Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
15 Capítulo 15: A declaração de Tsuchii
Uma semana se passou após a batalha contra o Kano. Já recuperados o suficiente para seguir viagem, em seus quartos no hospital no país do vento, os detetives se aprontavam, enquanto os demais os esperavam na recepção.
Agora em seu quarto, Tsuchii dava uma última ajeitada no cabelo em frente ao espelho, já pronto para seguir viagem. Já no quarto de Midori, a mesma agora amarrava os cabelos em um alto rabo de cavalo, ainda pensando no que aconteceria ao chegar no país da terra.
Não demorou para que cada um saísse do seu quarto, dando um de cara com o outro, fazendo com que os seus olhares se encontrassem, deixando ambos os corações disparados, enquanto suas fases se encontravam levemente coradas.
As mãos de Tsuchii suavam, sem saber como reagir, afinal, não estava esperando encontra-la assim que saísse do quarto. Não demorou para que o mesmo recordasse do momento que estava levando a amiga até Ayaka, quando a mesma agarrou a sua blusa e o mesmo temeu por sua vida.
— V-Você está bem? –Perguntou meio sem graça, ainda desviando o olhar
— Estou… -Respondeu meio corada, desviando o olhar constrangida –Soube do que aconteceu…você se machucou? –Perguntou
— Por sorte o manto da Lin me protegeu da queda –Respondeu sem graça –É melhor nós irmos, ou aquela mulher vai enlouquecer sem a manta –Passou indiferente pela amiga
— Tem razão –Respondeu seguindo-o
Midori agora seguia o amigo pelos corredores do hospital e enquanto isso pensava consigo como o mesmo estava estranho e distante. Parecia que ela havia feito algo para o rapaz, mas a mesma não sabia dizer o que, isso a incomodava.
Ao se retirarem do hotel, se depararam com a equipe. Ao ver que ambos estavam bem, Akio disse com um leve sorriso:
— Bom, com isso acho que podemos seguir em direção ao país da terra, certo? –Perguntou para o grupo –Tsuchii, você acha que está muito longe da saída desta cidade?
— O que? –Perguntou disperso –Ah, não! Acho que levaremos no máximo um dia para chegar –Respondeu ainda meio pensativo
Ao notar que o rapaz estava um tanto estranho, Taiyoo comentou com Hikari, ainda sussurrando:
— Ei, você não acha que o Tsuchii está meio estranho?
— É verdade, ele não está normal –Comentou Hikari –Parece tão longe…
Enquanto isso, Midori o observava, caminhando adiante, ainda meio preocupado. A mesma não entendia a razão do mesmo estar tão preocupado daquela forma, tão longe. Tudo bem que o mesmo havia se arriscado para protege-la, mas não era para ficar daquele jeito.
A adolescente agora caminhava emburrada, ainda contrariada com o comportamento do amigo. Não demorou para que uma águia pousasse no ombro da jovem, chamando a sua atenção.
A mesma viu que havia dois bilhetes na pata da ave. Desta forma, a mesma os retirou e a liberou para voltar ao local de onde havia vindo.
— Uma águia mensageira? –Perguntou Tsuchii estranhando
— É da agência –Disse ela abrindo o bilhete e lendo, agora com uma expressão de pavor
— O que foi? –Perguntou notando a cara apavorada da mesma – É muito ruim?
— Está tudo bem? –Perguntou Hikari preocupada ao notar a expressão na cara de Midori
— Acho que ela entrou em choque –Comentou Sayo cutucando-a
Logo a mesma começou a tremer e avisou o amigo:
— É da Capitã…
— Da capitã? –Perguntou o detetive indiferente –Qual é o problema?
— Ela disse…que quando chegarmos ao país da terra, para nós nos dirigirmos imediatamente a sala do sócio majoritário da agência –Respondeu de cabeça baixa –Isso não é um pedido, é uma ordem do dono da agência
— O quê?! –Soltou um grito apavorado, sentindo o chão se desmoronando abaixo de seus pés, enquanto o mesmo caí de joelhos no chão
Após o comunicado, o grupo voltou a caminhar em direção ao país da terra. Durante o percurso, Tsuchii e Midori permaneciam-se mudos, provocando estranheza nos demais, afinal, o que havia demais no sócio majoritário convoca-los para uma reunião? O mesmo podia perfeitamente querer parabeniza-los ou apenas chamar a sua atenção pelos descuidos dos últimos dias.
Ainda assim, ambos pareciam bastante apavorados, será que era porque o sócio majoritário da agência era o pai de Midori? Será que ele era tão rígido assim? O que eles sabiam é Tsuchii estava suando frio, estava amedrontado, sem saber o que fazer.
Notando o desespero do guardião da terra, Akio se aproximou do mesmo e perguntou discretamente:
— O que está acontecendo com vocês? É só uma reunião, mesmo que seja para levar uma bronca pelo ocorrido das pesquisas; mas não é para tanto
— Para a Midori, isso é o suficiente para se ficar apavorada –Explicou –Mas para mim…não é só isso Akio, esse cara me vai matar…! –Encarou o guardião das águas amedrontado, com os olhos lacrimejando
— O que? –Perguntou estranhando –Do que você está falando? Está me assustando, em que tipo de encrenca você se meteu?! –Perguntou discretamente, agora usando um tom mais autoritário, já imaginando que o detetive tinha alguma dívida com o pai de Midori
— Não é isso! –Respondeu sussurrando –Como eu vou dizer? O nosso chefe, pai dela, tem sete filha, contando com Midori. Ele é muito protetor e cuidadoso com todas. Existe um boato que ele coleciona as mãos de cada homem que tentou encostar em uma de suas filhas
Ao ouvir tal história absurda, Akio começou a rir, soltando lágrimas de seus olhos, até ficar com dor de estômago, abraçando-o, enquanto continuava caminhando, ainda perguntando:
— V-Você tá falando sério? Você acredita mesmo nisso?
— Para de rir! Eu não quero pagar para ver! E a Midori é a última que sobrou, o tesouro precioso dele, intocado. Se ele descobrir sobre o beijo, da noite que passamos no mesmo quarto, dividindo a mesma cama, do que o Kano fez com ela, Akio, não será apenas a minha mão, eu vou ser esquartejado e exposto a praça pública como exemplo! –Sussurrou desesperado
— Está exagerado –Disse parando de rir –É claro que ele vai ameaçar qualquer um que se aproxime das filhas dele, eu como pai faria o mesmo; mas acredito que na prática seja totalmente diferente
— Eu não quero pagar para descobrir
Ao ver Tsuchii tão amedrontado com o chefe, Akio começou a ligar os pontos, da possível razão do mesmo não assumir o amor que sente pela detetive. O mesmo fazia de tudo para disfarçar esse amor e esconde-lo, mas sempre acabava manifestando-o de alguma forma, em algum momento de espontaneidade. Será que o guardião da terra tentava esconder esse sentimento por medo do pai da jovem? Será que o mesmo tinha medo da reação do pai de Midori ao receber a notícia de um possível relacionamento entre eles? Akio estava quase certo que era está a razão de Tsuchii não se declarar.
— Tsuchii, você não se declarou para Midori por vergonha, não é? –Perguntou encarando-o desconfiado –Foi por medo do seu futuro “sogro”
Agora o detetive abaixava a cabeça, violentamente corado, suando frio, enquanto Akio continuava:
— A sua reação diz mais do que mil palavras –Suspirou –Até quando pretende ficar nisso? Se gosta dela, devia lutar, sabia?
— Eu luto contra o Kano por ela; mas lutar contra o próprio pai –Disse amedrontado –Akio, aquele cara é desumano, ele…ele…
— Escuta aqui, hoje à noite você vai se declarar, me ouviu?! –Disse autoritário –Quero que você a chame para um canto e diga tudo o que sente uma vez, sem enrolação! Se você não fizer isso, quem vai acabar com você sou eu. E acredite, quando eu fico nervoso, eu sou bem pior que a Miyu –Estalou os dedos ameaçando-o
Ao ver Akio estalar os dedos daquela forma, com aquela expressão amedrontadora, Tsuchii soltou um fino grito amedrontado, ainda se encolhendo amuado no canto de um árvore, balançando a cabeça positivamente, suando frio.
Atrás de ambos, estava Midori, observando a cena, se questionando o que os guardiões estavam fazendo. De qualquer forma, para a jovem aquilo não era importante naquele momento, a única coisa que a preocupava naquele momento era o comunicado que sua capitã acabará de enviar.
Já quase que na metade do caminho, agora ao cair da tarde, o grupo parava em um trecho da floresta para acampar.
Assim que acenderam uma fogueira, Sayo começou a preparar um ensopado para os amigos jantarem, afinal, estava ventando um pouco naquela região, uma sopa os aqueceria um pouco antes de dormir.
Enquanto isso, os demais conversavam em volta da fogueira, enquanto que Tsuchii encarava Midori, sem saber como chama-la para conversar, afinal, era algo extremamente constrangedor expor os seus sentimentos daquela forma, ainda mais para ela.
Automaticamente a ansiedade começou a tomar conta de seu corpo e o mesmo começou a balançar a perna, ainda nervoso, pensando o do porquê estava passando por toda aquela situação.
Ao ver tamanha ansiedade do guardião da terra, Akio suspirou, notando que o mesmo não conseguiria fazer aquilo sozinho, que precisava de um empurrão. Neste momento, o guardião das águas passou pelo rapaz e disse discretamente:
— A leve até o lago
— O que? -Olhou para trás, ainda sem entender
Não demorou para que Akio chamasse Hikari, ainda que surrando. Ainda discreta, a mesma caminhou até o guardião das águas, seguindo-o até uma árvores, perguntando:
— O que houve?
— Eu preciso de um favorzinho –Disse com um sorriso travesso
— “Favorzinho?” –Perguntou desconfiada
Não demorou para que o guardião das águas começasse a explicar o seu plano para a guardiã da luz, que agora entendia, apoiando totalmente a sua ideia.
— Pode contar comigo, Akio! –Invocou o cetro
— Obrigado, Hikari –Agradeceu com um leve sorriso
Desta forma, a guardiã se caminhou até região do lago, se posicionando no local combinado com Akio, escondida entre as plantas, próxima a margem do oposto onde os jovens estariam. Enquanto isso, Akio saltava para o alto de uma árvore, próximo de onde o casal estaria, para auxilia o detetive em uma emergência.
No acampamento, Tsuchii chamava Midori, ainda dando um leve tapinha em seu ombro, sussurrando:
— Vem aqui
— Hm? –Perguntou olhando para trás, estranhando o chamado do amigo
Não demorou para que a mesma se levantasse da pedra e o seguisse até o lago. Não demorou para que ambos se sentassem em um tronco de árvore que havia de frente para o mesmo, ainda dando espaço a um silêncio constrangedor.
— E então? Está nervosa? –Perguntou encarando o lado, ainda no meio daquele breu –Sabe que quando chegarmos na sala dele, vamos levar uma bronca que nunca levamos até agora –Comentou meio angustiado
— Ele me deu uma chance de provar que eu podia mostrar para ele o contrário –Respondeu angustiada –Se a capitã relatou a ele o que aconteceu no país do vento, ele não pensará duas vezes antes me deixar encarregada do centro de pesquisa, trancada naquela sala! Porque ele não confia em mim? –Perguntou encarando-o angustiada
Tsuchii jamais imaginou que em algum dia da sua vida, veria a amiga tão angustiada quanto estava vendo naquele momento. O rapaz podia ver o desespero transparecer em seu olhar, de certa forma, pedindo por sua ajuda, questionando o que faria, sem esboçar isso através de palavras.
O mesmo sabia que a relação de Midori com a sua família era complicada, mas não que era tão delicada desta forma, ao ponto dela temer um comunicado. O mesmo não conseguia entender a razão de tratarem a filha daquela forma, afinal, Midori sabia tomar conta de si própria, a última coisa que precisava era de proteção.
— Eu não sei –Respondeu puxando-a para um abraço, ainda encostando a cabeça em seu ombro –Porque eu te acho incrível -Confessou
Naquele momento, Hikari usou a sua magia de guardiã da luz, liberando pequenos fragmentos de luz que agora voavam na direção do lago, iluminando-o, criando um clima mais romântico para os detetives.
O coração de Midori estava a disparado, enquanto que sua face se encontrava extremamente corada, afinal, ambos estavam bem próximos. A mesma conseguia sentir o calor do jovem, que agora permanecia calado, ainda sem saber como agir depois do que havia dito.
Era a primeira vez que ambos se encontravam em uma situação como aquela, pela primeira vez, seus sentimentos estavam falando mais alto do que as suas razões. Ambos não pensavam nos comentários, nas consequências que aquilo poderia gerar depois, só estavam se deixando guiar por aquele novo sentimento que crescia dentro de seus corações.
Do alto da árvore, Akio observava os adolescentes sentados no tronco da árvore, ainda calados, sem dizer uma única palavra. O mesmo sabia que Tsuchii precisava dar continuidade ao que havia iniciado, se não Midori começaria a desconfiar.
— Vamos lá, Tsuchii…você está indo bem—Pensou Akio apreensivo observando-o
Ainda com a cabeça repousada sobre o ombro do detetive, Midori se questionava o que Tsuchii queria dizer com aquelas palavras. Será que era apenas um consolo? Claro que era, não tinha como ele se interessar por uma garota como ela.
Ainda convencida que o mesmo disse aquelas palavras apenas para anima-la, Midori sabia perfeitamente que a única forma de ficar tranquila com aquela situação e suprir as suas dúvidas, era perguntando diretamente ao detetive, com quais intenções ele disse aquelas palavras. Desta forma, para mesma seria menos doloroso.
— Por quê está dizendo isso? –Questionou ainda com a cabeça repousada em seu ombro
— Hm? –Perguntou sem entender –Como assim?
— Eu quero saber…porque você disse que eu sou incrível? –Perguntou encarando as luzes sobrevoando o lago
Neste momento o adolescente sentiu um frio na espinha e deu uma olhada para os lados, nas esperança de Akio aparecer como em um toque de mágica, para ajudá-lo a sair daquela situação constrangedora.
Não demorou para o guardião da terra sentir uma frutinha voar em sua cabeça e ao ver de onde estava vindo, ainda que internamente comemorou, por ver o guardião das águas sobre a árvore, apoiando-o.
Tsuchii agora encarava o amigo, como quem perguntava o que devia responder, totalmente perdido. Ainda sobre a árvore, Akio apenas balançou as mãos, empurrando o dedos pra frente, sinalizando para o mesmo continuar, dizer o que estava sentindo.
— Bem…é que você é mulher mais inteligente que eu já conheci –Respondeu pensativo –Além disso você é muito habilidosa –Comentou
— É só isso? –Perguntou desapontada
Ao ouvir a mesma dizer essas palavras com um tom de decepção, o guardião da terra começou a suar frio, encarando Akio novamente, agora com um olhar de desespero. O guardião das águas agora abaixava as mãos e sussurrava:
— Calma…
Agora o mesmo se virava para frente e pensava em algo para anima-la. O mesmo precisava concertar o erro que havia cometido.
— O que eu quero dizer… é que as meninas do colégio, por exemplo, por mais que sejam bastante atraentes, desenvolvidas, mas são burra como uma porta –Tentou anima-la
— Está dizendo que eu não sou atraente? –Perguntou escondendo o seu rosto no braço do detetive, ainda constrangida, começando a se sentir magoada –Quer dizer…que você só me vê como uma detetive? –Perguntou
Sobre a árvores, Akio passava a mão no próprio rosto, tentando pensar em algo para concertar aquela besteira que o guardião da terra havia dito a Midori, por inexperiência. Logo algo veio em sua mente.
Tsuchii agora encarava Akio apavorado, que agora mexia em sua mecha de cabelo, alisava seu próprio rosto, apontava o dedo para os próprios olhos, sinalizando para o mesmo começar a elogiar o que gostava na amiga.
— C-Claro…que não! –Disse nervoso –Você também é um baita mulherão! –Respondeu ainda desesperado
— É o quê?! –Perguntou Midori começando a ficar nervosa, se levantando a cabeça de seu ombro – O que você disse?!
— N-Não! Eu quero dizer que você é bonita! Eu gosto dos seus olhos! –Respondeu nervoso, ainda com medo de ter estragado tudo
— Dos…meus olhos…? –Perguntou encarando-o corada –Mas…os meus óculos ofuscam eles… -Comentou surpresa com o elogio do detetive
Desde que Midori começará a usar os seus óculos, ninguém elogiava os seus olhos. Sua mãe insistia para que a mesma usasse lentes de contato, para que os óculos não ofuscassem a beleza de seus olhos, afinal, de todas as filhas do casal, Midori havia sido a única que tinha herdado os olhos verdes da mãe.
Já Tsuchii, ao ouvir tamanha besteira sair dos lábios da detetive, a encarou com um doce sorriso e disse:
— Como é boba. Acha mesmo que um óculos pode ofuscar a beleza destes olhos?
Completamente corada, a mesma o encarava de volta, sem resposta. Naquele momento, os seus olhares se encontraram, fazendo com que ambos os corações disparassem. Tsuchii não sabia a razão, mas por algum motivo, o mesmo não estava com medo de tomar uma iniciativa.
Desta forma, ainda meio corado, o mesmo se aproximou dos lábios da detetive, que agora fez o mesmo, repousou a sua mão sobre as mãos dela e a beijou. Midori fechou os olhos, correspondendo, agora segurando a sua mão, ainda corada.
Ao se separarem, ambos abriram os olhos corados, afinal, era a primeira vez que ambos haviam ficado voluntariamente. Desta forma, o detetive segurou o seu rosto com carinho e disse:
— Eu gosto de você, Midori
— Eu também, Tsuchii –Respondeu com um doce sorriso, ainda feliz, por aquele sentimento ser reciproco
— Você…quer…ser…minha namorada? –Perguntou desviando o olhar constrangido
Surpresa com a proposta do detetive, Midori o abraçou, aceitando:
— Sim!
Ao ouvir o mesmo fazer tal proposta, ainda de braços cruzados, o guardião das águas assentiu com a cabeça, sinalizando que o detetive estava indo pelo caminho certo. O mesmo sentia-se orgulhoso do homem que Tsuchii estava se tornando, ainda que aos poucos.
Não demorou para que o mesmo visse Hikari pousar, ainda que sutilmente, ao seu lado, comentando com um leve sorriso:
— Parece que o seu plano deu certo
— Ainda bem –Sussurrou –Ele cresceu rápido, não é? E pensar que quando o encontramos era apenas um moleque –Soltou um meio sorriso
— Um dia não estaremos mais aqui para guiar a futura geração; mas ele poderá fazer isso –Comentou –Acho que o Tsuchii seria um bom guia futuramente
— Com as coordenadas certas –Deu as costas soltando um leve sorriso, observando o casal abraçado
— Vou voltar para o acampamento. O ensopado da Sayo já deve estar pronto –Respondeu dando as costas ao guardião
— Tem razão, eu também vou –Disse seguindo-a –Acho que agora já podemos deixá-los sozinho
Logo os guardiões desceram da árvore, deixando o casal a sós, retornando ao acampamento. Agora abraçado no meio da floresta, sentados sobre aquele tronco, Tsuchii brincava com algumas mechas de cabelo de Midori, enquanto que a mesma acariciava uma de suas mãos.
— O que você quer fazer agora? –Perguntou o detetive ainda brincando com o seu cabelo – Vamos contar para o pessoal do nosso namoro?
— Acho melhor esperar –Respondeu –Amanhã chegaremos a cidade do barro, podemos aproveitar e comunicar primeiro a minha família. O que acha? –Perguntou encarando-o
— A-A sua família? –Perguntou amedrontado
— Eu sei que parece meio ultrapassado, mas acho justo –Respondeu –Além disso, desde que saí de casa, eu não vejo as minhas irmãs, seria a oportunidade perfeita –Comentou empolgada abraçando o seu braço
Enquanto a mesma comentava empolgada, Tsuchii só conseguia pensar na reação de Chikaku, ao saber que o mesmo estava namorando a sua caçula. Anunciar isso em um jantar de família, seria a oportunidade perfeita para o chefe esquarteja-lo na frente da família e deixa-lo como exemplo para os futuros namorados das irmãs.
— O que você acha? –Perguntou encarando-o
— D-Do que? –Perguntou encarando-a ainda apavorado
— De jantarmos na minha casa no fim de semana? –Perguntou com um doce sorriso –Podemos conversar com o pessoal. Eles podem tirar um dia para descansar ou se quiserem, procurar pela safira da terra
— Se eu disser não…ela pode ficar muito magoada, mas se eu for…eu sequer tenho um sucessor —Pensou apavorado – T-Tudo bem… -Riu sem graça
— Obrigada, Tsuchii! –O abraçou animada, ainda surpreendendo-o –Eu pensei que você iria se recusar logo de cara, por conta dos boatos que os agentes contam sobre o sócio majoritário. Você é o melhor namorado do mundo –Deu um doce beijo em sua bochecha, fazendo-o corar
Tsuchii não sabia explicar o que estava sentindo naquele momento, mas era bom, será que era aquilo que os adultos chamavam de amor? Ele sentia vontade de proteger a namorada, de passar a noite abraçado com ela naquela floresta, beijando-a, acariciando o seu rosto, os seus cabelos, elogiando-a. O mesmo também gostava de sentir os toque da mesma, eram confortantes, algo que o detetive nunca havia sentido em toda a sua vida.
Alguns minutos depois, ambos retornaram ao acampamento, jantaram junto dos demais, mas sem comunicar nada sobre o namoro.
Logo após o jantar, Sayo apagou as chamas da fogueira, para que o grupo fosse dorme. No dia seguinte, assim que se levantaram os guardiões e Midori se aprontaram para seguir viagem.
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