Tem mais cinco, Erina, Setsuya, Mioshi, Chikara e Chidori –Comentou cruzando as pernas, jogando o cabelo para o lado
— Nossa… -Comentou surpreso –E vocês se dão bem?
— Querido, quando oito mulheres convivem em uma única casa, é difícil não se matar –Comentou com uma risada debochada –Mas apesar disso, não vivemos umas sem as outras
Após uns minutos, já jantando todos juntos ao redor da mesa, conversando, a respeito de diversos assuntos de suas vidas, a família e o guardião riam. Não demorou para que o guardião da terra sentisse uma estranha energia próxima dali, uma energia conhecida, deixando-o abalado.
Ao notar a expressão de seu rosto havia mudado, para uma expressão preocupada, Midori segurou em sua mão e perguntou discretamente, encarando-o:
— Está tudo bem?
— Claro –Disse sorrindo, tentando disfarças o nervoso daquela energia chamando por ele – Eu preciso ir, estão me chamando –Pegou o celular, simulando que havia recebido uma mensagem
— Chamando para onde? –Perguntou Erika
— É uma missão de última hora –Riu sem graça –Sinto muito, muito obrigado pelo jantar, foi um prazer conhecê-los
Neste momento, Midori enfim notou o que estava acontecendo, Tsuchii havia sentindo algo. Será que era a energia da safira da terra? A mesma não sabia, mas não podia deixa-lo sozinho.
— Tsuchii, espera, eu vou com você! –O seguiu até a sala de estar
— É melhor você ficar –Pediu – Pode ser perigoso
— Que história é essa?! Caímos em abismo, tive o meu estomago perfurado, o que pode ser mais perigoso que isso? Eu vou com você, eu estou incluída nesta missão
— Eu não quero que se arrisque de novo –Disse começando a perder a paciência, ainda tentando controlar o tom de voz
— Você não decide isso, eu não vou te deixar sozinho, estamos juntos nessa, Tsuchii –Disse enfrentando-o
Ao vê-la disposta a apoia-lo no que fosse preciso, Tsuchii desviou o olhar, se vendo sem saída. O mesmo gostava da parceria dela durante as missões, gostava da sua companhia, se sentia seguro ao lado da detetive, ela dava força para o mesmo continuar lutando.
— Vamos –Disse dando as costas suspirando – Você está certa
— Como sempre –Soltou um meio sorriso
— Não exagera! –Mandou impaciente caminhando até a porta – Vamos –A abriu
— Ei! –Chamou Chikaku de braços cruzado
Logo ambos, ainda amedrontados, se viravam lentamente, esperando a sua proibição para que Midori partisse para aquela “missão”. Ainda encostado no batente da porta da sala de jantar, o pai da detetive, pedia ao detetive:
— Cuide dela! Deem o seu melhor, detetives!
Para ambos, aquelas palavras, era a mesma coisa que a aprovação do pai de Midori para o seu relacionamento. Desta forma, ambos partiram atrás do safira da terra.
Tsuchii saia em disparada, mas Midori sentia uma grande dificuldade de correr de sapatilha pelas ruas da cidade.
— Como eu odeio sapatilhas! –Reclamou levantando a cabeça sentindo-se limitada
— Hein? –Perguntou o mesmo vendo-a ficar para trás –Sobe nas minhas costas –Se abaixou
— É o que? –Perguntou desconfiada
— Sobe logo!
— Tá –Disse subindo ainda corada –Não tente bancar o esperto –Ainda desconfiada
— Claro, eu estou com muito tempo para isso –Se levantou com a mesma em suas costas –Você estava muito mais doce no jantar, sabia?
— Por que você muda quando se envolve com essas safiras! Vira um estúpido! –Respondeu nervosa
— Estou começando a achar que devia ter vindo sozinho –Murmurou impaciente seguindo a energia
Tsuchii agora seguia energia, ainda que seriamente, sentindo-a cada vez mais próxima. Ambos notavam que se aproximavam de uma área isolada pelo governo imperial da terra, um área devastada.
Logo o guardião da terra se abaixou para que Midori descesse de suas costas. Agora ambos caminhavam cuidadosamente, por uma floresta, totalmente sem vida. Tsuchii continuava seguindo aquela energia que o guiava, enquanto a namorada o seguia, ainda comentando:
— Sabe que se nos pegarem, vamos ter um problemão, não sabe? –Perguntou
— Sou um guardião e estou em missão –Respondeu ainda andando por aquele lugar com cuidado –Depois eu arranjo um jeito de me justificar com o império da terra…
— Eu não sei você… mas esse lugar tem uma energia estranha –Comentou meio aflita –Eu não sou tão treinada neste aspecto quanto vocês guardiões, mas dá para sentir que algo terrível aconteceu nesta região –Respondeu sentindo uma energia pesada
— Você está certa –Respondeu –É como se fosse um cemitério…é a mesma sensação que senti ao pisar no antigo clã Shiroi…só que lá era bem pior
— Chega a dar arrepios –Caminhou, mesmo sem perceber, agarrando em seu braço, deixando-o sem jeito –É como se diversas almas estivessem gritando por aqui –Comentou
Ao vê-la abraçada em seu braço, ainda estranhando aquelas sensações de angustia, por muito provavelmente, estarem em um lugar que devia ter muito corpos soterrados, o guardião ficou levemente corado.
Muito embora estivessem indo atrás da safira da terra, o mesmo pensava que não teria nada demais em tirar um pouco de proveito daquela situação. Estavam longe dos guardiões e da família da mesma, completamente sozinhos, era o momento perfeito.
— Não precisa ficar assim –Disse abraçando-a –Logo você se acostuma com essa energia
— Como a gente se acostuma com isso? –Perguntou –É horrível –Disse olhando as sua volta
Logo o mesmo depositou um doce beijo nos lábios da namorada, surpreendendo-a. Em seguida o mesmo perguntou:
— Isso ajuda?
— Eu não sei…-desviou o olhar meio corada colocando a mecha de cabelo para trás -…tenta de novo…
Logo o mesmo a puxou pela cintura, surpreendendo-a com um intenso e caloroso beijo. A mesma não entendia o que tinha dado no detetive, mas estava gostando de corresponder. Desta forma a mesma colocou a mão em seu peitoral, alisando-o, enquanto o mesmo abraçava.
Suas línguas se entrelaçavam, enquanto o mesmo agora a guiava até uma árvore, encostando-a no tronco, sentindo a namorada corresponder a aquele beijo intenso.
De início, a intenção do detetive era apenas acalma-la, mas ao sentir o seu perfume, sua pele, seus lábios, foi como se seu corpo tivesse vontade própria, o mesmo não consiga controlar os seus impulsos, era algo totalmente novo para o detetive.
— Midori –Começou a cheirar o seu pescoço –Eu não sei o que está acontecendo… de repente… -Comentou ofegante
— É melhor continuarmos –Pediu encarando-o corada, ainda ofegante
— Eu não quero mais, esquece a safira –Disse beijando o seu pescoço –Esse beijo foi diferente dos outros…
— Eu sei…mas isso é… perigoso –Disse corada empurrando-o –Precisa se controlar! –Pediu nervosa
— Me controlar como?!
— Me desculpa! –O acertou com um tapa na cara, fazendo-o soltar um grito de dor
— Qual é a sua?! Tá me batendo de graça agora?! –Perguntou massageando o rosto nervoso
— Estava fora de si! –Respondeu nervosa –A nossa prioridade agora é a safira, Tsuchii, não podemos nos distrair, se lembra?
Agora o mesmo caía em si, Midori estava certa, ambos continuavam sendo parceiros de missão. Antes de qualquer vontade sua, vinha o seu dever como guardião e detetive, o mesmo precisava continua com a busca pela safira da terra que o chamava desesperadamente.
Ele se considerava um rapaz de sorte de ter uma garota como a Midori ao seu lado. Se não fosse por ela, o mesmo teria cometido uma besteira. Desta forma, o mesmo segurou nas mãos da detetive e disse:
— Vamos, a energia está vindo daqui
— Hm? –Perguntou encarando-o corada
Não demorou para que ambos dessem de frente com um gigantesco laboratório cientifico, ainda que em ruínas. O portão da entrada deste, estava completamente quebrado e enferrujado. A energia que antes era angustiante, agora era aterrorizante.
Amedrontada com o que estava sentindo, Midori abraçou Tsuchii ainda tremula, comentando:
— Alguma coisa…alguma coisa aconteceu aqui, não é? Ouvi falar que foi um incêndio; mas…
— Não…essa destruição…não foi apenas fogo –Comentou abraçando-a –Muito mais coisas aconteceram aqui
— Será que essa energia foram os rastros deixados por Demon e Lin? Dois seres banidos do mundo celestial que causaram tanto mal a seres humanos inocentes?—Se perguntou Midori ainda abraçada ao namorado – Tsuchii…
— Quer entrar? Se quiser, pode ficar aqui, me esperando –Disse acariciando-a
— Não –Balançou a cabeça negativamente –Eu vou com você
— É por isso que eu te amo – Disse beijando a sua cabeça – A mulher mais corajosa do mundo
Agora ambos entravam no terreno do laboratório, sem saber o que podiam encontrar. Enquanto isso, no centro do saguão do laboratório, a safira da terra brilhava, ainda envolvida por energia sombria, enquanto alguém soltava uma risada maligna.
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