Os 3

1 Um amor fatal, vazio e incompreendido


Os três estavam transbordados.

A incompreensão andava de mãos dadas com Jane, a garota de cabelos longos e cor de cobre. Apesar de tantos erros, tinha a fiel companhia de Oliver e Julian. Dois primos que eram versados em um imenso Vazio e Fatalismo.

O mais velho dos três, Julian, não levava a vida muito a sério. Seu desanimo com a vida e a inimizade com os sentimos era o que fazia Os 3 ficarem juntos. Seu par de olheiras demonstrava a falta de sentido na vida e suas expressões homicidas revelava o enorme ego que compunham o rapaz de cabelos negros e bagunçados.

O ultimo e menos importante era Oliver, um garoto de olhos castanhos e cabelos cacheados caído sobre o cenho que sempre estavam franzidos. Alguém vazio e nulo suficiente pra ter o azar de não ter morrido nas sete tentativas de suicídio. Sua imprudência sempre fazia com que suas atitudes se transformassem em uma angustia incontrolável.

Era preciso revirar o mundo de cabeça pra baixo pra entender o amor dos 3.

Os rapazes e a moça dividiam um apartamento de dois quartos no centro de Porto Alegre. Tudo era compartilhado entre os 3, principalmente a cama sem cabeceira que ficava encostada na janela.

Qualquer um denominaria o outro quarto de biblioteca, mas Os 3 tinham aquele lugar com refugio.

A sala não é um lugar espaçoso, mas comportava um sofá de canto. Era o lugar preferido de Jane. Com uma xícara de café no colo, um bom livro nas mãos e a companhia dos garotos a fazia se sentir incrivelmente bem.

Já o banheiro era o conforto de Oliver. Sobre a água ele era capaz de crer que o mundo era perfeito e que nunca mais sentiria angustia.

O ambiente tinha um forte odor dos cigarros que Oliver tragava quando Jane estava na Universidade. Ela odiava o fato que o garoto fumasse, principalmente por tamanhos problemas de saúde que ele adquirir nas tentativas imaturas e egoístas de tentar acabar com a dor. Sempre que o pegava no ato o ignorava por algumas horas.

Com quase uma década de diferença, Julian trabalhava como roteirista em seu segundo curta metragem.

Quando ele não estava na cama encarando o teto, se encontrava na biblioteca e usava a pequena mesa rústica que ficava em um canto mais iluminado por uma vidraça para escrever alguns poemas que demonstravam desespero, raiva, cansaço e dor.

Em uma madrugada vazia, Oliver já estava deitado em seu lugar na cama usando um gorro de lã cinza. Ele pensava nas coisas que Jane havia lhe dito em uma briga recente. A janela que ele encarava tinha as cortinas abertas e mostrava o vidro embaçado por causa do frio e a chuva fina que havia parado de cair a alguns minutos. Julian, que estava na outra ponta da cama sussurrava alguns trechos de música que estava a tocar em seus fones de ouvido.

A garota que estava com um moletom preto estampado com um triângulo verde virado de cabeça pra baixo havia parado na porta do quarto cabisbaixa. Seu sorriso que sempre era triste, dessa vez estava pior.

A briga que ela tivera com Oliver a estava corroendo.

— Eu amo vocês. — Ela disse enquanto caminhava até a cama.

— E por que você me ama? — Incerto se queria dormir ao lado de sua namorada ele se virou de bruços encarando seu primo que havia sussurrado pra ele manter a calma.

— Eu amo vocês porque vocês são meus, eu amo vocês porque vocês precisam de amor. Eu amo vocês porque quando vocês me olham eu me sinto uma heroína, sempre foi assim. Eu amo vocês porque quando eu sou tocada por vocês me sinto mais mulher do que qualquer outra.

— Eu também amo vocês. — Os primos suspiraram.

— E porque vocês também me amam? — A garota havia se deitado entre os dois.

— Eu amo você porque quando eu te toco eu te faço sentir mais mulher do que qualquer outra. —Julian riu se arrumando na cama e deixando os fones de lado.

— Eu te amo porque quando eu te amo porque nunca poderão nos acusar de amor. — Oliver olhou pro primo. Ambos namoravam a mesma garota e nutriam entre si um sentimento inocente ao mesmo tempo em que picante.

— Eu te amo porque você poderia amar qualquer outra pessoa, mas mesmo assim nos ama. — Julian acariciava a bochecha de Jane.

— Só a vocês. — Oliver sorriu e foi beijando por seus amores.

Quando Os 3 não conseguiam se livrar de uma historia, eles não se importavam de atear fogo sobre ela, de deletar, esquecer e recomeçar a escrever novamente, com três novos olhares, três novos sorrisos e um único amor.

Os três transbordavam novamente, mas dessa vez não era por incompreensão feminina, nem por um vazio monótono e muito menos por um fatalismo diário. Transbordavam de amor.