Ainda caminhando entre aqueles túneis escuros, apenas iluminados por aquelas tochas criadas por Tsuchii, o trio tentava encontrar a saída, já em posse da Safira. Enquanto caminhavam o guardião da terra refletia a respeito da conversa que havia tido com Akio a respeito de força e da luta que havia tido contra Hariken.

Será que o mesmo estava tomando decisões certas? Ou será que estava escutando conselhos errados de alguns agentes da Rokutsuchii? O adolescente encontrava confuso, aquilo despertava uma certa ansiedade, aumentando a sua vontade de tragar um cigarro.

Mas o mesmo não queria fazer aquilo na frente de Midori, afinal, a jovem não gostava do fato do mesmo fumar, também se preocupava. Sabia que escutaria um sermão da mesma, então tentou se conter, pelo menos até chegar a superfície.

Ainda ansiosos, o detetive começava a bater a mão na perna, inquieto, aumentando o ritmo, provocando Akio e Midori. Logo o mesmo começou a bater com mais força e mais rápido, até Akio soltou um grito impaciente e pediu:

— Quer parar com isso?!

— Estamos presos em um túnel! Não precisamos de batuques! –Respondeu Midori impaciente

— Eu estou ansioso! Quero sair logo desse lugar! –Murmurou inquieto

— Já devia estar acostumado com esse tipo de ambiente –Comentou Akio –Ao menos que queira fazer outra coisa lá em cima –Se referiu ao ato de fumar

— Você é insuportável, sabia? –Perguntou o detetive impaciente

Agora ambos seguiam o guardião das águas, ainda que em silêncio.

Enquanto isso, na superfície, na cidade dos tornados, o restante do grupo chegava ao templo do vento. Ao entrar no local, se deparam com um senhor, já idoso, que andava com a ajuda de um cajado.

Ao ouvir os passos da guardiã do vento, seguindo em sua direção, enquanto uma leve brisa soprava em seu rosto, o mesmo comentava:

— Menina Ayaka, como é bom recebe-la novamente

— Sacerdote, senti falta do senhor –disse a mesma soltando um leve sorriso

— Como anda o hospital? –Perguntou soltando uma gostosa risada –Com muito movimento, como sempre?

— Sim –Respondeu

— Seu espírito está abalado, menina –Respondeu abrindo os olhos lentamente, agora encarando-a –O que está acontecendo? Soube que partiu para uma missão muito importante novamente

— É exatamente por isso que eu estou aqui –Respondeu encarando-o –Os meus amigos caíram nos túneis de fuga. Um vento estranho os derrubou em um buraco… o estranho é que ouvi uma voz…uma voz conhecida me chamando…

Logo sacerdote sentiu um forte vento soprando em seu rosto e envolvendo-o. Logo o mesmo começou a rir e disse:

— Kazehiro seu brincalhão, olha o problemão que arranjou

Não demorou para que ambos sentissem um forte vento soprar, idêntico ao que derrubou os seus amigos.

— Já chega Kaze! Já basta!

— O que diabos é isso? –Perguntou Tsuki

— Depois de morto, Kaze tem usado os seus poderes para fazer as suas brincadeira –Riu – Mas se ele te chamou, menina, com certeza tem algo que ele queira mostrar à vocês

— Mostrar? –Perguntou – Ele ainda está aqui?

— Está na sua frente –Disse com um leve sorriso –Fale com o seu tio, Ayaka

— Tio? –Perguntou encarando-o de frente

Logo a guardiã do vento sentiu um forte vento caloroso envolve-la, como se estivesse sendo abraçada por alguém. A mesma não sabia explicar, mas repentinamente lágrimas começaram a brotar de seus olhos, como se o mesmo estivesse se desculpando.

— Sigam o vento que sopra, ele mostrará o caminho à vocês –Disse o sacerdote soltando um leve sorriso

O vento agora soprava em direção aos fundo do templo. Desta forma, os guardiões o seguiram e chegando em um sala com piso de madeira, viram este estalar, só em uma região. Logo todos começaram a bater no piso, verificando se não havia nenhum fundo falso.

Hikari agora batia em um piso que trazia um som parecido com um eco, como se tivesse algo abaixo daquele piso.

— Aqui! –Chamou a mesma começando tentando retirar o piso

— Isso não é um piso –Disse Taiyoo empurrando – É um uma porta de correr – Empurrou

Surpresos, ambos viram uma enorme escadaria que dava até os túneis. Uma forte ventania os chamava, como quem pedia para o grupo descer. Porém, era muito escuro lá embaixo. Desta forma Sayo foi na frente ascendendo uma pequena chama em sua mão, enquanto todos a seguiam.

— Será que estão muito longe? –Se questionou Hikari –Faz muitas horas que os três caíram

— Tenho certeza de que estão bem –Respondeu Sayo sorrindo –Não é primeira vez que caem em um abismo –Se recordou de quando caíram no abismo do templo da terra

— É verdade –Comentou Ayaka se recordando –Sem contar que o Tsuchii e a Midori treinaram em um abismo, então não há razão para se preocupar tanto

Enquanto isso, no país das neves, um menino de 7 anos caminhava entre a floresta coberta de neve, ainda entediado. Por que tinham que morar naquele fim de mundo? Longe de todos? Não era justo.

Agora alguém avistava o menino, ainda entediado. Não demorou para que o chamasse:

— Fuji!

— Senhor Renji? –Perguntou

— Pensei que estivesse treinando –Comentou o espadachim com um leve sorriso –O que houve? Não me parece muito bem –Disse soltando um descontraído sorriso

— Já estou de saco cheio das ordens da Kimi e do Eiji –Respondeu –Além disso, não é justo! Meu pai foi até o palácio e não me levou! O que eu vou ficar fazendo nesse fim de mundo?!

— Sente falta da sua prima e dos seus amigos, não é? –Perguntou rindo – Eu entendo; mas terá muitas oportunidades para vê-los, sabia? O seu pai foi para um reunião importante

— Quando eu crescer vou me mudar para o país das águas! Onde tem mar e sol!

— Gosta mesmo do clima de lá –Riu –Acho que é a companhia do Eiji

— Ele tem até tatuagens! Você também tem, não tem?! –Perguntou apontando para o seu pescoço

— E eu quase morri por causa delas –Suspirou enquanto se lembrava da bronca que havia levado da mãe por ter feito aquelas tatuagem, ainda quando adolescente – Olha, quanto tiver a idade certa, poderá fazer o que quiser, só precisa ter paciência. Nos vemos por ai –Disse passando pelo garoto

Agora o menino olhava para a frente e via o seu pai chegando de viagem. Não demorou para que o mesmo soltasse um grande sorriso e corresse em sua direção:

— Papai!

— Hm? –Perguntou Fujiro vendo Fuji agarrar a sua perna

— Senti saudades! –Disse encarando-o com um sorriso

Ainda sem graça, Fujiro soltava um leve sorriso, afinal, preenchia o seu coração ser recebido pelo filho daquela forma. Toda vez que olhava para o mesmo, por um segundo, esquecia de todas as atrocidades que cometerá durante a sua vida.

— O que está fazendo por aqui? –Perguntou agora caminhando ao lado do filho – Era para estar treinando, não é?

— A Kimi e o Eiji são muito rígidos –Murmurou –Queria que você me treinasse

— Não duraria dois dias –Soltou um sorriso debochado –Além disso, sabe que eu não tenho tempo

— Eu sei! Vive viajando... –Comentou o filho aborrecido –Não pode simplesmente fazer essas missões por aqui? É mesmo necessário ficar viajando? –Questionou

— Quando ficar mais velho você entenderá –Passou a mão na cabeça do filho, demonstrando o seu carinho

Ambos agora continuavam caminhando em direção a sua casa, onde se encontrava Kotaki. Chegando, ambos retiraram os sapatos e entraram na casa.

Animado Fuji chamou a mãe:

— Mamãe! Papai voltou!

Agora Kotaki caminhava até a entrada de sua casa, dando de frente com o seu marido que ainda sem jeito, dizia:

— Voltei...

— Bem-vindo de volta –Deu as boas-vindas ainda soltando um leve sorriso

Logo Fujiro encostou a sua katana no canto da parede e depois se sentou em frente à mesa que havia na sala. Kotaki agora servia um pouco de chá para o marido, que agora tocava em suas mãos e dizia:

— Não precisa fazer isso

— Hm?

— Não é a minha serva –Disse desviando o olhar –Eu mesmo posso fazer

— Está tudo bem? –Perguntou deixando o mesmo se servir

— Eu estive pensando...nas minhas atitudes ao longo desses anos… -Comentou encarando-a -…você está cuidando do Fuji sozinha, por conta dos meus erros, além disso, me trata como se eu fosse o seu senhor. Eu não quero viva assim…

— Fujiro…

— Você ficou do meu lado, independente das minhas decisões, você nunca saiu do meu lado. Me deu uma família, uma vida digna –Pegou em suas mãos – Kotaki, eu quero retribuir, de alguma forma –A encarou

A mesma estava surpresa com as palavras do marido, afinal, era a primeira vez que ele reconhecia a sua fidelidade. Ainda assim, o que ela fazia não era por um hábito ou obrigação, mas sim por amor.

— Voltar vivo já é o bastante –Respondeu desviando o olhar, ainda com um leve sorriso –Além de claro, se perdoar –O encarou

— Não sei se um dia conseguirei fazer isso –Respondeu ainda com pesar –Aquela cena, daquele dia, daquela noite, tenho pesadelos todas as noites. É como se fosse um castigo –Cobriu o seu rosto com suas mãos

— Fujiro, olha para mim –Pediu a mesma abaixando as suas mãos e encarando-o – Você, assim como todo o clã foram manipulados por Demon. Não tinha nada que você pudesse fazer naquela época, era apenas um adolescente

— Que não conhecia o próprio pai para saber que aquele que estava na minha frente, que me treinou, não era ele –Respondeu enfurecido consigo mesmo –Eu podia ter impedido, eu podia ter avisado os guardiões da época, alguns deles poderiam estar vivos se eu…

— Fujiro, mesmo que você tivesse descoberto o plano de Demon, não teria como evitar o que aconteceu naquela época. Você era um adolescente, o que poderia fazer contra um ex-deus? Não se culpe tanto. Está pagando por seus crimes, certo?

— Não o suficiente –Respondeu de cabeça baixa –Acho que nunca será o suficiente para pagar todo o mal que fiz a Miyu e a minha própria mãe

— Fujiro…

Enquanto isso, no país do vento, dentro dos túneis de fuga, os guardiões buscavam por Akio, Tsuchii e Midori. Já fazia alguns minutos que o grupo andava pode baixo daquele túnel em busca dos demais integrantes.

— Esses túneis não tem fim –Comentou Sayo ainda andando

— É mesma distância de um pais para outro –Comentou Tsuki – Precisamos nos apressar, sinto que como se estivéssemos sendo seguidos por alguém…

— Está tudo bem, Tsuki? –Perguntou Ayaka notando-o meio sério

— Não foi nada –Respondeu indiferente –Eu só não sou muito chegado a túneis –Respondeu tentando disfarçar a sua preocupação

O grupo agora seguia em diante, agora em silêncio, procurando pelos amigos. De repente, o grupo ouviu duas vozes discutindo:

— Eu tenho certeza que estamos no caminho certo desta vez!

— Como pode ter tanta certeza?! Já errou uma vez! Não consigo acreditar em você!

— Já chega vocês dois, antes que eu mesmo de um jeito em vocês! –Gritou Akio perdendo a paciência

Logo os demais correram, ainda seguindo as vozes conhecidas, até que deram de frente com os seus amigos:

— Tsuchii, Akio, Midori! –Chamou Sayo animada e ao mesmo tempo aliviada por estarem bem –Vocês estão bem?

— Felizmente sim –Respondeu Akio feliz por ter encontrado o grupo –Mas como nos encontraram? Como entraram aqui? –Questionou o guardião das águas

— Felizmente o Tsuki conhecia as história desses túneis –Explicou Taiyoo –Ele que nos informou que todos os templos tem uma entrada secreta para estes tuneis

— Entendo –Comentou Akio – Vejam, conseguimos a safira do vento –Entregou o saco a guardiã do fogo

— Mesmo?! –Perguntou segurando-o

— Bom trabalho pessoal! –Disse Taiyoo animada

Agora o grupo caminhava de volta para o templo do vento. Após subirem as escadarias que dava até o local, ambos se viram cercados ninjas que apontavam para os mesmos as suas lanças.

— Olhaaa…acho que temos companhia… -Comentou Tsuchii já prevendo que teriam problemas

— Nos entreguem as joias e ninguém saíra machucado! –Mandou um dos ninjas

— É mesmo? –Perguntou Midori –E quem os mandou? –Questionou debochada

— Você é muito atrevida, garotinha –Disse um dos ninjas mirando a lança em seu pescoço –Será que já entregou a sua alma a Safira? Se eu fosse você eu começaria…

Antes que terminasse a sua frase, o ninja viu a mesma agarrando a lança e encara-lo seriamente. Enfurecido com o olhar desafiador da detetive, o mesmo gritou enquanto estava prestes a ataca-la:

— Vou ensina-la a se colocar no seu lugar!

— Cuidado, Midori! –Avisou Taiyoo

Apavorados, notando que Midori estava prestes a ser atingida pela lança daquele ninja, surpreendentemente, logo em seguida, o grupo viu a mesma saltando e acertando o adversário com três chutes seguidos no rosto, derrubando-o, deixando o mesmo inconsciente.

— Quem será o próximo? –Perguntou ajeitando o óculos

Não demorou para que os demais avançassem para cima da jovem de quinze anos. A mesma agora se defendia de cada um; mas até mesmo para ela, eram muitos adversários de uma única vez. Antes que um ninja a atingisse por trás, Tsuki bloqueou o seu ataque, jogando-o para trás e acertando-o com um golpe na garganta, tirando o seu ar.

Akio agora lutava mais alguns ao lado de Hikari que os acertava com suas esferas de luz. Todos lutavam, com exceção de Ayaka, que de olhos fechados, esperava os amigos resolverem aquele problema. Não demorou para que a mesma escutasse uma voz questionando:

Ayaka, qual é o problema? Não quer se divertir? —Questionou o espírito de Kazehiro

O templo é um lugar sagrado, onde não deve existir lutas—Respondeu ao tio

Não demorou para que todos os ninjas se encontrassem no chão, completamente machucados. Sem enrolar, Midori puxou um pelos cabelos e perguntou:

— Para quem você trabalha?

— E-Eu não posso…

— Será que terei que matá-lo? –Ameaçou Tsuki pressionando a sua cabeça com as mãos, fazendo o mesmo gritar aterrorizado de dor –Isso não seria nada bom

— Eu falo! Eu falo! –Gritou apavorado –Foi o mestre Kano! Kano!

— Obrigado! –O acertou com um soco, deixando-o inconsciente

Agora todos se encontravam preocupados com o que aquele homem havia dito. Eles haviam sido mandados por Kano? Como isso podia ser possível? Kano estava morto, Akio havia matado o mesmo com as suas próprias mãos, então como podia estar vivo? Nenhum deles conseguia responder as esses questionamentos que faziam a si mesmos.

— Eu não entendo –Comentou Akio confuso –Eu matei o Kano com o Ryu no Umi, o líder dos dragões que vive no mundo celestial. Como isso é possível? –Se questionou

— Eu não entendo –Respondeu Hikari seriamente –Mas se ele está mesmo vivo, então juntar as safiras não será tão simples como imaginamos

— Além disso, não sabemos se mais algum serviçal de Demon continua vivo –Comentou Taiyoo preocupada –Precisamos nos apressar

Agora Ayaka passava pelo grupo e dizia:

— Se continuarmos parados, só vamos nos atrasar mais –Respondeu – É exatamente isso que Kano quer, do contrário, já teria nos matado

— Ela está certa –Concordou Tsuki

— Espere, menina Ayaka –Chamou o sacerdote do templo –Não está se esquecendo de nada? –Perguntou

Ayaka agora se encontrava com uma cara um tanto nervosa, temendo que o mesmo soubesse do que a mesma estava fugindo. Todos agora encaravam a guardiã, ainda sem entender o que estava acontecendo, afinal, porque a mesma estava daquele jeito? Não tinha razão, o mesmo apenas tinha chamado a mesma.

— Ayaka! Que história é essa de ter voltado e não me avisar?! –Perguntou alguém passando pelo sacerdote ainda enfurecido –Arranjei alguém para me substituir no hospital assim que soube! –Disse um rapaz cabelos castanhos e olhos de mesma cor

— Seu velho fofoqueiro…-Murmurou Ayaka corada

— Sua irresponsável –disse o sacerdote –Como volta ao país e sequer passar no hospital para ver o seu noivo

— Noivo?! –Gritaram todos chocados