Os Últimos De Nós
6 Capítulo 6 - Uma Gota de Aprovações.
Notas iniciais
Desculpem a demora, como o site estava em manutenção sábado resolvemos postar só hoje.
Esperamos que gostem do capítulo!
Boa leitura! (:
Capítulo 6 – Uma gota de aprovações.
– Qual seu nome? — perguntou Taylor indo em direção à porta da frente.
– Mary. Mary Hawkins. — respondeu a mulher sorrindo.
Taylor e Megan correram até a porta da frente e saíram.
A garotinha estava calada nos braços de Megan, mas a morena estava com dificuldades para carregar a bebê, então Taylor tomou-a de seus braços e tentou apoiar Megan.
– TayTay, como vamos sair daqui? A Mary foi distraí-los, mas mesmo assim não conseguiremos passar pela porta... Há muitos deles no beco. – Disse Megan desesperada enquanto cambaleava um pouco.
– Talvez devêssemos ignorar esse beco e sair por trás... Afinal, de onde ela poderia ter entrado se trancamos a porta do beco?! Vamos Meg, não temos muito tempo aqui. – Disse Taylor enquanto puxava a mão de Megan e seguia pelo corredor. As três viraram à direita e encontraram uma porta aberta que dava para uma rua quase vazia, exceto por dois walkers que se arrastavam perto de uma lixeira. Taylor e Megan se entreolharam e correram para o final da rua, onde avistaram uns dez walkers, pelo o que puderam contar. Mais a frente avistaram o ônibus de Joseph descendo a rua e atropelando vários walkers.
– JOOOOOOOSEPH, AJUDE AQUI! – Gritou Megan. Alguns walkers levantaram suas cabeças horripilantes e começaram a se arrastar na direção delas, mas Joseph atropelou a maioria e parou com tudo na frente das garotas.
– SUBAM, SUBAM! VAMOS! – Gritou ao abrir a porta. Cerca de quatro walkers lideravam uma horda atrás delas, que subiram correndo no ônibus enquanto Nathan atirava da janela. Joseph continuou correndo até acharem uma rua vazia com uma trilha marcada na floresta.
Assim que Joseph parou o ônibus seus olhos se voltaram para a pequena ruivinha nos braços de Taylor e todos o seguiram.
– VOCÊ ENLOUQUECEU GAROTA? COMO VOCÊ TRAZ UMA CRIANÇA PARA CÁ? VOCÊ VAI ACABAR NOS MATANDO COM ISSO, SUA LOUCA! – Gritava Nathan furioso andando de lado a lado no ônibus. Taylor, que já estava brava, retrucou em uma voz cortante:
– Saiba que não esteve nos meus planos voltar para cá e como eu vou cuidar dela é problema meu, afinal ela está COMIGO. – Então Taylor suspirou e olhou para Joseph – Obrigado por tudo o que fez para mim até hoje... Cuide bem de Megan.
Taylor se levantou, arrumou a ruivinha no colo e foi até o fundo do ônibus para pegar sua mochila preta. Quando a loira se virou, viu Blair encostada na janela chorando abraçada a Kevin, mas havia algo estranho com o menino. Ele estava muito pálido e com os lábios arroxeados, então ela olhou para os pulsos do garoto, que estavam sem as bandagens, mas o sangramento estava parando. Taylor, chegando à conclusão mais óbvia, arregalou os olhos e soltou um grito. Olhou para Joseph como se perguntasse se era verdade e o homem só consentiu com a cabeça e baixou o olhar.
Blair continuava paralisada, apenas chorava agarrada a seu garotinho. Taylor estacou de pé no meio do ônibus e foi cambaleando até tropeçar e cair sentada em um dos bancos, onde começou a chorar. A loira não conseguia tirar seus olhos de Kevin e Blair, até que Megan levantou-se, entregou a bebê para Dianna e abraçou-a, encostando a cabeça da loira em seu ombro, para que ela não conseguisse ver mais nada. Todos ficaram em silêncio por um tempo, mas Joseph sabia que ficar ali era perigoso para todos, então quando os soluços de Taylor diminuíram o homem disse:
– Pessoal, precisamos sair daqui... Não é seguro para nós e Kevin tem que ser enterrado ainda hoje. Nós poderíamos ver se há algum lugar perto da floresta e aproveitamos para enterrá-lo antes de escurecer. – Taylor secou suas lágrimas ao ouvir isso e saiu do abraço de Megan. A loira virou-se para Blair, que continuava do mesmo jeito, e achou justo que Kevin fosse limpo antes de ser enterrado, então levantou-se e puxou Kevin do aperto de Blair. A mulher levantou seu olhar assustada, como se tivesse acordado de um transe, e tentou puxar Kevin de volta, porém Taylor não deixou. A loira encostou o corpo de Kevin no apoio do banco e puxou Blair delicadamente para um abraço.
Blair tentou resistir ao abraço de Taylor pois queria seu filho, mas aos poucos a loira foi conseguindo acalmá-la e Blair começou a chorar em seu ombro.
– Glenn, me ajuda a limpá-lo? – Pediu Megan aos sussurros para não assustar Blair. Glenn foi tentar passar sem encostar-se a Taylor, mas como sua tarefa não estava indo muito bem, então Santana foi ajudá-lo. A morena pegou a mochila vermelha com medicamentos e passou para ele, que entregou a Megan e os dois foram para a porta do ônibus.
– Joseph, você poderia tentar nos arrumar um pouco d’água? Precisamos limpar Kevin antes de arrumá-lo. – Pediu Megan delicadamente. Joseph acenou que sim com a cabeça, dirigiu um último olhar à Blair, que estava sentada no banco ainda sendo abraçada por Taylor, e foi pegar um galão que estava quase vazio. Nathan, que estava calado ouvindo a conversa deles, se levantou e deu um tapinha no ombro de Joseph. Os dois pegaram facões e desceram do ônibus para pegar água na casa mais próxima. Santana estava calada olhando a cena entre Taylor e Blair e não aguentava mais ficar sentada sem fazer nada, então levantou para sair do ônibus. Passando por Taylor e Blair, a garota olhou-as e deu um sorriso para Blair. Taylor olhou-a com desprezo, como se culpasse a garota por tudo... O que era verdade. Taylor estava com muita raiva da morena, mas apenas rolou os olhos e voltou seu olhar à Blair.
A morena, com um olhar confuso, apenas balançou a cabeça e saiu do ônibus. Viu Joseph e Nathan saindo de uma casa azul carregando mantimentos e preferiu não se aproximar, mas seus planos não funcionaram por muito tempo.
– Santana, pode nos ajudar? Achamos vários enlatados dentro dessa casa e Joseph vai ajudar a cuidar do Kevin, então você poderia ir comigo?
– É claro, Nathan. – Santana disse com uma expressão um pouco raivosa. O moreno deu um sorriso para ela, entrou no ônibus e trouxe com ele duas mochilas. Assim que entregou a mochila preta e um facão, os dois foram caminhando calmamente até a casa.
Uma vez lá dentro, Santana começou a olhar os porta-retratos que estavam numa prateleira. Aparentemente esse era o lar de alunas de um campus, pois havia várias fotografias de três amigas com materiais, na balada, em parques e na casa. Ela começou a lembrar de Brittany e tudo o que elas viveram na escola, até antes de assumirem o namoro... Lembrou-se de seus amigos, das bagunças que faziam, do quanto falavam sobre viver em NY para fazer faculdade... Flashes da vida dela passaram por seus olhos como vento, marejando-os. Ela tentou segurar as lágrimas, mas foi ficando cada vez mais impossível.
Algo estava atraindo a morena para a prateleira... Como se estivesse hipnotizada, ela foi chegando cada vez mais perto, até avistar um colar em formato de coração. Ela pegou-o com a maior delicadeza e viu que havia um fecho na lateral, então abriu cuidadosamente. Viu, então, a foto de uma garota e de um garoto e não conseguiu mais controlar as lágrimas. Ela foi andando até cair sentada em um sofá, abraçou as pernas e enterrou a cabeça entre as mesmas, chorando como se não houvesse amanhã – o que certamente poderia acontecer.
Nathan estava na cozinha pegando enlatados e nem reparou que Santana estava chorando na sala. O moreno achou que ela estava apenas olhando as coisas, mas quando ouviu um soluço ele correu para a sala achando que ela estivesse sendo atacada, mas encontrou-a segurando o relicário e chorando rios de lágrimas. Ele correu na direção dela e abraçou-a até os soluços passarem e só restarem as lágrimas correndo livremente.
– Sant... O que aconteceu? – Perguntou Nathan cautelosamente.
– Eu... Eu achei esse relicário e lembrei da Brit. Nate... Como será que ela está? Melhor que nós, eu espero! – Disse Santana enquanto se abraçava ainda mais ao moreno.
– Sinceramente? Eu não sei Sant... Não faço a mínima ideia. Mas se ela pediu por isso é por que ela pensou ser o melhor para ela, então não se culpe e nem fique pensando nisso. Guarde as boas lembranças e sorria. Brittany NUNCA iria querer ver você chorando. Lembre-se disso Sant... Pare de sofrer por ela, onde quer que ela esteja, ela está feliz por você estar viva e quer te ver sorrindo. – Disse Nathan enquanto afagava as costas da morena e ela tentava secar o rosto.
– Lembra daquela foto que você me mostrou? Sua e da Brit... Que estava na sua carteira. – Perguntou o moreno. Assim que ela acenou que sim com a cabeça ele continuou – Você poderia colocar no relicário... Acredite, ninguém vai se importar por você ter pego e é uma ótima forma de lembrar dela.
Santana sorriu com a ideia e levantou-se. Tirou a foto do bolso, passou a mão como se fosse a coisa mais valiosa do mundo, e colocou no lugar da foto do garoto. Tirou uma foto dos pais dela, colocou no lugar da foto da garota e sorriu para Nathan. O garoto sorriu de volta e, para animá-la, falou:
– Vamos lá em cima? Poderíamos procurar roupas ‘novas’, já que estamos com poucas... – Santana deu um sorriso animado, pegou a mochila, o facão e subiu correndo com Nathan em seus calcanhares. Santana abriu a porta calmamente e posicionou o facão na frente do corpo para o caso de um Walker tentar atacá-la, mas nada aconteceu. Aparentemente as garotas foram mordidas em algum outro lugar, já que todas as coisas ainda estavam lá, então Santana aproveitou, abriu o guarda roupas, sorriu e começou a jogar na bolsa todas as roupas que ela gostava ou que achava que seriam necessárias. Os dois pegaram mais cinco cobertores para levar pros outros e Santana pegou um lençol para cobrir Kevin, não seria bom para Blair ver o filho ser enterrado sem nada para cobri-lo.
Os dois saíram da casa e viram Taylor tentando fazer Blair comer um pouco, mas ela estava rejeitando qualquer tipo de tentativa. O corpo de Kevin ainda estava dentro do ônibus, mas dessa vez limpo e arrumado por Megan e Glenn. Joseph estava com Dianna cuidando da bebê ainda não nomeada, mas já estava ficando um pouco tarde, então Nathan foi apressar todos para enterrar Kevin logo e acabar com um pouco do sofrimento.
– Joseph, onde vamos enterrá-lo? –Perguntou Megan aos sussurros para que Blair não ouvisse e voltasse a derramar as poucas lágrimas que ela ainda tinha.
– Dianna apontou um lago mais para o meio da floresta, achei que enterrá-lo ao lado seria mais bonito do que em qualquer lugar por aqui. – Disse Joseph um pouco acanhado. Claramente, essa situação deixou o homem mais do que simplesmente abalado. O Joseph líder e forte que eles costumavam ver tinha se perdido no meio de toda aquela tristeza e eles esperavam que ele voltasse logo, pois aquele homem era uma luz para o grupo.
Assim que decidiram por enterrar Kevin ao lado do lago, Joseph, Nathan e Glenn foram cavar enquanto Santana e Dianna estavam revistando essa parte da floresta para ver se havia algum Walker por perto e se havia algum lugar para eles ficarem. As garotas acabaram por achar uma clareira ali perto e marcaram o lugar com um pedaço de madeira que estava no chão. As duas voltaram para perto do lago e ficaram com Megan e a bebê até eles terminarem de cavar. Taylor e Blair estavam ao lado do corpo de Kevin. Blair não tinha mais forças para chorar, então apenas desabou ao lado do pequeno e abraçou-o como se nada mais importasse.
– Acabamos. – Anunciou Nathan assim que saiu do buraco cavado. Ajudou Joseph e Glenn a sair também e os três retiraram o que conseguiram da terra que havia em seus corpos. Megan levantou-se junto com a pequena e se aproximou de Taylor.
– TayTay... Nós precisamos enterrá-lo antes que escureça. Desculpe a indelicadeza, mas desse jeito nós iremos morrer também. – Sussurrou Megan em seu ouvido. Taylor acenou um sim com a cabeça e voltou seu olhar à Blair, que estava caída ao lado do corpo do menino.
– Blair, querida... Está na hora. – Disse Taylor suavemente, desejando que isso nunca tivesse acontecido.
– Não Taylor... Não pode estar! É meu menino! Ainda não é a vez dele! – Respondeu Blair desesperada tentando se agarrar ao último pequeno fio de esperança existente.
– Me desculpe, mas nós realmente temos que enterrá-lo, Blair... Vamos! – Taylor disse puxando a mulher de cima da criança. Blair se debateu nos braços da loira, mas de nada adiantou. Joseph veio e pegou o corpo de Kevin no colo, levando até o buraco recentemente cavado. Ele e Nathan desceram na cova e arrumaram Kevin de modo que ele parecia estar apenas dormindo coberto por um lençol. Uma cena estranha e horripilante, mas infelizmente real.
Os dois subiram e chamaram Glenn para fechar a cova, mas Megan apareceu com alguns lírios meio murchos.
– Esperem! Blair, eu acho que você iria gostar de fazer isso... – Falou Megan delicadamente estendendo as flores para a pobre mulher. Blair olhou-a com carinho e tentou agradecer, mas apenas alguns sons roucos saíram de sua boca. A mulher deu de ombros e chegou mais perto da cova, intimamente desejando cair ali e morrer com seu filho. Ela espantou momentaneamente esses pensamentos de sua mente e jogou três dos setes lírios em sua mão. Então ela voltou a chorar... E chorou como se seu mundo estivesse acabando – e era o que ela estava pensando no momento. Taylor apareceu em seu lado esquerdo, Joseph em seu lado direito e cada um ajudou-a a jogar as flores por cima do corpo inocente da criança.
– Blair... Gostaria de falar alguma coisa? – Perguntou Joseph o mais delicadamente possível.
– Gostaria de ouvir... – Respondeu a mulher baixinho, tirando forças de algum lugar dentro de si. Antes que Joseph pudesse abrir a boca, Taylor foi para frente e tomou a palavra.
– Hoje um dos nossos anjinhos se foi... Esse anjinho era muito querido e amado por todos nós, mesmo para aqueles que não tiveram muita chance de conhecê-lo bem. Kevin era um garoto inteligente que não merecia nada do que passou. Todos os medos, as dores e os sofrimentos que ele havia passado pode ter sido muito para ele, mas ele aguentou bem por um tempo. Infelizmente, Kevin poderia ter uma doença muito grave que, combinada com as condições atuais, levou essa vida inocente ao fim. Mas eu tenho certeza de que Kevin, onde quer que esteja, está feliz agora. Ele vai nos olhar e cuidar de nós, assim como nós fizemos com ele. Ele vai ser feliz e vai estar nos esperando quando nossa hora chegar. Kevin vai estar bem melhor do que um dia já esteve aqui, eu garanto Blair. E garanto que ele não iria querer ver você triste por muito tempo. Você merece ser feliz. Tanto quanto ele está agora. – E então, abaixando um tom para um sussurro, Taylor continuou – Sentiremos sua falta, pequeno. Seja feliz! – E deixou cair suas últimas lágrimas.
Blair estava chorando abraçada a Joseph e murmurou um obrigado quando a loira passou. Joseph perguntou se Blair queria que mais alguém falasse, mas a mulher negou com a cabeça, então Joseph a passou para Taylor e foi fechar a cova com Nathan e Glenn.
Todos estavam chorando mais para trás, era impossível não chorar ao ver aquela criança inocente morta. Claire estava mais afastada com a sua pelúcia, ela percebeu que ninguém estava lhe dando atenção naquele momento, mas não se importou. Seu novo amigo estava morto agora. Ela só queria chorar, sozinha... Como sempre fez.
Assim que a cova estava fechada, eles colocaram algumas pedras por cima e se olharam. Todos abaixaram as cabeças ao ver o estado de Blair, mas não havia mais nada que poderiam fazer por ela.
– Blair, vem... Vamos para a clareira, não há mais nada para fazer aqui. – Disse Joseph preocupado com o estado da mulher. Blair negou repetidamente com a cabeça e disse:
– Me deixe aqui por um tempo... Me deixe ter um tempo a sós com o que eu posso sentir do meu filho... Por favor, Joseph! Por favor! – Pedia desesperada. Joseph estava com medo de deixá-la sozinha, mas Santana disse:
– Vamos Joseph... Em vinte minutos nós voltamos aqui para ver como ela está. Deixe-a ter um momento consigo mesma, é importante! – Joseph, lembrando tudo o que a menina passou com a namorada, apenas concordou tristemente com a cabeça e começou a andar. Taylor, desconfiada, concordou com a ideia e disse:
– Em vinte minutos eu volto para te buscar, tudo bem querida? – Deu um rápido abraço na mulher e se foi junto com o grupo.
Blair sentou-se ao lado das pedras e lembrou-se de tudo o que passou ao lado do pequeno filho. Os dois sofreram muito em vida e ela esperava que isso mudasse ao menos para ele. Então um de seus pensamentos no ‘enterro’ do pequeno voltou a rondar sua mente: “intimamente desejando cair ali e morrer com seu filho.”. Bom, ela não poderia cair na cova com ele, mas poderia cair no pequeno lago e encontrá-lo para ser feliz de novo. Afinal, a mulher só vivia por ele... Para quê continuar vivendo, então?!
Ela levantou devagar, passou a mão pelas pedras como se fizesse um carinho, como se elas fossem parte de seu pequeno Kevin. Foi, então, caminhando lentamente para a margem do lago. Foi caminhando para o fim de seus medos e tristezas. Caminhou lentamente para concluir seu mais antigo e novo sonho: ser feliz ao lado do filho. Seus pés tocaram suavemente a margem do lago e seu corpo se arrepiou com a temperatura da água. Sim, estava muito gelada, mas não é como se Blair se importasse. Ela continuou caminhando, cada vez mais rapidamente, até a água bater em sua cintura. O frio agora estava de congelar, mas Blair continuava sem se importar. Ela faria de tudo para ver seu filho novamente. E continuou andando...
A água enfim chegou ao seu pescoço. Seus membros inferiores estavam dormentes e a dor e o frio estavam aumentando, mas ela até que gostava. Essas sensações, combinadas com a felicidade ilusória que ela criava ao imaginar-se abraçando o menino novamente, eram boas. Ajudava a passar a dor. E mesmo assim Blair não parou. A água agora cobria todo o seu rosto e ela não fez nada para sair de lá. Afinal, era isso o que ela queria... Morrer e encontrar seu filho... Blair sorriu uma única vez naquele dia, um sorriso de felicidade plena há muito não visto nesse mundo devastado, e a escuridão dominou-a por completo. Blair tinha acolhido a morte como uma velha amiga.
Taylor estava preocupada com Blair... A loira não sabia por que, mas estava com um mau presságio por deixá-la sozinha lá. Apesar disso, resolver espantar esse pensamento e deixar Blair esvaziar sua mente.
Megan apareceu alguns minutos depois com a pequena ruiva no colo e disse:
– Taylor, eu não estou me sentindo confortável em deixar a Blair sozinha lá... Não sei por que, mas não estou com um bom pressentimento!
– Eu também não Mag. – Disse Taylor assustada. A loira rapidamente se preocupou com o bem estar da mulher e pegou um facão para voltar ao lago. Megan seguiu-a de perto e, por estar tão aflita, quase caiu no meio do caminho.
Chegando ao lago as meninas não viram absolutamente nada. Taylor, desesperada, olhou para o lago e viu o que parecia ser cabelo boiando na água. Chegando ainda mais perto, logo na margem do lago, Taylor viu que eram os cabelos de Blair. A loira soltou um grito alto e entrou correndo no lago, nadando o mais rápido possível para perto de Blair, mas a temperatura da água não ajudava. Era como se a loira estivesse nadando em um lago congelado e isso estava quase tirando os movimentos dela, mas ela não desistiu. Agarrou Blair pela blusa no meio do lago e tentou nadar de volta, mas não estava conseguindo. Então ela avistou Nathan e gritou. Gritou por ajuda com as poucas forças que restavam, mas despertou a atenção do moreno e ele entrou no lago e nadou até as duas. Taylor ainda tentou se mover para ajudá-lo, mas não conseguiu. Parecia que a água tinha congelado seus membros, então ela fez força para não desmaiar.
Chegando à borda do lago ela encontrou Megan com vários cobertores no colo – até mesmo alguns que ela nunca tinha visto – e enrolou-a em dois enquanto Nathan fazia uma massagem cardíaca e tentava eliminar a água nos pulmões de Blair. A mulher cuspiu muita água, abriu ligeiramente os olhos e depois desmaiou. Megan, então, enrolou-a em três cobertores e passou um deles para Nathan. Joseph chegou correndo alguns segundos depois e desabou ao ver o estado de Blair, mas chegou mais perto e pegou-a no colo.
– Vamos para a clareira, aqui não é seguro. – Disse Joseph forçando-se para não chorar e seguiu seu caminho. Megan, com a bebê no colo, ajudou Taylor a se levantar e as meninas seguiram Joseph e Nathan. Uma vez na clareira, Joseph armou uma fogueira baixa e deixou Taylor e Blair lá, mas não antes de Taylor agradecer Nathan. A loira acabou dormindo e, quando acordou, todos já dormiam... Exceto Blair. A loira não tinha forças para se mover, mas não deixava de tentar. Estava novamente em prantos, provavelmente se perguntando por que ainda está aqui... Viva.
Então Taylor teve uma ideia... Algo que poderia realmente animá-la.
– Blair... Como você perdeu um filho, o que acha de ganhar uma filha? – Blair direcionou um olhar curioso e devastado a Taylor, que continuou – Bom, a Mary me salvou e deixou a pequena comigo... O que acha de cuidar dela? Tratá-la como uma filha que você não teve?
Taylor sorriu após a explicação e Blair retribuiu com um sorriso fraco e um aceno de cabeça quase imperceptível. Taylor então perguntou:
– Qual nome você vai dar para ela?
Blair pareceu pensar no assunto e juntou suas forças para dizer num sussurro rouco:
– Mary.
Taylor sorriu e olhou para a pequena que estava ao lado de Megan. Tão inocente... Assim como Kevin. Então olhou de volta para Blair e viu que ela estava olhando a pequena admiradamente e finalizou:
– Às vezes precisamos passar por uma gota de aprovações para termos a tão esperada felicidade.
Notas finais
Mandem reviews! É bom saber que gostam de interagir conosco e críticas são sempre bem vindas. Cliquem em 'clique aqui para acompanhar essa história' e fiquem de olho nas atualizações. Se você gosta mesmo da nossa fic manda uma recomendação! ;)
Beeeeeeeeijos ;*
Sintam-se hugados! :3
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