Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

14 Capítulo 14: Passados entrelaçados


No hospital no país do vento, Midori continuava se lembrando do que havia ocorrido ainda naquele ano, antes da mesma partir para missão em busca das safiras. Naquele mesmo ano a mesma havia passado no teste para a agência Rokutsuchii e saído de sua casa.

A mesma agora se recordava da proposta de seu pai, de conversarem mais à vontade em seu escritório, na agência, para que assim a mesma contasse a ele tudo o que estava acontecendo com ela.

A mesma havia aceitado a proposta e, desta forma, ambos se dirigiram para a agência. Já na sala do pai, o mesmo oferecia um pouco de água, já que a mesma ainda não tomava café, afinal, ainda tinha quinze anos.

— Midori, já faz um tempo que eu tenho notado que você tem frequentado muito o templo da terra –Comentou após tomar um gole de café –Eu sei perfeitamente que você não faz o tipo religiosa, assim como seu pai, sei que você não aprendeu aquelas técnicas de lutar que apresentou no teste, sozinha. –Comentou

Sem graça, a jovem olhava para baixo, ainda em silêncio. A mesma se sentia em um interrogatório, afinal, o seu pai era detetive, ele descobriria sobre Lin com facilidade. A mesma tomou tanto cuidado para que isso não acontecesse, mas ele sabia o tempo todo.

— Eu não sei em que circunstancias você conheceu a Lin e o Tsuchii –Comentou suspirando –Mas gosto que se espelhe na Lin, Midori

— O quê?

— Quero que seja franca comigo, por isso serei franco com você –disse seriamente –Afinal, você não é mais uma menina, agora você faz parte da nossa equipe e prezamos pela confiança aqui na agência. O pai do Tsuchii era o meu melhor amigo e irmão da Lin

— O quê?! –Perguntou chocada –Quer dizer que ele é o rapaz que fundou a agência com você?!

— Exatamente –Respondeu –Eu e Satoru éramos amigos desde a infância. Eles tinham mais um irmão, chamado Yama, ele era cientista e morreu em um incêndio no laboratório. Lin é foragida e Tsuchii é um dos guardiões dos Cristais

— Nossas vidas estavam ligadas esse tempo todo –Comentou pensativa –Isso é incrível…

— Foi por isso que o chamei para trabalhar aqui –Respondeu – Na verdade, estive observando vocês dois e acho que ambos tem potencial para me suceder quando eu me aposentar

— Mesmo?!

— Sim –Respondeu –Mas vocês precisam ganhar experiência. O Tsuchii já tem uma bagagem por conta do cargo de guardião, mas você ainda precisa colocar em pratica o que aprendeu com a Lin. De qualquer forma, quero prepara-la para assumir o setor de pesquisa e o Tsuchii de investigação –Comentou

— Pesquisa? Mas papai, o meu sonho é a investigação! Eu quero lutar, não ficar arquivando dados no centro de pesquisa

— A investigação é uma área muito perigosa –A alertou –Midori, já foi uma grande vitória ter entrado da agência Rokutsuchii, deveria estar satisfeita. Se esforçou a sua vida toda para isso e conseguiu, me enche de orgulho querida

— Se eu te encho de orgulho, porque você não me deixa com a investigação e deixa o Tsuchii com a pesquisa? –Questionou seriamente

— Em teoria, o dinamismo das missões parece, de fato, empolgante; mas todos os dias arriscamos os nossos pescoços para desvendar mistérios e em grande parte deles estão envolvidos traficantes, mafiosos e até mesmo pessoas da pior espécie infiltradas na elite –Explicou –Midori, não queira saber o que caras dessa laia fazem com garotas como você –Avisou

Ao ouvir tais palavras, Midori permaneceu calada, afinal, a mesma sabia perfeitamente a onde estava se metendo e quais eram os riscos. O que a surpreendia, era o fato de seu pai achar que a mesma era incompetente ao ponto de não dar conta de uma missão deste tipo.

— Acha que eu não sou capaz? –Perguntou de cabeça baixa

— Não é isso –Respondeu seriamente –Midori, você é o meu reflexo, muito embora fisicamente seja inteira a sua mãe –Riu

— Eu não me pareço em nada com ela –Respondeu emburrada, ainda desviando o olhar

— Se parece sim –Respondeu sorrindo –Mas em compensação, você tem a minha coragem e determinação. Sabe, quando eu era menino, eu era igualzinho a você, vivia voltando ralado para a casa, eu e Satoru não tínhamos a mínima noção do perigo. Você herdou isso de mim e é por isso que eu quero que fique no centro de pesquisa –Explicou

— Conta outra! Está me barrando!

— Midori, sabia que nesta área você pode ter acesso a todo o tipo de informação, de toda a Jelwels? –Questionou

— O que?

— Em nosso centro de pesquisas nós temos arquivados todos os tipos de relatórios, pesquisas, livros, matérias de jornais, revistas dos mundo todo, catalogado em ordem alfabética, por casos e data –Informou –Você tem noção do poder que terá em suas mãos? Qualquer detetive que se preze, gostaria de ser preparado para assumir esse setor

— Todo querem ir para a investigação!

— Por conta do dinamismo. Mas isso não é tudo. –Respondeu –Midori, muito embora estejam em setores diferentes, vocês e Tsuchii terão a mesma mentora, afinal, estão sendo treinados. Ela é conhecida por ser capitã desta agência

— Capitã?! –Perguntou com os olhos brilhando –Como ela conseguiu chegar a tal cargo?!

— Levando o seu trabalho a sério e se dedicando a ele –Respondeu com um meio sorriso – Midori, não quero te obrigar a trilhar o mesmo caminho que eu e sua mãe. Você tem que escolher que caminho quer trilhar, está entrando no colegial e logo se tornará uma mulher adulta. Diferente de suas irmãs, você nos mostrou uma grande força de vontade, por isso eu te darei as coordenadas para que se torne uma boa detetive: se espelhe em Mei

— Papai…

— Não será fácil se manter aqui dentro e eu não vou facilitar as coisas para você. Aqui dentro, você será mais uma agente da Rokutsuchii, estamos entendidos? Da porta para fora, eu sou o seu pai –Esclareceu –Depois do que aconteceu hoje, não acredito que queira voltar para casa, procure um hotel, eu te darei uma mesada para que se sustente…

— Não –Disse seriamente –Apenas banque os meus estudos, por favor, eu preciso me formar para permanecer na agência

— Como é?

— Eu conversarei com a Lin, verei se posso ficar com ela até arranjar um lugar para ficar – Disse seriamente –Quando tiver o suficiente, alugarei um apartamento para eu morar

— Midori, não há necessidade…

— Por favor, apenas os meus estudos –Pediu

— Está bem –Concordou –Banco os seus estudos até que se forme –Suspirou

— Permissão para me retirar –Pediu pegando a mala

— Está dispensada, Rokutsuchii –Dispensou com um meio sorriso

Logo a mesma se levantou se retirando da sala do pai. Agora caminhando entre os corredores, a mesma era observada pelos agentes, enquanto comentavam a respeito da sua aprovação no teste. Não demorou para que a mesma visse o amigo se aproximar, cumprimentando-a:

— Eaí Midori? Já falou com os seus pais? –Perguntou caminhando ao lado da mesma –Hm? E essa mala? Ficou tão feliz que veio morar aqui? –Perguntou rindo

— Não, de hoje em diante eu vou morar com vocês –Respondeu seriamente

Não demorou para que Tsuchii parasse no meio do corredor, achando que havia escutado mal. Por um acaso a mesma havia dito que moraria com eles? Isso queria dizer, no templo? Mais precisamente, no abismo? Isso era loucura, um absurdo. Logo o mesmo voltou a segui-la, perguntando:

— Que palhaçada é essa?! Sabe o que vão comentar?! Dois colegiais morando juntos?!

— Deixe com que pensem o que quiser –Respondeu indiferente –Eu fui expulsa quando minha mãe descobriu que deixei de realizar o teste na agência de modelos, para fazer o teste da agência de detetives. Além de levar uma surra, fui expulsa de casa. Eu e o meu pai entramos em um acordo, eu me sustento e ele paga os meus estudos até eu me formar

— O quê?! E ele não pode bancar um hotel para a filha desamparada?! Que pai desnaturado!

— Ele se ofereceu, mas eu não aceitei, preferi negociar os estudos

— E quem se sacrifica sou eu?! Não! Você não vai!

Tsuchii foi repetindo essas palavras e esse sermão até ambos chegarem no abismos, abaixo do templo da terra. Ao se encontrarem com Lin, o mesmo ainda continuou falando com Midori, aborrecendo a tia, fazendo saltar uma veia de sua cabeça.

— O que está acontecendo aqui?! Tsuchii, cala a boca! –Mandou acertando-o com o seu leque provocando um galo em sua cabeça – Midori, o que é um absurdo? Ele certamente não começou a falar isso agora –Comentou a tennyo seriamente

— Senhorita Lin, por favor, peço permissão para morar aqui com vocês –Pediu se curvando

— O que? –Perguntou com indignação –Garota, você já está abusando da minha boa vontade! Já não basta eu ter sacrificado o meu preciso tempo te treinando para passar neste teste?! Francamente, por isso que eu não gosto de ajudar as pessoas, a gente oferece um dedo e já querem o braço –Começou a se abanar com leque

— Isso! Isso! É um absurdo! Abusam da sua bondade! –Disse Tsuchii apoiando-a animado

— Por favor, senhorita Lin, eu não tenho para onde ir! A minha mãe me expulsou de casa por eu ter passado no teste da agência e o meu orgulho não me deixa aceita a ajuda do meu pai. Ao invés disso, negociei para que ele pagasse os meus estudos até que eu me formasse. Entenda, se eu não fizer isso, não poderei provar aos detetives da agência que eu sou capaz

— Que problemão você arranjou, menina –Suspirou –Mas admiro a sua bravura. Você me lembra uma velha conhecida, uma idiota que conquistou o coração de um Shiroi por conta do seu espírito de luta e determinação

Shiroi? A tia Lin conheceu os Shiroi? Nossa, mas a Miyu havia dito que todos de sua linhagem haviam sido mortos no massacre, com exceção dela, do Fujiro e da Kaguya? — Pensou o guardião da terra –Nossa, a tia Lin deve ser velha mesmo

— Fique o tempo que acha necessário, Midori –Permitiu

— O que?! Enlouqueceu?! Trabalhamos juntos! –Disse o guardião da terra desesperado

— Isso é ótimo, poderão treinar juntos –Soltou um sorriso debochado –Agora algumas regras para convivência básica. Primeira; terminantemente é proibido entrar no meu quarto ou encostar no meu hagoromo, estamos entendidos? Esse é um manto sagrado, que envolve uma grande quantidade de energia, se acontecer alguma coisa com ele, vocês morrem –Os fuzilou com o olhar

Ambos agora engoliam seco, pois não havia nada mais amedrontador do que o olhar aterrorizante de Lin, era como se sua energia envolvesse os seus pescoços e os apertasse. Era puro terror psicológico. Ambos queriam distancia da manta que envolvia a tennyo.

— Segundo; vamos estabelecer um horário estipulado para o Tsuchii, eu e Midori tomarmos banho. Isso aqui é um esconderijo, não quero ninguém gritando porque o outro entrou no banheiro sem querer e viu o que não devia –Comentou

— Eu acho ótimo –Disse Tsuchii se virando enquanto cruzava os braços emburrado – Não tenho o mínimo interesse em vê-las sem roupa! Me poupem disso, por favor –Pediu corado

— E a terceira regra; antes de entrar no quarto, bater na porta. Quarta regra; coloquem nomes nos alimentos que são de vocês e nos seus itens pessoais. Quinta regra; cada um lava a sua roupa; então marcaremos hora para que cada um coloque suas roupas para lavar, para que assim elas não se misturem –Estipulou

— Sim –Concordaram

— Tsuchii, mostre o quarto a Midori –Pediu –Eu estou meio ocupada agora –Disse se deitando no divã e lixando as unhas

— Fazendo o quê?! Não faz nada o dia inteiro!

Não demorou para que Lin o fuzilasse com o olhar, fazendo-o se esconder, ainda que amedrontado atrás de Midori. Agora suspirando, completamente contrariado, o detetive guiava a amiga até o quarto que estava sobrando no abismo.

Ao chegarem, o mesmo abriu a porta e disse:

— É aqui que você vai ficar, seja bem-vinda

O quarto que Midori ficaria era completamente mobiliado, forrado com carpete rosa no chão. O papel de parede era lilás e as colchas da cama eram rosa pink. O acabamento da cama era dourado, assim como o acabamento do guarda-roupa. Também havia uma penteadeira no quarto.

— Uau! De quem era esse quarto? –Perguntou encantada

— Era o quarto de meditação da tia Lin –Respondeu se sentando na cama –Mas para mim tá mais para um quarto de fuga. Pode mudar a decoração se quiser –Comentou

— Eu gostei –Sorriu colocando a sua mala sobre a cama –Amei este quarto

— Tá falando sério? Não combina em nada com o seu jeito, quero dizer…ele é todo feminino e você…

— Está dizendo que o fato de eu gostar de investigar e lutar não me faz mulher?! –Perguntou aborrecida

— Bem…no teste você quebrou o nariz de um cara –Desviou o olhar

— E se não sair daqui eu vou quebrar o seu! –O expulsou do quarto aborrecida e trancou a porta

Ainda confuso, Tsuchii encarava a porta do quarto, se perguntando o que havia dado na amiga. O mesmo apenas estava sendo sincero com a mesma e a jovem o pagava daquela forma rude.

Não demorou para que o mesmo encontrasse com Lin no corredor, que agora o encarava seriamente, entregando uma carta:

— O que é isso?

— Uma carta para você, parece que vem do país das águas –Comunicou seriamente

— País das águas? –Perguntou abrindo e lendo –É uma carta da Miyu…ela está convocando os guardiões…

— Os guardiões? –Perguntou seriamente

— Quer que eu vá para lá o mais breve possível –Respondeu seriamente –Parece…que o cristal das águas se transformou em safira...o que é isso? –Perguntou encarando a tia

Como imaginei, assim como ocorreu com os diamantes, os cristais se transformaram em safiras. Isso significa que agora este mundo está sob o comando do deus supremo, Safira —Pensou a tennyo ainda seriamente –Ainda assim preciso investigar direito o que está acontecendo, não contarei nada ao Tsuchii—Pensou seriamente

Tsuchii ainda aguardava uma resposta de sua tia, afinal, o jovem desconhecia a existência de Safira, conhecia apenas a existência de Cristal e Diamante. Não demorou para que o mesmo visse a tennyo suspirar e em seguida comentar:

— Safira é conhecido por ser o deus supremo do mundo celestial –Respondeu –Tsuchii, apronte as suas coisas, não apenas você, como Midori também te acompanhará ao país das águas

— É o que?! Eu posso ir sozinho, sabia? –Perguntou emburrado

— Você é um irresponsável Com certeza vai aproveitar a falta de uma escolta e vai ficar vagabundeando por ai –Comentou jogando o cabelo para o lado –Claro, ultimamente tem andando com umas companhias que chegam a me enojar

— Claro que fica enojada, é uma velhinha –Murmurou

Neste mesmo instante, Lin envolveu o braço do jovem com o hagoromo e o puxou para si, perguntando:

— O que prefere? Que eu arrebente o seu braço ou que corte a sua língua? –Perguntou esticando-o, fazendo o sobrinho soltar um alto grito de dor

— Já entendi! Já entendi! –Gritou de dor sentindo que seus músculos estavam prestes a distender

Desta forma a guardiã antecessora ao jovem o soltou, enquanto o orientava:

— Fale com Chikaku, explique a situação e peça para que ele os libere para essa missão. Alegue que você precisam fazer uma série de pesquisas e investigações

Assim Tsuchii fez, após conversar com a tia. Avisou a amiga e logo depois ambos conversaram com Chikaku a respeito da situação do cristais que haviam se tornado safiras. Desta forma, ambos conseguiram autorização para partir em missão, em busca das sete safiras.

Agora, no quarto de hospital, no presente, após aquelas lembranças, Midori agarrava o lençol frustrada por ter falhado em parte de sua missão. A mesma sentia-se envergonhada, afinal, havia ganhado um voto de confiança de seu pai e Lin para que escoltasse Tsuchii e ao invés disso, baixou a guarda. Além de colocar em risco todas as pesquisas que haviam feito até então, Midori havia sido gravemente ferida, atrasando a missão dos demais.

Sayo agora notava no olhar da adolescente que a mesma estava frustrada por ter errado e que estava com medo das represarias que receberia. Ao notar isso, a guardiã do fogo comentou:

— Não sei que tipo de vida você levou, ou com que ideais foi criada, mas sem erros não conseguimos evoluir. A partir do momento que sempre acertamos, nós tendemos a nos acomodar nas vitórias e não buscamos por aprimoramento. Midori, você está aprendendo, não deixe isso te afetar. Além disso, não é qualquer pessoa que consegue sobreviver a um golpe do Kano, isso já diz o suficiente sobre você

— Sayo…

— Eu não tenho dúvidas que os seus pais só queiram o melhor para você; mas não se esqueça que é a sua vida Midori, você traça o seu caminho. Errar faz parte dele e aprender a lidar com ele também –Disse se levantando com um leve sorriso

Enquanto isso, no quarto de Tsuchii, o guardião da terra segurava o manto sagrado de sua tia, enquanto Akio o encarava, tentando entender o que aquele manto tinha de tão importante, para o guardião da terra se importar tanto.

Ayaka havia saído para buscar algumas ataduras para o guardião da terra, deixando ambos sozinhos.

— Esse não é um manto qualquer, Akio –Disse o jovem segurando o hagoromo de Lin – Esse é um hagoromo. Já ouviu falar sobre os seres celestiais?

— Sim, no templo –Respondeu se recordando –O sacerdote comentava ao a respeito, que é um mundo onde Cristal os demais deuses vivem junto de Safira. Neste mundo existe seres celestiais, animais, criaturas humanoides. Mas sempre acreditei que fosse uma espécie de lenda –Comentou pensativo

— Mas é real –Respondeu seriamente – Akio, preste atenção, o que eu vou te contar agora, precisa ficar apenas entre nós dois. É um segredo que eu guardo desde os três anos de idade, quando o meu pai morreu

— O quê? –Perguntou seriamente

— Abaixo do templo da terra, naquele abismo, em uma daquelas salas se localiza uma mulher, ela se chama Lin. Ela é a minha tia por parte de pai e guardiã da terra da era de Diamante e início da era Cristal

— O que?! Então é uma senhora bem idosa! –Respondeu surpreso

— Está enganado, ela mantém a aparência de vinte e cinco anos intacta –Respondeu –Isso porque ela não é uma humana e sim um ser celestial

— O que?! –Perguntou chocado

— Exatamente –Respondeu –Pelo o que ela me explicou, ela era um tennyo que foi banida do mundo celestial, porém, ela trouxe consigo esse manto sagrado, chamado hagoromo

— Hagoromo…quer dizer que é um item do mundo celestial? –Perguntou seriamente

— Sim –Respondeu –Exclusivo das tennyos. Essa manta é fonte de poder delas, sua energia vem desta manta. A minha tia foi encontrada pela família do meu pai e acolhida por eles. Os meus avós a criaram como uma filha e o meu tio e o meu pai tinha ela como irmã de sangue, muito embora não soubessem a sua verdadeira origem

— Que história –Comentou surpreso –E qual é a razão dela se esconder?

— Eu não sei ao certo, mas ligando os pontos, acho que tem algo relacionado ao Demon –Respondeu seriamente –Esse hagoromo está conectado a minha tia. Se for destruído, a Lin também será e se eu perde-lo ela nunca mais poderá lutar com os seus poderes de tennyo –Explicou

— Agora eu entendo a importância desta manta –Respondeu Akio seriamente – Quer saber? Acho que ela deve gostar muito de você para ter se separado desta manta assim, sabia? –Comentou com um meio sorriso

— Você acha? –Perguntou meio sem graça

Tsuchii ficou meio envergonhado com o comentário do guardião das águas, afinal, a sua tia nunca foi do tipo cuidadosa, sempre pegava no seu pé por todas as razões existentes no universo. Pensar que a mesma havia enviado o seu hagoromo, para envolve-lo e protege-lo, aquecia o seu coração. Ao mesmo tempo o rapaz sentia-se inútil por não ter sido capaz de proteger e vingar Midori, enfrentando Kano.

Ao ver a expressão entristecida no rosto do rapaz, Akio sabia que havia algo de errado com o mesmo, algo que não estava descendo para o guardião da terra. Desta forma, perguntou:

— O que houve? Aconteceu alguma coisa?

— Akio…eu acho melhor a Midori não viajar mais conosco –Respondeu agora encarando-o seriamente

— O que? Do que você está falando? –Perguntou o guardião das águas sem entender –Olha, eu entendo que você cometeram um erro em não perceberem que estavam sendo seguidos; mas ela é muito habilidosa, sabia? Ela está sendo de grande utilidade nesta busca, Tsuchii –Explicou seriamente

Agora o guardião da terra desviava o olhar, ainda contrariado, afinal, ele temia por Midori continua acompanhando-os naquela viagem. O mesmo não sabia razão, era algo novo, que nem mesmo ele mesmo sabia explicar o que era, mas ele temia que a mesma se ferisse novamente.

— Eu fiquei desesperado…quando o Kano a feriu –Comentou meio constrangido por demonstrar as suas fraquezas –No começo eu senti um ódio, capaz de explodir o meu peito; mas depois que eu a peguei no colo e a senti fria…me bateu um desespero enorme

— Tsuchii…

— Por um instante eu achei que iria perder ela –Respondeu virando o rosto, tentando esconder a sua angustia –Achei que não chegaríamos há tempo até a Ayaka…

Um breve silêncio se fez no quarto do hospital. Akio sabia desde o dia daquela reunião no país das águas, que Tsuchii estava apaixonado por Midori, claro, aquela implicância com a mesma, mas ao mesmo tempo um certo cuidado, era um sinal de amor.

Akio entendia que o mesmo estava com medo de perde-la naquela viagem e não o culpava. Kano era um adversário muito poderoso, ele sabia perfeitamente, afinal, o enfrentou há oito anos atrás no palácio de gelo. Ele sabia o quão arriscado era não apenas para Midori, como para todos que ali estavam.

— Deve estar me achando um idiota, não é? –Perguntou o guardião da terra cobrindo o rosto soltando uma risada sem graça e debochada –Tão melancólico, tão…

— Não tem nada errado em expressar o que sente –Cortou Akio ainda que seriamente – É natural se sentir amedrontado, acha que eu não me senti assim há oito anos atrás? Quando parti junto com a Miyu para o palácio de gelo? E olha que fui enfrentar o meu sogro que estava possesso por Demon –Riu debochado

— Sentiu medo? –Perguntou encarando-o

— Muito –Respondeu se recordando –Me lembro perfeitamente, que uma noite antes partirmos, durante a madrugada, as minhas mãos tremiam. Eu não entendi o que estava acontecendo –Riu debochado

— Como assim?

— Desde menino eu fui treinado para assumir o posto de guardião. Eu praticava com o sacerdote e com a Hazuki. Cá entre nós, quem tem uma mestra como ela, não tem muito o que temer depois de seus treinos –Riu –Mas o medo que eu senti naquela noite, não era um medo de morrer e não puder desfrutar mais da matéria, das sensações…

— Hm?

— Naquela noite, eu senti medo de morre e deixar a Harumi e a Miyu desamparada, naquele momento eu me conscientizei que eu tinha um família que precisava de mim e que sofreria muito com a minha morte. Eu temi pela vida da Miyu, muito embora eu soubesse, que se eu não passasse segurança, ela não se sentiria segurança para enfrentar Demon e desta forma acabaria perdendo a batalha –Respondeu –Quando eu soube que Demon havia me matado e que Cristal havia me revivido, eu jurei no túmulo dos meus pais, que eu não deixaria isso acontecer novamente

— E o que você fez?

— Procurei a Hazuki e pedi para que ela me treinasse novamente –Respondeu –Graças ao seu treinamento eu pude compreender melhor o que eu sentia e a verdadeira razões para eu estar treinando: me manter vivo para proteger a minha família e viver ao lado dela

— Acha que eu preciso deste treinamento? –Perguntou de cabeça baixa, ainda desmotivado

— Acho que você precisa entender o que você sente –Respondeu –As pessoas podem te dar resposta pronta, mas você só terá certeza quando você mesmo descobrir ela dentro de você

— E como eu faço isso?! –Perguntou desesperado –Como eu encontro as respostas para as minhas perguntas? Como eu sei o que eu sinto?! Akio, eu nunca temi tanto pela vida de alguém, mas não sei se reagiria assim com outra pessoa! Eu e a Midori crescemos juntos e ela sabe tudo sobre mim; mas eu me surpreendo com ela todos os dias, a última coisa que eu esperava é que ela fosse peitar o Kano! –Respondeu

— Gosta de ser surpreendido? –Perguntou já notando que o mesmo se empolgava ao contar aquele tipo de coisas –Gosta de quando ela faz isso?

— Acho que sim –Respondeu desviando o olhar meio constrangido –Quero dizer, ás vezes eu acho que ela não tem nada em mente e ela aparece com um super plano perfeito de invasão. Uma vez a gente foi para uma missão juntos e ela se ofereceu para ser isca. No começo eu não entendi, mas quando eu cheguei no esconderijo do traficantes junto com a capitã, a Midori estava lutando contra 20 deles –Comentou com um brilho no olhar –E eu pensei “Uau…quero morrer amigo dela”

— Tsuchii, eu sei que já conversei com você a respeito disso, mas agora quero conversar de homem para homem –Respondeu encarando-o –Você não acha que talvez o que você sinta pela Midori, tenha evoluído para algo a mais? Cá entre nós, mas você fica radiante quando fala dela –Comentou com um leve sorriso

— E-Esta enganado –Disse desviando o olha corado –Eu só reconheço que ela é uma mulher muito hábil…além disso… -Apresentou um expressão entristecida no rosto

— Tente procurar por essa resposta, você gosta ou não gosta da Midori –Suspirou –Quando encontra-la, ai tome a decisão que quiser. Nós não vamos intervir –Respondeu seriamente

— Akio…

Após aquela conversar com o guardião, Tsuchii começou a pensar em cima das palavras de Akio. Muito embora ele estivesse pensando em seguir o seu conselho de refletir e tentar descobrir a resposta para as suas perguntas, o detetive ainda esboçava um triste expressão em seu rosto.

O guardião das águas agora voltava a ler o seu livro, enquanto o guardião da terra deitava na cama pensativo.

Enquanto isso, na cidade da terra, na agência Rokutsuchii, agentes caminhavam entre os corredores, em sentidos opostos, prontos para realizar as suas missões, entregar os seus relatórios e caminhando até as suas salas para escreve-los.

No escritório de Chikaku, sócio majoritário da agência, o mesmo estava em uma reunião com a capitã Mei, que agora sentada na poltrona, comentava:

— E foi isso o que aconteceu, senhor

— Ah…eu entendo –Respondeu massageando a testa preocupado, ainda soltando um pesado suspiro –Mei, assim que aqueles dois chegarem na cidade, convoque-os para uma reunião, por favor

— Sim senhor –Respondeu

— Quero que convoque o detetive Chairo para outra reunião comigo, no dia seguinte, estamos entendido? –Perguntou

— Claro que sim senhor –Disse se levantando seriamente –Mas se me permite perguntar, qual a razão?

— Isso é algo que preciso tratar pessoalmente com o detetive –Respondeu –Capitã, eu sei como você se preocupa com os seus pupilos, mas ele continuam prestando serviço para a agência como detetives, isso é um assunto que eu preciso tratar com ambos pessoalmente. Principalmente com o detetive Chairo –Respondeu seriamente

— Eu entendo –Respondeu –Neste caso, com licença –Se retirou da sala