Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

16 Capítulo 16: A reunião com Chikaku


Enquanto isso, na cidade do barro, andando entre as ruas, uma mulher bastante elegante, cercada por guarda-costas. Está tinha cabelos longos e roxos, enquanto que seus olhos verdes, penetrantes, agora encarava um folheto da agencia Rokutsuchii.

Atrás da mesma, fãs que gritavam por seu nomes, ainda que desesperados, pedindo por um autografo, afinal, aquela que estava passando por aquelas ruas, não era qualquer mulher, era uma modelo muito famosa na indústria da moda, Rokutsuchii Rumiko.

A mesma agora ignorava os fãs que a seguiam e gritavam por seu nome, ainda entrando no carro. Dentro do mesmo, a modelo se encontrou com a sua assessora, que agora a notificava sobre os seus compromissos da semana, enquanto a mesma a observava a rua, ainda com o olhar perdido.

— Algum problema, Rumiko?

— Nenhum –Respondeu suspirando –Voltaremos para estúdio para a sessão de fotos, não é? –Perguntou

— Rumiko, eu sei que nestes últimos meses você não tem parado de pensar na sua filha que saiu de casa –Comentou a assessora –Eu sei que essa situação é difícil para você, mas precisa resolver isso, antes que transpareça nas fotos. Você é uma profissional, pode ter problemas com o cliente –A orientou

— Eu sei –Suspirou –Eu sempre consegui criar as minhas filhas como princesas; mas a Midori, ela é uma linha fora da reta, Haruhi

— É uma menina e tanto –Riu –Mas o que esperar? O pai fundou uma agência de detetives e o avô era um tenente do exército da terra

— A Midori não imagina o quanto que eu tive que lutar para chegar onde eu cheguei –Comentou encarando a rua –As irmãs dela, sempre se encantaram pelas passarelas, mas a Midori é igual ao pai dela…

— Mas não fica feliz com isso? Afinal, você e Chikaku lutaram muito por esse amor –Comentou anotando algumas coisas em sua agenda –Olha que enfrentar um tenente do exército, não é para qualquer um

— Quando comunicamos que eu estava grávida da Erika, ele quis me arrastar até o hospital, para que eu a abortasse –Contou –Neste dia, Chikaku o enfrentou, me tirou da casa do meu pai e desse dia em diante começamos viver juntos. Satoru nos ajudou em tudo, era um bom amigo para Chikaku –Soltou um leve sorriso

— Eu me lembro do dia em que a Erika nasceu, você estava começando a sua carreira de modelo, com o apoio do Chikaku –Recordou –Naquela época, ele e Satoru abriram a Rokutsuchii, que está no mercado até hoje. Escuta Rumiko, talvez seja melhor deixar a Midori trilhar o próprio caminho, assim como vocês trilharam o de vocês –Aconselhou

Rumiko agora soltava um olhar preocupado, afinal, a mesma cresceu ao lado de um tenente. Sabia como eram as coisas nesse tipo de ambiente, durante a sua infância e adolescência, a modelo escutou homens debochando das mulheres que prestavam serviço em seu meio. Palavras de baixo calão, como se fossem pedaços de lixo insignificantes.

Não era essa a vida que a modelo queria para a sua filha caçula, na verdade, ela queria que todas as suas filhas fossem tratadas como verdadeiras princesas, coisa que ela mesma nunca foi, antes de conhecer Chikaku.

— A Midori é uma menina, Haruhi –Comentou –Ela não conhece as maldades do mundo, como eu conheci

— Rumiko…

Algumas horas depois, o grupo chegava a cidade do barro. Ainda na entrada, todos observavam o grande movimento de carros transitando entre as ruas, enquanto pessoas circulavam pelas ruas da cidade, conversando, visitando comércios ou até mesmo consumindo algo dos comerciantes de rua.

— Nossa que movimento –Comentou Taiyoo soltando leve sorriso –É tão diferente do país do sol

— A cidade evoluiu bastante nestes últimos anos –Comentou Akio observando o movimento –Quem diria?

— O que vamos fazer agora? –Perguntou Hikari seguindo o grupo que voltava a caminhar entre as ruas –Procurar um hotel?

— Não seria uma má ideia –Respondeu Sayo morrendo de dor no pescoço por ter dormido de mal jeito na floresta –Preciso urgente de um banho quente e uma cama macia –Massageou o pescoço

Atrás dos demais, ainda que discretamente, Tsuchii segurava a mão de Midori, fazendo-a corar violentamente. Não demorou, para que a mesma segurasse a sua mão, ainda olhando para frente, soltando um doce sorriso.

— Está com medo?

— Um pouco –Respondeu –Mas com você eu me sinto mais segura –Respondeu envergonhada

— Eu também –Respondeu constrangido

— Quer ir agora? –Perguntou

— Pode ser –Respondeu desviando o olhar

Agora ambos soltavam as suas mãos, agora se recompondo da vergonha de estarem demonstrando, de certa forma, os seus sentimentos em público.

Não demorou para que se juntassem aos demais integrantes do grupo. Ainda caminhando junto destes, Tsuchii comunicou:

— Nós estamos indo para a agência, depois me passem onde estão hospedados. Provavelmente eu vou dormir no templo, tenho que resolver algumas coisas por lá

— Tudo bem –Respondeu Ayaka –Nos vemos mais tarde

Não demorou para que Akio o puxasse pelo pescoço, fazendo um cafuné em sua cabeça enquanto sussurrava em seu ouvido:

— Indo para a agência sozinho com ela? Para onde vão depois desta reunião?

— Ai! Não é dá sua conta! –Respondeu tentando se soltar

— Me conta vai! Anda!

— Tá! Tá! –Respondeu sussurrando – Nós vamos para um jantar…na casa dos pais dela –Respondeu corado

— O que?! –Perguntou surpreso –Quer dizer que é mesmo sério?!

— Vamos comunicar para toda a família…incluindo o pai… -Respondeu de cabeça baixa –Eu não estou preparado para isso…mas…

Ao notar o quão nervoso o adolescente estava com a tal reunião na casa dos futuros sogros, Akio soltou um leve sorriso, entendendo perfeitamente o nervosismo do mesmo. Não demorou para que o guardião das águas o soltasse e disse:

— Relaxa, vai ficar tudo bem

— O quê? –Perguntou

— Você é um bom garoto, acho que qualquer pai teria sorte de tê-lo como genro –Disse dando um meio sorriso –Boa sorte!

— Obrigado, Akio –Agradeceu soltando um leve sorriso

Não demorou para que o casal se dirigisse juntos até a agência Rokutsuchii. Ao chegar, ainda que um ao lado outro, sem dar as mãos, ambos entraram, notando os demais agentes encarando-os enquanto faziam diversos comentários.

Inúmeras possiblidades se passavam pela cabeça dos adolescentes. Será que já estavam sabendo do ocorrido no país do vento? Será que já estavam sabendo do seu relacionamento? E se isso já tiver chegado aos ouvidos do agente majoritário? Ambos agora começavam a ficar mais nervosos do que antes.

Não demorou para que ambos entrassem no elevador que levaria ao andar da sala de Chikaku. Ainda dentro do mesmo, Midori apertada o botão com o número do andar, perguntando ao namorado:

— E então? Como você está?

— Nervoso –Respondeu apavorado

— Tenho algo para te propor

— Quer dar para trás agora?! Quer terminar?! –Perguntou desesperado

— Não –Apertou o botão parando o elevador –Eu sei que estamos prestes a levar uma baita bronca pelo o que aconteceu no país do vento. Mas Tsuchii, acredite, meu pai é compreensivo, ele vai aceitar o nosso namoro –Tentou convence-lo

— O quê?! Quer contar para ele agora?! –Perguntou apavorado –Midori, ele já vai estar enfurecido!

— Ele só vai chamar a nossa atenção e ele não vai matar ninguém –Riu –Você devia temer a minha mãe

— E-Eu não posso fazer isso! Não! –Balançou a cabeça negativamente –Midori…não precisamos fazer esse comunicado, temos uma missão!

Logo a mesma bateu o pé enfurecida, fazendo o mesmo se calar imediatamente, ainda colocando as mão na cintura. Tsuchii agora engolia seco, pois se via entre a cruz e a espada. Ele gostava da detetive, mas a mesma não sabia da conversa que ele e seu pai haviam tido. Por outro lado, se não falasse com o pai da mesma, seria o namoro mais curto de toda a sua vida.

— E-Eu…estou assustado… -Confessou desviando o olhar corado

— Assustado? Com o que? –Perguntou curiosa –Com a bronca?

— Com a reação do seu pai ao nosso namoro –Respondeu ainda constrangido

— Ele é assim com todas as filhas –Tentou acalma-lo –Mas sempre acaba aceitando. Se conversarmos com ele agora, no jantar ele pode nos ajudar com a minha mãe –Soltou um sorriso

— Você é tão confiante –Suspirou –É de dar inveja. Tá, você venceu –Se deu por vencido

Logo a mesma apertou o botão do elevador para que o mesmo continuasse subindo. Ao chegar no andar desejados, ambos se retiraram e caminharam em direção a sala de Chikaku. Não demorou para que ambos vissem, sua capitã caminhando em sua direção, ainda carregando algumas pastas em seu braço:

— Detetives

— Capitã Mei! –Cumprimentaram em formação

— Boa sorte –Disse passando por ambos, ainda que indiferente, deixando-os apavorados

Ainda amedrontados, ambos caminhavam até a sala do pai de Midori, trêmulos. Logo Midori bateu na porta, anunciando:

— Detetives Rokutsuchii e Chairo

— Podem entrar –Respondeu

Intimidados, ambos entraram, se colocando um ao lado do outro em frente à mesa do superior, que agora se levantava, ainda que seriamente, colocando os braços para trás.

— Detetive Rokutsuchii Midori, se apresentando!

— Detetive Chairo Tsuchii, se apresentando!

O mesmo agora encarava os dois detetives, ainda que seriamente, criando um suspense. Não demorou para que o mesmo notasse que o lábios da filha estavam um tanto corados, assim como o de seu parceiro, trazendo-lhe um pouco de desconfiança.

Logo o mesmo pegou a pasta com o relatório que sua capitã havia apresentado a respeito do ocorrido no país do vento. O mesmo olhava para as anotações e os encarava, ainda que seriamente, deixando-os mais angustiados.

Não demorou para que o sócio majoritário da agência fechasse a pasta, enquanto soltava um suspiro de decepção e enfim comentasse:

— A sua capitã me apresentou os relatórios da sua última missão no país do vento. Não só foram seguidos por seu adversário, como colocaram uma importante pesquisa em risco, além de colocar as suas próprias vidas. O que tem a me dizer a respeito disso? –Perguntou autoritário

Agora ambos continuavam em silencio, ainda de cabeça baixa, escutando os sermões:

— Essa missão é de alta importância, detetives –Avisou seriamente –Qualquer informação vazada colocará em risco, não apenas a nossa agência, o nosso país, mas sim, o nosso mundo. Desde o início da era Cristal, esse tipo de assunto foi tratado com extremo sigilo e vocês quase entregaram isso de bandeja ao nosso adversário. Me admira que um guardião tenha cometido tais erros –Deu as costas para ambos

— O Tsuchii não teve culpa! –Respondeu Midori –Eu sou a encarregada pelas pesquisas, era a minha função verificar o perímetro! O erro foi meu!

— É mesmo? –Perguntou se virando para Midori

— O sócio majoritário está certo, Midori –Disse Tsuchii seriamente –Justamente por ser encarregada pela pesquisa, a sua única função era está, quem devia ter checado o perímetro, era eu, que faço parte da equipe de investigação. Se teve alguém que não exerceu a sua função, esse alguém fui eu –Assumiu a responsabilidade

Chikaku continuava suspeitando daquela cooperatividade entre ambos. Mas o que estava acontecendo? Um tentando salvar o outro de uma punição? Isso não era do feitio de nenhum dos dois que brigavam sempre que podiam. Havia alguma coisa errada.

— Como se não bastasse isso, ainda enfrentaram um adversário com habilidades muito superior a de vocês –Suspirou – Me digam, há mais alguma coisa que queiram me contar? –Perguntou encarando ambos de braços cruzado

Neste momento, Tsuchii gelou, enquanto Midori desviava o olhar um pouco corada. Ao notar que havia algo de errado, o detetive confirmou, havia algo a mais, o mesmo só esperava que não fosse o que estava pensando.

O silêncio tomava conta da sala, enquanto o mesmo encarava os detetives. Logo o mesmo largou a pasta sobre a mesa, se aproximou de Tsuchii e perguntou:

— Qual é razão de estar tão nervoso?

— Permissão… -Pediu Midori –Permissão para me dirigir ao sócio majoritário como pai!

— Permissão concedida –Permitiu ainda encarando Tsuchii tentando amedronta-lo, enquanto o guardião da terra se encontrava igual uma pedra de gelo –Diga de uma vez, sem enrolação. Já notei que tem algo muito atípico entre vocês

— Pode se afastar um pouco? Preciso olhar para você –Suspirou

— Então é importante? –Perguntou se encostando na mesa e cruzando os braços –Só um minuto, acabei de voltar de uma missão, minha arma está suja –Pegou o revolver e começou a limpa-lo

Tsuchii sentia seu coração a mil, era como se a qualquer momento o mesmo fosse morrer. Suas mãos suavam, enquanto o mesmo se lembrava da conversa que havia tido com o pai da namorada a respeito da proibição do namoro entre eles.

— Pode continuar, querida –Pediu limpando a arma

— Papai, eu e Tsuchii estamos namorando –Comunicou sem mais delongas

Ao ouvir o comunicado, o mesmo arregalou os olhos, ainda encarando a arma, polindo-a. Tsuchii se encontrava amedrontado, sentia que a qualquer momento seria o seu fim. O mesmo não sabia o que esperar do futuro sogro, afinal, ele era imprevisível, isso era o que lhe dava muito medo.

Já Midori, agora o encarava seriamente, esperando uma resposta do mesmo, ainda em meio aquele silêncio.

— Namorando, hein? –Perguntou carregando a arma novamente com as balas – Sabe uma coisa que eu prezo em um homem, Tsuchii? A palavra –Mirou na cabeça do detetive

— Se você tem um plano, é bom usá-lo agora –Sussurrou Tsuchii suando frio –S-Senhor…eu posso explicar…

— Que tal explicar do acordo que quebrou? –Perguntou se aproximando do mesmo –Depois discutimos sobre a minha aprovação

— Acordo? –Perguntou Midori sem entender

Midori agora se encontrava confusa, afinal, do que o seu pai estava falando? A mesma não entendia ao que o mesmo se referia quando dizia que prezava a palavra de um homem, quanto mais ao que se referia ao acordo.

Tsuchii por sua vez tremia, sem saber como reagir, estava prestes a ser assassinado por seu chefe, sogro e melhor amigo de seu pai. Se o mesmo tivesse alguma forma de distraí-los, usaria disso para sair em disparada daquela sala.

— Comece a falar –Mandou o sócio

— Quando você entrou na agência…eu tive uma reunião com o seu pai. Nesta reunião, entramos em um acordo…para que eu não te pedisse em namoro e sequer olhasse para você…

— O quê?! –Perguntou surpresa –Que significa isso? –Perguntou olhando para o pai

— Eu acho…que meio…que sempre gostei de você, Midori –Confessou o namorado –Desde que nos conhecemos. Eu nunca conheci uma garota tão inteligente e bonita como você. Antes que eu mesmo notasse, o seu pai notou que eu tinha um interesse diferente por você

— Ele estava sempre lá, em todos os seus treinos, torcendo por você –Contou –Mesmo que escondido. E não apenas nos treinos, nos corredores, atrás das árvores, ele estava interessado!

— Tsuchii –Chamou a mesma emocionada e levemente corada

— Eu não posso permitir que arrisquem a carreira de vocês desta forma, por conta de um relacionamento –Respondeu cruzando os braços –Ainda mais na idade em que estão, não tem um pingo de maturidade para administrar essa situação

Agora Tsuchii abaixava a cabeça, já dando por perdido o seu relacionamento com a detetive. Não teria a aprovação do pai dela, ele sabia que o mesmo não mudaria de opinião, era muito firme em sua palavra.

— Está mentindo –Respondeu nervosa – Não é por causa disso que não quer dar a sua aprovação

— Me respeite, Midori! –Mandou o mesmo ainda com medo de ter sido pego em sua própria mentira

— Está fazendo isso porque eu sou a única princesinha que restou das sete filha! –Respondeu nervosa –As demais já estão casadas, namorando e a única que ainda estava solteira era eu! Sua protegida, que estava de baixo da suas asas!

— I-Isso não tem nada a ver! –Tentou disfarçar –Está delirando, Midori –Cruzou os braços

— As gêmeas estão fazendo intercambio no país do raio e eu estou morando no templo da terra. Você está com síndrome do ninho vazio! –Respondeu

— Está muito linguaruda! Não estou gostando do seu tom de voz!

— Não pode controlar a minha vida! Eu também estou crescendo! –Respondeu nervosa, enfrentando-o

Ainda se encarando enfurecidos, com o mesmo olhar de afronta, ambos se negavam a dar o braço a torcer. Chikaku conhecia a sua caçula e sabia que assim como ele, ela não voltaria atrás em sua decisão. Desta forma, o mesmo suspirou, tentando se acalmar e disse:

— Por que não pode ser como as suas irmãs? Tinha que ser alguém da agência e ainda mais um guardião? –Perguntou massageando a testa –Midori, corujinha, até aqui eu tenho apoiado você na sua carreira, em morar no templo da terra…mas isso…

— Eu simplesmente não consigo entender –Disse a mesma enfurecida –Afinal, o Tsuchii não é o filho do seu melhor amigo? Isso devia ser mais um motivo para que você confie nele! Eu gosto dele!

— Vocês são novos demais para entender certos assuntos -Levantou a cabeça para o alto, buscando paciência, ainda soltando um pesado suspiro

Tsuchii sabia que havia algo de errado naquele comportamento do pai da namorada. Por alguma razão, o mesmo não queria permitir o namoro de ambos, mas não era por qualquer motivo. Estaria ligado aquela certidão que o detetive havia encontrado em sua mesa? O mesmo estava disposta a esclarecer isso.

— Se o senhor nos explicar, talvez nós pudéssemos entender –Respondeu Tsuchii seriamente, ainda enfrentando-o –Senhor, eu amo a Midori e não pretendo desistir dela sem um motivo convincente

— Quer dizer que criou coragem para abrir a boca? –Perguntou debochado –Que corajoso

— Não se trata de coragem, se trata de estarmos sendo alvo de uma injustiça –Respondeu seriamente –Nossas vidas pessoais não tem ligação nenhuma com a Rokutsuchii. Quando a Midori te comunicou do nosso relacionamento, foi como filha e não como detetive

— Vocês não vão conseguir se controlar –Respondeu –Esse sentimento ainda vai colocar a vida de vocês em risco

— A nossa ou a de Midori? –Perguntou seriamente

— Está querendo uma suspenção, detetive? –Perguntou Chikaku se desencostando da mesa e se aproximando do jovem –Isso não seria nada bom para a sua missão

— Independente da sua suspenção, eu continuo sendo um guardião e tenho a obrigação de reunir as joias. A Rokutsuchii está fazendo uma cortesia, mas eu não tenho vínculo nenhum ou tenho? –Perguntou enfrentando-o

— Onde quer chegar? –Perguntou seriamente –Detetive, para o seu próprio bem, não procure demais

— Tarde demais –Disse sacando a certidão de nascimento –Agora me responda, quem é Yama?

Ao ver o documento nas mãos do detetive, Chikaku arregalou os olhos seriamente, sem saber com reagir. Jamais imaginou que aquela certidão que havia perdido estaria em posse do detetive. Desta forma, o mesmo o arrancou das mãos de Tsuchii, questionando:

— Onde conseguiu isso?

— Quem era Yama? –Perguntou seriamente –Pelo o que consta neste documento, nesta certidão de nascimento, onde está registrado o meu nome, o meu pai se chamava Chairo Yama

Midori agora cobria os seus lábios chocada com a informação. Afinal, o que estava acontecendo? Como o seu pai sabia daquela certidão do seu namorado e como Tsuchii não era filho de Satoru? Tudo estava muito confuso.

— Tsuchii, você cometeu um furto –Disse Chikaku seriamente –Esse documento estava na minha mesa

— Então admite?

— Está se comportando como um delinquente!

— Quero resposta! Respostas de quem eu sou! Eu quero a verdade! A verdade do porque eu não posso namorar a Midori! –Respondeu enfurecido –Quem era Chairo Yama?!

— Não importa o que diga este documento, Tsuchii –Respondeu –Satoru te amava como um filho. É melhor que as coisas continuem como estão

— Então ele não era o meu pai?

— Tsuchii, quer ser maduro? Então me mostre a sua maturidade agora –Pediu seriamente –Me mostre que pode controlar os seus impulsos e se acalmar. Se conseguir me mostrar isso, então te darei a aprovação amanhã, diante da Midori e da Rumiko. E te prometo, que te esclarecerei todas as suas dúvidas

O detetive estava inconformado com a atitude do sogro; mas maior do que a vontade de descobrir sobre o seu passado, era o seu amor por Midori. Ele desejava a aceitação daquele namoro mais do que qualquer coisa.

— Midori…acho melhor voltar para casa –Respondeu o detetive dando as costas para ambos –Não quero causar mais problemas para você

— Tsuchii –Chamou a mesma

Midori não sabia o que estava se passando na cabeça do namorado, mas imaginava o quão confuso o mesmo estava. Não apenas confuso, como ferido, afinal, o mesmo admirava o seu pai, sempre ouviu de todos da agência o quanto Satoru era incrível. Descobrir que este não era o seu pai, devia estar sendo um baque para ele.

Não demorou para que Midori seguisse o detetive, deixando o pai sozinho no escritório. Ainda entre os corredores, a detetives seguida o namorado, chamando-o, enquanto o mesmo continuava caminhando, aparentemente, enfurecido:

— Tsuchii!

— Midori… -Parou em um corredor pouco movimentado

— Está tudo bem, eu estou com você –Disse acariciando o seu rosto com carinho –Eu não entendo o que está acontecendo, mas você não precisa passar por isso sozinho

— Obrigado, Midori –Agradeceu dando um leve beijo em seus lábios, deixando-a extremamente corada – Mas eu preciso ficar um minuto sozinho –Deu as costas para a mesma

Tsuchii?—Perguntou a mesma estranhando a sua reação –É estranho…parece que ele…não está sendo ele mesmo…—Viu o mesmo pegando o elevador sozinho

Não demorou para que o detetive entrasse no elevador, descendo até a recepção da agência. Chegando, o mesmo se direcionou até saída.

Agora caminhando entre as ruas iluminadas pelos postes da cidade do barro, Tsuchii caminhava até um banca que tinha não muito distante de onde estava. O rapaz comprou um maço de cigarro e caminhou até uma praça.

Chegando, sentou-se em um banco, sacou um cigarro do maço e o ascendeu com um isqueiro. Não demorou para que o mesmo desce uma tragada e logo soltasse fumaça, ainda com o olhar entristecido, pensando nas palavras do chefe.

O detetive estava extremamente confuso, não sabia o que pensar, como agir, estava apenas seguindo a sua intuição, para não afetar o seu relacionamento com Midori. O mesmo a amava mais do que qualquer coisa, por isso preferia mostrar a Chikaku que podia agir com maturidade, mesmo sendo apenas um adolescente de dezesseis.

Muito embora tentasse, em meio toda aquela pressão, o seu vício pelo cigarro era maior. Naquele momento de fúria, a única coisa que o mesmo pensava, era em dar uma tragada para se aliviar, para conseguir raciocinar.

Enquanto isso, em um hotel da cidade, Akio lia um livro deitado em sua cama, dentro do seu quarto. De repente o guardião é interrompido pelo toque de seu celular, questionando-se quem ligaria para o mesmo naquele horário, afinal, já era de noite.

— Alô? –Perguntou após atender

— Akio, sou eu, Midori –Disse a adolescente que ainda estava na agência, ainda com a voz meio preocupada

— Midori? –Perguntou colocando o livro sobre a cama e se levantando –Está tudo bem? –Perguntou notando que a mesma estava um tanto desanimada

— Akio…para falar a verdade…eu estou preocupada com Tsuchii –Confessou –Conversamos com o meu pai hoje e acabamos em uma discussão

— Eu lamento, Midori –Suspirou –Acho que ele só precisa de um tempo, é normal se sentir assim por não ter a…

— Não foi isso, Akio –Explicou –É que chegamos em um assunto mais delicado do que o nosso relacionamento. O Tsuchii…eu não entendo o que está acontecendo, mas ele disse que achou a certidão dele na mesa do meu pai e começou a fazer perguntas. Eu não sei o que está acontecendo com ele, desde essa discussão, ele não tem sido ele mesmo –Começou chorar no telefone

— Midori

— Eu estou com medo…eu tenho medo que ele faça alguma loucura –Disse preocupada –Ele não demonstrou raiva, fúria, absolutamente nada, estava interpretando, para não me deixar preocupada…eu sei

— Entendo –Disse pensativo –Não se preocupe, irei atrás dele. Deixe o Tsuchii comigo, te garanto que amanhã ele estará melhor –Tentou tranquiliza-la

— Obrigada, Akio –Agradeceu

— Procure descansar –Pediu soltando um meio sorriso

— Certo, nós vemos amanha

— Até

Não demorou para que ambos desligassem o celular. Sem demorar, Akio calçou os seus sapatos e se retirou do quarto.

Ao sair do hotel, o mesmo começou a usar as suas habilidades de guardiões para localizar a energia do amigo. Durante meia hora, Akio ficou procurando o amigo por toda a cidade, mas não conseguia encontra-lo, ficando-o apreensivo a cada minuto.

Tsuchii, onde você está?—Se perguntou o guardião das águas seguindo a sua energia até um beco muito suspeito –Onde você se meteu? Seu idiota…

Conforme ia andando, Akio ia sentindo a energia do guardião da terra se aproximar cada vez mais, até ficar de frente a um bar, que já estava caindo aos pedaços.

Esse lugar? Mas ele não tem…ao menos…claro, uma identidade falsa—Pensou entrando

Ao entrar no local, Akio se deparou com um ambiente totalmente deprimente. Vários homens bêbados, se confrontado, gritando uns com os outros, lançando mesas. Quando o mesmo pisava no chão, podia sentir o taco da madeira se soltando, prestes a abrir um buraco a abaixo de seus pés.

Naquele lugar também haviam homens acompanhados de prostitutas, estes trocavam beijos e carícias ardentes e ao se separarem consumiam mais drogas e bebidas.

Não demorou para que o guardião das águas avistasse o amigo rindo junto de um amigo, aparentemente um pouco mais velho, completamente bêbado.

— Dá para acreditar? Nossa! O gosto disso é horrível! –Comentou Tsuchii rindo –Mas deu certo

— Eu te falei –Riu

— Tsuchii –Chamou o guardião das águas seriamente –Vamos, precisamos de você –Chamou

— Hm? –Perguntou o adolescente –Akio! Veio beber também?! Essa não! A Miyu descobriu do cachorro?! –Perguntou gargalhando

— Já chega, vamos voltar agora mesmo –Disse pegando-o pelo braço

— Me solta! Para de me tratar como se eu fosse um menino! –Gritou ainda bêbado –Eu já sou um homem! Será que ninguém percebe isso?!

— Já chega –Mandou pausadamente, um pouco mais autoritário – Eu não quero discutir com você

— Então vai embora! –Gritou enfurecido –Para de se meter na minha vida!

Neste momento, Akio o acertou com um soco no rosto, surpreendendo-o. Tsuchii estava completamente fora de si, afinal, quantos copos o mesmo havia virado? Como tinha parado naquele bar? Aquilo não foi algo casual. O guardião das águas não sabia, mas sentia algo estranho emanando daquele amigo do guardião da terra.

— Precisamos ir embora! Se quer beber, faça isso outro dia! –Respondeu puxando-o pela gola da camisa

— E-Ei…! Você não manda na minha vida! Ei!

— Se continuar reclamando eu te dou um banho gelado no meio da rua! –Disse enfurecido –Como vai ser?! Vai ser da forma mais fácil ou mais difícil?! Quer fazer isso no hotel ou na rua?!

— Eu quero mais um copo –Riu –Deixa de ser chato

Estou achando que devia ter trazido a Miyu junto—Pensou com a veia saltando de sua cabeça –Ela tem pulso firme para isso

Agora Akio apoiava o guardião da terra em si e começava a caminhar pelas ruas da cidade do barro, até chegar ao hotel.