Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
21 Capítulo 21: A decisão dos detetives
Após o ocorrido no laboratório, todos voltaram ao hotel. No quarto de Akio, Ayaka cuidou primeiro dos ferimentos de Tsuchii, fazendo curativos na região da costela e colocou ataduras nos demais ferimentos que o mesmo havia adquirido durante a batalha.
Assim que terminou de cuidar do guardião da terra, a mesma cuidou do ombro de Midori, ainda que em seu próprio quarto, para evitar da detetive se deslocar com aquele ferimento.
Ao cuidar dos ferimentos da detetive, Ayaka a orientou:
— Precisa repousar, certo? Você ainda não está totalmente recuperada daquele golpe do Kano e esse ferimento fez você perder muito sangue. Precisa tomar mais cuidado
— Certo, obrigada, Ayaka –Agradeceu ainda sem graça por conta do ferimento –Como está o Tsuchii?
— Bem…ele fraturou algumas costelas, isso foi o mais grave que aconteceu com ele –Explicou –Porém, essa lesão poderia ter custado os órgãos internos dele, ele também precisa tomar mais cuidado, e se policiar
— Eu entendo –Respondeu com um expressão entristecida –Ele fez isso tentando me proteger…se eu não tivesse voltado…—Pensou sentindo-se culpada
Enquanto isso, no quarto de Akio, o guardião repousava sobre a cama, ainda se recuperando das fraturas nas costelas. O mesmo não conseguia se movimentar com a mesma liberdade de antes, por alguns dias, teria que permanecer em repouso.
Ainda deitado, imóvel, o mesmo pensava a respeito da batalha que havia travado contra Masao no laboratório. O guardião carregava uma expressão preocupada em seu rosto, afinal, diferente do que pensavam, reunir aquelas safiras não seria tão simples como haviam imaginado.
Muito embora Kano estivesse ferido, mas havia reunido um grupo poderoso de serviçais para que trabalhassem para ele. O jovem não imaginou que um lacaio de um dos serviçais de Demon, fosse tão habilidoso a ponto de causar tanto dano nele daquele jeito.
Tsuchii começava a repensar sobre a ideia da namorada continuar acompanhando o grupo naquela viagem, afinal, muito embora tivesse informações do banco de pesquisa da agencia, Midori não estava suficientemente preparada para aquele nível de combate.
Ainda assim, mesmo que ele pedisse para ela ficar, a mesma não aceitaria. Midori não aceitava ser subestimada e não aceitaria deixa-lo viajar sozinho para um missão daquelas, ainda mais na situação que ambos se encontravam naquele momento.
Por outro lado, o guardião da terra estava convencido de que a amava, e exatamente por isso não queria colocar a vida da jovem em risco, assim como colocou naquela batalha contra Kano e naquele laboratório. Ele não sabia o que Kano estava tramando, e um de seus pontos fracos era a detetive.
O mesmo agora suspirava, pensando que talvez, a melhor decisão para ambos, não fosse a mais fácil. Como guardião, ele precisava continuar a busca pelas safiras, mas não conseguiria fazer isso tranquilo, com namorada ao seu lado.
Não demorou para que o mesmo visse a detetive entrando em seu quarto, perguntando:
— Como você está?
— Melhor –Respondeu soltando um leve sorriso –E os seus ferimentos? –Perguntou curioso
— A Ayaka acabou de fazer o curativo no meu ombro –Respondeu se sentando em uma cadeira ao lado de sua cama –Sua costela está doendo muito? A Ayaka disse que mais um pouco e ele teria pego os seus órgãos internos –Comentou
— Eu ainda tenho que ficar um tempo em repouso. Aquele cara tem uma força bruta impressionante –Riu sem graça –Fazer um estrago desses só com um soco não é para qualquer um
Agora o mesmo notava que a detetive carregava uma expressão entristecida em seu rosto. O mesmo não sabia o que se passava na cabeça da amada, não sabia se a garota estava brava por ele ter se ferido, por ter sido descuidado, ou até mesmo irresponsável.
— Vamos, melhora essa cara –Tentou anima-la –Não foi a primeira e não será a última vez. Somos detetives, não é? Estamos expostos a isso o tempo todo
— Se eu não tivesse voltado, isso não teria acontecido –Disse ainda de cabeça baixa –Você se distraiu, não foi?
— A batalha já estava difícil –Respondeu suspirando –Já fazia um tempo que eu estava desviando dos golpes daquele cara, eu já estava cansado
Logo um silêncio constrangedor se formou naquele quarto, enquanto ambos desviavam o olhar, ainda sem graça, sabendo que estavam colocando a vida um do outro em risco com aquela missão.
— Sabe, eu… -Disseram ao mesmo tempo se encarando
— Pode falar… -Disse o detetive desviando o olhar sem graça
— O que você acha de darmos um tempo? –Perguntou a detetive desviando o olhar
Ao ouvir a proposta da namorada, o detetive arregalou os olhos, ainda surpreso, afinal, não esperava tal atitude vindo da mesma. Após ouvir aquelas palavras, Tsuchii ficou muito mais confuso do que antes, sem entender a jovem de cabelos roxos.
— Dar um tempo? –Perguntou encarando-a
— É –Afirmou com a cabeça –Tsuchii, muitas coisas tem acontecido nesses últimos dias, e eu andei refletindo a respeito nestes dias, principalmente nesta última noite. Eu sei que você tem prioridades como guardião, mas você é muito impulsivo. Enquanto estivermos neste relacionamento…você não vai conseguir lutar com tudo o que tem…
— O que quer dizer? –Perguntou ainda tentando entender onde a mesma queria chegar com aquele assunto
— Eu estou te atrapalhando nesta missão – Respondeu sem rodeios –Estou tirando o seu foco, você está lutando de forma irresponsável. Por outro lado também…eu não estou suficientemente preparada…
— Sua boba! O que está dizendo?! –Perguntou inconformado, tentando anima-la –É claro que está! É a mulher mais forte que eu conheço!
— Mas não forte o suficiente para uma missão dessas –Soltou um leve sorriso –E ambos sabemos disso, não é?
Um silêncio incomodo se formava no quarto, enquanto o detetive desviava o olhar, tentando assimilar onde Midori estava tentando chegar. Ele não a achava fraca, mas ao mesmo tempo, temia que ela corresse mais perigo naquela viagem; mas o detetive não queria dizer aquilo a ela, não queria que a mesma se sentisse mal.
— Midori…eu também estive pensando em darmos um tempo… -Quebrou o silêncio, agora encarando o lençol da cama –Eu te amo, mas quando eu comuniquei a capitã sobre está missão, não imaginei que Kano ainda estivesse vivo, muito menos que juntaria pessoas tão poderosas para que buscassem as safiras. Acho que nenhum de nós tínhamos dimensão desta missão
— Eu entendo –Disse a mesma de cabeça baixa – Tem razão –Soltou um sorriso sem graça
— Para todos nós o Kano estava morto, foi uma surpresa encontra-lo no país do vento –Respondeu seriamente –Analisando desta perspectiva, acho muito arriscado para você continuar viajando conosco e até mesmo…mantendo um relacionamento comigo
— O que? –Perguntou encarando-o surpresa
— Acho que o melhor para nós dois é romper por um tempo –Sugeriu –Você poderá aproveitar melhor a sua vida aqui no país da terra, quero dizer, não estará amarrada a um cara e poderá se dedicar melhor aos seus treinos –Tentou anima-la
— Eu…pensei em darmos um tempo… -Respondeu com a cabeça baixa –Mas romper assim?
— É perigoso para você manter um relacionamento com um guardião –Respondeu desviando o olhar seriamente –Eu não sei…se suportaria carregar esse fardo nas minhas costas…caso alguma coisa te aconteça, mesmo estando separados
— Então acabou? –Perguntou se levantando, ainda sem perder a postura
— Acho que é melhor para nós dois –Suspirou desviando o olhar
Logo a detetive deu as costas, caminhou até a porta e se retirou do quarto. Tsuchii agora apertava o lençol, enfurecido consigo mesmo, por tomar uma atitudes daquelas, que para ele, era uma atitude extremamente covarde.
O mesmo se questionava o motivo de não lutar pela detetive, de não lutar pelo sentimento que sentia pela mesma. O seu medo de perde-la em alguma daquelas batalhas era maior, a sua insegurança da mesma adquirir algum ferimento que trouxe consequências mais graves a amada era o que o amedrontava.
Ele não queria correr o risco de perde-la para sempre, de nunca mais ver o seu rosto, de toca-la ou escutar sua voz. O mesmo preferia sacrificar aquele relacionamento, do que deixar com que a mesma continuasse seguindo essa viagem com eles.
Enquanto isso, saindo do hotel, ainda com algumas lágrimas escorrendo em seu rosto, Midori se questionava, sem entender muito bem, as razões de Tsuchii escolher romper o relacionamento de forma tão premeditada.
A mesma sugeriu de dar um tempo, justamente para que ele pensasse a respeito do que realmente queria, mas ele sequer pensou, sequer cogitou em dar esse tempo sugerido. Será que a mesma estava atrapalhando tanto o detetive nesta missão, que o mesmo resolveu romper? Será que ela não era boa o suficiente para ele que era um guardião? A detetive se sentia inferiorizada, não enfurecida, mas entristecida.
A mesma agora caminhava até a sua casa, ainda derrubando algumas lágrimas, ainda sentida com o rompimento. Chegando, a mesma se deparou com os pais, ainda aguardando por ela na sala de sua casa.
Ao ouvir a jovem chegar, imediatamente ambos se levantaram, caminhando até entrada. Ao ver a filha com aquele lindo vestido destruído, cheia de ataduras, ainda com os olhos inchados por conta do choro, ambos começaram a se questionar sobre o que poderia ter acontecido.
— Midori, o que aconteceu? O seu vestido, o seu cabelo e onde estão as suas sapatilhas? –Perguntou Rumiko –Isso no seu vestido é sangue?
— Não foi nada, mãe –Respondeu subindo as escadas, ainda entristecida
— Midori…
Logo a esposa sentiu o marido tocar em seu ombro. Ao se virar para o mesmo, o viu balançando a cabeça negativamente, como quem pedia para ela não segui-la.
A detetive agora entrava em seu quarto, ainda chorosa. Porém, ao entrar, se deparou com a sua irmã mais velha, sentada no colchão ao lado da sua cama, ainda mexendo no celular.
Desta forma, a detetive passou diretamente pela mesma, ignorando-a, direcionando-se até o seu guarda-roupa, procurando uma camisola confortável para dormir.
Erika notou que havia algo de errado com a irmã caçula, afinal, como não notaria? A mesma estava cheia de ataduras, seu vestido estava em farrapos e seus olhos inchados de tanto que havia chorado.
Ainda assim, a irmã mais velha não queria ser invasiva, afinal, já havia passado por essa fase e sabia o que uma adolescente menos gostava era de questionamentos sobre sua vida. Se fosse fazer, faria de forma descontraída.
Logo a mesma viu a irmã separar algumas roupas, e logo em seguida se retirar do quarto. Passados alguns minutos, Midori retornou ao quarto, enrolada em uma toalha verde no corpo e no cabelo.
A mesma permanecia quieta, enquanto que por de baixo da toalha, vestias suas peças intimas. Após vesti-las, retirou a toalha do corpo, deixando à mostra a grande atadura que havia em seu estomago, surpreendendo a irmã mais velha.
— Nossa, dessa vez você se extrapolou –Comentou –Rolou de um barranco por um acaso? –Perguntou debochada
— Coisas que acontecem durante as missões, nada demais –Suspirou vestindo o sutiã ainda entristecida
— Claro, imagino que esse tipo de coisa deva acontecer o tempo todo, não é? –Se deitou de bruços sobre o colchão encarando a irmã caçula – Mas parece que o seu namorado não liga muito para isso, não é? –Perguntou com leve sorriso
— Que namorado? –Perguntou vestindo a camisola e logo depois se sentando na cama –Nós rompemos –Avisou agora penteando os cabelos
— Vocês o quê?! –Perguntou se levando chocada –Nossa, mas isso foi muito rápido! Midori, vocês começaram faz umas duas semanas e eu sei porque o papai me ligou chorando –Comentou se sentando do lado da irmã
— Eu sei –Comentou emburrada –Vai ser melhor para nós dois. Esse relacionamento não é bom para nenhuma das partes –Tentou ser reservada
— Qual é? –Perguntou encarando-a desconfiada –Escuta Midori…
— O que é? –Perguntou ainda passando a escova em seus cabelos
— Por um acaso… você e ele não fizeram…aquilo e agora você está…? –Comentou desconfiando que a mesma estava grávida
Ao ouvir tamanha besteira, a detetive arregalou os olhos, extremamente corada, sem saber como reagir, afinal, ela era muito nova para pensar nesse tipo de relação, tinha apenas quinze anos de idade.
— Claro que não! Sua idiota! Eu só tenho quinze e ele dezesseis! No que está pensando?! –Perguntou enfurecida –Eu queria dar um tempo, mas ele tomou a decisão de terminar –Se acalmou e voltou a pentear os cabelos
— O quê? Assim? De repente? Vocês pareciam tão bem durante o jantar –Comentou pensativa
— É, mas continuamos como colegas de trabalho e ele como guardião –Respondeu –Ele acha arriscado manter esse relacionamento por conta desta missão e da posição dele como guardião da terra. Muitas pessoas perigosas viram atrás das safiras, e dele, ele acha que se eu estiver junto, posso estar correndo perigo
— Me parece sensato –Comentou pensativa –Talvez esteja fazendo isso para te proteger, certo? Escuta, Midori, você não acha melhor dar um tempo por aqui? Quero dizer, você já está na agência, o papai comentou que quando ele se aposentar vai passar o setor de pesquisar para você. Podia usar esse tempo para se preparar –Sugeriu
— Me preparar?
— Olha, já foi uma grande experiência essa viagem até aqui; mas essa missão cabe aos guardiões. Você pode até ajudar, mas com fazendo pesquisas por aqui. Estamos muito evoluído tecnologicamente, sabia? Além disso, pode colecionar outros tipos de experiência, conhecer outras pessoas, outros garotos
— O Tsuchii me disse a mesma coisa –Comentou desanimada –Falarei com a Mei e o papai amanhã na agência. Dependendo, comunicarei a minha ausência a partir daqui –Respondeu com a expressão entristecida
Ao notar o desanimo da irmã, ainda concordando com a sua ideia, Erika se preocupou, afinal, assumir o setor de pesquisa era um grande passo para a mesma. Mas ela não parecia satisfeita, ainda estava incomodada com algo.
— Você gostava mesmo dele, não é? –Perguntou com um leve sorriso –Se nota que mesmo tendo um lugar de suma importância dentro da agencia, ainda não se dá por satisfeita
— Eu nunca senti o que estou sentindo por nenhum outro garoto –Comentou corada –Eu me sinto segura ao lado dele
— Eu entendo o quer dizer –Respondeu –Me responda, quando você está com ele, sente como se fossem unidos pelo destino? Como se fossem predestinados?
— Eu não sei –Respondeu com um leve sorriso –É estranho, mas eu consigo ser eu mesma. Eu não sinto necessidade de mostrar a minha capacidade para ele, porque eu sei que ele reconhece, eu sinto isso
— O que sente durante o beijo? –Perguntou curiosa – É como se o tempo parasse, não é? Como se todo o resto do mundo desaparecesse e só existisse vocês dois?
— Como você sabe?! –Perguntou surpresa, ainda constrangida, pois foi como se a irmã tivesse penetrado em sua mente –Não sei o que você tá fazendo, mas para agora! –Mandou apavorada encarando-a de cima para baixo
— Eu não estou fazendo nada –Riu –Vocês estão realmente apaixonados, Midori
— O que? –Perguntou encarando-a
— É amor verdadeiro –Respondeu com o sorriso –Sabe, não importa o tempo que se passe e com quantas pessoas vocês fiquem depois deste termino. Vocês só serão felizes um com o outro –Explicou
Agora Midori encarava irmã corada, afinal, será que isso era verdade? Será que o que existia entre ela e Tsuchii era amor verdadeiro? Será que passado um tempo, quando tudo aquilo terminasse, ambos reatariam com namoro? Aquelas palavras da irmã mais velha trouxeram um certo acalanto a detetive.
A mesma agora abraçava a irmã e agradecia:
— Obrigada, Erika
— Dá um tempo –Soltou um leve sorriso, ainda acariciando a sua cabeça –Para que servem as irmãs mais velhas?
Enquanto isso, no hotel, Akio chegava em seu quarto, se deparando com Tsuchii deitado em sua cama, tomando um suco de caixinha.
— Que palhaçada é essa? –Perguntou impaciente –Eu quero uma boa justificativa para você estar no meu quarto
— Era o único quarto disponível? –Perguntou sem graça –E o Tsuki disse que quebraria as costelas do outro lado se eu não viesse para cá
— Aquele monge folgado—Pensou Akio perdendo a paciência –Tanto faz, eu reservo outro depois. Como está se sentindo? –Sentou-se na cadeira
— Quebrado? –Perguntou ainda meio entristecido pela conversa que havia tido com a detetive
Não demorou para que Akio começasse a notar que o guardião da terra estava um tanto desanimado. Será por conta da luta que havia perdido? Ou talvez por ter deixado Masao escapar? O guardião das águas sabia que o amigo tinha o ego muito inflado, e que uma simples falha era o suficiente para deixa-lo revoltado.
— Tsuchii, você está bem? –Perguntou
— O quê? –Perguntou encarando o guardião
— Parece meio aéreo –Comentou –Está assim por causa da batalha de hoje? Escuta, aquele cara…
— Esquece isso –Pediu ainda de cabeça baixa –Eu e a Midori terminamos…
— Vocês o que?! –Perguntou surpreso –Por que fizeram isso?! –Perguntou inconformado
— E-Eu…não sei…eu não sei o que está acontecendo –Disse colocando a mão no rosto, soltando algumas lagrimas, ainda assustado –Eu não sei se tomei a decisão certa –Respondeu limpando as lagrimas rapidamente
— Tsuchii, fica calmo –Tentou acalmar o guardião da terra –O que aconteceu? Vocês pareciam tão bem…
— Eu estou com medo, estou com medo de perde-la! Eu me sinto tão covarde, eu não entendo porque a Lin e os meus pais biológico depositaram tanta confiança em mim! Eu sequer tenho coragem de enfrentar tudo isso de frente!
— O que? Do que você está falando? Tsuchii…por um acaso…a safira da terra te mostrou alguma coisa no laboratório?
— Nos mostrou tudo –Contou –Desde o dia que programaram a minha entrega para o meu tio, até o dia da destruição do laboratório. Akio, centenas de vidas que trabalhavam naquele laboratório, morreram por minha causa. Demon foi atrás de mim, e da Lin, e matou quem estava, literalmente, no seu caminho
— Não pode ser
— Inclusive, assassinou os meus pais. Chikaku sempre soube de tudo, e nunca me contou, assim como o meu pai adotivo e tio. Desde que eu vi todas aquelas cenas, eu comecei a pensar, no quanto eu estava colocando a vida da Midori em perigo. A situação mudou, Akio, os nosso adversários não são mais assaltantes de estrada, são lacaios do Kano
Ao ouvir os relatos do guardião da terra, Akio achou perfeitamente compreensível o mesmo estar naquele estado. Era muita informação de uma vez, fora os problemas que estava tendo com a família da namorada e na agência.
— Tsuchii, você se lembra do que conversamos? No dia em que você tomou aquele porre? No banheiro?
— Sim, eu estava menos bêbado naquela conversa –Comentou encarando-o
— Você é um guardião e é esperado que seja vítima deste tipo de ataques durante todo o momento. É inevitável que a Midori corra esse risco vindo com a gente, mas ela se importa com os risco? Vocês conversaram a respeito disso?
— Ela sugeriu de dar um tempo –Disse desviando o olhar –Mas eu preferi terminar. Ela acha que tira o meu foco, e que por isso eu acabo me ferindo durante as batalhas. Mas eu não ligo para isso, para ser sincero, estou até acostumado. Apesar disso, eu não quero correr o risco de perde-la também, eu não quero que aconteça a ela, o que aconteceu aos meus pais, ao meu tio, a todas aquelas pessoas daquele laboratório. Eu não sei o que eu faria, se alguma coisa acontecesse a Midori, Akio
— Tsuchii…
— Eu a amo muito –Disse derrubando alguma lagrimas ainda de cabeça baixa –Quando estávamos indo para no meio daquela floresta tenebrosa, sentindo aquela energia, quando eu a vi assustada, até mesmo com dificuldade de andar naquele ambiente, eu tentei acalma-la…
— O que?
— Eu a beijei e logo as coisas começaram a esquentar, mas foi como se estivesse conectado aos sentimentos dela –Comentou –E naquele momento, eu não sei, eu tive a certeza…é ela quem eu amo –O encarou ainda meio constrangido por estar se abrindo daquele jeito
Ao ouvir o guardião, que ainda era um adolescente, falar de forma tão madura, e ao mesmo tempo inocente, sem ao menos compreender as razões de estar sentindo àquelas coisas pela detetive, Akio se sentiu um tanto orgulhoso.
Tsuchii aos poucos estava amadurecendo, e de fato se tornando um homem responsável, começando a ter sentimentos, e sensações de um, ainda sem entender direito o que estava acontecendo.
No entanto, Akio sabia exatamente o que o mesmo queria dizer como ter certeza do que sentia por Midori naquele momento em que as coisas começaram a esquentar. Como não saberia? O guardião das águas passou exatamente pelo mesmo quando se apaixonou por sua esposa. Antes de partir para o palácio de gelo, o mesmo sentiu a mesma sensação do rapaz.
— É incrível, não é? Quando descobrimos que é amor verdadeiro, e temos certeza disso –Soltou um leve sorriso –Eu me lembro do dia em que eu tive a certeza que amava a Miyu
— O quê? –Perguntou
— No palácio das águas, logo após a cerimônia de homenagem aos meus pais –Explicou –Nós já estávamos namorando, mas nenhum de nós tinha certeza se era amor de verdade. Mas quando o dia da batalha contra Hajime foi se aproximando, eu senti medo de perde-la, da mesma forma que perdi os meus pais
— Eu não imaginei que tivesse passado por isso –Comentou surpreso –Ainda mais sendo o próprio “sogro” –Fez aspas com os dedos
— Bom, na época não sabíamos que era Demon se passando por Hajime. Mas eu disse que lutaria ao lado dela, que se fosse para morrer, que fosse ao lado dela, e naquela noite nos entregamos. Depois ela descobriu que estava grávida da Harumi, o que reforçou mais os meus sentimentos por ela
— Não sentiu medo? De perde-la? Ainda mais com uma filha?
— Eu fiquei apavorado, não conseguia dormir, milhões de coisas se passavam por minha cabeça. Mas eu sabia que precisava confiar na Miyu, assim com ela confiava em mim. E nós dois tínhamos a obrigação de voltar vivos, pela Harumi
— Uau…a história de vocês é incrível –Disse Tsuchii deslumbrado –Eu queria ter um pouco da coragem de vocês –Riu meio debochado
— Tsuchii, me responda, quando terminou com a Midori, no que pensou?
— Em protege-la –Respondeu
— Então você abriu mão do amor que sentia, para mantê-la protegida? Mesmo que isso o machucasse por dentro? –Perguntou –Acha que isso não é coragem? –Perguntou
— Eu me acho um covarde por não lutar pelo amor dela –Respondeu entristecido
— Quer saber o que eu acho? Eu acho que você está se transformando em um homem admirável, Tsuchii –Disse o guardião das águas orgulhoso –Você podia ter pensado apenas nos seus sentimentos como homem, mas priorizou a segurança da Midori, pois sabe dos riscos que ela vai estar correndo conosco. Você sabe que ela é uma garota incrível, mas também sabe que ainda não está no mesmo nível de luta que o Kano. É normal você sentir medo de perde-la, afinal, você a ama, mas acho que fez o que é certo. Eu sinto orgulho de você
— Akio…como pode sentir orgulho…? –Perguntou cobrindo os olhos enquanto chorava –Eu estou quebrado por dentro…
— E mesmo assim não voltou atrás na sua decisão –Disse colocando a mão na sua cabeça –Você é um bom garoto, Tsuchii. Acho que a Lin acertou quando te escolheu para guardião –Soltou um meio sorriso
No dia seguinte, logo pela manhã, Midori se dirigiu até a agência Rokutsuchii, junto do pai e marcou uma reunião com o mesmo e sua capitã.
Agora na sala de Chikaku, a detetive encarava a capitã, e o sócio majoritário da agência, ainda esperando a mesma começar o assunto que queria tratar com ambos.
— E então, Midori?
— Senhor! Capitã! Queria permissão para abandonar a missão das sete safiras presencialmente! –Pediu seriamente
Ainda surpresos com a solicitação da detetive, um encarava o outro, ainda se perguntando a razão da detetive querer abandonar o caso presencial. Será que estava amedrontada com o que havia visto, ou com as ameaças que os guardiões sofriam? Não, Midori não era do tipo de se acovardar.
— Posso saber a razão, detetive? –Perguntou Chikaku ainda seriamente
— Eu sinto que estou sendo um fardo para o meu colega de trabalho da área investigativa –Alegou –Seria melhor que eu ajudasse os guardiões daqui da agência. Nós possuímos tecnologia o suficiente para manter comunicação a distância, senhor. Não vejo razões de continuar nesta missão, acompanhando-os presencialmente –Sugeriu
— Entendo que as nossa tecnologias possam ser mais um recurso facilitador para o seu setor de pesquisa; mas não é o caso desta missão. Existem hackers que podem ser contratados pelo adversário, e invadir essas máquinas. O perigo seria o mesmo –Respondeu Chikaku pensativo – Exatamente por esse motivo, nós não armazenamos esse tipo de dados e informações nos computadores da agência –Explicou seriamente
— Ainda assim, senhor, sinto que não estou apta para este tipo de missão –Explicou –O guardiões tem um nível de luta muito superior ao meu, viajando ao lado deles eu só irei atrapalha –Respondeu com um nó na garganta, ainda cerrando os pulsos
Mei notou que nas palavras de Midori, haviam uma certo pesar, afinal, a garota não se deixa vencer por uma barreira, já havia derrubado tantas no decorrer da sua vida. Aquela que estava solicitando aquela permissão era a mulher apaixonada, ou a detetive? Não tinha o que a capitã questionar, já que ela conhecia os seus dois aprendizes. Aquela que estava ali, se passando por detetive, era a Midori que era apaixonada por Tsuchii.
— Solicitação negada –Disse a capitã seriamente –Seguirá nesta missão ao lado do detetive Tsuchii, presencialmente
Ao ouvir aquelas palavras, Midori arregalou os olhos, ainda surpresa com a resposta de sua própria capitã. Ela havia negado a sua solicitação? Como a mesma voltaria a trabalhar com o Tsuchii depois do que haviam acontecido entre eles, depois do que conversaram naquele quarto de hotel? Não, ela não podia aceitar aquilo, precisava arranjar outro meio de se afastar do detetive.
— Capitã, eu asseguro, será melhor para todos se eu… -Parou ao ser cortada pela capitã
— Solicitação negada, Rokutsuchii –Repetiu a capitã autoritária – Será que eu não fui suficientemente clara?
— Senhor! –Tentou apelar ao pai, ainda com um olhar desesperado
Na mesma noite que Midori retornou para casa, após aquele acidente, após ela conversar com a irmã mais velha, ele conversou com Erika, para tentar entender o que estava acontecendo com a sua filha.
Chikaku sabia que Midori havia rompido com Tsuchii, e lamentava, já que o mesmo gostava do jeito do garoto. No entanto, ambos continuavam sendo colegas de trabalho e entraram naquela missão como detetives da Rokutsuchii, prestando um serviço aos guardiões. Ambos não podiam simplesmente ignorar isso e tomarem rumos opostos por conta do término, continuavam sendo parceiros de missão.
No entanto, ambos sabiam que como dupla, àquela missão seria boa para o desenvolvimento de ambos, no quesito de confiança, segurança, cooperativadade, entre outras funções. Ambos precisavam desta experiência, desta missão, para aprenderem a lidar um com o outro. Afinal, futuramente quando Chikaku se aposentasse, ambos assumiriam a liderança dos setores de investigação e pesquisa, que trabalhavam em conjunto.
— Mantenho a decisão da capitã –Respondeu Chikaku seriamente
Contrariada com a decisão de ambos, Midori dava as costas para os seus superiores e se retirava da sala, ainda inconformado com a decisão de ambos.
Ainda caminhando em direção ao elevador, se questionando a razão da decisão da sua capitã, a mesma via parada adiante, uma agente que competiu com a mesma nos teste para Rokutsuchii.
Está tinha cabelos rosados, presos em um rabo de cavalo lateral, puxado um tom pastel, olhos verdes, iguais aos de Midori. Mas diferente da detetive, está andava sempre produzida, com o seu uniforme customizado e maquiada.
Parando ao lado da mesma, Midori permaneceu em silêncio, ainda pensando em como comunicaria os guardiões que continuaria viajando ao lado deles.
— Midori –Cumprimentou a jovem com um tom doce
— Sakurai –Cumprimentou indiferente
Agora ambas entravam no elevador juntas, ainda que em silêncio. Assim que a porta fechou, Sakurai parou o elevador, ainda notando a indiferença da detetive.
— Sabe, Midori…eu queria saber uma coisa por você –Comentou de cabeça baixa, ainda soltando um meio sorriso, meio constrangida
— Pode falar –Respondeu se questionando o que a mesma tinha para tratar com ela
— É verdade que você e o Tsuchii estão juntos? –Perguntou brincando com o seu cabelo constrangida
— Não mais –Tentou mostrar indiferença àquela pergunta
— Dizem que vocês estavam na região do laboratório do barro, certo? Naquela área restrita pelo império da terra. Um agente estava hospedado no hotel, e comentou que ele estava muito ferido…Como ele está agora? –Perguntou
— Acredito que esteja bem –Respondeu começando a estranhar aquelas perguntas –Não o vi desde o término, então não sei dizer exatamente como ele está agora. Podemos descer? Estou com um pouco de pressa –Respondeu suspirando
Não demorou para que Sakurai se virasse para Midori, ainda que seriamente, agora olhando-a nos olhos, enquanto dizia:
— Midori, eu queria te dizer, que à partir de hoje, eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para conquistar o Tsuchii. Eu gosto dele, desde o teste de seleção para detetives para à agência
Ao ouvir àquelas palavras saírem da boca daquela detetive, Midori pela primeira vez se sentiu ameaçada, sentiu medo de perde-lo para outra. Seu coração disparava, enquanto uma grande angustia, e insegurança, tomavam conta de seu coração.
Logo Sakurai deu as costas para a mesma, e apertou o botão do elevador, fazendo com que o mesmo voltasse a descer para o andar onde ambas desceriam.
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