Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
20 Capítulo 20: Masao, serviçal de Kano?
Enquanto Tsuchii enfrentava o serviçal de Kano, em meio a floresta, os guardiões enfrentavam as bestas, uma por uma, formando pilhas e pilhas daqueles animais irracionais que os atavam sem descanso. Sayo atirava flechas de fogo em alguns, que agora uivam, enquanto desapareciam, enquanto se reduziam à cinzas.
Já Taiyoo golpeava outros com o seu báculo, jogando-os para longe, quebrando suas costelas, colunas, impedindo-os de se levantar ou correr em sua direção.
Ayaka usava os seus ciclones para jogar uma remessa de bestas no alto, para que depois despencassem em queda livre, sofrendo um grande impacto no chão. Enquanto isso, Hikari lançava com o seu báculo, bolas de energia em outra remessa, explodindo-as.
Tsuki atacava os lobos com o seu shakujõ e utilizando selos do templo tsuki, reduzindo-os a pó, enquanto que Akio os enfrentava no combate corpo a corpo, evitando de gastar muita energia, já que por conta da energia pesada daquele ambiente, a sua já estava bastante ofuscada.
Ao notar que não teriam chances contra os guardiões, as bestas recuaram, amedrontadas, soltando uivos agudos.
— Parece que desistiram –Comentou Akio ofegante, agora limpando o suor
— Ainda bem –Disse a guardiã do fogo aliviada –Pensei que não acabariam nunca
— Precisamos nos apressar –Disse Hikari –Sinto outra energia no laboratório, está próxima de Tsuchii e Midori –Avisou seriamente
— Esperem –Mandou Mei saindo de trás de uma árvore
— Mei? –Perguntou Akio estranhando –O que faz por aqui? Veio atrás daqueles dois? –Perguntou
— Peguem –Jogou a bolsa para o guardião das águas –Aconselho a se dividirem em grupos –Encostou na árvore
— O quê? –Perguntou Akio abrindo a bolsa, sem entender onde a capitã do guardião da terra queria chegar – A safira da terra! –Disse surpreso ao ver a joia
— O que? –Perguntaram todos se aproximando, e visualizando a joia dentro da bolsa
— Precisam tirar essa joia daqui –Avisou sacando um maço de cigarro – Mas acredito que Tsuchii e Midori também precisem de ajuda –Respondeu ascendendo-o e logo depois dando uma tragada
— O que?! Eles estão bem?! –Perguntou Akio –Sentimos uma forte energia próxima à eles
Agora a capitã de ambos soltava fumaça tragada e respondia:
— Se trata de um serviçal daquele Kano, ele quer a safira. Tsuchii conseguiu ganhar tempo para que Midori tirasse a safira do laboratório, e agora ela está ajudando ele. O que eu não sei, é se aqueles dois vão dar conta de derrotar aquele adversário. Eles ainda não estão totalmente recuperados –Respondeu seriamente –Entendem isso?
Os guardiões não haviam pensado nisso, mas a capitã do guardião da terra estava certa, ambos ainda não estavam totalmente recuperados da sua batalha contra o Kano. Estavam vulneráveis a qualquer ataque.
— Ayaka, Tsuki, Taiyoo, Hikari, voltem para o hotel e protejam as safiras –Pediu o guardião das águas entregando a bolsa de Midori –Eu e Sayo possuímos magias que funcionam melhor em cooperatividade com a terra, podemos dar um assistência ao Tsuchii
— Certo –Afirmaram com a cabeça
— Nos encontramos no hotel –Disse o guardião das água
Desta forma, os grupos se dividiram, sendo que o grupo de Ayaka seguiu em direção ao hotel carregando a safira da terra e as demais safiras, enquanto que Akio, Sayo e Mei corriam em direção as ruínas do laboratório do barro.
Tsuchii agora corria do adversário que o perseguia, tentando acerta-lo com um soco. Neste instante o guardião saltou desviando do golpe do adversário, encostou suas mãos no solo, desnivelando o piso, fazendo-o subir, acertando a costela do oponente, fazendo o mesmo soltar um alto grito de dor.
Este agora juntava forças para descer daquele nível que continuava subindo, já pronto para acertar o guardião da terra com um chute na cabeça. Neste momento, Tsuchii desviou do golpe, mas em seguida teve o seu rosto atingido por um forte soco.
Ao presenciar a cena, Midori se preocupou, notando que precisava fazer algo para ajudar o namorado naquela árdua batalha contra aquele difícil adversário.
Sem demoras a mesma correu na direção de ambos, ainda com os punhos fechados, deu um alto salto e tentou acertar o oponente do guardião da terra com um soco. Desta vez a detetive acertou o rosto do mesmo em cheio, enquanto soltava um sorriso vitorioso.
Ainda sem entender o que estava acontecendo, vendo a detetive entre aquela cortina de poeira que havia se levantado, Tsuchii se perguntava o que a mesma estava fazendo ali, qual era a razão da namorada não estar levando a safira da terra para um lugar seguro? Afinal, Midori havia enlouquecido? O mesmo não encontrava outra justificativa.
Desta forma o detetive a chamou, ainda sem entender o que estava se passando:
— Midori, o que está fazendo aqui?
— Não se preocupe –Respondeu confiante se afastando do adversário –Está tudo certo, a safira está a salvo
— O que? –Perguntou sem entender como a mesma havia resolvido aquele assunto tão rápido –Espera! O que houve com o seu ombro? –Perguntou ao vê-lo sangrar
— Isso não foi nada –Respondeu com um meio sorriso
Ainda soltando uma risada debochada, o adversário caminhava até ambos, comentando:
— Estou surpreso com a interação de vocês
Agora o mesmo avançava para cima de Midori com um chute, mas a mesma desviou ainda com dificuldades, por conta do ombro que estava ferido.
Ao ver que a namorada estava sofrendo uma sequência de ataques do adversário, Tsuchii correu na direção de ambos e repousou as suas mãos no chão do laboratório, agora levantando o solo, afastando o oponente de Midori.
O mesmo agora saltada daquele pedaço de chão onde se encontrava e pousava atrás do guardião da terra, que agora se virava rapidamente tentando acerta-lo com um soco.
Seu oponente bloqueou o golpe, mas Tsuchii não se deu por vencido, tentou golpeá-lo com outro soco, falhando novamente.
— Muito inexperiente –Sorriu debochado acertando a costela do guardião da terra, fazendo-o soltar um grito de dor
— Tsuchii! –Chamou a detetive correndo até o namorado
Não demorou para que o mesmo fosse golpeado mais duas vezes no estômago, perdendo completamente o ar.
Ainda enfurecido por ter abaixado a guarda para o serviçal de Kano, o guardião da terá agora encarava o seu oponente com raiva. Neste momento, o guardião o acertou com um forte chute no peito, lançando-o para trás, ainda que de certa forma, fazendo com que o mesmo perdesse o equilíbrio.
O jovem aproveitou a oportunidade, e avançou para cima do adversário, ainda emitindo um alto gritou, acertando-o com um forte soco no rosto, e em seguida um forte chute na costela, quebrando-a.
Ofegante, o guardião caia de joelhos, ainda com a mão sobre a costela quebrada, encarando o serviçal de Kano enfurecido. Midori não demorou para correr até o mesmo para ajudá-lo.
Não demorou para que os detetives escutassem a voz de alguém chamando por eles, eram Akio e Sayo.
Ao ouvir aquela voz conhecida, o oponente dos detetives, ainda que com dificuldade, se levantou, cuspindo sangue, avisando:
— Acertaremos as contas, detetives
— Quando quiser –Disse o guardião da terra enfrentando-o
Agora o mesmo dava as costas, ainda se distanciando, entrando em um dos corredores dos laboratórios, para que assim não fosse visto pelo demais guardiões.
Akio e Sayo agora chegavam ao local, e ao ver os detetives feridos, correram rapidamente em sua direção, para ajuda-los.
— O que aconteceu?! –Perguntou o guardião da águas ajudando Tsuchii –Encontramos com a Mei, ela disse que estavam batalhando com alguém aqui dentro –Comentou apalpando a costela do guardião, ainda que com cuidado, para verificar se não estava quebrada
Tsuchii agora soltava um alto grito de dor, enquanto Akio apalpava a região quebrada de sua costela. Não demorou para o guardião da águas tirar a mão, para não causar mais lesões no local.
— Sofreu um golpe feio –Comentou pensativo –Foram quase três costelas
— Precisamos cuidar desses ferimentos –Disse Sayo ajudando-o se levantar com cuidado –Não deviam ter vindo até aqui sozinhos. É perigoso, sabiam?
— Sentimos muito –Se desculpou Midori, ajudando-a com o namorado
Sayo notou que havia algo de errado com o guardião das águas, o mesmo estava com a expressão um tanto séria, como se estivesse sentindo algo errado naquele ambiente. Talvez por se encontrarem cansados, os detetives não tenham reparado nisso, afinal, além dos ferimentos da batalha contra Kano que ainda não havia cicatrizado totalmente, ainda estavam sofrendo com a dores da batalha que travaram a pouco.
— Akio…está tudo bem? –Perguntou Sayo seriamente
— Está… -Respondeu ainda desconfiado, tentando identificar aquela energia conhecida que havia sentido próximo onde estavam localizados – Sayo, pode acompanhar Midori e Tsuchii até o hotel? –Perguntou dando as costas seriamente
— Claro –Respondeu –Akio, está realmente tudo bem? –Perguntou ainda desconfiada
— Eu só quero me certificar que não seremos seguidos –Respondeu com um sorriso, tentando disfarçar a preocupação –Logo alcanço vocês
A guardiã do fogo não sabia dizer, mas o guardião das águas parecia um tanto estranho. Será que ele conhecia o portador daquela energia? A longa distância não era possível identificar, mas se fosse uma energia familiar, com certeza ele a identificaria assim que pisassem no local.
— Vamos –Disse a guardiã do fogo levando o adolescente para fora do laboratório, ainda com a ajuda de Midori
Akio agora dava as costas para o grupo, enquanto seguia a energia do serviçal de Kano. O guardião das águas estava desconfiado de quem poderia ser, afinal, aquele golpe pertencia a uma técnica especifica do estilo Raiden.
Após o fim de seus espadachins, o país do raio começou a investir em artes marciais, abandonando a arte da espada. Como um raio que atingia o solo, o seu golpe tinha tanto impacto, que em um único golpe podia quebrar um braço em três partes.
O guardião das águas agora caminhava entre os corredores daquele velho laboratório, quase certo de quem era o autor daquele ferimento de Tsuchii.
— Já faz aproximadamente uns três anos desde aquele ocorrido…
Agora Akio se recordava de um ocorrido há três anos atrás, no palácio das águas.
O mesmo acabará de voltar com a Harumi de uma festa de aniversário. O guardião entrava no saguão do palácio, ainda com a filha adormecida em seu colo, que na época tinha cinco anos de idade.
Não demorou para que o guardião das águas começasse a escutar uma discussão que vinha da sala de jantar do palácio, que vinha de sua governanta, Mayumi, e o filho mais velho da mesma, Masao, que na época, possuía por volta dos seus quinze anos de idade.
— Eu já te avisei, Masao! Não gosto dessas companhias com quem você anda!
— Dá um tempo –Pediu se encostando na parede ainda emburrado por ter que escutar sermão de sua mãe –Os caras são legais! Não pode ser menos “certinha”?
— Conheço mais do mundo do que você, rapaz –Avisou a mesma enfrentando-o –Se continuar com essa conduta, não me deixará outra escolha, senão te mandar para o país do raio, para ser disciplinado por seu pai
— Acha mesmo que eu vou treinar com aquele homem?! –Perguntou enfurecido
— Então preste atenção no que eu vou te dizer, Masao –Disse a mesma encarando-o seriamente –Na próxima vez que um guarda da segurança das águas te trouxe até este palácio algemado como um delinquente, na manhã seguinte você vai para o país do raio viver e treinar com o seu pai, estamos entendidos?
— Você não pode me obrigar! –Gritou enfurecido
— Vamos ver se não! –Disse autoritária batendo a mão na mesa amedrontando-o –Não quer viver e treinar com ele?! Então trate de se endireitar! Faça a escolha que é melhor para você! –Passou pelo filho, caminhando até a cozinha do palácio
Ao chegar na cozinha, a mesma deu de cara com imperador, que agora a encarava, ainda preocupado:
— Está tudo bem?
— Majestade, eu sinto muito, o palácio não é lugar de resolver os meus problemas –Tentou se desculpar ainda constrangida, pegando algumas verduras, e lavando para o dia seguinte –A princesa…?
— Não se preocupe com isso –Soltou um sorriso sem graça –Voltou capotada, a deixei dormindo no quarto, e depois desci
Um silêncio incomodo se formou na cozinha, afinal, Akio sabia dos problemas que a governante, e anteriormente babá, sofria com o filho mais velho. O mesmo vivia acompanhado de más companhias, ainda bem novo, não era para menos que a mesma se encontrava preocupada.
— Eu sinto muito pelo Masao –Lamentou pegando a maçã –Talvez seja só uma fase, Mayumi –A encarou
Logo a mesma soltou um sorriso debochado, afinal, ela conhecia o seu filho, sabia que não era apenas uma fase. O seu filho mais velho sempre buscava por seu lugar ao mundo, incansavelmente.
Masao era ambicioso, tinha uma grande necessidade de provar o quão forte e inteligente ele podia ser. O mesmo não aceitava estar por baixo de ninguém, e andar com pessoas que lhe davam a sensação de poder, fazia com que o mesmo se sentisse por cima.
— O Masao não sabe o que está fazendo –Comentou a governanta lavando algumas cenouras –Acho que devia ter deixado aos cuidados do pai –Soltou um risada debochada
— Está falando sério? –Perguntou jogando a maçã de um lado para o outro –Você cuidou de nós como uma mãe, mesmo depois que o Masao nasceu
— É engraçado –Riu, agora lavando algumas batatas – Você e Amy acompanharam a gravidez de Masao, como se ele fosse um irmãozinho caçula, mesmo sabendo que não passava do filho de uma babá
— É mesmo, não é? –Perguntou soltando um leve sorriso –Mayumi, o que te fez vir para esse país? Quero dizer, você não é uma nativa do país das águas
— Bem, na verdade, os meus pais eram nativos do país do vento, mas com os ataques da tropas da luz, algumas pessoas foram obrigadas a se refugiar em outros países. No caso da minha família, se refugiou no país do raio –Explicou –Eu cresci naquele país, e conheci o pai de Masao e Meguri, Warai
— Nossa, não imaginei que fosse uma família de refugiados –Comentou curioso –Como conheceu o pai dos meninos?
— Bom, na época eu era uma menina muito travessa. Sou obrigada a admitir que os meninos me puxaram neste aspecto –Riu –Ele era aluno de um mestre de artes marciais, e estava à procura de uma arma de combate, enquanto que eu estava fugindo de uns meninos com quem eu havia comprado briga
— Você?! Conta outra –Riu –Certinha desse jeito?
— Eu arranjei muitos problemas no país do raio, principalmente com os espadachins das antigas linhagens. Eu estava sendo perseguida por alguns garotos, filhos destes espadachins. Quando eu e Warai nos trombamos, foi amor à primeira vista, na primeira troca de olhares
— Hein? E não pegaram vocês? –Perguntou curioso
— Quando eu escutei o grito de um dos garoto, eu o empurrei para o lado, e continuei correndo. Ao perceber que eu estava em perigo, ele me ajudou, chamando a atenção dos meninos. Admito que foi meio cruel, chegou quebrar a costela de um deles em três partes, apenas com um único soco
— Isso é incrível!
— Segundo ele é uma técnica do estilo raio. Esse estilo envolve força e agilidade. Uma sequência de golpes que pode quebrar o seu braço em três partes diferentes –Explicou
— Nossa! –Comentou surpreso
— Warai começou a me ensinar tudo sobre artes marciais, durante os seus intervalos dos treinos, nos encontrávamos para namorar. Mas quando os meus pais morreram, tive que partir para o país das águas, onde teria mais chances de conseguir um emprego
— Emprego?
— Se você é um guerreiro, espadachim ou tem qualquer habilidade do gênero, esse país é perfeito para você viver. Os comércios que existem, são comércios que pertencem a famílias que são passados de geração a geração. Refugiados e estrangeiros não tem mínima chance neste país, a não ser para servir ao exército de alguma forma –Explicou
— Eu já ouvi falar deste sistema do país, mas não imaginei que fosse assim até hoje –Comentou seriamente –E então você veio trabalhar no palácio? –Perguntou
— O quê? –Perguntou debochada – Já fazia uns dia que havia visto a notícia que o imperador Mizu estava à procura de uma babá para o seu herdeiro. Warai e eu vimos a oportunidade perfeita para eu conseguir uma oportunidade de emprego. Desta forma, começamos a treinar com bonecos, como se trocava, como se alimentava, como se acalmava um bebê
— Foram feitos um para o outro –Comentou impressionado –E ele te apoiou nisso?
— Montamos inclusive um currículo falso –Riu –Mas nisso de treinar para ser convincente, eu acabei aprendendo, e no final acabei ajudando a sua mãe no seu parto. Quando eles foram mortos por aquele homem, naquele mesmo dia, eu descobri que estava grávida de Masao
— Mayumi…
— De qualquer forma, acho que vou acabar mandando o Masao para passar um tempo com o pai no país do raio –Comentou secando a pia –Talvez Warai consiga impor a disciplina que eu não estou conseguindo impor. Talvez as metodologias de seus treinos o ajude –Suspirou
— Ele não vai gostar muito da ideia –Comentou –Meguri vai sentir falta dele também, afinal, o Masao é o herói dele –Riu
— É verdade; mas quando o Meguri estiver um pouco maior, pretendo manda-lo para o país do raio também. Quero que aprenda artes marciais, aprenda a lutar, para quando precisar, ter como se defender –Começou a guardar as verduras lavadas
Agora ainda caminhando pelo laboratório, pensativo, Akio seguia aquela energia, que era como se estivesse fugindo do guardião das águas. Ainda autoritário, o mesmo parava e mandava:
— Por que não para de correr e aparece de uma vez, Masao?! Eu sei que está ai!
Logo o mesmo escutou uma debochada risada, que vinha dentre um dos corredores que dava até aquele saguão onde o imperador estava localizado.
— Após tantos anos, nós nos reencontramos, imperador –Disse o jovem
— O que significa isso? –Perguntou ainda de costas para o rapaz –Sabe o quão os seus pais estão preocupados com você? Desde que fugiu da casa de seu pai? A Mayumi tem passado os dias em claro, pensando…
— Imperador, para mim pouco me importa o que eles pensam –Debochou –Agora eu tenho outras prioridades. Me entregue as safiras, por favor
— É esse o caminho que escolheu? Depois de todo o sacrifício que fizeram por você?! –Perguntou autoritário –Vai mesmo trabalhar para o inimigo do imperador que te estendeu a mão? –Perguntou seriamente
— Com todo o respeito, majestade, mas não foi o senhor quem estendeu a mão a minha família, foi o seu pai, que infelizmente não está mais entre nós –Retrucou debochado –Mas é claro, vossa majestade se sustenta em cima do nome do verdadeiro imperador das águas, Mizu Mizuno –Tentou provoca-lo
Ao escuta-lo tão debochado, afrontando-o daquela forma, Akio não tinha mais dúvidas, Masao estava sendo manipulado por alguém. Com toda certeza, esse alguém era Kano, não podia ser outra pessoa, já que o filho de sua governanta estava atrás das safiras.
Muito embora fizesse de tudo para provoca-lo, Akio estava muito bem com o seu eu interior, todos os seus questionamentos sobre si mesmo como imperador, como guardião, foram esclarecidos nos últimos treinos que teve com Hazuki. O mesmo estava mais maduro, e não eram as palavras de um menino de dezoito anos que o abalaria.
— Eu me espelho no governo e nas atitudes honrosas dos meus pais, não me envergonho disso –Respondeu calmamente –Assim como não me arrependo de manter Mayumi e dar condições para ela os criasse –Se virou para o rapaz
Masao agora soltava uma risada debochada, ainda se perguntando se o imperador estava falando sério. Sua mãe não passava de uma babá, no máximo de uma governanta, que nunca saiu do mesmo lugar, seu pai vivia para as artes marciais, afinal, o imperador fazia alguma ideia de quem estava ajudando? Era uma quase que uma piada.
— Imperador, veja quem aquela mulher criou, um bandido –Riu –Do que adiantou me mandar para o país do raio? De nada! O meu pai deixou com que eu escolhesse o meu caminho e eu escolhi seguir ao Kano! Eu quero conhecer o poder de outros mundos, não viver para servir a família real das águas –O encarou de cima para baixo
— Masao, você está apostando em um cavalo sem garantias de vitória –Avisou o guardião seriamente –Os mundos celestiais são mundos desconhecidos, mesmo que eu te entregue as safiras, não será o suficiente para que os acesse, e Kano sabe perfeitamente bem disso –Respondeu seriamente
— Mas será meio caminho andado, não é? –Perguntou –Mais força, mais poder, nunca mais ser humilhado pela elite
— Está seguindo um caminho errado –Avisou –Vai se arrepender, Masao! –Avisou autoritário ao ver o mesmo dando-lhe as costas
— Nos encontraremos novamente, majestade –Avisou desaparecendo em um buraco negro
— Masao…—Pensou Akio ainda preocupado com o filho da empregada
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