Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
13 Capítulo 13: O início de uma amizade. O encontro de Tsuchii e Midori.
Enquanto os guardiões conversavam com Tsuchii no quarto do hospital, ainda na casa da guardiã do vento, os demais descansavam da batalha exaustiva contra Kano. Afinal, de qualquer forma precisavam esperar o detetive e Midori se recuperarem para seguir viagem.
Em seu quarto, ainda deitado na cama, Tsuki se questionava sobre o que o hagoromo de Lin estaria fazendo no país do vento. Será que a tennyo estava pela região? Ou apenas havia enviado a sua manta para proteger o sobrinho, o qual a mesma estava vigiando? Eram muitos questionamentos.
Aparentemente, Lin não fazia o tipo que fiscalizava os movimentos de seu sucessor, mas ela cuidava de Tsuchii como se fosse uma pedra preciosa. O hagoromo foi a única coisa que Lin trouxe consigo do mundo celestial. Para se separar dele para salvar a vida de uma pessoa, esta deve importar muito para a guardiã antecessora.
Agora no hospital, no quarto de Midori, a mesma despertava ainda que lentamente, ainda se perguntando onde estava. Ao olhar para o lado, a mesma se deparou com Sayo, que ainda sorrindo comentava:
— Você acordou! Que bom, Midori!
— Sayo? –Perguntou se levantando lentamente, ainda se sentindo meio fraca –O que aconteceu? Eu me sinto meio mole –Comentou
— Deve ser por conta dos medicamentos –Comentou –O seu ferimento foi bem fundo, mas Ayaka conseguiu fecha-lo aqui no hospital, ainda assim você precisa esperar o corte fechar, tirar os pontos e esperar o corte cicatrizar. Até lá é possível que ainda sinta um pouco de dor ao se levantar, mas para amenizar ela aplicou uns analgésicos no seu soro –Explicou com um leve sorriso
— E o Tsuchii? –Perguntou ainda preocupada
— Bem…depois de deixa-la conosco, ele foi lutar contra o Kano –Contou ainda preocupada com a situação do rapaz
— O que?! –Perguntou surpresa – Ele ficou maluco?! –Perguntou tentando se levantar, ainda soltando um gemido de dor
— Cuidado! Ainda está se recuperando! –Pediu Sayo ajudando-a –Por hora vamos esperar vocês se recuperarem para seguirmos viagem. Pelo o que Hikari e Tsuki nos contaram, Kano também levará um tempo para se recupera, então até lá, levará um tempo para planejar algo contra nós –Suspirou
— Eu sinto muito pelo problema que causamos –Se desculpou ainda sem graça –Fomos descuidados em não verificar o perímetro antes de realizar as pesquisa
— Relaxa, não precisa se preocupar com isso –Disse Sayo com um leve sorriso – Vocês estão dando o melhor de vocês para nos ajudar e somos muito gratos. Todos cometem erros
— Eu sei, mas esse erro é inadmissível –Disse a mesma de cabeça baixa –Quase coloquei toda a pesquisa das gerações anteriores em risco, além de colocar a vida de vocês e minha própria vida em perigo…talvez…eu esteja no lugar errado –Comentou frustrada com a sua falta de cuidado
Sayo não entendia a razão das palavras da detetive, afinal, a mesma era muito esforçada, estava se cobrando demais por conta de um erro. Ela concordava que precisavam ser mais cuidadoso, mas a mesma não precisa se cobrar daquela forma.
Desta forma, Sayo cruzou as pernas e comentou soltando um leve sorriso, enquanto que desviava o olhar:
— Quando eu tinha a sua idade, eu era bem rebelde. Imagina, meu pai me colocou no convento de virgens do fogo –Riu –Ele dizia que eu precisava ser disciplinada, que uma guardiã não podia sair por ai, batendo perna, namorando com qualquer plebeu da cidade, matando aulas
— Mesmo?!
— Eu herdei os poderes de guardiã da minha mãe, no leito de morte dela. Eu era apenas um bebê na época –Compartilhou a lembrança –O meu pai nunca entendeu o motivo da minha mãe não ter passado os seus poderes para o meu irmão mais velho ou para ele. Mas hoje eu entendo –Comentou com um leve sorriso
— Hm?
— Quando nos tornamos mães, parece que nós desenvolvemos um percepção aguçada, como uma espécie de sexto sentindo –Explicou rindo –Acho que na época, minha mãe viu no meu olhar a força e determinação que ela procurava, a alma de uma guerreira, como a que ela tinha –Comentou
— Acha…que todas as mães conseguem enxergar isso em seus filhos? –Perguntou a mesma preocupada –Ás vezes eu acho que a minha mãe…não aceita muito bem o meu jeito –Comentou sem graça
— O que quer dizer? –Perguntou sem entender
— Ela é modelo e trabalha em uma agência muito famosa, posa para várias revistas, já deu várias entrevistas e as minhas irmãs estão trilhando o mesmo caminho que ela. Apesar disso, eu sempre gostei de investigação, combates, lutas –Soltou uma leve risada – Esse ano, ao entrar no colegial, minha mãe me inscreveu para os testes de modelo da agência onde ela trabalha, mas eu a confrontei, disse que eu queria trabalhar na agência de detetives
— Uau…são áreas bem distintas –Comentou pensativa
— Sayo, durante toda a minha vida, eu tenho me preparado para os testes de admissão! Quando eu era menina, pedi ajuda ao meu pai; mas ele se negou, disse que a agencia não era lugar para um menina como eu, que seria melhor exibir os meus vestidos na passarela –Comentou entristecida –Desta forma, eu fui até o templo da terra, pedir ajuda a deusa cristal, para que me iluminasse e foi então que…
Logo Midori começou a se recordar de quando conheceu o amigo e sua tia. A mesma rezava diante a imagem de Cristal, pedindo para que a iluminasse, para que desce uma solução para aquela problema que estava enfrentando.
— Por favor, por favor, por favor…!!!—Rezava
De repente a mesma ouviu um menino gritando, enquanto voava para fora do templo. Ao abrir os seus olhos, a menina de oito anos de idade não viu ninguém, mas escutou um uma voz dizendo:
— Não volte aqui até que tenha resolvido esse problema, você me entendeu?!
Logo Midori viu o garoto de cabelos castanhos, com uma pintura espiral na bochecha, gritando:
— Que culpa eu tenho que vieram atrás de mim?! Como que eu ia saber?! –Perguntou enfurecido
— Eu não quero saber! Preciso sumir daqui! Dá o seu jeito! –Mandou uma manta flutuando
— Bruxa velha! –Mostrou a língua pra manta
Ao notar que a menina estava ali, o menino ainda sem graça, ria tentando disfarçar, enquanto dizia:
— Ah... sobre o que você viu…bem…é…
— Quem fez? –Perguntou Midori
— Quem fez o que? –Perguntou sem entender
— O truque! Tem alguém aqui!
— Claro que tem –Riu –O sacerdote, claro –Gargalhou sem graça
— É uma mulher –Disse começando a procurar a mesma, ainda deixando o menino sem graça
— Essa não! Se ela descobrir…! —Pensou na bronca que levaria, caso a menina descobrisse o esconderijo de quem estava manipulando aquela manta – Escuta, está ficando tarde, os seus pais vão ficar preocupados se não voltar para a casa –Comentou colocando as mãos atrás da cabeça
— O meu pai não volta para a casa hoje e a minha mãe está muito ocupada com as minhas irmãs –Respondeu procurando por alguma pista do paradeiro da mulher que estava controlando aquela manta -Isso! Achei! Achei!
— Não! Não!—Pensou o menino balançando a cabeça negativamente, ainda que apavorado – Se ela descobrir, eu vou estar perdido!—Pensou apavorado
Não demorou para que ambos escutassem uma dupla de adolescentes conversando a respeito dos cristais. Ao escutar a conversa o menino mudou a sua expressão para uma cara de preocupação.
Assim que notou que a dupla estava para entra no templo da terra, o mesmo puxou a menina pela mão, chamando-a:
— Vem comigo!
— O que?! –Perguntou corada –Para onde está me levando? –Perguntou correndo de mãos dadas com o mesmo
Agora a mesma via que ambos haviam chegado aos fundos do templo. Em um pisca de olhos, o nível do piso cedeu rapidamente como um elevador, fazendo a menina soltar um alto grito, grudando no menino.
— Ei! Me solta! Me larga! –Mandou tentando desgrudar a mesma
Ao atingirem o solo, agora completamente despenteada, a menina tinha os seus olhos cheios de lágrimas, enquanto que o garoto suspirava comentando:
— Essa foi por pouco…
— Onde nós estamos? –Perguntou assustada –Esse lugar…é assustador… -Segurou no seu braço amedrontada
— Ei! Desgruda! Não gosto que fique grudando em mim desse jeito! –A afastou aborrecido –Mais um pouco e teriam me encontrado. Assim que aqueles guardiões forem embora você saí daqui, entendeu? –Perguntou se comportando como líder
Ao olhar para o lado, o mesmo via a menina fazendo algumas contas no ar, fazendo analises e olhando para o fio de cabelo que havia encontrado no meio do templo. Ainda nervoso o mesmo perguntava:
— Você está me escutando?!
— Estamos abaixo do templo! –Disse desvendando o mistério – A pessoa está por aqui!
— Ainda com essa ideia? –Perguntou –Por que não brinca de boneca com as suas amigas? –Questionou suspirando
— Por que não toma conta da sua vida?! –O empurrou no chão enfurecida, deixando-o confuso
Ainda no chão, o garoto se encontrava confuso, afinal, era a primeira vez que era provocado por uma menina, diga-se de passagem, tão geniosa. Logo o mesmo se levantou enfurecido e disse empurrando-a no chão:
— Não me empurra!
— Ora seu…! –Disse se levantando aborrecida –Eu vou acabar com você! –Disse puxando o seu cabelo
— Ei! Me solta! Sua maluca! Ai! Ai! –Tentou fazer com que a mesma soltasse a sua franja
Logo a mesma o derrubou no chão e começou a bater no garoto que tentava se defender. Não demorou para que ambos se vissem sendo puxados por uma manta, ainda que rapidamente.
Voando ainda que rapidamente em direção a uma sala, as crianças gritavam chorando, ainda assustadas. Agora ambas caíam em pufes lilás, ainda trêmulos, enquanto que deitada em um divã, uma mulher vestindo um kimono, envolvida por um hagoromo, o mesmo que havia puxado as crianças, os observava impaciente.
— Eu tenho um grupo de guardiões procurando por você, procurando pelo cristal da terra, estou armando uma fuga para não colocar em risco a minha existência que venho omitindo há anos para a sua própria segurança –Comentou com uma veia saltando em sua cabeça, deixando ambas as crianças apavoradas –E você me traz uma namoradinha para o meu esconderijo?! Você perdeu o juízo?! –Estalou a manta com força na bunda do menino fazendo o mesmo soltar um grito de dor ainda chorando
— Ela não é a minha namorada! Eu nem conheço ela! –Disse nervoso ainda chorando
— Ah! Que ótimo! Quer dizer que é uma desconhecida! Nossa, isso melhora muito a sua situação! –Estalou o hagoromo na bunda do menino fazendo soltar mais um grito de dor – Garotinha, se você tem amor por sua língua, é melhor que não diga nada aos guardiões, entendeu? –Perguntou ameaçando-a
Logo a garota soltou um risada debochada ainda dando as costas para a tennyo, enquanto comentava:
— Eu notei que sabe usar magia e é muito poderosa. É o tipo de pessoa que estou procurando para o meu treinamento
— Sua maluca…não sabe o que está dizendo –Disse o menino chorando, ainda massageando o quadril dolorido
— Treinamento? –Perguntou Lin debochada –Garota, você não entendeu? Quem manda aqui sou eu e você vai voltar quieta para a sua casa –Disse encarando-a ainda amedrontadora
— Eu posso não falar, mas posso escrever –disse desafiando a tennyo –Já ouviu falar da agência Rokutsuchii? É uma agência de detetives muito conhecida no país e meu pai é sócio. Acho que ele ia gosta de saber que existe um esconderijo secreto abaixo do templo da terra
— Sua…!!! –A agarrou com hagoromo enquanto a encarava enfurecida –Fala sério! A filha do Chikaku? Isso só pode ser brincadeira… parecer até que o destino desses dois está entrelaçado
— E então? –Perguntou encarando fixamente
Ao vê-la com um olhar tão firme, Lin não sabia explicar a razão, mas sentia que podia confiar em Midori. A menina tinha um olhar forte e estava muito determinada, de certa forma, isso a deixava animada. Ela via potencial naquela garotinha.
— Está certo –Concordou suspirando –Mas terá que vir ao templo todos os dias. Como você já sabe o caminho, procure passar pela passagem sem ser vista, estamos entendidas? –Perguntou seriamente
— Sim!
— Outra coisa, ensinarei coisas como sobrevivência e combate corpo a corpo –Avisou –Não usará magia, isso se restringe apenas a guardiões como esse idiota que te trouxe até aqui –Explicou
— Sim
— Ei! –Disse o garoto
— Como você se chama? – Perguntou a tennyo
— Midori, Rokutsuchii Midori –Se apresentou
— Eu…me chamo Chairo Tsuchii –Disse o menino se apresentando –A propósito… notei que você é muito boa com lógica…será que poderia me ajudar com algumas armadilhas? –Perguntou meio constrangido
— Depois de ter me empurrado no chão?! –Perguntou aborrecida –Pode esquecer! –Disse nervosa
— Considere como o seu pagamento pelo treinamento –Disse Lin se levantando – Uma mão lava a outra, não é? Quer o seu treinamento, não quer? Eu sei que ele parece um ser desprovido de inteligência, mas tem um bom coração –Suspirou
— Como é?! –Perguntou aborrecido
— Tá certo –Disse a mesma suspirando –Eu preciso voltar para a casa agora. Muito embora meu pais não estejam em casa, mas minha irmã está me esperando para jantar –Suspirou
— Não se esqueça –Avisou a tennyo –Te espero amanhã. Se você não aparecer, então não te treinarei mais –Avisou
— Entendido –Disse colocando a mochila na costas
— Tsuchii, a leve de volta –Mando a tia –E não é para ficar namorando lá fora –Avisou debochada, provocando-o
— Ela não é a minha namorada! –Respondeu nervoso –Vamos logo! –Respondeu enfurecido, ainda tomando a frente
Assim que voltaram para o templo, agora na entrada, Midori pegava a sua bicicleta e subia sobre a mesma se despedindo do menino:
— Nos vemos depois!
A mesma agora pedalava de voltava para casa, ainda feliz por ter encontrado alguém realmente forte para ensina-la a lutar. Com o treinamento daquela mulher, ela certamente passaria para a prova de admissão da agencia de detetives quando entrasse no colegial.
Apesar de ter apenas oito anos, a mesma tinha tempo o suficiente para se preparar para esse dia. A mesma provaria a sua família que era capaz de tornar um detetive, não importasse que meios fossem necessários para ele conseguir isso.
Ao chegar em sua casa, a mesma encostou a sua bicicleta ao lado da porta e em entrou em casa. Ainda de fininho, a mesma tentou subir diretamente ao seu quarto, para que não levasse uma bronca da primogênita da casa, já que havia chegado atrasada para o jantar.
— Midori!
— Erika –Chamou a mesma rindo sem graça, se virando imediatamente – Uau! Que cheiro bom! É aquele da propaganda que você fez? –Perguntou tentando distraí-la
— Ah você notou? –Perguntou jogando-o para o lado –E veja o brilho e caimento, parece seda –Riu convencida
— É verdade! Nem parece que pintou de loiro! Ficou incrível! –Bajulou
— Você é um doce! Suba e troque de roupa para jantar –Respondeu com um tom suave em sua voz
— Tá –Disse subindo as escadas ainda com o sapato cheio de lama
Ainda nos corredores da casa, a mesma passava por uma jovem de aparentemente quinze anos, de cabelos roxos e olhos castanhos. Está era a terceira filha dos seus pais, Erina, que agora vestindo o seu uniforme colegial, reclamava:
— Caramba, Midori! Onde você estava? Está parecendo uma porquinha! Tá espalhando lama pela casa inteira! Deixe os sapatos lá fora, que nojo!
— A Erika mandou eu subir para eu me trocar –Disse caminhando até o quarto
— Precisa de um banho, está toda cheia de terra, estava rolando na lama por um acaso? –Perguntou descendo as escadas
— Ai deixa ela em paz – Disse a quarta filha do casal saindo do quarto –Estou exausta, fiz uma sessão de foto para aquela revista infanto-juvenil –Disse Mioshi de doze anos –E ainda tenho que estudar para as provas, ninguém merece –Suspirou
— Olha lá! Parece que Setsuya chegou –Comentou Erina espiando pela janela –Uau! Ela está mandando ver com o namorado dentro do carro… se o papai pegar isso… -Comentou rindo
— Isso não é da sua conta, Erina –Comentou Mioshi descendo as escadas
— Eu quero ver! Eu quero ver! –Saltou tentando alcançar a janela
— Ei! Você ainda é uma menina! Vai brincar com as suas bonequinhas, Midori –Mandou bisbilhotando pela janela
Enquanto isso, do lado de fora, Setsuya, a segunda filha do casal, uma jovem de aparentemente dezoito anos, estava dentro do carro de um jovem universitário, ao beijos e abraços com o mesmo. Não demorou para que este começasse a alisar a sua coxa, enquanto a mesma desabotoava a sua camisa.
De repente ambos começam a escutar alguém batendo no vidro do carro. Imediatamente ambos se separaram, ao ver que era Erika segurando um concha de cozinha em suas mãos.
Não demorou para que ainda sem graça, Setsuya cumprimentasse a irmã mais velha:
— Oi Erika…
— Setsuya, as meninas estão te esperando para jantar –Comentou um sorriso amedrontador –É melhor entrar
— Sim –Respondeu –Nos vemos depois, Takuya –Se despediu dando um doce beijo e logo depois saindo do carro
Agora enquanto entrava em sua casa, a mesma perguntava:
— E essa lama? Entrou um porco aqui dentro? –Perguntou enojada
— Não, só uma depravada –Respondeu Erika suspirando –Setsuya, até quando pretendem fazer isso quando os nossos pais não estiverem em casa? Eu não posso limpar a sua barra a vida inteira!
— Eu amo ele, Erika! Eu não posso evitar! E você sabe como é, é a mais velha –Disse ajudando a mesma a colocar a mesa
— Precisa se tornar responsável, você quis seguir a carreira de modelo e agora tem um nome –Disse seriamente – Mas se envolver com o seu assessor, que problemão. Não sei o que mamãe e o papai vão fazer quando descobrirem
Logo ambas ouviam mais duas meninas chegarem, gêmeas de dez anos, que agora caminhavam juntas até a sala de jantar se desculpando com a irmã mais velha:
— Desculpe pelo atraso, Erika
— Está tudo bem. Chikara, Chidori subam e troquem de roupa para jantar –Respondeu com um leve sorriso –E você Setsuya, esse assunto não acabou. Me desculpe, mas um dia terá que contar ao nossos pais sobre o seu caso
Agora com a sete irmãs reunidas em volta da mesa, jantando, estas conversavam sobre o seu dia. Logo Setsuya comentava:
— Nossa Midori, você tem tanta sorte. Você foi a única de nós que conseguiu herdar os olhos verdes da mamãe –Comentou encarando-os –Você sabia que a agência de modelos valoriza muito pessoas de olhos claros?
— Sério? Eu acho esses olhos uma porcaria –Reclamou emburrada –Não tenho enxergado muito bem com eles
— Hein? –Perguntou Mioshi – Talvez tenha que ir no oculista
— Isso que dá ler com a cara nos livros –Disse Erina –Vai ter que usar essa coisa horrível
— Vai ficar com cara de lesada –Comentaram as gêmeas rindo
Logo Erika notou que Midori começava a ficar desanimada com as brincadeiras, então tentou anima-la:
— Foi eu acho muito charmoso. Deixa com um ar de inteligência, combinaria até mesmo com a sua personalidade, Midori –Comentou com um doce sorriso –Sabe, os menino gostam de mulheres inteligentes –Piscou para a mesma
— É, mas eu não tenho interesse nisso –Disse a mesma sorrindo – O que eu quero mesmo é passar nos exames para a agência de detetives do papai quando entrar no colegial
— O quê?!?!?! –Perguntaram as seis espantadas
— Eu quero ser detetive como o papai, eu não quero ser modelo –Disse a mesma comendo o seu jantar –Desvendar mistérios, solucionar crimes, não parece divertido? –Perguntou sorrindo
Ao ouvir tal coisa absurda, as irmãs gargalharam, afinal, era um sonho impossível. Sua mãe já tinha um plano para ela, já havia reservado o dinheiro para que a mesma cursasse a melhor faculdade de moda do mundo, além de inscreve-la para um curso de modelo infantil. Sua mãe já tinha futuro de Midori todo planejado, a mesma nunca conseguiria realizar aquele sonho absurdo.
Aborrecida com o deboche de suas irmãs, a menina se levantou da mesa aborrecida e seguiu em direção ao seu quarto. Não demorou para que a mesma se aproximasse da foto de sua família e pensasse:
— Eu vou entrar na agência, custe o que custar
A partir deste dia, após o almoço, Midori se dirigia ao templo da terra com a sua bicicleta, para treinar como Lin e Tsuchii no abismo. Os treinos não eram fáceis, muitas vezes a mesma chorava, pois era fácil se machucar naquele lugar, se ralar, mas com um tempo a mesma não se importava mais.
Embora estivesse tomando todas precauções necessárias para não ser descoberta pelo pais, não tinha como a mesma enganar o seu pai, que era um detetive.
Agora no quarto do casal, deitados sobre a cama, a esposa, Rumiko, notava que o marido estava um tanto sério, como se algo estivesse incomodando o mesmo.
— Tem algo tem incomodando, Chikaku? –Perguntou a esposa folheando uma revista de celebridades –Não me diga que ainda está aborrecido com o namoro da Setsuya? Querido, ela já é uma mulher, não atrapalhando a carreira de modelo, eu não vejo problema nenhum em…
— Não estou assim por conta da Setsuya –Comentou seriamente – Rumiko, por um acaso, você sabe onde a Midori tem ido depois do almoço? –Perguntou
— Com certeza deve estar fazendo travessuras com os amigos dos colégio -Suspirou –Ela não toma jeito, poderia trazê-los em casa para brincar de forma civilizada. Ela realmente te puxou
— Brincando? Mas que brincadeira envolveria tantos ralados no joelho? –Questionou –E não foi apenas isso que eu notei, muito embora volte ralada; mas roupas dela sempre voltam limpas, isso não é estranho?
— Eu acho ótimo, sou eu quem lavo –Comentou soltando uma risada debochada –Se a Midori quer brincar na rua como um moleca, tudo bem, desde que não volte molambenta. Erika me contou outro dia que ela voltou cheia de lama e terra, nossa…que horror!
— Lama e terra, hein…? –Questionou suspeitando
Na manhã seguinte, o mesmo desmarcou todos os seus compromissos na agência e tirou o dia para vigiar a filha. A seguiu até a escola, ainda que discretamente. Ao sair do colégio, Midori subiu em sua bicicleta e pedalou até o parque, onde encontrou com Tsuchii, surpreendendo o pai, que ainda escondido os encarava:
— Como eles se conheceram?! O sobrinho do Satoru? Não pode ser…pensei que tinha…aquela mulher! —Se recordou de Lin –Será que ela está…?
Imediatamente o mesmo saiu de trás da árvore e chamou a filha:
— Midori
— Papai? –Chamou se fazendo de desentendida, já sabendo que o mesmo estava seguindo-a –O que faz aqui? Veio me buscar? –Perguntou animada
— Vim ver que travessura você anda aprontando –Respondeu se abaixando na sua altura –E esse garoto? Sabe o quão ciumento eu sou com as minhas filhas –Brincou
— É só um amigo que eu fiz aqui no parque –Respondeu apresentando-o – Se chama Chairo Tsuchii
— Chairo? Ah entendo, o seu pai era um agente, não é? –Perguntou sorrindo –Chairo Satoru, estou certo? –Simulou fingindo que não conhecia muito bem o agente, apenas para comprovar se era quem estava pensando
— O conheceu? –Perguntou surpreso – Conheceu os meus pais?! –Perguntou animado
— Digamos que sim –Respondeu se levantando –Mas deixamos isso para outro dia –Colocou os óculos escuros. — Midori, vai continuar brincando ou vai voltar para casa? –Perguntou o pai
— Posso ficar mais um pouco? –Perguntou
— Está bem, tome cuidado na hora de voltar e…
— Hm? –Perguntou
— …dê o seu melhor, Midori –A apoiou após ver a sua dedicação para não ser descoberta –Nos vemos mais tarde –Caminhou de volta para casa
Ao escutar aquelas palavras a menina corou, afinal, era a primeira vez que escutava aquelas palavras do pai, parecia até que o mesmo sabia que ela iria treinar assim que ele fosse embora. Do lado da mesma, estava Tsuchii observando Chikaku se afastar, ainda admirando o seu estilo, com olhos brilhando:
— Uau… o seu pai é muito legal…!
— É por isso que eu quero ser uma detetive –Disse a mesma montando um castelinho na caixinha de areia –Quero realizar missões igual a ele, prender pessoas más
— Prender pessoas más? Você viu aquilo? Ele sabe de tudo! Até do meu passado! E me conheceu não tem dez minutos –Comentou tentando se equilibrar no tronco –E a forma que botou os óculos escuro depois, foi muito legal!
— Vai querer se tornar um detetive também? –Perguntou
— Eu não sei –Respondeu –Eu tenho outros compromissos, não sei se a velha aprovaria isso. Mas chegando no templo eu vou pedir para que ela me explique direitinho essa história que meu pai era um detetive –Comentou de emburrado de braços cruzados
— Você não sabia?
— Eu nunca soube nada a respeito deles –Comentou pensativo, ainda vendo a mesma sair da caixa de areia – Aproposito, conseguiu fazer o planejamento das armadilhas? –Perguntou
— É verdade! Estão aqui! –Disse pegando os papéis na mochila e entregando ao menino – Não tem erro, basta você seguir o que está anotado –Orientou
— Uau! Você até que foi rápida! Virou a noite por um acaso?! –Perguntou animado
— Fiz durante a aula de matemática –Comentou –Eu estou à frente da minha turma, então não tive muitos problemas –Riu
Após aquele dia, oito anos se passaram e, neste ínterim, Midori e Tsuchii passaram as tardes treinando no abismo do treino, até o dia da prova de admissão da jovem, que agora estava com quinze anos.
Tsuchii já havia entrado na agência a pedido de Chikaku, já que o mesmo era sobrinho e filho adotivo de seu melhor amigo e sócio da agência, Satoru. Ao chamar o garoto para estagiar na agência, Chikaku contou tudo o que havia acontecido com os pais do rapaz, sobre o mesmo ter sido morto em missão e a mãe ter ficado muito doente após a sua morte.
Muito embora tivesse explicado esses pontos, Chikaku sabia que jamais poderia revelar ao jovem que na verdade, Satoru era o seu tio e, não o seu pai. Que na verdade, seu pai se chamava Chairo Yama e sua mãe Riko Miyoshi e que ambos eram cientistas de um laboratório que foi incendiado na cidade do barro.
No dia da aprovação de Midori na agência, a mesma saiu para comemorar com os amigos, entre eles estava o amigo de infância, Tsuchii. Após a comemoração, a mesma voltou para a casa, mas ao entrar, se deparou com a sua mãe sentada no sofá da sala, de pernas cruzadas, questionando:
— Onde você estava, Midori? –Perguntou seriamente –Sabia que perdeu o teste para modelo?
— Mamãe, precisamos conversar –Disse a mesma seriamente –Eu gostaria de esperar o papai chegar para comunicar vocês sobre a minha decisão –Disse seriamente
— Decisão? –Perguntou debochada –Você acha que decide alguma coisa, Midori? É uma menina, só tem quinze anos de idade, não sabe que decisões tomar para a sua vida, acabou de entrar no colegial
Não demorou para que Chikaku chegasse da agência, ainda exausto, já notando que o clima em sua casa estava tenso. Ao ver a expressão desanimada no rosto de Midori após passar no teste para o qual havia se preparado tanto, o mesmo estranhou.
— O que está acontecendo? –Perguntou seriamente – Rumiko, o que houve?
— Chikako, eu marquei uma entrevista na agência Star Golding para a Midori. Como sabe, essa agência é a mais famosa que existe internacionalmente e faz anos que eu e meu assessor estamos tentando arranjar essa vaga para a Midori. Mas hoje ela sequer apareceu, eu a mandei ontem para fazer cabelo, sobrancelha, unhas, tudo e ela simplesmente não apareceu –Explicou
Logo Chikako olho para filha, dando a chance da mesma contar a verdade de uma vez para ambos e, acabar com o segredo que ela carregava consigo por anos. Ainda insegura, a mesma encarava o pai, que a encarava passando segurança.
Ao olhar nos olhos do pai, muito embora ele não esboçasse nenhuma reação, mas no fundo de seus olhos a mesma podia ver o orgulho que o mesmo sentirá da filha por ter passado no teste, após tanto esforço e dedicação.
Aquilo a deixava aliava e confiante o suficiente para dizer a mãe:
— Mamãe, eu estava fazendo o teste para entrar na agência de detetives Rokutsuchii e eu passei
Ao ouvir aquelas palavras, Rumiko achou simplesmente um absurdo. Como a filha havia largado a entrevista com uma agência de modelos internacional, para ir fazer um teste para um agência de detetives onde 90% dos candidatos eram homens. Aquilo era uma afronta as ela, a sua educação, aos seus princípios.
Sem pensar duas vezes, Rumiko se levantou do sofá, enquanto Midori a encarava seriamente. Agora frente a frente, a mãe acertava um tapa no rosto da jovem, deixando a sua bochecha vermelha, assustando-a, afinal, era a primeira vez que a mãe levantava-lhe a mão.
— Rumiko! O que está fazendo?! –Perguntou Chikaku vendo a mesma puxando o cabelo de Midori esbofeteando-a, enquanto a mesma soltava gritos de dor, pedindo para que a mesma a soltasse –Para com isso! Já chega! – Segurou a esposa que agora soltava filha
— Saí dessa casa agora! Você não mora mais aqui, me escutou?! O que quer se enfiando no meio daqueles homens?! Sua depravada! Nunca se comportou como uma dama! Desde menina foi uma decepção! Foi abençoada com estes olhos verdes e os desperdiça desta forma! –Gritou enfurecida –Suma da minha frente! –Gritou enfurecida
— Já chega, Rumiko! Já basta!
As palavras de Rumiko machucavam o coração de Midori, deixando-o em mil pedaços. A mesma pensava que este seria o melhor dia de sua vida, o dia em que passaria na agência de detetive, mas estava enganada, aquele estava sendo o pior dia da sua vida.
Desta forma, a jovem subiu até o seu quarto, arrumou as suas coisas, enquanto os seus pais discutiam na sala. Não demorou para que a mesma descesse com a sua mala e avisasse:
— Amanhã eu volto para pegar o restante das minhas coisas –Avisou seriamente –Estou indo –Disse partindo
— Midori, espera!
— Chikaku, não se atreva! Se for atrás dela…
— O que?! Vai mesmo fazer chantagem comigo? –Perguntou encarando-a com indiferença –Você sabe que isso não funciona e nunca irá funcionar –Disse dando as costas e seguindo a filha
Midori agora caminhava em direção ao templo da terra, enquanto o seu pai a chamava. Logo o mesmo a alcançou e pediu:
— Midori, vamos conversar, sua mãe só está nervosa. Ela não falou, sério
— Eu sinto muito, mas não posso mais aguentar as humilhações dela
— Eu sei para onde você está indo, aliais, eu sei de tudo –Disse seriamente –Quer conversar a respeito disso, no meu escritório? –Perguntou
— O que? –Perguntou se virando seriamente –Do que está falando? –Perguntou
Fale com o autor