Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

19 Capítulo 19: O laboratório. As memórias da safira da terra


Enquanto isso, caminhando de volta para o hotel, o grupo de guardiões estavam decepcionados por não terem encontrado nenhum sinal da safira da terra, ou de qualquer outra joia.

Haviam passado à tarde inteira procurando, e nenhum sinal da joia. Até então, Tsuchii e Midori também não haviam dado nenhum sinal de vida, fazendo o grupo se perguntar se o casal estava bem.

— Nenhum sinal da safira –Suspirou Sayo –Que dia inútil

— Calma, pode estar por ai –Riu Hikari tentando acalma-la –Aquela leve energia que sentimos agora pouco pode ser dela, certo?

— A Hikari pode estar certa –Comentou Akio com um meio sorriso – De qualquer forma, está bem tarde, já era para o Tsuchii ter mandado mensagem ou qualquer coisa assim…

— Eu sinto uma forte energia –Avisou Tsuki fechando os olhos –Vem daquela direção, do antigo laboratório do barro

Logo alguém atrás dos guardiões começou a aplaudir o guardião da lua, ainda envolvida por um hagoromo, soltando uma debochada risada:

— Ora, vejo que não mudou nada, Tsuki

Ao escuta-la, o mesmo arregalou os olhos, e virou-se imediatamente, ainda surpreso. Era mesmo ela? A tennyo estava se expondo na rua daquela forma? Sem se importar de ser descoberta por Kano? Afinal, a mesma havia enlouquecido? Acabaria morta.

— Lin!

— Quem é? –Perguntou Ayaka confusa

— Deve ser alguma namorada dele –Sussurrou Taiyoo

— Novinha assim? Não –Comentou Hikari

— Calem a boca! –Mandou enfurecido – Vejo que recuperou a sua manta

— Tive que pegar de volta –Respondeu sem perder a pose –Ora, então vocês são a nova geração de guardiões? –Desdenhou encarando-os de cima para baixo

Agora a mesma dava as costas, jogando os cabelos para trás, ainda comentando:

— Não chegam nem perto do que foi a minha geração; mas dá para o gasto

— Me desculpe, vovó –Murmurou Tsuki –Quantos anos você tem? 3.500?

Imediatamente Lin o acertou com um soco na cabeça, fazendo com que o mesmo caísse inconsciente sobre o chão. Enquanto Akio o cutucava, verificando se não haviam perdido um guardião, a tennyo os notificava:

— Aconselho para que sigam em direção ao laboratório do barro. Tsuchii e Midori estão lá, vão precisar de suporte

Neste instante, Lin parou o tempo e deu um recado ao grupo de guardiões:

— Guardiões da era Safira e Cristal, vocês são nossa única esperança. Está nas mãos de vocês impedir com que uma tragédia ocorra em seu mundo

Agora feitiço de Lin era desfeito e a mesma desaparecia diante dos olhos dos guardiões.

Ainda impactados pelas palavras da tennyo, todos se encontravam chocados, afinal, o que a mesma quis dizer com tragédia? O que estava para acontecer? Certamente haviam mais peças faltando neste quebra-cabeça.

Mesmo com tantas dúvidas, a sua prioridade agora era partir em busca da safira, precisavam ir até onde Tsuchii e Midori estavam.

— Consigo sentir a energia de Tsuchii –Disse Akio de olhos fechados –Está um pouco longe…

— Então é melhor nos apresarmos –Disse Tsuki se levantando ainda com a ajuda de Taiyoo –Aquele laboratório…ele é perigoso…

— Perigoso? –Perguntou Hikari seriamente

— Ele contém rastros da batalha entre Demon e Lin…acreditem…é um energia muito pesada para qualquer ser humano sem preparação. Se Midori estiver com o Tsuchii…isso pode ser um problema –Alertou

— Então não podemos perder mais tempo –Disse Ayaka –Vamos!

Agora os guardiões seguiam a energia do guardião da terra.

Enquanto isso, ainda que cuidadosamente, Tsuchii e Midori vasculhavam a área do laboratório, ainda sentindo uma estranha energia em torno do local. No centro do saguão, a detetive se deparou com algo brilhoso.

— Tsuchii, olha! –Apontou

— O quê? –Perguntou se virando

Não demorou para que o mesmo visualizasse a safira da terra, emanando uma energia clara, puxada para o amarelo, iluminando aquele local escuro.

Ainda que cuidadosamente, o guardião da terra se aproximou da safira, se abaixou até a mesma, e a tocou. Neste instante, viram que o ambiente começou a mudar, como em um toque de mágica.

As paredes do laboratório foram totalmente restauradas, enquanto que aqueles vidros voltavam para os devidos lugares, como se estivessem voltando no tempo de alguma forma. Ainda assustada, Midori se aproximou de Tsuchii, que a abraçou, ainda desconfiado com todas aquelas mudanças.

Não demorou para que tudo parasse. O casal agora via pessoas transitando pelo saguão, mas uma coisa chamava a sua atenção, elas não podiam vê-los.

— O que está acontecendo? –Perguntou Midori olhando para as próprias mãos

— Eu não sei –Comentou –É como se a safira quisesse nos mostrar algo… -Seguiu em direção à sala que pertência a Yama

— Espera, Tsuchii –Chamou a detetive seguindo-o

Ao chegar na sala, ambos se deparam com um homem de cabelos castanho, penteados para trás, usando jaleco, conversando com uma mulher, que aparentemente estava grávida. A mesma estava sentada em uma cadeira, acariciando a barriga, ainda com o olha entristecido.

— Riko, eu conversei com o Satoru… -Suspirou — …ele aceitou a minha proposta

— Yama, ele é o nosso bebê –Disse a mesma com lágrimas nos olhos –Como podemos entrega-lo ao tio, ainda tão pequeno? Eu não quero me separar dele

— Eu também não queria; mas não temos escolha…ele é a nossa única esperança, a única esperança para futura geração de guardiões, Riko –Tentou explicar –Essa criança nos encherá de orgulho, eu tenho certeza

Ao ouvir aquela conversa, Tsuchii caiu em si. Aquelas eram as memórias da safira da terra, tudo o que a mesma armazenou dentro de si, e agora estava revelando toda a verdade sobre a sua história.

— Tsuchii –Chamou Midori preocupada com o fato do mesmo continuar escutando aquela conversa

— A Lin já sabe? –Perguntou Riko

— Já comuniquei –Respondeu seriamente –Assim que você sair da maternidade, com o nosso bebê, vamos nos encontrar aqui. Lin transferirá os poderes de guardiã ao nosso filho, logo depois, Satoru, virá busca-lo

— Sozinho?!

— Não –Respondeu –Chikaku irá escolta-lo até em casa. Ele é uma grande amigo de Satoru e fez questão

Ao se virarem para trás, o ambiente da sala se transformou em um quarto de maternidade. Nele, estava Yama observando o seu filho, ainda nos braços de sua esposa, Riko.

— É um menino lindo, não é? –Perguntou Riko sorrindo –Tem um olhar esperto

— Se parece com você –Comentou –Estive pensando, o que acha do nome Tsuchii?

— Eu gosto –Disse sentindo filho segurar o seu dedo com aquela pequenas mãos –Chairo Tsuchii –Depositou um beijo em sua testa

Os detetives agora escutavam a mãe do detetive cantando um canção de ninar para o menino, balançando-o, enquanto o mesmo chorava, tentando fazer com que o mesmo adormecesse.

O jovem encarava aquela cena, chocado, sem saber o que dizer, afinal, se o amavam tanto, por que haviam entregado ele à Satoru? Ele não conseguia entender, era muita informação para a sua cabeça.

Logo o ambiente daquele quarto de maternidade foi se desconstruindo, e se transformando no saguão do laboratório, onde havia uma grande movimentação de cientistas, transitando de um ponto a outro.

Não demorou para que ambos escutassem um explosão, se assustando, e assumindo posição de batalha:

— Tome cuidado –Mandou Tsuchii

— Tá –Disse a mesma colocando-se em posição de defesa

Não demorou para que ambos vissem caminhando em sua direção, Shiroi Hajime, que ainda era manipulado por Demon, ainda segurando a sua katana. Ao sentir o mesmo passar por ambos, como se fossem fantasmas, ambos se lembraram que estavam apenas nas memórias da safira da terra, saindo da posição de combate.

— Demon –Disse Tsuchii seriamente –O que ele estava fazendo aqui neste dia? –Perguntou

— Eu não entendo –Disse a mesma pensativa –Só se… -Se recordou do que o pai havia relatado a mesma sobre o ocorrido naquele laboratório

— O quê? –Perguntou encarando-a

Logo ambos viram dois detetives entrarem rapidamente no laboratório, como se estivessem procurando por algo. Ao ver um dos detetives, Midori reconheceu imediatamente, ainda surpresa.

— Papai! –Chamou

— O quê? –Perguntou Tsuchii se virando ainda sem entender –Chikaku e Satoru?—Se perguntou Tsuchii visualizando os detetives andando pelo laboratório, ainda com cautela

Ainda desconfiados, avistando diversos corpos de pessoas que prestavam serviço àquele laboratório, no chão, os detetives caminhavam lentamente, ainda em posição defesa, preparados para qualquer contra-ataque.

— Para a primeira missão da nossa agencia…até que pegamos um peixe bem grande –Riu Chikaku, sendo irônico

— Grande até demais –Comentou Satoru soltando um sorriso irônico também –Olhe essas pessoas…esse lugar…seja quem fez isso, não é humano, com certeza

— Quer recuar? –Perguntou debochado –Eu pego a criança

— E te deixar com todo o crédito da missão? Muito engraçado –Disse observando tudo a sua volta –Vamos até a sala de Yama

Não demorou, todos ali escutaram uma forte explosão, que vinha da sala do cientista. Logo Tsuchii e Midori viram Chikaku e Satoru seguindo em direção ao local. Sem pensar duas vezes, os detetives seguiram os fundadores da Rokutsuchii, até um corredor.

O grupo parou após ocorrer uma segunda explosão naquele corredor. De dentro da sala saiu Demon, ainda em posse do corpo de Shiroi Hajime, e Lin que levitava, ainda sob posse do seu hagoromo.

Os detetives agora observavam o ex-deus e a tennyo se confrontarem em uma batalha árdua, entre ex-deus e ser celestial. Tsuchii e Midori se encontravam chocado com tamanha destruição com que o choque dos poderes de dois seres celestiais poderia causar em seu mundo.

O laboratório era reduzido em ruínas enquanto ambos trocavam chutes, socos e disparavam suas energias celestiais, um na direção do outro, atingindo terceiros que não tinham nada a ver com aquela situação.

Não demorou para que Midori visse o seu pai e Satoru, seguindo até a sala de Yama. Desta forma, a detetive os seguiu, enquanto que ainda chocado, Tsuchii observava a batalha entre a guardiã da terra antecessora e Demon.

Ao notar que a namorada não estava mais ao seu lado, o mesmo começou a procurar pela a mesma:

— Midori? Midori! –A chamou caminhando até a sala do pai

Assim que entrou na sala de seu pai, o detetive escutou um grito, ainda choroso, enquanto via a cena chocado.

Satoru estava ajoelhado no chão, segurando o seu irmão mais velho, já falecido, em seus braços. Já Chikaku, segurava um bebê, ainda enrolado em uma manta azul, em seus braços, fechando os olhos com pesar, pois sabiam que aquelas pessoas mortas, eram os pais daquele bebê que estava segurando.

Agora a detetive se encontrava chocada, afinal, o seu pai sabia desde o início, toda a verdade sobre o passado do Tsuchii, todo esse esquema, para que ele se tornasse guardião, e também sabia de tudo o que havia ocorrido naquele laboratório, no dia em que os pais do namorado foram mortos.

Ainda com as mãos tremulas, Midori encarava o namorado que observava a cena, ainda em choque, sem reação, aguardando o que seu tio faria.

— Satoru, eu sei que Yama era o seu irmão…mas precisamos levar a criança

— E-Eu sei –Disse deitando o corpo do irmão, ainda com cuidado no chão –Eu só preciso procurar os documentos da criança –Enxugou as lágrimas

— Satoru…

— A morte de Yama e Riko não será em vão –Disse abrindo a gaveta e pegando os documentos do sobrinho –De agora em diante, Tsuchii será o meu filho, como eles desejavam –Disse decido

— Conte comigo no que precisar –Sorriu ainda segurando o menino

Tsuchii agora abaixava a cabeça, cerrando os pulsos, tentando de alguma forma, sem saber ao certo a razão, esconder as suas emoções. O mesmo se sentia triste, feliz, amado e ao mesmo tempo perdido, sem saber que atitude devia ter naquele momento. Ele se sentia perdido.

Automaticamente, lágrimas começaram a escorrer de seu rosto, mesmo que contra a sua vontade. Ao notar que o mesmo, de certa forma, estava sentido com o que havia presenciado, Midori se aproximou do namorado, abraçando-o, ainda dizendo:

— Você foi muito amado…Tsuchii…

— Me desculpa… -Disse o mesmo enquanto as memórias da safira se desconstruíam, transformando o ambiente naquele laboratório em ruínas novamente -…eu não consigo parar…! –Começou a soluçar enquanto chorava, agora abraçando-a

— Vai ficar tudo bem –Disse a detetive abraçando-o, tentando consola-lo –Tsuchii

Enquanto isso, na casa de Midori, Chikaku se encontrava sentado no sofá da sala de estar, ainda pensativo, com uma expressão séria em seu rosto. O mesmo sabia que Tsuchii havia sentido algo no momento em que estavam jantando, afinal, o mesmo era um guardião, não tinha dificuldades para sentir a energia que emanava da safira da terra.

O motivo da preocupação de Chikaku era que o mesmo havia escutado rumores a respeito de algo ter caído próximo a área daquele laboratório onde o irmão de seu melhor amigo trabalhava. Se fosse a safira, corria o risco desta revelar toda a verdade ao detetive, e isso ser um choque para o mesmo.

Por outro lado, isso não era de todo ruim, já que o sócio majoritário da Rokutsuchii estava cansado de esconder a verdade do sobrinho de Satoru. O mesmo se sentia mal em deixar o jovem cada dia mais confuso em relação ao seu passado, de não ter a liberdade de revelar a verdade a ele.

Não demorou para que o mesmo visse a esposa caminhando em sua direção e sentando-se ao seu lado e abraçando-o.

— Qual é o problema? –Perguntou

— Do que está falando? –Perguntou abraçando-a

— Está preocupado com alguma coisa –Respondeu soltando um leve sorriso –É com aqueles dois?

— A Midori vai voltar uma fera –Suspirou –Talvez ela nunca mais queira olhar na minha cara

— Como você é dramático –Riu –Se fez as pazes comigo, vai fazer com você, independente do que você fez…

— Acho que não –Suspirou levantando a cabeça para o alto –Tem a ver com o passado do namorado dela –Respondeu

— O sobrinho de Satoru, certo? Chikaku, você só estava cumprindo com o que prometeu –Respondeu encarando-o –Foi para o bem do garoto, para que não fosse morto ainda recém-nascido

— Sabe…Rumiko… -Comentou olhando para o alto –Naquela época, você estava grávida da Midori…e quando eu segurei o Tsuchii, indefeso nos meus braços, órfão, ainda tão novo…

— Eu entendo…pensou “e se fosse com as nossas filhas, e se fosse a Midori”, não é? –Perguntou abraçando o seu braço –Chikaku, você ajudou à salvar a vida daquele bebê, que hoje está se transformando em um homem, e está apaixonado por nossa filha

— Que irônia, não é? –Perguntou debochado –Como aqueles dois foram se encontrar naquele templo?

— Dá mesma forma que nos encontramos naquela agência de modelos –O encarou com um leve sorriso

Enquanto isso, correndo entre aquela floresta devastada, os guardiões seguiam a energia de Tsuchii, ainda que rapidamente.

— Que energia pesada –Comentou Hikari enquanto corria –Algo terrível aconteceu por aqui, com certeza –Comentou se sentindo angustiada

— Estamos em uma área onde dois seres celestiais travaram uma batalha de vida ou morte. Neste solo ainda há rastro de suas energias corrompidas pelo ressentimento e mágoa –Explicou Tsuki –Apenas pessoas com uma energia bem desenvolvida conseguem seguir a diante neste lugar

— Deve ser por isso que é restrito –Comentou Ayaka seriamente –De fato, uma pessoa normal não suportaria a pressão deste lugar, acabaria enlouquecendo com esses rastros de energia…

Não demorou para que estes escutassem uma maléfica risada vindo do meio da floresta. Imediatamente os guardiões invocaram suas armas e se colocaram em posição de batalha, prontos para contra-atacar qualquer adversário.

Estes sentiam uma forte e maligna energia rondando-os, sem saber dizer ao certo, o que poderia ser e da onde estava vindo. Nenhum dos guardiões conseguia ver o adversário, apenas sentiam a sua presença, o que os deixava mais apreensivos.

— Fiquem de olhos bem abertos –Mandou Akio em posição de batalha – Não baixem a guarda

— Será alguém enviado por Kano? –Perguntou Taiyoo, já com o báculo em mãos

— Não acredito –Respondeu Tsuki seriamente –Já ouviram falar de criaturas do submundo? –Perguntou com um meio sorriso, ainda que apreensivo

— Como tudo o que ouvimos falar até agora, apenas lendas –disse Akio desconfiado –Se eu não me engano, segundo o sacerdote, são criaturas que se desenvolvem a partir dos rastros de energia, e solo, estou certo? No submundo, eles absorvem a energia do condenados e se alimentam dos nutrientes do solo, se fortalecendo, transformando-se em terríveis bestas

— Exatamente –Confirmou Tsuki, invocando o Shakujõ, agora se vendo rodeado por bestas, semelhantes a lobos e raposas –Acredito que não sejam seres do submundo…mas animais que tenham sofrido alguma espécie de mutação com os rastros de Demon e Lin. Com certeza, isso os transformou em bestas…

— Predadores…não podemos perder tempo com isso –Comentou a guardiã do fogo vendo que estavam cercados

— Eles não chegaram aqui sozinhos –Avisou Tsuki –Tem alguém domando esses animais, eu só espero que não estejam atrás da mesma coisa que nós… -Comentou pensativo

Enquanto isso, no laboratório, na sala que pertencia a Yama, agora sentados no chão, já em posse da safira da terra, os detetives se encontravam pensativos, a respeito de tudo que haviam visto, a respeito do que a safira havia revelado a ambos.

Eram muitas informações para Tsuchii assimilar de uma única vez. Seu pai, que na verdade era o seu tio, seus pais biológicos, que foram mortos por Demon, Lin que estava envolvida naquela história toda, e o transformou em guardião ainda recém-nascido, e provocou aquela destruição naquele laboratório. Chikaku que sabia de tudo e sempre escondeu a verdade de ambos.

Não era só em sua história que o guardião da terra pensava, mas sim nas milhares de vidas sacrificadas naquele dia. O mesmo começava a se perguntar diversas coisas, se questionar sobre as famílias das vítimas daquela catástrofe. Será que as pessoas mortas tinham filhos? Pais? Irmãos? Ao causar aquela destruição, tanto Lin, quanto Demon sequer pensaram nestas pessoas.

Sentada ao lado do detetive, ainda abraçada ao mesmo, tentando consola-lo, mediante ao choque de saber toda a verdade de seu passado, Midori se encontrava entristecida. Como o seu pai pode esconder tudo aquilo de ambos? De fato, o mesmo havia dito que havia presenciado o quão devastador podia ser o poder de Demon, mas ela não imaginou que ele estivesse presente durante todo ocorrido do passado de Tsuchii, muito menos que estivesse tão envolvido.

A jovem só pensava em consolar o detetive, em servir de suporte para o mesmo, dando forças para o mesmo seguir em frente em busca das safiras.

— Você está bem? –Perguntou acariciando suas mão com carinho

— Eu não consigo…parar de pensar…em quantas vidas foram sacrificas naquele dia, para que eu fosse salvo, para que o mundo fosse salvo –Respondeu com a cabeça baixa, ainda com um tom de revolta

— Tsuchii…

— Centenas de pessoas trabalhavam neste laboratório, pessoas que com certeza tinham pais, filhos, tios, tinham uma família esperando por elas em casa –Respondeu enfurecido –E foram mortas, sem razão nenhuma! Foram vítimas de uma batalha entre seres celestiais, totalmente egoístas! –Encarou a namorada revoltado com lágrimas nos olhos

— Tsuchii –Chamou a mesma, entendendo perfeitamente o que o mesmo queria dizer, ainda emocionada, soltando algumas lágrimas

— Os meus pais tentaram ajudar os guardiões da geração da Lin, buscaram fazer o que era certo, e sacrificaram o que eles mais amavam para isso, e com isso a suas próprias vidas –Disse ainda em um tom egoísta –Tudo por conta das vontades de um deus egoísta! –Socou o chão com força, provocando uma grande rachadura no solo

Logo ambos ouviram uma risada maligna, enquanto que alguém se aproximava do casal, ainda que usando uma capa preta e uma máscara de lobo. Não demorou para que ambos se levantassem rapidamente; Midori guardando a safira em sua bolsa, enquanto o guardião se colocava em posição de batalha.

— Quem é você? –Perguntou o guardião da terra desconfiado

— Eu? –Perguntou soltando um meio sorriso –Acho que…terá que descobrir –Se tele transportou pra atrás de Midori, surpreendendo-a

— Desgraçado! –Gritou a mesma acertando-o com um chute no rosto, quebrando a sua máscara

Agora o mesmo soltava um sorriso debochado, enquanto massageava o rosto, ainda surpreso com a força do chute da detetive. Não demorou para que o mesmo se virasse para ambos, ainda com um sorriso maléfico, e comentasse:

— Ora…achei que ficaria acanhada de me golpear de vestido. Até que você tem um bom gosto para roupas íntimas, garota

— Seu…quem você pensa que é?! –Perguntou as mesma avançando para cima do adversário com um soco, ainda enfurecida com o comentário

— Midori, espera! –Pediu Tsuchii tentando acalma-la

O adversário desviava do golpe da detetive, ainda soltando uma risada debochada. Apesar de falhar na primeira tentativa, Midori não se deu por vencida, tentando acerta-lo novamente com outro soco. Para a sua surpresa, teve o golpe bloqueado.

— O que? –Perguntou surpresa com o bloqueio

— Midori! –Chamou Tsuchii, correndo para ajudá-la –Solta ela! –Mandou encostando as mãos no solo e criando um terremoto tirando o equilíbrio do adversário

O mesmo agora dava um salto para trás, soltando a jovem. Em um rápido movimento, Tsuchii a pegava no colo, saltando e colocando-a em um lugar seguro, ainda perguntando:

— Você está bem?

— Estou –Disse colocando a mecha de cabelo para trás da orelha –Conhece ele?

— Não –Respondeu seriamente –Consegue lutar? –Perguntou se referindo as roupas que estava usando

— Sim, não se preocupe –Disse confiante –Tem algum plano?

Logo o mesmo soltou um sorriso confiante para a namorada, dando a entender que o mesmo tinha planejado um contra-ataque.

Enquanto isso, o adversário observava o guardião da terra depositar um leve beijo na testa da namorada, e em seguida retornar a luta. Ainda debochado, o mesmo encarava Tsuchii, que o encarava, ainda desconfiado, sem saber de quem se tratava.

— Quem é você? Está trabalhando para o Kano, não é?! –Perguntou seriamente – Diga à ele que não temos nenhuma intenção de entregar as safiras à ele!

— É mesmo? –Perguntou surpreso com a reação corajosa do rapaz –Foi você quem provocou aquele ferimento no estômago de Kano, não é? Quem diria que um mero humano pudesse causar um estrago daqueles –Riu debochado

Tsuchii agora soltava um sorriso debochado, assumindo posição de batalha, pronto para partir para o ataque. Já seu adversário, também animado para o combate, assumia posição de batalha, pronto para enfrentar o guardião da terra.

Logo ambos partiram um na direção do outro, ainda que rapidamente com um soco, fazendo com que as suas mãos se chocassem, enquanto soltam um meio sorriso, como se estivessem se divertindo com aquela situação.

Não demorou para que ambos tomassem distância um do outro, caindo de joelhos no chão.

— Você até que é forte, guardião da terra –Comentou o adversário animado, ainda se levantando lentamente –Devo admitir que estou empolgado para enfrenta-lo

— Não fique –Pediu debochado, também se levantando –Eu sinto muito, mas não tenho tempo para brincar com os lacaios do Kano

Em um rápido movimento, o jovem se aproximou do guardião da terra, acertando com um soco no estômago, surpreendendo-o.

— Você é bem arrogante para um guardião –Comentou o servo, tirando o ar do estômago do rapaz –Quantos anos você tem? A minha idade? Dezesseis? –Perguntou afastando o punho e acertando-o com um chute, fazendo-o derrubar paredes do laboratório

Ao ver o namorado ser atacado, ainda escondida entre os escombros, Midori se desesperou. A mesma queria ajuda-lo, mas precisava seguir com o plano que o mesmo havia arquitetado para que aquele subordinado não colocasse as mãos na safira da terra.

Tsuchii…só me resta confiar em você…por favor, volte por mim—Pensou a detetive agora caminhando até a saída do laboratório, ainda que discretamente

No portão, a mesma se deparou com diversas bestas, ainda ariscas, rosnando, prontas para ataca-la. A mesma agora assumia posição de batalha e pensava:

Eu não tenho outra escolha senão lutar contra esses monstros até os demais chegarem…

As bestas agora avançavam para cima de Midori, que por sua vez bloqueava o golpe com um chute. No sentido oposto, outra besta tentava ataca-la, mas a mesma acertou a costela do animal, lançando-o no chão.

Um número de monstros ia se acumulando no chão, provocando uma certa exaustão na detetive. Parecia que aqueles animais eram infinitos, eles não acabavam nunca. Logo a detetive sentiu uma besta avançar em seu ombro, abocanhando-o, fazendo-a soltar um alto grito de dor. Imediatamente a mesma pegou o animal, e o lançou para longe, ainda que perdendo muito sangue.

A detetive agora ofegante rasgava um pedaço do seu vestido, e usava o tecido para estancar o ferimento. Ao notar que estava cercada por mais bestas, a mesma começou a se preocupar, afinal, com aquele ferimento, os seus movimentos ficariam mais lentos.

Eu preciso dar um jeito nisso…e rápido —Pensou a detetive ainda segurando o tecido em seu ombro, com um expressão preocupada em seu rosto

Logo a mesma viu as bestas se aproximarem aos poucos, ainda rosnando, prontas para ataca-la. Não demorou para que Midori visse uma besta saltar em sua direção, pensando que estar tudo acabado, encolhendo-se, apenas colocando a mão livre na frente, em um ato impensado de defesa.

Neste momento, alguém saltou diante da mesma, atirando nas bestas com uma espingarda, matando-os um por um, surpreendendo a detetive.

— C-Capitã…a senhora veio… -Disse a mesma com os olhos arregalados –Como conseguiu suportar essa energia?

— Conversamos depois, Midori –Respondeu sobrando a fumaça da espingarda –A safira está com você?

— Sim –Respondeu discretamente, se aproximando da superior ainda com dificuldade

— O que houve com o seu ombro? Foram as bestas? –Perguntou colocando a espingarda no suporte em suas costas e dando uma olhada –Esse machucado está feio –disse tirando o tecido

— Não temos tempo para isso –Respondeu a mesma seriamente –Capitã, eu preciso ajudar o Tsuchii, preciso que leve essa safira até o guardiões o quanto antes –Pediu seriamente

— Não, eu ajudo o Tsuchii, você leva a safira

Ao ouvir aquela palavras, Midori se sentiu novamente menosprezada, se perguntando a razão de sempre ser deixada de fora das batalhas. A mesma podia enfrentar aqueles adversários, assim como a sua capitã,e Tsuchii, então porque não deixavam a mesma tentar? Era injusto.

A detetive se sentia de mãos atadas, afinal, não podia contrariar as ordens de sua capitã, isso significaria ter menos crédito dentro da agência como detetive que não cumpre com as ordens de seus superiores.

Mas ainda assim, a mesma sabia que o namorado precisava dela, que não daria conta daquele adversário sozinho, ele era muito poderoso, e Tsuchii ainda estava se recuperando da batalha contra Kano. Além disso, o mesmo estava muito abalado psicologicamente, não estava com cabeça para contra-atacar ninguém.

Não demorou para que a mesma visse a superior passar por ela, enquanto mandava:

— Entregue a safira…

— Não! –Respondeu se virando enfrentando-a

— O quê? –Perguntou estranhando

Logo a detetive retirou a bolsa de seu ombro e a entregou para a mestra, encarando-a seriamente.

— Capitã Mei, estou disposta a pagar por minha desobediência depois disso –Respondeu seriamente –Mas não posso simplesmente abandonar o meu parceiro de missão depois do que presenciamos neste laboratório

A capitã agora encarava a detetive, ainda que seriamente, afinal, era a primeira vez que Midori estava contrariando uma de suas ordens, isso era algo fora comum. Mas mesma notou que havia algo de diferente na subordinada, havia um brilho peculiar nos seus olhos, sem contar que a mesma estava sem óculos e maquiada.

— Midori, escuta…

— Sim? –Perguntou ainda que seriamente, imaginando que levaria uma bronca de sua superior

— Por um acaso…vocês estavam em um encontro? –Perguntou desconfiada

Logo a detetive caiu no chão, pensando que a capitã fosse perguntar algo realmente importante. A mesma não imaginou que em um momento crítico como aquele, a superior fosse questiona-la sobre aquilo.

— Bem…mais ou menos isso –Respondeu se levantando, tentando controlar a sua fúria –Você deve estar sabendo, sobre eu e o Tsuchii

— Chikaku choramingou alguma coisa a respeito –Comentou se recordando do mesmo chorando na cafeteria, enquanto conversava com ela sobre o assunto –É sério isso?

— Era para ser um jantar para os meus pais darem a aprovação –Comentou –Mas o Tsuchii sentiu a energia da safira e viemos correndo para cá

— Então essa produção toda foi para ele? –Perguntou soltando um riso debochado –Nossa, o amor transforma uma mulher

— O que quer dizer?! –Perguntou nervosa

— Nada –Respondeu passando pela detetive – É só que você parece feliz. Cuide dele, Midori –Pediu a detetive caminhando em direção a floresta, ainda carregando a bolsa onde estava a safira

— O quê? –Perguntou a jovem agora levemente corada

Ainda pensando a respeito do que a mestra havia dito, não demorou para que Midori voltasse para dentro do laboratório novamente, disposta a ajudar Tsuchii no combate contra àquele subordinado de Kano.