Oráculo

7 Capítulo 7: Noite de hotel


Notas iniciais
Oioi, sei que havia dito que demoraria mais tempo a postar, mas acabei não resistindo haha tenham uma boa leitura e espero que não precisem de calmante depois desse capitulo haha.

A estrada estava tranquila, parei algumas vezes para analisar os ferimentos do Isaac, sempre avisando que deveríamos ir ao hospital, mas ele negava. Não estava infeccionado, mas precisava de alguns remédios, assim como de roupas, ele ainda usava o casaco de socorrista, e para ser sincera, eu não estava aguentando meu próprio cheiro. Pedi que ele ligasse para tia Mary, para que ela pudesse depositar o dinheiro da minha conta no banco de uma tia distante que morava em Beverly Hills. O que combinamos foi que eu utilizaria o cartão dela que até então estava desativado, até eu pegar um novo.

Chegamos à cidade e fomos até a casa dela pegar o cartão, Beverly Hills ficava cerca de 25 minutos de Los Angeles, assim que o pegamos continuamos a viagem. Por telefone fiz uma reserva em um hotel no centro, ao chegarmos deixei Isaac deitado, os ferimentos estavam começando a piorar e desci fui até uma farmácia. Peguei algumas roupas para mim e para ele, coisas de higiene pessoal, alguns remédios e curativos. Fui em direção ao caixa para realizar o pagamento, estava tudo normal até que percebi algo estranho pelo espelho em cima do balcão. Alguém estava na porta da farmácia, me encarando, encapuzado e usava óculos escuros. Suas mãos se encontravam dentro do casaco, peguei um canivete que estava entre as coisas afiadas e passei juntamente com o restante das coisas, peguei a sacola e fui atrás dele.

Já era noite e chovia razoavelmente, assim que saí o vi dobrar a esquina, continuei a segui-lo. Eu confesso que o medo estava tomando conta de mim, eu estava cansada, meus pés doíam, minha vida era um infinidade de incertezas. Eu não sabia o que estava me levando a seguir aquele homem, e nem o que iria acontecer comigo, mas eu já não me importava mais. Dobrei a esquina e ele estava parado no meio da rua, a chuva foi engrossando e eu mal conseguia vê-lo.

— Não precisa ter medo de mim Ana – Disse e percebi que a voz era de uma mulher.

— Não estou com medo – Respondi e ela sorriu.

— Jura? – Perguntou apontando para o canivete que eu segurava firmemente em minha mão.

— O que você quer? Quem é você? – Ela foi se aproximando.

— São muitas perguntas Ana, e a única coisa que posso te dizer é que não pode confiar em Mary, você se surpreenderia com a verdadeira intenção dela. – Disse enquanto olhava em meus olhos, ou ao menos parecia já que estava de óculos escuros.

— E devo confiar em quem? Em você? Nem sei quem você é – Ela sorriu novamente

— Isaac precisa de você, acho melhor você ir, mas acredite ou não, sou sua aliada. Vemo-nos em breve – Ela saiu andando em direção oposta da minha, por mais estranho que isso parecesse, eu sentia que já a conhecia. Voltei para o hotel e Isaac estava pálido, suava frio. Corri até o banheiro e molhei uma toalha para colocar em sua testa.

— Você está péssimo – Disse e ele sorriu

— Esperava que não estivesse tão mal – Respondeu e eu sorri.

— Nós vamos ficar bem, eu prometo – Disse e peguei os remédios que havia comprado, na verdade comprei bastante coisa, injeções, remédios, curativos, até mesmo uma agulha caso precisasse costura-lo ou algo parecido. Tirei o casaco dele e havia um corte enorme em suas costas, os outros já estavam cicatrizando, mas o das costas não. É Ana, parece que vai ter que costurar.— Isso vai doer, vai doer muito – Ele colocou sua mão em meu rosto.

— Não tem problema, eu aguento – Respondeu, peguei a agulha e a linha cirúrgica, eu não tinha achado nenhum tipo de anestésico, e a solução foi aplicar uma dose de anti-inflamatório. Assim que terminei ele dormiu, limpei o ferimento e coloquei o curativo. Enquanto dormia, aproveitei para tirar os lençóis sujos da cama, e depois fui tomar banho, eu realmente estava precisando. Quando saí do banho ele estava acordando, se sentou na cama e me pediu que viesse até ele.

— Eu vou tomar um banho, não dorme por favor, eu preciso conversar com você – Ele disse e eu concordei com a cabeça, me deitei para espera-lo, mas o cansaço me venceu.

Eu estava em um hospital, provavelmente psiquiátrico, as pessoas gritavam sem parar “Você precisava acha-la”, eu estava presa em uma maca, meus pés e mãos amarrados. Minha cabeça doía demais, e as vozes estavam cada vez mais altas. Olhei para o lado e eu não estava sozinha, tinha uma pessoa na cama ao lado, Isaac, ele estava pálido, seu corpo inteiro tremia, tentei chama-lo, mas som nenhum saíra da minha boca. Ele se virou em minha direção, seus olhos estavam verdes brilhantes, conseguia resplandecer no escuro, e sussurrou “Socorro”.

Acordei e já estava escurecendo, realmente estávamos exaustos, olhei para o lado e Isaac ainda estava dormindo, puxei um pouco o lençol para ver como estava o corte, havia curado completamente, como se nunca tivesse se ferido. Levantei rapidamente assustada e ele acordou com o meu movimento e se sentou na cama preocupado.

— O que aconteceu? – Perguntou e eu me aproximei.

— Suas costas... – Apontei e ele foi em direção ao espelho.

— Você tem mãos de fada Annie, impressionante. – Sorriu e toquei suas costas.

— Isso é impossível... – Ele se virou e me puxou pela cintura.

— Nada é impossível Annie – Disse apontou para o espelho, meus olhos estavam violeta novamente, havia esquecido de colocar as lentes de contato. – Lembra quando eu disse que precisávamos conversar? – Perguntou e assenti com a cabeça.- Bem... eu te devo minha vida depois do que fez por mim...

— Você não me deve nada Isaac, esta tudo bem – Disse e ele tocou meu rosto com seus dedos, seus olhos azuis diziam tudo, como podia depois de tanto tempo o sentimento reascender?

— Me deixe terminar... Quando a gente namorava, eu era apaixonado por você, eu menti pra você quando disse que seu pai me contou sobre seus poderes, eu já sabia, sabia a muito tempo. Quando fomos acampar com o colégio, no dia que dormimos juntos, você me tocou quando dormia, você me mostrou Annie, me mostrou tudo. Eu nunca contei porque não sabia o que significava na época, eu estava com medo.

— Não estou entendendo...

— Jennifer também sabia, não sei como ela descobriu, nunca soube. Mas ela era obcecada por mim, em um dia ela me encurralou no colégio e me disse que contaria a todos sobre você, a menos que nós terminássemos.

— Esta de brincadeira? E você caiu nessa? Isaac, eu amava você e você me largou como se tudo que a gente viveu não significasse nada. – Disse e meus olhos se encheram de lágrimas.

— Me deixe terminar... Ela chegou a ir até seu pai, contou tudo que sabia e ele veio conversar comigo, disse que era o melhor a se fazer. Annie eu só queria seu bem, eu sei que errei, mas foi para proteger você. Logo depois que você foi embora eu terminei com ela, foi quando me alistei no exercito, eu precisava fugir de mim, não conseguia suportar ter te magoado e perdido você, mas eu sabia que um dia eu ainda te encontraria.

— E por que só esta me contando isso agora? – Perguntei e ele sorriu

— Por que eu ainda amo você – Sua mão subiu pela minha nuca e nossos lábios se tocaram, o prazer entre nossos corpos foram se intensificando, nada no mundo importava naquele momento, e pela primeira vez em muito tempo, me senti segura. O beijo era lento e profundo, nossos corpos se tocavam como se fossem um só, a eletricidade corria em minhas veias.

Ele me pegou pela cintura e entrelacei minhas pernas em seu corpo, ele depositava vários beijos em meu pescoço enquanto caminhava em direção a cama. Ele colou sua boca na minha saboreando o doce gemido que escapava entre os suspiros, levemente me jogou na cama e subiu em cima de mim, meu corpo irradiava luxúria.

— Tem certeza? – Perguntou e eu sorri, enrosquei minha mão em seu cabelo e o puxei em direção ao meu corpo. Enquanto ele mordiscava meu corpo inteiro me senti a pessoa mais sortuda do mundo, eu estava me entregando corpo e alma pro meu primeiro amor, meu único amor, meu protetor. Se eu o amava? Não tinha dúvidas, mas não sabia até onde esse amor duraria, em nossa situação seria difícil responder, e enquanto não obtínhamos respostas continuaríamos tentando, juntos.

Acordei com um sorriso enorme no rosto, estava encaixada em seus braços, noite passada com certeza teria sido a melhor da minha vida. Isaac acordou e depositou vários beijos em meu rosto, nada mais importava.

— Bom dia encrenqueira – Disse e eu sorri

— Eu ainda não esqueci tudo que aconteceu, só para deixar claro – Ele sorriu e me beijou.

— Eu sei, me esforçarei muito para que esqueça – Disse e se levantou – Vem tomar banho comigo – Me levantei e o segui até o banheiro. Assim que saímos do banho nos vestimos para descer e tomar café da manhã, mas alguém bateu em nossa porta. Não poderia ser, mas como? Olhei para o Issac que também não sabia o que estava acontecendo.

— Os pombinhos não vão me deixar entrar? – Era Jennifer Falt, sim aquela mesma. Ela sorria e vestia uma roupa de couro preta, pela voz reconheci que era a mesma pessoa que encontrei na noite anterior. Era difícil assimilar as coisas depois da noite anterior, depois de tudo que ele havia me contado.

— Porque deveríamos? – Perguntei e ela olhou para ele, e o mesmo abaixou a cabeça colocando a mão na testa.

— Não contou pra ela amorzinho? Poxa... – Ela entrou e fechou a porta, olhei pra Isaac e ele estava sem reação, como se não esperasse isso, mas não agora.

— Não contou o que?... — Perguntei e ele veio em minha direção.

— Não é o que você esta pensando Annie... – Disse enquanto se aproximava.

— Como sabe o que eu estou pensando? – Perguntei e me afastei.

— Chega desse clichê barato, olha Ana, sua tia Mary a queridinha, ela que chamou aqueles homens para torturarem vocês. Ela também quer achar o oráculo e não se importa que tenha que acabar com sua vida para conseguir o que quer. – Ela disse e eu me sentei. Não poderia acreditar, a única pessoa da minha família que não havia mentido para mim, na verdade se aproveitou dos meus poderes a vida inteira.

— Mas porque...

— Porque você não é a única da família a possuir poderes – Isaac se aproximou enquanto ela falava. – Ela também tem poderes Ana e está morrendo, a única pessoa que pode salvá-la é o oráculo, mas ninguém sabe onde encontra-la.

— Ela escondeu de mim esse tempo todo... Como sabe disso tudo? – Perguntei.

— Acho que Isaac já te contou que eu já sabia dos seus poderes, era só questão de tempo para descobrir sobre os dela.

— Isaac tem o que a ver com isso? – Perguntei e ela se aproximou dele.

— Ora meu amor, eu e ele estamos trabalhando juntos nisso há muito tempo, não é amorzinho?...

Notas finais
Oioi, depois desse sufoco que foi esse capítulo eu mereço alguns comentários não acham? Coitada de Ana, vamos torcer para que ela consiga assimilar tudo isso. Até o próximo capitulo....