Os 5 Eu's De Nero

1 Capítulo I - E o sol nasce na cidade


Notas iniciais
Prólogo que dá início a história, espero que gostem! :D

E se a sua realidade não fosse à única realidade? E se houvessem infinitas realidades, todas correndo ao mesmo tempo. Onde cada uma de suas ações, poderiam te levar a novos gamas de opções? No fim, é tudo uma questão de escolha. E sobre a cumplicidade? Também, basta que esta seja mútua. Acasos às vezes nos pegam, nos debilitam, mas o que realmente importa é a resposta que damos à tudo isso.

Por isso as pessoas não fazem a menor idéia de como seria um encontro com elas mesmas. Elas não sabem o quanto isto poderia lhes ajudar para com as experiências que ainda virão. Mas, a maioria delas não suportaria... Não é mesmo?

Como dito, tudo na vida é uma questão de escolha. As suas, as dos seus amigos, as dos seus inimigos... Isso tudo num caldeirão. E a que prevalecer, é a que fica. Não existem meias verdades, mas existem mentiras convincentes. De uma coisa você pode ter certeza: Sempre existe um responsável. E é assim que começa a nossa história...

– Você já se sentiu um fracassado? Eu já. É assim que me sinto agora. E por mais que aquela conversa de politicamente não frustrado diga para não me sentir assim, é assim que me sinto.

– Por que você se sente um fracassado?

– Bem... Já passei dos vinte, meu trabalho não é reconhecido, não sou rico, nem famoso, não tenho um porsche e nem uma TV de 60 polegadas em casa. Acho que isso já diz um pouco sobre o meu insucesso.

– (Risos) Quais são as maiores dificuldades da profissão hoje em dia?

– É o conceito. Eu sou um “artista”, vivo da arte. A arte está diretamente ligada à transformação da inspiração, talento e esforço em obra. É disso que as pessoas hoje em dia se esqueceram. Elas picham um muro, entortam uma liga de aço e saem dizendo que é arte. Enquanto isso, pessoas que demoraram meses para terminar um quadro com proporções sobre-humanamente exatas, são vistas simplesmente como a ralé do mundo artístico.

– Bem colocado... Nossa! Isto já é mais que suficiente para o meu trabalho! Obrigada pela entrevista, Nero. — Com um sorriso no rosto, disse Renata.

– Poxa, de nada.

– E boa sorte, seu trabalho é incrível, não sei como você ainda não foi reconhecido.

– Ah, hahaha. E pra você também. Quem sabe um dia eu não consiga a minha TV? Talvez o porsche, ou algo do tipo. — acompanhado de um sorriso irônico, afirmou.

No dia de sua apresentação, Renata estava ansiosa, ansiedade essa superada vide a aprovação que percebera somente ao olhar para o resto de seus colegas. Sua professora também se mostrou encantada com o depoimento do jovem artista, e com sua crítica ao mundo artístico atual. Ao fim das atividades, a sala já estava quase vazia, e um pouco suja. Havia sido um longo dia de apresentações nas quais houve diferentes trabalhos sobre diferentes temas. O melhor é que tudo havia ido bem, apesar disso, Cássia percebera que Renata estava um pouco distraída.

– Ele é bem "apresentável" amiga!

– É sim, — disse Renata.

– Mas você sabe não é? Meus pais nunca aceitariam que eu namorasse alguém que não tem um porsche, ou uma TV de 60 polegadas. – Afirmou.

– Nossa, por quê? O que há de errado com ele? Nero conversa super bem, é interessante, e seus trabalhos têm talento.

– Uau, se você diz! Por acaso você não (...) – “Não!” — Antecipou Renata, antes que Cássia pudesse fazer algum comentário.

Lá longe da faculdade estava Nero, jovem pintor, escultor e até escritor. Sua especialidade eram as esculturas, mas ele também pintava telas, desenhava e escrevia. Recém-formado em artes, nunca se viu fazendo outra coisa, ainda que o que fizesse não lhe desse tanto conforto quanto desejasse. Seu plano era objetivo:- Abrir uma galeria de arte e expor seus trabalhos, mas não somente os seus. Abrir espaço para pessoas que segundo ele, eram verdadeiros artistas. Nero nunca concordara com o modelo de arte atual, ele buscava inspiração nas raízes, nas pinturas antigas de Da Vinci e Sanzio, nas esculturas gregas e romanas, e no passado glorioso que a arte já havia possuído.

O caminho estava claro: juntar algum dinheiro. Para isso, precisaria trabalhar nem sempre com o que gostaria. "Quando estiver lá em cima, posso ter o direito de escolher, mas, enquanto estou aqui embaixo, todo trabalho me será digno" – Era o seu lema... Mesmo que não fosse dotado de um espírito politicamente correto, Nero fazia o seu melhor, à sua maneira, tentando não pisar nos alheios. Todavia, por natureza, tinha um comportamento imprevisível, com certa dose de agressividade e confiança, típicos de alguém que aparenta saber o que quer e como chegar lá... (...) Ainda que houvesse certa pitada de teimosia em sua personalidade.